Você não è um príncipe encantado
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Capìtulo 29: Saudosismo
Já era quase final de tarde quando o rapaz chegou ao restaurante indicado por Akin.Este já se encontrava sentado em uma das mesas enquanto um garçom servia-lhe uma bebida qualquer.
Inuyasha se aproximou, sem cerimônias, e se sentou.
-Espero não ter me atrasado muito.
O homem bebia o líquido avermelhado enquanto movia a mão em sinal de negação.
-Para um encontro marcado em cima da hora até que foi bem pontual, meu caro.
-Sem arrodeios, Akin, o que você descobriu?
O detetive abriu calmamente uma pasta preta e retirou um envelope pardo de dentro.O rapaz acompanhava com o olhar cada movimento do outro à sua frente.O que ele havia descoberto sobre Kagome?Será que finalmente ele saberia um pouco mais sobre a mulher que a cada dia ocupava mais espaço na sua vida?
No fundo Inuyasha pressentia que não seria uma notícia muito agradável devido a tonalidade de voz que Akin falou no momento em que havia ligado.Mas o rapaz também queria acreditar que, seja lá o que ela havia feito no passado, não abalaria o que estavam vivendo atualmente.Pelo menos era isso que ele almejava.
-Não quero ser precipitado, mas talvez possamos esclarecer muitas coisas.
O homem estendeu o envelope e Inuyasha o encarou antes de pegar.Um garçom se aproximou e Inuyasha pediu um drink bem concentrado.Abriu o envelope e retirou de lá possíveis peças de um grande quebra-cabeça: fotos de Kagome com Narak em um estacionamento.
Não sabia quantas fotos tinha em mãos e isso não tinha nenhum importância.Passou os olhos uma por uma e viu uma em que Narak segurava o braço da garota, os dois conversando discretamente, Narak beijando a face dela e esta não reagindo, Kagome entrando no carro e dando a partida, dentre outras fotos que o rapaz se negou a continuar vendo.
O garçom depositou o drink sobre a mesa e o rapaz acabou em um só gole.
Silêncio.
Akin, ligeiramente desconcertado com tal silêncio, porém já acostumado com esse tipo de sitação, resolveu iniciar um diálogo.Era um homem muito ocupado e não podia perder tempo.
-Eu não sei bem o que está acontecendo, meu caro, mas talvez sua esposa possa lhe responder.Essas fotos podem ser interpretadas de diferentes formas.Você diz que esse tal Narak está por trás das tragédias que vêm acontecendo em sua empresa, correto?E se ele estava ameaçando a senhora Tasho?
-Se foi realmente isso, por que ela não me contou, Akin?
O rapaz cerrou o punho e o detetive viu a ira cravada nos olhos do Tasho à sua frente.
-Isso eu também não sei.Por isso digo que devo pesquisar mais um pouco sobre sua que até este momento essas fotos foram a única coisa que consegui sobre ela.É como se ela não tivesse vivido nesse país, como se não tivesse contatos, é como se ela sempre fosse uma sombra ou fizesse de tudo para viver como uma.Quase impossível encontrar algo sobre ela.
Inuyasha olhou mais uma vez para as fotos e em seguida as guardou no envelope.
-Ela não pode viver para sempre como uma sombra.Um dia a verdade aparece, não é?
O rapaz retirou dinheiro do bolso e colocou sobre a mesa para pagar a bebida.Levantou-se e antes de sair do restaurante olhou mais uma vez para o detetive.
-Não pare.Eu QUERO muito mais informações.
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Já era noite quando Kagome adentrou a mansão.O supermercado estava incrivelmente cheio naquele dia.Retirou algumas sacolas do carro com ajuda da única empregada que ela e Inuyasha decidiram não cortar da lista de despesas.
-O senhor Inuyasha pediu para lhe avisar que precisa muito falar com a senhora.
Kagome olhou para a empregada e esta não lhe disse mais nada.
-Termine de guardar essas compras, por favor.
-Sim, senhora.
E a garota subiu as escadas rumo ao quarto, lugar mais provável para encontrar o marido.Seria alguma surpresa?Ultimamente Inuyasha estava tão mudado que não ficaria admirada se fosse alguma "travessura".Depois da história da rosa muitos conceitos foram quebrados.Sorriu marotamente antes de entrar no quarto quase escuro, apenas iluminado pela pouca luz do abajur.
Viu o rapaz de costas para ela, admirando o nada através da janela.E então ela se aproximou com um pequeno sorriso nos lábios.
-Demorei porque o supermercado estava cheio hoje.- ela o abraçou por trás e depositou a face carinhosamente nas costas dele- comprei a sobremesa que você mais gosta...
-Já acabou o teatrinho?
Ele a cortou rispidamente e se afastou quebrando o contato dos corpos.Kagome piscou duas vezes, estava confusa.Ela se sentou na cama e o encarou séria.
-Ok...O que foi dessa vez, Inuyasha?
Ele se aproximou e se sentou ao lado dela.Rezava mentalmente para que tudo aquilo não passasse de um mal entendido.Que para os dois ainda havia uma chance.Segurou as duas mãos dela entre as suas e as beijou.
Suspiros.
-Eu vou perguntar apenas uma vez, Kagome.Você pode me explicar isso?
O rapaz pegou as fotos sobre o criado-mudo e as jogou sobre a cama.Kagome sentiu o coração saltar e arregalou os olhos.Não teria mais jeito.
-O que exatamente quer saber?
Ele levantou nervoso e passou a mão pelos cabelos.
-Para de enrolar e acaba com as minhas dúvidas de uma vez!
Ela desviou os olhos dos dele e por um segundo pensou em sair correndo daquele lugar, como uma criança fazia quando se sentia acuada.Fugir de nada adiantaria agora.Mil perguntas circularam pela cabeça da jovem.A quanto tempo ele a vinha seguindo?A quanto tempo ele vinha mentindo dizendo confiar nela?Olhou novamente para ele e depois para as fotos.
-Ele fez parte do meu passado...
Aquela frase foi como facas no peito do rapaz.Ele a encarou e esta não teve coragem de olhá-lo nos olhos.Kagome sentiu que o rapaz gritaria algo e prosseguiu a conversa.
-..Um passado que eu tentei, e tento até hoje, apagar da memória...
-Sua vaga...Sua infeliz!!Você é a tal cúmplice daquele maldito!
" A pessoa está mais próxima do que você possa imaginar"
Era isso que dizia naquela mísera carta que o Narak mandou.A pessoa era você, Kagome.Era você que passava o tempo todo dados secretos da empresa, era você que o ajudava a arruinar cada esperança minha de reerguer aquela maldita empresa!
-Não!!Você nem ouviu o resto da história.O Narak foi um antigo namorado, da adolencência.Você não imagina o quanto eu o amaldiçoei por ter reaparecido na minha vida quando tudo parecia se estabilizar, quando tudo parecia correr bem...pela primeira vez.
-Cale-se.Eu me lembro daquele dia que flagrei os dois no corredor da empresa.Aqueles malditos envelopes cor-de-vinho que você recebia.Eram deles, não eram?
Ela balançou a cabeça afirmando.
-Mas em nenhum momento eu aceitei nada dele, em nenhum momento eu concordei em ser a cúmplice dele, Inuyasha!Você não sabe nem metade da minha verdadeira história com Narak por isso não tem o direito de me julgar...
-Não tenho direito?E quem é você para falar em direitos?Você se infiltrou na minha vida.Você e seu cúmplice ou quem sabe...amante, tramaram tudo o tempo todo.Aquele acidente de carro, você indo à minha empresa me chantagear, a proposta...foi tudo manipulado por ele, não foi?
Ela se aproximou do rapaz e segurou com força a mão esquerda dele.
-Você acha que eu seria tão louca a ponto de ser atropelada por causa de um plano?Você fez a proposta porque não encontrou outra mulher, Inuyasha.Eu aceitei porque precisava!
Ele se soltou dela e dessa vez a segurou pelos punho deixando-a imobilizada.
-Precisava porque Narak a mataria se não seguisse o plano corretamente?
-Que plano?!!Eu já disse que nada tenho haver com ele!Acredite!
Ele a empurrou e ela caiu sobre a cama.O rapaz andou até o antigo aposento da garota e começou a revirar as gavetas do guarda-roupa dela, que ficou vazio quando ambos decidiram levar uma real vida a dois.Ela levantou e foi atrás dele e o viu se comportar como louco procurando por algo que ela não sabia o que era.
Ele parou de jogar as gavetas no chão e caminhou até ela segurando-lhe novamente os punhos.
-O caderno preto!Era nele que você anotava todos os planos, não é?Era nele que você anotava todas as informações que levava para Narak, não é?!Como aquele verme é inteligente!Colocar uma espiã bem próxima para me Kagome.É por isso que você o mantem guardado a sete-chaves.
-Não é nada disso.Não tem plano, não tem nada de informações.A vítima está sendo eu nesse momento.Droga!
O rapaz a soltou em um gesto de repugnância e voltou para o seu quarto, onde toda a discussão havia começado.A garota o seguiu e antes de parar a caminhada o ouviu murmurar algo quase inaudível.
-O que mais me enfurece, Kagome, é esse seu cinismo característico.
"Eu nunca tive tanta certeza em toda minha vida" Foi isso que você me disse.
A garota sentiu um punhado de ira começar a invadir o seu peito.Sensação que a muito tempo ela não mais sentira e agora retornava com todo ardor.A mesma pessoa que havia conseguido levar sua ira embora agora a trazia com total força.Fruto de uma injustiça.Fruto das mentiras ou simplesmente de verdades não ditas.Mudas.
-Quer saber?Eu cansei!Você entendeu, Inuyasha?Cansei!
Kagome foi até o guarda-roupa e tirou uma a recolher algumas peças de roupas e jogou-as de qualquer jeito dentro da mala.Em seguida recolheu alguns calçados e os colocou dentro de outra mala.Inuyasha se sentou na cama e apenas observou os movimentos da garota.Ele cruzou os braços em frente ao peito e riu sarcásticamente.
-Sabe, você merece até ganhar o Oscar, sabia?Melhor atriz do ano!
Ela permaneceu calada apenas recolhendo seus pertences.Não queria mais olhar para aquele ser, naquele momento, desprezível e muito menos dirigir sequer uma palavra.Seu orgulho estava ferido demais para raciocinar e a amargura estava tomando-a agilmente.Inuyasha, percebendo que ela nada responderia, continuou o massacre psicológico.
-Quem cala, consente.
Kagome se segurou para não abrir a boca e responder algo.Uma pequena frase que, apenas com o tempo, passou a entender.
"Nem sempre quem cala consente, às vezes quem cala ignora..."
Não, ela não falaria isso para ele.Ela não manteria mais nenhum contato estritamente necessário com ele.
A jovem tomou a caixa onde guardava os colares e brincos em suas mãos cuidadosamente e a ajeitou em um lado seguro da mala.E isso não passou despercebido pelo rapaz que preferiu nada comentar.Em seguida abriu uma gaveta que não era utilizada e de lá retirou a caixa lilás e fez a mesma coisa que havia feito com a primeira caixa.
Kagome recolheu tudo que era necessário por um tempo.Depois mandaria alguém pegar o resto das suas as duas malas em um canto do quarto e pegou a bolsa.Estava inexpressiva.E o rapaz pôde notar que aquela era a mesma Kagome que conhecera no início, isto é, se ela havia mudado apenas por cauda do plano.
Ela girou a maçaneta da porta e antes de sair do ambiente olhou uma última vez para o rapaz.
-Quando os papéis do divórcio estiverem prontos me mande para que eu os assine.
Ela bateu a porta sem nem ao menos deixar que o marido, ou talvez, ex-marido falasse qualquer coisa.
Logo em seguida a empregada entrou no quarto sem encarar o patrão e desceu as escadas com as malas.O rapaz finalmente se levantou da cama e olhou pela janela.Lá estava ela, saindo pelos portões da mansão.Kagome Higurashi, em breve sem o Tasho no sobrenome.A mulher mais misteriosa que ele havia conhecido, cúmplice de um grande golpe.Golpes econômicos, golpes do coração.Pelo menos era o que ele pensava.
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-Tem certeza de que já é hora?
O homem calvo perguntou tranqüilamente enquanto dava uma garfada na lagosta.Narak sorveu um pouco do vinho branco antes de olhá-lo com certa indiferença.
-Não há momento mais propício, Fuyonato.Agora que o navio afundou e ele perdeu metade do investimento com certeza venderá ações.E o meu objetivo principal é comprá-las.
-Não seria mais fácil destruir por completo a empresa Tasho?
Narak riu.
-Acabar?Você tem idéia de quantas máquinas eles já produziram?Eles possuem os melhores equipamentos, os de última geração!Seria muita burrice e desperdício jogar tudo isso no lixo.Tem idéia de quanto tempo e dinheiro eu gastaria tentando montar uma aparelhagem tão moderna quanto a que aquele infeliz do Tasho possui?
-Eu pensei que tinha dinheiro suficiente para isso.
Narak o olhou com irritação.
-Você se aliou à dois meses e já acha que pode opinar sem moderação?Aprenda uma coisa: aqui quem dá as ordens sou eu.
-Se eu estou colocando dinheiro aqui acho que também posso opinar, Narak.Não costumo queimar "verdinhas".
-Você não investiu 1 por cento do que eu venho investindo nessa jogada.Até o presente momento eu ainda possuo as ações que, por sinal, eu mesmo as comprei.
Fuyonato pigarreou antes de começar a se levantar da mesa.
-Só espero que esteja seguindo pelo caminho mais lógico, Narak.
-Não se preocupe, caro Fuyonato.Fez muito bem em querer se aliar a mim.
Ele se levantou também e celou a conversa com um aperto de mão "cordial".Fuyonato saiu da mansão dirigindo seu carro.Alguns instantes depois o celular tocou e o visor mostrava que era alguém conhecido.Estacionou antes de atender com entusiasmo.
-Sim, era como desconfiávamos.Ele irá atacar a qualquer momento.
Do outro lado da linha uma voz saudosa e bem cansada pareceu prender a respiração.
-Acho que também chegou o nosso momento.Narak não vai se livrar dessa vez.
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Olhou em volta.Nada mal aquele quarto de hotel.Bem diferente da espelunca em que ela morava a um ano atrás.Era tudo que ela podia pagar na época.Agora...agora estava naquele luxuoso hotel por um tempo indeterminado.Agora tinha dinheiro para bancar.Dinheiro dos Tasho.Dinheiro do Inuyasha.Deu uma gentil gorjeta ao carregador de malas do hotel e este agradeceu antes de se retirar.
Retirou os sapatos.Aqueles saltos eram realmente cansativos.Olhou para as malas no chão e mais uma vez, para infelicidade dela, o rosto do quase-ex-marido vinha em mente.O maldito.O que uma mulher normalmente faria nessa situação?Choraria?Talvez sim...talvez não.A garota gostava de se apegar à teroria do "talvez não".Não iria chorar por alguém que não a merecia.
Se jogou na cama e fitou o teto.Por que?Por que ele desconfiou logo dela com tantas pessoas igualmente ou muito mais ambiciosas?Sinal de que ele nunca confiou nela de verdade.Não como ela passou a confiar.Burra.Ela não aprendia nunca.Lutava mas parece que a burrice sempre a vencia.
Não seria tão cabeça-dura para não admitir apenas à si mesma que Inuyasha conseguiu realmente mexer consigo.Inuyasha...mais um para ela tentar enterrar.Mais um homem que faria parte do seu passado nada feliz.A garota suspira.Pensa mais um pouco.Ela não foi infeliz com ele.Mesmo quando brigavam, no início, eram brigas infantis, era o medo de mostrar o que realmente estava sentindo ou medo de si mesmos por estarem sentindo algo.
Levantou-se da cama para tomar uma ducha.Não valia a pena pensar nele.Ele a perdeu.E ela agora iria começar a enterrá-lo no passado.Iria mudar de ares, como ela sempre fez.Quem sabe longe daquela cidade, estado ou país poderia recomeçar e nunca mais cometer os mesmos erros.Os erros do coração.
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A semana passou vagarosamente.Apesar da não oficial separação Kagome e Inuyasha continuavam se vendo na empresa.Ela não abriria mão da sua sociedade, algo rentável, apesar das dificuldades atuais.Durante as reuniões era quase impossível ver os dois trocando palavras e quando isso acontecia era meramente sobre algo do interesse de todos ali presentes, sobre comércio.
-Muito bem , podem perceber tive que convocá-los as pressas.
Um dos homens fez um comentário.
-Isso me deixou intrigado.Por que nos reunir-mos tão cedo?
-Não quero que uma certa pessoa participe dessa reunião.Não quero vacilar dessa vez.
-Se refere a sua esposa...quero dizer, à senhorita Kagome?
O rapaz respirou fundo e afirmou com a cabeça.
-Desconfio que seja ela a espiã do Narak.Por isso pedi que viessem mais cedo antes que ela chegue.Vamos oficializar a data para a entrega dos automóveis na América.Recebemos uma segunda chance, essa não podemos desperdiçar.Não essa.
Ele olhou mais uma vez para todos ali presentes e estes devolviam-lhe olhares espantados.Será que Kagome realmente era a comparsa do Narak?Seria exatamente ela?Inuyasha começou a andar pela sala e os olhares o acompanhavam.Ele prosseguiu.
-Diremos à ela uma data falsa.Então fecharemos a entrega e é só.Ponto final.Alguma pergunta?
Silêncio.
-Ótimo.Vamos nos apressar.
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Retirou os óculos escuros e olhou mais uma vez para aquela imensidão à sua frente.O rapaz ao seu lado pareceu espantar-se com a visão, mas manteve a pose.Nenhum se atreveu a descer do Jaguar vinho.Ela pôs as mãos sobre o volante antes de, pela milésima vez, explicar a função do rapaz ruivo ao seu lado.Segurou uma folha de papel dobrada em suas mãos.
-Apenas entregue isto à ele, Tayto.Eu sei do seu potencial.Você vai me substituir muito bem.
-É o que almejo, senhorita Kagome.
O rapaz, com uma pasta em mãos, desceu do carro e adentrou a empresa.Kagome recolocou os óculos antes de dar a partida.Nesse momento ela teria muitas coisas para organizar.Muitas decisões a cumprir.
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Leu e releu, pensou e repensou, mas nenhuma das supostas respostas que ele mesmo deu às suas supostas perguntas serviam para esclarecer algo.Era mesmo aquilo que ele estava vendo?O ruivo, cansado de toda aquela demora, pigarreou.Os outros ali presentes apenas se entreolharam.
-Isso mesmo que está vendo, senhor Inuyasha.A senhorita Kagome me contratou para cuidar das questões financeiras.Eu participarei das reuniões, dos projetos, repassarei à ela tudo que souber, sem excessões e, ela opinará.Resumindo: serei seu porta voz.
Inuyasha riu sarcásticamente.
-Ela ficou louca?
-Não vejo qual o problema aqui, senhor Inuyasha?E espero que me conte depois porque estamos nos atrasando e por isso acho bom adiantar-mos a reunião.
-Caso não saiba, eu sou o dono e o diretor desta empresa.Eu decido quando devemos começar.
-Perdoe-me.
Silêncio.Este foi quebrado quando Ayame entrou na sala com algumas pastas em mãos.
Inuyasha olhou mais uma vez para os outros ali presentes e estes pareciam tão confusos quanto ele.Distância?Era isso que ela queria?Manter distância dele?Era ele quem deveria desejar isso, ele era a vítima!E...apesar de tudo, inexplicavelmente...ele não queria ficar longe dela mesmo sabendo que seria melhor para ambos.
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O coração acelerou e ficou com raiva de si mesma por não conseguir controlá-lo.Respirou fundo antes de adentrar o restaurante.Lá estava ele.Sentado em uma das mesas.Parecia tenso.Fixou o sorriso sarcástico antes de se sentar à mesa.
-Estou com um pouco de pressa, portanto, se puder agilizar...
-Não se preocupe, Kagome.Eu também prefiro ser breve.
Ela sentiu uma pontada de raiva ao ver o modo com que ele estava levando aquela situação.Ele por um segundo se assustou ao rever aquele mesmo sorriso sarcástico.O sorriso que talvez nunca se apagará em sua memória.Ele estendeu um papel e ela o pegou sem cerimônias.
O rapaz conteve a sua ânsia de perguntar o porquê de ela ter o traído, o porquê de tantas mentiras e por que ela não confessava.Assim, pelo menos aliviaria mais o peso da culpa.Não que ele fosse perdoá-la, mas livraria de uma vez essas dúvidas que ele insiste em levar como verdades.
Ela passou os olhos pelo documento e percebeu que o rapaz a observava.Ele já havia assinado, faltava apenas a assinatura delaTeve vontade de rasgar aquele pedido de divórcio, teve vontade de girtar, de chamá-lo de idiota por nunca ter confiado nela de verdade, vontade de chamá-lo de falso e de estúpido por não deixá-la explicar sua real relação com Narak, ou seja, explicar que eles já não tinham mais ligações mesmo Narak querendo ter.Vontade de conseguir encará-lo.Vontade de tê-lo.
-Bem...Acho que está tudo meu advogado havia dito.
Ela retirou uma caneta da bolsa e por um momento sentiu as mãos tão frias, como se fossem congelar a qualquer momento.Manteve a feição inexpressiva, a feição da habitual Kagome e assinou o bendito papel.Em seguida, sem ainda olhar diretamente nos olhos do rapaz, devolveu a folha.
Um garçom se aproximou da mesa e nenhum dos dois pediu algo.Ambos com as gargantas secas.O rapaz guardou o papel.
-Conforme o combinado, o papel será entregue aos nossos advogados daqui a três dias, que será o fim do nosso contrato.Um ano de casamento.Depois eles darão entrada no restante da papelada.Ah...e daqui a três dias você receberá o restante do dinheiro combinado.
Por um momento a garota pensou que ele perguntaria algo, sobre ela e Narak e talvez ela tivesse a chance de explicar já que ele parecia estar com a cabeça mais fria.Mas ele parecia não estar mais interessado.Será que um dia estaria?
Isso não a preocuparia mais.Não.Prometera a si mesma.E se algum dia ele se interessar em saber a verdade será muito tarde.
Kagome se levantou e ajeitou o vestido preto.Isso era o sinal para dizer que haviam terminado a conversa.Se é que, aquilo poderia ser assim classificado.Antes de se afastar da mesa olhou para trás e pela primeira vez, após todos os desentendimentos, conseguiu encarar aqueles olhos marcantes e estes corresponderam ativamente.
-Será tarde demais, Inuyasha.
E voltou a andar para fora do recinto sem querer ouvir pela última vez aquela voz, para apenas gravar aqueles olhos.Marcantes.
"Existem valores na nossa vida essenciais, acidentais e importantes.Existe também dois dias nos quais nada pode ser feito: o ontem e o amanhã"
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-Espero que tenha me chamado aqui por um bom motivo, Narak.
Narak se aproximou da lareira e a pouca claridade era o suficiente para que Fuyonato visse que não estavam apenas os dois ali naquela sala.Mesmo sem conseguir vê-los claramente percebeu que osoutros lai presentes eram também comparsas.
-Mudança de plano, Fuyonato.
-Como assim?
-O maldito Tasho irá fazer as entregas amanhã.
-Co..como assim?E o que vamos fazer?O que...
-Já planejei tudo.Tracei um plano, é só seguirmos corretamente e será fácil sempre.
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Seria melhor assim.Tinha que ser melhor.Talvez a distância fosse a melhor solução.Kagome arrumou uma última peça de roupa e colocou a mala ao lado das outras recém-chegadas trazidas pela empregada da antiga casa.Terminaria de assinar mais alguns papéis amanhã e nada mais a prenderia naquele lugar.Deixaria Tayto cuidando da sua parte na empresa, receberia o dinheiro e juntaria com o dinheiro que ganharia da herança.Mudaria para alguma outra cidade ou quem sabe outro estado até a poeira assentar.
Era hora de recomeçar a esquecer.E se esforçaria ao máximo para isso.
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Abriu os olhos devido à claridade Olhou para o lado.Vazio.Ainda não havia se acostumado a ficar sem ela.Talvez demorasse a acostuamr.Inuyasha se levantou da cama e fechou as cortinas.Escuridão.A manhã estava ensolarada, porém nada aquecia.Assim era o outono.Um sol que de nada adiantava.
Mas não era hora de pensar no outono e sua leve friagem.E muito menos pensar em pessoas com características tão típicas da estação.Hoje seria o dia do seu grande triunfo.Nada poderia falhar.Ninguém atrapalharia.
O rapaz tomou uma ducha e rapidamente se arrumou.Tinha que correr para a empresa e organizar os últimos detalhes da exportação de suas mercadorias.Agora daria certo.O rapaz estava confiante já que, uma vez que Kagome fora enganada quanto à verdadeira data da entrega, Narak não poderia saber e tentar algo contra.
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Poucas estrelas no céu.Sinal de chuva.A garota esfregou levemente os braços tentando enganar o leve frio daquela noite.A vista daquela sacada não era nada má.Pegou a xícara que estava sobre o parapeito e deu um gole no chá quente.Os cabelos dançaram ao vento e a sensação de liberdade não passou de uma nostalgia.Era já não era mais liberta.
Batidas na porta.
Ficou receiosa em abrir.Não estava esperando ninguém e muito menos estava vestida para tal.Trajava uma calça jeans clara e uma blusa de manga comprida preta.Os pés descalços.
-Polícia.Abra por favor.
A garota abriu ainda confusa e sem esperar um policial entrou.O homem trajava um sobretudo marrom.
-O que está acontecendo?Não pode ir entrando assim senhor...
Ela foi em direção ao policial e este a cortou.
-Fuyonato.Yamato Fuyonato.Venho para avisar algo muito importante, senhorita Kagome.E preciso que depois me acompanhe.
-Algo importante?Eu não fiz nada de errado...
-Eu sei que não.E é por isso que estou aqui.Para esclarecer algumas coisas.
-Esclareça agora.
Fuyonato viu que ela não seria fácil.Respirou fundo.
-O Narak.Ele planeja atacar as mercadorias do seu marido, quer dizer...ex-marido esta noite.E eu sei que também são seus negócios que estão em jogo já que irão transportar hoje para a América e...
-O que?Como assim hoje?A entrega está prevista para semana que vem.
-Não está não.
Ela piscou várias vezes tentando assimilar o que estava ouvindo.Inuyasha a havia enganado?Aquele maldito pretendia agir sem comunicá-la sobre tais ações?Por que?Não...ele não poderia ser tão baixo.
-Eu não entendo...
-Não há nada para se entender agora, senhorita.Me acompanhe imediatamente, vamos desmascará-lo esta noite.
O homem segurou-lhe o braço tentando conduzí-la até a porta e esta revidou soltando-se dele e se afastando.A garota saiu tropeçando entre as malas que se encontravam no chão e alcançou o abajur que estava sobre o criado-mudo ao lado da cama.
-Nem mais um passo!Se se aproximar eu juro que irá se arrepender!
O policial deu um passou adiante.
-Acalme-se, por favor.Eu não estou do lado do Narak.Pelo contrário, eu o estava investigando Aquele indivíduo tem uma série de crimes nas costas e isso tem que ter um fim.Preciso que venha comigo.
Ela manteve o abajur em posição de ataque.E sorriu sarcásticamente.
-Quem garante a sua inocência?Quem garante que você não vai me levar daqui e me dar um "sumiço"?
Silêncio.
-Eu garanto, Kagome.
Uma silhueta apareceu na porta do quarto.A voz cortou aquele silêncio duvidoso e fez com que a garota arregalasse os olhos deixando o abajur cair provocando um barulho nada convencional.Ela tentou balbuciar algumas palavras.Tudo em vão.
-Vo..vo..você...
A silhueta sorriu marotamente diante da perturbação da garota.
-Também senti saudades, minha jovem.
Oh KAMI!!!
Espero que me perdoem pela demora.Juro que faço de tudo para escrever o mais rápido que posso, mas ainda assim o tempo é pouco.Mas eu não abandonei a fanfic nunca, não foi?Acho que isso é importante ressaltar
A tristeza e a saudade já são intensas.Mais de um ano, para ser mais precisa, um ano e seis meses com essa fic que eu não sabia que seria tão bem recebida por vocês leitores.
Bem...acho que é só...por enquanto.
