Capítulo XXVIII – O Mundo Invertido

betado por Anaisa

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"O mundo é um palco, e homens e mulheres, não mais que meros atores. Entram e saem de cena e durante a sua vida não fazem mais do que desempenhar alguns papéis."

-Como Gostais, Shakespeare

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A temperatura do corpo caído rivalizava com a do mármore gelado embaixo dele. A pele nua não se arrepiava com o vento que vinha da janela, as pálpebras não tinham mais força para permanecer completamente fechadas ou abertas, revelando parcialmente olhos que nunca mais seriam utilizados. A boca, também entreaberta, encontrava-se agora completamente seca, assim como a trilha que a saliva marcou na pele ao escapar na direção do mármore. O sangue, que antes bombeava quente, banhando os órgãos e irrigando entranhas, agora permanecia parado, esfriando gradualmente nas veias e artérias da carcaça do que um dia fora um ser humano.

Não havia marcas de uma possível causa de morte. O corpo parecia em perfeitas condições, mas estava frio e inativo. Aquilo que um dia fora uma pessoa repleta de sonhos, manias, defeitos, qualidades, frustrações e sentimentos... agora não passava de uma mera carcaça.

Não... aquela não parecia uma mulher morta e sim um mero resíduo que a falecida deixara para trás depois que a morte veio lhe buscar.

Exceto que a originária dona daquele corpo estava morta já algum tempo... o que simbolizava que quem sofrera o impacto do morte daquele receptáculo de carne fora a hospedeira mais recente.

Foi essa a conclusão que Draco chegou ao ver o corpo de Mystery Hills jogado de qualquer forma no carpete. Logo que pousou os olhos nela pareceu-lhe incrivelmente óbvio que estava morta.

Era estranho a forma como tudo ao redor dela não mudara. Nada parecia ter se afetado com sua morte. As estrelas ainda brilhavam no céu escuro lá fora. O vento ainda passava uivando pela janela e balançava as folhas. O fogo da lareira ainda crepitava serenamente e iluminava o local.

Como se o evento da morte daquela mulher não fosse nada demais. Como se o não funcionamento do corpo que hospedava Narcissa Malfoy não significasse absolutamente nada. Como se o universo não se importasse nem um pouco com o desespero de Lucius que teve que ser afastado da cena pelos colegas de trabalho de Draco.

Como se não importasse que Narcissa fora uma dama influente da alta sociedade, inteligente, poderosa e brilhante. Como se não importasse que Draco acabara de perder a pessoa que mais o amava no mundo. Como se fosse um evento corriqueiro e normal alguém perder a pessoa que amara desde o primeiro dia de sua vida com e que iria amar até o último.

Não. Nada demais.

Só mais uma alma pra um ceifador.

Mais um corpo para as gavetas do necrotério.

Nada diferente.

Só mais uma noite comum.

-Draco? – Caled Wilkes perguntou cuidadosamente, sem receber nenhuma reação do homem que, inexpressivo, encarava o corpo morto que costumava pertencer a Mystery Hills. Agora coberto apenas por um roupão de banho.

-Draco! – o amigo chamou novamente, dessa vez, com um pouco mais de força, fazendo com que ele lentamente desviasse sua atenção para ele. – Cara, vai para casa. Eu sei que você conhecia a Srta. Hills. Eu posso cuidar disso.

-Não. – Draco respondeu, tentando imprimir firmeza à voz. – Eu vim aqui pra fazer meu trabalho, ela morreu por causas desconhecidas e nós...

-Draco! – dessa vez foi Poliakoff quem falou. Com certa impaciência. – Não é uma opção. Você está pessoalmente envolvido no caso agora. Vai ter que se retirar dele.

Draco apertou os punhos. Encarara por tanto tempo o corpo morto no chão e agora que conseguira tirar os olhos dele tudo o que menos queria era voltar a vê-lo.

Sem dizer mais uma palavra, caminhou até a porta. Ao se aproximar da saída pôde ouvir seu pai. A voz tão distorcida e desesperada que ele não soube como reconheceu. Parou por um segundo e forçou-se a dar uma última olhada para Mystery. Mais especificamente, para seu pescoço, onde esperava ver a grossa corrente da esmeralda branca. Só viu pele. Pele que de tão pálida chegava a ser cinza.

Fechou os olhos e andou.

Não foi na direção do seu pai mesmo quando o ouviu lhe chamar. Não queria chorar a morte de Narcissa. Não queria aceitar. Não queria o luto. Não queria os procedimentos que seguiam uma morte. Não queria. Ele não precisava aceitar isso. Ele não precisava superar. Nunca havia esperado que isso acontecesse então porque deveria fazer o que era esperado dele? Por que deveria atender aos caprichos da morte? Por que deveria recebê-la e lidar com sua visita quando ela nem anunciara que viria?

O que Draco queria era pausar o mundo por um instante. Pausar sua mente. Pausar sua existência. Queria poder se desligar só por algumas horas e não sentir nada. Talvez assim, quando voltasse, ele tivesse alguma ideia do que poderia fazer. Talvez pudesse achar uma forma de reverter o relógio só algumas horinhas para poder impedir o que aconteceu. Sabia que o tempo era linear, mas só uma dobrinha... só uma pequena dobrinha... será que era pedir demais?

Sem saber como foi parar em sua própria casa, Draco não lembrava muito bem porque seus pés subiam as escadas, mas alguma parte do seu cérebro devia saber o que estava fazendo. A parte que Draco tinha consciência nem lembrava claramente que aquela era sua mansão. Mal reconheceu o quarto que entrou, mas quando se jogou de frente na cama, afundou seu nariz no travesseiro e o cheiro floral invadiu suas narinas, a realidade pareceu cair pesadamente sobre ele.

Seu grito ecoou, mesmo abafado pelo travesseiro, tão gutural e tão forte que passou rasgando pela garganta. Machucando. Draco não soube por quanto tempo gritou, mas quando parou, sentiu o gosto de sangue. Socou o travesseiro e a inutilidade disso lhe foi frustrante. Levantou a cabeça para o quarto com decoração feminina. Frio, impassível e calmo perante os acontecimentos.

Radicalmente contrário ao que queria alguns segundos atrás agora ele queria sentir. Mas não só ele. Queria que o mundo todo sentisse a morte de Narcissa. Aquela impassividade o estava deixando louco. Os sons calmos da noite que vinham do lado de fora pareciam ensurdecedoramente altos.

A única pessoa que poderia tornar aquele momento mais tolerável estava em algum lugar desconhecido e ele não tinha nem mesmo certeza de que um dia a veria novamente.

Então ele se levantou. Agarrou um dos pés da cama e a virou com um rugido alto. O som das armações batendo no chão e do dossel quebrando-se pareceu, por um breve instante, aliviar um pouco o sentimento opressor dentro do peito de Draco. Pareceu preencher um pouco o vazio de sua mente e perturbar a indiferença fria do mundo.

Então a próxima coisa que fez foi enfiar o punho no espelho de cabeceira com toda força que podia.

O som. A dor. Seu próprio sangue correndo quente. Talvez alguns ossos quebrados. O vidro estraçalhado. Um breve momento de alívio.

A cômoda, a janela, a cadeira, a cama, o colchão, os travesseiros, os lençóis, os candelabros, os livros... os sons de rasgo, vidro se quebrando, de móveis pesados contra o chão, de madeira se partindo... a dor, seus ossos quebrando, o sangue saindo, os músculos sendo forçados...

Arrancou as gavetas do grande armário e as arremessou com violência antes de atirá-lo no chão. Então parou, olhando para as roupas que caíam das gavetas espalhadas pelo quarto. Ajoelhou-se, sentindo vidro perfurando suas vestes e espetando seus joelhos. Agarrou uma peça, dessa vez com mais delicadeza, e a levou ao nariz.

Então as lágrimas saíram. Quentes. Tão quentes que pareciam queimar sua pele. Sua garganta fechou-se dolorosamente e por vários momentos ele mal conseguiu respirar. Encostou-se à parede, ainda sentado no chão no meio dos destroços da sua destruição e chorou, agarrado a camisola branca, como se não fosse apenas um pedaço de pano e sim a dona dele que estivesse ali, murmurando-lhe palavras de conforto e acariciando sua cabeça.

E apenas naquele momento ele entendeu que havia perdido Narcissa para sempre. Sua mãe, sua linda e amorosa mãe, sua perfeita e imortal mãe, a única pessoa que o amava de forma completamente incondicional... havia sido arrancada do mundo. Arrancada da existência. Arrancada de Draco.

Inesperadamente.

Brutalmente.

Irreversivelmente.

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-Draco. – alguém o chamou. – Draco, acorde!

Draco levantou os olhos para quem o chamava, encontrando seu pai. Já era dia e a luz do sol entrava pela janela aberta e banhava o quarto de claridade.

-Filho, levante. – Lucius mandou. Mas fora a ordem mais gentil que Draco um dia recebera dele.

Obedeceu, demorando a entender porque havia dormido de mau jeito contra a parede no meio de um quarto completamente destruído. Ao perceber que seu pai não o encarava, Draco seguiu o olhar dele para sua mão, onde ele ainda segurava fortemente a camisola branca de Ginevra.

-Você é como ela. – Lucius disse. Sua voz saindo baixa, como um sussurro. – Você ama como Narcissa amava. Desesperadamente. Beirando a loucura. – ele franziu o cenho, reconsiderando enquanto olhava ao seu redor. – Mas isso é um eufemismo para a sua situação.

Draco não respondeu. Não estava muito orgulhoso de ter destruído o quarto de Ginevra. Não sabia muito bem porque havia feito isso. Porque de todos os lugares da casa ele decidira quebrar aquele quarto especificamente. Talvez pela frustração de não tê-la consigo no momento que mais precisava dela. No momento que mais precisava enterrar a cabeça em seu colo acolhedor e esquecer do mundo em seus braços macios.

-Eu preciso dela. – ele admitiu para o pai. - Para consegui passar por isso. Ela saberia o que me dizer. Ela me diria como agir. Ela faria tudo ficar bem.

Lucius sorriu sem humor.

-Coitada. Você coloca muita responsabilidade nos ombros dessa garota. – ele brincou, sem real humor. – Deve ser difícil para ela tentar manter essa imagem perfeita que você criou.

-Ela não é perfeita. – Draco disse.

-Chega de falar disso. Weasley não está aqui. Mas você não precisa dela. Precisa da sua família. Do seu pai, de sua tia. Pessoas que entendem sua perda.

-O que aconteceu com a minha mãe? Eu não entendo! Como isso foi acontecer?

-Alguém roubou o colar.

-Mas ela não precisava usar o colar o tempo todo.

-Sim, podia tirar por algumas horas. Mas o corpo de Mystery já estava a expulsando... então a minha suposição é que alguém lhe tirou o colar e ela ficou tempo demais sem ele e acabou... – Lucius interrompeu sua narrativa para engolir o nó que ameaçava se formar em sua garganta e controlar seus olhos de arderem.

Aquela não era hora para ser fraco.

-Não sei, pai. – Draco respondeu. – Isso está tudo muito estranho. Quem pegou aquele colar? Quem estava atrás dele e por quê?

-Draco, hoje essa é a última coisa que eu quero pensar... por favor. – Lucius pediu. – O que eu quero é tirar o dia para me despedir da sua mãe.

Draco apertou os olhos, entendendo finalmente o que ele queria dizer.

-Eu NÃO vou ao enterro.

-Draco, por favor. – Lucius pediu.

-Não, pai! Eu não posso! Não posso lidar com a mídia... eu não vou conseguir me segurar na frente daquelas pessoas.

-Filho... – o pai tinha um tom conciliatório. – Esse não é o enterro de sua mãe. É o enterro de Mystery. Nós nos recusamos a acreditar, mas sua mãe já está morta há um tempo.

A expressão raivosa de Draco com as palavras do pai o fizeram recuar.

-Me perdoe, filho. Mas é verdade. Talvez devêssemos tê-la deixado ir. – ele continuou, pigarreando para clarear a garganta. – Mas não. Eu sempre tenho que dar um jeito de quebrar as regras, sempre acho que minha vontade está acima de tudo e sua mãe... ela nos amava demais para nos deixar. Então ela ficou, mas agora... – ele respirava profundamente, como se cada palavra que saísse de sua boca lhe causasse um tremendo desgaste. – Agora eu acho que devemos deixa-la morrer em paz.

Draco encarou o pai por alguns segundos. As palavras dele flutuando em sua mente antes que seu cérebro atribuísse sentido a elas.

-Vou me arrumar.

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-Foi tão lindo o que você disse lá em cima, Lucius! – Bellatrix Lestrange soluçou, de braço dado com o do cunhado. – Uma falta de elegância os pais daquela mulherzinha quererem te tirar de lá.

Lucius apenas concordou, desanimado.

-Eu só quero ir pra casa agora. Estou cansado.

Draco podia perceber. Havia círculos escuros embaixo dos olhos do seu pai. Seu corpo todo parecia implorar por descanso.

-Então vá para a casa e descanse bastante porque hoje à noite, o Lorde das Trevas, em sua misericórdia, vai nos conceder consolo. – Bellatrix falou, sem conseguir conter a excitação na voz. – Está promovendo uma reuniãozinha. Um evento fechado para os comensais mais íntimos. Pegaram vários integrantes da Ordem e nós vamos nos divertir um pouco com eles. – ela terminou, piscando sugestivamente.

-Acho que eu vou ter que deixar pra próxima. – Draco declinou.

-Baby, não é opcional. – Bellatrix refutou. – O Lorde faz questão da sua presença, Draco. Talvez ele tenha capturado alguém do seu interesse.

Draco balançou a cabeça negativamente.

-Eu conheço o time que capturou esse pessoal da Ordem. Se eles estivessem com Ginevra teriam me avisado imediatamente.

Bellatrix deu de ombros.

-Só sei que ele faz questão da sua presença. Talvez então seja algum amiguinho dela. Talvez se você dobrar bem aquela galerinha hoje eles digam onde ela está.

Draco respirou fundo, fechando os olhos e sentindo o sol no seu rosto. Estava absurdamente frio e ele desejou que nevasse logo.

-Então está certo. – respondeu. – Vejo vocês de noite, acho.

-Vai te fazer bem, meu querido. – Bellatrix lhe assegurou. – Um pouco de diversão pra afogar as mágoas. Nunca vamos realmente superar, mas...

Ela não conseguiu mais falar. Andou na frente dos dois e, com o rosto banhado de lágrimas, desaparatou. Draco ainda ouviu um soluço antes do estalo costumeiro.

Não, ele realmente achava que não iria superar.

Mas precisava desesperadamente achar a única pessoa no mundo que poderia entender e diminuir a sua dor. Ginevra já havia passado por isso. Ela sabia como era perder a mãe!

Sabia como era perder o pai. Como era perder todos os seus irmãos...

Draco passou a mão pelos cabelos.

Como ela conseguia amá-lo mesmo ele tendo parte na ruína de sua família? Será que a amaria dessa forma se viesse a descobrir que fora ela quem matara sua mãe?

Sentiu um arrepio horroroso percorrendo sua espinha só com a ideia. Saiu de seus pensamentos com a mão forte de Lucius em seu ombro.

-Não pense demais, meu filho. Vá para casa, descanse e a noite vá se divertir. – ele aconselhou.

Draco precisou forçar um fraco sorriso para demonstrar concordância.

Nunca ia entender o que viam de divertido naquelas reuniõezinhas macabras do Lorde. Reuniões que ele sempre tentava evitar, a todo custo.

As pessoas costumavam achar que era por responsabilidade. Que ele não gostava de farrear porque estava muito compenetrado no seu trabalho e na sua obsessão por achar Ginny... mas a verdade é que revirava o estômago de Draco sequer pensar nas atrocidades que aconteciam nessas reuniões.

Nas poucas vezes em que fora só conseguia pensar o que Ginny iria pensar de tudo isso. Tentava afastá-la de sua mente naqueles momentos, mas ela sempre voltava. Sempre horrorizada pelo que estava acontecendo e por Draco estar ali. Testemunhando aquilo tudo parado, fingindo rir e se divertir.

Tudo o que ele NÃO precisava era disso naquele momento. Mas ordens de Voldemort são ordens de Voldemort.

E talvez não fosse tão ruim descarregar um pouco de sua raiva em algo que gritasse ao invés de objetos inanimados.

Não importava que a voz de Ginevra fosse atormentá-lo a noite inteira, se esse fosse o preço a pagar para encontrá-la.

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Meia noite, em ponto, Draco entrou no castelo do Lorde das Trevas. Admirando a magnânima construção, ponderou que, mesmo intitulado como Ministro da Magia, Voldemort vivia como um verdadeiro rei. E nada nunca parecia o suficiente para ele. Mesmo depois de conseguir tudo o que queria ele nunca parecia satisfeito. Nunca parava. Nada parecia fazê-lo feliz. Chegava a ser assustadora a insatisfação crônica do Lorde das Trevas.

Com sua máscara e suas vestes de comensal devidamente colocadas, Draco andava ao lado de alguns companheiros igualmente mascarados. Eram apenas naquelas ocasiões que eles usavam os típicos trajes de comensais.

Podia sentir seus companheiros vibrando em antecipação dos horrores que iriam presenciar e causar naquela noite. Apenas uma parcela dos seguidores do Lorde estaria presente essa noite. A parcela mais sanguinária. A que, na guerra, não matara e torturara porque acreditava em uma causa e sim pelo prazer da carnificina.

As pessoas tinham a impressão de que todos os comensais eram assim, mas ficariam surpresas com a quantidade deles que eram atormentados pelas coisas que tiveram de fazer na época da guerra... as torturas continuavam até hoje, mas a maioria apenas fazia vista grossa e deixava o trabalho sujo para aqueles que realmente o apreciavam.

Draco tentara se forçar a ser um deles. Achara um lado tão obscuro de si mesmo em suas tentativas que muitas vezes acabou gostando. Mas agora... depois de tudo, depois de Ginevra... não era particularmente sensível, mas não sentia prazer nenhum no que estava prestes a ser obrigado a fazer.

O silêncio ao redor deles parecia aumentar a expectativa. Quando eles se aproximaram das largas e grandes portas que davam para o Salão, estas se abriram lentamente. O rangido ecoando perturbadoramente pelos corredores.

Revelou-se, assim, diante deles o enorme salão de bailes do castelo, grande o suficiente para acolher um batalhão. Estava à meia luz, as cortinas das grandes janelas ao longo do salão estavam devidamente fechadas. Havia uma música tocada por apenas instrumentos invisíveis e um par de comensais deslizava pelo salão, rindo com entusiasmo.

Mais a frente, havia o trono do Lorde, em um patamar bem mais elevado que o resto do salão. Lá a forma imponente e charmosa do Ministro da Magia descansava, olhando com divertimento para os seus servos que dançavam.

Ao avistar o grupo na porta, levantou-se, sua sombra no chão e na escadaria que levava ao seu trono bem maior do que ele próprio.

Fez um gesto para que os servos se aproximassem e eles o fizeram. Os comensais que estavam dançando e outros que estavam sentados se aproximaram da escada que levavam ao trono e se curvaram na frente do Lorde, que olhou com satisfação para cada um deles.

Draco se perguntou por que os seguranças do Lorde estavam a postos nas escadas do trono. Usavam as máscaras de comensal e tinham a marca negra, mas ao invés das vestes típicas de comensais eles utilizavam roupas de combate escuras e possuíam a varinha sempre a postos. Além de serem três vezes maiores do que qualquer bruxo normal.

-Meus leais servos. – ele começou. – Esta é uma noite de alegria e diversão para vocês. Meus mais confiáveis servidores que não hesitam em trabalhar duro para manter a apática população segura da ameaça dos muggles. – ele praticamente cuspiu a última palavra.

Alguns comensais sussurraram em concordância. Curvado, Draco continuou impassível. Quase podia ver a expressão de nojo que Ginevra faria se o visse se curvando para aquele homem.

-Hoje eu chamo vocês aqui para parabenizarmos Ravena Mulciber e Clítia Parkinson, que não só acharam as principais sedes da Resistência como também lideraram o grupo que aniquilou algumas das maiores ameaças ao nosso governo. O perigo que o restante pode nos causar é praticamente nulo e é uma questão de tempo até que sejam encontrados. Eu sou um senhor extremamente feliz por ter servos tão competentes e fiéis.

Ele sorriu maleficamente, em uma pausa cheia de expectativa.

-Mas chega de enrolação, não é? Está na hora de servir o jantar.

Ao lado de Draco, os comensais se ergueram quando o Lorde gritou algumas ordens. Por portas laterais, mais comensais-seguranças entraram, trazendo consigo pessoas acorrentadas. Algumas lutavam raivosamente contra as correntes e gritavam, outras pareciam aterrorizadas e algumas, inconscientes, vinham sendo arrastadas pelo chão.

Todos em péssimas condições. Com marcas de luta por todo o corpo, ossos quebrados, hematomas, feridas infectadas... Draco avistou vários rostos conhecidos. Uma parte sentiu uma onda de pavor ao reconhecê-los, mas outra ficou feliz. Os amigos de Ginevra deviam saber onde ela estava, se pressionasse os botões certos com eles...

Não iria tentar com Remus Lupin. Ele definitivamente não sabia onde ela estava. Havia o torturado até não poder mais e mesmo assim não conseguira arrancar nenhuma palavra dele. Draco avistou com certa satisfação Dean Thomas no meio dos prisioneiros. Ele parecia ansioso. Olhando para os prisioneiros ao seu redor, especialmente para as mulheres, como que procurando alguém. Ele estava bastante certo em temer por ele mesmo e por seus amigos. Nenhum deles sairia inteiro de lá.

-Mas antes de começarmos... – Voldemort interrompeu quando os comensais avançavam com olhares famintos na direção dos prisioneiros. – Senhores, podem trazer nossa convidada de honra, por favor.

Draco, assim como os outros comensais, virou-se curiosamente para a porta lateral que Voldemort olhava. O barulho das correntes se fizeram presentes antes dos seguranças que as puxavam.

E Draco sentiu o chão fugir de seus pés quando ele viu o que as correntes envolviam. A pele branca contrastando com o pequeno vestido preto, as pernas bem torneadas realçadas pelos saltos tão pretos quanto o vestido, o vermelho de seus cabelos tão intenso quanto o vermelho do seu batom, e a esmeralda verde brilhando em seu colo. Ginevra Weasley adentrou no recinto, escoltada por seguranças que a levavam rudemente até o trono de Voldemort. Ela não lutava, mas seu rosto parecia transtornado. Como se ela estivesse com medo e preferisse estar em qualquer lugar no mundo menos ali.

Foi quando ela começou a vasculhar os rostos mascarados dos comensais com o olhar foi que ele acordou do choque. Ela o estava procurando.

Avançou na direção dela em movimentos rápidos, mas foi bloqueado pelos seguranças, enquanto os outros que escoltavam Ginevra a faziam subir as escadas até Voldemort, que tinha os braços abertos na direção dela.

-Ginevra! – Draco gritou.

Ao percebê-lo, Ginny tentou mudar de trajetória em sua direção, mas foi puxada violentamente pelas correntes que restringiam seus pulsos e quase caiu para frente e de cara nos degraus. Cambaleou escadas acima e Voldemort tirou suas correntes das mãos do segurança e a puxou até que ela estivesse em seus braços.

Quando ela tentou se libertar para correr até Draco o ministro a abraçou por trás. Um braço envolvendo sua cintura enquanto a outra mão puxava as correntes fortemente.

-O que diabos... ? – Draco começou raivosamente. Com os olhos arregalados de fúria e confusão por trás de sua máscara.

-Muito obrigado, meu caro Malfoy. – Voldemort agradeceu de forma exageradamente pomposa e educada à Draco. – Por ter cuidado dela. Por ter assumido responsabilidade por Ginny Weasley como eu lhe pedi há tantos anos atrás. Seus serviços foram inestimáveis enquanto minha Ginny não se fazia necessária.

-Minha Ginny? – Draco sussurrou. Desviou o olhar para o rosto de Ginny. Era uma expressão sofrida e ao mesmo tempo... culpada. Como se ela estivesse pedindo desculpas a Draco e ansiasse por lhe explicar alguma coisa. – Meu Lorde, o senhor me disse que aprovava meus planos para Ginny...

-Eu aprovo que você tenha anseio por casar com uma bruxa puro sangue. Aprovo que tenha levado a sério a responsabilidade que eu entreguei há anos atrás. Mas agora sua parte está concluída, meu leal servo. E seus serviços em relação à Ginny estão dispensados.

A mente de Draco se encontrava um turbilhão. O mais terrível e apavorante desespero tomava conta dele e seu corpo todo se tornou gelado e insensível. Uma contradição ao seu coração que batia fortemente, batidas quase dolorosas de tão fortes que reverberavam por todo o seu corpo e pareciam muito altas aos seus ouvidos.

-Não, isso não pode... – Draco começou fracamente.

-Ah vamos lá, meu rapaz. Não fique assim. Eu fui caridoso não fui? Deixei você se divertir com ela por todos esses anos! Não foi bem minha culpa que você a perdeu pela maior parte do tempo... – Voldemort riu, subindo a mão para o rosto de Ginny e segurando seu rosto, mantendo-o firme tempo o suficiente para que mordesse sua bochecha.

Mulciber e Parkinson, as comensais encarregadas de capturarem a Weasley e outros membros da Ordem, trocaram olhares. Haviam perdido alguma coisa? Desde quando Voldemort tinha interesse em uma das líderes da resistência ao seu governo? Só podia ser alguma genial estratégia política. Só podia.

Com os olhos, Mulciber fez uma pergunta a Parkinson que só respondeu com o balançar de ombros. Ravena voltou a encarar Weasley, que tremia nas mãos do Lorde naquele vestido preto que apertava e valorizava seu corpo magro e curvilíneo. Seus cabelos ruivos caíam em bonitos cachos até a cintura e pareciam mais vermelhos do que nunca. Da cor de sangue até. Talvez pela iluminação.

A comensal lambeu os lábios. Aquela vadiazinha havia derrubado vários de seus amigos na batalha de algumas noites atrás que resultaram em sua captura... iria adorar colocar as mãos nela e fazê-la pagar por aquilo.

Percebeu que alguns comensais ao seu redor, provavelmente alguns que já haviam sido atingidos pela forte guerreira da Ordem da Fênix exultavam de vê-la naquela posição, nas mãos do Lorde, tão exposta e indefesa. Ansiavam por colocar as mãos nela. Ansiavam por fazê-la desejar nunca tê-los desafiado. Por fazê-la desejar nunca ter nascido.

-Ah, Milorde, por favor... – uma voz de um comensal não resistiu e começou a pedir. Sendo interrompido por um gesto dele.

O Lorde das Trevas sorria, satisfeito, vendo a reação de seus comensais mais próximos à mulher em seus braços.

-Por mais que eu aprecie a volúpia de vocês, meus comensais, Ginny é minha. – ele proferiu fortemente. – Eu sei que muitos de vocês gostariam de se vingar, de vingar o sangue dos nossos que ela derramou... – continuou, agarrando-a pelo pescoço, exibindo-o para os comensais que, incentivados, mexeram-se com animação. - ... mas não posso arriscar que vocês destruam a minha chave para imortalidade.

Uma atmosfera de confusão e excitação tomou conta, os comensais murmuravam entre si, especulando as palavras do Lorde. Draco, ainda tendo sua passagem bloqueada pelos seguranças tentava processar as palavras do Lorde sem conseguir tirar seus olhos ansiosos de Ginevra.

-Foi você quem permitiu que ela escapasse da Mansão! – Draco acusou Voldemort depois de alguns segundos processando o discurso.

-Sim. E ela fez um trabalho esplendoroso em me mostrar o caminho para um dos quartéis-generais da Ordem. – ele respondeu. – Não que eu já não soubesse há um tempo onde todos eram, só precisava de confirmação. E das condições apropriadas para atacar. Condições todas providenciadas por esse anjo em meus braços!

Ele exclamou dando um beijo estalado na bochecha de Ginny, fazendo-a empurrá-lo instintivamente.

-Draco, por favor, me perdoe. – ela pediu, com a voz embargada falhando nas últimas sílabas.

-Quieta! – Voldemort ordenou.

Quando ele desviou sua atenção para sentar-se no trono ela viu uma oportunidade para correr para longe dele, mas antes que pudesse sequer dar um passo, ele a puxou pelas correntes fazendo-a cair em seu colo.

-Essa é toda a explicação que vocês merecem por hoje. – Voldemort anunciou. – E podem começar com a diversão, agora que eu já estou servido da minha.

Até os comensais mais distraídos e compenetrados em Draco, Voldemort e Ginny perderam o foco com essas palavras e, excitados, avançaram em cima dos prisioneiros. Acorrentados e indefesos, seus corpos já caíram com baques surdos nos primeiros feitiços. Alguns homens já se aproximavam das mulheres mais jovens, abrindo as calças.

-Não! – Ginny bradou no colo de Voldemort, tentando se levantar. – Não! Você disse que não os machucaria! – ela gritou desesperada ao ouvir os gritos de desespero. Alguns gritavam especificamente por ela.

-Eu disse que não os mataria. – Voldemort corrigiu, parecendo estar achando tudo muito engraçado. – Não que não os machucaria! Há uma diferença, querida Ginny.

Com a resposta, Ginny o empurrou com as duas mãos, lutando contra as dele, tentando colocar os pés no chão. Mas Voldemort a puxou pelas correntes, firmou as pernas dela em cima de si e pressionou o rosto da mulher contra seu pescoço.

-Oh Meu Deus, mas como minha menininha é sensível! – ele exclamou em um tom falsamente compreensivo, como quem mima uma criança nada razoável. – Pronto, pronto, não precisa olhar!

Ginny tremia nos braços dele. Seu corpo tinha espasmos, como se estivesse tentando se libertar, mas o aperto de Voldemort devia ser mais forte do que parecia, pois ela aparentava se esforçar excessivamente, sem mal conseguir se mexer.

Draco de repente sentiu-se enjoado. O mundo pareceu girar ao seu redor e ele pensou que iria vomitar no segurança a sua frente. Sentiu suor frio escorrendo pela sua nuca. Sabia que era a visão de Ginevra nos braços do Lorde das Trevas que lhe fazia mal, mas ele não conseguia desviar o olhar. Não conseguia entender o que estava acontecendo. Não conseguia sequer respirar.

Sua visão foi fechando, escurecendo até que a única imagem nítida foi o trono no qual Voldemort, o Lorde das Trevas, a razão pelo mundo de Draco estar tão envolto de escuridão, segurava e restringia Ginevra, a única brecha de luz e esperança.

Voldemort o levara para a imundice, sujara suas mãos de sangue, o fizera comprometer seu caráter, sua mente, sua alma. Ginevra era sua redenção, que tentava com todas as forças puxá-lo da lama, trazê-lo para a luz. E agora, a única fonte de Luz da vida de Draco estava sob o poder do Lorde das Trevas.

Draco estava pronto para desmaiar. Pronto para fraquejar.

Até que seus olhos se encontraram com os dela. Foi por apenas um segundo que seus olhos se cruzaram, pois o Lorde continuava puxando-a para si para bloquear sua visão, mas foi o suficiente, para fazer o foco de Draco voltar, e o suor frio cessar. Endireitou-se novamente em uma postura ereta, seu olhar direcionando-se a Voldemort.

O Lorde pareceu notar a mudança de atitude de Draco mesmo que seu olhar estivesse direcionado para os outros comensais, pois virou o rosto em sua direção imediatamente. Analisou-o, impassível, por alguns segundos, antes que sua expressão se contorcesse em um sorriso charmoso.

-Parem. – ele disse, ainda olhando para Draco, mas direcionando-se aos comensais. Quando eles não obedeceram, bradou: - PAREM!

Os gritos dos prisioneiros e as risadas dos comensais cessaram instantaneamente, só restando o arfar difícil, os sons de choro e o cheiro cada vez mais forte de sangue e outras coisas igualmente desagradáveis impregnando o ar.

-Sr. Malfoy. – ele começou, em um tom condescendente. Tirando Ginny do seu colo e levantando-se, ainda segurando as correntes que a prendiam, fazendo-a tropeçar para a frente quando ele andou. – Eu trouxe presentes muito bons para meus comensais, o mínimo que o senhor pode fazer é aceitá-los. Por que não se juntou aos outros? – o tom dele era falsamente casual, e na última frase seu olhar endureceu com uma ameaça implícita.

-Eu não acho que vou torturar mais ninguém. – Draco respondeu, olhando-o diretamente nos olhos, sem nem ao menos piscar.

Voldemort arqueou as sobrancelhas, como que descrente com a ousadia do rapaz. Então jogou a cabeça para trás e uma risada fria escapou de seus lábios. Tão gélida e cheia de promessas macabras que a temperatura do ambiente pareceu diminuir consideravelmente.

-Ah é mesmo? – ele perguntou, aproximando-se. Ginny, logo atrás dele, agarrou seu braço.

-Não. Por favor, não. – ela pediu baixinho. Tão baixinho que Draco só entendeu pelo movimento de seus lábios.

Voldemort apenas moveu o braço bruscamente para longe dos dedos dela.

-E posso saber por que não? Por que vai rejeitar uma honra que seu Lorde lhe dá de tão bom grado? – ele perguntou, parecendo estar se divertindo imensamente com aquilo. Seus olhos negros brilhando com a atitude de Draco.

-Não vejo torturar inocentes como uma honra, Ministro. – Draco respondeu, sua voz tranquila contrastando com a tensão palpável do ambiente. – Eu não estou com humor pra isso.

Voldemort riu sarcasticamente.

-Não está com humor? E o que você quer fazer então, Sr. Malfoy? O que sugere que façamos para celebrar já que não gosta de dar a esses criminosos a punição que eles merecem?

-Eu não sei o que vocês vão fazer. Mas o que eu vou fazer é pegar a minha garota de volta. – E com essas palavras Draco avançou, apontando a varinha diretamente para Voldemort.

Quando os seguranças se colocaram no seu caminho, Voldemort, ainda com um sorriso sarcástico em seus lábios, fez um gesto para que o deixassem passar. Mesmo sem entender, Draco continuou avançando, sua varinha apontada para o sorriso descarado do Lorde das Trevas, o homem a quem ele servira por tantos anos.

-Não! – bradou Ginevra, se colocando na frente de Voldemort e estendendo uma mão com a palma aberta na direção de Draco. – Draco, você tem que parar!

Draco hesitou por uns segundos. Ginevra parecia extremamente assustada. Depois sua fúria pareceu voltar, multiplicada em seu peito. O que aquele bastardo havia feito para deixá-la assim? Sentiu-se ferver do mais puro ódio ao ver Voldemort apertar o ombro nu de Ginevra e empurrá-la para fora do caminho.

-Não, não, meu bem. – ele disse. – Se Draco quer me desafiar... – e seu olhar se extinguiu de qualquer humor: - Então venha.

Ginny prendeu a respiração assustada quando Draco gritou um feitiço na direção de Voldemort. Tão tomado estava pelo ódio que o comensal nem ao menos percebeu qual maldição lançara na direção do Lorde das Trevas até que longos cortes se fizessem presentes por todo o seu corpo e sangue começasse a sair profusamente deles, manchando sua pele pálida e suas vestes de um vermelho escuro.

Sectusempra. A maldição que Potter havia usado contra ele há tanto tempo.

Aproveitando o momento de fragilidade do Lorde, Ginny correu na direção de Draco, distraindo-o por alguns segundos da reação de Voldemort e da poça de sangue que formava em seus pés.

-Draco. – ela sussurrou urgentemente, agarrando sua mão que segurava a varinha com as duas dela.

O contato entre as peles teve um efeito estranho. Sentiu como se uma descarga elétrica passasse dela para ele. Por um instante, teve a impressão de ter visto faíscas saírem de suas mãos unidas.

-Ele vai se transformar, você precisa... AH! – ela gritou de susto quando as correntes em seus pulsos foram puxadas e ela foi brutalmente arrastada na direção de Voldemort que tinha um olhar assassino em seu rosto.

-Deixe-a ir, Voldemort! – Draco gritou, mas quando tentou avançar na direção dele os seguranças o bloquearam. Draco havia até mesmo esquecido deles. E dos outros comensais que assistiam à cena, estupefatos.

Sentiu um soco explodir em seu maxilar antes que pudesse reagir, e outro, vindo de uma direção diferente, bem em seu estômago. Dobrou-se com a dor e a falta de ar, sem saber o que doía mais. Tentava superar-se rápido para ver o que estava acontecendo com Ginevra. Quando conseguiu levantar os olhos para Voldemort ele ainda sangrava, encarando-o com ódio. Os olhos negros pareciam encarar dentro de sua alma, ver seus maiores medos e multiplicá-los, prometendo-lhe horrores a níveis que ele nunca nem havia imaginado existir.

Se Draco não estivesse com tanta raiva, teria temido daquele olhar. Mas não tinha cabeça para se preocupar com o que aconteceria consigo mesmo quando era Ginevra quem estava acorrentada nas mãos daquele demônio.

-Que tolice da minha parte. – Voldemort começou. – Ter esperanças de que sua devoção pelo seu senhor fosse maior do que seu amor por essa... – virou-se para Ginny, tomando uma mecha de seu cabelo e esfregando os fios entre dois dedos antes de puxá-los dolorosamente, fazendo-a contorcer o rosto. - ... garota.

Ele estava ficando gradualmente mais pálido pela perda de sangue, mas continuava em pé. O primeiro sinal que deu de estar sentindo a maldição foi olhar para o teto e suspirar. Antes de direcionar o olhar a Ginny.

-Venha, meu bem. – ele sussurrou para ela, que, para a surpresa de Draco, obedeceu.

Diante dos olhos incrédulos dos comensais e apavorados dos membros da Ordem capturados, a esmeralda no pescoço de Ginny começou a brilhar. Primeiro tímida, e então intensamente. Por baixo das vestes de Voldemort, na altura do seu peito, uma luz prateada acompanhou a verde, ultrapassando o tecido e espalhando-se pelo corpo de Voldemort, percorrendo-o até envolvê-lo por inteiro.

Os cortes ao longo do corpo de Lorde Voldemort brilharam, uma luz dolorosa de se olhar, antes de se fecharem. A (pouca) cor voltou às faces de Voldemort e foi como se nenhuma maldição o tivesse atingido, a não ser pela evidência em suas roupas manchadas e na poça de sangue no chão. Ele respirou fundo, tateando o próprio corpo sob o olhar estupefato dos presentes no salão e levantou os olhos satisfeitos na direção de Ginny, que havia se afastado quando a luz envolvera o corpo de Voldemort.

Ela ficou mortalmente parada enquanto o homem se aproximava dela em passos lentos. Os comensais pareciam ter se recuperado do choque e comemoravam, com exclamações incrédulas, pelo "milagre" que haviam acabado de presenciar. Murmúrios excitados e gritos de incentivo ao Lorde tomaram conta do ambiente enquanto Draco arregalava os olhos para Ginny.

A ruiva, sem se mover, foi então envolvida pelos braços de Voldemort. Ele se curvou um pouco para acolhê-la melhor em seus braços. Seu corpo ensopado de sangue sujando-a.

-O que está fazendo? – Ginny perguntou mais firmemente do que Draco esperaria.

-Te agradecendo, my lady.- ele respondeu calmamente. Então envolveu um braço em sua cintura, pegou uma das mãos da garota e começou a se mover.

Quando ela endureceu o corpo, tentando evitar o contato, ele riu e a tirou do chão, rodopiando com ela. Sua risada macabra enchendo o salão.

A orquestra ministrada apenas por instrumentos voltou a tocar, embalando a dança de Voldemort. Draco não conseguia ver o rosto de Ginevra, mas percebeu que ela não lutava. Estava mortalmente complacente enquanto Voldemort dançava com ela ao redor de seu trono. Os comensais, excitados pelos acontecimentos magníficos daquela noite e pelo triunfo do Lorde, fizeram pares e bailavam entre si.

Eram poucos os comensais que estavam completamente sóbrios ali. A maioria acreditava aproveitar melhor essas reuniões privadas de Voldemort depois de devidamente intoxicados com álcool e drogas estimulantes.

Clítia e Ravena, que não estavam sóbrias, mas não estavam exatamente bêbadas, trocaram olhares nervosos. Sem entender a cena que se desenrolava à sua frente.

Ginny Wealsey era a chave da imortalidade de Lorde Voldemort? Ela não estava na lista dos mais procurados do país? E depois ela não era noiva de Draco? Que história era essa agora?

Mas ali não havia espaço para questionamentos. Então quando um comensal puxou Ravena para dançar ela deixou-se levar, da mesma forma que Clítia. Elas eram servas. Não deviam questionar seu senhor.

E, sinceramente, suas vidas eram tão boas que não tinham por que. Voldemort sabia o que era melhor para eles e só um estúpido para questionar sua vontade e sair de sua lista de favoritos.

Mas ninguém parecia ter explicado esse conceito para Draco Malfoy, que parecia ficar cada vez mais indignado e enojado com a visão de Voldemort dançando com a garota. Enquanto os olhava, se recuperava dos golpes e, fingindo recuar, Draco raciocinava rapidamente tudo o que acontecera naquela noite... uma luz prateada... uma luz esmeralda... o colar de Ginevra... dois colares... chave para a imortalidade... Salazar Slytherin... linhagem dos Black...

-SEU BASTARDO! – o grito de Draco saiu com tanta força que seu corpo todo reverberou. O eco de sua voz pelo salão fez a música parar bruscamente. Os comensais, assustados, pararam de dançar e rir, direcionando os olhares incomodados para Voldemort que, calmamente, colocou Ginny no chão. – FOI VOCÊ! VOCÊ A MATOU! VOCÊ MATOU MINHA MÃE!

Ginny arregalou os olhos na direção de Draco, mas franziu o cenho logo depois, olhando com horror e confusão para Lorde Voldemort que sorriu de lado.

-Você não é tão lento quanto eu pensei que fosse.

-Do que ele está falando? – Ginny perguntou.

Isso fez a diversão de Voldemort aumentar mais ainda.

-Você não contou para ela, Draco? – perguntou, cinicamente. – Escondendo coisas assim da mulher que supostamente ama. Mas que vergonha...

Draco lançou ao homem xingamentos tão horrorosos que voltou a ser golpeado pelos seguranças enquanto os comensais arregalavam os olhos e murmuravam entre si, desconfortáveis. Draco Malfoy era um dos mais fiéis seguidores do Lorde. Estava acima de todos eles, mesmo sendo tão novo. O que estava acontecendo ali? Por que ele estava se voltando contra o Ministro que só lhes dava regalias e alegria?

-Eu sei como Narcissa tem vivido. – ela disse, chamando a atenção de Draco, que levantou os olhos. – Mas o que ele quer dizer com...

-Meu coração, - Voldemort começou, sarcasticamente, pegando as mãos dela entre as suas e beijando-as. – Você acha que Narcissa ia sobreviver sem o colar? Acha que ela ia permitir que eu o tirasse dela tão facilmente? – e voltou-se para Draco. – Eu não a matei, Draco, Narcissa já está morta há anos. Eu só impossibilitei que ela continuasse usando corpos de inocentes. – virou-se para Ginny com um sorriso zombeteiro. – Esse não é o tipo de coisa que você gosta, hã, minha heroínazinha? Está feliz por eu ter impedido mais mulheres de morrerem por causa de Narcissa?

-Ginny, não era dessa forma... – Draco tentou se explicar.

O olhar que ela lhe direcionou foi carregado de compaixão.

-Enquanto você tinha que aprender a lidar com a perda de TODA sua família, esse mimadinho não aceitou nem mesmo perder a mãe. Saiu matando mulheres que não tinham nada a ver com nada para não ter que aceitar a morte dela. É esse o tipo de homem que você quer ao seu lado, minha Ginny?

Draco esperou que ela lutasse contra as mãos de Voldemort. Que ela protestasse as palavras dele. Que se debatesse contra os grilhões e tentasse correr. Mas Ginny apenas abaixou a cabeça. Olhando para os próprios sapatos.

-Foi o que eu pensei. – Voldemort riu, com satisfação, antes de se voltar para os seguranças. – Levem-no daqui. Amanhã ele será transferido para a Ceifatorus.

-NÃO! – Ginny gritou ao ver Draco lutando contra os seguranças que tentavam contê-lo com golpes, cercando-lhe. – Não! Tom, você prometeu! – ela exigiu do Lorde das Trevas, que comprimiu os lábios, olhando-a com desgosto por alguns segundos.

-Ótimo então. – ele concedeu, parecendo extremamente contrariado. – Vamos mantê-lo preso só enquanto providenciamos seu exílio. Está bom assim, meu raio de sol?

Ginny fez que sim, ignorando o tom raivoso e ameaçador de Voldemort.

Draco olhou de um para o outro, sentindo-se completamente insensível. Sem entender. Por que agora Voldemort estava atendendo a pedidos de Ginny? Meu Deus, ela teria barganhado com ele? Teria feito algum trato horroroso de servi-lo para que fosse poupada a vida de Draco?

Os papéis haviam acabado de se inverter em um espaço de curtas horas?

Estava tão perdido nos seus pensamentos transtornados que mal percebeu que estava sendo arrastado. Isso até direcionar o olhar até os prisioneiros. Jogado no chão, com o rosto para baixo, Remus Lupin arfava. Seu corpo se contorcendo em ângulos estranhos. O som de sua respiração era estranho. Mais alto do que de um ser humano normal... parecia encher o salão todo. Draco não entendia como ninguém estava dando atenção a ele.

Quando ele levantou a cabeça não foram olhos humanos que encaram Draco. Foram os olhos de uma fera. As palavras de Ginevra finalmente fizeram sentido na sua mente.

"Ele vai se transformar"

Foi aí que uma luz branca captou a atenção de Draco por sua visão periférica. Por uma pequena fresta entre as cortinas de uma janela ele pôde ver.

A lua cheia.

Remus iria se transformar. Ela estava falando de Remus Lupin.

Com um movimento impossivelmente rápido de varinha, Draco a apontou na direção de Lupin, do outro lado do salão, e lançou um feitiço. Instantaneamente o homem se libertou dos grilhões e o som que saiu de sua garganta fez com que os comensais pulassem para trás e se afastassem correndo dos prisioneiros enquanto Lupin se transformava rapidamente diante dos seus olhos, as roupas transformando-se em frangalhos no processo.

Jogados no chão os membros da Ordem não pareciam particularmente preocupados com o lobisomem impossivelmente enorme entre eles. Estavam mais preocupados em aproveitar a distância dos comensais para acudirem uns aos outros.

-Não fiquem parados aí seus idiotas! – Voldemort gritou, vermelho em sua fúria pela reação covarde dos comensais. – Ataquem.

Draco ficou imensamente feliz por Greyback não ser um dos convidados de honra para essas reuniõezinhas. Lembrava-se que, em segredo, o Lorde havia confessado que considerava o lobisomem uma aberração, mesmo que ele lhe fosse útil.

Alcoolizados, drogados e nem um pouco preparados para uma luta, alguns comensais até tentaram lançar feitiços contra Lupin, mas a maioria tentava fugir, em total e irracional desespero.

Os que tentaram lutar apenas atiçaram o lobo que investiu contra eles e deu início a um verdadeiro massacre. Draco não esperava a satisfação que o tomou ao ver seus colegas sendo massacrados. Não esperava a satisfação doentia de ver o lobisomem separar a carne dos ossos deles, de ouvir os gritos de horror, de ver o sangue deles espirrando e fazendo enormes poças no chão, esguichando e manchando as paredes e cortinas.

Vale destacar: sangue puro.

Na verdade, Draco sentiu-se tão satisfeito com aquilo que aproveitou que os seguranças pareciam mais preocupados com o lobisomem do que com ele e lançou feitiços contra os outros prisioneiros. Os libertando.

E eles não perderam tempo. Se uniram ao lobisomem contra os comensais. Seus corpos exauridos e maltratados respondendo apenas ao mais básico instinto de sobrevivência. Instinto que os levaram a pegar as varinhas que repousavam nas poças de sangue dos comensais abatidos e começar a lançar feitiços contra o restante.

Ao ver que os seguranças corriam para conter os prisioneiros, Draco lançou feitiços contra eles.

-LEVEM-NO DAQUI! – Voldemort berrou, um dos seus braços agarrava Ginny contra o seu corpo. – TIREM-NO DAQUI! AGORA!

Então Draco sentiu, de direções diferentes, várias maldições atingirem seu corpo com tanta força que foi tirado do chão.

Quando a gravidade o puxou novamente, lutou para não desmaiar com a queda, mas a consciência lhe escapava. Os sons e as imagens ficando cada vez mais afastados, como se Draco tivesse entrado em um túnel e se afastasse gradualmente da entrada dele.

Antes de perder completamente a consciência pensou ouvir os gritos de Ginevra. Não conseguiu distinguir suas palavras, mas ouviu seu nome.

X

Dizem que quando temos um problema, a melhor coisa que podemos fazer é dormir. Ajuda a tirar a pressão, a colocar nossa cabeça no lugar... algo a ver com as químicas que nosso cérebro libera no sono que nos tornam mais propensos a resolver problemas. Além de podermos relaxar naquelas horas abençoadas de inconsciência e acordarmos prontos para enfrentar o que der e vier. Havia até aquela expressão "I'll sleep on it". Que quer dizer que a pessoa vai pensar no problema, vai deixa-lo cozinhando na sua cabeça até chegar a uma solução sensata.

Essas pessoas que diziam todas essas baboseiras podiam todas sefoder na concepção de Draco.

Durante os anos que seguiram a fuga de Ginevra, a noite nunca fora uma aliada para Draco. Descansava, mas tinha sonhos envolvidos de tensão. Todos envolvendo a ruiva em diversas situações de perigo. E quando ele tinha sorte e eram sonhos bons, acordava para uma realidade horrível e só se sentia mais desesperado e mais frustrado pela ausência dela ao longo do dia.

Tivera noites de sono magníficas no tempo que a teve perto de si. Depois que ela confessara seus sentimentos por ele.

Por todo esse tempo, Draco achara que o pior de tudo, dos anos que havia passado sem ela, era não saber. Não ter notícias, não ter nem idéia de onde ela estava. No entanto, ele entendeu da forma difícil que ignorância é, de fato, uma benção.

Foi por isso que, ao acordar, antes mesmo de abrir os olhos, o primeiro instinto de Draco foi virar a cabeça e vomitar. Sua sorte foi que alguém virou o seu corpo de forma que não se sujasse. Quando Draco abriu os olhos a primeira coisa que percebeu foi que havia vomitado em um balde.

Ainda meio grogue pelo sono e pelo enjôo, sentiu alguém limpar sua boca com um pano e sentá-lo em uma superfície dura. Quando abriu os olhos, ainda meio tonto, percebeu estar em um quarto extremamente pequeno, com paredes brancas e sujas. Estava sentado em uma maca encostada a parede.

Encostou a cabeça na parede, respirando fundo para conseguir se recuperar do enjoo.

-Argh. Agora essa. Temos que servir de babá pra comensal da morte. – ele ouviu uma voz terrivelmente familiar reclamar.

-A pedido de Ginny. Você é a última pessoa do mundo que tem o direito de questionar um pedido de Ginny. – dessa vez, uma voz feminina repreendeu. Uma voz feminina ainda mais familiar.

Quando o mundo parou de girar ao seu redor e Draco conseguiu focalizar a visão na mulher a sua frente, quase deu um pulo para trás. E teria se todos os músculos do seu corpo não protestassem com o movimento.

-Hey, calma cara. – ela lhe disse. Sua posição não parecia ameaçadora, mas sua voz deixava claro que ela não era bem uma fã de Draco. – Relaxa. Estamos do seu lado.

-A pergunta não é se a gente está do lado dele. – a voz masculina e extremamente irritante disse. Tinha um quê de arrastada que fez Draco se perguntar se a sua própria costumava ser tão irritante daquela forma. – E sim se ele está do nosso lado.

-Okay, Zac! – a mulher virou-se impaciente para encarar o homem, seu corpo bloqueando a visão de Draco. – Já contribuiu o suficiente, mas não acho que você vai querer ficar perto desse aqui quando ele recuperar os sentidos.

Levou um tempo para Draco perceber o que Nymphadora Tonks queria dizer com aquilo.

O homem fez um som de escárnio. Mas quando Draco, ainda meio tonto, tentou se mover para ver quem era, ele saiu rapidamente do quarto. Deixando a porta entreaberta.

Tonks revirou os olhos e fechou a porta antes de se voltar para Draco.

Conforme Draco acordava, apesar do dor e do enjôo, mais seus pensamentos clareavam. Arregalou os olhos para a porta, sentindo seus punhos se fechando como que involuntariamente.

-Você o chamou de...

-Você não comece também! – Tonks exclamou. – Se deita de novo. Você ainda está se recuperando e não vai ser nos ser útil assim, vomitando pelos cantos! AI MEU DEUS, EU MANDEI DEITAR!

-EU NÃO QUERO DEITAR! – Draco berrou de volta. – Eu quero saber onde eu estou e o que diabos eu estou fazendo aqui!

Tonks olhou para o teto, como que invocando paciência. Seus cabelos eram de um sóbrio castanho escuro.

-Ai meu Deus do céu. Eu não mereço isso.

Draco já estava começando a ficar impaciente. O fato de seu corpo estar dolorido como se ele tivesse acabado de correr uma maratona de 30km, as persistentes pontadas de dor na sua cabeça e o enjoo que revirava seu estômago só pioravam seu humor. Tentou se levantar para se aproximar da mulher. Seu porte intimidante geralmente era o suficiente para conseguir extrair todas as respostas que queria de qualquer um, mas quando tentou, o mundo girou ao seu redor, e ele precisou sentar-se novamente e fechar os olhos.

-Eu disse! – Tonks acusou ao vê-lo sentar novamente, mais pálido do que o normal. – Só to avisando, se for vomitar de novo usa o balde ou VOCÊ MESMO vai ter que limpar!

Draco não respondeu. Não entendia como aquela mulher irritante podia ser ligada a ele por sangue. Sua voz só contribuía para aumentar a náusea.

-Onde eu estou? O que você está fazendo aqui?

-Você está a salvo. – Tonks disse, um pouco mais suave. – É só isso que precisa saber.

Draco, apesar do enjoo, foi capaz de abrir os olhos e fixar os de Tonks. Seu olhar parece que foi o suficiente, pois viu a expressão raivosa dela mudar para uma mais cautelosa antes de ela continuar a falar:

-Depois que você libertou os prisioneiros da Ordem, Ginny pediu que eles o trouxessem de volta. Porque você estava todo machucado, desmaiado, sangrando e babando no chão. Aí eles trouxeram porque são todos lesos. Então você tá aqui agora, e a gente não sabe o que fazer com você, mas por via das dúvidas estamos te mantendo vivo.

-Isso não responde minha pergunta, responde?

Tonks respirou, tentando mascarar o visível desconforto de estar sozinha com o homem que parecia ficar cada vez mais intimidante a sua frente.

-Você está com a Ordem da Fênix em uma das nossas sedes especiais. As da superfície foram quase todas descobertas então tivemos que descer.

-Descer? – Draco perguntou. – Estamos...

-Debaixo da Terra. Pois é. – Tonks confirmou.

-E Ginevra, onde está? – Draco perguntou, ansioso.

A expressão da metamorfomaga caiu.

-Voldemort desapareceu com ela antes da Ordem conseguir dominar os comensais. – ela respondeu com a voz consideravelmente mais baixa.

-Meu Deus. – Draco suspirou, colocando a cabeça entre os joelhos ao sentir uma vertigem forte. Tentando desesperadamente controlar o enjoo. – Não é possível. Como isso foi acontecer?

-Agora você sabe como nos sentimos quando VOCÊ a capturou. – Suzan então revirou os olhos novamente. Draco considerou dizer-lhe o quanto ela ficava horrorosa quando fazia isso. – Agora vai se limpar e desce. O pessoal quer falar com você.

-Pessoal? – Draco ainda perguntou, tendo como única resposta o baque ensurdecedor da porta quando Tonks a bateu atrás de si ao sair do quarto.

Descansou novamente a cabeça na parede, respirando fundo, tentando vencer o enjoo. Quando sentiu que seria seguro levantar, o fez bem devagar. Percebendo que haviam tirado suas vestes e o deixado apenas com as calças.

Uma porta levava ao banheiro então ele adentrou e lavou o rosto com água fria. Molhando toda a cabeça, incluindo o cabelo. Isso pareceu despertá-lo um pouco mais e fazê-lo sentir-se menos enjoado, mas ainda não completamente recuperado.

Seus músculos ainda doíam. Era difícil até andar. Seu corpo se recuperava dolorosamente de todas as maldições que recebera dos comensais. De repente lembrou-se do ataque a Hogwarts há tantos anos e como McGonagall recebera uma grande descarga de maldições ao mesmo tempo quando tentara apagar o fogo da cabana de Hagrid.

De certa forma lhe parecia irônico que ele acabara de passar pelo mesmo que sua ex-professora de Transfigurações.

Alongou os músculos e encarou seu próprio corpo seminu no espelho.

Quem o visse nunca diria que ele estava tão destruído como se sentia. A imagem a sua frente era de um homem mais do que saudável, com músculos bem desenvolvidos, e um porte naturalmente elegante. Olhos cinzas que se destacavam no rosto e tinham uma profundidade inexplicável, porém envolvente. Os cabelos loiros, agora molhados e desordenados, pareciam quebrar um pouco o conjunto um tanto ameaçador que era a aparência de Draco.

Durante anos ele trabalhara seu corpo e sua magia a extremos. Queria ser forte o suficiente para Ginevra. Queria ser mais forte do que qualquer força do mundo que pudesse voltar-se contra ela. Talvez parte dele sempre soubesse que Voldemort iria querê-la de volta. Talvez, inconscientemente, Draco tivesse passado todos esses anos se preparando para esse dia.

Mas ele não havia se preparado para perdê-la.

Depois de se secar, vestiu uma camisa que encontrou no pé de sua maca e calçou seus sapatos. A camisa era azul, com uma citação de alguém chamado Bob Marley na frente. Era um tanto apertada demais para ele.

Quando saiu do quarto teve que apertar os olhos para conseguir enxergar no corredor mal iluminado. Avistou uma escada e decidiu descê-la já que Tonks o mandara se limpar e descer.

O lugar todo tinha um clima meio horripilante. Não havia qualquer tipo decoração e a tinta das paredes parecia estar descascando, mas era difícil dizer no escuro. Um cheiro enjoativo de mofo tomava conta do ambiente e a ausência de janelas o enervava um pouco. A iluminação vinha de lamparinas posicionadas ao longo das paredes.

Avistou uma iluminação mais forte em um cômodo do primeiro andar e seguiu até ele, ouvindo vozes cada vez mais altas conforme se aproximava. Seus passos eram rápidos. Tinha pressa. Pressa de esclarecer a situação toda. Quanto mais tivesse consciência do que estava acontecendo mais rápido poderia montar um plano e agir. O que não poderia era ficar parado, passivamente, enquanto o Lorde das Trevas fazia sabe-se lá o que com sua Ginevra.

Seus passos eram propositalmente fortes, então não precisou anunciar sua chegada. Os burburinhos morreram quando ele adentrou sem cerimônias no cômodo, bem mais iluminado que o resto do lugar. Vasculhou com o olhar os rostos que o encaravam, vendo vários conhecidos. Muita gente que ele achava estar morta. Muitos que ele nunca mais vira e outros de quem ele sinceramente esquecera da existência.

Estava bem consciente do quanto sua presença preenchera o local. A atmosfera tornou-se subitamente tensa. Como se boa parte do ar tivesse saído quando Draco entrou. Uma enorme mesa se estendia no meio do cômodo, várias pessoas sentadas ao redor dela.

A sombra de seu corpo alto e musculoso na meia luz também não era exatamente reconfortante.

-Caaara. – uma voz aérea e tranquila cortou a tensão, chamando a atenção de Draco e de todos os outros. Fora um jovem magro com expressão aérea e olhos suspeitosamente vermelhos quem falara. – Pode ficar com a minha camisa. Ficou MUITO melhor em você.

-"Don't let them change you." – uma garota extremamente familiar leu. Antes de rir sarcasticamente. – Se ao menos a gente tivesse dado essa camisa para ele ANTES da guerra.

-Então... – Draco começou. Sua voz profunda parecendo encher o cômodo mesmo que não tivesse falado muito alto. – Alguém vai me explicar o que está acontecendo?

-Claro que sim, Draco. – Remus Lupin respondeu. Ele não estava sentado em uma cadeira como os outros e sim em uma poltrona acolchoada que parecia imensamente confortável. Do jeito que Remus havia se posicionado nela, e a forma como não descolara as costas nem a cabeça da poltrona ao falar com Draco, era um claro indicativo do seu cansaço. – Por favor, sente-se. – ele indicou uma cadeira a sua frente.

Draco sentiu uma inesperada pontada de culpa ao saber que era grande parte da razão por Remus se encontrar debilitado daquela forma. E ainda assim o homem o tratava com respeito.

Talvez por isso tenha decidido sentar-se ao invés de baixar o punho na mesa e exigir, aos berros, explicações sobre tudo.

Enquanto caminhava percebeu que várias pessoas lhe lançavam olhares de puro ódio e cochichavam entre si. Compartilhando a revolta e a repulsa que sentiam pelo comensal.

Draco não podia se importar menos com isso. Também não era nenhum admirador dos integrantes da Ordem da Fênix. Sentou-se na frente de Remus.

-Temos muito o que discutir. – Remus declarou, respirando fundo.

-Muito, de fato.

Draco virou-se com o cenho franzido para a porta para encarar quem dissera aquilo e pulou da própria cadeira ao se deparar com comensais da morte. Tateou a calça em busca de sua varinha, sem acha-la. Olhou alarmado para os outros, que pareciam terrivelmente calmos na presença dos servidores de Voldemort.

-Snape, Torrence. – cumprimentou Alastor Moody assim como alguns outros. Torrence adentrou sem cerimônias, sentando-se ao lado de Bones, parecendo extremamente familiarizado com todo aquele lugar.

-Como vai, Draco? – ele cumprimentou ao perceber que o loiro o encarava. – Ótimo vê-lo aqui.

-O que está acontecendo aqui? – ele perguntou, direcionando o olhar para Snape, que se limitou a levantar uma sobrancelha em sua direção.

-Draco, faça o favor de se sentar.

-É, primo. Estamos entre amigos aqui. – Tonks fez um gesto para que ele volta-se a se sentar.

Ainda alarmado, mas sem ver muitas outras opções, Draco esperou até que Snape tomasse seu lugar antes de voltar a se sentar.

Depois de alguns segundos de grave silêncio, no qual os membros da Ordem o encararam e trocaram olhares tensos, Draco perdeu a paciência e baixou a palma aberta na mesa com força, a fazendo vibrar.

-Snape é um agente duplo. – Acusou uma mulher, assustada. Draco pensou reconhece-la de Hogwarts, mas não se lembrava direito.

-Ele sempre esteve do nosso lado. – outro falou em tom de desdém. – Engole essa, comensal.

-Ele não é mais comensal. – um outro murmurou para o primeiro.

-Uma vez comensal, sempre comensal.

-Severus? - Draco perguntou, olhando diretamente para o homem.

A expressão dele era completamente indecifrável. Pareceram intermináveis os breves segundos em que ele apenas encarou Draco antes de responder:

-Eu já fui fiel ao Lorde das Trevas. Mas isso foi há muito tempo.

Estupefato e confuso, Draco sentiu-se desabar. Afundando na cadeira, passou a mão pelos cabelos, tentando colocar os pensamentos em Ordem.

Mesmo tendo se voltado contra o Lorde naquela noite Draco não pode deixar de sentir um gosto amargo na boca ao descobrir a traição de Snape. Não por qualquer sentimento de lealdade que ainda pudesse nutrir por aquele homem perverso que era o Ministro e sim por ter sido enganado por tantos anos, por nunca ter percebido nada.

-Francamente, me surpreende que você não tenha desconfiado. – Snape comentou em um tom que Draco só conseguiu entender como desdém.

-Como eu ia saber?

-Bom. Hoje estamos todos cheios de surpresas. Para ser bem sincero, Draco, não pensei que você teria coragem de fazer o que fez essa noite. – Snape admitiu. – Ainda mais por uma garota.

-Ah, as coisas que não fazemos pelas nossas garotas não é mesmo, Snape? – Remus provocou, piscando para Draco que não entendeu porque o mestre de Poções ficou tão desconfortável com o comentário.

-Não importa porque eu fiz o que fiz. O que importa é que eu quero Voldemort morto e enterrado e estou disposto a fazer o que for preciso para que isso aconteça. Isso não quer dizer que virei amiguinho de vocês, então é melhor não se sentirem muito confortáveis com a minha presença. Me terão como um aliado enquanto eu achar que vocês tem alguma utilidade para o meu propósito.

-Você nunca muda, não é mesmo Malfoy? – se a voz que se dirigiu a Draco não fosse tão carregada do mais puro ódio não teria chamado tanto a sua atenção.

Quando levantou os olhos para a pessoa que praticamente gritara sentiu o sangue ferver em seus músculos e subir para o seu cérebro.

-Thomas.

-Dean, por favor... – começou alguém a esquerda de Draco, em um tom conciliatório.

-Não! – gritou Dean. – Eu quero saber que porra este filho da puta esta fazendo aqui! Depois de tudo o que ele fez contra nós!

Ao lado dele, ainda sentada, os olhos de Suzan Bones brilhavam em concordância, um brilho assassino. Sua boca comprimida em uma linha. Todos os seus músculos tensos, como pronta para atacá-lo.

Draco revirou os olhos.

-E o que eu fiz para vocês, Thomas? – ele perguntou, voltando a relaxar em sua cadeira e entortando a cabeça para um lado, inquisitivamente. – Por favor, isso é sobre Ginevra.

Ao dizer o nome dela um certo desconforto passou pelo cômodo.

-Ela me escolheu e você não consegue lidar com isso. – Draco disse simplesmente.

Um sorriso perverso formou-se nos lábios de Dean. Uma expressão sarcástica que fez Draco querer franzir o cenho. Como se ele tivesse algum trunfo.

-Te escolheu? É isso o que você pensa que aconteceu? – Dean perguntou, rindo com sarcasmo, visivelmente alterado.

-É, Thomas. Foi isso o que aconteceu. Ela me ama, e não a você. – Draco respondeu, a atitude de Thomas começando a realmente lhe irritar.

-Oh, por favor! – Dean bradou.

-Rapazes, por favor... – começou Remus, aparentemente sem forças para continuar quando Dean voltou a falar.

-Ela pode ter chegado aqui com essas ideias. Mas logo percebeu que aquilo não passava de imaginação e que eu, - e bateu no próprio peito ao dizer isso. – Sou o que ela precisa.

-Você está mentindo, Thomas. – Draco afirmou, simplesmente, ainda em uma posição relaxada mesmo que cada centímetro do seu corpo ansiasse por espancar o sorrisinho arrogante do rosto daquele babaca.

-Percebeu, disse que me amava e passou a noite toda me provando isso.

-Dean! Pelo amor de Deus! – Remus repreendeu.

Draco gelou com as palavras de Dean e a confiança com que ele as proferia. Ou ele era um ótimo mentiroso ou...

-Isso não é verdade.

-Ah, mas claro que é. Estávamos ótimos até sermos atacados! – gritou Dean.

-Dean, você não pode estar falando sério. – foi Colin Creevey quem falou, olhando dele para Seth Lucas, que parecia um tanto confuso, olhando com horror para Dean.

Dean fez que sim, obviamente tão confuso quanto o resto do cômodo pela surpresa de Colin.

-Ela é minha namorada! Qual é a grande surpresa?

-Eu falei naquela hora porque estava com raiva. – Colin falou, olhando para Suzan dessa vez. – Mas não achei que... Meu Deus do céu! – ele disse enterrando as mãos nos cabelos.

Draco fechou os olhos, sentindo as ondas de rancor reverberando em seu corpo. Já havia desistido de se controlar quando o assunto era Ginevra. E naquele momento, Não tinha nenhum desejo de conter a fúria abrasadora e violenta que fez seu sangue correr mais quente. Levantou-se bruscamente, fazendo sua cadeira cair de forma barulhenta.

Antes, no entanto, que pudesse cumprir seu intento de se jogar contra Thomas e usar seus punhos para reduzi-lo a um pedaços de carne e sangue espalhado pelo chão e pelas paredes, Suzan Bones o atacou com uma maldição.

Atacou Dean com uma maldição.

O choque fez com que Draco se refreasse por alguns segundos, a fúria longe de desvanecer.

-Seu bastardo! – Suzan Bones gritou, rugindo com histeria e jogando-se contra ele, socando-o.

-O que... SUZAN, PÁRA! – gritou Dean, usando os braços como escudo dos ataques da bruxa histérica em cima de si.

-Vocês transaram... – Seth Lucas, falou mais para si do que para Dean, chamando a atenção de Draco. – Depois de ela ter recebido um Cruciatus?

-EU ACHEI QUE VOCÊ A AMAVA, DEAN! – gritou Suzan, sua voz cheia de raiva, e choro, que corria pelo seu rosto enquanto era puxada pelos amigos para longe de Dean.

Colin havia enterrado a cabeça nas mãos.

-O quê? – Dean perguntou ao perceber como os outros o olhavam e pareciam assustados com as palavras de Seth Lucas. – Ela consentiu! Não é como se eu tivesse a forçado ou coisa assim!

-Ela tinha acabado de receber uma maldição, Dean! – gritou Colin, a voz abafada, sem tirar a cabeça das mãos.

A expressão de Dean caiu visivelmente e ela passou uma mão nervosamente no rosto, provavelmente pensando rápido em novas desculpas.

-Não foi assim... eu não... – mas ele olhava para o chão, visivelmente desconfortável.

-Os nervos dela estavam em frangalhos, Dean! É como tirar vantagem de alguém bêbado ou dopado! – Colin disse, desolado, finalmente levantando a cabeça das mãos.

-Eu não acredito que isso está acontecendo. – Tonks murmurou, olhando atônita para Dean. – Dean, como você pôde?

-Eu estava aqui. – Seth Lucas murmurou para si mesmo, incoerentemente. – Eu... meu Deus, eu lembro...

Ninguém mais pareceu ouvir as palavras de Seth, que parecia a cada segundo mais desolado.

-Seu bastardo! CRETINO! – Suzan gritou, tentando se livrar dos amigos para avançar em cima de Dean novamente.

-OLHA QUEM FALA! – Dean perdeu a paciência. – Tudo o que eu fiz foi transar com a minha namorada. Você que jogou o Cruciatus nela!

Dean pareceu satisfeito com o efeito de suas palavras nos integrantes da Ordem. Um silêncio estupefato e ao mesmo tempo ensurdecedor tomou conta.

-Okay. – a voz de Draco cortou o silêncio como uma faca. Seu corpo parado como o de uma estátua. – Eu ouvi o suficiente. – um sorriso completamente aterrorizante tomou conta de seu rosto. Virou-se para Dean. – Você... - desviou o olhar para Suzan – ... e você.

Perdeu o sorriso.

-Mortos.

Tudo aconteceu em questão de segundos.

Draco moveu-se rápido demais para que alguém pudesse reagir as suas palavras. Em um segundo Suzan estava nas mãos dos seus amigos, no seguinte estava voando pelo cômodo, caindo violentamente contra uma parede. O som de seus ossos se partindo foram altos e aterrorizantes. Ela caiu desacordada no chão, uma pequena poça de sangue vindo de seu nariz e sua boca formando-se rapidamente do lado do seu rosto.

Mas antes que pudessem dar atenção a Suzan, os gritos de horror foram direcionados a forma já ensanguentada de Dean, sendo massacrada pelos punhos de Draco, que pareciam quebrar algum osso a cada vez que acertava, desfigurando em poucos segundos o bonito rosto de Dean Thomas.

Prostrado no chão, ele lutava debilmente tentando se levantar, sem sucesso. Não conseguia nem gritar. Quando tentaram tirar Draco de cima de Dean foi como se um campo de força repelisse as pessoas, as arremessando para trás e para longe dos dois.

Não achando qualquer satisfação em apenas massacrá-lo, Draco pegou o rosto completamente quebrado e ensanguentando de Dean em suas mãos e estava pronto para quebrar seu pescoço em um rápido movimento quando um feitiço o atingiu no peito.

Em circunstâncias normais, um feitiço potente como aquele teria feito com que ele perdesse a consciência, mas a adrenalina em seu sangue o manteve bem acordado. A adrenalina e a imagem de Ginevra. Ginevra sempre tentando fazer a coisa certa pelos outros e nunca recebendo nada em troca. Apenas mais dor, mais sofrimento, mais escuridão.

Torturada, abusada, traída por aqueles que ela tanto amava.

Levantou-se em um pulo, a fúria dentro do seu peito acordando seu lado mais animalesco. Foi impedido de avançar de novo contra Dean, que estava sendo reanimado pelos amigos, por Snape, que apontava a varinha diretamente na sua cabeça.

-Snape. Saia da minha frente. – Draco rugiu, sua voz completamente irreconhecível. Ele não tinha ideia do que poderia fazer com o homem se ele não saísse da sua frente para que ele pudesse dar um fim a vida daqueles miseráveis.

-Draco, pare por um segundo. – Snape aconselhou, olhando-o com intensidade e baixando o tom de voz. – Pense no que está fazendo. Pense nas repercussões do que você está fazendo.

-Snape, se você não sair da minha frente...

-Você quer salvar a Weasley ou não? – Snape sussurrou impacientemente, aproximando-se dele.

-Eu quero acabar com a vida desses dois. Isso é tudo o que eu quero agora. Saia da minha frente.

-Se você matá-los agora a Ordem vai se voltar contra você! E eles são a única chance que você tem contra Voldemort. A única chance que você tem de resgatar Weasley!

-Saia da minha frente. – Draco repetiu. – Eu não me importo! Eu acho outra forma de resgatá-la!

-Pense, Draco! Você não pode ser irracional agora! – Snape tentou novamente. Revirou os olhos impaciente ao ver que suas palavras não surtiam efeito. – Eles têm um plano! Eles sabem o que fazer para resgatar Ginevra! E eles precisam de você, então cale a porra da boca e me deixe lidar com isso!

Isso silenciou Draco. Não silenciou a fúria que queimava dolorosamente dentro de seu peito, espalhando-se pelo resto do seu corpo, mas invocou a imagem de Voldemort, que podia estar fazendo com Ginevra coisas muito piores do que Bones e Thomas.

Sentiu os músculos tremendo, ainda com as mãos fechadas em punhos, as juntas dos dedos machucadas e sangrentas pelo impacto contra os ossos do rosto de Dean Thomas.

-É melhor você sair daqui. – Snape aproveitou enquanto ainda tinha a atenção de Draco, não ousando tocá-lo. Sabia que qualquer movimento em falso ele poderia mudar de ideia.

Estava completamente fora de si.

-As coisas que fazemos por garotas. – Snape murmurou para si mesmo as palavras de Remus, parecendo tentar espantar uma má lembrança enquanto empurrava Draco para longe dali.

X

-Eu não vou fazer parte da Ordem. – Draco rugiu.

Snape teve que lhe oferecer doses pesadas de poções para acalmá-lo e impedir que fizesse alguma besteira.

-Eles não vão ficar muito devastados com isso.

-Eu ainda não sei o que estou fazendo aqui, enquanto aqueles dois ainda... respiram.

-Na verdade, Thomas está tendo problemas para respirar. Você fez um belo trabalho no rosto dele.

-Achei que você já havia dado as poções para que eles se curassem. – Draco falou com claro desgosto.

-Sim, sim. Mas faltavam alguns ingredientes, então a recuperação vai ser mais lenta e dolorosa do que o esperado.

Draco encarou Snape, que limitou-se a erguer uma sobrancelha. Uma sombra de um sorriso ameaçou aparecer no rosto do rapaz.

-Eu tinha me esquecido porque você era meu professor favorito.

-Bom, agora não vai esquecer.

Draco voltou a atenção para as próprias mãos. Esfregando a essência de ervas que Snape lhe dera para curá-las. Precisava estar em perfeita forma.

-É tão revoltante. Eles se colocam em um pedestal de moralidade e viu o que dois deles fizeram com Ginny? Logo ela que nunca fez mal a ninguém!

-Srta. Weasley parece não ter sorte com seus pretendentes, não é mesmo? – Snape perguntou cinicamente, fazendo Draco lhe lançar raivoso. – Talvez Potter a tenha amaldiçoado.

Draco soltou o ar, numa risada sem humor.

-Quanto tudo isso acabar eu vou cuidar dela. Vou fazê-la esquecer de tudo isso.

-Você não está planejando usar um Obliviate está? Por que esse é o único jeito de ela esquecer.

-O que os faz melhores do que os Comensais da Morte? – Draco perguntou, ignorando as palavras de Snape, entretido em sua própria indignação. – Abusar de uma garota depois que ela foi amaldiçoada.

-Ah sim, tão melhor do que drogá-la.

-Como você sabe disso?

Snape deu de ombros.

-Ela contou. Não se sinta mal, estava sob o efeito de Veritasserum.

Draco voltou a atenção para suas mãos machucadas.

-Era diferente naquela época. – disse, baixinho. – Eu era diferente naquela época. Eu não a machucaria, hoje em dia.

Snape o encarou por alguns segundos e soltou uma risadinha amarga.

-Srta. Weasley realmente nasceu sob um mau signo.

-Que plano eles têm afinal? – Draco cortou. – Por favor, me diga que é bom.

-É basicamente infalível. – Snape afirmou. – Eu o arquitetei.

Draco franziu o cenho.

-Por algum motivo, isso me acalma. – disse, meio surpreso consigo mesmo, voltando a sorrir antes de avistar um rato cinzento. Sentiu seu estômago revirar. – Argh, pelo amor de Deus. Vocês não limpam esse lugar? – perguntou, enojado ao ver que a criatura vinha na sua direção. Aproximando-se, preparou-se para esmagar a criaturinha, talvez descontar um pouco da sua raiva no roedor nojento.

-Eu não faria isso se fosse você. – Snape comentou.

-Por quê? Bichinho de estimação de alguém aqui? – Draco perguntou, sentindo-se mais animado com a perspectiva de matar o animalzinho que se aproximava rapidamente.

-Sim. – e quando Draco já estava descendo o pé com toda força na direção do rato Snape continuou: – Da Srta. Weasley.

Draco gelou tão violentamente com o susto que perdeu o equilíbrio, e teria caído com tudo no chão se não tivesse se apoiado na parede.

-Merda!

O rato levantou as patinhas da frente, seus olhos pretos virados na direção de Draco e seu narizinho mexendo-se no ar. Agora Draco podia notar que ele tinha o pêlo muito limpo e fofinho para tratar-se de um rato de rua. Depois de mais um tempo parecendo cheirar o ar o rato correu rapidamente, em pulinhos, na direção de Draco e subiu pela sua calça, escondendo-se em um dos seus bolsos, fazendo seu estômago contorcer de nojo.

-Pelo amor de Deus, Draco, é só um rato. – Snape revirou os olhos ao ver a expressão do homem.

-Argh! Ela não podia ter um gato? Qual é fixação dos Weasley por ratos? - perguntou sem, no entanto, ter coragem de remover a criaturinha que parecia perfeitamente acomodada no seu bolso.

Sua atenção foi desviada para a porta, ficando em alerta quando Olho-Tonto Moody a abriu. Com a expressão usualmente mal-humorada ele adentrou, sendo seguido por Remus e Colin Creevey que carregava um livro que parecia extremamente pesado, velho e empoeirado.

-Como vai, Draco? - Remus cumprimentou.

Era enervante a forma como ele continuava sendo civilizado e até mesmo gentil mesmo depois de Draco tê-lo torturado. Apenas assentiu com a cabeça, reconhecendo a presença do ex-professor.

-Precisamos conversar.

-Vão finalmente me dizer qual o plano brilhante para resgatar Ginevra e derrotar o Lorde das Trevas.

-Sim, basicamente, isso. - ele respondeu. - Se trabalharmos juntos teremos uma chance de vencer.

-Sim, claro.

-Uma coisa de cada vez. - rugiu Olho Tonto. Sentando-se pesadamente em uma cadeira. - Temos muito o que explicar.

Draco virou-se para o homem mais velho, inclinando-se e parecendo perfeitamente atento.

-Estou ouvindo.

Colin aproximou-se de Draco e estendeu-lhe o livro. Depois de hesitar por alguns segundos Draco o segurou com cuidado e apreensão. Colin franziu o cenho, considerando que quando roubou aquele livro há tantos anos na companhia de Dean Thomas nunca pensou que um dia o entregaria para Draco Malfoy, em perfeito clima de colaboração.

-O que é isso?

-Draco, você já ouviu falar de Gwenyfair Ekatierina Wildeblood Slytherin?

-Lady Slytherin? - Draco perguntou, assentindo.

-O que você está segurando agora é algo que Voldemort vem tentando encontrar a décadas e que tivemos a sorte de encontrar antes dele em um museu trouxa. - Remus continuou.

-Põe sorte nisso. - resmungou Moody.

Cuidadosamente, Draco abriu o livro, virando as páginas feitas de um pergaminho especialmente resistente, preenchidos por uma letra inclinada e grande. Era difícil de ler alguma coisa. Além de tratar-se de um inglês extremamente arcaico a pessoa que escrevera aquilo não era exatamente organizada, puxando setas e fazendo notas de rodapé, e riscando... era como olhar dentro do subconsciente confuso de uma mente insana.

Começou então a conseguir decifrar o que parecia ser instruções para um macabro ritual de magia negra usado para garantir a fidelidade. Percebeu então, ao ler um pouco mais, que não se tratava de instruções, e sim do relato de uma vítima de tal feitiço.

-O que é isso? - perguntou, assombrado, sem conseguir desviar os olhos das palavras e sem conseguir parar de ler.

-Isso, Draco, é o diário de Lady Slytherin.

X

N/A: Ultimos minutos de Janeiro ou primeiros de Fevereiro... não tenho certeza, meu relógio ta todo errado. Só sei que eu to morrendo de sono e as reviews serão respondidas ainda neste fim de semana. E eu amo vocês por não me deixarem desistir dessa fic. Espero que tenham curtido o capítulo que teve bastante Draco dessa vez. Já estou trabalhando no próximo e logo dou uma previsão de quando vou postar fiquem ligadas.

Vocês sabem como é já: Qualquer pergunta ME AVISEM mesmo que vcs sintam que é idiota ou que eu já respondi e vcs nao lembram. Eu não posso culpar vocês de não lembrar de alguma coisa com essas atualizações impossivelmente demoradas.

E olha, antes que vocês achem que to tentando isentar a Ginny de culpa... esperem o próximo capítulo. Hahaha.

Beijos e boa noite. Amanhã eu provavelmente volto aqui ou no perfil do pra falar mais, só que agora eu to MUITO EXAUSTA. T.T

Espero que vcs gostem do capítulo e que não tenha muitos erros. Não foi betado ainda mas eu tava muito afim de postar.

OBRIGADA POR TUDO GENTE! VOCÊS SÃO DEMAIS! =DD

N/A (2): Agora ta betado. Hehe. ;) Obrigada Anaisa!

REVIEWS:

Maria GM:
Esse capítulo só deu Draco. IEEEI! Espero que você tenha gostado e que não tenha desistido da fic mesmo eu sendo horrível e não atualizando nunca! E estou muito feliz por você ter gostado dos capítulos em que Gwen explica grande parte da história para Ginny! Tinha medo de eles acabarem meio maçantes...E eu concordo com você. Eu não acho que Draco seja mal. Só muito mimado e chato.
Obrigada pelo apoio Maria! E pela review linda!

Dani:
Pois é, Dani, a fic nova acabou não saindo, mas espero que saia este ano. Quero me dedicar muito ao mundo do antes de ficar velha demais para isso. hahahahaha! Mentira, nunca vou ficar muito velha pra escrever fics xD
Espero que vc tenha gostado deste cap! Muito obrigada pela review! =D
Quanto a sua pergunta, respondendo com alguns meses de atraso: foi um cisto no meu ovário que se rompeu. Aí eu tive hemorragia interna e tive que operar emergencialmente... desmaiei umas cinco vezes... foi horrível. T.T
Suas dúvidas:
Hermione: Ela esqueceu mesmo do passado. A mente dela bloqueou porque ela não estava conseguindo lidar com tanta dor. Isso acontece com algumas pessoas que passam por traumas muito fortes. Eu por exemplo não lembro de nada da época que minha avó tinha Alzheimer e passou a não me reconhecer. NADINHA. E eu nem era tãaao criança assim O.O.
Sobre Harry e os Weasley ainda estarem vivos: isso é uma pergunta que os próximos caps vão te responder. hihiii
Annia Winter:
AI BRIGADA SUA LINDA! Está nos caps finais, o problema é que as atualizações tendem a demorar. Mas acho que o próximo capítulo sai em Março mesmo. Beijão!

Helo: E espero que continue acompanhando! Mesmo eu sendo tão desnaturada e chata! hahahaha! Espero que tenha gostado desse capitulo! Muitissimo obrigada pela review e por acompanhar a fic! Beijãaao!

Mila B:
Fiquei extremamente feliz com a sua review gigantesca. Hahahaha!E que bom que você gostou do capitulo passado. As reações a ele foram melhores do que eu esperava!
Que bom que você gostou da Gwen. Tomei um risco muito grande com esta personagem original e fico MUITO feliz quando as pessoas a aprovam. Acho que todo mundo pode se identificar um pouco com esse lado negro dela. As ambições, a ganância... okay, nem todo mundo... hahahaha!
O que salvou Ginny de ser manipulada por Gwen foi realmente a certeza de seu amor por Draco. A intenção de Gwen era distorcer a verdade a seu proveito. Deixá-la confusa, mas Ginny, num mar de incertezas acabou se agarrando na certeza de que amava Draco e daí que tirou sua força. =)
Eu meio que comecei a escrever a fic pelo romance mesmo, mas como você disse, o enredo acabou ficando mais complexo. E eu estou curtindo tanto. Claro que é chato o quão pouco eu atualizo, mas estou tentando me organizar e quem sabe até postar novas fics. Esse sempre foi meu problema.
Mas e aí? Gostou desse capítulo só de Draco, praticamente? ME AVISE! ADOREI SUA REVIEW! COMO SEMPRE! Muito obrigada pelo apoio! Beijão!

Tuty Frutty:
Se ficarem coisas complicadas é só me perguntar! Eu sei que com a demora das att vocês acabam esquecendo várias coisas. hahahaha! Até eu esqueço. Dessa vez tive que dar uma relida na fic antes de postar esse cap pra ver se tava tudo direitinho. Hahahahah! Obrigada pelo apoio, tanto a questão da minha mãe e etc, quando em relação a fic! Beijão!

SallyRide:
Ai que coisa maravilhosa de se ler em uma review! Brigadão Sally! Espero que você leia e goste deste capítulo também! Beijão!

Arobd:
AI DESCULPA A DEMORA! T.T Já te adianto que o próximo capítulo sai em março!
Mil desculpas por te deixar esperando! Minha fiel leitora! hahaha! Eu sei como é chato e vou tentar não fazer mais isso! Muito obrigada pela paciência, pelo apoio e pelo carinho! É muito importante pra mim saber que mesmo eu sendo tão negligente ainda tem gente esperando ansiosamente por capítulos novos!
Um beijão!

Daniella Haddad:
Desculpe ter mandado tão poucas notícias! Prometo ter mais consideração com vocês!

kitanilindt:
Sério? Em um fim de semana! O.O Caramba que delícia de ler isso! hahahahah! Eu não sou muito ligada a espiritismo ou a nenhuma religião em especial... mas isso foi algo que acabou acontecendo. Eu fui escrevendo e fui surgindo sabe? E eu não fui associando com espiritismo e sim a magia mesmo. Só peguei emprestado alguns elementos do espiritismo pra tentar dar um pouco mais de verossimilhança à história. Faz sentido isso? hahahahhaa! Beijos e MUITO MUITO MUUUITO obrigada por essa review linda! xD

ViiSM:
Não tenha vergonha das suas reviews antigas. EU TENHO VERGONHA DOS CAPS ANTIGOS! hahahhaa! Se bem que depois que eu dei uma reformatada na história eles não estão mais tão vergonhosos assim. hahaha! E sei lá, fanfic é maneiro a gente deixar bacaninha mas o divertido é a gente não levar TÃO a sério sabe? Ter liberdade pra inventar. xD
E não, você não era obtusa na época, não tinha como ter entedido antes. Era essa minha intenção. hihihiii.
Eu já estou perfeita da cirurgia. Só fiquei com uma cicatriz feiosa, mas dizem que com o tempo sai então to tranks!
Beijão e muito obrigada pela review! ESPERO QUE VC GOSTE DO NOVO CAPÍTULO! =DDDD

DiLuaW7:
Ai brigada! Esperoq que você goste desse capítulo também e que não abandone a história! Desculpe pela demora para atualizar, vou tentar ser mais rápida!
Beijão!

Karol Black:
Menina se eu te contar que também sou H/G assumida você não acredita. Hahaha. No fanon eu curto mais D/G, mas torcia muito pelo Harry e pela Ginny nos livros. Estou até escrevendo uma H/G também... que vai ter uma pitada de D/G. =)
Obrigada pelos elogios! Mesmo! E mil desculpas pela demora na atualização! Espero que você goste desse capítulO! Vou tentar não deixá-las esperando demais pelo próximo!

REVIEWS DO CAP 28 (ESTÁ COMO 29, MAS É 28 MESMO):
Ariane:
Ieeei! Que bom que eu postei logo quando você decidiu dar uma passada no site! hahahaha! Obrigada pela review! A sua foi a primeira! A primeira sempre faz o coração bater mais forte quando a gente ainda ta na expectativa pela reação das pessoas ao capítulo! Que bom que você gostou! Muitíssimo obrigadaaaa!
E me diga todas as dúvidas, mesmo que você as ache meio óbvias, porque provavelmente não são! Beijão!

Gabriela Manfio:
hahahaha calma! Só quis dizer pra vcs esperarem o próximo cap antes de acharem que eu já to querendo colocar a Ginny em um pedestal. Essa é a mania do Draco, não minha. Muahahahaha!
E sim, Draco fica completamente descontrolado quando o assunto é Ginevra. Amor faz isso com a gente. Hehehehe!
QUE BOM QUE VOCÊ GOSTOU DO SNAPE! Acho esse personagem genial, e por ele ser tão genial assim acaba sendo extremamente dificil de retratar! E Voldemort então, eu imaginei que um cara que tem o mundo nas mãos egocêntrico e mal que nem fosse se tornar meio pedante. Que bom que você curtiu o jeito pomposo dele. Haha! Beijão e obrigada pela review xará!

X

Se eu esqueci de alguém a pessoa está autorizada a me dar um chute nos ovários. Hahahaha. Só porque agora eu aguento. Acabou que eu nem falei sobre o que foi minha cirurgia né? Foi muito louco gente, eu tava em casa do nada, e comecei a sentir uma dor crescente na altura do abdomen que se espalhava e ia ficando cada vez mais forte.
Como era uma dor estranha que eu nunca tinha sentido antes pedi para a minha mãe me levar ao hospital. Quando estava esperando o elevador e ela voltou para pegar a chave eu desmaiei. Acordei no chão com ela e minha irmã desesperadas tentando me reanimar. Não consegui levantar, tudo girava e eu não sabia o que tava acontecendo. Desfaleci de novo dentro do elevador, melhorei no taxi... desmaiei de novo quando tiraram sangue de mim, mais uma vez quando a médica me disse o que eu tinha e outra quando já estava na maca.
Foi um cisto no meu ovário que se rompeu e causou isso. EU NEM SABIA QUE TINHA CISTO NO OVÁRIO. Só sei que fui transferida para outro município porque o Rio não tinha nenhuma emergência ginecológica aberta e me deixaram na UTI a noite toda, onde eu finalmente pude dormir porque era um quarto até bem confortável e minha família desesperada não podia entrar. Ah sim e eles me entupiram de remédio para a dor.
Aí no outro dia parti pra cirurgia que acabou sendo uma beleza. Só não ficou uma beleza a cicatriz de cesaria que deixaram em mim. -.- Mentira, é bem menor que a de cesaria, mas vocês entenderam.
A recuperação foi HORRÍVEL. Até porque tive problemas para cicatrizar... mas agora estou bem e isso tudo não passa de uma lembrança ruim.
Sério gente, como eu conto sempre das tragédias acho que mais do que justo eu contar das alegrias: eu acho que nunca estive tão bem.
Sério, nunca me senti tão viva, tão ativa, tão bonita, tão tudo. Sério, eu to tendo agora o tipo de vida que eu sonhava em ter, mas nunca realmente acreditava que teria, quando eu era mais nova.
Do trabalho a vida amorosa. Ta tudo indo bem. Minhas notas estão ótimas, meu novo emprego é maravilhoso e estou aprendendo bastante lá, estou mais animada com o curso em si... minha vida social está bem legal também... estou feliz. Foi como se eu tivesse... sei lá, só começado a viver MESMO depois da cirurgia. Loucura né?
Não faz sentido nem lógica isso, mas essa foi a impressão que eu tive. hahaha!
Acho que estou contando isso pra quem tiver passando por uma fase ruim, ou simplesmente desanimada, que há luz no fim do túnel.
Quanto a escrita tenho andado tão inspirada que comprei um caderninho que está sempre comigo para anotar minhas idéias. Tanto de fics quanto para livros. Acho que esse ano vou conseguir me dedicar mais a escrita. É só eu conseguir me organizar bem.
Agora vou lá gente. Cheguei em casa do trabalho, jantei e vim direto fazer isso aqui. Agora vou tomar um banho e dormiiiiiir e já to falando demais de mim mesma.

SORRY! hahahaha!
Beijos gente! Adoro vocês!
Espero que gostem do cap e deixem muitas reviews! xD

Ella Evans

-G