Ruby estava sentada em uma das mesas de leitura da biblioteca. Ela pensava nos últimos acontecimentos e na revelação de Regina. As coisas estavam se complicando. Regina ficar com Robin não era do interesse geral de ninguém. Ruby pensou em Zelena e seus pelos se enriçaram. Ela olhou para o computador no canto da sala. Será que ela conseguiria, após tantos anos?

Levantou-se e foi até a máquina. Abriu um dos mecanismos de busca, olhou ao redor. Território limpo.

Ela digitou Zelena Montgomery.

Não havia muitas coisas. Descendo pelas páginas, encontrou uma foto dela com um homem familiar. Por Deus... De onde ela o conhecia? Eles estavam em segundo plano na foto, mas era fácil de identificar os dedos entrelaçados.

Ela continuou descendo.

Zelena havia estudado na Universidade de Cambridge. Cambridge era onde Robin havia se formado. Ruby anotou em um papel e continuou. Não havia muita matéria sobre ela – o que indicava que ela fazia o dever de casa. Sabia limpar seus rastros. Mas Ruby também tinha um passado. E se ela queria desenterrar o passado de alguém, ela iria fazê-lo. Ela faria muito mais para proteger Regina.

Ruby abriu um comando de prompt e digitou alguns logaritmos, intercalando expressões numéricas. Segundos depois, a página principal do site da Universidade de Cambridge estava invadido. Ruby abriu o arquivo dos alunos, e encontrou rapidamente o nome dela.

Notas altíssimas, desempenho fenomenal. Ótimo. Ruby continuou a busca minuciosa, e no meio de algumas fotos, encontrou o que precisava. Robin, Zelena e Marion, sentados sobre uma árvore e fazendo pose com o que seria um cartaz de algum festival estudantil. Ruby anotou o nome dos únicos professores que fizeram avaliações negativas sobre Zelena. Sua curiosidade foi maior do que a sua razão. Em apenas mais um clique, ela invadiu o arquivo pessoal. Um nome surgiu em meio a um relatório de comportamento inadequado.

Wale Maddox.

Ruby buscou o nome.

Era óbvio. Wale. O homem com os dedos entrelaçados aos dela na foto. O sócio de David. Lentamente, as peças continuaram a se encaixar em sua mente. Era tudo uma armadilha.

Apressada, ela enfiou tudo em sua bolsa.

Precisava falar com Marion. Alguém tinha que deter Zelena.

Ruby saiu tão apressada que se esqueceu de desligar o computador que estava usando.


A campainha tocou e Regina desceu até a entrada. Limpou as mãos no avental, e abriu a porta.

"Oi?"

"Olá" – Um homem com cabelos cor de caramelo sorriu para ela, vestido em um terno vagabundo.

"Posso ajudá-lo?"

"Claro. Eu sou Wale." Ele estendeu a mão e Regina o cumprimentou, polidamente. Havia algo muito perturbador naquele homem. "Eu sou o sócio do seu marido."

"David não está."

"Eu só vim trazer o contrato. Você poderia entregar à ele?"

"Claro."

Regina segurou o pacote em suas mãos.

"Obrigada, prefeita. Até mais."

Regina não respondeu, apenas fechou a porta atrás de si. Ela abriu o pacote, e viu duas cópias de um contrato gigantesco. Ela olhou por uma fresta da janela e viu Wale amassando uma das rosas do seu jardim com as mãos.

Ela olhou para o pacote em suas mãos. David poderia brigar com ela, mas ela precisava ler aquilo.


"Cláusula 15.1.6 – O contratado confere ao contratante todos os direitos legais sobre a empresa e assim seus devidos lucros no caso de sinistro, quebra de contrato ou outras implicações legais.

Cláusula 15.1.7 – O contratante pode, em qualquer momento, reincidir o contrato e ficar com 100% das ações majoritárias."

Regina releu o contrato diversas vezes. Era impecável, a não ser por essas duas cláusulas. Cláusulas que permitiam que Wale tomasse a empresa de David assim que lhe fosse mais conveniente. Ódio misturou-se ao sangue dela, e começou a pulsar em todas as suas artérias. Ninguém ia passar a perna em seu marido, não enquanto Regina estivesse em pé. Ela releu novamente todo o contrato, certificando-se de realmente não havia outra brecha da lei. Não havia.

Tamborilando os dedos contra a mesa, ela pensou no que fazer. Seja esperta, Regina. Pense. Ela conseguia pensar em sua mãe falando sobre a sua orelha.

"Você precisa ser duplamente excelente, minha filha. Para ter metade do que eles têm. Esteja sempre um passo à frente ou as pessoas vão pisar em você."

Sua mãe fora uma vadia assassina, soberba e tirana. Mas ela era esperta. Ah, era. Era uma mente intelectualmente genial, uma mestra do crime. Primeiro, finja que não sabe de nada. Segundo, finja confiar nele. Terceiro, cave a cova dele.

Regina retirou as páginas do contrato onde havia as devidas cláusulas e pôs-se a digitá-las em seu computador, animadamente.

"Cláusula 15.1.6 – O contratante confere ao contratado todos os direitos legais sobre a empresa e assim seus devidos lucros no caso de sinistro, quebra de contrato ou outras implicações legais.

Cláusula 15.1.7 – O contratado pode, em qualquer momento, reincidir o contrato e ficar com todo o capital já investido em sua rotatividade. Caso o contratante reincida o contrato, o contratante continuará com a autonomia sobre o capital financeiro e suas ações."

Regina sorriu diabolicamente.

A cova já estava pronta. Era só aguardar Wale cair nela. Ela tirou o avental, e decidiu que seria o momento perfeito de presenteá-lo com sua famosa torta de maçã.


Passando pelo parque, Regina avistou um garoto jogando pedras contra o lago. À sua direita, estavam os cisnes. O menino tinha traços familiares, mas ela não soube dizer de quem eram. Apenas se aproximou, com as duas mãos enfiadas nos bolsos do sobretudo preto e a echarpe azul turquesa enrolada em seu pescoço.

"Espero que não esteja tentando matar os cisnes."

O garoto se assustou, e ela sorriu.

"Não, prefeita. Mil perdões, eu..."

"Calma."

"Sou Henry Swan."

Swan... Puta merda. Era filho daquela imbecil.

"Filho da Emma, suponho?"

"Sim."

"Eu sou..."

"A prefeita Nolan."

"Sim" – Sorriu ela. Era possível um garoto tão agradável ser filho daquela insuportável? "O que faz aqui, Henry? Porque está atacando o lago com essa violência toda? Não gosta de cisnes?"

Ele sorriu.

"Na verdade... estou apenas irritado. Não tenho muitos amigos nessa cidade. Eu não queria nem ter vindo, se quer saber."

Regina sentou-se sobre o banco de madeira, e ele a acompanhou.

"Minha cidade não é interessante o suficiente para um adolescente?"

"É legal, mas como eu disse, não tenho muitos amigos. Minha mãe vive enfurnada naquela delegacia, e eu andando por aí ou trancado dentro do quarto."

"Soa como tedioso."

"E é."

"Ser prefeita também não é a coisa mais legal do mundo."

Ele sorriu. Ela sentiu uma vontade incomum de abraça-lo, mas seria bem constrangedor.

"Se quiser e sua mãe não se importar, eu lhe mostro a cidade. Eu tenho algumas tardes livres durante a semana."

O sorriso dele cresceu instantaneamente.

"Você faria isso? Que máximo! Seria incrível!"

Henry a abraçou, e ela sentiu-se ótima durante os segundos que durou.

"Desculpe" – Sussurrou ele, envergonhado. "Me empolguei."

"Tudo bem."

"Porque a senhora faria isso por um menino como eu, me desculpe perguntar?"

"Eu não tenho filhos... mas eu gosto da companhia de crianças. E de adolescentes, antes que se ofenda. É um prazer para mim. Quando eu tinha sua idade, não tinha amigos também e fui obrigada a me virar sozinha o tempo todo."

"Ah."

"A gente se encontra por aí?"

"Sim, senhora."

"Me chame de Regina, por favor."

"Regina."

Ela se debruçou e beijou-o na testa. Tinha a sensação de que o conhecia há toda uma vida. Com passos precisos, Regina se afastou, indo na direção do escritório de Wale.


Regina observou os nomes sobre os botões do interfone.

Encontrou o de Wale. Ela olhou para a portaria. Havia apenas um senhor, cabelos grisalhos, lendo o jornal. Não era muito difícil. Regina entrou no prédio e o senhor rapidamente endireitou-se.

"Senhora prefeita."

"Olá."

"Posso servi-la em algo?"

"Passei ali fora, senhor..." Ela gesticulou, questionando o nome dele.

"Tomás."

"Senhor Tomás. Belo nome. Como eu ia dizendo, acho que o registro hidráulico está com defeito. O senhor poderia providenciar alguém para dar uma olhada?"

"Sério? Mas a manutenção foi há duas semanas!"

"Posso olhar o relatório?"

"Claro. Um minuto, vou buscar."

Regina aguardou ele sair de vista e entrou pela porta lateral, que dava acesso às escadas.


Se tem uma coisa que Regina tinha aprendido era a nunca usar o elevador quando quer entrar em um lugar sorrateiramente. Elevadores tem câmeras. E param em vários andares. A verdade é que nunca se sabe quem pode entrar, e se algum conhecido de Wale a visse, ele saberia da presença dela antes mesmo do elevador se abrir em seu andar.

Ela tinha pique para as escadas.

Assim que chegou ao quinto andar, ela abriu apenas uma fresta e analisou o trânsito de pessoas. Quase estático. O vitral azul com o nome de Wale chamou sua atenção. Não havia nenhum escritório registrado no nome dele. Seria um negócio ilegal? Ela abriu a porta e pôs se a caminhar pelo corredor. Havia uma ou duas pessoas digitando e anotando dados em pequenos blocos de nota, que pareciam ignorar o mundo que as rodeava. Ela deu mais alguns passos, e ouviu a voz dele. Enfiou-se em um nicho da parede de onde saía a gélida tubulação do ar condicionado. Ela podia aguentar o frio.

"Eu entreguei o contrato para ela, você acha que é algum problema?"

"Me poupe, queridinho. Regina está dando a mínima para o marido. Ela não leria nem se ele pedisse. Tudo o que ela vê é o Robin agora."

Regina segurou a respiração. Era uma voz feminina muito familiar. A memória dela não estava ajudando.

"Zelena, meu amor..." Continuou Wale. "Você também anda vendo muito do Robin."

"Eu não tenho nada com ele."

"Mas sente tesão."

"O que quer que eu faça, Wale? Minta?"

"E adiantaria? Sei que transou com ele quando a Marion estava grávida, e também sei que praticamente destruiu a tal da Ruby apenas por ciúmes."

"Ela era uma ameaça política."

"Ele gostava da companhia dela e você sabia."

"Você está com ciúmes?"

"Não, mas só porque você ainda dorme na minha cama todas as noites, sweet."

"Wale, tenha foco. Precisamos derrubar a Regina."

"Mas a questão é: o que você quer ganhar com isso? Dinheiro? Poder? Ou o Robin?"

"O Robin não é nenhuma preocupação, acredite."

"Você rasteja por ele desde a universidade."

"Não é verdade."

"Não minta para si mesma, Zelena."

"Regina é um perigo para a cidade, só isso. Lembre-se de Cora."

"Eu lembro. Todos os dias." Regina sentiu um asco de ódio na voz dele e isso a intrigou.

"Ainda temos que virar Regina contra a Ruby. Ela tem um soldado feroz em mãos. Acredita que ela estava pesquisando minha vida na biblioteca. Andou interrogando antigos professores da faculdade."

"Mas os professores adoravam sua dissimulação."

"Ela entrevistou a Carmelia e o John Carter."

Ele riu.

"Ela pegou seus pontos fracos. Assuma, a garota tem culhões poderosos."

"Precisamos apagá-la do mapa de uma vez."

Regina mordeu os lábios e respirou fundo. Tinha que segurar-se para não entrar naquela sala e estapeá-la até a inconsciência. Mas uma coisa lhe chamou a atenção: Robin tinha ficado com Zelena.

Mentiroso cafajeste.

Wale e ela começaram a divagar sobre o relacionamento dos dois, e Regina sentiu que era seu momento de sair de cena silenciosamente.