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FEITICEIROS

Por Kath Klein

Colaboração: Yoruki Hiiragizawa

Revisão: Rô Marques & Yoruki Hiiragizawa

Capítulo 29

Sentimentos Verdadeiros, Loucos e Intensos

Sakura caminhava devagar. Estava num lugar desconhecido. Seus pés descalços tocavam o chão e ela podia sentir a grama verde e macia. Levantou o rosto e viu várias cerejeiras. O vento batia sobre elas fazendo as pétalas rosas e delicadas voarem pelo ar, perfumando o ambiente.

'Parece o mesmo lugar…' Ela sussurrou, pensando em onde havia se despedido do namorado antes dela acordar do coma.

Franziu a testa, não gostando de constatar isso e continuou a caminhar por aquele lugar magnífico. Levou uma das mãos ao peito e o sentiu dolorido. Perguntava-se se tinha morrido. Tocou em uma das cerejeiras e levantou o rosto, observando os galhos balançarem e as flores voarem num balé pelos ares.

'Bonito, não?' Ela ouviu uma voz infantil, que não ouvia há muito tempo.

Ela arregalou os olhos e virou o rosto, encontrando o menino sentado num dos galhos da árvore esplendorosa. 'Syaoran.'

Ele sorriu para ela daquela forma tímida da qual se lembrava bem. Estava com o uniforme da escola Tomoeda.

'O que está fazendo aqui?' Ela perguntou.

'Eu que pergunto: o que você está fazendo aqui?'

Ela desviou os olhos dele e olhou em volta. 'Onde nós estamos?'

'Humph…' Ele murmurou. 'Difícil de responder.'

'Se você me ajudar fica mais fácil, não é?' Ela falou, sorrindo e voltou a olhar para o garoto.

Ele se levantou, ficando em pé no galho, e desceu com a agilidade de um gato. Parou a frente dela, encarando-a. 'Ele está esperando por você.' Declarou, olhando para ela seriamente.

O mesmo olhar penetrante com que ele a fitava desde que entrou pela primeira vez na sala de aula da escola Tomoeda, como se conseguisse enxergar dentro de sua alma, fazendo-a sentir o coração acelerado.

Sakura se abaixou, fazendo seu rosto ficar na altura do menino. 'Eu também quero voltar para ele.'

'Mas você sabe agora que ele não sou mais eu.'

Ela arregalou os olhos, surpresa com suas palavras. Sakura fechou os olhos e lembrou-se do que tinha acontecido depois de Seiya ter atirado nela. Franziu a testa e suspirou, lembrava-se bem de Syaoran se transformando. Levou a mão ao peito e engoliu em seco. Voltou a abrir os olhos, fitando o menino. Aquele olhar sério não lhe dava mais medo. Muito pelo contrário, fascinava-a.

'Não concordo com isso.' Declarou, olhando-o seriamente. 'Ele sempre será o amor da minha vida. Não importa o que você se tornará, Syaoran. Eu vou sempre amá-lo.'

O menino olhou para ela desconfiado. 'Você é uma tonta sentimental.' Ele cruzou os braços com o rosto emburrado. 'Acho que já falei isto.'

'Acho que sim.' Ela sorriu e o viu esboçar um sorriso.

Ele balançou a cabeça e descruzou os braços, sorrindo mais abertamente, mostrando-se satisfeito com a resposta dela.

'Ele vai precisar desta sua confiança agora.'

'Pois pode ter certeza que ele a terá.' Falou, abraçando o menino. 'Você sempre terá o meu coração, Syaoran.' Completou, fechando os olhos e apertando o menino contra o corpo. 'Você sempre será a pessoa mais importante para mim.'

'Você também...' Ouviu o menino responder baixinho. 'Sakura.'

Sakura abriu os olhos e fitou o teto do quarto do hospital Tomoeda. Sorriu de leve, percebendo que tinha voltado. Sentiu o incômodo das luzes fortes nos olhos e os semicerrou.

'Estava esperando por você.' Ouviu a voz de Syaoran perto do seu ouvido e virou o rosto.

Queria falar com ele, mas sentiu que a voz lhe faltava. Ainda estava fraca.

Ele sorriu para ela, apertando sua mão. 'Logo você ficará bem.' Ele falou e ela assentiu com a cabeça.

Ele se levantou e inclinou o corpo, beijando a testa dela demoradamente. Sakura fechou os olhos e sorriu. Era bom ter voltado e melhor ainda assim: sabendo que ele a estava esperando.

'Vou chamar o senhor Taniguchi para vê-la.' Syaoran avisou, afastando-se dela com um leve sorriso. 'Não se mexa ainda.' Falou preocupado antes de se afastar e ir até o telefone para chamar o enfermeiro.

Sakura o ouviu falar, entusiasmado, que ela tinha aberto os olhos e parecia lúcida. Mal o rapaz colocou o telefone no gancho e o quarto foi invadido pelo enfermeiro que entrou todo animado.

'Nossa bela adormecida acordou! Você deve ter dado um beijo mais eficiente desta vez, senhor Li!' Falou aproximando-se dela e sorrindo. 'Já entrei em contato com a doutora Ikegane e ela logo estará aqui para examiná-la.' Esclareceu, observando os aparelhos ligados a ela para monitorá-la.

Ela tentou se levantar. 'Eu…' Murmurou.

'Hei, não seja teimosa.' Syaoran falou ao seu lado, segurando-a pelos ombros para mantê-la deitada.

O enfermeiro estava no outro lado da cama, examinando a pressão da jovem.

'Sede.' Ela conseguiu falar.

'Ah! Senhor Li, pegue um pouco de gelo e dê para ela.' Ele orientou o rapaz que se afastou. 'Não pode beber água num copo ainda.' Informou-a, vendo-a concordar com a cabeça.

Syaoran logo apareceu com um copo com gelo. 'Está aqui.'

'Ótimo. Dê para ela chupar. Mas nada de pensar em sacanagem, hein? Sei que o senhor é um tarado, mas ela ainda está fraca. Depois vocês tiram o atraso.'

O rapaz sorriu, depois de dias, era até bom ouvir aquelas gracinhas do velho pervertido. Mostrava claramente que ele não estava mais tão preocupado.


'Então foi só isso que vocês concluíram?' Smith perguntou observando o trio de senhores a sua frente. Eram os líderes da equipe que havia contratado para estudar os manuscritos de Clow e Shyrai.

Um dos senhores deu um passo a frente, encarando o homem. 'Exatamente. São apenas suposições e teorias. Muitas, eles abandonaram no meio do caminho quando não encontraram mais nada ou concluíram que estavam seguindo por um caminho errado ou improdutivo.'

Smith franziu a testa. Não estava nem um pouco satisfeito com os resultados preliminares. Imaginou que, com a equipe gigantesca que havia contratado e com todo dinheiro que havia investido, teria respostas para suas perguntas em poucos dias. Já era a segunda semana que aqueles três patetas vinham informá-lo que não haviam descoberto nada de realmente útil nas anotações.

Um dos senhores suspirou cansado. 'Há apenas uma coisa que pode ser realmente de seu interesse.'

'Mas não é certo.' Um outro já o interrompeu.

'Sim. Mas, pelo menos, é o que nós…' Reteve-se ao reparar que os outros não concordavam integralmente com aquilo. 'É o que eu…' Consertou para não comprometer os colegas. 'Acredito que possa ser o mais próximo ao que o senhor tanto procura.'

Smith se levantou da poltrona e inclinou o corpo para frente, tocando as duas mãos na imensa mesa que separava-o do trio. 'E o que é?' Perguntou impaciente.

'Em uma das anotações de Reed Clow, ele cita o Halloween.'

'Você está de sacanagem, senhor Fox?' Smith falou irritado.

O senhor deu um passo a frente com o rosto sério. Não estava brincando. 'O Halloween é uma celebração antiguíssima de origem Celta.' Um dos outros pesquisadores ao seu lado tentou interrompê-lo, porém o homem levantou a mão pedindo que se calasse. 'O povo Celta habitou a Grã-Bretanha e a França entre o ano 2000 e o ano 100 antes da Era cristã. Para eles, a noite de 31 de outubro, data da comemoração até hoje, indicava o início do Samhain, uma importante celebração que marcava três fatos: o fim da colheita, o Ano-Novo Celta e, também, o início do inverno, "a estação da escuridão e do frio", um período associado aos mortos.' Ele falou. 'No Halloween, segundo a mitologia desse povo, era possível entrar em contato com o mundo dos desencarnados, pois um grande portal, ou vários portais, eram abertos entre o nosso mundo e o dos mortos.'

Smith arregalou os olhos entendendo o raciocínio do senhor.

Fox prosseguiu. 'Reed Clow e Muy Shyrai estavam procurando uma brecha entre os universos. Em algumas anotações, eles discorreram que, depois de desencarnadas, as almas atravessam estes portais. O corpo seria parte de um universo, mas a alma estaria livre para vagar de um ao outro porque fazia parte de uma força maior. Um poder acima da compreensão e que a tudo organizava.' Falava com entusiasmo. 'Eles acreditavam que o céu e o nosso universo seriam apenas dois dos inúmeros universos existentes. E, entre esses inúmeros universos, estaria o mundo das trevas, ou inferno como o catolicismo denomina, tanto citado e por eles estudado.'

'É bem verdade que o Halloween, ou pelo menos a conexão da data com o mundo espiritual, é reconhecido por vários grupos ao redor do globo terrestre, não importando a cultura e a religião.' Smith comentou, concordando e gesticulando para que Fox continuasse.

'Acredito que a conclusão a que eles chegaram foi de que seria uma data propícia para abrirem uma brecha específica entre nosso universo e um outro que fosse de seu interesse.'

'Faz sentido.' Smith falou e os outros senhores se assustaram.

'Isso é loucura. Não há evidências concretas disso, só crendice.'

'Humph…' Smith murmurou. 'É por isso que contratei uma equipe multidisciplinar. Para ver todas as possibilidades. Vocês dois são especialistas em Linguística. O senhor Fox é Arqueólogo, com especialização em rituais antigos.' O ambicioso homem esclareceu. Voltou-se para Fox. 'Faz sentido. Agora descubra como criar essa brecha para um universo específico.' Ordenou.

Fox engoliu em seco. 'Isso é o máximo de informações que temos sobre a pesquisa dos dois magos. Eles abandonaram os estudos quando concluíram que as brechas abertas no Halloween são realmente aleatórias e não conseguiram descobrir uma maneira de controlá-las.'

Smith deu um soco na mesa irritado. 'Então, encontre a resposta que eles não conseguiram. Eu quero saber como criar uma brecha específica. Preciso trazer o guardião de algum outro universo.'

Fox secou o suor da testa com um lenço. 'Não sei seus propósitos, senhor Smith, mas, se o senhor precisa entrar em contato com um guardião, por que não o faz com o de nosso universo? Segundo algumas anotações de Clow, nosso universo teria um nesta Era...'

Smith sorriu de leve. 'Não temos mais um guardião. O senhor também deve ter lido a parte em que ele morria no Caos, não?'

Fox assentiu com a cabeça. 'Sim… Isso é o que alguns concluíram. Alguns manuscritos que li, no entanto, declaram que ele renasceria. Provavelmente estão falando de algum tipo de reencarnação.'

'Renasceria?' Smith estranhou, não se lembrava desse detalhe. 'Isso… Isso não está certo. A Profecia declarava que ele morreria no Caos.'

Fox balançou a cabeça de leve, negando. 'Não necessariamente. Apesar do Xamanismo não ser considerado uma religião, pois não possui uma organização clara, com doutrina e entidade sacerdotal, ainda é a prática mais antiga do mundo. É dito que os xamãs são capazes de visitar o mundo dos espíritos e resgatar as almas de pessoas doentes. Mas acredito, por meus estudos, que eles ajam além disto...'

'Eu sei quem são e não gosto nem um pouco deles.' Smith declarou, trincando os dentes.

Realmente não gostava dos xamãs, tinha a impressão que estavam sempre escondendo alguma coisa. Além disso, ficara extremamente irritado quando os que participaram da última reunião do Círculo, inclusive os inimigos dos Li, posicionaram-se a favor de Kinomoto e daquele demônio.

'Bem… Os xamãs acreditam que, depois de desencarnada, a alma imortal pode tomar várias formas e permanecer em um universo específico ou pode transcender a barreira entre estes universos, sendo alterada.'

'E qual a relação disto com o guardião?'

'Alguns manuscritos xamânicos relatavam que o guardião apenas mudaria sua natureza devido aos acontecimentos do Caos, mas que retornaria. Talvez como o que eles acreditam ser um espírito guardião… Enfim… É difícil obter informações deles.'

Smith suspirou, tentando controlar a irritação. Então era bem possível que a volta de Li, de alguma forma, também tivesse sido profetizada. 'Inferno!'

As coisas poderiam ficar mais complicadas. Ele precisava se livrar de Li para chegar em Kinomoto e, consequentemente, manipulá-la para utilizar o poder que ela possui de forma correta, ou melhor, de forma que lhe interessasse.

'Então faz sentido eles terem ficado ao lado de Li, se já sabiam de seu retorno. Eles, simplesmente, não falaram nada antes.'

'Do que está falando, senhor Smith.' Fox perguntou curioso.

'Nada.' Smith respondeu de forma rude. 'Preciso de um outro guardião, apenas isso. Continue a pesquisa, abranja outros manuscritos. Se for o caso, contrate mais gente, mas eu preciso saber como trazer outro guardião para cá.' Falou com o tom de voz mais alto. 'Estamos entendidos, senhor Fox?'

O senhor concordou com a cabeça, secando o suor da testa. 'Claro, senhor.'

'Excelente.' Smith falou, sentando-se novamente. Olhou para os outros dois senhores. 'E vocês dois… Ajudem-no ou estão demitidos.'


Sakura abriu os olhos e fitou o teto do hospital de Tomoeda. Ouviu Syaoran e Touya conversando em voz baixa, provavelmente para não perturbá-la. Franziu a testa ao reparar no tom amigável entre eles. Pensou que ela precisou quase morrer para, finalmente, o namorado e o irmão se darem bem. Eram dois cabeças duras.

Virou o rosto e os encontrou perto da janela, olhando para fora. Syaoran estava encostado na parede com os braços cruzados enquanto Touya estava com o braço levantado, apoiado no batente lateral da janela. Estavam em postura relaxada, bem diferente do normal. Não pôde deixar de sorrir ao reparar que estavam se dando bem. Bem até demais, concluiu intrigada, e começou a prestar atenção à conversa.

'Acha que precisa de um advogado?' Touya falou para Li.

'Kurogane está me orientando. Ele acredita que não vou ter problemas. Tem, sei lá, mais de cinquenta testemunhas que viram aquele idiota atirar em mim.'

'E como você vai explicar o fato de que não está ferido?'

'O enfermeiro Taniguchi vai me ajudar nisto.'

'O pervertido?' Touya falou em tom um pouco mais alto e se recriminou.

Syaoran confirmou com a cabeça, sorrindo de leve. 'Ele vai me quebrar este galho falando que me atendeu.'

'Então ele já sabe de tudo?' Touya perguntou preocupado.

Syaoran confirmou com a cabeça. 'Sabe uma boa parte. Não de tudo, mas o suficiente para ver que não sou normal. Taniguchi nos atendeu várias vezes aqui. O bom é que agora não é necessário dar muitas explicações para ele.' Explicou, soltando um suspiro. 'Aguento as gracinhas dele. Já estou até acostumado.'

Touya suspirou. 'Ele foi muito atencioso quando Sakura esteve em coma logo depois da confusão com o colega daquele Clow.'

'Sim. Ele gosta muito da Sakura.'

'Foi ele quem contou para ela que você tinha morrido.'

Syaoran suspirou. 'É... Ele me contou isso por alto.'

Ficaram em silêncio um tempo.

'E seus documentos?' Touya perguntou, de repente.

'Isto é o que me preocupa, embora, pelo visto, minha mãe já tenha sumindo com algumas provas da minha morte.'

'Não me surpreende. Sua família deve ter muitas relações.'

'Acho que sim. Esta parte nunca me interessou muito. O marido de Meilyn é que se envolvia mais com isso. Eu não tinha muito saco.'

'Acha que pode ser um problema?'

Syaoran deu de ombros. 'Não sei. Só sei que, depois do que eu passei, não vai ser um bando de babacas que vão me criar problemas.'

'Acho que sim.'

'Eu subestimei o idiota do Yanamoto.' Ele falou apertando de leve as mãos nos braços. 'Quando ele apareceu com aquele kyonshi, eu deveria ter imaginado que faria coisa pior.' Falou, trincando os dentes.

'Não foi culpa sua.' Touya falou. 'Você tem mania de se culpar demais, Li.'

Syaoran ergueu uma sobrancelha e olhou Touya de esguelha. 'Sakura andou falando com você?' Perguntou, achando estranha a colocação dele. A namorada era quem sempre vinha com este mesmo discurso.

Touya sorriu de lado. 'Sobre você?' Perguntou em tom irônico. 'Não seja tão pretensioso. Sakura não fala a seu respeito comigo. Sabe que não gosto de você por ficar cercando minha irmã desde quando era um moleque.'

'Claro.' Syaoran falou, rolando os olhos. 'Falar sobre minha pessoa não deve ser um assunto interessante para você.'

'Só se fosse para saber como eu arrancaria seu fígado e temperaria para comer.' Respondeu sério, mas mal conseguiu segurar a gargalhada ao ver a cara do cunhado.

'Humph… Você é dramático demais, Kinomoto.'

'Eu?' Touya falou, sorrindo ainda. 'Foi você quem morreu e depois voltou dos mortos. Verdadeiro roteiro de filme de terror.'

Syaoran sorriu de lado. 'Acho que sim.'

Sakura esboçou um sorriso, vendo os dois permanecerem em um silêncio confortável perto da janela.

Touya se ajeitou levemente, voltando-se para encarar Syaoran e, finalmente, fez a pergunta que estava em sua mente há bastante tempo. 'Por que você voltou?'

Sakura virou o rosto e fechou os olhos, fingindo que ainda dormia. Queria fazer aquela mesma pergunta há um bom tempo. Tentou controlar a respiração para não levantar suspeitas de que estava ouvindo a conversa dos dois. Sentiu o coração acelerar e teve vontade de socar o aparelho que indicava sua frequência cardíaca no monitor, pois aquele bip irritante estava quase disparado.

Syaoran descruzou os braços e passou a mão pela cabeleira rebelde. 'É complicado.'

'Deve ser mesmo.' Touya concordou.

'Tive motivos e apoio para fazer a tentativa de voltar, passando por uma brecha. Não foi coisa da minha cabeça.' Ele falou, olhando de esguelha para o cunhado. 'Sakura precisava que eu voltasse.'

'É… Ela precisava.' Touya concordou, acenando com a cabeça de leve.

Sakura franziu a testa. Não gostou da resposta do namorado. Mordeu o lábio inferior de leve. O aparelho apitava mais rápido, delatando que estava nervosa. Inferno de aparelho, mandaria o enfermeiro Taniguchi tirar aquela porcaria dela assim que o encontrasse.

'Além disso…' Syaoran continuou, ainda olhando através da janela. 'Você pode não acreditar, mas estar no paraíso sem a sua irmã não foi tão paradisíaco assim. Não vou negar que eu agarrei a primeira oportunidade de voltar, sem nem pensar duas vezes.'

Sakura abriu os olhos, sorrindo abertamente, mal contendo a felicidade pelo que tinha ouvido. Agora sim, ele tinha dado a resposta que ela esperava.

Touya sorriu e bateu no ombro dele. 'Eu acredito.' Syaoran sorriu de leve para ele. 'Mas isso não quer dizer que eu goste de você.'

'Eu sei.' Ele respondeu. 'Também não gosto de você.'

'Ótimo! Assim estamos de acordo.'

'Vocês são dois cabeças duras.' Os dois assustaram-se e voltaram-se para Sakura que estava sentada na cama, encarando-os. 'Dois idiotas. Está na cara que gostam um do outro.'

Syaoran caminhou até a namorada e sorriu para ela. 'Você ainda está sob efeito de medicação.' Alertou, beijando a testa dela.

'Humph…' Sakura murmurou. 'Vocês fazem isso para me provocar e me deixar à beira de um ataque de nervos, isso sim.'

Touya se aproximou da irmã. 'Você não pode se alterar.' Recomendou. 'Vou chamar aquele enfermeiro pervertido para examiná-la. Acho que a medicação a está fazendo delirar.' Falou, caminhando até a porta e saindo do quarto.

Sakura acompanhou o irmão cruzar a porta e depois encarou o namorado que olhava desconfiado para ela. 'Ele gosta de você.'

'Eu sei disso.' O rapaz respondeu, sorrindo de leve. 'Mas não conta para ele, pois vai achar que eu não tenho mais receio dele arrancar meu fígado por ter desvirtuado sua irmãzinha.'

Sakura sorriu e balançou a cabeça de leve. 'Acho que ele só faz questão de manter a fama de mal-humorado.'

'Melhor do que permanecer com a fama de irmão psicótico.' Falou, sorrindo e passando a mão no rosto da namorada. Ela segurou a mão dele.

'Estou muito feliz que você está aqui comigo, Syaoran.'

Ele semicerrou os olhos nela. 'E eu estou muito feliz por você ter voltado para mim, Sakura.'

Syaoran sentou na beirada da cama e ela se aproximou dele abraçando-o. O rapaz a envolveu em seus braços dando um suave beijo em sua testa . 'Este universo ficaria muito sem graça sem você.' Falou baixinho.


'Não aguento mais ficar aqui.' Sakura falou sentada na cama, observando Tomoyo que estava a sua frente.

'Você logo sairá.' Tomoyo falou. 'A Dra. Ikegane ficou impressionada com a velocidade de sua recuperação.' Observou a amiga com um sorriso. 'Até parece que há algum tipo de mágica em ação.'

'Não está agindo rápido o suficiente.' Reclamou, cruzando os braços devagar, sentindo uma fisgada no peito, literalmente. 'Estou há quase duas semanas trancada neste quarto desde que acordei. Não há mais necessidade de me manterem aqui.' Ainda falava emburrada. 'Estou perdendo um monte de aulas. Syaoran está perdendo aulas porque simplesmente não sai desse quarto. Ele só falta ir comigo ao banheiro.' Ela continuou a reclamar.

Tomoyo sorriu de lado. 'Então ele tem lhe dado banho, também, é?'

Sakura sentiu as bochechas esquentarem. 'Para com isso, Tomoyo. Parece o enfermeiro Taniguchi.' Reclamou, fazendo a morena cair na gargalhada.

Sakura acabou sorrindo de leve, ela reclamava, mas não poderia negar que estava adorando os cuidados que o namorado estava dedicando a ela. E, honestamente, ele lhe dar banho, não era tão ruim, o problema era a vontade de fazer outra coisa que ainda não estava em condições de fazer.

Sakura levou a mão até o peito e sentiu o curativo no ferimento ainda em cicatrização. O sorriso esmoreceu. Ela poderia ter morrido. Na verdade, ela tinha morrido. Nunca havia imaginado que Seiya Yanamoto teria coragem de atentar contra sua vida.

Tomoyo reparou nas reações da feiticeira. Aproximou-se dela, sentando-se na beira da cama e segurou-lhe a mão com carinho, fazendo Sakura olhá-la curiosamente. 'Tive tanto medo que você morresse, Sakura.'

'Eu morri, Tomoyo.' Ela respondeu, olhando a morena que se mostrou assustada. 'Eu realmente morri. Cheguei a falar com meus pais.'

'Sakura… A experiência quase morte…' Tomoyo começou a falar.

'Tomoyo.' Sakura a interrompeu. 'Isso acontece com pessoas comuns. Eu morri e não sei como voltei. Mamãe me falou que eu poderia voltar, se eu quisesse, e foi isso que fiz. Eu queria voltar para Syaoran.'

Tomoyo apertou mais forte a mão da amiga. Engoliu em seco observando-a. 'Eu acredito em você.'

Sakura assentiu com a cabeça, feliz por saber que a amiga não pensaria que ela estava doida. 'Preciso conversar com Syaoran. Mas não sei como.'

'Você sabe, então, que ele matou o Yanamoto.' Tomoyo falou com o rosto sério.

Sakura confirmou com a cabeça. 'Foi legítima defesa. Yanamoto atirou nele, também.'

'Sim… Claro.' A morena falou devagar, precisava escolher as palavras com cuidado. 'Sakura, Syaoran estava transfigurado.'

Sakura desviou os olhos da amiga e fitou a porta do quarto. Estava sentindo a presença do namorado se aproximar.

Tomoyo tinha convencido o rapaz a ir para casa, tomar um banho e comer alguma coisa enquanto ela fazia companhia a Sakura.

'Ele pode se transformar no que for que eu vou continuar a amá-lo, Tomoyo.' Falou de maneira firme e voltou-se para a amiga. 'Eu só preciso ter certeza que ele acredita nisso.'

Tomoyo concordou com a cabeça. Soltou um suspiro cansado e sorriu de leve, de maneira triste. Balançou a cabeça, graciosamente. 'Sabe, Sakura…' A amiga começou a falar. 'Eu estava tão preocupada com a sua segurança pelo que Eriol, Yue e Kero falaram de Syaoran e olha só quem era o verdadeiro perigo: Seiya Yanamoto, um humano, arrogante, maluco e psicopata.'

Sakura concordou com a cabeça. 'Espero que isso tenha ajudado Yue e Kero a pararem de desconfiar de Syaoran. Ele se sente muito mal com isso.'

'Eu imagino.' Ela falou e sabia que também tinha receio da natureza de Syaoran depois que ele voltou dos mortos. Não era hipócrita. Estava feliz, sim, pelo amigo ter voltado, mas também temia a maneira que ele tinha retornado.

'Ele pode até ser um demônio, Tomoyo. Mas a alma dele continua a mesma. O coração bondoso continua o mesmo. Irrita-me profundamente o que estão fazendo com ele.'

Tomoyo suspirou, encolhendo os ombros, levemente, e sentindo-se também encabulada pelos pensamentos e preocupações que tivera desde que Eriol lhe contou o que Syaoran era agora. Ela encarou a amiga e sorriu. 'É que ninguém o ama tanto como você.'

Sakura sorriu. 'Ele é minha vida, Tomoyo.'

'Pelo que você me contou, tenho certeza que sim.'

Sakura olhou para a porta. 'Ele está chegando.' Falou sorrindo.

Em poucos segundos ouviu baterem na porta, antes de abrirem-na. O rosto de Syaoran apareceu, fazendo a Feiticeira abrir mais ainda o sorriso.

Ele entrou, cumprimentou Tomoyo, que se afastou um pouco para dar espaço a ele, e caminhou até Sakura. Sentou-se na beirada da cama e inclinou-se para poder beijar a cabeça da namorada.

Sorriu para ela de forma satisfeita. 'Acabei de falar com a Dra. Ikegane. Ela acha que amanhã poderá lhe dar alta, então voltaremos para casa.'

'Já era tempo!' Ela exclamou feliz. 'Estava reclamando agora há pouco com Tomoyo que não aguentava mais ficar aqui dentro deste quarto.'

Tomoyo sorriu para Syaoran. 'Sim… Mas ela não reclamou de você estar dando banho nela, então acho que pode continuar com isso na casa de vocês.'

'Tomoyo!' Sakura gritou, corando e fazendo Syaoran sorrir. 'Ela está andando muito com aquele velho tarado!' Sakura falou, vermelha.

Tomoyo sorriu, achando graça da amiga. Realmente, agora entendia como era divertido colocá-la em situações constrangedoras. Não era à toa que o enfermeiro vivia atrás dos dois pombinhos, como ele se referia ao casalzinho de feiticeiros.

Syaoran se inclinou e deu um outro beijo na cabeça da namorada. 'Não se preocupe com isso. Continuarei lhe dando banho.'

'Syaoran!' Ela exclamou, ainda vermelha. 'Vocês dois estão com o senso de humor à la Taniguchi. Podem parar com isso.' Ela exclamou. 'Daqui a pouco ele entra aqui e vai falar que vamos fazer um mènage a trois.'

Tomoyo corou, e a amiga se sentiu vingada pelo constrangimento dos últimos dois minutos.

Syaoran gargalhou, imaginando que ele faria isso mesmo. 'Sim… Bem pervertido aquele velho.' Ele completou, fazendo Sakura concordar rindo.

'Falando em mènage a trois… Onde está Eriol?' Sakura perguntou para Syaoran.

Sabia que o amigo tinha chegado alguns dias atrás em Tomoeda, mas ela ainda não o tinha visto. Quando o rapaz a visitara, ela estava dormindo.

'O que tem uma coisa a ver com a outra?' Tomoyo questionou, franzindo a testa.

Syaoran parou de rir e observou a amiga de infância. Sakura também parou de rir. Os dois se entreolharam e depois fitaram Tomoyo que observava os dois.

'Que troca de olhares foi esta?' Tomoyo perguntou. 'Eu só perguntei o que uma coisa tinha com a outra. Ora… Por que você associou mènage a trois com Eriol?' A voz da morena denunciava que ela estava mais que sem graça, estava nervosa. 'Por que uma coisa não tem nada a ver com a outra… Não é?'

Sakura inclinou o corpo, fitando a amiga de perto. 'Está preocupada se fizemos isso com Eriol ou se ele gosta disso, Tomoyo?'

'Sakura!' A morena exclamou assustada, chegando a dar dois passos para trás. 'A brincadeira já perdeu a graça.' Ela falou, encarando os amigos séria.

Ela viu quando Sakura e Syaoran se entreolharam, novamente, e abriram um sorriso matreiro ao mesmo tempo. Cadê o casalzinho de patetas que ela conhecia?

'Acho que Tomoyo pensa que fizemos isso, Syaoran.' Sakura falou, olhando de esguelha para o namorado e depois voltando a estreitar os olhos em Tomoyo.

'Acho que sim.' Syaoran concordou, sorrindo de forma maliciosa agora.

'Será que ela está curiosa para fazer algo assim? O quê você acha?' Sakura comentou, voltando a olhar o namorado e sorrindo de lado. A morena que se mostrava completamente desconcertada.

'Parem vocês dois!' Tomoyo gritou. 'Onde estão meus amigos Sakura e Syaoran que ficavam vermelhos só em olhar um para o outro?'

'E você adorava nos colocar em situações constrangedoras.' Syaoran falou, agora estreitando os olhos nela.

Tomoyo desviou o olhar, sem graça, e encolheu os ombros de leve, mordendo de leve o lábio inferior e franziu a testa, voltando a encará-los, apesar de não conseguir controlar a vermelhidão do rosto.

'Isso é uma vingança de vocês, então?' A morena perguntou.

'Ora… Quem começou com a brincadeira foi você sobre o Syaoran me dar banho.' Sakura lembrou-a, ainda com o rosto zombeteiro.

'Vocês dois…' Tomoyo falou apontando para os dois. 'Estão por demais maliciosos.'

'Eu nunca escondi que sou.' Syaoran falou cruzando os braços, sorrindo sestroso, fazendo Tomoyo mal conseguir olhar diretamente para ele.

'Não adianta fazer charme, Syaoran.' Sakura falou, balançando a cabeça de leve e soltando um suspiro fingido. 'Tomoyo não toparia fazer com a gente.'

'Acho que não.' Ele concordou, com o rosto decepcionado.

'Hei! Vocês dois não entenderam ainda que já perdeu a graça?' Ela indagou ainda vermelha.

'Acho que só mesmo com Kurogane e…' Sakura semicerrou os olhos na amiga que só faltava explodir de vermelha. '...Eriol?'

'Chega!' Tomoyo gritou, pegando a bolsa e saindo do quarto pisando duro.

Atravessou o porta, batendo-a forte e se esquecendo que estava num hospital. Os amigos tinham ido longe demais com as brincadeiras maldosas.

Sakura e Syaoran observaram a porta fechada e riram.

'Ela ficou muito brava.' Sakura falou mal conseguindo controlar-se e secando as lágrimas no rosto pelas gargalhadas. 'Não levou na brincadeira.'

Syaoran parou de rir e franziu a testa. 'Ou quem sabe foi porque você acertou em cheio o que ela quer.' Falou em tom sério.

Sakura arregalou os olhos de leve ao ouvir o que o namorado tinha dito. Parou de rir e olhou para ele ao mesmo tempo com o rosto interrogativo e assustado. 'Você está brincando comigo?'

'Eu não falei nada.' Ele se esquivou de afirmar qualquer coisa. Fez menção de se levantar, mas a namorada o segurou pelo braço.

'Ah, mas agora você vai me falar tudo.' Ela falou, ajeitando-se de leve na cama para ele se recostar no travesseiro ao lado dela. 'Pode desembuchar.' Ordenou.

O rapaz sorriu de leve e se reclinou, abraçando-a com cuidado. Beijou-a de leve nos lábios, passando a mão nos cabelos sedosos da namorada.

'Tomoyo acha que ainda temos 10 anos de idade.' Ele falou com a voz suave e com o rosto próximo ao da namorada.

'Acho que sim.' Sakura respondeu, sussurrando.

Ele inclinou o rosto alcançando o pescoço da namorada dando suaves beijos perto do ouvido. Sentiu-a tremer. 'Ela não percebeu ainda que crescemos.' Ele sussurrou ao ouvido dela descendo agora para o pescoço. 'Vou dar banho em você todos os dias.'

Sakura fechou os olhos, curtindo o carinho do namorado. Soltou um suspiro, mostrando que estava apreciando muito as carícias leves dele. 'Eu vou cobrar.' Ela falou sorrindo de forma marota. 'Assim como a continuação das minhas aulas de mandarim.'

'Ah, sim… É verdade.' Ele falou, beijando-a devagar até alcançar novamente os lábios da jovem. 'Assim que você for liberada, vamos recomeçar as aulas.'

'Todas as noites.' Sakura falou, sorrindo e roçando os lábios nos dele.

'Todas as noites.' Ele repetiu. 'Intensivamente.' Completou com o tom malicioso.


Meilyn caminhava pelo campus universitário. Estava indo se encontrar com Tomoyo. Ela e a amiga alternavam-se nas visitas à Sakura no hospital de maneira a forçar Xiao Lang a sair um pouco do quarto da namorada para se alimentar corretamente, descansar e fazer o que mais precisasse. Tomoyo fora essa tarde, ela iria no final do dia.

Observava os jovens andando alegremente pelo local. Sorriu de leve, reparando naquela agitação toda. Eles pareciam tão felizes, tão apressados, tão cheios de vida. Seus pensamentos foram até a conversa que tivera com as duas amigas sobre voltar a estudar.

Realmente, ela deveria fazer alguma coisa da vida e entrar numa faculdade nunca pareceu algo tão certo a se fazer quanto agora. Levantou a cabeça, deixando o sol bater no seu rosto, observando o céu azul de Tomoeda, abriu mais ainda o sorriso. Quem sabe? Por que não?

Abaixou o rosto pensando em que curso faria? Como seria o processo para inscrição? Nunca havia se preocupado com isso antes. Suas preocupações, por muito tempo, foram apenas voltadas para o clã, mas agora nada daquilo parecia fazer mais sentido.

'Olá!' Ela ouviu e levou um susto.

Estava tão distraída com seus pensamentos que não havia notado aproximação de ninguém. Olhou assustada para o lado e viu o rosto debochado do admirador de Tomoyo. Franziu a testa, não gostando da interrupção de Kurogane em seus pensamentos. Principalmente porque aquele rapaz petulante havia colocado caraminholas na sua cabeça falando que ela era apaixonada por Hyo Ling.

Kurogane ergueu uma sobrancelha. Realmente a jovem chinesa tinha o mesmo gênio ruim e mal humorado do amigo. Não queria admitir, mas sentia falta de Syaoran, inclusive do mau humor.

'Acho que ainda está chateada comigo, não?' Perguntou em tom divertido.

Ela cruzou os braços e o encarou. 'Você é um rapaz muito petulante. Não é à toa que se dava tão bem com Xiao Lang.'

Kurogane sorriu de lado. 'Isso foi um elogio ou sarcasmo?' Ele inclinou o corpo, pois era bem alto, e a fitou de perto estreitando seus olhos na chinesa. 'Ficou pensando no que eu falei, é?'

Ela bufou, virando o rosto. 'Não estou apaixonada por Hyo Ling!'

'Sei.' Ele disse.

Era teimosa, assim como Syaoran. Lembrava-se claramente dele enchendo o seu saco, falando que não tinha nada com Kinomoto, sendo que naquela mesma noite acabou agarrando a garota no meio da pista de dança e na frente de todo mundo. E isso porque não se lembravam um do outro.

'Está esperando Tomoyo?'

Ela confirmou com a cabeça. 'Fiquei de me encontrar com ela.'

'Ela disse que visitaria Kinomoto hoje.'

'Sim.' Meilyn voltou a fitar os jovens no campus. 'Sabe… Todos parecem tão cheios de vida aqui...'

Kurogane desviou os olhos dela e observou os alunos. 'São jovens, é normal.' Falou dando de ombros.

Não entendia aquela fascínio da chinesa. Observou-a por um tempo e, logo, lembrou-se das poucas conversas que tivera com Li sobre o clã. Eles eram bem rígidos. Se eram rígidos daquela maneira com o amigo, que era homem, realmente, com as mulheres o negócio deveria ser ainda pior.

Syaoran estava andando nas sombras, justamente, para não voltar à China. Já tinha deixado claro que queria permanecer morto para todos da família. Não era ignorante, lia muito sobre o mundo.

'A Tomoyo comentou que você estava pensando em fazer faculdade.' Ele falou, chamando a atenção da jovem novamente.

Ela confirmou com a cabeça. 'Não tenho a menor ideia do que fazer. Nunca havia parado para pensar nisso.'

Eles ficaram em silêncio um tempo, até o rapaz voltar a falar. 'Por que você não assiste a algumas aulas como ouvinte para ter uma ideia de como é?'

'Pode?' Ela perguntou, voltando a fitar o rapaz.

Kurogane reparou no brilho intenso dos olhos da chinesa. Era uma mulher muito bonita e muito determinada. Tinha visto as gravações dela lutando ao lado do primo quando tinha apenas 10 anos de idade e, mesmo não tendo magia, não saía por baixo. Estranho constatar que uma menina tão determinada se tornara uma mulher tão indecisa do que fazer da sua vida. O amigo tinha razão em se manter afastado do tal Clã.

'Claro que sim.' Ele respondeu. 'Se você quiser, posso ajudá-la.'

'Eu adoraria!' Meilyn falou. 'Não quero causar mais incômodo para Xiao Lang e Sakura.'

'Eles estão com muitos problemas agora. O Li estava assistindo algumas aulas como ouvinte até iniciar o próximo período, quando conseguiria se matricular corretamente.' Ele falou. 'Agora não sei bem como vai ficar a situação. Ele nem aparece mais aqui desde que Kinomoto foi hospitalizada.'

Ela suspirou, pensando no primo. Realmente, na vida de Xiao Lang tudo era sempre complicado.

'Já pensou em fazer Direito?' Ele perguntou, subitamente.

Meilyn arregalou os olhos. 'Direito?! A mesma faculdade de Hyo Ling?'

'Oras, e por que não? Você é cabeça dura, será uma ótima advogada.' Esclareceu, sorrindo ao notar a primeira correlação que a garota fizera ao curso. 'Bem, e se isso for deixá-la mais tranquila, é a mesma faculdade que eu e mais umas duzentas pessoas estamos fazendo só aqui neste campus.'

'Ah, sim… É que eu nunca pensei em fazer a mesma faculdade que Hyo Ling. Ele é tão inteligente…' Falou de maneira tímida.

'Assim como você, oras.' Kurogane declarou já mostrando irritação com a postura da jovem. 'Tomoyo me falou que você era ótima aluna, teve um bom desempenho. Vai ser fácil entrar na faculdade.' Ele franziu a testa e a fitou profundamente. Usaria a mesma tática que usava com o primo dela. 'Ou você está com medo?'

'Eu não tenho medo!' Ela respondeu, encarando-o de forma decidida.

Bingo! Previsível. 'Ótimo. Então eu mando para você a grade das aulas do primeiro período e você decide qual fazer. Tenho contato com todos os professores. Aqui, mocinha, eu sou o melhor aluno.' Esclareceu, presunçoso.

Ela o olhou, franzindo a testa. Acabou caindo na gargalhada. 'Você realmente é muito petulante.'

Kurogane retrucaria, caso não tivesse reparado na bela jovem de longos cabelos negros cruzando o campus da faculdade com passos rápidos. Estava com o semblante pesado. Nunca tinha visto sua bela princesa daquela maneira.

'Humph… O que aconteceu agora?' Ele murmurou, observando-a.

Meilyn virou o rosto para identificar o que o rapaz olhava com tanto interesse, e abriu um sorriso de lado. O altão estava totalmente apaixonado pela amiga. Tomoyo era uma tonta. Deve ter sido a convivência intensa com Sakura.

Ela franziu a testa pensando que Sakura agora andava bem esperta quando o assunto eram os seus sentimentos. Esperta e segura. Tomoyo é que parecia bem perdida. Fechou mais ainda o rosto, constatando que a tonta da Sakura andava mais esperta inclusive que ela própria. Estava já morando com o primo, sem deixar que ninguém atrapalhasse sua felicidade em estar com o homem que amava. Ela olhou para Kurogane e soltou um suspiro.

'Bem… Vamos lá descobrir?' Meilyn sugeriu, já caminhando no encalço da amiga. O rapaz ainda ficou na dúvida se seguia ou não a chinesa, mas não por muito tempo. Após alguns segundos já corria atrás dela.


Tomoyo entrou no alojamento ainda xingando os amigos de pervertidos para baixo. Onde já se viu insinuar aquele tipo de coisa para ela? Eles estavam malucos? O que tinha acontecido com os dois para se tornarem tão maliciosos daquela maneira? Onde estavam sua amiga tonta que não sabia nem distinguir seus sentimentos e o menino que precisou ser colocado contra parede para revelar o que sentia?

Ela jogou a bolsa que carregava longe. Eram uns idiotas! Pervertidos! Pensou novamente. Não queria nem imaginar o que os dois andavam fazendo para terem uma imaginação daquelas. Sentiu um tremor interno pensando nisto. O que será que realmente andavam fazendo?

Balançou a cabeça com força. Isso não interessava a ela. A vida sexual dos amigos realmente era algo que não lhe interessava. Franziu a testa, constatando que realmente se via curiosa para saber sobre a vida sexual deles. Inferno!

Será que eles realmente pensaram que ela toparia aquilo? Mordeu o lábio inferior e levou as mãos aos lábios, lembrando-se dos beijos que andava trocando com Kurogane. A amiga tinha dito que via fogos de artifício todas as vezes que beijava Syaoran.

Como ela era diferente, quando Kurogane a beijava, ela sentia como se mil borboletinhas batessem suas asas no seu estômago. Além de parecer que o tempo parava, e todos os sons desapareciam. Não conseguia ouvir mais nada ao redor a não ser a respiração do rapaz, sentir o perfume dele. Soltou um suspiro, fechando os olhos. Tocou, de leve, com a ponta dos dedos os lábios, lembrando do calor dos lábios dele contra os dela.

Se um beijo causava aquelas sensações, imagina fazer… Abriu os olhos assustada com seus próprios pensamentos. 'Por que estou pensando nisto?' Ela se perguntou em voz alta.

Caminhou em direção à geladeira para pegar algo para beber. Tomaria um banho e tiraria aquela brincadeira maldosa dos amigos da cabeça. Eles estavam de sacanagem com ela.

'Pensando em quê, Tomoyo?' A morena levou um susto quando ouviu a voz da amiga chinesa.

Voltou-se para trás e viu a amiga ao lado de Kurogane. Desviou os olhos dele. O rapaz era a última pessoa que gostaria de ver naquele momento. Depois daquela conversa, já começava a imaginá-lo sem roupa. Sentiu as faces queimarem e o corpo tremer. Meilyn se aproximou dela estranhando.

'Tomoyo, você está bem?' A chinesa falou preocupada, caminhou até a amiga e colocou a mão na testa dela. 'Você está quente.'

Kurogane se aproximou da sua princesa preocupado. Segurou os braços dela e estranhou que ela evitava os olhos dele. 'Hei, você está bem? O que aconteceu?'

'Nada.' Ela sussurrou, sem conseguir encará-lo.

Kurogane franziu a testa. Realmente Tomoyo estava com a face rubra demais. Fez o mesmo que a chinesa colocando a mão na testa dela e viu a jovem dar um passo para trás, mal conseguindo agora controlar a vergonha.

'Eu preciso de um banho, acabei de vir do hospital.' Ela falou, afastando-se dos dois.

Caminhou até o banheiro onde se trancou. Fez questão de passar a chave na porta duas vezes e se encostou a ela, voltando a fechar os olhos e batendo a cabeça de leve. Precisava ficar sozinha.

'Aqueles dois me pagam!' Ela falou, abrindo os olhos e fitando seu reflexo no espelho, estava com o rosto tão vermelho que parecia um tomate maduro.

Kurogane e Meilyn olhavam para a porta do banheiro, onde Tomoyo havia se trancado.

'O que será que aconteceu?' A chinesa perguntou.

Kurogane franziu a testa com o rosto sério. 'Só espero que não seja nada com aquele cabeludo que resolveu dar as caras novamente.'

'Hiiraguizawa?' Meilyn perguntou, franzindo a testa e olhando de maneira interrogativa para o rapaz a sua frente.

Kurogane respirou fundo e soltou o ar devagar. 'Este mesmo.' Respondeu, sem nem se dar ao trabalho de disfarçar que não gostava do inglês.


Syaoran abriu a porta do carro para Sakura sair. Ela tinha recebido alta do hospital naquela tarde. A Dra. Ikegane realmente tinha ficado impressionada pela recuperação rápida da jovem.

A ruiva saiu do carro e sorriu de leve, observando o sobrado branco. Estava com saudades de casa. O namorado estava tirando as bolsas com os pertences dela do porta malas.

Sakura fechou a porta do carro e já estava caminhando em direção ao portão de ferro quando sentiu uma presença familiar, fazendo com que um arrepio, corresse pela sua espinha. Franziu a testa e virou-se para trás. Semicerrou os olhos, vendo o rapaz encostado numa mureta no outro lado da rua com os braços cruzados.

O que Ren Tao estaria fazendo ali? Ele a cumprimentou de forma discreta com a cabeça, sorrindo de lado. Arregalou os olhos de leve, observando se formar, claramente, a imagem de um guerreiro chinês enorme ao lado dele. Piscou os olhos e balançou a cabeça de leve, com certeza era efeito do medicamento que ainda estava tomando.

'Está tudo bem, Sakura?' Syaoran perguntou, observando a namorada.

Sakura tirou os olhos de Ren e fitou o namorado que olhava para ela preocupado.

'Tudo bem.' Ela respondeu e olhou de volta para o local onde tinha visto o chinês, mas ele tinha desaparecido. 'Acho que eu preciso descansar.' Murmurou.

'Vamos então.' Ele falou animado, passando por ela e subindo os degraus.

Syaoran abriu a porta do sobrado branco e olhou por sobre o ombro direito. Viu Sakura atrás dele, analisando o estado do jardim da frente da casa deles. Sorriu. Estava feliz por ela estar de volta. Ele mal parou em casa durante todo o tempo em que ela esteve no hospital, simplesmente porque era insuportável estar ali, na casa deles, sem ela por perto.

'Ainda bem que elas resistiram bem.' Sakura falou, observando as plantas. 'Você as molhou direitinho.' A jovem falou, sorrindo de leve e mostrando-se satisfeita por ele ter cuidado do seu jardim.

'Fiz meu melhor, Flor me ajudou bastante. Por ela você seria recebida por cascatas de flores.' Ele falou, sorrindo e entrando na casa. 'Precisa de ajuda?' Perguntou para a namorada, indicando a pequena escada de três degraus, em frente da casa que ela deveria subir.

Sakura franziu a testa. 'Eu não estou inválida.' Falou irritada. 'Recebi alta da Dra. Ikegane, Syaoran.' Completou, subindo os degraus e parando perto do namorado.

'Ela falou para você maneirar no esforço físico.' Ele retrucou, encarando-a.

'Você não vai me obrigar a continuar numa cama, não é?'

Ele sorriu de lado. 'Acho que só amarrando você nela.'

'Humph…' Ela murmurou, passando por ele e entrando na sala. Sorriu observando que tudo estava no lugar. Que saudades tinha sentido da sua casa! Ficar aquele tempo todo no hospital a deixara louca.

Syaoran fechou a porta e caminhou até a sala, deixando as bolsas com os pertences da namorada. Observou Sakura andando pelo cômodo e analisando se tudo estava no lugar.

Ela reteve-se na mesa e viu os livros de faculdade do rapaz. 'Você largou as matérias, não foi?' Perguntou com o tom chateado.

'Isso será fácil de recuperar. Estudei sempre que pude no hospital. Você é que terá que conversar com os professores.' Ele falou, aproximando-se dela. 'Eu já falei com alguns sobre o que aconteceu, todos eles foram muito compreensivos.'

'Acho que sim.' Ela sussurrou, pegando um dos livros que estavam sobre a mesa. 'Vai ser um saco entrar de volta ao ritmo agora…'

'Você consegue.' Ele falou de forma otimista.

Ela deu de ombros. 'Sim. Hoje é quarta-feira, não?' Ela perguntou e ele confirmou. 'Amanhã tenho aula de Anatomia. Vou à faculdade assistir a aula e falar com o professor Sasaki.'

'Nada disso, Sakura!' Ele exclamou. 'Você precisa ficar ainda um tempo quieta. A doutora a liberou para sair do hospital, não para voltar a todas as suas atividades. Precisa ir com calma.'

'Eu tenho mantido a calma até demais...' Ela retrucou, incomodada. Realmente estava de saco cheio de ficar sem fazer nada. Não era parte da sua natureza ficar simplesmente parada por tanto tempo.

Syaoran se aproximou dela e a segurou pelo braço, chamando a atenção da jovem. 'Por favor, Sakura, não faça nada que prejudique sua recuperação. Pensei que a tivesse perdido. Não aguentaria passar por isso de novo.'

Sakura abraçou a cintura do namorado e repousou sua cabeça no peito dele, ouvindo as batidas suaves do seu coração. Sorriu.

Ele a envolveu em seus braços e beijou a cabeça dela. Ficaram abraçados por alguns minutos.

'Estou muito feliz que esteja comigo, Sakura.' Syaoran sussurrou, com o rosto enterrado nos cabelos dela.

I'll be your dream, I'll be your wish, I'll be your fantasy
(Serei seu sonho, serei seu desejo, serei sua fantasia)

I'll be your hope, I'll be your love
(Serei sua esperança, serei seu amor)

Be everything that you need
(Serei tudo o que você precisa)

I'll love you more with every breath
(Eu te amo mais a cada respiração)

Truly, madly, deeply do
(Verdadeiramente, loucamente e intensamente)

I will be strong, I will be faithful
(Serei forte, serei fiel)

'Cause I'm counting on
(Pois estou contando com)

A new beginning
(Um novo começo)

A reason for living
(Uma razão para viver)

A deeper meaning, yeah
(Um sentido mais profundo, sim)

'Syaoran…' Ela murmurou.

'O que foi?'

'Você sabe o quanto eu amo você, não é?'

O rapaz a apertou entre os braços e abriu os olhos, fitando a janela da sala. Não respondeu, não queria mentir e era difícil de acreditar que ela realmente amasse o que quer que ele houvesse se tornado.

'Você chegou hoje do hospital, Sakura.'

Ela se afastou dele encarando-o seriamente. Percebeu que ele desviava os olhos dela. Ela levantou os braços e segurou seu rosto entre suas mãos de forma suave. Forçando-o a fitá-la nos olhos.

'O que aconteceu não mudou em nada o que eu sinto por você.' Ela precisava ter certeza que Syaoran soubesse o quanto o amava.

'Sakura… Agora não é a melhor hora…' Ele tentou ainda se afastar, mas ela o impediu.

Sakura sorriu de leve, pensando que ele estava fugindo da conversa. Era sempre a primeira reação dele. 'Tem que ser agora. Porque eu não quero voltar para a nossa casa com esta nuvem negra em cima da gente.'

I want to stand with you on a mountain
(Quero ficar com você no alto de uma montanha)

I want to bathe with you in the sea
(Quero me banhar contigo no mar)

I want to lay like this forever
(Quero deitar juntinho assim para sempre)

Until the sky falls down on me
(Até que o céu caia sobre mim)

Ele sorriu de forma triste. 'A questão é maior do que uma nuvem negra, Sakura. Eu… Eu me descontrolei.'

'Porque eu morri.' Ela rebateu, olhando para ele de forma séria. 'Não foi muito diferente do que aconteceu comigo quando você não estava mais aqui.'

'Exceto que meu descontrole quase destruiu tudo.' O rapaz argumentou, evitando encará-la. Ele respirou fundo. 'Eu queria simplesmente acabar com tudo, Sakura.' Ele fechou os olhos. 'E por pouco não fiz isso… Por muito pouco.'

'Se o que Eriol diz a respeito do poder do Pilar for verdade, se eu tivesse continuado naquela direção, eu teria destruído bem mais do que apenas este mundo.' Sakura declarou, fazendo-o voltar-se para ela com os olhos arregalados.

'Você nunca…'

'Eu já havia dito isso antes…' Ela o interrompeu, tocando de leve seu dedo nos lábios dele. 'Você é o que me mantém no prumo.' Completou, sorrindo de leve e passando os dedos pelos cabelos do rapaz.

'Como isso é possível?' Ele falou, sorrindo de forma triste. 'Alguém como eu…' Syaoran sentia como um bolo tivesse se formado em sua garganta. 'Como eu posso ser seu prumo?' Perguntou, tocando de leve sua mão no peito.

'Nós dois mudamos.' Ela respondeu com o rosto sereno.

'Não…' Ele rebateu, fazendo-a franziu de leve a testa. 'Eu mudei. É melhor a gente aceitar os fatos. Foi ingenuidade minha achar que tudo seria como antes.' Ele fez uma pausa. 'Ingenuidade ou arrogância.'

Ele segurou as mãos dela que estavam sobre seu rosto e as abaixou. Afastou-se da amada, não estava se sentindo confortável com a conversa. Sabia que era importante, mas simplesmente gostaria de apagar da mente dele e de Sakura o que aconteceu. Só que as coisas não eram fáceis assim. Ele tinha medo de voltar a perder o controle, e aí? Será que ele conseguiria se conter para não matar outras pessoas?

Não se arrependia de ter matado Yanamoto. Correção: se arrependia de não tê-lo matado antes e evitado todo aquele sofrimento e dor pelos quais Sakura tinha passado.

'Syaoran… Nós dois mudamos. Nós crescemos, não foi?' Ela falou, indo atrás dele. 'Ou você realmente acha que, depois de tudo que passamos juntos, seríamos exatamente os mesmos?'

Syaoran voltou-se para ela. 'Você viu em que eu me transformei. Aquilo foi no que eu me tornei depois que vivi naquele lugar.' Falou com o tom de voz mais alto.

Fechou os olhos, precisava se controlar; Sakura não podia se aborrecer. Ela ainda estava com o corpo debilitado. Mas a feiticeira era teimosa demais, não poderia deixar para eles conversarem sobre isso outra hora… Ou melhor, nunca.

And when the stars are shining
(E quando as estrelas estiverem a luzir)

Brightly in the velvet sky
(Seu brilho no céu aveludado)

I'll make a wish send it to heaven
(Farei um pedido, enviarei para o céu)

Then make you want to cry
(Então te farei querer chorar)

The tears of joy for all the pleasure and the certainty
(Lágrimas de alegria por todo o prazer e certeza)

That we're surrounded by the comfort and protection of
(De que somos rodeados pelo conforto e proteção)

Sakura se aproximou novamente e segurou o rosto do amado namorado com as mãos para que ele a fitasse nos olhos.

Syaoran a encarou. 'E se eu voltar a ficar daquele jeito?'

Ela engoliu em seco, mas não desviou os olhos dele. 'Eu farei a mesma coisa de novo e de novo e quantas vezes for necessário, vou atrás de você para ficar ao seu lado.'

Syaoran segurou as mãos dela e fechou os olhos. 'Como sei que não a machucarei da próxima vez, Sakura?'

'Olha para mim!' Ela ordenou e o viu abrindo os olhos devagar. 'Você não acha que está muito contraditório?!' Ele franziu a testa não entendendo. 'Você se transformou porque pensou que tinha me perdido e agora você realmente acha que seria capaz de se transformar para me machucar, Syaoran?' Ela falou com tom de voz assertivo.

'E se aquilo for só o começo?'

'O começo de quê, Syaoran?'

Ele tirou as mãos dela, delicadamente, de seu rosto e as abaixou, mas não as soltou desta vez, pelo contrário, segurou-as firme. 'Se eu surtar e não conseguir voltar? E se eu virar definitivamente um demônio como os que nós combatemos durante tanto tempo?' Ele apertou de leve as mãos dela, estava nervoso. 'Eu sou exatamente aquilo que nós dois odiávamos.'

The highest powers
(Da força mais poderosa que existe)

In lonely hours
(Nos momentos solitários)

The tears devour you
(As lágrimas consomem você)

Sakura franziu a testa. 'Você, como sempre, está vendo apenas um lado da situação.'

'Do que está falando?'

'Das cartas.' Ela respondeu e o viu arregalar os olhos de leve. 'Você prestou bem atenção no que Eriol nos contou?' Ele assentiu com a cabeça. 'Elas eram demônios e hoje elas são minhas melhores amigas. Aquelas que se colocaram entre mim e um golpe possivelmente fatal para me proteger, sem se importarem de ser destruídas.' Ele franziu a testa não entendendo. 'Quando eu surtei… E lutei contra o Tao.' Explicou.

Ele franziu a testa de leve. 'Elas fizeram isso?'

'Sim…'

Syaoran respirou fundo. 'Mas você as mudou.' Ele respondeu. 'Você…'

'Dei amor a elas.' Ela completou. 'Eu não lhe dou amor, Syaoran. Você é o meu amor. Você é parte de mim.'

'Assim como você é parte de mim.' Ele falou, finalmente com um tímido sorriso nos lábios. E soltou um suspiro cansado.

'E como você ainda é capaz de pensar que poderia me machucar?'

Ela tinha razão. Ele abriu um sorriso finalmente aliviado. Sakura percebeu isso.

I want to stand with you on a mountain
(Quero ficar com você no alto de uma montanha)

I want to bathe with you in the sea
(Quero me banhar contigo no mar)

I want to lay like this forever
(Quero deitar juntinho assim para sempre)

Until the sky falls down on me
(Até que o céu caia sobre mim)

Oh can you see it, baby?
(Oh, será que você não consegue enxergar, amor?)

You don't have to close your eyes
(Não precisa fechar os olhos)

'Cause it's standing right before you
(Porque está bem diante de você)

All that you need will surely come
(Tudo o que você deseja há de se concretizar)

'Eu amo você, Syaoran. Não importa pelo que nós dois vamos passar ou no que vamos nos transformar, eu tenho certeza que, se estivermos juntos, tudo vai dar certo.'

Syaoran concordou. Levantou o braço, tocando de leve o rosto tão amado. Aproximou-se dela passando os polegares pelo rosto lindo de Sakura. Sorriu novamente, fazendo-a abrir aquele sorriso maravilhoso que ele amava.

'Você tem razão.' Ele falou. 'Tudo vai terminar bem.'

'Se estivermos juntos.'

'Sempre.' Ele completou concordando.

I'll be your dream, I'll be your wish, I'll be your fantasy
(Serei seu sonho, serei seu desejo, serei sua fantasia)

I'll be your hope, I'll be your love
(Serei sua esperança, serei seu amor)

Be everything that you need
(Serei tudo o que você precisa)

I'll love you more with every breath
(Eu te amo mais a cada respiração)

Truly, madly, deeply do
(Verdadeiramente, loucamente e intensamente)

Ela se aconchegou mais nele, ficou na ponta dos pés alcançando seus lábios. Syaoran a abraçou, apertando-a contra o corpo enquanto aprofundava o beijo. Era maravilhoso estar com ela de volta na casa deles, tê-la de volta em seus braços. Pegou-a no colo enquanto ela encaixava o rosto no pescoço dele.

'Quero ficar com você.' Ele falou subindo as escadas. 'Para sempre.'

I want to stand with you on a mountain
(Quero ficar com você no alto de uma montanha)

I want to bathe with you in the sea
(Quero me banhar contigo no mar)

I want to lay like this forever
(Quero deitar juntinho assim para sempre)

Until the sky falls down on me
(Até que o céu caia sobre mim)

Continua.


Música do Capítulo: Truly Madly Deeply (Verdadeiramente, loucamente e profundamente) by Savage Garden

Notas da Autora:

Mais um capítulo atualizado. Semana hiper mega corrida. Ainda bem que a história está adiantada (na verdade, até finalizada) e não tem perigo de atrasar atualizações! É tão mais tranquilo quando estamos nesta situação hahaha

Obrigado a todos que deixam reviews e mandam mensagem. E é claro, a todos que acompanham esta história tão longa!

Beijos

Notas da colaboradora:

Eu não sei se fico brava ou mais apaixonada com a teimosia do Syaoran… Que rapaz mais cabeça dura, viu? Que insegurança, minha gente! Daqui a pouco teremos que abrir a cabeça dele para enfiar lá dentro o fato que a Sakura o ama, incondicionalmente… Será que é muito difícil aceitar isso? Espero que agora ele tenha realmente entendido, porque não estou muito feliz com o prospecto de realizar uma lobotomia… Mas se for preciso, eu o farei, viu, seu lobo teimoso?

S&S são safadinhos, mas a Tomoyo não fica muito atrás… Fica aí, imaginando um "threesome"... Eu fico me perguntando como Syaoran e Sakura reagiriam se ela aceitasse… acho que a situação embaraçosa teria virado a favor da morena… pena que ela tenha levado muito a sério e perdeu a oportunidade de revidar à provocação…

E esse Smith está pedindo para levar na cabeça, viu… É um arrogante ganancioso, mesmo... Mas que história era aquela dos xamãs estarem cientes que o "Guardião" iria voltar dos mortos? O que será que isso significa? Aiaiai…

Até o próximo capítulo!

Notas da Revisora:

Final doce... Syaoran anda meio teimoso e escorregadio... Homens... Temos que forçar uma discussão... Isso não muda.

Ri muita da parte da Tomoyo pra lá de constrangida... O mais legal é que ela pensou seriamente numa Mènage...kkkk... Muito bom.

Agora fiquei curiosa com o nosso outro chinês em cena… O que nos aguarda? Ou melhor, o que vem por aí para nossos heróis? Esperar para ver.

Beijos, Povo… Boas leituras!