Capítulo 29- Onde você esteve durante todo esse tempo?
Os enormes olhos verdes e expressivos do homem sentado junto ao balcão do bar que não parava de lhe dirigir sedutores sorrisos estavam deixando Ana-Lucia embaraçada diante de seu grupo de amigas que bebiam com ela em uma mesa próxima.
Era sua primeira noite de folga em muito tempo, depois de trabalhar três anos seguidos para o distrito policial de Los Angeles. Há dois dias havia sido promovida à agente federal e não podia estar mais feliz por ter a oportunidade de fazer carreira no FBI. Libby, sua melhor amiga havia decidido comemorar sua vitória e chamando mais três amigas elas foram ao badalado Bar do Coyote, um pub recém-inaugurado em LA.
Ana-Lucia bebia e conversava com as amigas, divertindo-se quando viu o belo homem entrar no bar e ir sentar-se junto ao balcão. Alto, cabelos negros e lisos, feições latinas e impressionantes olhos verdes. Ele não conseguia tirar seus olhos dela e as amigas não paravam de provocá-la com isso.
Aos 23 anos, Ana-Lucia nunca tivera um relacionamento realmente sério e jamais agira por impulso. Sempre fora muito controlada e dedicada aos estudos e ao trabalho na polícia. Mas aquele homem tinha algo que ela não sabia explicar, sentiu-se atraída de imediato. Porém, não tinha coragem de fazer mais nada além de corresponder aos insistentes olhares dele.
Alguns minutos depois, nessa brincadeira de troca de olhares furtivos, o garçom veio trazer um bilhete para Ana junto com um drink, tequila e tônica, seu favorito, como o homem poderia saber? Ela agradeceu ao garçom e abriu o bilhete, diante dos olhares ansiosos das amigas.
"Onde você esteve durante todo esse tempo? Pensei que jamais fosse conhecer a mulher da minha vida"- o bilhete era curto e direto. Ele a queria e nada mais. Cinco minutos depois, outro bilhete. "Será que posso me aproximar da sua mesa?"- Ana-Lucia assentiu com o olhar e o homem bonito juntou-se a ela e suas amigas.
Angel Mariner, ele disse se chamar e Ana-Lucia adorou o som de cada sílaba que formava o nome dele. O clima tenso de paixão e desejo durante a animada conversa na mesa do bar logo foi notado pelas amigas que com desculpas esfarrapadas deixaram o ambiente com silenciosos divirta-se e boa sorte nos olhares. Libby foi a mais indiscreta, fazendo um sinal com a mão ao ouvido, claramente pedindo que a amiga ligasse depois para contar-lhe o resultado.
Depois disso, a noite prosseguiu mágica. Cada palavra que diziam parecia ser o pensamento do outro. Angel tomou a mão de Ana entre as suas e os rostos se aproximaram. O primeiro beijo aconteceu e nada mais pôde parar o desejo que se apoderou deles. Ana-Lucia jamais tinha feito isso, aceitar o convite de um estranho para a cama. Mas não podia dizer não àqueles olhos verdes persuasivos.
Naquela mesma noite, ela o levou ao seu apartamento e eles fizeram amor a noite inteira, e Ana estava certa no dia seguinte de que encontrara o homem de sua vida.
- Onde você esteve durante todo esse tempo? Pensei que jamais fosse conhecer o homem da minha vida.- ela gracejou quando acordaram juntos na cama dela na manhã seguinte.
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- Você está bem, mi hija?- indagou Raquel quando viu a filha voltar a si no banco de trás de uma das viaturas. Depois de terem entrado no quarto de motel e Ana-Lucia ter visto o corpo de Angel asfixiado e retalhado sobre a cama, ela perdera completamente os sentidos.
- Eu acho que sim...- respondeu ela, sentando-se no banco do carro.
- A perícia já chegou ao local do crime. Estão fazendo as primeiras investigações.- disse Raquel.
Ana-Lucia ficou calada e a mãe foi sentar-se junto dela no banco do carro, tomando suas mãos entre as suas.
- Apesar de tudo, eu sinto muito cariño. Sei que um dia você o amou.
Ana deixou escapar uma lágrima:
- Eu o amei sim, mama. Mas ele me decepcionou e muito.
- Talvez você devesse ir pra casa. Recebi uma ligação de seu marido há pouco, ele acabou de receber alta e vai pro apartamento esperar você.
- Eu não quero falar com ele!- ela disse, sentida.
- Ana, estou a par do que aconteceu no St. Sebastian hoje e apesar de ter ficado tão chocada quanto você, eu acho que deveria ouvir o que seu marido tem a dizer. Ele deve ter uma boa explicação para essa paternidade tão fora de hora.
- Você defendendo o Sawyer, mama?- retrucou Ana-Lucia. – Isso é novidade pra mim, esqueceu-se de que ele foi um golpista?
- Você disse bem, ele foi um golpista. Isso é passado! E se o estou defendendo agora é unicamente porque sei que ele a ama demais.
- Angel também dizia me amar.- Ana a lembrou.
Raquel abraçou-a.
- Querida, não deixe que a desilusão que o Angel provocou em você a faça desistir de seu grande amor de verdade.
Ana-Lucia se desvencilhou do abraço da mãe.
- Que seja! Posso conversar com ele depois, mas agora quero continuar aqui e participar das investigações. Já me sinto bem melhor.
Raquel franziu o cenho. Sua filha era mesmo muito teimosa, mas não podia nem falar nada, ela tinha a quem puxar.
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Jack terminou de cobrir Inês em sua caminha, acariciou seus cachinhos escuros e a deixou adormecida no quarto, deixando a porta entreaberta. Depois que Kate chegara ao apartamento, atordoada e com as mãos sujas de sangue, ele se descontrolara querendo saber a verdade de uma vez por todas. Mas devido à presença da criança no apartamento, ele voltou a si e ordenou que Kate fosse tomar um longo banho e que depois conversariam muito sério.
Quando finalmente conseguiu fazer a menina adormecer, ele foi até a sala e encontrou Kate sentada, usando uma camisola de algodão emprestada de Ana-Lucia, os cabelos úmidos do banho. Vendo que Jack se aproximava, ela ergueu o rosto e ele pôde ver que ainda chorava.
- Por onde quer que eu comece?- ela indagou com um soluço, estava muito fragilizada naquele momento.
- Onde você esteve durante a tarde?- ele perguntou com os braços cruzados sobre o peito, o semblante duro, o corpo encostado à parede branca da sala.
- Eu fui ver Danny Picket.- Kate respondeu.
- Quem é Danny Picket?
- Um dos homens que faziam parte da quadrilha de Angel Mariner, da qual eu e Sawyer fizemos parte durante um bom tempo.
Jack se aproximou dela, tomando uma das poltronas diante do sofá onde ela estava sentada.
- Então o que você é? Uma bandida como ele?
- Jack... – ela pediu num murmúrio. – Me deixa te contar tudo, por favor!
- Eu estou ouvindo.
- Hoje à tarde, eu estava tomando conta da Inezita e ela me falou umas coisas estranhas sobre sonhos que tinha com um homem mal que queria machucar sua mãe. Durante o tempo em que conheço a Ana, a Inês já teve esse comportamento mais de uma vez e depois que descobri que ela era filha do Angel, tirei minhas próprias conclusões.
- Que tipo de conclusões?
- Que esses sonhos e estranhos acontecimentos eram presságios e que nós não estávamos ouvindo. Eu conheci o Angel há muito tempo, eu era praticamente uma menina. Ele mudou-se do México para a fazenda vizinha à da minha família no Tenessee. O Sawyer morava conosco e naquela época tudo era maravilhoso antes do meu pai morrer e a minha mãe se casar com o demônio.
Jack ouvia a história, atento.
- Comecei a namorar o Angel e meu padrasto pareceu não gostar daquilo, ele me olhava de um jeito estranho e o Sawyer também achava isso. Angel foi meu primeiro homem, disso nem o Sawyer sabe. De alguma maneira meu padrasto descobriu que nós tínhamos transado no celeiro e reagiu de forma violenta, como se estivesse com ciúmes, não sei. Wayne era alcoólatra e espancava a minha mãe, mas nesse dia ele passou dos limites e estava quase matando a minha mãe por causa da raiva que sentia de mim e o Sawyer o impediu. O Wayne tentou atingi-lo com um ancinho, mas acabou acertando em si mesmo e morreu.- ela fez uma pausa e fitou os olhos castanho-esverdeados de Jack antes de continuar. – Mamãe nunca nos perdoou, nos expulsou de casa, começamos a passar necessidades. Foi então que o Angel teve uma grande idéia, começou com o roubo de carros, depois coisas mais pesadas como o tráfico de drogas. O Sawyer arranjou uma namorada que também entendia muito do assunto e a quadrilha foi crescendo. Só que as coisas começaram a se complicar. Eu fiquei grávida e...o Angel me fez abortar o meu filho, Jack, ele me drogou e matou o meu bebê!
As palavras dela deixaram o coração de Jack apertado, mas ele não se moveu do lugar. Ela continuou:
- Depois, o Sawyer descobriu que a Cassidy, namorada dele, estava tendo um caso com o Angel e então eu e ele resolvemos largar aquela vida. Fugimos pra Nova York e tentamos recomeçar nossas vidas, mas eu sempre fiquei de olho nas atividades da quadrilha para nossa própria segurança. Mas aí, o Angel foi preso. Engravidou uma agente federal.
- Ana-Lucia.- Jack concluiu.
- Exato.- respondeu Kate. – Eles estavam juntos, mas na verdade ela o investigava. No dia em que ele descobriu que ela o delatara, Angel saiu com ela no carro e eles sofreram um acidente, batendo de frente com outro carro. Uma criança morreu, a filha do professor John Locke.
- Sim, eu me lembro desse acidente.- raciocinou Jack.
- Depois disso, o Angel foi preso e eu e Sawyer ficamos tranqüilos. Passamos quase quatro anos em Nova York e nos mudados pra Los Angeles. Ele arrumou o emprego no restaurante e tempos depois eu comecei a trabalhar no Bar do Coyote. Apesar de Angel estar preso, eu ainda mantinha meus contatos e descobri que a agente federal que o prendera estava na pista do meu primo porque a Cassidy o delatara. Fiquei em estado de alerta e comecei a me preocupar quando vi que o Sawyer estava se apaixonando por ela.
- Então foi por isso que você não queria que o seu primo soubesse qual era a profissão da Ana de verdade?
- Sim.- Kate assentiu. – Eu não sei por que, mas senti que apesar de estar investigando meu primo, Ana-Lucia estava tão envolvida quanto ele. E somente quando tive certeza disso foi que achei que Sawyer deveria saber da verdade.
- Mas e o seqüestro da Ana? Você sabia que tinha sido o Mariner quem a seqüestrara?
- Sim.- respondeu Kate. – Angel me procurou antes do seqüestro, e fez chantagem comigo sobre você. Disse que ia contar a você quem eu era e acabei descobrindo que era Cassidy quem mandava os bilhetes e fazia os telefonemas pra mim tentando me alertar sobre você no início do nosso namoro só pra infernizar a minha vida.
Jack lembrou-se do estranho comportamento meses atrás.
- O Angel me contou que pretendia seqüestrar a Ana-Lucia, que era a única forma dele conseguir um bom dinheiro pra fugir do país depois de ter conseguido escapar da prisão. Prometeu que não faria mal nenhum a ela e eu acreditei, disse que tinha um contato na polícia. De alguma forma ele cumpriu isso porque a libertou depois de receber o dinheiro. Sei que deve estar se perguntando por que fui cúmplice dele no seqüestro de Ana, mas eu fiz isso Jack porque queria manter o que nós tínhamos, o que Sawyer tinha com Ana. Ele pretendia se casar com ela e se Angel não conseguisse fugir dos Estados Unidos ele não nos deixaria em paz.
Jack balançou a cabeça negativamente.
- E você realmente acreditou que ele nos deixaria em paz depois de conseguir o dinheiro?
- Sim, eu fui ingênua e agora sei que ele é o culpado do que aconteceu de ruim em nossa de lua de mel.
- Mas isso ainda não explica o porquê te você ter chegado aqui com as mãos sujas de sangue.
- Eu fiquei muito preocupada depois do que a Inês me contou sobre os seus sonhos. Ninguém sabia da Ana e eu pensei que ela pudesse estar em perigo com o Angel solto por aí. Resolvi ir atrás de informações. Fui até um dos esconderijos da quadrilha e...Jack eu encontrei todos mortos!- o olhar de Kate era de horror.
Jack finalmente foi sentar-se ao lado dela e a abraçou.
- Era um cenário grotesco. Cinco pessoas mortas, os corpos estrangulados pelo chão. Eu encontrei o Picket agonizando em um quarto e perguntei quem tinha feito aquilo, mas ele não conseguiu me responder. Por isso minhas mãos estavam sujas de sangue, o sangue dele quando tentei ajudá-lo.
- Oh, Kate!- Jack exclamou, beijando-lhe a têmpora.
- Jack, Angel Mariner é um monstro e precisa ser detido.
Nesse momento, uma chave girou na fechadura da porta e Sawyer entrou, com um braço em uma tipóia para proteger o ferimento no ombro.
- Onde está a Ana?- ele perguntou.
- Não sabemos.- respondeu Jack. Ela não deu notícias até agora.
- Eu falei com a minha sogra.- disse ele. – Encontraram o Mariner morto em um motel próximo à fronteira com o México.
Os olhos de Kate se arregalaram.
- Foi a Ana-Lucia quem recebeu a dica. A polícia foi pra lá e encontraram o corpo dele. È tudo o que eu sei. A dona Raquel disse que Ana passou mal quando o viu e que ia mandá-la para casa, eu pensei que ela já tivesse chegado.
- Sawyer, Picket e todos os outros estão mortos.- disse Kate. – Eu os encontrei esta tarde.
Sawyer ficou assustado e sentou-se ao lado da prima.
- Kate, você devia ter chamado a polícia, agora as coisas podem ficar complicadas pra você se descobrirem seu envolvimento com Angel e a quadrilha.
- Você contou tudo a ele?- indagou Sawyer.
Kate assentiu.
- Bom.- disse ele.
- Não se preocupe Jack, eu chamei a polícia. Fiz uma ligação anônima antes mesmo de encontrar o Picket. Eles já devem estar lá.
- Tudo isso é muita coisa pra minha cabeça.- disse Jack.
- Me perdoe por ter mentido pra você todo esse tempo, Jack.
Ele a abraçou e a beijou de leve nos lábios antes de dizer:
- Eu te amo.
Kate sorriu e o abraçou de volta, aliviada por ter contado toda a verdade e eles se beijaram mais intensamente. Sawyer pigarreou e eles se afastaram.
- Se vocês quiserem ir embora, eu vou ficar aqui com a Inês esperando pela Ana.
Jack concordou e Kate foi até o quarto de Ana-Lucia trocar de roupa.
- E como está a Juliet e o seu filho?- Jack indagou.
- Eles estão bem.
- Espero que consiga fazer as pazes com a Ana, meu amigo.
- Eu também, doutor, eu também.
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- Alex, já é muito tarde, não podemos ir procurá-lo agora.- dizia Boone para a namorada que insistia em ir até a casa de seu suposto pai.
- Eu concordo com o Boone.- disse Karl. – È melhor esperarmos até amanhã de manhã, a gente falta à escola e vai até a casa dele. Uma hora dessas, ele deve estar cansado e preocupado com a esposa que levou o tiro e os filhos.
- Se ele for mesmo meu pai, então eu terei dois irmãozinhos.- disse Alex, com um sorriso.
Boone a abraçou e eles se despediram de Karl antes de entrarem na casa dela. Encontraram seu tio Sayid e sua mãe conversando na cozinha.
- Shannon ficou muito abalada, Dani, e eu nunca tinha visto nada tão terrível quando aquela garota morta jogada na estrada.
- Eu posso imaginar, meu irmão. A violência anda cada vez pior em nosso país.
Quando ela viu Boone e Alex adentrando a cozinha, franziu o cenho para a filha.
- Onde você andou esse tempo todo? Eu telefonei para a casa da Sra. Sawyer e o cunhado dela me disse que você tinha deixado Inês com ele há horas.
- Eu precisava fazer uma coisa.- respondeu Alex.
- Que coisa?- ela olhou para Boone com desconfiança. – Acho bom ter mais cuidado, menina. Seu tio acabou de me dizer que ele e Shannon encontraram uma garota morta na estrada principal hoje, assassinada.
- Sério?- indagou Boone.
- Sei o quanto parece ser divertido procurar lugares ermos e românticos para namorar, mas escutem bem vocês dois, se querem ficar juntos façam isso sob o meu teto onde é mais seguro.
Os jovens assentiram e se retiraram para o quarto de Alex.
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A perícia trabalhava incansavelmente recolhendo provas na cena do crime da morte de Angel Mariner, tirando fotos e analisando cada canto do quarto do motel enquanto policiais interrogavam os funcionários do lugar e outros hóspedes.
Ana-Lucia tomava um café forte de pé, encostada a uma viatura com o semblante sombrio quando Raquel e Goodwin se aproximaram dela.
- A polícia recebeu uma ligação anônima esta tarde entregando o antigo local onde Angel estivera escondido. Aparentemente toda a quadrilha estava lá, assassinada.
- O quê?- indagou Ana-Lucia, surpresa.
- Acha que Angel teve tempo de fazer isso?- indagou Raquel.
- Eu não sei.- respondeu Ana-Lucia. – Depende da localização do tal esconderijo, esse motel é bastante distante do centro da cidade por exemplo.
- Como sabe que o esconderijo ficava no centro da cidade? Por acaso se lembra de ter estado lá quando foi seqüestrada?- questionou Goodwin.
- Estou apenas fazendo uma suposição, diretor.- afirmou Ana.
- Bom, eu acabei de mandar o Marshall pra lá. A perícia está lá já há um bom tempo investigando e fizeram algumas descobertas interessantes.
- Como o que, por exemplo?- perguntou Ana.
- Eles descobriram que o assassino pode ser uma mulher, que estava vestida como policial.Existem marcas de botas de coturno manchadas de sangue pelo chão.- disse Raquel.
- Iguais as que acabamos de encontrar no quarto onde o corpo de Angel foi achado. Marcas de botas de coturno. Pela estimativa dos peritos, pelo número da bota estimamos o peso do assassino em 55 kg, altura 1,65 m. Pode ser uma mulher.
- Sim, pode ser.- afirmou Ana. – Mas são suposições muito vagas ainda, embora o dono do motel tenha dito que foi uma loira quem registrou o quarto para Angel. Nós sabemos que ele fugiu do banco com uma comparsa de quem ainda não sabemos a identidade, segundo os depoimentos das vítimas do banco central.
- Uma garota foi encontrada morta na estrada essa tarde.- revelou Goodwin. – Ela trabalhava no restaurante "A Escotilha", não é o restaurante onde seu marido trabalha?
- Sim.- respondeu Ana. – Como ela se chamava?
- Letícia Sanchez.- disse Goodwin. – O nome soa familiar a você?
- A garota que derramou molho quente nas minhas calças.
- Como é?- indagou Raquel.
- Ela estava interessada no Sawyer e ficou com ódio de mim quando nos viu juntos no restaurante, eu me lembro bem disso. Essa mulher esteve no meu casamento acompanhada pelo Marshall.
- Pelo Marshall?- surpreendeu-se Goodwin.
- Sim, tenho certeza. E eles me pareceram muito íntimos.- Ana acrescentou.
- Ele não disse absolutamente nada quando vimos o corpo da garota no necrotério. Diretor-assistente, perjúrio é crime.- disse Raquel. – Essa garota pode ter sido a comparsa de Mariner no banco.
- Vou falar com o Marshall assim que resolvermos a fase inicial da investigação aqui no motel. O silêncio dele sobre seu envolvimento com a garota me parece muito estranho. Ana-Lucia você deve ir pra casa.
- Mas...
- È uma ordem, nem pense em refutar, agente. Você está grávida e já viveu emoções de sobra por hoje, vá pra casa e descanse. A capitã Cortez permanecerá aqui comigo. Entraremos em contato pela manhã.
Ana-Lucia resolveu obedecê-lo, estava realmente exausta. Despediu-se de sua mãe e uma viatura a levou até o seu prédio. Quando entrou no apartamento encontrou tudo às escuras e muito calmo. Foi até o quarto da filha e sentou-se na beirada da cama. Caiu em um pranto abafado, fitando a criança que dormia tranquilamente. O pai dela agora estava morto, o amor que um dia ela sentira por Angel Mariner acabara em tragédia.
Depois de algum tempo no quarto da filha, ela foi para o seu e encontrou Sawyer adormecido na cama. Apesar de ainda estar zangada com ele, admitiu a si mesma que tudo o que precisava agora era de horas de sono nos braços carinhososs do marido.
Tirou toda a roupa, tomou um banho e voltou para o quarto. Vestiu apenas uma calcinha confortável de algodão e engatinhou pela cama, acariciando as costas nuas de Sawyer que dormia de bruços.
Encostou os seios às costas dele e viu que ele acordava. Os olhos azuis a fitaram com interesse no escuro e ele virou-se de frente, levantando a mão para tocar o rosto da esposa.
- Meu amor, já não agüentava mais de vontade de te ver.
Ela beijou os dedos das mãos dele.
- O que aconteceu hoje...eu juro que não sabia que o filho era meu...isso foi antes de namorar você... ela me escondeu isso todo esse tempo...
Ana colocou os dedos nos lábios dele para que se calasse e aconchegando-se ao corpo forte que tanto amava, disse:
- Seja lá o que for, acredito em você. Eu te amo, Sawyer.
Os lábios se uniram em um beijo apaixonado e quando Ana se afastou, disse:
- Ele está morto!
- Eu sei.- respondeu Sawyer.
- Não me sinto aliviada, eu amei mais do que tudo Sawyer. Ele era o pai da minha filha...
Ela começou a chorar e Sawyer a amparou.
- Vai ficar tudo bem, querida. Eu estou aqui com você.- disse ele, confortando-a.
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- È aqui!- anunciou Boone quando chegaram à casa onde vivia Benjamin Linus no dia seguinte. – Está pronta, Alex?- ele beijou-lhe a face com doçura.
- Sim.- ela respondeu. Karl adiantou-se a frente dos dois e tocou a campainha.
O mesmo homem que ela vira em sua casa beijando sua mãe no sofá estava diante dela, os olhos azuis muito vivos questionando o que ela fazia ali.
- Bom dia.- foi tudo o que Ben disse.
- Bom dia.- respondeu Alex. – O senhor é mesmo meu pai?
Continua...
