Tommy se agachou no escuro. Ele estava respirando com dificuldade. Muita dificuldade. Com tanta dificuldade, que ele ficou com medo de poder ser ouvido. Ele tinha que ser silencioso. Ele tinha que ser silencioso, e tinha que pensar.

No entanto, era impossível pensar. O coração dele estava acelerado. Ele achou que poderia explodir. Ele sentiu a batidas do seu coração muito altas em seus ouvidos. E isto era tudo que ele podia ouvir. A pistola disparou tão perto dele, que ele estava convencido que a explosão o tinha deixado surdo.

Ele sabia que o tinha deixado surdo. Ele tinha tido que prestar muita atenção nos lábios do impossivelmente largo homem que tinha atendido a porta da casa da qual ele estava agachado próximo. "Não, Mr. Potter não esta em casa." Ao menos, era o que ele achou que o gigante tinha dito. Houve uma negativa chacoalhada de cabeça para acompanhar a resposta do gigante para a próxima pergunta de Tommy, "Não, ele não sabia quando seu mestre chegaria em casa."

E então os grossos lábios se moveram irritadamente. O gigante apontou para o relógio de bolso que ele tinha acabado de tirar do colete. As mãos indicavam que já passavam das uma da manhã. "Vá embora, colega. Volte pela manhã."

Mas Tommy não foi embora. Porque ele estaria morto até a manhã.

Ele sabia como ele deveria parecer para o mordomo, se é o que o homem assustadoramente grande o vira. Coberto de lama, de quando ele tinha pulado da carruagem em frente do hall de apostas. A gravata dele estava torta, o seu casaco rasgado. Havia vestígios de pólvora fixo na pele de sua bochecha. Ele podia sentir o cheiro. Sentia também os inchaços de dúzias de golpes. E queimavam.

Mas desta vez eles não tinha conseguido colocar a bala através dele. Não desta vez.

Ele não podia dizer quem tinha atirado. Estava a usual confusão do lado de fora da casa de aposta, um amontoado de gente, metade tentando entrar, outra metade, como Tommy, tentando sair. Um minuto, ele estava empurrando através do aglomerado, depois subindo dentro da carruagem que o estava esperando, com Ron bem atrás dele.

Ou foi o que ele achou. Por que no minuto seguinte, ele caiu, e tinha se esparramado no chão da carruagem.

Foi isto que o salvou. Tropeçar. Novamente, ele tinha escorregado e sua falta de jeito tinha salvado sua vida. O tiro tinha sido mirado muito alto, então a bala roçou em sua bochecha e atingiu a almofada do assento, ao invés do cérebro dele, onde tinha sido a intenção.

Ron tinha provavelmente gritado. Tommy supôs. Mas ele não tinha sido capaz de escutar nem o som de sua própria respiração depois do primeiro tiro. O mundo ficou repentinamente silencioso, sinistramente silencioso. Ele não pode mais ouvir a incessante conversa da multidão que corria em volta da carruagem, o relinchar dos cavalos nervosos, a voz barulhenta do seu motorista, encorajando os cavalos a permanecerem calmos.

Ele sabia o que tinha acontecido. Ele soube imediatamente. E se movera instintivamente, atirando-se de encontro a porta oposta da carruagem – apenas para achar, quando ele caiu na rua, outra carruagem, cheia de meninos bêbados com a idade dele, bloqueando seu caminho.

Não importava. Ele mergulhou e rolou sob ela. Então com dificuldade, pôs se de pé e correu com o máximo esforço que pôde.

Ele não sabia aonde ir. Casa estava fora de questão. Ir para casa, quando alguém queria matar ele? Não. Ele não colocaria sua mãe e sua irmã em perigo. Depois das primeiras ruas, ele percebeu que estava indo em direção da casa do Ron. Sim, Ron o ajudaria. Lá, Ron cuidaria dele. Esperar, ele dizia para si mesmo, enquanto ele corria por perplexos vendedores de flores e damas da noite. Espere por Ron. Ele saberia o que fazer.

E então algo estranho aconteceu. Ele se lembrou do olhar perplexo de Harry Potter aquela manhã, quando Tommy tinha mencionado que tinha sido Ron quem o introduziu ao The Duke.

E de alguma forma, quando Tommy chegou à rua onde o noivo de sua irmã atualmente alugava uns quarto, em vez de parte na porta para que o marques o deixasse entrar, ele se curvou na direção do beco. Ele ficou parado lá, arfando no escuro, tentando tomando fôlego.

Ron tinha estado bem atrás dele, o ajudando a subir na carruagem, com uma mão em seu cotovelo. Ele sabia que o marques acreditava que ele estava mais bêbado do que ele realmente estava. No entanto, Tommy tinha desistido do gim desde a noite que ele levou o tiro. Ele bebia vinho na janta, e cerveja no café da manhã, mas desde a sua ferida, ele não podia suportar o gosto dos licores fortes. Então, ele tinha passado para o garçom uma moeda e sussurrou para ele trazer água,apenas água, mas num copo de gim, como os outros tinham pedido, apenas com uma laranja torcida, assim ele poderia diferenciar.

Ele não estava bêbado como Ron tinha pensado. Foi só por isso, ele percebeu, com um frio crescendo no estômago, que ele não estava morto agora.

Mas ele não podia pensar em um lugar para onde ir. Ele não podia ir para casa, e ele não podia ir para casa do Ron. Mas ele não podia ficar no beco a noite toda, não surdo como uma poste, como ele estava. Ele tinha outros amigos. Ele estava debatendo qual deles morava mais perto quando ele viu uma carruagem estacionar, a sua carruagem, dirigida por Peters. Enquanto Tommy olhava, Ron saltou do veículo e correu para a porta da frente, onde ele ficou parado pensando no que fazer.

E foi quando Tommy percebeu como ele estava surdo. Ele não podia ouvir os golpes. Ele estava a alguns metros – ele podia ver o olhar preocupado no rosto do motorista – e ainda não podia ouvir as batidas.

A porta abriu. A senhoria Wesley abriu com um xale e um chapéu de dormi, gritando com o marques, com a expressão contorcida.

Mas Tommy não podia ouvi-la.

Ela devia estar assegurado ao marques que ele não tinha recebido visitantes, desde que Ron se virou, e voltou para a carruagem.

Tommy, no beco úmido, quase foi em direção deles. Ele quase assinalou para Peters, e subiu ao lado de seu velho amigo. Porque não podia ser. Simplesmente não podia ser. Ron era amigo dele, o melhor amigo. Ele iria se casar com sua única irmã, pelo amor de Deus. Porque Ron iria querer matar ele? Ron o tinha salvado em Oxford, tinha tirado ele da beira da morte. Era ridículo pensar que Ron pudesse querer machucar Tommy.

Mas no ultimo minuto, Tommy se curvou para trás no beiço escuro. A carruagem dele partiu se movendo perigosamente rápida na rua que, mesmo tão tarde da noite, ainda estava cheia de atividade. Ele os deixou partirem, seu coração batendo freneticamente em seus ouvidos.

Idiota, seu coração parecia dizer para ele, Idiota idiota, idiota, idiota...

Alguma coisa o tinha impedido de entrar na carruagem com Ron.

Ele não podia dizer o que havia por trás da expressão de Harry Potter naquela manhã em que ele tinha mencionado O Duque. O sujeito, que já tinha atirado nele uma vez, certamente não hesitaria em fazê-lo novamente. Mas ele não estava na multidão esta noite. Tommy o teria reconhecido imediatamente. Não havia como disfarçar aquele volume terrível.

Não, não tinha sido O Duque que atirara nele. Mas ele estava quase certo que tinha sido alguém que trabalhava para ele. Tommy estava tão certo como ele estava que não podia ouvir a vendedora de laranja parado do outro lado da rua, a boca dela abrindo e fechando em silencio estranho enquanto ela vendia sua mercadoria. O Duque designara alguém para assassinar o conde de Bartlett.

E Ron tinha estado bem atrás dele na carruagem. Bem atrás dele...

Não. Era impossível. Não Slater. Slater não tinha atirado nele. Ele não faria.

Faria?

Isto não importava. Não importava quem tinha tirado. O que importava era que ele estava vivo. Ele precisava ficar vivo. Ele não podia ir para casa. Não, ele não estaria a salvo lá, e não arriscaria a vida de sua mãe e de sua irmã. Mas ele não podia ficar na rua a noite toda. Antes de seu ferimento, sim, mas não agora. Ele não tinha forças.

Mas ele também não tinha dinheiro. Ele tinha apostado tudo, na mesa de cartas. Ele não podia pagar lugar nenhum. Onde ele poderia ir? O que ele poderia fazer? E então repentinamente ele sabia. Havia um homem em Londres que ele estava certo que não era um empregado do The Duke. Um homem em Londres que ele sabia que podia confiar acima de qualquer outro.

E então ele seguiu para lá, deixando para trás o beco.

Lá chegando, precipitou-se pela entrada dos criados, na escuridão dos íngremes degraus que levavam à porta de Harry Potter, com os braços apertados de encontro ao peito, embora não estivesse tão frio. Era uma noite amena, com uma camada pesada de nuvens de chuva acima dele, rosa pela luz da cidade. Não tinha começado a tempestade ainda, mas iria. Chover, Tommy estava convencido, o mataria mais certamente do que qualquer bala. Ele estava em choque. Ele reconhecia os sinais em seu tremor incontrolável, sua batida de dente, sua pele grudada. Tommy podia apenas rezar para que antes do céu explodir, Harry Potter chegasse em casa.

Ele devia ter cochilado, agachado ali no escuro, porque lhe pareceu que enquanto orava por causa da chuva, subitamente uma luz brilhou em seus olhos, e ele percebeu que a porta da frente, alta no topo da escada, tinha sido aberta.

Ele disse um nome – pelo menos ele achou que tivesse dito. Ele ainda não conseguia ouvir a si mesmo e saiu das sombras. Uma carruagem parou ao lado do meio fio, puxadas por dois magníficos cavalos cinza árabes, que relinchavam nervosamente.

E lá estava o homem, no alto dos degraus.

Ele se virou questionadoramente na direção de Tommy. A luz da entrada da frente iluminava seu rosto, revelando plenamente seu choque quando Tommy veio cambaleando ate seu campo de visão.

Harry Potter disse alguma coisa, mas Tommy não podia ouvi-lo. Ele viu os lábios do homem se mexer, mas ele não podia ouvir o que ele disse.

E então – Tommy não sabia como isto aconteceu – ele estava caindo, enquanto algumas mãos tentavam colocá-lo de pé. Tommy tentou falar para elas o que tinha acontecido, mas ele não sabia se estava ou não falando em voz alta, porque ele ainda não podia ouvir sua própria voz.

Mas ele estava certo que estava chorando, porque ele podia sentir as lagrimas em sua bochecha, e ele só teve tempo para pensar que era uma coisa lamentável, quando um conde – mesmo jovem – chorar na frente de outro homem, especialmente um homem como Harry Potter.

E então tudo ficou preto, e a ultima coisa que ele se lembrava era daqueles braços indo em volta dele, e os lábios dele se movendo, com uma expressão que não era mais de surpresa, mas sim de preocupação.


(N/A): Oii gente! Até que saiu bem rapidinho esse capitulo hein? Por favor, não me matem por ser outro capítulo sem HH, prometo que os próximos vão compensar esses!

Apesar de tudo, finalmente Tommy descobriu que Ron - no mínimo- é um safado, cachorro, traidor, duas caras...

Muito obrigada a todos que estão lendo, principalmente a:

witchysha: Sim, sim, sim por favor escreva! Adoro as suas fanfics! Elas são: Posso ler mil vezes porque nunca vou me cansar delas! Por favor, você precisa postar elas e até o livro, iria adorar ler todas! Já ia mandar uma mensagem?Juro que tentei atualizar no período de provas, mas só era tocar no computador que vinha um sentimento enorme de culpa, mas agora finalmente acabou e que venham atualizações! E esse Harry é mesmo uma coisa não? Super tudo! Adoro ele. Espero que você continue gostando também. Feliz Natal!

Midnight: Hahahaha leitores exigentes hein? kkkkkkkkk okok em relação ao tamanho dos capítulos não posso fazer muita coisa já que sigo a ordem do livro, mas em relação a quantidade de capítulos postados... bem aí é outra, e como esses leitores são maravilhosos e deixam reviews mais maravilhosas ainda que super me incentivam, não posso prometer de natal porque já está muito perto, mas pretendo fazer uma pequena super atualização de ano novo, algo como: uns três capítulos de cada fanfic e começar outra. Vou pensar melhor nos detalhes. Tadinho do Harry hein? A mione o põe em cada furada, mas até que ele se sai bem. Ainda vai acontecer muita coisa e espero que você continue gostando. Beijoos

Marianna Thamiris: MEU DEUS como eu ri com a sua review, sério! Maravilhosa! Adorei cada pedacinho. Vamos chutar essa Cho recalcada, chacolhar a Mione para ela finalmente entender que ela está de quatro pelo Harry, e fazer o Harry assumir - oficialmente- que está apaixonadíssimo pela doce e ingenua Hermione. Até que nem esperou muito pela atualização hein? Mas pelo amor de Deus, eu preciso das suas atualizações, to tendo uma crise urgente de abstinência! Espero que você não faça, nós leitores ávidos e super viciados esperar muito, e que tenha gostado do capítulo. Beijoos.

por estarem sempre comentando e nunca me deixarem na mão.

Não sei se vai dar para postar o próximo capitulo antes do natal, mas, caso não haja nenhuma:

FELIZ NATAL PARA TODOS! Muita paz, felicidades, amor, enfim, tudo o que for de melhor eu desejo para todos! Que vocês tenham um maravilhoso natal e que ganhem muitos muitos presentes meus amores. Beijoos.