Capítulo 29 – Decisão

Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter, e ter que esquecer
É insuportável, a dor incrível

Skank - Te Ver

— Então eu disse pra ele que o sexo durava menos do que eu tempo que eu levo pra atravessar a rua e chegar na casa dele. – terminei de contar para Alice e Rose.

As duas riam de se contorcer, e Allie estava com lágrimas nos olhos.

— Ah, que fina. – brincou Rose, e eu cruzei os braços, na defensiva. – Ei, ele começou. Ele pediu, aliás, implorou por isso.

— Mesmo assim me senti estúpida. – admiti.

— Não se sinta. O cara mereceu. – garantiu Allie. Suspirei e abri os braços para elas, precisando de contato para me consolar.

— Eu deveria estar chorando ou algo assim, não é? Meu primeiro namorado...

— Ah, não fique assim. Cada um lida de um jeito. E não é como se ele fosse seu primeiro amor. – pontuou a loira, e eu concordei com a cabeça.

— Acho que já está na hora de dormir, não é? Quem vai dividir a cama comigo? –

falei, rindo.

— Tá tão frio que eu não ligaria se nós três dormíssemos na cama. – falou Alice, me abraçando com força. Rosalie concordou. – Ótimo. Rose, você está na ponta, vai apagar a luz.

— Eu não tenho opinião. – brinquei, mas Rose já estava voltando e o quarto já estava escuro.

— Não, não tem. – as duas disseram em uníssono e começaram a rir. Fui obrigada a me juntar a elas.

— Obrigada por virem, meninas. – murmurei, sonolenta. Tinha sido um dia longo demais.

— Sempre. – respondeu Rose, e Allie só resmungou.

xXx

— Bom dia. – Edward cumprimentou a minha sala de inglês.

Eu estava quase grudada em Alice e a encarei quando ele sorriu para nós. Estava constrangida por ele ter sido meio que o motivo de eu terminar com meu namorado.

— Gostaria de falar com vocês sobre um assunto muito sério. – começou, o sorriso não mais presente.

Encarei minha amiga pro um segundo, mas voltei os olhos para o professor quando ele continuou.

— Chegaram aos meus ouvidos certos boatos sobre o meu envolvimento amoroso com uma aluna. – começou Edward, e eu o encarei, curiosa sobre o que ele ia falar sobre as histórias de Jessica. – Queria só deixar claro que são todos falsos. Nunca imaginei que algo assim pudesse ser espalhado em uma escola, achei que as pessoas teriam bom senso o suficiente para perceber que quem quer que tenha iniciado os rumores só pode estar querendo chamar a atenção dos outros. Não estou envolvido de nenhuma forma, seja romântica ou puramente sexual com ninguém no momento, quanto mais uma aluna menor de idade.

O silêncio era palpável. Todos encaravam Jess, que tinha o rosto vermelho da humilhação.

— Bom, já que esse assunto está resolvido, vamos à aula. – declarou o professor, sorrindo. Ele então se lançou na narrativa do romance que estávamos acompanhando, como se nada tivesse acontecido.

Um sorriso meio maldoso se espalhou no meu rosto enquanto eu abria meu caderno para começar a anotar. Ninguém se atreveu a cochichar, mas no segundo que o sinal bateu e Jessica praticamente saiu correndo da sala, todos começaram a rir e comentar. Eu senti pena dela. Antes do almoço todos já saberiam a humilhação que ela tinha passado. Mas, pensando bem, ela bem que merecia ser colocada no lugar.

xXx

Eu sabia que Edward sempre ficava um tempo no escritório depois das aulas, e era lá que eu o estava esperando depois de ter corrido pra fora de Biologia. Ele abriu a porta e tropeçou no lugar, surpreso.

— Bella. Tá tudo bem? – perguntou, preocupado. Eu mordi o lábio e dei de ombros.

— Estou bem. – murmurei.

— Posso te ajudar em alguma coisa? – insistiu, não inteiramente convencido que eu estava bem, provavelmente.

— Eu só... queria conversar. – admiti, me sentindo estúpida. O que eu estava fazendo ali, de verdade? Implorando para ele rir de mim?

— Ah, claro. – falou rapidamente, indo se sentar na mesa. Eu continuei no sofá. –

Sobre o quê?

— Nada em especial. – respondi, corando. Ele me encarou, achando graça.

— Tudo bem, então. Devo perguntar como foi o seu dia? – brincou. Dei de ombros.

— Foi normal. A aula de inglês foi divertida. – falei, rindo.

— Ah, é? Me conte.

— Bom, tem essa garota que tentou me ameaçar uma vez porque achava que sabia alguma coisa sobre mim e um certo professor, e quando a ameaça não funcionou, ela criou boatos sobre o envolvimento dela com ele, mas ele desmentiu tudo publicamente. – expliquei, piscando para ele.

— Jessica te ameaçou? – desacreditou. Ups! Em minha diversão toda, tinha esquecido que não pretendia contar pra ele aquilo.

— Ah, não foi nada. Ela não tinha nem certeza, só estava me provocando. – garanti. Ele continuou desconfiado.

— Você tem que me contar essas coisas, minha pequena. E se ela espalhasse o boato errado?

– pensou alto.

— Você desmentiria na frente de todos, simples. – garanti. Ele suspirou. Me levantei e me espreguicei antes de andar até ele e sentar em sua mesa, o encarando. – Jessica não sabe de nada, e ela perdeu toda a credibilidade na escola agora. Ninguém nunca acreditaria nela.

— Por que você está aqui? – perguntou ele, olhando para minhas pernas por um segundo, antes de se concentrar em meu rosto. Eu me inclinei um pouco, cedendo uma pequena visão do meu decote. Os olhos dele dançaram pelo meu corpo.

— Você não consegue imaginar? – fiz eu, inocentemente. Ele engoliu em seco.

Antes que ele pudesse dizer outra coisa, eu aproveitei a minha chance e o beijei.

Ele foi pego de surpresa com a minha ação, mas logo estava me beijando de volta. Ele era a única pessoa capaz de me fazer gemer com um simples beijo. Bem, de simples aquilo não tinha nada. Suspirei, percebendo o quanto tinha sentido falta dos toques dele.

Minhas mãos, criando vida própria, foram para os botões da camisa dele. Eu achei que ele ia me tocar, mas suas mãos seguraram as minhas bruscamente e ele se afastou. O encarei, surpresa.

— O que você está fazendo, Bella? - fez ele, sério. Meu nome saindo por seus lábios me desarmou. Eu esperava apreciação, e não repreensão.

— Eu estou beijando você. - respondi baixo, me sentindo acuada por seu olhar.

Era como se ele estivesse dividido entre raiva e descrédito. Como se ele odiasse que nossas pernas estivessem se tocando e tivesse revoltado com minhas mãos em seus ombros. Nervosa, o soltei e cruzei os braços, claramente na defensiva.

— Você devia ir. - falou.

O ofegar chocado saiu dos meus lábios antes que eu pudesse me segurar. Ele estava me mandando pra longe? Não era ele quem tinha dito que se eu piscasse ele estaria na minha mão? Eu estava fazendo muito mais do que piscar agora. E, pelo menos do meu ponto de vista, ele estava muito longe de ser meu nesse momento.

— Bella, por favor. - insistiu, arrastando sua cadeira para trás, para longe de mim. Ele se levantou e andou até a porta, abrindo-a com um movimento rápido. - Por favor, vá embora.

A rejeição tomou a forma de lágrimas em meus olhos rapidamente. Com a cabeça abaixada, corri para fora, mirando meu carro e só parando quando já estava dentro dele. Por que doía tanto? Não era como se ele tivesse, eu não sei, quebrado meu coração. Então por que eu estava com tanta vontade de me encolher e chorar pelo resto do dia?

Desnecessário dizer que foi exatamente o que eu fiz.

xXx

Um bilhete caiu do meu armário quando eu o abri na manhã seguinte. Reconheci a letra caprichada e guardei o papel rapidamente, embora minha vontade fosse de rasgá-lo. Jasper tinha aparecido em casa no meio da minha crise e me consolado com palavras carinhosas e chocolate. Sua companhia tinha sido fundamental para eu me acalmar, mas assim que ele tinha dito boa noite, eu me fechei no quarto e o choro voltou magicamente.

Bendita seja a conexão entre irmãos, ele sentiu que eu não ia ficar bem sozinha e ligou pedindo para Alice me fazer companhia. Seu humor bobo e animação eram o que eu precisava para passar a noite bem. Tínhamos acordado de manhã deitadas de conchinha, motivo de riso logo cedo. Eu sentia como se tivesse me recuperado completamente.

Não foi até eu ver o bilhete que eu percebi o quanto eu ainda estava triste pelo acontecimento na tarde anterior. Algo em mim estava seriamente danificado, algo que nem meus melhores amigos tinham conseguido consertar completamente com suas companhias incríveis.

Minha primeira aula era de biologia. Era uma daquelas aulas que todo ano o professor ensina a mesma coisa, então nem me senti mal de sentar no fundo e pegar o bilhete para ler quando o professor já tinha começado a aula. Bom, bilhete era um eufemismo. Haviam duas folhas ali.

Minha pequena,

Ah, como eu queria poder te chamar de minha! Se eu pudesse te chamar assim em toda e qualquer circunstância, nem estaria te escrevendo esta extensa missiva.

A saudação encheu meus olhos de lágrimas. Edward estava sofrendo por mim? Como eu não tinha visto isso ontem? Eu achava que ele tinha cansado de mim, e por isso me rejeitado. Nunca passou pela minha cabeça que ele realmente ainda me queria - era essa a minha maior dor: saber que o perdi para sempre.

Do que devo te chamar? Será que posso usar seu nome, Isabella? Depois de tantas noites compartilhadas e todo o prazer que demos um ao outro? É impossível. Bella, talvez? Mas você não é e nunca será "Bella" pra mim. Você é a minha pequena, mesmo que não seja de fato minha. Vamos estabelecer que usarei seu apelido preferido sem o pronome possessivo, então.

Como ele sabia que aquele era meu apelido preferido? Gemi baixo, esfregando o rosto. Ele sabia que eu amava que ele me chamasse assim, embora não fosse verdade. Eu era tão sádica. Pobre Edward! Quis sair correndo da sala e abraçá-lo onde quer que ele estivesse, mas não podia.

Não me pergunte porque decidi escrever - talvez seja mais fácil ser direto aqui, mas sem te machucar como fiz ontem. Me perdoe, pequena. Vi nos seus olhos as lágrimas que te causei e acredite quando digo que as chorei também. Não quis te magoar quando pedi para que saísse, mas te magoei mesmo assim. Sinto por isso. Sinto por tudo.

Por que ele tinha que ser tão poeta e tão sensível à minha dor? Foi demais pra mim, as lágrimas escorreram dos meus olhos. Olhei ao redor, mas ninguém parecia ter percebido o quão atormentada eu estava. Torci para que continuasse assim.

Penso que te devo algo, ao menos uma explicação. Vou te dizer o que se passa comigo, pequena. Há anos não me apaixonava, e não consigo me lembrar se algum dia já amei alguém tanto quanto te amo agora. Te ver e saber que eu não tenho o direito de usar o apelido que te dei dói mais do que você pode imaginar. Não posso te chamar de minha, só posso sonhar com isso.

São tantos obstáculos entre nós. A minha idade. Sua idade. Minha profissão... Mas isso não é nada. O pior e mais concreto obstáculo que nos separa é o seu coração. Eu sei que ele não me pertence do mesmo jeito que o meu pertence a você. Racionalmente, eu aceitei esse fato. Mas minhas emoções ficam uma bagunça quando estou perto de você.

Quando estava sentada na minha mesa, com seu corpo lindo tão perto do meu, suas palavras provocantes e... Eu podia sentir que você me desejava naquele momento. Naquele momento, se eu quisesse, você teria sido minha.

Mas isso não é mais o suficiente, pequena.

Eu não quero você por uma hora. Eu te quero por uma semana, um mês, um ano, uma vida. Eu quero sair dessa cidade com você e andar na rua segurando a sua mão. Eu quero olhar nos seus olhos, dizer que te amo e ouvir que é recíproco. Eu quero acordar do seu lado todas as manhãs.

E eu quero ganhar um milhão de dólares na loteria também, mas nem todos temos o que desejamos. Tudo em você me convida. Seu cabelo, seu cheiro, seu jeito... Mas eu tive que resistir, pequena. A dor que eu sentiria ao te ver ir embora mais uma vez não seria suportável.

Entenda, querida, que eu nunca quis te magoar. Sinto por ter feito isso. Naquele momento, porém, eu sabia que se dissesse mais do que cinco palavras, iria desabar completamente, e já basta o quanto eu me humilhei e te constrangi com minhas declarações - deus a livre de passar por isso de novo.

Esse é um dos motivos porque escrevi. Você pode ler ou não. Você pode acreditar ou não. Você pode colocar fogo nessa carta, se quiser. É melhor do que atear fogo no meu coração.

Eu queria poder dizer que posso ser seu amigo. Eu realmente queria. Afora todo meu amor e atração física por você, sempre te achei uma menina incrível, divertida e inteligente. Gostaria de não perder isso, suas brincadeiras e simpatias. Mas creio que seja impossível, pelo menos por agora.

Espero que entenda que nunca te quis mal e que minha intenção é te explicar o que acontece, e não te torturar com a minha dor.

P. S. : Já faz muito tempo que eu recitei pra você um poema. Achei que algum dia você iria me confrontar sobre o significado dele, mas é em latim e você estuda espanhol na escola. Eis aqui a tradução, só pra você saber.

Dá-me pois mil beijos, e mais cem,

e mil, e cem, e mil, e mil e cem.

Quando somarmos muitas vezes mil

misturaremos tudo até perder a conta:

que a inveja não ponha o olho de agouro

no assombro de uma tal soma de beijos.

Amor,

Edward.

— Senhorita Swan? - alguém me chamou. Eu mal ouvi. Meu ouvido estava tapado, meu nariz escorria, meu corpo tremia e meus olhos estavam completamente embaçados por causa das lágrimas. - Senhorita Swan?

Enfim registrei a voz do meu professor me chamando. O borrão que era o rosto dele parecia preocupado.

— Está se sentindo bem?

— Posso tomar um ar? - sussurrei, minha voz falhando.

— É claro. Você gostaria que eu chamasse a enfermeira ou-

Eu estava fora da sala antes que ele terminasse a sentença. Corri para o estacionamento, sem nem me importar em ter deixado minhas coisas na sala. A chave do meu carro estava comigo e era isso o que importava no momento.

Dirigi para casa, fungando em minha blusa e secando os olhos a cada poucos segundos para poder enxergar o caminho. Corri para meu quarto e me tranquei, jogando o rosto no travesseiro, finalmente podendo soluçar e me entregar ao choro à todo vapor. Como eu podia ter feito isso? Como era possível que eu tivesse fodido tanto com a vida de alguém que eu amava tanto?

A palavra, dita em pensamento, me pegou de surpresa. Eu amava Edward? O que, afinal, era amor? Apanhei a carta e reli, à procura. Ele tinha falado sobre meu corpo o convidando. Não havia ninguém no universo cujo corpo eu desejasse mais do que Edward. Tudo nele chamava por mim - desde seu cabelo desgrenhado até suas pernas fortes. O jeito que ele fazia com que eu me sentisse quando me tocava era único, mesmo que fosse só um beijo.

Suspirei, me perdendo em lembranças quentes por um segundo. Aquele primeiro fim de semana, eu toda constrangida e ele cheio de paciência pra me ensinar... Nossa viagem à praia e eu compartilhando-o com a Marley. Aquele tinha sido uma das provas que eu tinha apresentado pra mim mesma à favor da minha convicção de que eu não o amava.

Quer dizer, se eu o amasse, eu não deixaria que outra mulher o beijasse na minha frente, não é? Corando, me lembrei que eu não tinha deixado ela o beijar. Mas, diabos, ela tinha chupado ele. Isso é muito pior do que um beijo, não é?

O que mais Edward tinha dito na carta? Oh, sim. A minha dor refletida nele, que sofria por ter me deixado triste.

Não tinha sido exatamente assim que Jacob descobrira tudo? O fato de eu estar arrasada por tê-lo decepcionado?

Qual era o limite entre gostar muito de uma pessoa e sentir atração por ela e amá-la, de fato? Como eu poderia saber se o amava ou não? Louca por um segundo, apanhei meu laptop e o liguei rapidamente. Joguei no google uma simples frase: "Como saber se estou amando". Assim que os resultados surgiram me senti estúpida e ia fechar a página, mas um subtítulo me chamou a atenção. Estou apaixonada, amando ou só gostando dele?

Meus olhos ávidos devoraram o artigo rapidamente. Gostar é ter uma afeição leve. Concluí que tinha gostado de Jacob. Paixão é um desejo fugaz, avassalador porém passageiro. E amar era, segundo o autor, quando nós sentimos que poderíamos passar meses e anos ao lado da pessoa sem se cansar. Quando os defeitos se tornam suportáveis e as qualidades nos encantam. Qualquer avanço simples que o outro realiza, te faz feliz. Qualquer tristeza que ele passa, te afeta também.

Oh, merda.

Eu amo meu professor.

Como diabos isso foi acontecer?

xXx

xXx

Hey. Não me matem, por favor. Final de semestre, falta de inspiração e – adivinhem! – um notebook quebrado colaboraram para minha demora. Eu não consigo escrever em computador de mesa, me dá um desespero, parece que tá todo mundo olhando pelo meu ombro! Tive que emprestar da minha irmã o netbook dela. Que não word! Haha. Ou seja, escrevi no bloco de notas. Me perdoem qualquer erro, se eu for revisar vai demorar ainda mais.

Beijos e eu amo vocês.

Se alguém quiser me dar uma tela de notebook, eu tô aceitando. Meu aniversário é em duas semanas haha.

Fui.