- Parte 29 -
Após a terceira batida, Snape atendeu à porta, ficando intrigado ao ver Anne Hale à soleira.
- Srta. Hale?
- Perdoe-me pelo horário avançado, mas Chris está chamando pelo senhor.
- Possivelmente está sonhando — ele respondeu impassível.
- A Canab... digo, a Sparrow disse isso, mas de qualquer forma, Chris ficará feliz.
- Ouça-me, Hale — ele falou pausadamente — eu salvei Lestrange porque sou seu professor e diretor da casa, era minha obrigação. Mas nada muda entre nós.
- Ah, para de ser Ronaldo, Snape! Até o burro do Weasley poderia ver o desespero em seus olhos quando Chris caiu!
- Isso não justifica o que ela fez — rebateu — Lestrange não se controla e sai com o primeiro cara que julga bonito.
- Ela ama você.
- Ora, se amasse não faria o que fez! Agora deixe-me em paz, garota! Por Merlin, porque é que estou desabafando com você?
- Porque se sente impelido a voltar com a Christine, mas não pode vencer o orgulho.
- Não fale como se soubesse de mim! Ora, vá embora de uma vez, garota!
- Certo, boa noite.
- Não, espere! — ele chamou, quando Anne já lhe dava as costas — Ela queria me ver, não é?
- Acho que foi pra isso que eu vim. Pra admirar a sua linda cabeleira que não foi, não é?
- Eu vou — Snape ignorou a provocação e seguiu Anne.
Ao adentrarem a Ala Hospitalar, Anne fez um sinal para que Amy, que estava sentada à beira da cama da amiga moribunda, a seguisse, e as duas deixaram o lugar silenciosamente.
- Christine — sussurrou Snape assumindo o lugar de Amy — mandou me chamar?
- Mandei? — ela respondeu com outra pergunta.
- Eu disse a Hale que você possivelmente estava sonhando.
- De qualquer forma, o meu subconsciente clamava por você aqui, Sev — ela disse com uma voz fraquinha — por favor, fique.
- É bom que você saiba que quando estiver melhor, a nossa relação de unicamente cordialidade voltará.
- Não conhece o perdão?
- Conheço, mas você não merece.
Christine se calou e olhou para o outro lado. A solidão dos leitos vazios ao longo da Ala Hospitalar, a iluminação fraca e o cheiro de éter, tornavam o ambiente um tanto tétrico, o que instigava mais ainda o vazio no peito da garota.
- Eu me arrependi — balbuciou sem voltar o rosto para ele.
- Como da vez que saiu com o vampiro estranho? Acho que você não tem jeito, Lestrange, o seu lugar não é aqui, sabe? Devia se prostituir, ao menos ganharia alguns níqueis.
Havia lágrimas nos olhos de Christine quando ela se voltou para Snape, e juntando toda a força e coragem que jamais pensara reunir, ela deu-lhe um tapa na face, e ainda que se arrependesse no segundo seguinte, manteve-se firme todo o tempo. Snape, em seu lugar, apenas aceitou o tapa e se ergueu da cama, olhando-a gravemente:
- Saiba que vai se arrepender por isso — ele disse sombrio — mal posso esperar que esteja bem, para então poder imobilizá-la novamente.
Christine sentiu as lágrimas amargas escorrerem por sua face quando ele saiu. O tapa ainda ardia em sua mão, e ela sentia-se como cometesse um sacrilégio ao machucar o rosto que amava. De repente, queria ter caído de uma altura superior.
Enquanto isso, Anne já havia andado por todas as regiões do castelo onde Jake poderia estar. O garoto simplesmente havia sumido.
