ENCONTROS E DESPEDIDAS.

Erick acompanhou com o olhar quando Hyoga e Annie saíram do salão, foi no exato momento em que Shun baixou o olhar para o violão, os segundos pareceram cronometrados, exatos... E em seguida, Shun ergueu o seu olhar, e aqueles olhos - Ah, como Erick estava apaixonado por aqueles olhos -, estavam tristes, brilhando pelas lágrimas contidas, reprimidas... Erick se sentiu mal, pois entendeu tudo, acompanhou a troca de olhares entre ele e o russo e percebeu que houve algo... E pela reação de Shun, ainda doía... Voltou o olhar para Shun que encerrou a música e devolveu o violão para o músico que estava aguardando... Shun então, desceu do palco sem dar atenção a ele, sem ouvir o grito das garotas apaixonadas da empresa, sem se preocupar com as pessoas que acompanhavam a sua saída desesperada... Erick sorriu e também saiu do palco, deixando o microfone livre para algum bêbado que se atravesse a subir e cantar.

Tentou seguir os passos do virginiano, mas não conseguiu, será que ele tinha saído correndo sem que ninguém o visse? Então, assim que se viu na varanda, encontrou Shun sentado, acariciando os joelhos, com o queixo encostado neles, os longos cabelos caiam ao redor da face e algumas mechas se espalhavam pelas costas, a franja era jogada para trás por culpa do vento, a luz da lua refletia na pele acetinada e alva... Erick suspirou, nunca tinha visto uma figura tão bonita, parecia um retrato de galeria... Nunca viu Shun tão triste e essa tristeza o tornava tão lindo... Sentou ao seu lado.

- Olá Shun... – Erick tirou uma mecha do cabelo de Shun do rosto e a colocou atrás da orelha. Shun voltou o seu olhar para o amigo e sorriu, um sorriso triste, de meia boca, sem expressão nenhuma.

- Oi...

- Bonita música... – Shun apenas suspirou.

- Obrigado...

- Você está bem?

- Vou ficar... Não se preocupe...

- Tudo bem...

"E então, ficamos não sei quanto tempo, apenas sentados, compartilhando de dores... Ele sabia que eu sofria por ele e por sua vez, ele sofria por Hyoga, o fotógrafo da empresa."

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Hyoga e Annie andavam de mãos dadas pelas ruas desertas de Tókio. Nenhum dos dois falava nada... Às vezes, Annie arriscava um olhar para Hyoga esperando algo em troca, nem que fosse um olhar... Foi assim o caminho inteiro, desde a saída da festa, até o carro e por sua vez, até a sua casa.

- Hyoga? – O loiro estava retirando a camisa para dormir, ela, estava deitada na cama, apenas de camiseta.

- Sim? – Hyoga suspirou cansado, sabia que tinha ignorado a garota a noite inteira, mas não podia fugir de uma explicação...

- Eu queria conversar... – Hyoga sentou de frente para ela, mirando os seus olhos azuis nos castanhos dela.

- Sobre o que?

- Você sabe Hyoga... – O loiro levantou impaciente e foi até a janela do quarto. Annie levantou-se também e ficou atrás dele. – Hyoga... Não pode mentir pra mim... Eu vi...

- O que você viu Annie? Eu quero ouvir o que você viu... – Annie parou, respirou fundo, o olhar de Hyoga foi furioso, assim como a sua voz.

- Eu vi você olhando para ele... Hyoga... – O loiro recolocou a camisa e sentou-se na cama, queria sair daquele quarto, ficar sozinho, desfrutar da sua depressão...

- Annie, por favor, eu não quero discutir com você...

- Mas Hyoga... Temos que conversar... Por favor? – Hyoga respirou fundo e assentiu. Como se criasse coragem para enfrentar uma guerra perdida, Annie prosseguiu – Bem... Eu não tenho como disputar com ele, não é mesmo? – A garota tinha um ar de derrota e olhava constantemente para Hyoga com os olhos chorosos.

- Annie...

- Shi... – Annie colocou os dedos finos nos lábios de Hyoga calando-o – Deixa eu falar, tá? Não posso disputar com ele, não tem disputa... Eu vi como você o olhava e como era retribuído... Eu vi Hyoga... E ele... Ele é tão... Tão...

- Não fale Annie... – Hyoga lembrava-se muito bem da beleza do virginiano e qual era o impacto que causava nas pessoas que o viam pela primeira vez.

- Enfim... Você tem certeza que quer levar o que temos adiante? – Hyoga mirou com amor aqueles olhos molhados e pegando na mão da garota a beijou.

- Annie... Ouça-me querida... Shun... – Hyoga falou com dificuldade o nome - Foi alguém que eu amei muito... – Annie libertou as lágrimas que estavam presas. – Mas... Não temos mais nada... Amar Shun é o mesmo que querer sofrer e eu aprendi isso da pior maneira possível... Não quero sofrer mais... O que tenho com você é para sempre Annie... Não vou te trocar por ele... Você me faz feliz... – Hyoga acariciou aquele belo rosto e beijou a sua testa.

- Oga... – Hyoga fechou os olhos, Annie tinha a mania de chamá-lo pela mesma maneira que Shun chamava e esse hábito, especialmente depois da noite que passaram, doeu muito em Hyoga. – Eu te amo... Mas eu não quero deixar você preso a mim...

- Você não precisa me deixar preso a você Annie... Eu já estou... – Annie sorriu, as lágrimas caíram pelo rosto claro e delicado que tanto o lembrava de Shun. – Não vou lhe abandonar... – Hyoga beijou os lábios da garota que correspondeu de imediato e se entregou ao beijo. Annie sabia, que por aquele momento, a guerra estava vencida.

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Shaka acordou com um barulho incomodo que vinha de uma das casas, tirou o braço de Mú de cima de si e saiu do quarto, fechando a porta com cuidado. Na parte de fora da casa de virgem, o som era mais estridente, parecia algo se chocando, algo quebrando... Shaka acelerou o passo e apenas uma pessoa vinha em sua mente... Mikatú.

O seu pensamento logo foi confirmado, um pouco atrás do Coliseu lá estava o garoto, repartindo colunas com as mãos e desmontando paredes com os pés.

-Mikatú, o que está fazendo? – O garoto levantou uma coluna e a arremessou a um metro de distância. Ele estava sangrando, sujo, com as roupas rasgadas e com o rosto coberto de lágrimas... Shaka chegou perto do garoto, antes, desviando-se de uma outra coluna arremessada. Mikatú o encarou.

- O que você está fazendo aqui? Eu lhe acordei? – Mikatú esmurrou o chão à sua frente assustando Shaka.

-Mikatú... Eu não quero fazer nada contra a sua vontade... Então, acho melhor você se acalmar e me dizer o que está acontecendo...

- Eu não posso... Não posso... – Mikatú largou a coluna e sentou no chão, ofegante e com as lágrimas caindo do seu rosto.

- Shaka! O que está acontecendo aqui? – Kamus chegou com um pálido Milo em seu encalço.

- Nada que eu não possa resolver... Pode deixar comigo... – Shaka olhou para Milo e acrescentou. – É melhor irem dormir, Milo está com uma cara de quem não dormiu direito...

- É... Ele está meio doente... – Milo abaixou a cabeça sem graça, odiava quando conversavam sobre ele como se não estivesse presente. – Bem... Então, vamos voltar, qualquer coisa... – Shaka assentiu. Kamus por sua vez, pegou Milo pela cintura e foi o guiando de volta para a casa e o escorpiano sorriu, pelo menos uma coisa era boa em ficar doente, Kamus ficava atencioso, e isso, era maravilhoso...

Shaka aproximou-se cuidadosamente do garoto e sentou-se ao seu lado.

- Quer conversar? – O garoto o encarou. – O que aconteceu?

- Algo grave... Muito grave Shaka...

- Pois bem... Você pode me contar... – Mikatú olhou fundo naqueles belos olhos azuis e criando coragem soltou de uma única vez.

- Estou apaixonada pela minha irmã gêmea... – Shaka retirou o olhar de cima do garoto e sorriu.

- Ah... Então é isso? – Shaka sorriu irritando o garoto.

- Como assim, "só isso" ? Você não ouviu? Me apaixonei pela minha irmã... Minha irmã!!!!

- Mikatú... Você não pode ficar se culpando por isso... Primeiro por que vocês não foram criados juntos, então, o lado da afeição de irmão para irmão não aconteceu com vocês e segundo, meu querido, você é um adolescente... E o que mais acontece com os adolescentes é justamente se apaixonar o tempo todo... E você não pode se culpar por isso...

- Shaka... É claro que tenho que me culpar... O que eu posso fazer para me libertar dele? Desse sentimento que cresce aqui dentro e que insiste em ficar mais forte cada dia que passa?

- Conviver com ela... Não a prive do seu convívio por conta de um sentimento... Só assim, você poderá criar laços com ela e assim, a aceitar como sua irmã...

Mikatú encarou o mestre.

- E se não der certo?

- O tempo é sábio Mikatú, muito sábio... – Shaka colocou a mão no ombro do garoto. – Você só vai saber disso se tentar... – Mikatú riu e o abraçou.

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O despertador tocou e Shun acordou assustado, colocou a mão na testa e em seguida na cabeça dolorida. A que horas tinha ido dormir ontem? Voltou para a festa? Bebeu mais ainda? Como tinha chegado em casa? Não se lembrava... Correu para o banheiro para tomar um banho.

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Trechos do diário de Shun sobre a noite da festa.

A noite anterior foi bem estranha... Depois do episódio com Hyoga, me lembro de pouca coisa... Na verdade, o máximo que consigo são flashs, e por mais que eu tente me lembrar da noite toda, só consigo alguns momentos... São vários... A minha saída do palco, vários copos de vodka com sei lá o que, risadas escandalosas, muitos funcionários bêbados assumindo o microfone e subindo no palco, Erick... Um beijo... Meus Deuses! Um beijo! Erick me beijou... E eu retribui... Além de toda besteira que eu fiz, ainda ganhei uma dor de cabeça... Nunca fui de beber, nunca mesmo, especialmente por que fico bêbado muito rápido, sempre fui motivo de piada por conta disso e agora, além de ter bebido feito um louco, ainda beijei um dos meus poucos amigos... Sinceramente, estou chegando a conclusão de que só faço estrago... Hoje, especialmente, estou sentindo falta de quando era um garoto de apenas 14 anos, cheio de vida, sem malícia, aprendendo a crescer e com um namorado ao meu lado... Na verdade, um namorado muito especial... Hyoga...

Lembrar de Hyoga, era o mesmo que lembrar daquela bela garota que tanto me impressionou... Como era linda... Parece que eu já tinha a visto em algum lugar, só não me lembrava da onde... Resolvi parar de pensar em coisas que não iriam acrescentar nada na minha atrapalhada vida e decidi correr para o serviço, terminei de me arrumar, juntei as minhas coisas e corri para o carro. Já dentro dele, resolvi checar a minha agenda, hoje tinha uma entrevista com um médico, a respeito de ética médica e tinha que me apressar, já estava atrasado... Virei a chave e pisei fundo no acelerador.

O consultório do Sr. Yushima era simples, a decoração era básica, tinha apenas uma recepção pequena com uma única recepcionista – muito simpática por sinal -, e enquanto ela ia chamar o tal Dr. me sentei e comecei a buscar alguma revista interessante no meio de tantas... Até que uma em especial me chamou a atenção... Aquele rosto... Aquele par de olhos delicados e castanhos estampava uma capa de revista... Peguei-a e comecei a folheá-la, era um ensaio fotográfico com a Top Model Annie... Annie... Sim, esse era o nome dela... E logo me lembrei da onde conhecia aquele rosto... Este maldito rosto estava estampado em várias revistas além da que eu tinha em mãos... Em um misto de raiva e curiosidade, folheei todas as fotos, infelizmente, uma mais linda que a outra e na última foto, no rodapé da página, estava a assinatura dele... Alexei Hyoga Yukida... Era ele quem assinava o ensaio... Suspirei derrotado... Será que tinha como a minha vida ficar pior?

- Sr. Shun? – Olhei para a simpática recepcionista. – O Sr. Yushima não poderá atendê-lo, solicitou que o Sr. volte amanhã... – Essa era a resposta que eu precisava... Sim! O meu dia ainda ia ficar muito pior...

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Voltei ao escritório e a minha maré de azar continuou, primeiro, chegaram flores, lindas, de Erick... Segundo, os editores continuaram cortando as minhas matérias e novamente me pareceu que não tinha sido eu quem tinha escrito tudo... Terceiro, a fita do meu gravador acabou, eu não podia sair da empresa e precisava urgentemente de uma... Yuri – aquele garotinho bonitinho, ajudante do Hyoga – resolveu me dar uma força e me mandou para a edição, com a promessa de que o que eu precisava estava lá...

A sala de edição era uma total estranha pra mim, era cheia de prateleiras, com vários materiais nelas que eu não saberia distinguir e uma particularidade interessante: Estava sempre vazia... Parece que os editores iam lá em um determinado horário, mas no resto, ela ficava vazia... Comecei a andar entre os corredores tentando localizar uma fita, mas sem sucesso... Parei quando ouvi a porta batendo e sai correndo, quem sabe podia ser Yuri que tinha vindo me ajudar... Os olhos azuis me fitaram de cima a baixo e imediatamente fiquei corado.

- Og... Hyoga... – Ele me olhou como se eu fosse um estranho, caminhou até uma das prateleiras e pegou algo – não me arrisco a dizer um nome -. Decidi que não queria mais ficar naquele silencio que nos consumia há meses... – Tudo bem? – Insisti.

- Sim. E você? – Acenei positivamente com a cabeça... Estava corado, sem graça e com uma imensa vontade de sair correndo. – Escuta... O que você está fazendo aqui?

- Ah sim... Preciso de uma fita para o meu gravador... – Levantei o aparelhinho para que Hyoga o visse - O Yuri me disse que aqui teria o que eu preciso...

- Hum... Precisa de ajuda? – Sorri agradecido e pude ver um sorriso de meia boca se formar em seu rosto.

- Obrigado... Sabe como eu sou com toda essa parnafenália... – Hyoga riu sem esconder. – Como você se encontra aqui?

- Rs, alguns anos de prática e você aprende. Vá até o corredor 8, lá vai ter o que precisa. – Agradeci com um gesto de cabeça e segui para o corredor indicado, que era o mais escuro e o mais distante de todos... Olhei para cima e visualizei uma caixa com o nome de "gravadores" e na empolgação de ter encontrado o que queria com a ajuda de Hyoga, fiquei na ponta do pé para pegar a caixa e me desequilibrei, caindo ao chão com a caixa me seguindo... Em uma fração de segundos – em que a caixa estava para bater e "rachar" a minha cabeça e uma inevitável queda ao chão – Hyoga apareceu e segurou a caixa com uma mão e com a outra, apoiou a minha cabeça, antes que ela batesse, e então, ele me ergueu... Fiquei deitado, tendo como ponto de apoio apenas a mão de Hyoga em minha cabeça e ele ajoelhado do meu lado, a caixa não estava mais em sua mão esquerda, ao invés disso, ele levou-a a minha cintura. Os nossos olhares permaneceram um no outro por um breve tempo, molhei a minha boca com a língua e semi-fechei os olhos aguardando... Só que o beijo não veio... Ao invés disso, senti-me de pé novamente e Hyoga estava bem afastado de mim, como se eu fosse uma presa e ele um vampiro que tenta em vão resistir ao sangue pulsante. Respirei fundo e apoiei o meu corpo em uma das prateleiras, assim como ele, eu também estava ofegante...

- Bem... Eu acho que você já tem o que precisa, não é mesmo? – Concordei com a cabeça e segui com o olhar a sua saída da sala de edição.

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Hyoga caminhou pelos corredores da empresa totalmente disperso, só conseguia pensar naquele encontro... Como era possível, em uma empresa tão grande? Em um país tão grande? E um mundo gigantesco? Como era possível que se encontrasse tanto com Shun? Era a única pessoa que não queria ver, que não queria ter por perto e ainda assim, o destino insistia em o manter ao seu lado...

- Droga Shun... – Hyoga foi até o banheiro e lá dentro, jogou água gelada nos pulsos, na nuca e no rosto, queria apagar o rosto dele da sua mente, queria afogar-se, desmaiar e recobrar a consciência sem ele na sua vida... Seria possível? Distraído, não percebeu quando uma das portas abriu e pulou de susto ao ver Erick ao seu lado.

- Olá Hyoga... – O russo apenas o olhou. – Você está bem? Tem tempo que eu não te vejo... Rs, na verdade, acho que é impossível duas pessoas se cruzarem em um mesmo mês nessa empresa, não é mesmo? É tão grande... – Hyoga o encarou com raiva, fechou a torneira com força e saiu do banheiro batendo a porta, realmente o destino estava brincando com ele. – Cara estranho... – Erick voltou a sua atenção para o espelho e quando foi abrir a torneira, não conseguiu, estava congelada...

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Milo tremia debaixo das cobertas, sentia-se tão quente e ainda assim, tão frio e com tanto sono... Kamus entrou no quarto com um prato de sopa.

- Milo? Está na hora de comer, preparei algo... – Kamus estava com uma bandeja e luvas nas mãos.

- E-eu não que-quero comer... – A voz sempre viva e hiperativa de Milo estava baixa e lenta. Kamus sentou-se na cadeira do lado do criado-mudo, com Milo ardendo em febre e sofrendo de frio, não ousava se aproximar dele, até mesmo a sopa foi preparada com muitos cuidados e ainda assim, mesmo de luvas, Kamus temia que a sopa chegasse até Milo fria.

- Que escorpião mais teimoso... O que eu faço para você comer? – Os olhos de Milo brilharam.

- Você po-podia deitar co-comigo... – Kamus riu, nem doente aquele escorpião tinha juízo...

- Eu iria lhe congelar Milo... Você sabe como sou frio... – Os olhos de Kamus brilharam de ressentimento.

- E-eu s-sei... Mas que-queri você a-aqui... – Kamus riu enternecido e se aproximou de leve, beijando a testa ardente. – Vi-viu? Já e-estou me se-sentindo melhor...

- Rs, eu vou pegar mais um cobertor para você... Temos que abaixar essa febre e acabar com esse frio... – Milo sorriu e fechou os olhos, estava com tanto sono... Tanta fraqueza... Acabou dormindo antes que Kamus voltasse com o cobertor. Kamus então, colocou o quinto cobertor em cima de Milo e tocou de leve os dedos da mão que não estavam cobertos. – Boa noite meu amor... – Pegou o seu travesseiro e foi para a sala, onde deitou no sofá e lá ficou. Não podia ficar no mesmo ambiente que Milo por muito tempo, do contrário, poderia congelá-lo.

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Trechos do diário de Shun.

Depois do episódio da sala de edição, pouco vi Hyoga, na verdade, acho que ele me evitava... Desde a festa, tenho sentido muita falta do que eu era e estou começando a perceber as criancices que fiz... Tive Hyoga em minha vida, duas vezes... A primeira, não fui capaz de escutá-lo, de perdoar... O meu orgulho estava ferido demais... E a segunda, me deixei dominar por meus medos, meus anseios, minha covardia... E acabei por perder a pessoa mais importante da minha vida... O que leva uma pessoa a cometer tantos erros de uma única vez? Quase tive uma recaída e larguei tudo novamente, quase voltei chorando para a Inglaterra, afinal, por que eu saí de lá? Quem não deixou foi o meu irmão, que fez eu ouvir poucas e boas... Estava aprendendo a ignorar algumas coisas que não queria ouvir, mas ainda lembro dos seus berros, quando ele gritava coisas como: "covarde", "bebê chorão", "imaturo"... E outras, me lembro de frases inteiras: "Até quando você vai fazer isso? Ficar indo e voltando sempre que tem vontade?", "Você realmente não tem responsabilidade, me deixou sofrendo por anos, esqueceu-se de todos, nunca me enviou um email que fosse", entre outras frases mais que não gosto de lembrar... A questão é que eu não fui... Realmente o meu irmão estava certo, não podia ficar fugindo sempre... Tinha que tocar a minha vida pra frente, independente de Hyoga, precisava criar coragem... E tinha dois caminhos para seguir... O primeiro, era seguir com a minha vida, assim como estava fazendo, e a segunda... Ah, a segunda... Seria tão difícil... A segunda era correr atrás de Hyoga e tentar trazê-lo de volta pra mim... Reconquistar o seu amor... Preciso falar em qual caminho escolhi?

Continua

Oi pessoal!!!! Queridos e queridas!!!! Mil desculpas, estou totalmente atarefada e não consegui responder nenhum review, mas li todos eles e agradeço de coração!!! São esses gestos que me motivam a continuar escrevendo...

Mil beijos para todos, desculpem pela demora de sempre, e prometo que daqui a uns dois ou três caps, a fic vai ter o seu final!! ÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊÊ!!!!!!!!!!!

Bjus enormes!!!!