Capítulo XXVIII

~O dobro de Sakura~

No hospital, na creche e no estádio do Gamba não se fala de outra coisa: há alguém usando a imagem de Sakura para causar terríveis estragos!

Sakura chegou na creche onde estava Sholong para que ele retornasse para casa com ela, como ela sempre fazia quando terminava o expediente na delegacia de polícia e no hospital. Entrou pela porta da creche, cumprimentou as funcionárias e foi até o berçário onde ele se encontrava. Ao chegar no berçário ele não mais estava lá, ao contrário, foi recebida pelos agentes da polícia de Osaka:

– Parada aí, Sakura, mãos ao alto senão atiramos! – Disse os agentes.

Sakura sorriu um sorriso malicioso e voltou-se para os agentes:

– Vocês não veem que meu filho não está mais aqui? O que a incompetência de vocês fez com ele?

Os dois agentes não se moveram do lugar.

– Bem, se vocês não acreditam em mim, quem sabe se verem isso: carta Clow!

Sakura disparou duas shurikens com as mãos, acertando o pescoço dos policiais, matando-os imediatamente. Uma funcionária da cheche viu a ação e antes que tomasse alguma atitude como gritar a plenos pulmões para avisar a todos do ocorrido, se viu tombada no chão, segurando o pescoço que sangrava por causa daquele corte.

A funcionária deu um último olhar agonizante para o rosto sorridente de Sakura e a cardcaptor lhe respondia com uma cara de desdem e desprezo, saindo do lugar em seguida. Antes de expirar por completo, chegaram outras duas funcionárias da creche onde estava caída, tendo tempo de passar uma última informação para elas:

– Sakura… ela quem… fez…

O pescoço dela girou e seu olhos fecharam. Não havia mais vida dentro daquele corpo.

Sem encontrar seu filho na creche, Sakura foi até o hospital onde fazia residência. O objetivo era claro: buscar informações sobre seu filho que estava desaparecido desde a creche. Ninguém lá sabia a fúria com que havia tratado os agentes de polícia e os funcionários da creche, era o local perfeito para se obter informações antes que mais alguém viesse atrás de si em busca de explicações pelo que fizera e as suas intenções por trás disso.

Entrou pelo hall, chegou ao balcão de informações e perguntou desesperada para a atendente:

– Em qual a Sala o professor Shuichiro está agora?

– Senhora Kinomoto, deixa ou ver… – A atendente consultou o computador e deu a resposta em segundos – Ele está no quarto andar, sala 405.

– Obrigada! – Disse Sakura agradecida. Ela tomou o elevador e correu para a sala do orientador.

Sakura foi até a porta da sala de Shuichiro e a abriu. Seu orientador estava sentado na mesa, tomando uma caneca de café quando se surpreendeu com a visita de Sakura. Ele não esperava por ela aquela hora, ela nem se quer tinha marcado um horário com ele, como ela sempre costumava fazer nesses casos. Muito menos Sakura se sentiu a vontade naquela sala, pois um boneco de anjinho com cabelos dourados e roupas brancas estava encima de sua mesa:

– Senhor Shuichiro! Quanto tempo! – Sakura correu para abraçá-lo, mas seu orientador não saiu da posição séria que estava e muito menos mudou sua feição. Pelo contrário, permaneceu do mesmo jeito.

– O senhor não vem me abraçar? Então receio que eu vou ter que ir até o senhor então… – Sakura correu até onde estava o mestre, com um objeto cortante oculto em suas mãos, mas parou com um grande susto que teve. O boneco de anjo encima da mesa do orientador se transformou em um anjo de dois metros de altura com uma face belíssima. Com o susto que teve, Sakura correu até a porta e fugiu do hospital pelas escadas de emergência. Olhando a cena, Shuichiro disse:

– Eu nunca abraço ninguém…

– Mas vai ter que me abraçar Senhor Shuichiro; esse foi o preço que combinamos, certo? – Disse Kohaku, o anjinho que se transformou.

Shuichiro fez uma cara de quem perdeu uma aposta e telefonou para a polícia de Osaka.

No seu escritório, o superintendente Makoto recebeu a ligação de Shuichiro:

– Doutor Shuichiro, o senhor está querendo me dizer que foi assediado por sua aluna, Sakura Kinomoto, em seu consultório? Isso é grave, é gravíssimo. Vou tomar uma atitude drástica sobre isso. Para a sua segurança e a da Sakura. Até.

Makoto ficou calado por um tempo, tomou um copo de água e chamou sua secretária pelo ramal:

– Ayumi, quero que você lance hoje mesmo no sistema um mandado de prisão para Sakura Kinomoto. Sim, mobilize todos os agentes de polícia, feche as estradas e vigie as estações. Ela, definitivamente não pode sair dessa cidade! Fale para a Hikaru ajudar com os cães policiais e o Subaru investigar… eu estou indo para as ruas.. eles já estão aqui é?

Makoto desceu até a garagem da delegacia e se encontrou com os agentes Hikaru e Subaru:

– Acho bom que vocês estejam aqui. Hikaru, quero que você faça uma busca com seus cães policiais; Subaru, quero que você rastreie Sakura com seus… como posso dizer… shikigamis em forma de pássaro; não deixe ela escapar por nada daqui de Osaka! – Disse Makoto, num tom seríssimo. Hikaru disse:

– O lenço que a Sakura deixou aqui é mais que suficiente pra gente encontrar ela, mas Super, posso sugerir uma coisinha? – Disse Hikaru.

– Sim, pode falar.

– Não acha melhor a gente mandar os agentes no estádio do Gamba hoje? Vai ter jogo deles contra o Vissel Kobe, pode ser que ela esteja lá com ele, afinal a Sakura está tão estranha hoje…

– Pode ser, minha preocupação é com os dois agentes que morreram hoje… uma tragédia! Uma tinha até uma filha pequena… Respondia Makoto, com o queixo apoiado na palma da mão do braço cruzado.