Por mais tarde que eu tivesse ido dormir, eu acordei incrivelmente cedo – talvez fosse o nervosismo pelo que eu estava prestes a fazer. Sim, eu me decidi e, dessa vez, acho que foi a coisa certa. Bem, pelo menos meu coração concorda comigo.

É a segunda manhã que eu acordo desse jeito, mas eu tenho certeza que hoje vai ser diferente de ontem – a começar que a minha parada vai ser o quarto de Edward, não importa se ele estiver dormindo ou não.

Brava comigo mesma por ter permitido Jacob me abraçar no meio da noite (ele ainda não fazia a mínima idéia que eu ia terminar com ele), retirei seu braço musculoso da minha cintura e, quieta, peguei algumas roupas no closet e fui tomar uma ducha rápida.

Não faço a mínima idéia de quanto tempo passou, mas eu só sei que foi rápido. Eu não podia ter passado mais de dez minutos no banho. Ainda descalça, corri até o corredor e parei na frente da porta de Edward. Era cedo, provavelmente umas seis da manhã, mas eu não podia esperar mais.

Empurrei a porta com cuidado, a fechando logo em seguida à minha entrada. Na ponta dos pés, segui até a cama. Ele ressonava, o peito nu e usando apenas as boxers para dormir, sem lençol. Delicioso. Obrigando-me a não beijar aqueles lábios perfeitamente desenhados e passar as minhas mãos por aquele peitoral definido, sussurrei seu nome:

- Edward... – Ele resmungou e se virou para o lado. Ele estava cansado e eu deveria deixá-lo dormir mais um pouco, mas era impossível... Eu estava muito agitada.

- Só mais cinco minutinhos... – Ele pediu, manhoso, após eu empurrá-lo levemente. Eu sorri, quase atendendo ao seu pedido, mas resolvi optar por uma nova abordagem.

Torcendo para que desse certo (era tudo ou nada), corri até o quarto e deixei um bilhete em cima do meu travesseiro:

"Tive que correr para o trabalho, algum problema nos computadores. Talvez eu tenha que reescrever tudo o que tinha, estava um caos ao telefone – não pude entender o que Christine dizia.

Edward saiu cedo também para o hospital, eu encontrei seu bilhete. Você terá que tomar o desjejum sozinho, desculpe.

Beijos,

Bella"

Ok, era uma mentira deslavada – afinal, eu estaria no cômodo ao lado. Mas eu não queria que Jacob entrasse no quarto de Edward, ou ficasse se perguntando onde eu estava. Só havia mais uma coisa a resolver.

Desci as escadas o mais silenciosamente o possível e peguei o interfone. Ronald atendeu, um tanto sonolento, e eu sussurrei ao telefone:

- Bom dia Ronald...

- Bom dia, Bella... – Disse, em meio a um bocejo.

- Escute, me faz um favor? Se Jake perguntar se eu já saí, o diga que sim, ok?

- Houve algum problema? – Perguntou, prestativo. Mordi o lábio inferior: o que responder? A única alternativa era mentir. Eu nunca fui uma boa mentirosa, mas esses dias... Bem, eu estava virando uma perita.

- Não, longe disso. É só que eu quero fazer uma surpresa para ele. – Ele riu.

- Muito bem, muito bem... Ah, o amor jovem! – Comentou e, com um sorriso amarelo no rosto, desliguei.

Praticamente corri para o segundo andar e, pela porta entreaberta, conferi se Jake ainda dormia. Bem, ele roncava um pouco – o que respondia a minha pergunta. Entrei então no quarto de Edward, fechei a porta, e coloquei meu "plano" em ação.

- Edward... – Tentei mais uma vez, mas só ganhei um resmungo. Então deitei-me ao seu lado na cama e acariciei sua face. Ele sorriu e eu o imitei. – Edward... – Tentei.

- Bell... – Ele disse, ainda com os olhos fechados.

- Acorde... – Hesitei antes de dizer "amor", e preferi por não dizer nada.

- Peça a Emmett para não roubar o frisbee do bicha. – Ok, isso foi esquisito. Ele sonhava... Tudo bem. Isso significa que a idéia original ainda é necessária.

Deixei todos os meus sentimentos reprimidos fluírem ao meu corpo e concentrei todo o meu amor aos lábios. Aproximei-me dele e, com um último sussurro, colei minha boca à dele.

O beijo seguia simples, sem luxúria, apenas carinho. Eu gostava, era puro... Diferente de todos os beijos que já trocamos. Ele abriu os olhos lentamente e eu o fitei. Ao contrário do que eu queria, ele interrompeu o beijo.

Edward's POV

Eu cheguei em casa por volta das quatro e meia, cinco horas da manhã. Tomei um banho e, sem me dar ao trabalho de vestir o pijama, me joguei na cama. Foi quando comecei a sonhar. Era algo bobo, provavelmente impossível.

Estava no Central Park, com todos: Emmett, Rosalie, Alice, Jasper... E Bell. O dia estava ensolarado, mas todos vestíamos preto, gorros e luvas. Alice e Emmett tinham uma expressão assassina nos rostos e Jazz encarava algum ponto com um binóculo.

Fui perguntar a Rose o que estava acontecendo, mas eu estaquei antes que o fizesse. Ela estava... Grande. Pelo tamanho de sua barriga, devia estar com, pelo menos, oito meses. Sua roupa era a única com adereços – em rosa, na região da barriga, tinha escrito "Come to Mamma". Balancei a cabeça, e me dirigi a Emmett:

- Ursão, o que a gente está fazendo?

- Eu vou me vingar daquele boiola.

- É o quê? – Perguntei, confuso.

- Aquele que queria que eu autografasse a bunda. Ainda não me decidi: ou eu roubo o cachorro, ou frisbee.

- Você não pode, Emmett! – Ninguém mais via a loucura ali? Encarei Bell, pedindo ajuda, mas ela ficou parada. Voltei-me para brigar com o energúmeno do meu irmão, quando ela se pronunciou:

- Edward... – Eu queria falar com ela, queria mesmo. Mas agora eu tinha que ensinar a uma criança crescida que roubar o cachorro e o frisbee de um gay era errado. E que, provavelmente, não seria nada legal estar na cadeia quando o filho nascesse.

- Não enche cabeçudo. Eu já me decidi: o frisbee vai ser meu até o fim do dia. – Ok... Sem pânico. Emmett enlouqueceu e quer roubar um pedaço de plástico que custa, no máximo, cinco dólares. Bell se remexeu, inquieta, e eu a pedi:

- Só mais cinco minutinhos. – Era só isso o que eu precisava para convencer Emmett que a gente podia ir em qualquer lojinha para comprar aquilo.

Bell foi embora, mas eu não podia dar atenção àquilo agora. Emmett pegou um mapa e estava começando a nos mostrar o que faríamos na nossa parte do plano. Só então reparei que ele estava com uma bazuca presa às costas. Puta que pariu, por que diabos ele precisa daquilo pra roubar um frisbee?

- Então Rose e o bebê imobilizam o cachorro, enquanto Alice e Jasper atraem os duendes. Os pequeninos serão necessários para distrair o... Bem, o boiola de rosa. – Ergui meus olhos e, pela primeira vez, vi o "alvo": o homem estava vestido com uma roupa extremamente pink. – Enquanto isso, Edward vem pela direita e atira com a sua bazuca... – Apontou para as minhas mãos onde, percebi agora, tinha uma arma. – E eu venho pela esquerda. O cara não vai ter por onde escapar, se desistir de observar os duendes. Então, Bella estará livre para pegar o frisbee.

Olhei para os lados, e vi Bell de volta. Ela sorria levemente e estava extremamente próxima de mim.

- Edward... – Disse, acariciando meu rosto.

- Sim, Bell? – Perguntei.

- Edward...

- Bell? – Tentei de novo.

- Acorde...

- Acordar? – Perguntei, mas ela me ignorou. Tentei então acabar com aquela loucura. – Peça a Emmett para não roubar o frisbee do bicha. – Ela não disse nada. Apenas foi chegando mais e mais perto e... Me beijou. Foi quando eu percebi que estava sonhando: Bell me beijando com tanto amor? Há. Jamais.

Abri meus olhos, esperando me encontrar sozinho no quarto. Mas, ao contrário disso, vi Bell me fitando com seus olhos chocolate. E, o melhor: me beijando. Afinal, não foi um sonho. Bem, foi e não foi. Pelo visto a parte do beijo era verdade.

Ainda assim, era difícil de acreditar. Mesmo com ela tão perto... O que me garantia que aquele não era um sonho doloroso e extremamente vívido? Sim, doloroso. Porque uma hora ele acabaria, me deixando sozinho.

Querendo me chutar, eu interrompi o contato. Era necessário... Se eu aproveitasse um pouco mais, seria mais difícil esquecer disso depois. Já seria difícil dizê-la que a amo... Se isso fosse pontuado por sonhos esquisitos, seria pior.

- Por que você parou? – Ela perguntou, confusa.

- Eu.... – Eu não sabia o que dizer. Ela abaixou os olhos, e se sentou na cama. Eu fiz o mesmo.

- Edward, desculpe te acordar tão cedo. Mas eu não agüentava mais... Eu preciso falar com você.

- Você não me acordou. – Eu disse, sem pensar, e ela me encarou sem entender nada.

- Como assim não te acordei? Você já estava acordado antes?

- Eu só estou dormindo ainda. – Disse, dando de ombros, e ela riu.

- Você não está dormindo, boboca.

- Então por que você está aqui? – Desafiei.

- Eu preciso falar com você... Sobre a nossa situação. – Ok, eu nunca sonharia com isso. O meu subconsciente evita qualquer coisa que possa ser dolorosa...

- Não seria melhor esperarmos um pouco? Jacob pode nos ouvir... – Eu não sei por que eu me esquivava. Talvez fosse o nervosismo.

- Não, ele ainda está dormindo. Mas, mesmo assim, eu o deixei um bilhete para quando ele acordar. É só fazermos silêncio, e ele vai achar que eu já fui trabalhar, assim como você. – Ela pensou em tudo mesmo. Olhei para o relógio, e vi o horário.

- Seis da manhã? – Exclamei, um pouco alto. Ela tapou a minha boca rapidamente.

- Shhh. Ele não pode nos ouvir.

- Desculpe. – Minha voz saiu abafada pela sua mão pequena. Ela fitou os meus olhos por um tempo e, lentamente, destapou a minha boca.

- Então, como eu ia dizendo... Eu quero conversar sobre nós. Eu acho que está na hora de sairmos desse "chove não molha".

- Não há "chove não molha". – Disse, um pouco amargurado. – Você tomou a sua decisão... Você quer Jacob.

- Você está errado. – Replicou, balançando a cabeça. – Eu escolhi você.

Ok, meu queixo caiu e eu tenho uma vontade imensa de pular na cama, correr para a sacada e gritar "PÁRA O MUNDO QUE ELA ME ESCOLHEU!". Claro que eu não fiz isso... Queria ter certeza de que não ouvi errado antes de sair por aí contando vantagem.

- Sério? – Perguntei, incapaz de conter um sorriso. Ela sorriu de volta.

- Sim... Eu o quero para mim. – Então seu sorriso esmaeceu e ela mordeu o lábio, preocupada: – Bem, se você me quiser.

- É claro que eu a quero! – Seu sorriso lindo voltou ao rosto.

- Ótimo, eu só tenho uma condição. – Lá vem... Tava bom demais para ser verdade.

- Qual?

- Nada de sair com outras mulheres. Você não vai a esse encontro com a Blair hoje, e...

- Como você sabe do encontro? – Perguntei, alarmado. Ela colocou um detetive para me seguir ou algo assim?

- Isso não vem ao caso. – Respondeu, balançando uma mão em sinal de descaso. Ótimo, vou vasculhar as minhas roupas à procura de escutas. – Eu só quero que você prometa.

- Prometa o quê? – Perguntei, ainda preocupado com as escutas, e ela revirou os olhos.

- Chega de galinhagem. Eu vou ser a sua única e você será meu único. – Meu sorriso se alargou, e eu não pensei mais.

Bella's POV

Eu tinha acabado de esclarecer as coisas quando Edward, literalmente, me atacou.

Ele prendeu, com uma mão, os meus braços à cima da minha cabeça. Ele sorria, radiante, e eu o imitei – era contagioso. Ele não me deu tempo para falar, ou sequer pensar em alguma coisa. Ele apenas me beijou com urgência.

Nossos lábios se moldavam e eu fazia um grande esforço para ficar em silêncio. Era... Excitante saber que podíamos ser pegos a qualquer momento. Mas, ainda assim, preocupante: eu não queria que Jacob descobrisse da pior forma. Por mim, ele nem descobriria. Ele era muito bom para sofrer tanto... E ainda por cima, por causa de mim. Interrompi o beijo quando as mãos de Edward tentavam tirar a minha camisa.

- O que foi? – Ele perguntou, seus lábios um tanto inchados das minhas mordidas.

- Eu não posso.

- Por quê? A gente está apaixonado, Bell... Não há nada mais natural. – Sorri, marota, ao escutar a parte da paixão.

- É só que Jacob ainda não sabe de nada... E eu me sinto mal por traí-lo.

- Você já o traiu antes.

- E eu não queria fazer isso de novo. – Disse um pouco irritada. Ele suspirou e voltou a se deitar, as mãos cobrindo o rosto.

- Ele é meu amigo... Eu também me sinto mal por fazer isso com o cara. Mas... É que você me tira do sério, Bell. Não consigo controlar meus atos quando estou perto de você. – Delicadamente, tirei suas mãos de sua face. Ok, aquilo não foi um "eu te amo", mas "tirar do sério" já era alguma coisa boa, espero.

- Eu... Bem, você também "me tira do sério". Mas o que estamos fazendo... Não é certo. Espere eu terminar com ele, pelo menos.

- Você sabe que ele não vai encarar muito bem os fatos quando você disser que o trocou por mim. – Ele gemeu. – É bem provável que eu tenha que fugir do país. – Sua voz, embora preocupada, soava brincalhona. Dei-lhe um tapinha fraco no ombro.

- Não diga isso! E se depois de sua fuga, você só voltar daqui oito anos para se vingar de mim? – Ele revirou os olhos.

- Bem, aí em menos de uma semana teremos feito sexo, declarado nossa paixão e programando a minha próxima fuga. – Eu ri.

- Mas, falando sério... O que eu direi a Jacob?

- Não sei... Só sei que não vai ser nada fácil. – Apoiei minha cabeça em seu peito e ficamos assim por um tempo, apenas sentindo o outro, quando ouvi a voz de Jake no quarto ao lado.

- Bella? – Retesei meus músculos, e o escutei ler o bilhete. Então o chuveiro ligou e, em quinze minutos, o ouvimos descer as escadas. Pelo barulho, ele não parou para tomar café da manhã em casa e nós pudemos relaxar. Edward pegou uma das mãos e, enquanto brincava com meus dedos, perguntou:

- Bell... Você pode faltar no trabalho hoje? – Engoli em seco.

- Edward, eu não posso, realmente... – Ele fechou os olhos lentamente, brincando com a barra do lençol branco.

- Tudo bem.

- Eu queria. – Disse, colocando uma mão em seu rosto. – Mas eu não posso, não agora. Quem sabe quando eu conquistar total confiança de meu chefe?
- Tudo bem. – Ele repetiu. Droga, eu lá tenho culpa que, ao contrário dele, eu não tenho algumas tardes da semana livres?

- Edward, é sério. Eu não posso.

- Eu já entendi, Bell. – Disse, entre dentes. – Eu só pensei que, como eu também ia faltar ao trabalho de hoje...

- Não se venha fazendo de vítima para o meu lado, Edward Cullen! – Caralho, ele conseguia ser irritante. Ele me encarou, seus olhos verdes faiscando. Droga, o que eu fiz agora? Não devia ter falado assim com ele...

Então, contra todas as minhas expectativas, ele me beijou. Não era um beijo simples, calmo, romântico. Era ardente, cheio de desejo. Em menos de segundos, nossas respirações estavam entrecortadas, eu debaixo de seu corpo quente, e nossas línguas travando uma batalha acirrada, da qual ninguém ganharia. Jacob? Eu não me importava – já o traí antes, mais uma vez não faria diferença...

Não deve ter durado mais do que alguns instantes, por mais que, para mim, parecessem décadas. Em todo o caso, não foi o suficiente – terminou rápido, cedo demais. Cheguei a me perguntar se era eu, que nunca me acostumaria a um certo limite dos beijos dele, mas depois percebi que não. Este tinha sido extremamente veloz... Curto. A minha pergunta muda foi respondida quando Edward se ajeitou, deitado do meu lado, a cabeça apoiada nos braços, que estavam cruzados atrás da nuca. Em seus lábios perfeitos, um sorriso torto brotava.

- Você não tinha que trabalhar? – Perguntou, em um tom que julgava inocente.

- Achei que você iria me possuir até eu perder os sentidos... Mas agora, que você parou, eu não vejo outra solução a não ser trabalhar. – Disse, me levantando e piscando para ele, sacana.

- É só voltar aqui, oras... – Respondeu, assim que se recuperou, fechando a boca. Ele acariciava o lugar ao seu lado, me chamando.

- Hm... Acho que não. Quem sabe mais tarde? – Falei, em tom brincalhão, saindo apressada do quarto. Se eu ficasse lá por mais um segundo, com certeza teria cedido.

- Bell! – O ouvi, assim que chamei o elevador, alguns passos atrás de mim (ainda descendo a escada, apressado). Parei no meu lugar e esperei ele se aproximar. Droga, se ele me pedisse mais uma vez... – Fique.

- Isso é um pedido? – Perguntei, tentando esconder um sorriso, devido ao seu aparente desespero. Ele logo se recompôs.

- É uma ordem. – Cruzou os braços, vitorioso. Bem... Uma ordem estava longe de um pedido. O que significava que eu podia "brincar".

Eu ri baixinho, e me aproximei dele. Acariciei seu peitoral com a mão direita, enquanto a esquerda percorria suas costas musculosas. Logo ela achou o que eu procurava: sua bunda. A apertei, e o queixo dele caiu, enquanto seus olhos escureciam de luxúria. Ele sabia que eu não era assim... Aproximei meus lábios de seu ouvido e sussurrei, em uma voz rouca:

- Uma ordem? – O percebi engolir em seco.

- Sim.

- Eu não aceito ordens de ninguém. – Sussurrei, mordendo o lóbulo de sua orelha. Afastei-me lentamente e o vi com um sorriso torto no rosto.

- E se eu não quiser ficar com você mais tarde? – A sua sobrancelha estava perfeitamente arqueada e eu fiz força para não ceder. Por mais que eu soubesse que ele estava brincando comigo, a idéia de perdê-lo, tão logo o consegui de volta, era alarmante.

- Você vai me querer mais tarde, eu sei disso. – Afirmei, tentando me convencer.

- Como você tem tanta certeza? – Sabe que eu não sei?

- Você me ama. – Disse, sorrindo. Dei um leve beijo nos seus lábios e sai correndo para dentro do elevador que, com um pouco de sorte, já estava ali. Minhas pernas tremiam, mas eu estava contente ao perceber que ele não negou o fato.

Edward's POV

Bell, definitivamente, me assusta de vez em quando. Na maioria das vezes, para ser sincero.

Para começar, eu não me lembro de tê-la dito que a amava. Mas, ainda assim, ela estava certa. Era como se ela me conhecesse melhor do que eu mesmo.

E então ela foi embora, apressada, para dentro do elevador, um tanto saltitante e me lembrando a Alice. E eu? Fiquei parado, encarando as portas de metal do elevador, com o queixo caído e uma mão parada no lugar em que seus lábios tocaram.

Foi quando me atingiu.

Finalmente as coisas estavam dando certo para nós, e eu não trocaria isso por nada. Sorrindo, como um idiota apaixonado, voltei para o meu quarto. Acabei tropeçando em um degrau, mas não dei muita atenção. Sem nem me dar ao trabalho de xingar a dor no meu pé descalço, corri para a porta entreaberta do cômodo. Na mesa de cabeceira estava o meu celular, e disquei o número de Jasper.

- Wow. – Sussurrei, estacando ao digitar o último número. Em seguida, comecei a rir sozinho, balançando a cabeça. Tinha acabado de me dar conta de que parecia uma garota, que corria a contar à melhor amiga tudo o que acontecia em sua vida amorosa.

Mas quem se importa? Perguntei a mim mesmo, enquanto terminava de digitar os números e apertava a tecla 'send'. Afinal, eu estava mesmo apaixonado. Perdida, irrevogável e incondicionalmente apaixonado.

E eu queria que assim continuasse por muito mais tempo.

Bella's POV

Ela atendeu no primeiro toque, me fazendo imaginá-la sentada e extremamente irritada, observando o telefone. Eu podia até sentir sua excitação, mesmo estando ela apenas puxando o ar para o que, provavelmente, seria uma explosão de palavras.

- E então? – Escutei a voz de Alice. – Como foi? Vocês conversaram? Deu tudo certo? Vocês estão namorando? Eu já posso procurar um vestido de madrinha? Posso planejar o casamento? Vou checar se ainda tem data no Plaza para vocês... Ah, e Jake? Como ele reagiu? Droga, eu tenho que tirá-lo da lista de convidados, não posso esquecer disso. Vocês vão mudar de apartamento? Porque eu não acho que seria muito agradável morar com Jacob agora, e... Ah, eu quase me esqueci! POR QUE VOCÊ NÃO LIGOU ANTES? – Eu estava surda agora.

- Allie, acalme-se... Uma pergunta de cada vez!

- Tá, tudo bem. A mais importante, então. Por que você me deixou esperando tanto tempo? Desde que eu cheguei em casa eu fiquei encarando o telefone, esperando para você me contar todos os detalhes... Eu imagino que a noite tenha sido ocupada, mas podia ter me ligado assim que amanheceu, não?

- A noite não foi nada ocupada, Alice. – Suspirei. – Eu só falei com ele depois de amanhecer, se isso te consola um pouco.

- Não, não consola. – Ouvi a voz irritada dela, e ri. – Em todo o caso... Deu tudo certo? Como que foi? Rolou rala-e-rola? – "Rala-e-rola"? Wow. Eu tive que rir dessa... Com quem Alice estava andando pra dizer "rala-e-rola"?

- Quase, Allie. A gente só se beijou um pouquinho, mas como eu ainda estou namorando Jacob, oficialmente, eu não quis que nada acontecesse. – Até parece, mais cinco segundos ali e eu arrancava as roupas dele com os dentes! Olhei para os lados, e atravessei a rua já movimentada, chegando à estação de metrô.

- Mas você já o traiu uma vez! O que custava trair de novo? – Sua voz soava confusa e um pouco até decepcionada.

- Só a minha integridade moral, Alice. – Integridade que eu quase não tenho mais.

- Integridade moral? Ah, dane-se a integridade moral! Integridade moral não te dá orgasmos, dá?

- Alice! – A repreendi, e ela bufou.

- Ah, Bella... Nem me venha com esse papo de puritana. Eu sei muito bem que você devia estar praticamente comendo meu primo com os olhos. – Corei violentamente, frente à verdade. Mas Alice não precisava saber que estava certa...

Eu já ia dizendo tchau, quando ouvi um 'bip'. Alice pediu licença e, momentos depois, ouvi outra voz na nossa conversa.

- Bella! – Rose disse, sua voz um tanto cansada e triste, embora tentasse parecer o contrário.

- Oi, Rose... O que aconteceu?

- É tão óbvio assim? – Ela perguntou em um suspiro.

- Um pouco, querida. – Alice disse, preocupada. – Foi Emmett?

- Sim. Eu o contei há alguns minutos que estava grávida.

- Ele não reagiu muito bem? – Perguntei, hesitante.

- Bem, eu fiz de acordo com o plano: logo depois do sexo, enquanto ele comia as panquecas com cobertura de chocolate e eu lia as tirinhas do jornal para ele. Tudo para ele estar de bom humor. Na verdade, eu falei entre uma das tirinhas do Garfield e ele chegou a pensar que o gato estava grávido. Eu demorei uns quinze minutos tentando convencê-lo de que aquilo era mentira e que, na verdade, quem estava grávida era eu. – Revirei os olhos. Achar que um personagem macho dos quadrinhos estava grávido era tão... Tão... Emmett.

- E o que ele disse depois? – Alice perguntou, impaciente, ao mesmo tempo em que eu entrava no metrô.

- Ele disse que era bom ser um menino, "para ele ensiná-lo a conquistar todas as gatinhas"! – Aquilo não me parecia tão ruim.

- E qual o problema? – Perguntei, um tanto insegura.

- O problema é que AQUELE CABEÇA DE VENTO não entende que VAI SER UMA URSINHA! – Os gritos no meio me fizeram perceber que, provavelmente, Emmett estava em um raio de cinco quilômetros e podia escutar a tudo que ela gritasse. Acho até que o grito dela me deixou mais surda do que o de Alice.

Tomando cuidado para não tropeçar nos pés de um homem que lia ao jornal e pedindo licença para uma senhora, sentei no metrô. Rose continuava a reclamar que ela teria uma menina e que Emmett não tinha neurônios o suficiente para sequer tentar adivinhar o sexo de um bebê. Ok, e ela fala isso porque o ama – imagina se fosse diferente. Foi só quando eu entrava no prédio do New Yorker que as meninas desligaram o telefone.

Mal liguei o computador e fui interrompida.

- Bella? – Escutei a voz de Christine. – Walter estava te procurando há alguns minutos. Se eu fosse você ia lá ver o que ele queria.

- Ah... Obrigada. – Disse, agradecendo à morena. Diga o que disser, ela ainda me assustava quando sorria, como o fazia agora.

Saí da minha mesa e corri para a sala do Editor Chefe. Camille tomava um expresso e lia alguma coisa na tela de seu computador, mas não deixou de sorrir para mim quando passei. Encorajada, bati na porta e entrei.

- O senhor estava me procurando? – Sr. Hepburn lia alguma coisa e se sobressaltou quando me ouviu.

- Hãn? Ah! Sim, sim, Bella! Sente-se, por favor. – Apontou-me uma das poltronas e eu lá me sentei. Ele abaixou o papel, e eu pude diferenciar uma frase. "Foi com uma tempestade de emoções que as línguas deles se tocaram, brincando entre si." Eu conhecia aquilo... Foi minha descrição do primeiro momento em que meus lábios tocaram os de Edward, 16 anos atrás.

- Hum... Isso é meu? – Perguntei, hesitante.

- Mas é claro que é! – Ele respirou fundo, enquanto apoiava os cotovelos na mesa, os dedos cruzados. – Diga-me, Bella. Você acha que isso é conteúdo para o New Yorker?

- Eu... – Puta merda. É agora que ele me demite. Eu não devia ter escutado Christine! Ela só queria que eu me desse mal... Quando que uma crônica seria material para aquele jornal? Walter me interrompeu, antes que eu pudesse dizer alguma coisa.

- Está muito bom. Quero dizer, são só alguns parágrafos ainda... E, com certeza, precisam ser revisados. Mas acho que seria ótimo dar uma inovada no jornal! A visão que tem da gente é muito séria, e... – EU NÃO ACREDITO! Ele está fazendo o que eu acho que está fazendo? – Seria ótimo, depois de consertar uns detalhes, ter essa... Memória? No jornal.

- É uma crônica. – Corrigi, automaticamente.

- Ah, bem... Eu achei muito real. Cheguei a pensar que foi seu primeiro beijo. – Ele riu pelo nariz. – Bem, vamos fazer um teste. Se o público gostar disso, faremos uma coisa semanal. Caso contrário... Eu sinto informar, querida, que eu terei que enviá-la para os óbitos. – Falou, em um tom mais sério. Eu não me importava, sabia que aquilo daria certo: eu trabalharia duro para que desse.

- Obrigada, senhor. – Disse, incapaz de juntar mais palavras à sentença.

- Muito bem, querida. Prefere escrever em sua casa, ou aqui está bom?

- T-tanto faz...

- Muito bem, faça o que lhe é melhor. Mas eu só peço que me entregue a crônica completa, com o número de palavras de sua preferência, até quinta-feira às quatro.

- Obrigada... – Murmurei, e saí dali, ainda sem acreditar. Foi quando passei por Camille que fiquei confusa. – Camille?

- Sim, querida?

- Como que o senhor Hepburn leu o meu trabalho?

- Ah. O computador de Christine quebrou, e ela teve que usar o seu. Sem querer ela encontrou o arquivo e, assim que o leu, passou para Walter. – Christine. Em pensar que eu cheguei a pensar que seria despedida por causa dela...

(...)

- Obrigada. – Disse, meus dedos apoiados no tampo de sua mesa.

- Pelo quê? – Ela perguntou, sem tirar os olhos de seu trabalho.

- Por mostrar meu trabalho a Walter. – Ela me encarou, sorrindo. Aquela foi a primeira vez em que não a temi.

Sorrindo de volta, sai de lá e peguei minha bolsa na minha cadeira. Eu trabalhava melhor em casa, de qualquer jeito, e eu estava com fome – talvez passasse em um restaurante a caminho de casa.

Eu abria a porta do táxi quando olhei o McDonald's. Bem, o que custava comer o número um? Fazia tanto tempo que eu não comia porcaria...

Edward's POV

Jasper demorou um pouco para atender ao telefone.

- Fala, Edward. – Ele parecia cansado, e irritadiço. Cacete, o que eu fiz para ele ficar assim?

- Ei, garota de TPM! Pode ficar mais calminho porque, que eu me lembre, não fiz nada para você ficar assim!

- Desculpe, Edward. Mas Alice não me deixou dormir desde que chegou em casa. – Eca, eca, eca! Eu não quero imaginar os dois!
- Puta merda, Jasper! Quando você vai aprender que eu não quero saber da sua vida sexual com a baixota da minha prima?

- Não é nada disso, idiota. – É, ele definitivamente não pregou o olho, para estar tão irritadiço. – É que a anã de jardim estava muito agitada. A cada cinco segundos acendia a luz do quarto, para passar mais quinze encarando o telefone. Como se ele fosse tocar só com a força do pensamento dela!
- E com quem que ela queria falar no meio da madrugada?

- Com quem que você acha? – Eu não teria perguntado se soubesse a resposta, não? – Com a sua mulher! – Ok, eu devo ter perdido alguma coisa. Quem é a minha... Minha... Wow.

- Com Bell? – Perguntei, surpreso.

- Palmas para ele! Finalmente ele entendeu alguma coisa! – Caramba, ele tá me irritando. Daqui a pouco eu saio daqui e vou lá, só para chutar a bunda dele.

- Eu já falei, Jasper. Não quero ataques de TPM pra cima de mim não. Se quiser vá dormir, e eu ligo depois...

- Dormir? Dormir? Você não conhece a Alice, né? Ela está lá no quarto, conversando com Bella.

- Com Bell? Como que ela está? Aconteceu alguma coisa? Eu...

- Boboca apaixonado. – Ele resmungou.

- Jasper... – Sibilei, e ele tossiu.

- Desculpe, mas é que eu fico irritado quando não durmo muito bem. E, como não posso descontar minha raiva em Alice...

- Tá, eu entendi. Mas, para começar, por que não saiu do quarto, ou pediu para ela sair, quando ela não parava de acender a luz?

- Você realmente não conhece a sua prima. Ela chegou manguaçada em casa e preparou um litro de café! Depois entornou tudo, e não desviava os olhos do telefone (com luz acesa ou apagada). Quando eu sugeri que ela fosse para a sala... Bem, eu fui ameaçado de morte. E, quando eu falei que eu sairia, ela falou: "se você não colocar essa bunda branca de volta aqui na cama, eu juro que colo suas bolas uma na outra e o sexo vai ser adiado indeterminadamente!". – Tá, eu fiquei com pena dele.

- Meus pêsames, cara.

- Tá, tá. Por que você ligou aqui?

- Humf. Só queria contar o que aconteceu comigo e a Bell.

- Não precisa. Eu posso ouvir Alice daqui. Aparentemente, Emmett não encarou muito bem o assunto da gravidez.

- O que o ursão aprontou agora?

- Não deu para entender muito bem. Mas, já que eu não vou conseguir dormir mais e eu estou decidido a faltar no trabalho hoje, desde que eu seria capaz de mandar meus clientes para aquele lugar, que tal a gente chamar o grandalhão para a conversa?

- Ah. Ok.

- Você tem uma segunda linha aí? Faça uma chamada em conferência.

- Hum, ok. – Ele estava me assustando assim. Ele era um tanto mal-humorado quando éramos adolescentes, mas não chegava nem aos pés disso aqui. Disquei o telefone de Emmett, e ele logo atendeu.

- Por favor, me socorre cabeçudo! A Rose pirou! – Eu tive que rir dessa.

- Não, Emmett. Ela não está maluca, só grávida. – Jasper disse, rispidamente, e eu pude imaginar Emmett revirando os olhos.

- Eu sei disso, loiro macarrão! É só que ela fala que vai... – Mas o resto de sua frase foi interrompida por um berro de Rosalie. – AQUELE CABEÇA DE VENTO ... VAI SER UMA URSINHA! – Emmett suspirou e, em seguida, sussurrou urgentemente: - Me tirem daqui! Eu acho que se eu ficar mais uns cinco minutos nesse lugar, é capaz dela me atacar com uma frigideira. – Enquanto Jasper ria da desgraça alheia, eu disse (tentando conter o meu riso):

- Deixa eu ver se entendi. Ela quer que seja menina, e você menino?

- Isso! Qual a graça de ser uma menina? Menino eu posso ensinar as coisas boas da vida: arrotar, cuspir, jogar baseball e, quando ficar maior, beber cerveja e sexo!

- Mas Rose tem certeza de que vai ser uma menina? O médico disse isso para ela?

- Não, não. Ela só acha... Algo como intuição materna. – Ele parou por uns instantes. – Ela está desligando o telefone. Por favor, me tirem daqui!

- Ok, não entre em pânico. Eu tô com fome, que tal a gente sair para tomar café da manhã?

- Eu topo. – Jasper disse. – Alice acabou com todo o café da casa.

- É, pode ser. Mas tem que ser no Mcdonald's, tem uns bonequinhos lá que eu quero colecionar! – Crianção.

- Tá, Emmett. Passa o endereço que a gente se encontra lá.

(...)

- Hm... Corrija-me se eu estiver errado, Emmett. Mas você já não tinha comido panquecas antes de sair de casa? – A gente estava na fila do McDonald's, e o pedido do meu irmão (que já tinha tomado café da manhã) era maior do que o meu e de Jasper (que não tínhamos comido nada) juntos.

- Você está certo, Jasper. – Emm disse, dando de ombros.

- E você vai agüentar comer tudo isso? – Perguntei, embasbacado.

- Olha pra mim. – Ele disse, abrindo os braços e quase atingindo um homem que passava. – Eu sou grande. E preciso de comida para repor as minhas forças. Eu comeria um urso agora!
- Você já é um urso. – Jasper disse, os olhos arregalados. – Mas eu ainda não entendo onde tudo isso aí vai parar. – Complementou, enquanto nos sentávamos em uma mesa. Emmett rolou os olhos e, depois de tomar um gole de sua coca (ele insistiu em comprar refrigerante, mesmo sendo de manhã), disse lentamente:

- Bem, Jazz. Eu pensei que teria que ter uma conversa sobre sexo com você, mas acho que o papo dessa vez vai ser sobre di... Dig... Diges alguma coisa. – Jasper me encarou assustado, com uma cara que dizia com todas as letras "cacete, onde eu fui me meter?". – Bem, nós enfiamos a comida na boca e ela desce goela à baixo. Então ela passa por um monte de canos e, dentro da barriga, uns homenzinhos trituram e a amassam, colocam um cheiro fedido e uma cor esquisita para que, quando aquilo sair pelo fundo do tubo, a gente não possa comer de novo. Basicamente, tudo o que eu como entra por um lado, e sai pelo outro.

Eu preferi não dizer nada, assim como Jasper. Eu tomava um gole de suco, quando vi Bell no balcão, fazendo seu pedido.

Bella's POV

Automaticamente, olhei para o lado ao ouvir meu nome:

- Bella! – Aquele cara imenso... Atrás de outra imensa bandeja de comida... Era o Emmett? Uau. De repente, meu peito se encheu de toda a saudade que eu sentia do ursão. Larguei a moça do caixa falando sozinha e corri para os braços do moreno de covinhas, que estava levantado e de braços abertos, me esperando.

- Emmett!

- Fazedora de confusão! – Eu ri, sentindo falta daquelas piadinhas bestas dele sobre a minha mania de ser desastrada.

- Eu estava com saudades, grandalhão. – Ele fez biquinho.

- Você nem foi me ver!

- Ah, mas eu estava quase indo no próximo jogo dos Yankees. – Seu queixo caiu.

- Mas você não entende nada de baseball!

- Eu sei disso. Mas eu não ia perder por nada nesse mundo você fazendo alguns gols. – Então eu ouvi Jasper, sentado na mesa, engasgar. Edward, sem me encarar nos olhos, dava leves tapas nas costas do amigo, porém aquilo de nada ajudava.

- Cabeçudo, larga o cabeça de macarrão que isso é trabalho pra homem de verdade! – Emmett disse, ganhando um olhar mortal de Edward. Ele, porém, soltou Jasper e Emmett, estalando os dedos e o pescoço, se aproximou do loiro.

- Ai! – Jasper gritou, o rosto vermelho, quando Emmett, com as mãos fechadas em um só punho, o acertaram em cheio nas costas. – Doeu, caralho!

- Oi, Jasper. – Eu disse, com um pouco de receio de interrompê-lo na hora em que xingava tão... Eloqüentemente.

- Ah, oi Bella. Quer sentar com a gente?

- Hum... Claro. – Respondi, me sentando ao lado de Edward. A situação estava um tanto esquisita, eu não sabia como agir e, provavelmente, ele também não o sabia.

- Vocês são o quê? Adolescentes ou coisa parecida? Eu te ensinei tudo o que você precisa saber, cabeçudo! Agarra sua namorada! – Eu, que bebia um milk shake que estava em cima da mesa, quase engasguei.

- Emmett... – Edward sibilou, enquanto massageava minhas costas.

- O que foi? O ursão só tá falando a verdade! Eu hein, vocês dois... – Jasper comentou, apoiando Emmett. Ok, o que aconteceu com ele hoje?

- Eu já falei, Jasper. Sem ataques de TPM para cima de mim! – Edward esbravejou. É, esse definitivamente não é a melhor maneira de se passar o café da manhã.

(...)

- Hm... Bella, a Rose está mais calma? – Emmett perguntou, tentando parecer despreocupado.

- Eu não sei, ursão. Ela ainda estava espumando quando desliguei o telefone.

- Ah. – Ele disse. – Jazz, se eu precisar, eu posso dormir na sua casa hoje, não é?

- Mas de jeito nenhum! Eu estou bravo com vocês três! – E apontou para mim, Edward e Emmett. Ok... O que eu fiz?

- Ei, não me mete nesse rolo! – Edward reclamou, roubando uma batata frita de Emmett, que encarava Jasper muito confuso para sequer perceber.

- É culpa sua e dela – apontou para mim – que Alice não tenha dormido. E, consequentemente, eu também. – Ah, entendi o estresse. Das duas uma: frustração sexual pelo telefone; ou falta de sono, também pelo telefone.

- E eu? O que tenho nesse rolo? – Emmett perguntou, enquanto Edward resmungava palavras incompreensíveis. Eu estava corada demais até para pensar em algo para dizer.

- Você, caro Teddy Bear jogador de baseball, é o culpado por uma série de coisas que, com o passar dos anos, foram se acumulando. Já devo ter perdido umas duas manhãs de natal que deveriam ser perfeitas, apenas por você estar hospitalizado por alguma experiência maluca que Rose e você tentaram à noite. E eu não vou esquecer as centenas de vezes que você me interrompeu com Alice, apenas para contar piadas sem graça pelo telefone! E, a cereja no topo: a vez em que você roubou meu carro, no aniversário de Alice, quando eu deveria levá-la para algum lugar para jantarmos. Aí, de madrugada, o carro me aparece pintado de cor de rosa! Você tem noção de quanto tempo Allie ficou brava comigo, depois de tê-la dito que não, aquele não era seu presente surpresa? – Wow. Eu fiquei com dó de Jasper. E... Onde ele arranjou fôlego para dizer tudo isso?

- Ok... Eu não vou dormir na sua casa hoje. Mas se eu acordar morto amanhã, a culpa vai ser toda sua Jasper Whitlock.

- Você quer dormir lá no apartamento hoje, Emm? Prometo que não deixo a Rose te matar.

Edward's POV

- O quê? – Eu e Jasper perguntamos ao mesmo tempo.

- Ué... Ele precisa de abrigo, Edward. E ele é o seu irmão. – Meu queixo caiu. A primeira vez que ela fala comigo desde que chegou, e é para me dar bronca! Eu sonhei que a gente fez as pazes ou esse jeito maligno é dela mesmo?

- É, Eddie... Deixa! – Ele me pediu, os olhos brilhando. Cara, ele parecia uma criança pedindo pro pai deixar levar o vira-lata para casa. E que história de "Eddie" é essa?

- Vai, Eddie... Deixa! – Jasper pediu em tom de criança, fazendo coro. Ele quer morrer hoje, não é?

- Jasper, cala a boca que até agora você estava tão surpreso com isso quanto eu. – Afinal, quem em sã consciência leva o Emmett para casa? Ele é que nem um bebê crescido: pode parecer fofo, mas come como um batalhão e faz mais sujeira do que se um rinoceronte destrambelhado e cego passasse pelo apartamento.

- Humf. Olha só quem é o "estressadinho" agora. – Ele resmungou, e eu resolvi ignorar. Virei-me para encarar Bell.

- Tem certeza de que quer levar o Emmett para casa? – Eu amo meu irmão, mas a probabilidade dele aprontar é de... Bem, não preciso de probabilidades. Eu sei que ele vai aprontar e ponto. Ela revirou os olhos.

- Eu quero levá-lo para casa... – O encarou com um brilho nos olhos. Ela achava que ele era o quê? Um cachorrinho de rua que você leva para casa para cuidar? Emmett pegou seu hambúrguer e comeu de um jeito um tanto canino... Ok, dá pra entender de onde ela tirou essa.

- A escolha é sua, Bell. Não minha. – Tentei, vai que assim ela dizia não? Seria praticamente impossível fazer alguma coisa com Emmett presente, quem dirá ela terminar com Jacob! Se bem que, se o grandalhão estivesse junto, as chances de eu apanhar diminuiriam consideravelmente...

- O apartamento é seu também. – Ela respondeu, e eu sorri. Emmett bufou.

- Você vai deixar seu próprio irmão na rua? Justo eu, que sempre te dei os melhores conselhos? Eu, que carrego no meu ventre, o seu sobrinho? – A boca de Jasper estava aberta, o garfo cheio de ovos parado a meio caminho de sua boca. Bell olhava para o outro lado tentando não rir e eu me segurava para não bater na nuca do meu irmão.

- Emm... Você, digo... É... É a Rose quem carrega o bebê, não você! – Eu disse, lentamente, depois de conseguir formular uma frase.

- É só um detalhe técnico. – Ele disse, dando de ombros. Encarei Bell, que massageava as têmporas. Jasper e Emmett argumentavam, e eu tentava entender alguma coisa ali. Foi quando ela explodiu, espirrando a coca de Emmett para todo lado.

- Eu cansei. Jasper, cala a boca e pode acabar agora com a sua TPM! Parece que tá na menopausa, porra! – Uau. Ela tá brava mesmo. – Edward, a sua hora de escolha já acabou. Eu decidi agora! Emmett vai para casa, quer você queira, ou não. – Depois ela encarou Emmett. – E se uma Rosalie furiosa aparecer na minha porta, é você quem vai cuidar dela! E, além disso, você está me devendo uma! De qualquer jeito, eu não vou mais aturar vocês três discutindo!

- Já vi quem manda na relação. – Jasper sussurrou, um tanto surpreso, para Emmett (que acenava freneticamente, os olhos arregalados e fixos em Bell). Ela, por sua vez, ao ouvir o comentário simplesmente lançou um olhar que... Bem, digamos que se olhar matasse, eles já estariam enterrados há uma semana.

Então vejamos a minha situação no presente momento. Ao meu lado, pesando como uma pena e gostosa pra caralho, Isabella Swan. À minha frente, pesando como um filhote de elefante, meu irmão mais velho e conhecido jogador de baseball, Emmett Cullen. Ao lado dele, pesando um pouco mais que uma tonelada por causa da cabeça cheia de merda, e com uma cara emburrada, o estressadinho cabeça de macarrão – Jasper Whitlock. Agora, vejamos com quem eu quero travar uma batalha...

Bem, depois de uma longa pausa, eu descubro que não é legal pisar no calo de nenhum deles – principalmente no da magrela Swan (vulgo: Bell, a mulher que eu amo). Suspirei, e tentando acalmá-la, passei meu braço pela sua cintura.

Bella's POV

Eu. Estou. Fudida.

Rosalie estressada já é ruim, juntando o fator "Emmett" na equação ela vira o ser mais maligno da face da Terra! Agora, isso e mais os hormônios da gravidez... Era melhor eu fugir do planeta, de uma vez.

Tudo bem que eu joguei toda a responsabilidade para cima do marido dela, mas eu tenho certeza de que ela vai brigar comigo... Onde eu fui me meter? Eu não devia ter deixado o Emm ficar em casa, mas era que ele parecia tão desolado! Droga, mil vezes droga! De hoje eu não passo, a Rose vai fazer picadinho de mim depois que matar o ursão. Tô ferrada, certeza. E então, como se para me proteger dos meus próprios pensamentos, Edward me abraçou pela cintura.

Era estranho. Quando sentei à mesa, eu não tinha coragem nem de encará-lo nos olhos. Falei muito pouco com ele, e ainda briguei com ele (para variar). Além do fato de que nós nunca fomos muito românticos... Sempre ficamos com as coisas mais "quentes". Agora, tendo ele assim... Como se fosse meu namorado. Bem, Jake era quem geralmente fazia isso. E o fato de Edward o fazer, na frente dos nossos amigos, só piorava. Quero dizer, quanto eles sabem da nossa história? Eles sabem que eu tenho namorado? O que eles vão pensar de mim?

Ignorei meus medos. Eles me conhecem, sabem que sempre amei a Edward. Mesmo que, depois dele, tenha vindo outro... Meu coração sempre o pertenceu. E quem são eles para me julgar? Jasper está estressado só porque não teve seu sono da beleza, e Emmett está praticamente fugindo de casa, de tanto medo da esposa. Não são as pessoas mais indicadas para me julgar. O que significava: aproveite!

Virei meu rosto para Edward, e sorri. Logo recebi aquele sorriso troco, de volta, e o beijei levemente. Não tardou muito e sua mão apertou minha cintura, me puxando para perto e descendo cada vez mais...

- Ei, vocês dois! Arranjem um motel! – Adivinha quem disse isso? Palmas para quem disse Jasper! Humf. Hoje eu mato "alguém". Será que Alice ficaria muito brava? Bem, melhor não arriscar. Rose já vai ficar brava comigo hoje, se eu acabar com a raça do Jazz eu vou perder a Allie (a única que poderia impedir Rose de me bater).

- Que tal a gente provocar o estressadinho? – Edward perguntou e eu ri baixinho, mordendo meu lábio inferior logo em seguida. Sinceramente, eu não quero que o Jazz tenha um ataque do coração.

Edward's POV

- Eu preferiria seguir o conselho dele. – Ela me disse, seus olhos chocolate brilhando. Eu sei que já disse antes, mas eu vou repetir: EU AMO ESSA GOSTOSA!

- Você não tem que trabalhar nem nada? – Diz que não, por favor... Ela deu de ombros. Uhul! Sexo, aí vou eu... – Então o que a gente ainda está fazendo aqui com esses dois morde-fronha?

- Ei, eu ouvi essa! – Emmett disse, e Bell riu.

- E você, não tem que trabalhar hoje? – Ela me perguntou, preocupada. Olhei para o meu relógio, receoso.

- Bem, eu posso faltar...

- Edward, você só começou segunda. – Eu bufei, me levantando. Tinha que chegar ao hospital em uma hora, mas eu estava nervoso. Às vezes parecia que ela me evitava...

- Ei! – Ouvi atrás de mim, e parei. Bell logo chegou, ofegando, nós dois já parados à calçada. – Eu não quis dizer que você tinha que ir embora... Eu só me preocupo com você. – Deu um sorriso amarelo. Eu não fiz nada, então ela me deu um leve empurrãozinho no ombro. – Ah, Edward... Vai, você realmente acha que eu o quero longe? Agora que eu sei que você ama? – Ela repete isso demais para quem não tem certeza. Não que não seja verdade, mas ainda assim... – Vamos, me dá um beijo. – Pedindo assim, com tanto jeitinho, não tem como resistir.

Bella's POV

Ele tirou aquele bico fofo e me puxou com força e sem aviso. Nossos corpos estavam encaixados um ao outro, e nossos lábios pareciam colados. Não respirávamos – ar era desnecessário. Tudo o que precisávamos era do toque...

Sua língua pediu passagem, e logo preenchia minha boca. Ela estava em todos os lugares, e me domava de maneiras inimagináveis. Eu estava submissa a ele – e adorava isso. Poderia ficar assim para sempre, que estaria feliz para o resto de minha vida. Mas, o que antes não era necessário... Bem, digamos que ar é mesmo necessário.

Ele sorriu, seus braços ainda envoltos em minha cintura. Meus dedos se recusavam a sair de seus cabelos e eu tenho certeza de que meu sorriso era tão bobo quanto o dele.

- Eu volto o mais cedo possível para casa.

- Ok. – Ele deu mais um daqueles seus sorrisos que ofuscariam qualquer luz do mundo, e me deixou ali, já sentindo saudades. Boboca apaixonada? Nem um pouco.

Com um suspiro, voltei pra dentro da lanchonete. Eu tive que parar para apreciar a cena: Emmett fazendo teatrinho com as batatas fritas, e Jasper tentando roubar uma para tapar os ouvidos. Gargalhando, e me sentindo mais leve do que nunca, me sentei junto a eles.

- Isso! Mais! Mais forte! Aaaaaah! – Meu queixo caiu, e eu olhei para os lados. Graças a Deus não havia crianças ali (ainda era horário de aula) pois, pelo que parecia, Emmett estava explicando a Jasper como que era sexo, fazendo as batatas de marionetes. Subitamente, tive vontade de roubar uma e enfiar nas minhas orelhas também.

- Então, Jazz... Acho que a essa hora Allie deve estar no trabalho. Deve ser seguro você ir dormir. – Eu disse, com uma piscadela, e o mais alto que pude, tentando abafar os sons do teatro.

- É, tem razão. – Ele me olhou, agradecido. – Eu já vou indo... – Ao passar por mim, sussurrou ao meu ouvido: - Boa sorte. – É, eu realmente ia precisar.

(...)

- Eu só acho que você não deveria ter jogado as batatas tão longe, só isso... – Emmett disse, pela milionésima vez. Nós estávamos dentro de um táxi (ele se recusou a pegar o metrô – muitos fãs para pedirem autógrafo, e ele precisaria das mãos na semana seguinte), indo para o meu apartamento. Ele ainda reclamava por eu ter arrancado as batatas de suas mãos e as arremessado o mais longe que pude, assim que ele tentou me explicar como que era um ménage.

- Eu já disse, Emmett. As pessoas estavam olhando, e...

- E o que importa? – Eu bufei, revirando os olhos. Dei graças assim que o táxi parou e, pela primeira vez na minha vida, agradeci por não ver Ronald na portaria. Não agüentaria perguntas... Ou Emmett se gabando por ser famoso. Já bastavam os quinze funcionários do McDonald's, praticamente todos que estavam lá comendo e o taxista.

(...)

- Agora fique sentadinho aí, que eu vou trabalhar, ok? – Não pude deixar de imaginá-lo como uma criança crescida. Ele estava sentado no sofá, os olhos na TV. Passava um filme de terror na HBO, e eu agradecia por ter colocado senha nos canais pornográficos. O deixei lá, com um olhar um tanto desconfiado, e fui correndo para o meu quarto pegar o note book. Mal cheguei lá, e meu celular tocou.

- Bella? Bella? Emmett desapareceu, socorro! – Ouvi a voz preocupada de Rose na outra linha, e mordi meu lábio. Droga.

- Está tudo bem, Rose. Ele... – Não tem outro jeito. Eu tenho que dizer. – Ele está aqui em casa.

- Como é que é? – Ela parecia irritada. Fudeu.

- Calma, Rose... Olha o bebê! Não é o que você está pensando, ele só estava com medo de apanhar de você hoje. E como Jasper parecia à beira de um colapso, eu ofereci o meu sofá.

- Você já não tem homem demais aí não? – Sua voz soava um pouco mais descontraída, até brincalhona. Ufa, santos hormônios.

- Ah, não sei, hein? Ainda falta um... Juro que se Jasper não estivesse estressadinho, já estaria aqui em casa também. – Ela riu.

- Ok, diga ao meu Teddy Bear que ele não precisa ficar para dormir aí. Ele pode voltar quando quiser.

- Hm, ok.

- Ah, Bella?

- Sim?
- Já resolveu como vai terminar com Jacob?

- Não... – Suspirei, me sentando na cama.

- Você tem que fazer isso logo.

- Eu sei, é que... Bem, apesar de tudo, eu me sinto insegura. Sabe, o meu relacionamento com Jake é algo substancial. Mas com Edward... A cada dia estamos de um jeito diferente. Ele é muito temperamental, orgulhoso. Eu nunca sei o amanhã, e tenho medo de perdê-lo, ficando sem nenhum dos dois. Sem os dois homens que eu amo. – Desabafei, e ela demorou um tempo para me responder.

- Bella... Querida, eu sei que é difícil, mas não é nada justo enganar a Jake. Você estaria enganando a si mesma. E Edward? Ele não agüentaria essa situação, não? Vocês três nesse triângulo amoroso... Você não quer praticar bigamia, não é?

- Não, não quero. É só que...

- Você está confusa. – Ela completou.

- Isso mesmo.

- Sem pressão, mas decida-se logo. De preferência hoje. Como eu disse: não é justo com nenhum de vocês três.

- Não, não é. – Eu suspirei, então me lembrei de Emmett. Quieto demais... Há tempo demais. – Rose, Emm não aprontou nada desde que eu atendi ao telefone.

- Opa. Corre lá, ele deve estar planejando algo imenso.

- Eu sei. Depois a gente se fala mais, ok?

- Ok. Qualquer coisa me liga. – E eu entendi que ela não se referia só a Emmett.

- Tudo bem. Beijo...

- Beijo. – E desligou.

(...)

- E como é que se diz? – Perguntei, estressada. Emmett entoou, assim como o ensinei:

- "É proibido colocar os pés, ainda com os sapatos, em cima do sofá ou da mesinha de centro. E, quando ver que fez sujeira, tentar cobrir com uma toalha cara. Não posso também tentar costurar a toalha com fio dental. É inadmissível tentar jogar baseball com as bolas de sinuca, quebrando um dos tacos ao meio para rebater. Não posso também chutar a parede, quando não conseguir descobrir a senha do canal pornográfico. Revirar a casa à procura de Play Boy's também não é permitido. E, quando eu achar uma, não posso mostrar a você, e perguntar como Jacob arranjou essa edição. Ligar para Jasper enquanto eu sei que ele está dormindo, apenas para fazer trotes, será castigado com uma semana de greve de sexo, assim como Rose disse ao ligar aqui há dois minutos. Eu também não posso tentar mexer no seu laptop, enquanto você está trabalhando, para tentar comprar chinchilas no e-bay."

- Muito bem, Emm. Por enquanto isso é tudo. – Eu disse, e ele saiu da cozinha ainda suja de pasta de amendoim (não consegui descobrir como ele fez isso) para a sala, arrastando os pés. Ligou a TV, tirou os sapatos, e colocou em uma novela: Days of our lives. Era alguma cena com o Dr. Ramoray (Joey), quando o elevador abriu e o próprio saiu de lá.

- Oi, Bells! Oi... Emmett Cullen? – Seu queixo caiu, e Emm sorriu. Duas celebridade, que divertido. Bufando, continuei a limpar a cozinha. Eu deveria ter mandado Emm fazer isso, mas tinha medo de que ele quebrasse mais alguma coisa.

- O próprio. E... O médico que reencarnou com o cérebro de outra mulher?

- Isso. Dr. Drake Ramoray, mas pode me chamar de Jessica. – Piscou, eu revirei os olhos enquanto eles riam. Cara, por que o personagem de Joe tinha que ser tão... Esquisito? Deixei as duas crianças se divertindo, enquanto tentava descobrir como que a geléia foi para no teto.

(...)
Bem, limpar pasta de amendoim e geléia não era um trabalho que requere muita concentração. O que deixava minha mente livre para divagar... E pensar na minha escolha.

Claro que Edward era a escolha óbvia. Eu o amava, muito. Mas eu não conseguia me sentir à vontade com ele, era como se a cada segundo tudo o que tivéssemos conquistado pudesse acabar em um passe de mágica. Eu não me sentia segura...

Então Jake preenchia os meus pensamentos. Ele era mais do que um amigo, mas eu não o amava do mesmo jeito que amava Edward. Era diferente... Mais complexo, ainda assim tão poderoso quanto. Ele me trazia segurança... Mas o vazio no peito continuava.

Era essa a minha escolha, então? Entre um coração intacto, porém com medo... E um coração partido, mas a sensação de segurança? Eu não sabia o que escolher. Um completava um outro... E eu tinha que me esforçar cada vez mais, para me lembrar que ficar com dois homens ao mesmo tempo era errado. Mas por que eu não podia? Eu não queria casar com os dois... Só queria ter certeza, certeza de que Jake não é o homem da minha vida. Certeza de que Edward poderia me trazer segurança...

(...)

Joey já havia ido embora há algumas horas, tinha um encontro. A cozinha estava intacta e Emmett tinha comprado um taco novo para a mesa de sinuca, via internet. Fiquei um tanto surpresa de que o objeto tenha chegado tão cedo em casa, mas eu não ia reclamar. Eu não consegui trabalhar, mas poderia fazer isso amanhã. Eu estava cansada demais, e a minha cabeça já estava saturada com três coisas: impedir Emmett de aprontar mais alguma coisa, ou mandá-lo ir embora logo; a comida chinesa que não chegava; e Edward/Jacob. Eu havia tomado minha decisão... E era isso o que me preocupava. Bem, se não desse certo, pelo menos eu teria tentado – sem contar que a questão já teria sido resolvida por mim.

Para o meu alívio, Emmett não quis ficar para jantar – embora pudesse ser atacado por Rosalie novamente, sentia sua falta. Mas eu não fiquei muito tempo sozinha em casa – logo Edward chegou. Ele mal pôde se aproximar de mim, quando o elevador se abriu novamente, deixando Jacob entrar.

O jantar transcorreu silencioso, cada um com sua caixinha de comida chinesa. Jacob saiu de nossa companhia assim que pôde, dizendo que ia dormir. Eu hesitei um instante, mas resolvi fazer o que havia decidido. Deixei-me ficar para trás, ignorando o olhar de Edward que dizia claramente "Você não ia falar com ele?".

Assim que ouvi a porta do meu quarto se fechando, sentei-me mais próxima a Edward. Suspirei, apoiando meus cotovelos nos joelhos, e escondendo meu rosto nas mãos. Ele tocou meu ombro levemente, me acariciando.

- Está tudo bem? – Perguntou, preocupado.

- Sim... Acho.

- Você mudou de idéia? – Engoli em seco.

- S-sim. – Disse, trêmula, e seu corpo enrijeceu. Ele recolheu sua mão e levantou-se lentamente do sofá. – Onde você vai? – Perguntei, assustada.

- Eu vou fazer minhas malas. – Disse, estressado, mas em um tom baixo. – Claramente eu não sou mais aceito para isso. – Levantei de um átimo, colando meus lábios aos dele por um instante.

- Deixe-me terminar, antes que você tome qualquer outra decisão. – Pedi, e seus olhos verdes confusos piscaram lentamente. Considerei aquilo como um "sim". – Eu... – Puxei o ar. Era como puxar um band-aid. Tire rapidamente, tem que ser indolor... – Eu quero ficar com vocês dois.