Capítulo 29
Três dias e três noites! Sem a possibilidade de partilhar uma cama com Lord M. Eles viviam na mesma casa, eles faziam as refeições juntos, eles reuniam quando era necessário. Havia beijos e troca de carinho, mas não podia haver mais do que isso. Logo agora que ele morava no palácio! E isto iria continuar no mínimo por mais dois dias, enquanto as regras dela não decidissem parar.
Leopold tinha adotado uma atitude de indiferença para Melbourne e o Primeiro-ministro retribuía da mesma forma. Victoria via com agrado a distância respeitável entre os dois, o que era bastante mais favorável do que se ambos entrassem em confronto um com o outro, mas ela não tinha digerido a insolência do tio em querer colocar William fora do palácio.
Eles jantavam todos juntos. Victoria no topo da mesa, Albert à sua direita, William à sua esquerda, Leopold à direita de Albert e a duquesa de kent à esquerda de Lord M.
Victoria alimentava Dash que comia satisfeito.
"Meu tio…" Victoria começou.
"Sim, Victoria?"
"Eu estava me perguntando quando é que você pensa deixar o palácio…" Ela adicionou. E de seguida ela colocou um pequeno pedaço de carne na boca aparentando naturalidade.
Leopold foi surpreendido e o rosto dele mostrou isso mesmo.
Melbourne sentiu um aperto no estômago.
"O quê?" O rei perguntou.
"Uma vez que você já pôde matar a falta que sentia de todos nós, como era seu desejo, eu me pergunto quando é que você irá partir."
"Você quer que eu vá embora?" Leopold perguntou desconfiado.
"Victoria…" A duquesa chamou à atenção, temendo o que a filha poderia responder.
Melbourne questionou-se sobre onde aquela conversa poderia chegar.
"Eu apenas acho que os seus súbditos já devem sentir a sua falta. E não é bom que um rei esteja muito tempo longe do país sobre o qual reina, sobretudo quando se trata de um jovem país onde tudo pode acontecer." Victoria justificou.
Albert estava surpreendido pela abordagem de Victoria. O tio Leopold era muito estimado por ele. Como é que Victoria podia estar a ser indelicada com o tio? Mas ele não iria interferir naquela conversa. Ele sentia que não devia fazer isso.
"Você não está expulsando-me, pois não, minha sobrinha?" Leopold perguntou num de voz que mostrava que ficaria ofendido se ela fizesse isso.
Ela era a Rainha! Ela era sobrinha dele, mas ela era a Rainha e era ela quem mandava dentro da casa dela! Ele não tinha autoridade para decidir quem podia dormir debaixo do mesmo telhado do que ela! Sobretudo, ele não podia ser desagradável com Lord M!
Victoria respondeu:
"Não…Claro que não. Mas eu acho que o meu tio tem o bom senso para sentir quando é o momento de voltar para os seus amados súbditos e também para perceber que não pode decidir quem deve ou não morar numa casa que não é a sua…"
"Drina! O seu tio…" A duquesa pronunciou em repreensão.
Victoria enfureceu! A irritação que ela já sentia pela afronta do tio não era suficiente? Agora a mãe achava que podia repreendê-la e ainda chamá-la de Drina! Isso era a memória de Kensington! Ela levantou-se da cadeira repentinamente, cortando a frase da duquesa.
Todos se levantaram em seguida.
"Eu não admito! Eu não admito que haja pessoas que pensem que elas podem tomar decisões dentro da minha casa, como determinar quem eu posso convidar para morar aqui! E eu não admito que ninguém me repreenda! Eu sou a rainha!" Victoria exclamou.
A rainha largou o guardanapo em cima da mesa e saiu repentinamente da sala de jantar seguida por Dash.
Melbourne fechou os olhos dele. Havia uma mistura de emoções dentro dele. A situação tinha sido desagradável e a culpa era dele. Ela estava a defendê-lo e isso deixava-o orgulhoso, mas, de certa forma, ela estava a expô-los, ao tomar a defesa dele perante todas aquelas pessoas. E Victoria estava agora visivelmente irritada e ele não gostava nada de ver isso. Ele estava a sentir-se desconfortável, naquele momento, não havia mais fome para jantar e ele só queria sair dali. O que estariam todos a pensar sobre ele?
"Se me dão licença…Eu vou retirar-me para os meus aposentos. Uma boa noite." Disse William.
"Boa noite." Albert respondeu.
Mais ninguém se pronunciou.
Melbourne saiu da mesa, virou costas e saiu da sala de jantar.
Nesse momento ele sentiu que os olhos de três inimigos deviam estar cravados nas costas dele. Nenhum dos três nunca tinha nutrido grande simpatia por ele, mas agora as coisas só pioravam. Ele era visto como um intruso no seio da família Real e também como o culpado por desavenças familiares.
Ele não podia evitar ir falar com ela. Ela estava chateada e ele era o centro do problema. Talvez ele não devesse ser visto a ir aos aposentos da rainha casada, sobretudo quando o marido nunca era visto a fazer o mesmo trajeto àquela hora, mas agora ele vivia naquela casa e ele podia estar com ela quando e onde quisesse. Além disso, ele sempre tinha tido a liberdade para estar com ela em qualquer lugar a qualquer hora (exceto no quarto) muito antes de Albert chegar a Inglaterra e de Leopold pensar que podia expulsá-lo do palácio. Ele sempre tinha jantado com ela. E depois do jantar eles passavam horas a conversar, a beber e a rir. Eles não podiam admitir que eles eram amantes, mas havia um laço inquebrável entre eles que ninguém jamais poderia destruir.
Um lacaio informou que Lord Melbourne estava lá fora.
Victoria mandou que o homem o fizesse entrar imediatamente.
Ele entrou nos aposentos de Victoria com preocupação visível no rosto.
Ela estava sentada num canapé e não se levantou para se dirigir a ele o que mostrava que ela estava triste.
"Victoria…" Ele disse enquanto se ajoelhou aos pés dela e agarrou as duas mãos dela com as dele.
"William…" Ela disse tristemente, sentindo o calor confortável das mãos dele que aqueciam as dela.
"Você não deveria enfrentar o seu tio dessa forma…Muito menos por minha causa." Disse ele.
"Ele foi desagradável com você e eu não admito isso!"
"Eu compreendo o que você sente, mas você acaba por, sem querer, nos expor mais…Defender-me dessa forma, perante todos eles, não nos ajuda…"
Repentinamente, ela abraçou-o.
Ele envolveu as costas dela.
"Eu amo você!" Ela reafirmou.
Ele beijou o cabelo dela e retribuiu:
"Eu amo você!"
"Desculpe por estragar o seu jantar." Ela pediu.
"Não tem importância. Eu não tinha muita fome." Ele garantiu.
"Eu estava irritada e agora eu estou triste." Ela confessou. E depois ela continuou: "Eu não aguento ficar afastada de você e nos últimos dias eu tenho tido você a morar comigo, mas você dorme longe de mim. E depois eu tenho o tio Leopold que quer expulsar você daqui. Mas você não pode sair daqui, William."
Ela apertou-o com mais força junto dela no final da frase.
"Não, eu não vou sair do palácio. Eu já disse isso a você." Ele assegurou.
Houve uns segundos de silêncio e depois ele disse:
"Mas agora, eu lamento, mas eu tenho de ir embora. Não é apropriado que eu continue aqui mais tempo."
Ela afastou-se apenas um pouco para poder olhar para ele e, mostrando-se triste, ela perguntou:
"Você não quer ajudar-me a deitar?"
Ele viu como ela estava fragilizada e ele queria tanto poder fazer isso. Mas ele não podia. Eles estavam a percorrer um caminho cada vez mais perigoso.
"Eu não posso." Ele respondeu.
"Você lembra-se de Windsor? Naquela noite você cobriu-me com a roupa da cama e você segurou a minha mão até que eu adormecesse…"
"Claro que eu me lembro." Ele recordou, deixando transparecer a emoção na voz.
"Eu gostaria que você fizesse isso de novo."
Ele queria poder chorar agora! Ele desejava tanto poder deitá-la na cama, e deitar-se com ela, e abraçá-la, e enroscar-se à volta dela, e acalmá-la para que ela dormisse tranquila. Ele queria poder fazer isso todas as noites. Desde sempre. Desde que ele conhecera aquela menina assustada e determinada em Kensington. Desde então ele só queria tê-la nos braços dele e acalmá-la e protegê-la. De tudo e de todas as formas possíveis.
"Victoria…meu amor. Eu adoraria poder fazer isso, mas você ainda nem está preparada para dormir. Você precisa da sua camareira para retirar as roupas e desfazer o penteado e eu devo ir embora."
Ainda que ela não quisesse afastar-se dele, ela reconhecia a razão naquilo que ele dizia. Então Victoria movimentou a cabeça em sentido afirmativo.
Ele largou ela, e colocou-se de pé.
Ela sentiu o frio que a invadia com a perda do calor do corpo dele.
Ele esperou que ela se levantasse.
Ela demorou um pouco para fazer isso. Mas depois ela levantou-se do canapé.
Ele agarrou as mãos dela e beijou-a na boca suavemente. Depois ele beijou a testa dela. Então William disse:
"Uma boa noite, meu amor. Eu desejo que você tenha uma boa noite de sono. Você vai ver que amanhã você já vai sentir-se muito melhor. Eu vou falar com Emily e em breve ela virá tomar chá com você. E ela consegue animar qualquer pessoa!"
Victoria deu um pequeno sorriso e disse:
"Obrigada!"
"Até amanhã." Ele despediu-se largando as mãos dela.
"Até amanhã, William.".
Ele saiu.
Emma entrou nos aposentos da rainha assim que teve a certeza de que ela já estava pronta para sair para o pequeno-almoço e que estava sozinha.
"Bom dia, ma'am!"
"Bom dia, Emma!"
"Eu tenho uma mensagem de William para entregar…" Disse Emma.
"Uma mensagem? Porquê? Ele não está no palácio?" Victoria perguntou sem entender o que se passava.
"Não. Ele foi a Brocket Hall."
"Para Brocket Hall? Porquê?" Ela perguntou um pouco assustada. A sensação de solidão a invadi-la por dentro. "Eu pensei que ele estaria comigo no pequeno-almoço."
"Ele saiu cedo e disse que volta ao final da tarde. Ele não podia avisar-vos porque Vossa Majestade ainda dormia, mas ele pediu-me para vos dizer isto e para vos pedir para que não fique preocupada."
Victoria ficou uns segundos calada. Depois ela concluiu:
"Obrigada Emma! Vamos esperar pelo regresso de Lord M ao final do dia."
O dia passou com dificuldade. Isto estava a tornar-se sufocante. Quanto mais perto eles estavam mais ela desejava estar sempre junto dele. Nesta situação ele não era, nem deixava de ser dela. Ela sabia que ele voltaria ao fim do dia, mas ela contava os minutos, ansiosa para que o dia passasse. Como seria bom se ela pudesse ter ido com ele para Brocket Hall! Como seria bom se eles pudessem morar em Brocket Hall! Como seria bom se ela nunca mais tivesse de ver Albert nem o tio Leopold!
Agora o tio Leopold estava amuado e não falava com ela. Também não importava. Talvez assim ele voltasse mais cedo para a Bélgica.
O sol estava a desparecer no horizonte. Já devia faltar muito pouco tempo para que ele chegasse.
Ela sentiu que houve uma agitação lá fora. Talvez fosse ele que chegara agora.
"Lord Melbourne deseja ver Vossa Majestade!" O lacaio informou-a.
"Diga-lhe para entrar imediatamente!" Ela exclamou.
Quando ele entrou, ela notou que ele tinha o braço direito atrás das costas.
Mas ele caminhou para ela, e ela caminhou para ele, e ele envolveu-a com o braço esquerdo e eles beijaram-se.
Victoria fechou os olhos e não pensou mais na ausência do braço direito dele.
Quando ela abriu os olhos havia um ramo de lírios brancos na frente dela, que ele segurava na mão direita enquanto sorria para ela.
"Oh, William! Eles são para mim?" Ela perguntou sorrindo.
"Claro! Não há mais ninguém nesta sala, pois não?" Ele perguntou, enquanto olhava em volta, como se fosse necessário certificar-se disso.
Victoria agarrou nas flores e agradeceu:
"Obrigada! Você é sempre tão carinhoso comigo! Mas eu não gostei nada de ficar sem você o dia todo. Eu sinto tanto a sua falta quando você não está."
"Eu precisava de ir a Brocket Hall…Fazia algum tempo que eu não ia lá."
"Mas ontem você não me disse isso…"
"Eu não previa que eu iria hoje, mas se eu tinha que ir, então que eu fosse hoje, para poder trazer flores para você e garantir que você ficaria mais feliz do que ontem."
Ela sorriu comovida.
"Victoria…" Ele pronunciou, também emocionado, e ela percebeu que a seguir ele deveria ir dizer algo importante.
Ele continuou:
"Eu não posso fazer de você minha mulher. Eu não posso dar-vos um lar. Então eu dou-vos aquilo que eu posso e que eu sei que pode deixar você um pouco mais feliz…"
Ela abraçou-o. Os braços dela em volta do pescoço dele. As flores dele na mão dela.
"Oh, William…Eu amo você."
Ela pensou que poderia dizer que não tinha de ser assim. Ela poderia pedir a anulação do casamento e abdicar do trono e eles poderiam casar e ser livres. Mas ela não falou nisso agora. Ela prometera que não voltaria a falar disso. E era mais agradável usufruir deste momento de carinho do que começar uma argumentação onde cada um tinha uma opinião diferente.
Sentir a estrutura do corpo dela, entre os braços dele, estava entre as coisas mais agradáveis que ele gostava de fazer com ela.
"Você sabe o que os lírios significam?" Ele perguntou junto da orelha dela, sem deixar de abraça-la.
"Não…"
Eles afastaram-se um pouco, olhando um para o outro para que ele pudesse explicar.
"A inocência e a virgindade. A pureza do corpo e da alma. Mas também a paixão e o erotismo. O lírio é a flor do amor. Ele simboliza ainda poder, soberania, lealdade e honra. Você não acha que ele é uma flor muito apropriada para você, para nós…?"
"Você sabe tantas coisas! Esse é um significado muito apropriado para a nossa história de amor, com toda a certeza."
Eles beijaram-se.
Quando eles se separaram, Victoria foi colocar as flores em cima de uma mesa. Quando William saísse, ela pediria uma jarra, com água, para que elas fossem aí colocadas.
"Eu estive com Emily antes de vir para aqui. Ela diz que será uma honra ser recebida por você. Quando você quiser que ela venha ao palácio ela adiará todos os outros compromissos que ela tenha para beber chá com você." William informou.
"Você acha que seria demasiado apressado querer que ela viesse amanhã à tarde?"
"Não. Envie um convite para ela ainda hoje. Ela ficará deslumbrada. Além disso, basicamente, a única coisa que Emily faz são visitas de cortesia, organização de festas, e beber chá com as amigas. Nada do que ela possa ter para fazer amanhã à tarde será mais importante do que tomar um chá com a Rainha."
"Eu vou fazer isso. Eu estou animada por poder conversar com Emily!" Disse Victoria, mostrando-se feliz.
"Agora eu vou tomar banho e preparar-me para o jantar. Eu estou cheio de pó da viagem…" Ele informou, com um tom divertido, enquanto sacudia as mangas do casaco.
Victoria sorriu para ele de forma provocadora.
"O que você está a pensar?" Ele perguntou.
"Você falou em banho e isso produziu uma imagem no meu cérebro … Eu gostaria de assistir. Eu nunca vi você na banheira. E…Eu gostaria de participar…
Ele riu.
Depois ele aproximou-se dela e, gentilmente, passou a mão direita pelo cabelo dela.
"Você é mesmo uma menina ousada, não é Victoria? Você gosta de experimentar coisa novas, sobretudo tudo o que estiver relacionado com…prazer…"
"Sim. E eu sou a sua menina, não sou, Lord M?"
Ele ficou deliciado pela pergunta dela. Ela tinha interiorizado o significado do tratamento por menina. E ela intensificou esse significado quando lhe chamou Lord M e não lhe chamou William. William nivelava-os. Isso colocava-os no mesmo patamar como homem e mulher, como um casal. William esbatia a diferença de estatutos e de idades entre eles. Mas Lord M expandia a diferença de condição social e de idades, e dava mais intensidade sexual ao significado da palavra menina. E ele gostava muito disso. Ela era uma menina. Ela era apenas uma menina a tornar-se mulher, e era ele que a orientava nesse percurso. Não havia tarefa mais satisfatória do que essa!
Ele olhou para ela de uma forma que ela sentiu que os olhos dele a queimavam.
Ele beijou-a intensamente e ele apalpou o que ele pôde do corpo dela, por cima do vestido. As nádegas e os seios.
Ela queria que ele a tomasse, e ele queria poder possuí-la, mas ele deveria parar.
"Em breve eu poderei ter você de novo." Ela disse, quando pôde respirar. "A minha hemorragia está a diminuir."
"Eu dificilmente posso esperar por isso!"
"Lord Melbourne!" A voz do príncipe ecoou atrás das costas dele, quando ele estava quase a colocar a mão na porta dos seus aposentos, onde ele esperava poder tomar um banho descansado, enquanto ele imaginaria Victoria nua.
Melbourne virou-se e disse:
"Vossa Alteza!"
"Eu ouvi os lacaios comentarem que o senhor trouxe flores para a rainha…"
"É verdade." Ele admitiu, colocando na voz o tom mais natural que ele podia.
"Porquê?" O príncipe perguntou.
"Eu fui a Brocket Hall e achei que os lírios estavam tão bonitos…Sua Majestade adora flores. Seria lamentável que aqueles lírios murchassem nas estufas em vez de serem apreciados por Sua Majestade."
"Lord Melbourme acha apropriado que o Primeiro Ministro ofereça flores à Rainha?" Albert perguntou deixando transparecer claramente o que o incomodava. O ciúme.
Melbourne sentiu uma vontade imensa de ser desagradável e, eventualmente, de contar a verdade. Mas ele não podia fazer isso. Ele respirou fundo e respondeu:
"Eu já oferecia flores à rainha muito antes de Vossa Alteza chegar a Inglaterra."
Ele gostaria de ter dito: "eu já amava a rainha muito antes de você casar com ela." Mas verbalizar isso era impensável.
A expressão facial do Príncipe mostrou que ele se sentia agravado pela resposta.
Tal como Albert sempre sentira, Melbourne estava ali para mostrar que ele tinha mais peso dentro do coração de Victoria do que ele, que era o homem que casara com ela, poderia alguma vez alcançar.
O Príncipe esforçou-se por controlar as emoções e disse:
"Mas agora a rainha é casada, e não é adequado que ela receba flores de outro homem, como se ele fosse um…"
Faltava uma palavra. Albert pensou na palavra "amante", mas, apesar de toda a singularidade que havia na relação daquela Rainha com aquele Primeiro Ministro, supô-los efetivamente como amantes era uma desconfiança distante, uma ideia que estava num local recôndito dentro do cérebro dele, e ele não acreditava que isso fosse verdade. Além disso, pronunciar a palavra "amante" era algo muito drástico. Uma acusação demasiado grave, uma acusação que ele não tinha como provar, e algo que poderia iniciar um caminho para a descoberta de uma verdade que o prejudicaria a ele próprio.
"Admirador." Albert completou.
As atrizes, as cantoras, as bailarinas, tinham admiradores. As prostitutas da alta sociedade tinham admiradores. Não a rainha! Muito menos casada!
Melbourne percebeu claramente qual era o problema do Príncipe. Mas ele não ia deixar que este rapazola, que se considerava o marido da rainha de Inglaterra sem nunca antes ter estado dentro dela, o proibisse de dar flores a Victoria!
"Mas eu sou um admirador de Her Majesty!" Melbourne respondeu, contra todas as expectativas que Albert tinha naquele momento. E depois ele continuou: "Eu admiro-a deste o primeiro dia em que a vi, no dia em que ela subiu ao trono. Alguns anos antes de Vossa Alteza ter chegado a Inglaterra para se casar com ela sem qualquer esforço. Infelizmente, você não teve oportunidade de conhecê-la, nem aprendeu a admirá-la. Você não a viu crescer como monarca e não se maravilhou com isso. Você chegou com o caminho aberto pelos planos do seu tio Leopold e pelas poucas cartas que trocaram entre vós. Você não teve de ser um cavalheiro, nem teve de conquistá-la como homem. Você simplesmente foi pedido em casamento, como já estava previsto, e casou com ela."
Melbourne estava a exceder-se, mas ele podia, finalmente, dizer algumas das coisas que ele pensava sobre o Príncipe, de uma forma indireta, e sem se prejudicar muito com isso.
Albert estava confuso com toda aquela conversa. Ele não esperava este discurso. Ele não estava a entender muito bem o que o Primeiro-Ministro estava a dizer. Afinal, qual era o verdadeiro interesse de Melbourne por Victoria?
E então aquele homem mais velho e mais experiente perguntou:
"Vossa Alteza alguma vez ofereceu flores a Her Majesty?"
Não. Ele tinha oferecido outras coisas, mas ele nunca lhe tinha dado flores. Talvez se ele lhe oferecesse flores… Era só o que faltava! Que o Primeiro Ministro lhe dissesse como ele devia agir para com a mulher com quem ele tinha casado! Ele estava furioso, mas ele não podia mostrar isso.
"Não…Eu ofereci joias e…" Albert acabou por responder.
Indiretamente, o Primeiro Ministro quereria dizer que flores eram mais adequadas como presentes do que joias?
"As flores que eu ofereço a Her Majesty distinguem a mulher e a Rainha que ela é." Conclui Melbourne.
Ah. Parecia que, depois de todo aquele discurso, a conclusão era a de que Melbourne oferecia flores a Victoria porque ele a admirava como Rainha. As flores eram um presente de um súbdito e significam admiração política.
Albert estava baralhado, mas ele acabou por responder:
"Compreendo, Lord Melbourne. Como você deve entender, as perguntas que eu lhe fiz resultam apenas da minha preocupação com a reputação da Rainha. Tal como eu, tenho a certeza que o senhor não deseja que a oferta das vossas flores possa provocar mexericos na Corte."
"Claro que não. Mas a Corte não deve encontrar motivo para mexericos onde ele não existe. Agora, se me dá licença, eu fiz uma longa viagem e eu preciso de preparar-me para o jantar. E Vossa Alteza deve ir fazer o mesmo. Nenhum de nós quer deixar Her Majesty à espera, pois não?"
"Com certeza, Lord Melbourne. Eu vejo-o na mesa de jantar." O Príncipe concordou e foi embora.
Melbourne respirou fundo. As perseguições vinham de todos os lados: Leopold, Albert… Quem viria a seguir?
Obviamente, Emily respondera positivamente ao convite da Rainha e viera tomar chá com ela.
As duas mulheres estavam numa pequena saleta sentadas em volta de uma mesa redonda onde havia chá, pão, manteiga, compota, bolos e biscoitos.
Depositado sobre um prato de pé alto, entrou aquele que Victoria considerava o melhor dos bolos.
"Eu adoro este bolo e pedi para fazerem exclusivamente para nós." Informou a rainha enquanto o prato era pousado sobre a mesa.
"Oh, ele tem um ótimo aspeto, Majestade." Emily observou.
"É um bolo com manteiga, feito com duas camadas de massa e com recheio de framboesa. Depois ele é polvilhado com açúcar." A rainha explicou.
"Deve ser delicioso!"
Elas foram servidas de mais uma chávena de chá e com uma fatia daquele bolo maravilhoso.
Depois Victoria pediu que os serviçais se retirassem para que ambas pudessem ficar sozinhas.
Victoria sabia que não podia revelar que existia algo entre ela e o seu Primeiro Ministro, mas sentia uma necessidade emocional de se aproximar de Emily. Ela era a irmã dele e havia a busca de uma identificação e de uma intimidade com aquela mulher. Ela desejava que pudessem ser amigas. E talvez isso pudesse vir a ser útil em algum momento do futuro, embora Victoria não pudesse adivinhar o que poderia acontecer no futuro.
Ela queria introduzir William na conversa. Nenhum outro tema era mais agradável. Então ela começou:
"Eu estou muito contente por ter Lord M a morar aqui no palácio."
"Nada deixaria ele mais feliz do que o convite que Vossa Majestade lhe fez. A amizade que ele nutre por vós supera qualquer outra que ele já tenha tido ao longo da vida."
"Eu também gosto muito dele, ele é um grande amigo e ele foi muito importante na minha evolução como Rainha."
"Eu nunca vi ele tão dedicado a uma causa, como eu o vi dedicado a orientar Vossa Majestade, desde o dia da vossa subida ao trono, mas eu acho que ele precisa de ter mais do que isso…"
Victoria mostrou-se sem entender e perguntou:
"Mais do que isso?"
"Ele precisa de uma esposa."
"Oh, compreendo…"
Victoria sabia que Emily achava que William devia voltar a casar. No entanto, como é que Emily reagiria se soubesse que eles eram amantes? Emily poderia apoiá-los ou ela seria contra?
Emily continuou:
"Eu vou dizer uma coisa para Vossa Majestade porque sei que ficará apenas entre nós."
"Com certeza."
"Eu acho que ele já tem uma mulher em algum lugar…"
O estômago de Victoria apertou e ela perguntou:
"Você acha que sim?"
"Sim. E o pior é que eu temo que ela seja casada."
Agora Victoria tinha o coração acelerado e ela estava a sentir-se muito quente. Ela só esperava que Emily não notasse que algo se passava com ela. Ela não sabia o que dizer. Ela não podia dizer que era favorável a um caso dessa natureza, mas ela também não podia condenar. Felizmente, Emily falava pelas duas e continuou:
"Eu só espero que ela não seja casada. Ele já teve escândalos suficientes na vida dele por causa de mulheres casadas. Mais um escândalo desta natureza e a reputação dele ficaria completamente arruinada, bem como o estado emocional dele. Os processos em tribunal são violentíssimos."
Victoria pensou que se o que se existia entre ambos fosse descoberto isso não seria apenas mais um escândalo. Isso seria o escândalo do século. Por um momento ela sentiu que estava a fazer uma coisa horrível sendo amante dele. E o medo das consequências passou através dela, como acontecia de outras vezes, embora não com muita frequência, felizmente.
"Esperemos que não haja um escândalo." Disse a Rainha.
Esta era a única coisa que Victoria podia dizer e era verdade. Aliás, Emily não podia imaginar como ela desejava que isso não acontecesse, uma vez que ela era parte envolvida neste caso amoroso.
A conversa de Emily era preocupante, mas ela queria acreditar que eles não iriam ser descobertos. E agora o que importava era que nos próximos dias eles poderiam desfrutar um o outro. E isso superava qualquer receio de ser descoberto. Ele era irresistível e ela seria incapaz de evitá-lo.
"Gostei muito de conversar com a sua irmã ontem! Ela é muito simpática e animada." Victoria exclamou quando William veio aos aposentos dela para reunirem esta manhã.
Ontem à noite ela não tinha tido oportunidade de ficar a sós com ele e de lhe comunicar o que Emily tinha dito.
"Emily sempre irradia felicidade nos locais onde ela está, e ela consegue fazer uma festa sozinha."
"Mas ela está preocupada com você…"
"Porquê?"
"Porque ela acha que você tem uma mulher algures…"
Ele olhou para ela com atenção para ouvir tudo o que Victoria tinha para dizer.
Ela terminou:
"E ela acha que essa mulher é casada!"
"Que inferno! Porque é que ela tem de estar sempre desconfiada sobre esse assunto e porque é que ela tem de falar dessas coisas com você?"
"Mas ela tem razão em estar preocupada. É claro que eu fiquei desconfortável quando ela falou sobre isto, mas é notório como a preocupação dela é genuína. Ela teme que você seja de novo envolvido num escândalo. E ela falou disso comigo como uma confidência. Ela confiou em mim porque eu sou vossa…amiga…"
William sorriu para Victoria e aproximou-se dela.
Depois ele pegou na mão esquerda dela e levou-a até à boca dele e beijou-lhe os dedos.
"É verdade. Você é uma grande… amiga…" Ele disse olhando para ela com ar sedutor.
Depois William envolveu Victoria nos braços dele e perguntou:
"E eu sou um grande amigo para você?"
"O meu melhor…amigo!" Ela exclamou, fechando um pouco os olhos e colocando na voz um outro significado para a palavra amigo.
Ele beijou o nariz dela.
"William…Eu já estou disponível para você…" Ela informou, esperando que ele reagisse.
"Você está?"
"Sim…"
Ele beijou-a na boca depressa e voltou a perguntar:
"Você está?"
"Sim." Ela respondeu outra vez.
Novo beijo rápido nos lábios.
Oh, ele estava só a brincar com ela, mas ela queria algo mais consistente.
"Por favor…" Ela pediu.
Aquela reunião iria acabar antes de começar, mas ele não podia desperdiçar este momento. Ele olhou no fundo dos olhos dela e ela percebeu que aquilo iria começar agora.
Ele despiu o casaco e colocou-o nas costas da cadeira ali ao lado, onde ele se deveria sentar para reunir com a Rainha.
Com o peito em movimento, arfando com a respiração, ela observou o que ele fazia. A largura das costas dele viradas para ela, o colete de onde sobressaiam as mangas brancas da camisa, os ombros em evidência. Victoria observou o gesto dele a trancar a porta, e ouviu o som da chave a rodar na fechadura. Aquele era agora o som que anunciava as maravilhas que vinham a seguir.
Com a privacidade de uma porta fechada, este era agora um mundo só deles, onde eles podiam fazer tudo.
Ele voltou para junto dela e apertou o corpo dela contra ele e beijou-a.
Victoria passou as mãos pelos ombros dele e sentiu como ele era forte e excitante.
Sem parar de beijá-la ele empurrou-a até à parede.
Ela ficou pressionada entre ele e a superfície dura e essa situação tirava o ar dela. Não porque ela estivesse a ser esmagada contra a parede de uma forma tão forte que a impedisse de respirar, mas porque a sensação de estar presa pelo corpo dele e de não haver saída possível era tremendamente excitante. Agora, aqui, ele poderia fazer com ela tudo aquilo que ele quisesse. E ele era sempre surpreendente!
As mãos dele alcançaram as saias dela e começaram a puxar o tecido para cima. Quando o volume do tecido atingiu a altura desejável, ele colocou as mãos por baixo e as mãos dele atingiram as coxas dela.
Oh, Deus! O tecido das cuecas não estava lá para se interpor entre as mãos dele e a pele dela. As mãos dele subiram pelas coxas dela supondo que havia umas cuecas com as pernas mais curtas. Numa agradável supresa, ele percebeu que não havia nada debaixo das saias dela, além das meias que chegavam acima dos joelhos. As mãos dele estavam agora nas ancas de Victoria e só existia a pele mais jovem e sedosa que ele já tinha sentido debaixo dos dedos dele.
"Por Deus, Victoria! Você não tem cuecas?" Ele proferiu, visivelmente surpreendido e excitado.
"Eu disse que eu deixaria de usar cuecas quando nós tivéssemos reuniões."
"Você é brilhante!"
Victoria adorou o elogio.
Ele abarcou as ancas dela com as duas mãos, e depois ele encheu as mãos nas nádegas dela.
"Ah…" Ela gemeu e abriu um pouco mais as pernas.
As mãos dele sobre a pele nua dela tinham um efeito efervescente. E ela sentia a excitação de não ter cuecas. Aquilo era desregrado. E era tão libertador!
A mão direita dele avançou para o meio das pernas dela. Ele sentiu o monte de Vénus, passando a mão, de cima para baixo.
Isto deixava-o louco! Ela não tinha cuecas! Existiam sempre tantas restrições e agora ela estava liberta para que ele pudesse atuar sobre ela. Ela estava vestida, mas ela estava nua debaixo do vestido!
A mão dele movimentou-se sobre ela, para cima e para baixo, e ele puxou ligeiramente os suaves pêlos dela.
"Aaaah" Ela gemeu de excitação.
A mão esquerda de William apertou a nádega direita de Victoria, e a mão direita dele desceu entre as pernas dela. A grossura do dedo do meio passou pelo sulco central e ele sentiu o quanto ela estava molhada.
Oh, os dedos dele eram maiores do que os dedos dela e senti-los entre as pregas da carne tinha um efeito distinto de quando ela usava os próprios dedos para se estimular.
Ele beijou-a vorazmente. Ele queria sugá-la para dentro dele.
A mão esquerda dele levantou para cima a mão direita dela, pressionando-a contra a parede. Eles entrelaçaram as mãos.
Agora eles tinham três pontos de contacto intenso. A mão direita dele no meio das pernas dela, as línguas entrelaçadas e as mãos que se apertavam mutuamente contra a parede.
A mão esquerda dela passou pelas costas dele suavemente sentido o colete, num gesto que contrariava a urgência de tudo o resto que acontecia entre eles.
Os dedos da mão direita dele tocaram mais acima no sexo dela, e ele observou a reação espasmódica de Victoria à vibração suave que se lhe espalhou pelo corpo.
Então ele largou a mão direita dela e as duas mãos dele agarraram-lhe as ancas, enquanto ele continuava a beijá-la. Ele queria possui-la!
Victoria sentiu que os dedos dele desceram pelas nádegas dela e ele acariciou e agarrou a parte mais inferior e arredondada. De seguida ele passou as mãos pelo vale entre as nádegas dela, em sentido ascendente, acariciando cada uma com cada uma das mãos.
"Você tem um traseiro divino!" Ele observou.
As palavras dele foram excitantes. Ela gemeu.
Depois as mãos de William desceram até ao início das coxas dela e Victoria sentiu a força dele que a levantava do chão e a impulsionava para cima.
Instintivamente, ela abriu as pernas e colocou-as à volta da cintura dele, enquanto as mãos dela rodeavam o pescoço de William. Victoria pensou que ele iria carregá-la para a cama.
Então ele disse:
"Isto poderá ser um pouco mais exigente do que nas ocasiões anteriores…Se magoar, você irá dizer-me, certo?
Ela movimentou a cabeça afirmativamente.
Ele queria ser capaz de segurá-la com o braço esquerdo e de abrir as calças com a mão direita, mas, no meio de todo aquele tecido, Victoria escorregava, e com vários botões para desabotoar, apenas a mão direita era insuficiente.
William teve de colocar Victoria no chão.
E então ele principiou a desabotoar as calças com as duas mãos.
Encostada à parede, Victoria observou encantada o movimento das mãos dele, de veias salientes, que se movimentavam, de cima para baixo, desabotoando cada botão das calças. A ação das mãos era excitante, ela sabia o que vinha a seguir e aquilo só lhe aumentava a expectativa.
Com as calças já desabotoadas, ele levantou de novo as saias dela e agarrou-a por baixo das nádegas e elevou-a para cima ao longo da parede.
Victoria voltou a circundar a cintura dele com as pernas e o pescoço dele com as mãos.
William apontou entre a pernas dela e ela sentiu-o entrar. Perfurante. E afastando continuamente as paredes internas dela.
"Aaaaah!" Victoria gemeu, de forma arrastada e abafada. Ela não queria que alguém ouvisse lá fora o que estava a acontecer aqui dentro.
Ele movimentou-se dentro dela.
Oh, isto era delicioso! Ele estava lá e ele fazia parte dela. Havia um sentimento de pertença. Este homem era dela. Agora não havia um princípio nem um fim, não era possível saber onde um deles acabava e o outro começava. Havia uma junção, uma sobreposição de vários centímetros de carne que se conectavam entre eles.
"É bom assim?" Ele perguntou.
"Oh, sim!" Ela exclamou.
"Eu amo você, e eu desejo você!" Ele exclamou movimentando-se mais fortemente dentro dela.
Ela gemeu emitindo um som que ele interpretou como desconforto.
"Doeu?" Ele perguntou, levantando o corpo dela um pouco mais para cima para aliviar o peso dela sobre ele.
"Não…É só que…"
"O quê?"
"Eu senti mais…algures…"
Ela não sabia explicar, mas parecia que ela sentira que ele tinha atingido um limite dentro dela.
"Eu posso continuar?"
"Sim!"
E ele continuou.
Ele estava a perfurá-la, a invadi-la de baixo para cima, e não iria parar. Aquilo só se iria intensificar. Este homem era fogo! Ela brincara com o fogo durante muito tempo, ela desejara o fogo, e agora ela tinha cada vez mais fogo que vinha dele, e que a deixava em chamas. O que ele exigia cada vez mais dela não era uma brincadeira. Neste momento ela tinha de aguentar esta queima contra a parede, mas ela estava disposta a suportar tudo o que ele tinha para lhe dar.
"Eu quero você! Eu quero tanto você!" Ele exclamou.
O crescente da excitação era asfixiante. Ela respirava de forma cada vez mais acelerada. A sensação de tê-lo dentro dela era avassaladora, dominava-a por completo e fazia-a esquecer-se de qualquer outra parte do corpo dela. Agora, só o que ela sentia lá em baixo, dentro dela, importava. Aquela situação inusitada de estar vestida, mas, ao mesmo tempo, de estar nua debaixo do vestido era tremendamente excitante. A nudez dela não se via, mas William estava lá, encaixado nela. O facto de ela estar pressionada contra a parede e de ter de suportar com o corpo todos os embates dele dentro dela, o que tornava as coisas mais desconfortáveis, era imensamente estimulante. Ele não devia estar dentro dela e aquilo não devia estará a acontecer ali.
"Se eu pudesse…eu estava sempre dentro de você…" William manifestou com dificuldade em falar. As palavras entrecortadas pela respiração ofegante.
Aquela sensação estava chegando. Aquela sensação que a libertaria em breve, e ela estava tão excitada que ela precisava de se agarrar com força a alguma coisa, para suportar. Os dedos da mão esquerda dela apertaram com força a parte de trás do pescoço dele. Ela sentiu perfeitamente que ela tinha firmado as unhas na pele dele e não no colarinho da camisa dele. A testa dela apoiou-se no ombro direito dele. A mão direita dela apoiada sobre o ombro esquerdo dele. E enquanto ela sentia que os embates dele contra ela aumentavam e ela ouvia os gemidos dele cada vez mais intensos, ela fechou os olhos para se concentrar. Ela ficou focada no som dos gemidos que ele emitia e no toque dele dentro dela.
E ele tocou e tocou e tocou… Lá, dentro dela.
"Você é toda minha Victoria, toda minha…" Disse ele, intensificando cada vez mais o movimento das ancas.
Ele estava desvairadamente excitado como ela nunca o tinha visto antes.
"Eu sou…" Ela garantiu.
E ele tocou e tocou e tocou... Lá, dentro dela.
O ventre dela contraiu-se, as costas dela desenharam um arco para frente, pois a cabeça dela avançou para além do ombro direito dele e ela apertou-o com muita força contra ela. Victoria abriu ligeiramente a boca e ela estava perdida. O mundo físico desapareceu! Não havia terra, nem carne. Apenas a alma dela flutuando no Paraíso.
Ela gemeu baixinho, saboreando aqueles segundos de evasão. Este era o momento em que ela era a mulher mais feliz do mundo!
Victoria contraiu-se algumas vezes no colo de William e depois ela serenou, à medida que ele parou também de mover-se contra ela.
Ele saiu de dentro dela e pousou-a no chão.
Ela quis agarrar o membro viril dele. Ela sabia que era preciso finalizar aquilo.
"Não, você vai manchar o vestido…" Ele alertou.
William encontrou o lenço que estava no bolso do casaco ali mesmo ao lado.
Ele voltou a empurrá-la contra a parede. O braço esquerdo dele circundou a cintura dela e ele beijou-a de forma devoradora.
Ele estava transpirado e cheirava a um homem dominado pelo desejo. Embora ela já estivesse satisfeita a ação dele estava a excitá-la de novo.
Com o corpo dela contra o dele e beijando ela intensamente, ele autoestimulou-se com a mão direita e usou o lenço para recolher o que ele não queria que se dispersasse naquele espaço.
No fim, a respiração ofegante de ambos era o único som que se ouvia na sala.
"Você gosta de me torturar…" Disse Victoria.
"Não é bom ser torturada assim?" Ele perguntou, olhando fundo nos olhos dela.
"Muito bom!"
William voltou a abotoar as calças.
Depois ele disse:
"Eu acho que nós temos deveres agora…questões políticas para discutir, no tempo que nos resta…Depois disto."
Ela passou a mão direita pelo cabelo dele e disse:
"Este é o seu mais importante dever, Lord M, satisfazer a Rainha! E esse dever, você já cumpriu!"
William sorriu para Victoria.
