Capítulo 29

Eu não podia estar grávida, claro, biologicamente falando eu poderia sim, mas não num momento em que nem sei como as coisas ficarão! Um filho... Uma criança minha e de Sesshoumaru. Esses pensamentos invadiam minha mente, e eu olhava para Takeo com cara de espanto, aposto... Porque a cara de riso dele para mim era divertida. E eu só queria soca-lo.

— Qual é Kagome — ele disse se deitando na grama e me olhando de forma preguiçosa e ao mesmo tempo divertida — Você está casada tem um tempinho, obviamente vocês têm relações há um bom tempo e esse tipo de coisa acontece, como resultado, sabe? — ele fechou os olhos como se não se importasse, mas o que eu queria era dar na cara dele, Takeo estava me zoando, só pode — E qual o problema de você ter uma criança sua? Sei que Rin e Shippou são seus filhos, mas eu sei da sua vontade de gerar um filho.

— Sim, mas antes era diferente Takeo — eu disse me ajeitando melhor a árvore a qual estava apoiada — Eu era humana, sabia das condições que estava sujeita e aceitava a tudo, sabia que possivelmente meu corpo não aguentaria gerar um filho... — eu olhei para minhas pernas — Qual a chance de uma sacerdotisa conseguir sair viva de um parto de um youkai, mesmo sendo ele hanyou? — Takeo deu de ombros e me olhou, apoiando a cabeça no braço e se deitando de lado — Agora eu não sei se meu poder é instável pra criança, se ela vai resistir... — eu passei a mão na barriga, ainda lisa, preocupada.

— Ai, quanto drama! — Takeo disse se jogando no chão novamente, com os braços abertos — Kagome, você vai ser mãe, deveria se mostrar mais contente — Takeo parecia estar indignado, mas no fundo acredito que com razão. — Quero só ver a cara do Sesshoumaru, ele vai gostar — e sorriu, feliz. — Aposto nisso, por mais que ele seja na dele, ele se mostra feliz com certas coisas, você só não consegue perceber... Alias, conseguia. Agora como youkai, você será capaz de entendê-lo, assim como eu o entendo — e novamente, ele sorriu.

Na verdade, Takeo parecia mais feliz depois de nossa conversa, ele me passava uma sensação de leveza e confiança, talvez porque relembrou de sua família e do carinho que sentia por ela, a gratidão que deve ter sentido quando mestre Fujimoto o encontrou e cuidou dele... E ele parecia se sentir a vontade ao me contar tudo aquilo, como se fosse algo que sempre quis e não tivesse coragem de fazer antes... Totalmente compreensível, uma vez que Takeo me mostrava um lado doce e ao mesmo tempo exigente, mas nunca o lado mal, o lado que não se importava com a vida. Mesmo eu sabendo de sua capacidade de matar sem dó e nem piedade, porém nunca sabendo o porquê disso acontecer. Agora eu sei, talvez Takeo simplesmente tivesse vergonha de me contar seu passado.

Seu lado sombrio...

— Takeo — eu atraí a atenção dele, quando o mesmo parecia bolar alguma coisa, o fazendo me olhar curioso — Eu fiquei feliz por você ter se aberto comigo... — eu disse lhe dirigindo um sorriso sincero — A relação que você desenvolveu comigo foi diferente da que teve com mestre Fujimoto, mas saiba que eu te considero muito Takeo, como um irmão mais velho e eu te amo como tal — eu olhei para ele que não me olhava, somente olhava para o topo de uma árvore, de forma melancólica — Por isso, sempre que quiser conversar, ou somente um ombro amigo, pode me procurar sem pensar duas vezes. Quando quiser...

Eu me calei e o olhei, mas o mesmo não retribuiu o olhar. Takeo parecia estar triste ainda o que era totalmente compreensível, por isso o deixei em seus pensamentos, contudo fui retirada de meus devaneios quando escutei som de passos sutis, caminhavam lentamente em nossa direção, como se quisesse manter o sigilo. Eu sabia de quem era as pisadas e acabei sorrindo, Rin e Shippou pareciam querer me assustar. Takeo também escutou e se sentou, mas quando o fez, Rin e Shippou pularam sobre ele o fazendo deitar novamente.

— Senhor Takeo! — ambos gritaram felizes por vê-lo.

— Olá crianças — ele disse afagando o cabelo de ambos, antes de se sentar novamente. Eu observava a cena feliz, porque Takeo estava tendo um dia difícil hoje e aquelas crianças com certeza o ajudariam a melhorar, porque esse era o poder delas, o de nos alegrar. Eles seguraram nas mãos de Takeo e o puxaram apontando para o rio, o mesmo se levantou e as seguiu, mas parou e me olhou, dando um sorriso triste — Obrigado por tudo Kagome, graças a você já me sinto um pouco melhor — e me deixou ali, sentada, absorvendo suas palavras.

Pov's Sesshoumaru.

Essa pequena revolta que se instalou nos reinos, está nos dando dor de cabeça, há meses estamos tentando dar fim nela, mas pequenos vermes ainda estão por aí, planejando derrubar um por um, mas isso não acontecerá em meus domínios, esse Sesshoumaru não permitirá! Esses vermes serão destruídos um a um e nada poderá me impedir, contudo eles sumiram daqui a dois meses, por isso não tenho ideia se eles planejam outro golpe, ou simplesmente se renderam. Não posso baixar minha guarda, agora Kagome e as crianças estão aqui e eu mato qualquer um que ameaça-los!

Os outros lordes falavam a minha frente, mas eu não prestava atenção neles, sinceramente não sei por que vieram até aqui me importunar, o mesmo poder que eu possuo eles também tem, só porque eu luto em minhas batalhas querem que eu lute por eles. Patético. Eu não queria ter deixado Kagome e Takeo sozinhos, eu queria estar lá, amparando Kagome, ela se importava demais com aquele humano e sabia que ela iria sofrer por sua perda, assim como foi quando o avô dela morreu... Naquele dia, foi a primeira vez que eu vi Kagome sofrer verdadeiramente. Mesmo que não ficasse tão próximo a eles, eu queria estar lá, porque no final, eu iria ver que tudo estava bem. Contudo, isso não acontece agora.

— Sesshoumaru, estou falando com o senhor! — um dos lordes atraiu minha atenção e eu o olhei, sério. Como ousas interromper meus pensamentos! — O que podemos fazer com esses rebeldes? — ele espalmou ambas as mãos na mesa. — Eles ameaçam nos destruir!

— Eu não tenho nada sobre o que fazer — eu disse o olhando, indiferente — Quando o problema voltar a mim, eu agirei, até lá — me levantei e segui na direção da saída daquela sala. Eu não quero ficar tomando problemas dos outros para mim, a menos que o problema venha até mim. Jaken os mandariam embora, pois já haviam tomado tempo demais de mim, tempo com coisas que não me interessam no momento. Segui para onde Rin e Shippou se encontravam, mas os mesmo não estavam lá. Shippou deve ter sentido o cheiro de Takeo e os dois ido até lá.

Takeo era tão importante para Kagome quanto para as crianças. Segui novamente para aquele local, o cheiro de Kagome estava muito fraco, quase inexistente e o que eu conseguia sentir estava um pouco alterado, não digo por causa do cheiro de Takeo – por isso também -, mas sim porque a mesma estava nervosa. Contudo por quê?

Caminhei tranquilamente até o jardim onde eles estavam, Takeo estava lá ainda, talvez somente aproveitando companhia, uma vez que ele não tinha mais ninguém. Os avistei próximo do rio, Takeo parecia estar contando uma história a Rin e a Shippou e os dois prestavam total atenção nele, por estar de frente para mim, o mesmo me dirigiu um menear de cabeça, que eu devolvi. Passei os olhos pelo local e avistei Kagome sentada mais afastada com a cabeça apoiada nos joelhos... Será que ela estava passando mal?

Parei na frente dela, e a mesma nem parecia se dar conta de minha presença... No que será que pensava? Ajoelhei na frente de Kagome e passei a mão no topo da cabeça dela, quando a mesma me olhou, arregalou os olhos, parecendo assustada, aquilo me preocupou. — O que foi? — perguntei, quando ela pareceu se acalmar.

— Nada — ela deu um sorriso, mas eu sabia que ela estava mentindo. A olhei com uma sobrancelha arqueada, deixando claro que eu sabia que mentia — De verdade, não é nada — ela disse dando um sorriso, mas não me pareceu sincero. Já estava tarde, logo anoiteceria, o dia passou e eu nem percebi, por culpa daqueles desocupados. — Sabe, Takeo está bem melhor agora.

Eu me levantei, e sentei ao lado de Kagome, me apoiando a arvore também. Kagome estava usando um kimono preto, o que realçava ainda mais sua pele, a deixando mais bonita, os cabelos estavam presos num rabo de cavalo alto e jogados sobre os ombros, os dias que ela passou com minha mãe pareceram lhe fazer bem, mas eu ainda sentia falta de estar a sós com ela. Desde que chegou, eu não pude aproveitar um momento só com ela... Kagome puxou minha mão direita para seu colo e começou a brincar com meus dedos, achava engraçada essa mania dela. Os ambares com azul me fitando desconfortável.

— Sabe, eu estava pensando... — ela começou a falar, mas parou de me olhar — Sango e Kikyou tem uma família agora, com um bebê para poder cuidar, e irremediavelmente isso as torna mulheres... Sabe, sendo mães e cuidando de seus filhos — Kagome parecia estar preocupada demais com algum assunto e procurava meios de se distrair com outros — Mas eu me considero mãe, sempre cuidei de Shippou com muito amor e carinho; e agora posso fazer com Rin também — Kagome me olhou e deu um sorriso — Isso me torna menos mãe, por somente adotá-los?

Eu entendia no que ela pensava, que talvez quando tivéssemos nossos filhos, os dois se sentiriam menos amados, ou até mesmo intrusos, mas isso não era verdade. De todos os meios envolvidos e independente da forma, somos os pais deles... Eles sendo gerados por nós ou não — Somos os pais deles, sempre — eu disse observando as crianças que brincavam com Takeo. — Ele parece estar melhor... — Decidi mudar de assunto, Kagome parecia melancólica.

Kagome os olhou também, e somente deu um sorriso — Takeo precisava conversar Sesshoumaru. Ele estava muito mal, mestre Fujimoto era um pai para ele, desde que me recordo sempre via um carinho diferente por parte de Takeo para o mestre, e vice-versa. — Kagome parecia gostar de apreciar os momentos dos dois, isso estava claro. — Às vezes eu ficava os olhando durante meu treinamento, a forma como Takeo cuidava dele, ou o mestre se sentando ao lado dele... Bons momentos.

"Ele também contou sobre o passado dele... Deles... Algo muito triste, mas belo. Takeo estava precisando de um colo para poder despejar tudo o que sentia, e eu ofereci o meu — Kagome sorriu sem graça, e me olhou — Espero que não se importe, sabe, Takeo é mais pra um irmão que tudo... — eu assenti, sabia disso... Claro, no começo me incomodava, mas depois eu percebi que o laço deles não havia malicia nenhuma — ele me contou coisas que eu nunca pensei que contaria, por isso, sinto que finalmente, Takeo me tem como uma pessoa importante pra ele".

E ela ainda duvidava disso? Para mim estava claro que Takeo apreciava a presença de Kagome e mais ainda, apreciava tê-la por perto, ficou claro quando ele veio atrás de mim, só para impedi-la de partir. Eu somente assenti para ela, que ainda estava com minha mão entre as dela. — Kagome — Takeo a chamou, enquanto se aproximava com Rin adormecida no colo, e Shippou o seguindo — Rin acabou dormindo, acho que estão cansados — Kagome se levantou, pegando Rin do colo de Takeo.

— Obrigada Takeo, eu cuido dela agora — a mesma pegou a criança dos braços do outro. Ele a olhou estranho, mas Kagome pareceu ignorá-lo — Você vai dormir aqui? — ela perguntou, enquanto se virava para Shippou, lhe dirigindo um sorriso — Vá indo tomar banho, já te encontro.

— Certo — Shippou disse se retirando, mas não sem antes se despedir de Takeo.

— Não... Eu preciso cuidar do templo, ele acabou ficando descuidado enquanto eu estava com o mestre... — eu ainda estava no mesmo local, os observando. Takeo parecia estar triste ainda, o que era compreensível. Olhei na direção em que Shippou seguiu e o avistei seguindo com Jaken. Por incrível que pareça, Jaken se afeiçoou a ele e o ajuda com os treinamentos. Voltei minha atenção aos dois que ainda conversavam — Mas eu posso voltar outro dia, certo? — ele parecia envergonhado, e eu achei aquilo engraçado. Mas ninguém precisa saber disso.

— Claro que pode Takeo — Kagome disse passando uma das mãos nos cabelos dele, os bagunçando — É bem vindo à casa de Sesshoumaru — ele me olhou, como se pedisse permissão. A casa é de Kagome também, parece que ela não percebeu isso ainda. Eu somente dei de ombros e o mesmo me dirigiu um leve sorriso, um sorriso grato — Já sabes o caminho, e da próxima, não precisa fazer bagunça.

— Certo, — ele disse dando um sorriso para ela, depois depositando um beijo na testa dela — virei assim que puder pra brincar com as crianças, e agora você é minha única mestra...

— Por favor, sem isso de mestra para mim — ele sorriu e deu um tchau com a mão para mim, partindo rapidamente — Bem, irei pôr as crianças para dormir, depois te encontro Sesshoumaru — ela me deu um selinho, e simplesmente saiu, me deixando sentado ali. Eu sentia que Kagome estava me evitando, e eu descobriria o por que. Fiquei um tempo ali sentado, pois eu queria pegar Kagome sozinha, independente do lugar. Se eu a pegasse sozinha, ela não poderia escapar de mim, e eu descobriria o que ela está escondendo.

Já havia anoitecido quando eu me levantei. Kagome provavelmente já tinha terminado de colocar as crianças para dormir e talvez já estivesse em algum lugar sossegado, como ela aprecia. Três opções nesse momento, a biblioteca, o escritório, e claro, nosso quarto. Fui aos dois lugares primeiro e Kagome não estava lá, então ela só pode estar no quarto, conforme me aproximava o som do coração dela ficava mais forte, o que indicava que Kagome estava mesmo naquele cômodo.

Adentrei no lugar, Kagome estava em pé, olhando para a cama, de costas para mim. Quando fechei a porta, a mesma se virou assustada, me olhando com uma expressão engraçada — Se-Sesshoumaru, o que está fazendo aqui? — ela perguntou parecendo nervosa, Kagome estava engraçada. Eu a olhei com a sobrancelha arqueada.

— Acho que ainda durmo aqui — eu disse lhe dirigindo um mínimo sorriso, Kagome parecia estar encurralada, e era exatamente assim que eu queria — Vai me contar o que anda te preocupando? — eu perguntei dando dois passos à frente e ela deu dois passos pra trás.

— Não tem nada — ela disse olhando para baixo, ela estava em dúvida, eu sentia isso — Pode deixar pra lá — Mas quando ela levantou o olhar, eu avançava sobre ela. Com o susto dela tentando se esquivar, quando eu segurei na cintura dela, fez com que eu perdesse o equilíbrio e caísse sobre ela na cama — Que susto! — ela gritou e eu sorri contra o pescoço dela.

— Agora, conte — eu disse levantando a cabeça e a olhando nos olhos, mas ela parecia estar decidida a não me contar, pelo olhar de desafio que me lançava. Ajeitei-me melhor sobre o corpo de Kagome, a prendendo ao chão, levei minhas mãos a cintura dela, novamente, e segui na direção do pescoço dela — Posso ser persuasivo se você quiser... — eu disse dando um cheiro no pescoço dela, mas estranhamente, o cheiro dela estava oculto. Na verdade, desde quando ela estava comigo, o cheiro dela havia sumido. — Libere seu cheiro, Kagome.

Eu mandei, não pedi, mas Kagome não o fez. Dei uma leve mordida no pescoço dela, e eu senti o corpo dela se arrepiar — Sesshoumaru — ela disse num tom de reprimenda, mas não se movia, nem tentava se afastar. Eu comecei a dar leves lambidas e mordidas no pescoço dela, mas Kagome não falava e nem liberava o cheiro. — Tá bem! — ela disse depois de um tempo, sua respiração um pouco irregular — eu tenho algo pra dizer, mas não sei como... — Eu fui me levantar, mas Kagome me abraçou, impedindo meu movimento. Parecia que ela não queria que eu a olhasse, me acomodei novamente sobre ela, apoiando minha cabeça no pescoço dela — Bem... Certo, caramba que difícil — eu a escutava murmurar, confusa.

— Tenho todo o tempo do mundo — eu disse soltando uma das mãos de sua cintura e a parando sobre a costela dela. Eu sentia o coração dela disparado, e eu sabia que ela estava nervosa. Somente esperei ela ter coragem para me contar.

— Estou grávida — a voz dela saiu como um sussurro, mas eu escutei como se fosse um grito. Kagome, grávida. Vamos ser pais – de novo. Um bebê! Eu não sabia ao certo o que sentir, mas que eu estou feliz, isso é inegável. Kagome me deu um beijo perto do olho, por causa da forma como estávamos — Ei, você me ouviu? — ela perguntou, me balançando, mas meus pensamentos estavam à milhão. — Sesshoumaru? — ela tentou me levantar, mas eu a segurei mais forte.

— Me deixe aqui — eu disse irritado, eu querendo ficar perto dela, e ela querendo sair. Kagome parou de tentar me levantar, e passou a me acariciar nos cabelos, estávamos de mau jeito, e ela não parecia se importar com isso, nem eu. Depois de algum tempo em silêncio eu resolvi responde-la, para que ela não entendesse errado. — Eu estou feliz, obrigado — e lhe dei um beijo no pescoço. Senti a mesma sorrindo e ficamos assim, somente aproveitando a presença um do outro, durante toda a noite.

7 meses depois.

— Vamos logo Kagome! — escutei a voz de minha mãe invadindo o quarto, sim, Satori invadiu nosso quarto, mas eu nem faço ideia para que, muito menos porque, afinal eu nem sabia que ela viria. Minha mãe e Kagome ficaram muito próximas, coisa que eu nunca imaginaria, e ela ficou mais perto ainda depois que descobriu que Kagome estava gravida. — Ainda dorme! Vamos, criança, eu tenho pressa.

Eu me soltei do corpo de Kagome, o ventre saliente estava à mostra naquelas roupas da era dela. Kagome insiste em dizer que as roupas da era dela são mais confortáveis para se usar durante a gravidez, talvez seja mesmo, uma vez que o kimono poderia apertar as crianças. Ela usava aquela coisa que se chamava baby-doll, era de um tom azul muito claro, a mesma nem se moveu, mesmo com minha mãe falando alto — Antes de se entrar no quarto dos outros, se deve bater — eu disse me sentando, eu estava sem camisa, e por sorte me vesti depois de ontem... Uma vez que desde que casamos, peguei o costume de dormir nu, após fazermos amor.

— Como se eu nunca o tivesse visto nu, Sesshoumaru — Satori disse me olhando indiferente, Kagome ao meu lado pareceu em fim despertar se dando conta da outra presença no quarto, com um pouco de dificuldade se sentou e olhou um pouco assustada pra minha mãe — Temos um compromisso, você sabe, e você já está atrasada criança — Rapidamente Kagome ao meu lado se levantou, e foi se arrumar, seus passos estavam lentos, e eu sabia o porquê.

— Não devia força-la assim — eu disse a repreendendo, Kagome estava cada vez mais desconfortável com a gravidez, passando mais tempo deitada ou sentada que fazendo qualquer outra coisa. Rin e Shippou estavam radiantes, diferente do que Kagome e eu pensamos, eles não se sentiram excluídos, e sim mais ansiosos que tudo para poderem cuidar dos irmãos mais novos, como aquilo que eles são, irmãos mais velhos. Kagome estava radiante, cada dia que passava, ficava mais linda aos meus olhos, acabei pegando o costume de ficar a observando.

A forma como ela fica tomando sol no inicio da manhã ou no final da tarde, ou quando somente está sentada à sombra de uma arvore qualquer, a forma como acaricia a barriga e sorri para o nada, e principalmente a forma como ela é como mãe, o carinho que demonstra para Rin e Shippou, cuidando deles, brincando com eles, vivendo por eles... Fui retirado de meus devaneios quando percebi minha mãe me olhando, eu estava observando Kagome sem perceber, coisa que eu tenho feito ultimamente. Ela estava procurando algo, mas não sabia o que...

— Quem diria que você se apaixonaria Sesshoumaru, — Satori disse se sentando ao meu lado, uma vez que eu estava no meio da cama — e por uma humana ainda por cima. — eu a olhei indiferente, onde ela queria chegar? Na verdade Satori nunca me sondou tanto quanto tem feito ultimamente — Sabe, nunca fomos próximos, e acredito que esse jeito frio seja mais culpa minha do que de qualquer outra pessoa. Seu pai era distante, mas depois que ele conheceu Izayoi ele mudou... — Porque ela esta contando isso agora, ela nunca citava esse assunto, durante anos, ela nunca falou nada — Hoje eu o observo e vejo InuTaisho em você...

"A forma como você olha para Kagome, como você cuida dela, mesmo sem perceber, a forma como você a toca, ou arruma o cabelo dela... — ela pegou minha mão entre as suas, e me olhou nos olhos — São coisas inconscientes que você faz, porém é natural para vocês dois, você nem percebe... Tudo isso me faz ver que o amor de vocês é puro, de uma forma que eu nunca vivi, e nunca presenciei verdadeiramente até hoje. Kagome te ama muito, e você sabe, nos dias que ela ficou comigo ela só falava de você, queria saber se estava bem, como estava, o que estava fazendo... — minha mãe deu um pequeno sorriso e eu franzi o cenho — Pode não parecer, mas Kagome te ama mais do que parece. Vocês são um casal reservado... — eu a olhei como se perguntasse como ela sabe, e ela revirou os olhos — Como eu sei? Porque Kagome fala de você, mas nunca profundamente, ela não fala de vocês. Como são, como agem, como se importam..."

"Eu estou falando tudo isso Sesshoumaru, para você perceber o que tem a sua volta, enquanto ainda há tempo, porque eu acredito que ainda dê tempo de você modificar seu temperamento. Não digo você mudar completamente e com todos, mas quando estiver com sua esposa, com as crianças adotadas e até mesmo com seus filhos que ainda vão chegar, você se mostrar um pouco mais solto — eu não a olhava, simplesmente encarava o pano da cama, absorvendo tudo o que ela dizia. Porque ela vem com isso agora? — Simplesmente Sesshoumaru, eu acho que está na hora de você permitir sua família se aproximar de você, eles nunca irão te ferir, e sim te apoiar, seus filhos podem não entender um pai frio e distante, diferente de Rin e Shippou que sempre souberam como você é. Crianças não sabem fazer distinção, e você não quer que seus filhos sejam distantes de você, quer? Se permita sorrir, se permita falar... É só se permitir sentir".

— Satori, já estou pronta — Kagome disse retornando para o quarto, já vestida, usando um vestido verde claro, que segundo ela era para grávidas. Ela havia saído e eu nem havia percebido. Minha mãe assentiu a ela e se levantou, dirigindo-se a porta. Kagome se aproximou de mim, mas meus pensamentos ainda estavam focados demais nas palavras de minha mãe — Volto mais tarde, mas se caso não for voltar, eu mando um recado — a mesma sorriu e me deu um leve roçar de lábios, me deixando ali sentado. Sem prestar nenhuma atenção em suas palavras e focado demais no que eu poderia fazer.

Pov's Autora.

Kagome seguia para o vilarejo montada em Arurun, com Satori ao seu lado, ela entendia que Kagome precisava de ajuda, afinal se carregar uma criança já é difícil, imagina duas! Satori estava muito ansiosa, porque pela primeira vez conseguiu um tempo livre pra conhecer a Era de Kagome, ver com seus próprios olhos, aquilo que a jovem lhe contava com tanta tranquilidade, mas que para ela parecia ser a coisa mais incrível possível. Kagome estava indo fazer o acompanhamento da gestação na Era dela, a mesma já havia decidido, as crianças nasceriam na era atual, se fosse uma única criança ela tentaria o parto ali, mas com duas, ela sabia que iria sofrer, ela ficou sabendo do tempo que Sango demorou a dar a luz às gêmeas.

— Arurun, vamos passar rapidinho no vilarejo — Kagome disse atraindo a atenção de todos, Satori não gostou muito disso, afinal ela teria que ver humanos – claro que ela já sabia que teria que lidar com humanos na era de Kagome, mas a ansiedade a estava deixando muito nervosa -, e demoraria ainda mais para ela chegar onde queria, contudo ela não podia negar nada a Kagome. Eles chegaram à cabana de Sango e Kagome desceu de Arurun — Eu já volto — ela disse enquanto acariciava as duas cabeças do youkai. Kagome seguiu para a cabana de Sango com Satori a seguindo — Só vou olhar minhas sobrinhas e depois o meu sobrinho e seguimos para minha casa — a mesma dirigiu um sorriso a Satori que somente assentiu.

Kagome foi para bater na porta, mas nem foi preciso — Kagome! — Miroku disse abrindo a porta da cabana deles — Sabia que era você, quando eu senti essa energia, só podia ser você — Miroku lhe dirigiu um sorriso e notou que Kagome estava acompanhada, e não era de Sesshoumaru — Hm, quem é ela Kah?

— Ah, verdade, você não a conhece né? — Kagome sorriu olhando para Miroku de forma divertida — Essa é minha sogra, mãe de Sesshoumaru, Satori-Hime — a youkai apontou para a outra, os apresentando — Agora, me deixe ver minhas sobrinhas! — Kagome simplesmente o empurrou para o lado e invadiu a casa. Sango estava amamentando uma das bebês enquanto a outra estava dormindo.

— Oi Kah, nem percebi que era você — Sango disse enquanto Kagome se sentava a frente dela com um pouco de dificuldade — Ora, sei bem o que você está passando agora — disse sorrindo e estendeu a bebê que Kagome pedia com os braços estendidos, quando Kagome a pegou, Sango acariciou a avantajada barriga de Kagome — Nossa, eles estão tão grandes!

— Verdade, estão mesmo — disse sorrindo enquanto brincava com a bebê de dois meses. Satori entrou no cômodo em que elas estavam e viu Kagome com a bebê no colo, a mesma se aproximou curiosa — Sango, essa é minha sogra, Satori. Satori, essa é minha amiga Sango, e essas aqui são as filhas dela — e sorriu, voltando a dar atenção a bebê. A porta da casa sendo aberta pode ser ouvida, e logo Kagome sentiu um cheiro familiar, Kikyou e Inu-yasha entravam na cabana com o pequeno Aki, que já estava com oito meses.

— Sabia que você estava aqui Kagome, e o Aki também sabia — Inu-yasha disse entrando no cômodo com a criança nos braços, mas parou assim que viu quem estava em pé ao lado de Kagome. Kikyou não entendeu muito bem, mas parou ao lado dele e ficou olhando dele para a mulher. Aki que estava em seus braços começou a se esticar, querendo ir até Kagome, o pequeno adorava Kagome e ela gostava dele da mesma forma.

— Inu-yasha — Kagome disse devolvendo a criança a Sango e se levantando com um pouco de dificuldade, caminhando até ele que não tirava os olhos de Satori. Aki quase pulou do colo do pai para ir para o de Kagome, que o pegou, o acomodando da melhor forma acima da barriga — Olá coisa linda da titia! — ela esfregou o nariz dela no dele, que sorriu a abraçando — Inu-yasha — ela parou na frente dele, tirando o foco de Satori, Kikyou a olhou curiosa, pois ela não tinha ideia de quem era aquela youkai com Kagome, mas Inu-yasha parecia conhecê-la muito bem.

— Mas é claro... Inu-yasha! — Satori disse o olhando, o analisando. Se não fosse pelos olhos, ele seria a mãe todinho. Ele olhou para a humana ao lado dele que se parecia muito com Kagome, e ela sabia, aquela era a esposa dele, depois olhou para a criança que a fitava curiosa, escondida atrás do cabelo de Kagome — Como você cresceu...

— Feh, o que faz aqui? — ele perguntou tenso, sabia quem era aquela mulher, e se lembrava muito bem da raiva que ela tinha demonstrado a sua mãe uma vez. Ele tinha receio dela, muito mais do que qualquer outra coisa.

— Ela está comigo Inu-yasha — Kagome disse lhe dirigindo um sorriso, enquanto acariciava as costas de Aki, as orelhinhas dele atentas a tudo e estavam balançando como se mostrasse o quanto estava curioso, os cabelos dele estavam na altura dos ombros e eram tão lisos quanto os de Kikyou, os olhos chocolate olhavam para todos, analisando tudo — Só estamos de passagem, já iremos, não precisa se irritar com nada.

— Bah, esquece — ele pegou Aki dos braços de Kagome e se virou para Kikyou — Voltamos outra hora, vem — e seguiu para fora da cabana. Kagome sabia que Inu-yasha não gostava nada de Satori e respeitava isso.

— Eu já vou — ela disse se virando para Sango — Eu já estou atrasada — somente deu um tchau com a mão e se retirou da cabana da amiga junto de Satori. As duas seguiram na direção do poço, Satori não aguentava mais esperar. Quando Kagome saiu da cabana, decidiu não manter mais Arurun ali, o mandando de volta para casa. Satori olhava Kagome andar tranquilamente na direção da floresta, ela ainda não sabia como Kagome iria pra era dela, mas ficou curiosa quando viu um velho poço no meio do nada. E mais ainda quando viu Kagome se aproximando dele. — Você vai precisar segurar na minha mão.

Satori se aproximou de Kagome e ela assim o fez, a mesma simplesmente sorriu e pegou impulso, pulando pra dentro do poço, e Satori a seguiu. A mesma ficou fascinada quando percebeu o que acontecia, a tão esperada viagem entre eras acontecia e aquilo só deixava Satori ainda fascinada e ansiosa pelo o que estava por vir.