Muito obrigada pelos reviews do capítulo passado. Que bom que vocês gostaram. É realmente uma grande alegria publicar este capítulo, pois nele será inserido um personagem que eu amo de paixão e espero que vocês gostem da roupagem que dei a ele. Além, é claro, de mais uma pequena dose de Thórin e Frigga. Permaneço aqui ansiosa pelos reviews e espero que curtam meu queridinho Dwalin:

Um abraço a todos e mais uma vez obrigada a:

Sadie (Obrigada por suas preciosas sugestões!)

Reggie Jolie, Gessi - Ane Sekhmet, Dani, Vindalf Dvergar, Marina, Gilda H, Danda, Anna Pantelarou, Nim , Marcela (Soi)!

Um forte abraço em Myriara, minha eterna mestra, cujas palavras sobre esse texto me trouxeram uma alegria que não consigo descrever!

Um 'xero' nos que leram e não puderam comentar. Grata por me brindarem com seu carinho que lamento não poder agradecer à altura. E um grande abraço a todos do Tolkiengroup.


- Conseguiu fazer com que Thórin repousasse um dia inteiro? – indagava Dwalin incredulamente.

- Tomaram todas as refeições no quarto, disse-me Hilga, se repousaram ou não, disso não se pode ter certeza... – afirmou Balin divertido.

- Ou ele está muito mal, ou...

- Acho que 'ou...' é a resposta mais adequada – disse o conselheiro, dando tapinhas amigáveis nas costas de Dwalin.

O soldado parecia inconformado. Contudo, sentia-se aliviado por Thórin estar bem após o episódio que tivera lugar nos níveis inferiores da Montanha Solitária. Chegara a quedar-se seriamente preocupado, pois o estado dele parecia se agravar a cada dia.

- Julguei que o perderíamos, irmão – disse o guerreiro.

- Também eu, irmão. Todavia, a cada lua fico mais convencido de que Mahal em pessoa providenciou a vinda da princesa das Colinas de Ferro.

Dwalin bufou cruzando os braços.

- Algo o incomoda, azaghâl*1? – indagou Balin retoricamente, afinal, saltava a vista que algo não ia bem com seu irmão de sangue.

- Não sei... Ela esteve na companhia de um elfo, foi o que eu soube. Ainda não conquistou minha simpatia e tampouco minha confiança.

- Para usar de sinceridade, sua simpatia está, a cada verão que passa, mais difícil de ser conquistada. Acautele-se ou acabará por se tornar um velho anão rabugento.

- Peço a Mahal que me conceda a graça de uma morte gloriosa em batalha antes de envelhecer e me tornar um fardo.

- Deixe de falar em morte, sim! Sou o mais velho e nem mesmo eu perco meu precioso tempo em devaneios desse tipo.

Dwalin bufou novamente.

- E ajeite essa cara! O que pensará a princesa quando conhecê-lo?

- Pouco me importa o que ela achará de meus modos. Se quiser delicadeza, que vá procurar entre seus amigos elfos.

- Irmão, os primogênitos sofrem, por acaso, de alguma doença contagiosa, para que aproximar-se deles seja tido como um defeito assim tão grave?

- Em nome de Dúrin, pare de chamá-los assim!

- Por quê?

Dwalin meneou a cabeça. A simpatia e o interesse do irmão por outras raças por vezes o exasperava.

- Ainda não estou certo de que essa tal princesa tenha sido uma boa escolha para Thórin.

- Somente porque não a conhece. E quando acontecer, garanto-lhe que em pouco tempo a estará chamando de 'minha princesa'.

'Nunca', pensou consigo mesmo.

- De qualquer forma, se desejar ver Thórin ou tratar de algum assunto com ele, deverá aguardar até amanhã. Espero que não seja urgente.

- Eu também espero – disse o anão mais novo fitando um ponto indefinido no chão.

- Problemas?

- Outro carregamento.

Balin baixou a cabeça. Temia pela resposta da pergunta que queimava na garganta.

- Alguma baixa?

- Por Dúrin, que não. Contudo, já é o terceiro ataque desde aquela malfada encomenda dos elfos.

- Rakhâs*2?

- Aparentemente.

- Pela casa de Dúrin, irmão, pare com essas meias respostas!

- Meias respostas? Se eu tivesse respostas inteiras não estaria preocupado, Balin!

O mais velho silenciou por alguns instantes. Dwalin realmente estava muito preocupado, fazendo com que o conselheiro refletisse acerca a seriedade dos fatos.

- Tem seguido com as caravanas?

- Em parte. A ajuda de Frerin tem sido bem vinda. Quedei-me responsável até o terceiro entreposto e retorno a Erebor. Frerin assume até Esgaroth. O jovem príncipe se mostra cada vez mais preparado para assumir o comando do exército ao lado de Thórin.

- É dedicado e disciplinado, apesar da pouca idade – comentou Balin.

- Ama e admira Thórin – completou o general – fará o que estiver ao seu alcance a fim de corresponder às suas expectativas.

- Corresponder às expectativas de Thórin nunca é tarefa fácil.

- Entretanto, em breve Frerin conseguirá e assumirá o lugar que lhe é de direito.

- Quer dizer, o seu lugar, irmão.

- Meu lugar é ao lado de nosso povo, Balin, servindo-o da forma que Thórin determinar. Seja auxiliando Frerin, seja escoltando caravanas.

Balin observou a expressão no rosto do irmão mais novo. Dwalin era portador de uma sinceridade sem precedentes, mesmo para os padrões do povo de Dúrin. Seu desapego era genuíno.

- Já presenciou algum ataque, Dwalin?

- Não. Ocorrem sempre próximos a Cidade-Lago. Frerin tem sido o agraciado.

- Por que não leva o assunto a Thrain? – indagou o conselheiro.

- Nosso futuro rei já sabe do que vem ocorrendo. Também ele evita acrescentar mais esta preocupação ao filho, Balin. Espera que no final de tudo se trate apenas de um percalço passageiro.

- Thráin é otimista.

- Otimista demais em minha opinião.

- Quanto a Thórin, toma para si uma carga grande demais. Preocupo-me com ele. O episódio de ontem só vem nos confirmar o quanto está fragilizado, embora não admita.

- Entendo. Também não gostaria de lhe aumentar a carga – lamentou Dwalin – Todavia, do jeito que as coisas estão, não posso mais postergar a informação.

- Temo que se aborrecerá e muito. Ainda se culpa pela morte de nossos irmãos na estrada do rio – ponderou Balin recordando-se do infeliz ocorrido.

- E não é o único – acrescentou Dwalin esfregando os olhos ante a triste lembraça do desastre da caravana que escoltara.

- Estou certo de que fez o que pôde – disse o mais velho com a mão no ombro do irmão – não há culpa alguma em ter sobrevivido. Tampouco Thórin ou qualquer outro atribui a você qualquer responsabilidade.

Dwalin quedou-se pensativo. Era verdade. O príncipe era para eles, muito mais do que um soberano a quem servir ou um líder a ser seguido. Era um companheiro. Um amigo a quem ajudaria no que lhe fosse possível.

- Aguarde até amanhã. Um dia a mais, um dia a menos, não fará tanta diferença assim – disse o mais velho.

- Concordo, embora reconheça que em se tratando de Thórin de Erebor, a mínima demora é motivo de desagrado. Por certo comerá meu fígado quando souber que não o informei desde o primeiro ocorrido.

- Não creio, considerando-se que não houve nenhuma baixa em nenhum dos casos... – disse Balin em uma malfadada tentativa de amenizar a realidade.

Dwalin apenas fitou o irmão.

- É verdade – admitiu Balin – ele comerá seu fígado. E já que é assim, que tal aproveitar o resto da noite para bem usá-lo, ao meu lado, com uma bela caneca de cerveja? – convidou com a mão no ombro do irmão mais novo.

- Que seja. Esperemos que amanhã Thórin esteja inteiro.

- Estará – confirmou o mais velho enquanto saiam com os braços no ombro um do outro.


No dia seguinte, após o desjejum, mais cedo do que o de costume, Thórin retomou suas atividades colocando-se a par de tudo. Nenhuma novidade, todavia. As providências de sempre, tanto administrativas, como financeiras foram tomadas.

O chefe militar providenciou para que sua audiência fosse a última daquela manhã, pois sabia ser, de longe, a assunto mais demorado. Como previra, o ânimo do príncipe não era dos melhores após a revelação que lhe fizera.

- Por Mahal, Dwalin! Como pode me esconder algo tão grave? – Thórin vociferava! – onde estava com a cabeça quando decidiu guardar para si tais informações? – indagava esmurrando a mesa, que, não fosse de pedra, haveria rachado ante a fúria do futuro soberano da Montanha Solitária.

Mesmo o destemido Dwalin não negligenciava a ira do neto de Thror.

- Peço que compreenda, meu príncipe. Não tem estado bem nos últimos tempos. Não julguei conveniente. Ontem mesmo... – o soldado media as palavras. Nenhum anão, muito menos Thórin, se agradava de que suas fraquezas e limites fossem evidenciados.

O príncipe passou as mãos pelo rosto, esfregando os olhos. Buscando conter a raiva. Respirou a fim de voltar a pensar claramente. Havia sentido nas palavras do amigo. Já não podia negar que as noites insones cobravam seu preço.

Thórin buscou acalmar-se. Levou as mãos às costas caminhando pela sala. Olhou ao redor, sentindo-se preso. Abriu a porta lançando um olhar a Dwalin que de pronto compreendeu.

Caminharam em silêncio por um bom tempo até chegarem à muralha onde Thórin quedou-se observando o vale aos pés da montanha. Os rios e os pinheiros. Esperando que sua mente se acalmasse.

Não lhe agravada de forma alguma que lhe sonegassem informações, assim como não gostava de admitir suas limitações. Todavia, o khuzd que o fizera era, acima de tudo, um amigo. Sim, poderia considerá-lo assim.

Após um bom tempo, as palavras encontraram o caminho na boca de Thórin.

- Alguma baixa? – indagou o filho de Thrain.

- Nenhuma, meu príncipe.

- Rakhâs?

- Tudo indica que sim.

- Por que essa dúvida em suas palavras então?

- Não encontramos nenhum vestígio. As figuras encapuzadas surgem e desaparecem nas sombras. Parecem mais querer assustar do que qualquer outra coisa.

- Sempre próximo à floresta?

- Sempre. Desde o caso da estrada do rio.

Thórin passou a mão pela barba. Refletindo, ponderando.

- Não se pode seguir outro caminho?

- Até Esgaroth? Infelizmente não, meu príncipe, este é considerado o mais seguro e é, por certo, o mais utilizado.

- Há notícias de outros ataques que não os nossos?

- Não, meu príncipe, apenas o Povo de Dúrin está sendo vitimado.

- Nem elfos? Nem homens?

- Em absoluto.

- Já esteve presente em algum desses ataques, Dwalin?

- Não, meu príncipe.

- Com que frequência ocorrem?

- Um intervalo médio de duas a três semanas. Não escolhem a esmo. São sempre caravanas significativas, das mais importantes.

- Entendo. Sendo assim, meu caro amigo, informe-se sobre a próxima comitiva de tal monta. Estaremos nela.

- Sim, meu príncipe, com sua licença – Dwalin bateu no peito com a mão fechada, cumprimentando ao estilo dos anões. Orgulhava-se cada vez mais do jovem filho de Thrain. Era um com eles. Esperava sinceramente um dia poder chamá-lo de rei.


Ao final do dia, Thórin encontrara novamente o repouso nos braços de Frigga. Com a cabeça apoiada em seu ombro, a princesa sentia os dedos do marido percorrendo-lhe os cachos.

- Nunca mais a vi com os cabelos entrançados como no dia em que nos casamos – comentou displicentemente o príncipe de Erebor.

-Holda levou horas para fazer todas aquelas tranças e eu – disse suspirando – gastei um tempo considerável desfazendo-as...

- Estava muito bonita, minha esposa. Quando entrei em seus aposentos para lhe presentear com o colar, precisei usar de todo meu autocontrole para não envolvê-la em meus braços ali mesmo...

A princesa ergueu-se um pouco apoiando o queixo no peito do marido.

- Gostaria de me ver mais adornada do que é de meu costume, não é verdade? – indagou a jovem, sem esconder o receio – sou muito diferente do que almejou para si um dia...

Thórin virou-se, cobrindo o corpo da amada com o seu e depositando nos lábios femininos um beijo ardente. Quando as bocas se separaram, o rapaz pôs a mão na face da esposa respondendo ao questionamento.

- Nenhum rubi seria capaz de chamar minha atenção mais do que sua boca, Frigga – disse passando o polegar pelos lábios da esposa – Seus olhos brilham mais diante de mim do que os diamantes que brotam do solo de Erebor, e seus cabelos, soltos, cor-de-fogo e ouro, atiçam-me os sentidos mais do que as dezenas de joias que adornam as demais filhas de Dúrin.

A princesa abriu a boca, todavia não conseguiu pronunciar uma só palavra. Thórin era um khuzd de ação, antes que de palavras. Estas, quando pronunciadas daquela forma, adquiriam, justamente por sua raridade, um valor quase sagrado para Frigga.

O príncipe sorriu ante o silêncio da jovem. Todavia a princesa pôde perceber que algo toldava a face do marido. Pondo a mão em seu rosto, externou o que sua percepção lhe revelara.

- Algo o preocupa, Thórin?

O rapaz diminuiu o sorriso por um momento, surpreso ante a sensibilidade da esposa, alargando-o em seguida.

- É disso que estou falando, minha gema preciosa – disse, acariciando a face feminina – sua companhia não tem preço. É parte de mim.

- Agradeço o comentário, meu esposo, contudo, não vai me dizer o que o está aborrecendo? – indagou carinhosamente.

Thórin suspirou. Sabia que a esposa não se aquietaria enquanto não recebesse alguma resposta. Virou o corpo a fim de se recostar à cama e iniciou a explicação enquanto mirava o teto.

- Fui informado hoje que algumas de nossas caravanas vêm sendo sistematicamente atacadas. Sem baixas, pelo menos até agora.

Frigga assentiu.

- Rhakâs?

- Provavelmente.

A princesa tornou a recostar-se no ombro do marido. Este intuiu facilmente o motivo do silêncio.

- Tem sido um refrigério para mim, Frigga, filha de Nain – disse acariciando-lhe a face – ofereci-lhe meu ombro amigo uma vez. Saiba que a oferta permanece de pé.

O príncipe pôde sentir a princesa suspirar. Fato era que ter alguém com quem conversar sobre seus próprios problemas e traumas era algo do qual Frigga fora privada desde a morte de Davur.

- Meu pai estava enfermo – principiou a jovem em voz baixa, forçando Thórin a aguçar a própria audição – havia um negócio a ser fechado. Algo sobre uma palavra dada e que precisaria ser cumprida. Uma encomenda ou uma entrega. Não me recordo dos detalhes. Meu avô e meu irmão estavam viajando. A fim de evitar um mal maior, minha mãe se dispôs a ir. A lembrança dela prometendo-me que retornaria o quanto antes foi tudo o que me restou...

A princesa não conseguiu mais continuar. A dor parecia ainda muito recente, apesar dos anos que já se haviam passado. Thórin abraçou-a ternamente. Não houve palavras de consolo. Apenas sua presença. E a promessa muda de que manteria a esposa em segurança a qualquer custo e de que os Rakhâs que estavam rondando suas caravanas iriam encontrar o fim que ele daria aos assassinos da mãe de Frigga.


*1azaghâl: guerreiro.

*2Rakhâs: orcs.