Coração de Guerreiro
Sharon Schulze
Título original: To Tame a Warrior's Heart
Esta história não me pertence. Apenas a estou postando no universo Inuyasha. Aproveitem!
CAPÍTULO VINTE E SETE
A pista de Narak fora fácil de encontrar. Sem perda de tempo, Inuyasha, Mirok e Souta trataram de segui-la. Considerando tudo por que Kagome e Sango tinham passado recentemente, nenhuma das duas estava em condição de ser arrastada floresta a dentro por um lunático.
E quem poderia dizer o que o canalha seria capaz de lhes fazer?
Inuyasha ficou a imaginar o que aconteceria quando alcançassem Narak. Não tinha a menor dúvida que li bertariam as prisioneiras, mas a questão era quem dentre os três lidaria com seu captor. Cada um deles tinha am plos motivos para acabar com o miserável.
Infelizmente, o mais provável era que nem tivessem chance de lutar. Pelo que ouvira, Narak era famoso por evitar combates. Covarde! Quando se visse frente a frente com três guerreiros sedentos de sangue, na certa cortaria a própria garganta, pensou Inuyasha, enojado.
A trilha começava a ficar cada vez mais estreita. De tendo o cavalo, Mirok desmontou e foi examinar o ter reno. Pouco depois, com uma exclamação de triunfo, exi bia na mão um pedaço de pano.
- Sango estava amordaçada. Este pano tem fios do cabelo dela presos nele. Há rastros de dois cavalos se guindo por aquela outra trilha - ele apontou para uma íngreme picada, mal distinguível em meio à mata fechada, e um deles carregava uma dupla carga. – Tornando a montar, Mirok concluiu: - Estamos perto. Vamos! Seus olhos escuros brilhavam determinados.
Logo depois, o sol se punha atrás das montanhas dis tantes. Inuyasha esperava que Narak não tivesse aban donado aquela trilha, porque na escuridão crescente eles não o perceberiam. Tudo que puderam fazer quando o caminho se estreitou ainda mais, foi desmontar e seguir em fila puxando os cavalos.
Kagome começou a debater-se, numa vã tentativa de livrar-se de Narak.
Num átimo, Sango atirou-se sobre ele, o punhal fir memente seguro numa das mãos, com os dedos da outra curvados em garra em direção ao rosto do miserável.
Os dedos chegaram primeiro, as unhas arranhando as faces de Narak, dos malares ao queixo.
Sentindo o sangue escorrer-lhe pelo rosto, ele se pôs a gritar como louco. Soltando uma das mãos da cintura de Kagome, arremessou um soco no lado da cabeça de Sango. A força do golpe a fez girar sobre si mesma, antes de desabar por terra.
- Agora é sua vez, priminha! - grunhiu, puxando o braço de Kagome e tentando ao mesmo tempo agredi-la com a mão livre. Ela conseguiu evitar o golpe, mas não pôde impedir-se de gritar de dor quando ele lhe torceu o braço com violência. - Não há nada que me aqueça mais o sangue do que uma mulher briguenta. - Os olhos de Narak brilhavam de lascívia. - Mas quando eu es tiver dentro de você, vai aprender qual é o seu lugar.
Essas palavras deixaram Kagome em pânico. Redobran do os esforços, lutou com todas as forças para evitar que ele a arrastasse de volta para a cama. Sabia que não seria páreo para a força bruta de Narak, se este conse guisse esmagá-la de novo contra o colchão.
Apesar da desesperada resistência, a cada instante se aproximavam mais do leito. Ao passarem pelo ponto onde Sango caída, a visão da prima, dobrada como uma boneca de pano, despertou de novo a fúria de Kagome. Dobrando a perna, arremessou o joelho para cima, esperando atin gi-lo no ponto mais vulnerável, mas só conseguiu acer tar-lhe a coxa.
Ainda assim, Narak acusou o golpe com um grunhido de dor. Animada Kagome continuou a distribuir chutes a torto e a direito, lutando para se libertar. Em desespero, acabou fincando os dentes na mão dele.
Ignorando a repulsa que lhe revirava o estômago, foi mordendo cada vez mais forte, até o gosto de sangue e suor em sua boca quase a levarem a engasgar. Narak urrava de dor, mas Kagome não afrouxava a mordida. Afi nal, com um último e desesperado chute, conseguiu acer tar-lhe a virilha. Narak dobrou-se ao meio, as mãos indo pousar nas partes contundidas. Recuando, Kagome correu para junto de Sango.
Surpreendendo-a com sua resistência e capacidade de recuperação, Narak logo se endireitou, lançando-se de novo sobre ela. Kagome não teve escolha a não ser afas tar-se da prima e tentar atraí-lo para fora. Talvez lá pudesse encontrar um lugar para se esconder e algo com que atingi-lo na cabeça, um pedaço de pau ou uma pedra. Qualquer coisa que pudesse deter aquele demente.
Pouco depois, corria pela clareira iluminada pelo luar, com Narak a persegui-la de perto. Tremendo de medo e de frio, ela avançou para a sombra das árvores, pro curando frenética por alguma coisa que lhe servisse de arma. Seus dedos acabavam de fechar-se em torno de um galho quebrado, quando Narak a alcançou.
Apavorada, ela o golpeou com o bastão improvisado, atingindo-o com força no peito.
- Vamos, venha me atacar! - Narak desafiou. O luar apagava-lhe toda a cor do rosto, transformando-o num ser de pesadelo trazido à vida.
Ofegando, com o coração disparado, Kagome tentou acer tar um novo golpe, mas Narak desviou-se, e aprovei tando-lhe o momentâneo desequilíbrio, lançou-se sobre ela. O impacto derrubou-a de costas no solo pedregoso, o peso de Narak cortando-lhe a respiração.
Pontos luminosos explodiram diante de seus olhos con tra a escuridão noturna. Sem poder respirar, a mente girando num turbilhão, ela achou que ia perder a cons ciência. Reagindo, procurou atrás de si por uma pedra, qualquer coisa. Mas não encontrou nada.
Quando afinal ele se soergueu, aliviando a pressão sobre o peito dela, Kagome ofegou, o ar queimando-lhe os pulmões.
Narak colocou-se a cavalo sobre seu ventre, uma das mãos segurando as dela acima da cabeça, enquanto com a outra, tentava arrancar-lhe as roupas.
- Tenho que possuir você - ele resmungou, os olhos brilhando alucinados ao luar. - E vai ser agora!
Levantando as saias de Kagome até a cintura, obrigou-a a separar as pernas, posicionando-se no meio. Pouco de pois, conseguiu abrir a frente do calção ajustado.
A quentura desagradável do membro rijo de encontro à coxa de Kagome, foi para esta a indignação final. Cor coveando, debatendo-se e gritando, ela resistia com todas as forças ao estupro iminente. De novo, não! Muito antes disso ela o castraria, nem que tivesse que fazê-lo com próprias mãos nuas.
Os três homens tinham a impressão de estar cami nhando havia muitas horas na escuridão, quando o cavalo de Inuyasha começou a relinchar baixinho.
- Eles devem estar por perto - Inuyasha sussurrou, detendo-se para amarrar as rédeas do animal num grosso tronco. - É melhor continuarmos sem os cavalos daqui para frente.
Tropeçando e escorregando no terreno pedregoso e irregular, foram subindo a trilha íngreme.
- Tem certeza de que apenas Narak está com elas? - Souta perguntou a Mirok.
- Sim. E também duvido que haja guerreiros à nossa espera ao fim do caminho - acrescentou, em tom seco. Este lugar é remoto demais e de difícil acesso. Quem em plena posse de suas faculdades mentais viria até aqui?
Nesse instante, um grito cortou a noite, abafando os leves sons noturnos. Por alguns segundos o coração de Inuyasha pareceu parar de bater.
Movendo-se como se fossem uma única pessoa, eles se lançaram trilha acima, escorregando e agarrando-se às rochas para manter o equilíbrio. Tinham acabado de entrar na clareira quando outro grito desesperado se fez ouvir.
Inuyasha foi o primeiro a se dar conta do que acontecia. Um torso masculino era visível à luz do luar, perfeita mente delineado de encontro ao negrume do céu. O ho mem lutava contra alguém prensado debaixo de seu cor po, as pernas da vítima debatendo-se em desespero.
Era tudo que Inuyasha precisava ver. Sem um se gundo de hesitação, disparou em direção ao par que lutava na relva.
Com um salto poderoso, venceu os últimos dois metros, atingindo o homem, Narak, ele notou sem surpresa, em cheio nas costas, fazendo-o voar para longe.
No breve instante que ele levou para se recuperar, Inuyasha olhou para Kagome. A luz prateada do luar tor nava-a ainda mais pálida, e acentuava o pavor em seus olhos: Suas roupas, ele notou, estavam em tiras.
O que bastou para mergulhá-lo numa sede de san gue como jamais experimentara na vida.
Rugindo de raiva, agarrou Narak pela túnica e o pôs de pé.
Sem largar-lhe a veste, acertou-lhe o maxilar com um soco, e o obrigou a ficar de joelhos. O ruído de ossos se quebrando o fez sorrir, satisfeito.
- Levante-se, covarde - rosnou. - Ainda nem co mecei a acertar contas com você.
Respirando ruidosamente através do nariz quebrado, Narak levantou-se e, juntando as mãos, tentou golpear a cabeça de Inuyasha.
Este evitou o golpe com facilidade, tirando vantagem do movimento de Narak para derrubá-lo no chão. Não havia o menor desafio naquilo, pensou Inuyasha, enojado com os sons lamurientos que escapavam dos lábios en sangüentados do outro. Impaciente, esperou que o ad versário se pusesse de novo de pé para ameaçá-lo:
- Lute, maldito! Ou você só bate em mulher?
Com o corpo balançando nas pernas, Narak limitou-se a permanecer parado na frente dele. Sua única resposta ao insulto era o fogo que lhe brilhava nos olhos.
- Sabe o que vou fazer com você, seu canalha? Inuyasha prosseguiu falando. - Depois que o tiver trans formado numa massa ensangüentada, vou arrancar-lhe os testículos.
Com os dentes à mostra num esgar selvagem, Narak atirou-se sobre ele.
Finalmente! Inuyasha sorriu, dominado pela exaltação do combate. Não havia desafio algum, ou honra, em mas sacrar um covarde que não reagia. Mas, de um jeito ou de outro, Narak morreria naquela noite, pelas coisas que fizera a Kagome.
Atracados, os dois homens rolaram pelo terreno pe dregoso, entre urros e grunhidos. Enquanto isso, Kagome, reprimindo um gemido, punha-se de pé com a ajuda de Souta. De modo maquinal, ajeitou as roupas rasgadas, a fim de cobrir a nudez. Sua atenção, porém, estava concentrada em Inuyasha. Com as feições contraídas pela raiva, ele mais parecia um anjo vingador.
Kagome queria que Narak pagasse por todo o mal que fizera, mas estava cansada de tanta violência e, acima de tudo, não desejava que nenhum mal acontecesse a Inuyasha. Não ia suportar se ele ficasse ferido.
- Você não pode fazê-los parar? - perguntou a Souta.
- A luta é de Inuyasha - foi a resposta do irmão. Não devo interferir, a não ser que ele precise de ajuda.
Nesse momento, Mirok aproximou-se, com olhar angustiado.
- Onde está Sango? - perguntou a Kagome.
- Dentro da cabana. Narak a acertou com um golpe e ela ainda deve estar desacordada.
Antes que Kagome acabasse de falar, Mirok já corria em direção à choupana.
Voltando de novo o olhar para a luta, Kagome assus tou-se ao ver como os dois oponentes haviam se aproxi mado de um trecho da clareira, onde o terreno despencava subitamente numa profunda ravina. Quando ia correr até lá, foi detida por Souta.
- Deixe-os. Não tem fé em Taisho?
Mesmo não querendo olhar, Kagome não conseguiu des viar os olhos da cena terrível. A cada vez que Narak acertava um golpe, ela estremecia, como se tivesse sido atingida.
As mãos de Narak fecharam-se de repente em torno da garganta de Inuyasha, mas este conseguiu se soltar, empurrando o outro para longe. Em lugar de atirar-se de novo contra Inuyasha, Narak começou a recuar cada vez mais para a borda da ravina.
À luz do luar, eram visíveis o medo e a loucura em suas feições contraídas. Quando já estava quase na beira do abismo, Narak começou a balbuciar frases sem sen tido, a voz cada vez mais aguda, até que se pôs a gritar feito louco.
- Afaste-se daí! - ordenou Inuyasha, lentamente apro ximando-se dele.
De repente os gritos cessaram e um silêncio ainda mais apavorante desceu sobre a clareira banhada de luar.
- Você nunca me pegará - Narak falou então, em tom calmo, num enorme contraste com a loucura anterior. Lançou então um olhar por sobre o ombro, como calcu lando a distância.
- Não! - gritou Inuyasha, atirando-se num salto sobre o inimigo, quando este, abrindo os braços, ameaçou ati rar-se pela borda da ravina.
- Inuyasha! - Foi a vez de Kagome gritar, horrorizada, quando os dois homens, perdendo o equilíbrio, despen caram no vazio.
Com o coração disparado de medo, ela correu para espiar a ravina, com Souta ao lado. Um trecho de terra havia desmoronado, deixando apenas uma esparsa franja de vegetação pendurada na borda.
O luar brilhava, fantasmagórico, sobre a ravina, ilu minando o corpo de Narak, estendido num estranho ân gulo sobre as rochas amontoadas ao fundo. A imobilidade era absoluta. De Inuyasha, porém, não havia sinal.
De repente, das sombras em que se encontrava mer gulhada a face do rochedo veio um leve gemido. Debru çando-se o mais que podia, agarrada ao mato da borda, Kagome examinou o espaço escurecido. Um movimento quase imperceptível no meio do barranco quase vertical, uma leve mudança de tonalidade das sombras, chamou- lhe a atenção.
- Acho que ele está vivo - anunciou a Souta. Deslizando depois cuidadosamente para o lado, fez lugar para o irmão poder juntar-se a ela. - Inuyasha - chamou.
Movendo-se com cuidado, Kagome avançou então pela borda, para um melhor ângulo de visão, recuando de pressa quando algumas rochas e um pequeno pedaço do barranco começaram a desmoronar. Mas a rápida obser vação a convenceu de que havia mesmo uma silhueta de homem na estreita laje de pedra mais abaixo.
Agitada, agarrou o braço do irmão.
- Eu o vi! Mas como vamos tirá-lo de onde está? Vocês trouxeram alguma corda?
Souta debruçou-se para dar uma olhada.
- Tenho uma corda no alforje de meu cavalo. - Ele avaliou a distância. - Mas não sei se será suficiente. - Num movimento ágil rolou então o corpo, afastando-se da borda do penhasco. - Vou buscar a corda e chamar Mirok para ajudar. Fale com Taisho. Veja se consegue fazê-lo responder - acrescentou, já correndo em direção ao chalé.
- Inuyasha, pode me ouvir? - ela perguntou, aflita, rastejando até a beirada para ver melhor. - Droga, por que não me responde?
- Se você não se afastar da borda, mulher - replicou ele, a voz fraca, mas decidida - vai levar umas boas palmadas quando eu chegar aí.
- Sabe, até posso permitir que faça isso - Kagome con cedeu, com uma risadinha que mais parecia um soluço.
Nesse instante, ela ouviu os passos de Souta e de Mirok se aproximando.
- Inu está vivo! - gritou, o alívio fazendo-a tremer dos pés à cabeça. Depois, com um sorriso, acrescentou: - E está tão bem que já me ameaçou.
Apoiando as costas no rochedo frio e úmido, Inuyasha lutou para sentar-se, arrastando a perna direita. Ele a segurava logo abaixo do joelho, suportando com uma ca reta as pontadas de dor que se irradiavam da articulação. Fora um milagre divino ter conseguido desvencilhar-se de Narak a tempo de agarrar-se aos arbustos que cres ciam nas rochas e assim suavizar a própria queda.
Mas esta terminara de forma bem abrupta, com a per na direita torcida debaixo do corpo quando, ainda agar rado à vegetação, conseguira jogar-se sobre a estreita plataforma. Mas não acreditava ter quebrado algum osso. Devia ser apenas uma contusão, embora doesse como o diabo.
- Souta está trazendo uma corda - informou Kagome. - Você está ferido?
- Nada de grave. Jogue a corda e estarei aí em cima num piscar de olhos.
Por um momento ele apenas ouviu o murmúrio abafado das vozes confabulando e em seguida a abençoada corda desceu em sua direção.
- Pode alcançar? - perguntou Souta.
Avançando alguns centímetros para a borda, Inuyasha olhou para cima. A ponta da corda oscilava pouco mais de um metro acima da laje onde ele se encontrava.
- Está bem perto. - Tinha escalado muralhas muito mais altas, carregando armamento completo. Agarrar a corda não seria pior que isso.
Sempre apoiado na parede rochosa, foi se levantando aos poucos, tentando manter o peso sobre a perna es querda. Ao olhar para baixo e deparar com o corpo que brado de Narak caído nas rochas do fundo, não se preo cupou mais com o joelho.
O inimigo fora derrotado. Kagome e Sango estariam a salvo de agora em diante, presumindo-se que Sango es tivesse viva, e ele sobrevivera.
Não poderia desejar nada, além disso.
Apertando os maxilares, esticou-se o máximo que pôde, mas a corda terminava a alguns centímetros de seu al cance. Ignorando a dor da perna machucada, Inuyasha se agachou, a fim de ganhar impulso, e deu um salto para cima. A corda áspera queimou-lhe a palma, mas esse pequeno sofrimento nada representou diante da sa tisfação de ter conseguido alcançá-la.
Pendurado por uma das mãos, os músculos dos ombros e braços protestando diante do esforço, ele foi se alçando até agarrar a corda também com a outra mão. Devagar, trocando de mãos, foi subindo ao longo do rochedo, a perna direita batendo dolorosamente no paredão durante todo o percurso.
Finalmente, depois do que pareceu uma eternidade, chegou ao topo.
Segurando-o pela parte de trás do cinturão, Mirok ajudou-o a subir pela borda. Antes que tivesse a chance de agradecer, Kagome se precipitou para abraçá-lo.
- Graças a Deus - ela sussurrou, distribuindo uma chuva de beijos pelo rosto másculo. Uma lágrima quente atingiu o queixo de Inuyasha. - Quando vi você cair, pensei que tivesse morrido.
Levantando com esforço o braço trêmulo, ele lhe aca riciou as faces.
- A essa altura, você já devia saber que não é fácil livrar-se de mim. - Com um suspiro fundo, Inuyasha a estreitou contra o corpo, pressionando-lhe o rosto de en contro ao peito amplo. - O miserável a machucou, amor? - perguntou, beijando-lhe os cabelos. - Quando eu o vi...
- Estou bem - Kagome apressou-se a tranqüilizá-lo. - Graças a Deus, você chegou a tempo. Só quero que me leve daqui. - De repente, dando vazão a toda a an gústia por que passara, ela começou a soluçar.
- Não chore, minha vida - Inuyasha murmurou, de encontro aos cabelos macios. - Já acabou.
Levantando a cabeça, Kagome enxugou os olhos na man ga rasgada.
- É que pensei que o tinha perdido...
Ele deu-lhe um beijo na ponta do nariz.
- Será preciso muito mais do que aquele canalha para me afastar de você.
Por algum tempo, ficaram abraçados, ouvindo Mirok e Souta falando baixinho um com o outro. Pouco depois, Mirok voltava correndo para a cabana.
Momentos depois retornava com Sango nos braços.
- Ela vai ficar bem - falou, colocando com delicadeza a mulher junto deles.
Sentando-se, Kagome abraçou a prima.
Enquanto isso, com o joelho protestando, Inuyasha tam bém se colocou sentado.
- O canalha está morto? - perguntou, inclinando a cabeça para olhar o fundo da ravina.
- Sim. Acho que quebrou a espinha - disse Souta, ocu pado em recolher a corda. - Nada mais merecido. Co varde miserável!
- Alguém quer descer para resgatar o corpo? - in dagou Mirok, irônico.
- Narak que apodreça lá embaixo - foi a resposta de Inuyasha. - Seu cadáver não vale o risco de nossas vidas. - Lentamente, ele se pôs de pé, permitindo que Kagome o ajudasse. Depois a estreitando ainda com mais força junto a si, acrescentou: - Temos coisa melhor a fazer. Vamos voltar para casa.
CONTINUA...
