Pov Bonnie

Abri a porta do sótão sem fazer ruído e cautelosamente desci até o patamar. Olhando para baixo eu podia ver uma sala de estar. Eu podia ouvir varias vozes masculinas, eu me aproximei lentamente tentando ouvir o que eles falavam até que uma voz familiar se fez ouvir:

– Venha Bonnie estávamos esperando você acordar.

Vovó?

Eu desci o restante da escada rapidamente. Minha avó estava sentada em uma poltrona rodeada por cinco homens enormes. A sua frente em uma mesinha estava vários sanduiches e um bule que eu supus ter chá.

– Emily, você não disse que sua neta era tão bonita. – disse um deles. Ele parecia ter 17, talvez 18 anos, e tinha cabelos pretos brilhantes e compridos, presos com elástico num rabo de cavalo. Sua pele era linda, sedosa e castanho-avermelhada, os olhos eram escuros e fundos sobre as maças do rosto. Um rosto muito bonito.

Fui tirada de meu estupor com uma tossida de outro membro ali presente. Ruborizei.

– Talvez seja melhor você se sentar e comer alguma coisa. Você está desacordada por pelo menos dois dias e depois podemos conversar sobre a escolhida dos originais. – disse minha avó.

Sem pensar muito me sentei a sua frente, pegando um dos sanduiches a minha frente com um único pensamento.

Eu estive dormindo por dois dias?

Pov Bella

Eu continuei sentada no gramado olhando a cena a minha frente.

Greta nesse momento se encontrava inconsciente no chão. Eu me sentia preocupada em ver seu estado... Não realmente.

Eu permaneci sentada no chão olhando a frente. Agora havia uma garota que eu nunca havia visto conversando... discutindo com Jasper seria uma melhor definição.

Ela era bem pequena.

Olha quem fala.

Eu sei que eu não sou ninguém para falar da altura de outra pessoa, tendo apenas um metro e sessenta e cinco, mas a garota em questão deveria ter pelo menos um metro e sessenta ou até menos. Ela era bonita, no entanto.

Bonita?

Ok. Bonita talvez seja um eufemismo. Ela tinha curvas delicadas, cabelos curtos como o de um menino, mas que nela ficava de algum modo feminino e atraente. E seus movimentos? Ela poderia matar de inveja as melhores bailarinas, seus passos eram graciosos, como se dançasse.

Mesmo agora quando ela cruzava seus braços e fazia uma carranca, sua beleza não diminuía.

Você tem lá seus encantos, afinal tem quatro vampiros aos seus pés.

Tem razão, mas por que isso não me alegra?

Talvez seja por que você é teimosa de mais para aceitar de bom grado o que lhe foi oferecido.

Oferecido? Eles não se ofereceram, eles simplesmente estão me forçando a aceita-los, minha opinião ou desejo nunca foi discutido.

Vai me dizer que não sente desejo por eles?

Eu não sinto.

Mentira.

Eu não sinto. Teimei.

Você sabe que tá mentindo para si mesma, não sabe?

Hunf.

Klaus, Damon e Edward estavam ao seu redor, participando da 'conversa'.

O que eles tanto conversam?

Eu não sei.

Bom pelo menos não é de mim. Porque aparentemente eles se esqueceram de minha presença.

Olhei em volta. O carro estava a poucos passos, pena que eu não tinha a chave. Eu deveria aprender a fazer ligação direta...

Como se você fosse conseguir fugir.

Eles não parecem notar que eu ainda estou aqui.

Eles estão bem conscientes de onde você está. Acredite.

Será?

Eu voltei meu olhar em sua direção.

Tem razão. Mesmo parecendo absorvido com a conversa com a desconhecida, vez ou outra um deles olhavam em minha direção de forma furtiva.

A garota em questão agora apontava em minha direção. E antes que eu pudesse ter um segundo pensamento todos ali presente olhavam para mim.

E agora? O que foi que eu fiz?

Eles caminharam em minha direção em ritmo humano com a garota a tira colo. O que foi que ela disse para eles? Eu não gostava como eles estavam olhando para mim nesse momento. Já não gostei dessa garota.

Klaus estendeu sua mão em minha direção me ajudando a levantar.

Eu olhava para eles, esperando eles dizerem alguma coisa. Eles só continuaram olhando para mim como se me avaliasse.

– Isabella o que sabe sobre o aparecimento dos lobisomens naquela noite? – perguntou Jasper calmamente.

– Nada. – eu respondi rapidamente apesar de estar um pouco surpreendida com a questão.

Mantive a expressão firmemente sob controle, esperando pelo rápido lampejo em seus olhos para avaliar minha reação. Meu rosto não transpareceu nada.

– Diga... Você tem algum conhecimento sobre os lobisomens daquela noite.

– Não. – rápido de mais, me censurei.

Você não devia mentir para eles.

Eu não estou mentindo. Afinal eles não eram lobisomens, eram metamorfos.

Isso é apenas detalhe. E eu acho que já discutimos isso antes, mas eu vou repetir: isso é mentir por omissão.

Que seja, mas isso não faz uma mentira.

Se você diz.

Eu digo.

Sustentamos o olhar e o silencio se aprofundou.

– Jasper. – chamou Klaus.

– Ela está dizendo... A verdade. – nem por um momento ele desviou seus olhos de mim. Ficamos mais um pouco em silêncio. Foi só quando minha cabeça começou a girar que eu percebi que eu não estava respirando. Quando puxei o ar numa respiração entrecortada, quebrando o silencio, ele desviou sua atenção para seus irmãos.

– Mas não toda a verdade. – disse Edward.

– Sim. – respondeu Jasper.

– Isabella. – chamou Klaus. Eu olhei diretamente em seus olhos. – Sei que não quer nos dizer o que sabe, devido a nossa... Presente situação, mas quero que me responda com a maior sinceridade que puder reunir.

Eu assenti não confiando em minha própria voz.

– Esses lobisomens representam algum perigo para você?

– Eles nunca iriam me machucar. – eu respondi me sentindo ofendida, percebendo de forma tardia o que minha resposta daria margem.

– Então você tem conhecimento sobre eles. – Damon comentou casual.

– Não... eu...Humm...

– Isabella, os lobisomens são criaturas instáveis e muito perigosas. Eles poderiam machucar você. – cortou Edward.

– Isso não é verdade. Eles jamais me machucaram.

Oh! Que grande boca a minha não? Eles estreitaram seus olhos em minhas palavras. Droga! Ninguém vai me ajudar, não?

Você está por sua conta e risco.

Ah muito obrigada. Ironizei.

– Oi! Eu me chamo Alice. – ela se apresentou dando um passo a frente e antes que eu pudesse dizer alguma coisa ela acrescentou. – E você é Isabella Swan. – e me abraçou. – Humm, você tem um cheiro gostoso.

Eu a olhava perplexa, envergonhada e um tanto aliviada com a súbita interrupção. Talvez eu goste dessa garota.

– Alice...

– Relaxa Jasper, seremos grandes amigas, você vai ver. Oh meu Deus o que fizeram com a sua roupa? – ela tinha uma expressão como se estivesse horrorizada com minha roupa.

Eu olhei para baixo me auto avaliando. Eu não estava tão ruim. O vestido estava um pouco sujo devido à queda e por ter sido deitada no gramado, mas de modo geral... Ok eu estava horrível, principalmente se fosse comparar a elfa a minha frente que parecia vestida com a última moda de Milão. E por falar em ser deitada no gramado, em algum momento eles terão que me explicar o que diabos deu neles.

– Eu...

– Vamos para seu quarto, eu vou...

– Não será necessário Alice. Damon levará Bella para que ela possa se trocar. – Edward a cortou.

Eu olhei Alice nesse momento que me olhava de forma apoplética.

– Talvez da próxima vez. – ela disse de forma suave.

– Após ela se trocar leve ela para o escritório. Precisamos terminar essa conversa. – Instruiu Klaus a Damon.

O que eu era agora? Uma boneca?

Tá reclamando do que? É sua chance de pensar o que vai dizer a eles sobre a sua "isso não é uma mentira".

Com esse pensamento, deixei Damon me levar para o quarto sem oferecer nenhuma queixa ou comentário.

Entrei no quarto, no momento que meu celular tocava. Corri para atender, mas antes que chegasse a ele Damon já se encontrava com ele.

Ele olhava o visor por um momento.

– Quem é Matt? – ele indagou.

Eu paralisei em meus movimentos. Meu coração saltou uma batida. Isso não podia estar acontecendo.

– Quem? – eu perguntei para ganhar tempo.

Agora você tem um vampiro zangado em seu quarto. Maravilha Bella.

Talvez eu tenha que mudar de tática.

Você acha?

Oh cale a boca! Você não tá dando nenhuma ideia até agora.

Distrai-o.

Distrair ele? E como eu deveria fazer isso?

Eu olhava Damon avançar lentamente em minha direção. Ele parecia um felino em seus movimentos. Um felino em caça. E eu era a caça. Hora de amenizar os estragos. Distrair o vampiro.

Eu não o deixei dizer ou fazer nada ao se aproximar de mim. Fechei meus olhos e plantei um beijo em seus lábios, abrindo meus olhos lentamente para calcular os danos. Damon estava apenas lá olhando para mim como se perguntasse "O que você está fazendo?".

Ele estava estático. Passei a língua em seu lábio inferior como se pedisse passagem, no qual ele me deu de boa vontade. Damon correspondia meu beijo com seus lábios, porém seu corpo não se movia e seus olhos não mudaram de expressão nenhuma vez.

Eu dei dois passos para trás. Eu fiquei olhando para ele por mais um segundo e, em seguida, tentei pegar em seu olhar alguma reação, mas não havia nada. Eu acenei minha mão na frente do seu rosto, mas nem uma cintilação.

Uh oh. Eu acho que quebrei o Damon. Vampiros podem quebrar como esse?

Eu me movi lentamente em direção à porta do closet para escolher alguma roupa para me trocar.

Voltei para o quarto e Damon se encontrava na mesma posição. Algo me dizia que era melhor deixar Damon lidar com o que quer que fosse que estava acontecendo com ele nesse momento. Seja lá o que fosse.

Fui ao banheiro e fechei a porta por precaução. Não que isso fosse manter ele do lado de fora, mas era o conceito.

Lavei meus cabelos e ensaboei meu corpo, não deixando de notar que eu não tinha sequer um arranhão da minha queda anterior. O que me fez pensar se Klaus me deu o mesmo tratamento após meu acidente de carro e por esse motivo eu não apresentava nem uma lesão no hospital.

Sequei-me e coloquei a roupa antes de voltar ao quarto com os cabelos enrolados em uma toalha.

Damon ainda permanecia em seu estado anterior. Seus olhos perdidos em algum lugar.

Ele vai ficar bem em um minuto.

Já faz mais de vinte minutos.

Shshshsu...

Estou lhe dizendo, acho que eu o quebrei.

Ele vai ficar bem, ele só precisa de mais algum tempo.

Uma hora mais tarde, eu me encontrava devidamente arrumada, com exceção dos sapatos no qual estava em duvida.

Eu voltei a acenar minha mão em frente ao rosto de Damon, mas ainda nada. Eu estava começando a ficar um pouco preocupada. Pode um vampiro ter curto circuito?

Eu não sei.

Eles podem ter ataque cardíaco?

Eu não sei.

Você pensa talvez que devemos chamar os outros?

Eu não se...

– Você me beijou.

Eu gritei na voz repentina que soava perto do meu ouvido, interrompendo meus pensamentos.

– Por Deus, Damon! – eu disse tentando acalmar meu ritmo cardíaco. – Um pequeno aviso, por favor.

Ele olhou para mim como se ele não soubesse do que eu falava com um brilho de curiosidade em seu olhar. Malditos vampiros!

– Você devia fazer algum barulho ao aproximar de alguém assim. Quer me matar do coração?

Ele está fazendo aquela coisa novamente. A coisa de estátua, que ele estava praticando não muito tempo atrás.

Ele parecia começar a entender o que eu falava.

– Des-desculpe.

Ele gaguejou?

Sim, sim. É bonitinho, não é?

Sim. Como ele consegue ser sexy mesmo agora?

Você devia beijar ele novamente para ver se conseguimos outra reação assim.

Não é uma má idéia, talvez se eu... oh calada!

– Eu era... Eu não sabia... Um… Eu era... Ugh… - ele resmungou, sua mandíbula fechando e aparentemente desistindo onde quer que a sentença foi concebida para estar indo.

Eu levantei minha sobrancelha nele, não completamente certa o que fazer. Eu não o conhecia o bastante, mas pelo pouco que eu tinha visto até agora Damon era sempre muito seguro de si mesmo e vê-lo debatendo as palavras foi um pouco desconcertante para se dizer o mínimo.

– Eu beijei você. – eu declarei calmamente.

Sim, isto é certo. Lembra-lo do que o tornou uma estátua morto-vivo.

Eu estava pensando em começar "no início e avançar lentamente".

Talvez você devesse repensar essa linha de pensamento...

Por quê?

Por que eu acho que a intenção inicial era desviar sua atenção.

Oh! É mesmo. Mas o motivo era desvia-lo do assunto anterior e aparentemente deu certo.

Você tem seu ponto...

– Você me beijou. – ele repetiu com um olhar um pouco desconfiado.

– E você virou uma estátua.

Ele piscou novamente, uma carranca se formando.

– Estátua?

– Sim. Eu beijei você e você virou uma vítima de Medusa.

– Oh!

Eloquente ele, não?

– Desculpe. Eu acho que você me pegou desprevenido. Não posso dizer que isso já não tenha acontecido antes. Você parece fazer isso muito frequentemente... – Ele me olhava como se a qualquer minuto eu saltaria em cima dele.

Bem ele tem um ponto...

Eu dei de ombros e voltei em direção à penteadeira, pegando uma escova de cabelo, esperando para ver o que iria acontecer em seguida.

Ele pareceu congelado por alguns segundos e relaxando um pouco em seguida.

Eu continuei escovando meus cabelos, muito consciente do vampiro em meu quarto. Eu olhava para ele pelo reflexo do espelho, olhando atentamente seus movimentos em minha direção. Ele parou exatamente atrás de mim.

Eu não me virei.

Tanto ele como eu olhava o nosso reflexo no espelho. Em um movimento ele pegou a escova de minhas mãos. Abaixei minhas mãos, colocando-as na lateral de meu corpo, esperando seu próximo movimento.

Mesmo assim eu não me virei.

Ele passou a escovar meus cabelos em um ritmo lento. Por um tempo nenhuma palavra foi dita.

– Pode me dizer um segredo? – ele sussurrou próximo ao meu ouvido.

Eu assenti muda, não confiando em minha voz.

– Esse tal de Mut...

– É Matt. – corrigi automaticamente, me arrependendo logo em seguida ao ver o brilho nos olhos de Damon.

– Que seja. – ele disse sem nenhuma entonação. - Ele é o motivo de você querer fugir de nós tão desesperadamente?

Eu pude ver o vislumbre de uma chama em seus olhos, algo que eu não conseguia nomear. Ele parecia com um pouco de ciúmes... Não provavelmente é raiva. De qualquer forma isso não parece bom.

Por que você não me ajuda? Gemi internamente, mas nem um som se fez ouvir. Quando eu preciso de minha voz interna ela resolve se calar. Droga!

Damon aperta levemente sua mão em minha cintura me trazendo de meu monologo interno.

O que eu deveria dizer? Matt era apenas um amigo, mas...

Damon me virou de modo que estávamos frente a frente agora.

– Ele é um lobisomem? – inquiriu Damon estranhamente calmo ao mesmo tempo autoritário.

– Não. – ele me olhava atentamente, procurando saber se eu dizia a verdade e vendo que minha resposta não era muito esclarecedora eu completei. – Matt não é um lobisomem. Ele é humano.

– Esqueça ele.

Houve uma fração de segundo, onde tudo estava em movimento lento e em seguida, de repente eu estava em seus braços sendo beijada ferozmente, não escapou a minha atenção que seus braços estavam firmemente em volta da minha cintura, segurando-me firmemente a ele, nem que havia certas evidencias físicas de quanto ele estava desfrutando este mais recente 'ataque', pressionando contra a minha virilha.

Meu gemido foi sufocado pela sua boca.

Senti uma de suas mãos deslizarem pela minha bunda me fazendo arfar ao mesmo tempo em que escuto barulho de coisas caindo e logo me vejo sendo colocada sentada em cima da penteadeira.

Ele se afasta de súbito quase me fazendo cair da penteadeira. Fazendo Damon me equilibrar de forma eficaz. Qualquer dia eu vou morrer do coração com esses 'ataques'.

Que é uma boa maneira de se morrer.

Ah agora você resolveu dar o ar de sua graça. Ironizei.

Ele me olhava enquanto eu lutava para respirar.

– Eu esqueço que você é ainda humana. – ele disse e riu mesmo aos meus ouvidos humanos pareceu uma risada nervosa. – É melhor ir encontrar meus irmãos para aquela conversa e por mais que eu queira continuar o que estamos fazendo, não creio que seja o momento oportuno.

Ele me deu um selinho e me ajudou a ficar em pé.

Quando meus pés tocam o chão sinto uma ardência em um de meus pés. Olho para baixo e noto três coisas.

A primeira: o barulho que escutei anteriormente era os vidros de perfume que Damon derrubou em seu "ataque" a mim.

A segunda: Que ao ser colocado no chão e o fato de estar descalça fez que o vidro que estava no chão perfurasse meu pé. E eu mais uma vez sangrava.

E terceiro e mais importante: eu mais uma vez sangrava na frente de um vampiro. Por que essas coisas sempre acontecem comigo?

Voltei meu olhar para cima já prevendo o que encontraria e posso dizer que não fui desapontada.

Damon me encarava com seus olhos profundamente negros.

Notas finais do capítulo

Bem o que eu vou dizer é que a Bella não poderá fugir da conversar por mais tempo e por mais que coisas aconteçam no meio do caminho. Ela deverá ocorrer no capítulo 30 ou 31. Eles tem bastante coisas para se falar, então tenham paciência, ok? Espero que tenham gostado do capítulo, no entanto.