N.A.: Oie, pessoal! ^^ Eu fui esperta essa semana e escrevi o capítulo todo no fim de semana, apenas revisando na segunda, e foi a coisa mais sábia que eu fiz. Fiquei muito gripada esses dias, mal consegui mexer no pc! Mas está aí, mais um capítulo pronto. E nesse clima de prelúdio de algo que vai mudar tanto o rumo da fic, confesso que algumas partes foram escritas tremendo um pouco! HUAHUAHUA! XD Enfim, o amor prevalecerá, não é? Bem, quem sabe disso é Ichigo e Rukia depois das turbulências que vêm pra eles agora! ^^ Mais uma vez muito obrigada a todos que estão lendo e acompanhando, e aos que deixam reviews lindas e me motivam tanto e tanto a prosseguir com a fic! Muito obrigada, Mela-cham, JJDani, Mili Black, Nanda-chan, Dalila, Junin, Pamilla, Kynn-chan, Mjer Odindittor e ShihouinEveline (reapareceu, migaaa! *o*)! E agradeço muito ao meu noivo Jorge André que tem muita paciência revisando meus capítulos e a Mela-cham por ajudar tanto no desenvolvimento, horas de conversa sobre essa história louca que criei! Obrigada a todos por lerem e me motivarem a fazer algo que eu adoro que é escrever e manter essa história! ^^ Vamos ao capítulo?
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Entre o Amor e a Razão!
Capítulo 29: Presságio
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- Nem que eu tenha que arrancar ele de dentro de você...
E num sobressalto, Rukia abriu os olhos, assustada e logo deu de cara com o rapaz de cabelos laranja que a segurava pelos ombros e a impedia de se levantar do futon. Ele tinha o cenho franzido em preocupação.
- Ichi... go... – ela suspirou ofegante.
- Rukia? – ele afagou suavemente a pele da morena. – Está tudo bem?
Ela assentiu um pouco atordoada quando Ichigo a soltou. Observou o rapaz tirar uma toalha branca que estava mergulhada na bacia com água que estava sobre a mesa. Com cuidado, ele a torceu com firmeza antes de pousa-la em sua fronte, secando o suor que pingava no rosto da garota.
- Ichigo... – Rukia voltou a chamar, observando a fresta da porta que dava ao jardim de inverno que estava entreaberta. Já era noite. – Que horas são?
- Já passa das cinco da manhã. – Ichigo respondeu sem encara-la.
- Por que não está dormindo? – Rukia indagou.
- Porque estou preocupado com você. – o capitão respondeu direto.
Rukia sorriu com ternura. Ichigo parecia exausto. Duas olheiras enormes enfeitavam a parte inferior dos olhos castanhos, mas mesmo assim ele parecia obstinado a ficar ali a zelar por ela.
- Pode ir dormir, baka... – ela riu. – Estou bem.
- Não se preocupe comigo. – foi a vez de ele a fitar e sorrir.
- Ichigo... – Rukia ficou pensativa. – O que aconteceu comigo?
- Nada de importante, baka. – Ichigo suspirou pesado. – Estávamos em uma missão e um hollow pegou você, só isso.
- Um... hollow... – Rukia tentava captar aquilo.
Por mais que tentasse se lembrar, nada além daquela voz ela conseguia lembrar. Apenas a escuridão. Aquela dor lancinante nas costas... E escuro. Tudo estava escuro. E lembrava-se de num último instante ter chamado Ichigo. Sentido Ichigo se aproximar. Foi quando aquela escuridão cessou.
- Ele queria meu filho? – ela perguntou.
- Baka. – Ichigo deu de ombros. – É claro que não. Como é que um hollow vai saber do nosso filho? – ele riu, dando-lhe um soquinho de leve na fronte Sentia-se mal, mas Ichigo não tinha saída. Mentir era o melhor para proteger Rukia que já havia sido tão ferida. Beirava ao sufocamento aquela sensação de estar enganando a morena.
.– Está com fome? – ele desconversou.
- Ah... um pouco... – ruborizada ela assentiu.
- Preparei um cozido para você. Vou trazer.
O rapaz ia se levantando quando a mão da shinigami segurou seu pulso. Mesmo sem firmeza, foi o suficiente para pará-lo. Ichigo piscou desentendido quando se voltou à garota que agora estava sentada ao futon.
- Fica comigo... – ela pediu sem jeito.
- Só vou buscar comida para você, baka. – ele riu, afagando os cabelos negros.
- Mas... – e desviou o olhar timidamente. – não quero que vá. Estou... com medo.
- Medo? – o rapaz retorceu os lábios confuso. – Medo de quê, Rukia?
Ichigo ficou mais confuso quando sentiu o tremular dos dedinhos que seguravam seu pulso. Sem hesitar mais, abraçou a pequena de um jeito acalentador.
- Não tenha medo. Ninguém vai fazer nada a você. – e beijou com carinho os fios repicados do topo da cabeça. - Só vou até a cozinha...
- Não! – ela protestou. – Você... não estava comigo quando vieram tirar... ele de mim...
Ichigo, que tinha a cabeça apoiada no ombro da menina, ficou feliz em não ter que encara-la naquele momento. Não estava lá quando ela mais precisava. E mesmo que não houvesse clara lembrança do que sofrera, sua ausência era algo que havia ficado marcado.
Sentiu-se fraco, incapaz de proteger a amada.
Ah, como queria lacra-la em uma redoma de cristal, tão forte que jamais alguém poderia ousar ferir sua pequena. Nem um grão de poeira macularia aquela pele tão branca e perfeita que agora era manchada pela inveja e ódio de Inoue em forma de um horrível hematoma em seu rosto.
- Rukia...
Ichigo a chamou, afastando-se sem desfazer o enlace. E Rukia notou os olhos marejados do rapaz. Os orbes de tom âmbar eram embebidos por lágrimas que ele continha. Ela chegou a entreabrir os lábios para dizer algo, mas dois dedos de Ichigo a impediram, tocando-nos.
- Me desculpa por ser tão fraco, Rukia?
E aquela pergunta soava mais como uma súplica a garota que ficou atordoada apenas em vê-lo ameaçar chorar. Ele parecia tão... angustiado.
- Eu... não consegui te proteger! – explicou quando encarou o olhar confuso dela.
- Ichigo... você... – ela não sabia o que dizer, balbuciando palavras sem sentido. – Não...
- Rukia! – e a tomara novamente em um abraço firme. – Eu juro que não vou deixar que nada aconteça com você! E com nosso filho também! Eu prometo que... eu vou protegê-los, tá?
Ela sentia o corpo do rapaz espasmar entre um soluço e outro. A voz rouca estava tremida e saia falhada, o único som naquela noite além dos grilos que haviam do lado de fora. Rukia se sentiu aflita ao vê-lo assim. Apenas o abraçou com carinho, mergulhando a mão naqueles fios alaranjados tentando lhe trazer um afago que o confortasse.
- Ichigo... não sei o que faria sem você...
A voz quase sussurrada sibilou com perfeição no ouvido do jovem que sorriu satisfeito. Cerrou os olhos e abraçou com mais carinho a pequena, colocando-a em seu colo.
Eles estavam com os rostos colados. Azuis e castanhos grudados sem vacilar. E de forma instintiva, seus lábios procuraram os dela. A respiração alheia sentida tão próxima, o ar quente que a boca do substituto deixava escapar antes de encobrir a de Rukia. As mãos masculinas logo começaram a dançar pela cintura da morena que fincava as unhas nas costas de Ichigo em cada onda de prazer que as carícias dele lhe proporcionavam.
Ichigo simplesmente não resistia a ela. Rukia era maravilhosa. A mão já ia deslizando pelas pernas bem torneadas da shinigami, adentrando o shitagi e chegando a regiões mais intimas quando se conteve. Parou e no meio de um riso, encostando a fronte com a da morena que mantinha um sorriso no rosto, voltou a abraça-la.
- Você me deixa louco... – ele riu divertido. – Se não me seguro, já tava com você aí... – e apontou o futon.
- E por que se segurou? – Rukia riu, os olhos cerrados enquanto a fronte estava colada na dele.
- Sua atrevida... – zombou. – Não vou fazer isso com você machucada. – relembrou. – E também... – e a mão masculina pousou com carinho sobre o ventre da amada. – temos outras preocupações agora.
- É verdade.
Ela assentiu, encobrindo a mão do futuro marido, afagando juntos o filho. E parecendo respondê-los, aquele mexer que Ichigo já havia sentido se repetiu sob as mãos dos dois. Ichigo sorriu para uma Rukia atônita com aquilo.
- O que foi isso, Ichigo? – ela perguntou confusa e boquiaberta.
- Ué, baka. Ele também quer falar com a gente... – Ichigo sorriu, afagando a barriga da mulher amada. Parecia já acostumado aquilo.
- Eu... não tinha sentido antes... – ela comentou, emocionada enquanto levava uma mão aos lábios. – É... maravilhoso!
- Eu sei, baka. – e voltou a beija-la. – Eu já tinha sentido... quando você estava dormindo.
Ichigo encarou Rukia que admirava o ventre, totalmente alheia ao que acontecia ao seu redor. Um sorriso maravilhoso emoldurava aquele rosto alvo. Algo maravilhoso existia em volta dela, talvez a maternidade, algo que a fazia ficar ainda mais linda. Viu com gosto encobrir sua mão e afagar a pequena vida que havia ali dentro, trocando um sorriso cumplice com o pai do seu filho.
Ichigo sentiu medo.
Que seria dele agora se Rukia houvesse perdido aquela criança que já amavam tanto? Já era tão querido. Não permitiria jamais que fizessem mal a ela, muito menos a ele. Sentiu-se mais uma vez culpado. O remorso lhe corroía. 'SE'... Aquela palavra doía tanto... Uma possibilidade que queria esquecer.
Desanuviou a mente. Não podia se prender ao que havia passado. Aproveitaria ao máximo aquele momento com Rukia. Algo tão especial. Algo que só pertencia aos dois. A vida que eles haviam gerado.
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- Vamos agora à explicação dos exercícios que passei. Todos fizeram as 427 expressões que foram passadas pra casa? – perguntava Ochi-sensei, animada como sempre.
Seguindo de forma lenta e dolorosa, a aula de matemática era assistida pela turma completa, exceto pelos dois lugares vagos, aqueles que pertenciam a Ichigo e Rukia.
E para a surpresa de qualquer um que visse, o único que não prestava atenção na aula revisória para a prova do dia seguinte era certo rapaz esguio de cabelos divididos em duas mechas, uma em cada lado do rosto e que usava um par de óculos de armação fina. Ele escrevia algo no caderno que não condizia com as fórmulas e expressões que adornavam o quadro-negro.
Fitou seu alvo. Ela estava distraída, na posição contrária a ele. Nem sinal de se virar para encará-lo.
Estalou a língua. Tinha de ousar.
E arrancando do caderno apenas aquele pedacinho escrito na parte inferior da folha, ele o amassou e fez uma bolinha. Perspicaz, esperou quando a professora se virou para trás e arremessou em um golpe certeiro o centro da mesa de certa morena que parecia mais dormindo do que a prestar atenção na aula.
Ficou a observar, mesmo que disfarçadamente, quando voltou a se posicionar de frente para o quadro, cruzando os dedos diante do rosto. Os cotovelos apoiados à carteira enquanto ele simulava prestar atenção à lição.
A morena se surpreendeu, vendo o que chegara a acertar seu braço que usava de apoio para a cabeça que quase caia de tanto sono. Piscou avidamente, sem entender o que acontecia como se acabasse de despertar de um sonho. Mas oras, estava mesmo dormindo.
Então quando foi abrir a pequena bolinha, algo lhe chamou a atenção.
- Sensei! – o quincy se levantou. – Poderia repassar a parte em que... – e passando os olhos pelo caderno, ele apontou o quadro. – elevou à raiz quadrada a expressão em que somou o valor de multiplicado por 3.87?
Tatsuki observou o quincy que parecia ser o mais adentro da matéria na qual a maioria que prestava atenção nem entendera do que ele estava falando. Aquilo realmente acontecia?
- Ah, Ishida-kun. Ainda bem que me lembrou dessa multiplicação! – a professora riu sem jeito. – Eu nem a fiz! – riu divertida, envergonhada.
- Não se preocupe, - e lançou um olhar cumplice para a morena e fitou o papel em sua mão, piscando um olho. – sensei.
O quincy voltar a se sentar. Era nítida a intenção dele aos olhos de Tatsuki. Ele era um gênio, ela sabia. Ele podia não ter visto meia aula, mas saberia tudo que havia sido dito nela. A pergunta fora apenas um álibi para que chamasse sua atenção e lhe indicasse ser o remetente de tal bilhete.
A morena, então, apertou o papel entre as mãos. Fitou Orihime que parecia aflita para a hora do intervalo chegar e, com um mau pressentimento, desembrulhou o pequeno bilhete.
'Preciso falar com você. É urgente. É sobre ela – Ishida .'
Ishida não tirara os olhos de cima da menina que, ao terminar de ler, apoiou o papel sobre a mesa e começou a escrever. Ela parecia tensa.
'Não posso hoje. Ela vai... ' E chegando ao final da frase, uma sombra se projetou sobre a carteira. Tatsuki ergueu o rosto, nervosa, quando viu a professora ao seu lado. Com os livros abertos em mãos, ela ajeitou os óculos, furiosa.
- Arisawa! Essa é a matéria?
E sem pensar duas vezes, a mulher pegara o papel da mesa. A morena ainda tentou recuperá-lo, mas já era tarde demais. Tremeu e trocara olhares com o quincy.
- Ora, ora. Cartinhas de amor no meio da aula, é isso mesmo, Ishida-kun? – a mulher balançou o papel no alto ao fitar o rapaz que corou violentamente.
O comentário divertido da professora os deixou constrangidos, mas atraiu risadas de quase todos na sala.
- O quê? O Ishida está com a Arisawa-san? – Keigo exclamou, colocando-se de pé na carteira. – Não acredito! Só eu não consigo ninguém aqui! – choramingou.
- Por que será? – Mizuiro na carteira da frente lamentou envergonhado com o ataque do amigo.
- Bem, eu sou louca para que se relacionem, façam sexo e criem polêmica nessa escola chata. – a professora assumiu. – Porém, as regras são claras. Ishida-san e Arisawa-san, por favor, retirem-se da sala.
- Hai, sensei.
Os dois imediatamente se levantaram, os rostos ardendo envergonhados.
Inoue, desentendida, estranhou aquela situação. Então era verdade... Suspirou pensativa enquanto os assistia sair e Ishida evitava encara-la. Sua amiga estava namorando seu namorado...
Saindo da sala, Tatsuki se agachou apoiando-se a parede do corredor. Ishida estava mais que envergonhado.
- Arisawa-san, me desculpe. – ele pediu, corado.
- Não se preocupe. – ela balançou a mão. – Não ligo pro que falam de mim mesmo...
E vendo a garota indiferente, Ishida se agachou ao lado dela.
- Arisawa-san! Preciso te dizer algo muito sério. Preciso que cheque para mim. – ele pediu.
- Hm? – ela arqueou uma sobrancelha. – Ishida, se é quanto a Inoue...
- Eu a vi comprando drogas. – interrompeu.
Tatsuki ficou em choque. Os lábios entreabertos se contorceram até em um sorriso quando ouvira aquilo.
- Está louco, Ishida? A Orihime jamais usaria isso... E aonde ela conseguiria isso?
- Arisawa-san! Eu a vi com aquela gang do terceiro ano. Vai sair com ela hoje, não é? Eu ouvi vocês conversando mais cedo... – e ajeitou os óculos, explicando.
- Ishida... O que... Isso não faz sentido!
- Veja a mochila dela! – Ishida a segurou pelos ombros. – Deve estar lá! – ele parecia desesperado.
- Você está louco! – Tatsuki protestou, arrancando as mãos do rapaz de si. – Ela nunca... ia se envolver com isso!
Ishida viu Arisawa se retrair. Estava atordoada só com a ideia de que a amiga estaria envolvida com drogas. Ele insistiu, colocando a mão sobre o ombro dela.
- Arisawa-san... só você pode... ajudar a Inoue-san... – ele suspirou pesadamente.
Tatsuki estalou a língua. Estava frustrada.
- Ishida... Isso não é verdade. – a morena balançou a cabeça, parecendo querer assumir sua ideia.
- Por favor...
E aproximando-se da morena, os castanhos amendoados dela se chocaram com os azuis dele. Ela estava tão frágil. Ishida se penalizou. Não devia tê-la envolvido naquilo...
Ela era tão... frágil.
Os rostos foram se aproximando. A mão do quincy deslizou do ombro até o pescoço e chegou até o rosto suave que a morena tinha. Afagou de mão cheia aquela pele aveludada. Tatsuki era linda. Uma garota que tinha tanta sensibilidade... Tanta força, mas que por dentro, era tão frágil. Frágil como... Orihime.
E os lábios se tocaram sutilmente. Ele sentiu a maciez que já tinha provado uma vez. A mão que estava no rosto correu para a nuca, afundando nos fios curtos negros. Ela se entregara.
Os braços passaram em volta do corpo masculino e esguio de Ishida que pediu permissão com mais carícias para invadir os lábios da amada. A língua quente provou cada detalhe do sabor da morena, mas os risos de algumas garotas que passavam pelo corredor os fizeram se repelir, envergonhados.
- Me desculpe, Arisawa-san! – o quincy pediu, sem encara-la, ofegante.
- Na... não foi nada.
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- Então foi isso que aconteceu?
A voz gélida de Byakuya perguntou enquanto ele mantinha o queixo apoiado no dorso da mão direita. O cotovelo de modo desleixado apoiado na mesa enquanto ele se recostava na cadeira de sua mesa. Diante dele estava o capitão do Gobantai, Kurosaki Ichigo.
- Exato. Ishida confirmou. – o substituto assentiu.
- Entendo. – e os olhos acinzentados fitaram a zanpakutou de Rukia apoiada à parede próxima. – Leve a zanpakutou de Rukia. – ordenou, seguido de um assentir suave de Ichigo. – Aliás, como ela está?
- Bem... – Ichigo desviou o olhar, trazendo uma expressão de estranhamento ao nobre.
- Que aconteceu? – Byakuya interrompeu, vendo que ele se comediria.
- A Rukia está com uma amnésia... temporária...
E o choque foi estampado no rosto alvo do capitão que chegou a se reerguer em um impulso.
- Como?
- Pode ficar calmo, Byakuya. – Ichigo, que se mantinha sentado, ergueu uma mão, tentando acalma-lo. – A Rukia está bem. Ela se lembra de tudo. Só não se lembra do que... a Inoue fez.
- Entendo. Deve ter sido um choque muito grande para ela... – o nobre suspirou, voltando a se sentar.
- Ela esta bem confusa. Menti dizendo que tinha sido atacada por um hollow. – explicou. – Hanatarou recomendou que não a contasse a verdade para não abalar a Rukia, já que ela está...
Ichigo se sentiu zonzo quando se interrompeu. Os olhos de Byakuya o encaravam a procura da continuação da sua fala. Que deslize terrível cometera. Engoliu a seco, quase se engasgando, quando retomou a fala.
- Tão ferida... e... bem, não seria bom para a saúde dela.
- Hm... – Byakuya estranho o empalidecer repentino de Ichigo. – Sente-se bem?
- Ah, sim! – e agitou as mãos, piorando a situação, realmente atípica. – Não se preocupe. É que... bem, estou um pouco exausto. Fiquei cuidando da Rukia a noite toda e...
- Não precisa se explicar. – interrompeu com um riso que tentou esconder. Ele parecia tão atrapalhado.
- Mas então, também queria falar algo comigo, não é? – perguntou Ichigo, cruzando os braços e com uma expressão curiosa.
- Sim... – e pigarreando, Byakuya o encarou com firmeza. – Kurosaki Ichigo. Quero agradecer pelo que tem feito a Rukia. Ela tem... se tornado uma shinigami excepcional graças a você.
- Na... não... – Ichigo corou. – Não fiz nada. A Rukia sempre foi... incrível. Tanto que me salvou e salvou minha família. – ele explicou o óbvio e de total conhecimento do nobre, mas estava tão sem graça que parecia novidade. – Ela sempre foi ótima. Apenas a coloquei em um posto em que tivesse mais evidência suas ações...
- De qualquer forma, está sempre a protegendo. Sempre cuidando dela. Não é a relação normal entre um capitão e um tenente. – Byakuya ressaltou.
Ichigo mais uma vez engoliu o nada. Chegou a doer. Aonde Byakuya queria chegar?
- É que... Rukia e eu, antes de termos essa posição, somos muito... amigos... – e sorriu timidamente, a mão suavemente apertando a outra em seu colo. – Temos uma amizade muito especial! E se não fosse ela, dificilmente eu sequer saberia o que é a Soul Society e...
- Kurosaki Ichigo.
E interrompendo mais uma vez, Ichigo sentiu o chão começar a ruir sob suas sandálias.
- Pela aproximação que há entre vocês, gostaria de solicitar que você e a Ruk...
- COM LICENÇA!
E aquela voz interrompera a fala de Byakuya que olhou por cima de Ichigo que permanecia boquiaberto. O nobre diria... o que estava pensando? Nem mesmo olhou para trás para encarar o tenente ruivo que adentrava trazendo consigo duas enormes caixas acompanhado do loiro responsável do sanbantai, Kira Izuru.
- Taichou, acho que já trouxe tudo meu que faltava! – anunciou.
Se Renji queria saber se tinha incomodado Byakuya com sua interrupção, o cenho franzido do nobre era a resposta. O rapaz de cabelos laranja ainda estava atônito ao pensar na pergunta incompleta de Byakuya. Seus olhos vagavam perdidos.
"Ele ia pedir para a Rukia... e eu..."
E os pensamentos de Ichigo foram cortados quando Renji chegou pela lateral e se apoiou no ombro do amigo, chamando sua atenção.
- Tá de bobeira aí, Ichigo? – ele riu, divertido.
- Re... Renji... – Ichigo gaguejou ainda perturbado.
- Que cara é essa? Viu algum fantasma? – e esmurrou de leve o braço do capitão.
- Boa tarde, Kurosaki-taichou. Kuchiki-taichou. – o loiro se curvou tentando sorrir, apesar de medroso, receoso por interromper a reunião de dois capitães.
- Boa tarde, Kira... – Ichigo respondeu. Estava devaneando ainda.
E um pigarrear interrompera a conversa.
- Posso saber que algazarra é essa? – o nobre questionou nitidamente irritado.
- Ah, vim trazer de volta minhas coisas. – Renji se adiantou e cruzou os braços. – Não devia ter jogado no depósito de lixo do Rokubantai, taichou! – ralhou.
Byakuya permaneceu indiferente à reclamação do ruivo, voltando sua atenção ao capitão.
- Bem, por favor, continue cuidando da Rukia. E qualquer coisa, se precisar aumentar a segurança dela, me avise.
E parecendo naufragar em um mar de frustração por Byakuya não prosseguir o que estava dizendo, Ichigo assentiu.
- S... Sim... – respondeu.
E talvez aquela pergunta fosse vagar para sempre...
Ficaria na memória de Ichigo enquanto a verdade não fosse revelada a Byakuya.
Talvez tivesse sido uma oportunidade que não mais teria. A última chance.
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Em uma lanchonete próxima a escola, Orihime, acompanhada de Tatsuki, conversava animada em uma das mesas.
A morena observava à amiga, que abocanhava um enorme hambúrguer com toda a vontade do mundo. Devorou metade dele em uma só mordida, fazendo as bochechas inflarem com tanta comida, mais do que a boca dela comportava. Tatsuki se assustou, um pouco tímida quando viu alguns rapazes que passavam rirem da menina tão bela que deixava migalhas caírem para fora da boca enquanto falava com a amiga.
- Ent... Ta...ki-chan, já ... z o ...balh... de ...tes? – ela perguntou em um idioma difícil de compreender no meio de uma mordida e outra.
- O que disse, Orihime? – a morena arqueou uma sobrancelha, esgueirando-se pela superfície bege da mesa tentando se aproximar e ouvir o que ela queria dizer.
Orihime ergueu uma mão e pediu para a amiga esperar. Depois de várias mastigadas, ela engoliu o conteúdo de sua boca e então, suspirando, levando uma mão ao peito, debruçou-se sobre a mesa e falou:
- Perguntei se já fez o trabalho de artes! – ela reafirmou, quase gritando. – Está surda, Tatsuki-chan? – riu divertida.
- Não, Orihime, é que... – Arisawa estalou a língua, cerrando os olhos quando se recostou ao estofado que havia na cadeira. – não dá pra entender com você falando com a boca cheia! – coçou a cabeça, sem graça em apontar a atitude da amiga.
- Ah, tudo bem! – Inoue riu, corando. – Mas diga, fez? Acho que vou ser reprovada... – comentou preocupada.
- Eu já fiz sim. – respondeu Tatsuki antes de levar o canudo do copo de refrigerante até os lábios. – Por que acha que vai ser reprovada? – perguntou, pausando para beber.
- Ah... – ela suspirou, recostando-se a cadeira. Inoue parecia desanimada. – Mal tenho ido às aulas...
- Eu sei... – a morena lançou um olhar triste e fitou as mãozinhas de Orihime apertarem o hambúrguer em suas mãos com sutileza, mas nada imperceptível. A angústia era notada em seu menor gesto. – Diferente da Orihime que eu conheci que era a melhor aluna da classe.
As palavras de Tatsuki machucaram Inoue. Não porque ela tivesse lhe ofendido. Não, não era uma ofensa. O que lhe feria era a pura verdade. Fazia tempo que não era aquela aluna exemplar, aquela boa amiga... Tanto tempo que não era o que gostava tanto de ser...
Ela baixou os olhos, tentando desviar dos castanhos da amiga. E como num reflexo, Tatsuki repetiu a ação, mas ao invés de focar o chão como Inoue, voltou sua atenção a janela. Havia muita gente nas ruas que pareciam apressadas a correr, pois uma forte ventania acompanhada de nuvens carregadas anunciava uma chuva forte.
- Parece que vai cair um temporal, né? – a Arisawa perguntou, apoiando os cotovelos à mesa. Agora tentando desconversar o que parecia ter atingido a amiga.
- Tatsuki-chan... – Inoue chamou, fazendo a morena a encarar. – Vou ao banheiro rapidinho, tá? – e rapidamente levantou-se da mesa, afastando a cadeira para se retirar. Ela parecia tão melancólica.
- Eu vou com você! – a morena sorriu, levantando-se também.
- Não! – a garota protestou, quase que com um berro de tão elevado que seu tom foi.
Tatsuki se retraiu um tanto quanto assustada com o impedimento da amiga. Não era tão normal e divertido amigas irem ao banheiro juntas? Sempre faziam aquilo...
- É que... – Inoue riu um pouco forçadamente. Viu que havia assustado a amiga. – quem vai cuidar das nossas mochilas enquanto estivermos lá, não é?
Arisawa sabia que não era por causa disso que Inoue queria ir só, mas mesmo assim, não tinha saída a não ser acatar a decisão da amiga. Deu de ombros, assentindo um pouco sem graça ainda pelo berro que havia recebido de Inoue, mas não fez nada mais que se colocar de volta em seu lugar e beber de seu refrigerante.
- Com licença.
A garota saiu graciosamente. Era belíssima e atraia a atenção por onde passava. Tatsuki riu ao ver quantos garotos caiam aos pés dela só de vê-la. E mesmo assim, por que menina tão linda e especial era tão infeliz? Por que aquele olhar triste?
Será que apenas Ichigo realmente lhe importava?
E então as palavras de Ishida surgiram em sua mente como se o quincy, ali em seu ombro, aparecesse e sussurrasse em seu ouvido.
"- Eu a vi comprando drogas."
Arisawa tremeu dos pés a cabeça, mas os olhos castanhos não hesitaram em fitar a pasta da garota. Será que ele estava certo? Sentia-se podre em desconfiar da amiga! Podia ser amiga de Ishida, mas sua relação nem aos pés da que havia com Orihime chegava... Mas será que ela estava em risco? Envolvida em coisas ilícitas?
"- Veja a mochila dela! – Ishida a segurou pelos ombros. – Deve estar lá! – ele parecia desesperado. - Arisawa-san... só você pode... ajudar a Inoue-san... – ele suspirou pesadamente."
Arisawa levou os ombros à mesa e a cabeça as mãos, se afundando no desespero entre o conselho dado por Ishida que parecia tão correto e a lealdade para com Orihime.
"É melhor eu me machucar com a verdade... do que insistir na mentira e ver a Orihime se ferir..." ela pensou, alegando aquilo a si própria como sua motivação.
E não hesitou mais. Levantou-se e foi até a pasta que estava na cadeira ao lado da que Inoue estava sentada. Sentou-se com a pasta no colo, olhando para os lados e na direção que a amiga fora, temendo ser pega. Então puxou o zíper que tinha pendurado um chaveiro com um gatinho da sorte. Abriu a bolsa e afundou a mão. Por mais ágeis que tentavam ser a procurar algo suspeito, as mãos tremiam, deixando ela confusa e tensa. Revirou e nada. Não encontrou nada.
Por ultimo, esgarçou a bolsa e observou tudo que havia dentro dela. Nada.
O fundo preto estava um pouco sujo por um pó branco. Aquilo fez Tatsuki franzir o cenho. Mas procurando melhor, viu que ali também estava o estojo de maquiagem da amiga. Com certeza era um blush ou sombra para os olhos. Suspirou aliviada e se sentindo nojenta por ter feito aquilo.
Rapidamente fechou tudo e depositou no mesmo lugar. Já ia voltando a sua devida cadeira quando...
- Tatsuki-chan!
A morena gelou dos pés a cabeça. Virou-se para trás e viu a menina sorridente.
- Foi a algum lugar? – ela perguntou ingenuamente.
- Anh? – Arisawa piscou. Não tinha sido vista? – Ah, eu fui... – e encarou a mesa, de onde tirou dois sachês de mostarda e ketchup, um de cada. – fui pegar esses molhos para nós!
E um sorriso falso cruzou seus lábios e corroeu sua alma. Era falsa. Era mentirosa. Havia suspeitado da amiga, revirado seus pertences... E se lembrar de que havia beijado Uryuu mais cedo no colégio... Sentiu-se a pior pessoa do mundo.
Orihime não entendeu quando viu os lábios da morena se contorcerem e o rosto tão belo ser preenchido com tanta angústia. Os olhos acinzentados piscaram confusos mais ainda quando Tatsuki se lançou, envolvendo-a em seus braços em um aperto firme.
- Me desculpe, Orihime! – ela pediu.
- Ta... Tatsuki-chan? – a garota gaguejou, correspondendo o abraço um tanto quanto atordoada com a atitude tão inesperada. – Que aconteceu?
- Nada... – e as lágrimas da morena respingaram na blusa branca da amiga. – Me desculpa, Orihime. – ela pediu, afastando-se. – Por favor... Vou tentar ser uma amiga melhor, ok?
Elas se encararam próximas. Orihime se sentiu culpada e perturbada ao ver a expressão tão entristecida da amiga que chorava. Ao se afastar, a princesa segurou as mãos da amiga e as levou até ao peito.
- Tatsuki-chan! Você... está falando isso... – e sorriu. – por causa do Ishida-kun?
Tatsuki sentiu o coração falhar uma batida. Mais pelo sorriso que a amiga esboçou do que pela revelação de estar magoada por causa do beijo com Ishida naquele dia em que presenciara. Mesmo que sorrisse, se ela assumia que estava pedindo desculpas pelo ocorrido com o quincy, era porque considerava um motivo para que fosse perdoada.
- Si... sim... – ela não tinha saída a não ser assentir.
- Não se preocupe! – Inoue afirmou abrindo um largo sorriso. – Eu não gosto do Ishida-kun! Pelo contrário, eu acho... muito bom que você esteja namorando ele!
- Namorando? – ela corou assustada. – Não... eu!
- Tatsuki-chan, não tem que me esconder. – a menina balançou a cabeça, sem tirar aquela expressão compreensiva e sorridente dos lábios. – Ishida-kun merece você!
E terminou abraçando a amiga, deixando-a mais confusa que nunca.
Ela não precisava mais do Ishida-kun... Ela teria o seu Kurosaki-kun. Em breve.
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Ichigo estava inquieto.
Não conseguira fazer muita coisa naquele dia a não ser visitar Byakuya e inventar uma desculpa muito esfarrapada para não ir até ao comandante, que exigia que ele depusesse sobre o ocorrido com sua tenente. Teria que culpar Inoue...
Inoue...
Era ela que não deixava sua mente em paz.
Estava perturbado. Precisava ir até ela. Precisava tirar aquela história a limpo. Joga-la contra a parede, fazer algo. Nem que fosse exigir que pedisse desculpas a Rukia, mas sua real vontade era chegar lá para arrancar os cabelos dela de tanta raiva que tinha. Mas precisava ser prudente. Mas não fazer nada, ver Rukia totalmente alheia ao que acontecera e ter consciência de quem a ferira e não fazer nada lhe angustiava. Não a protegia e nem fora defendê-la perante sua algoz.
Estava inquieto. Não sabia se aquela louca poderia aparecer lá e voltar a fazer algo contra ela.
Cruzando a porta, parou estático.
Esperava encontrar Rukia ainda deitada e descansando, mas para sua surpresa lá estava a morena com as duas agulhas em mãos com lã rosa que já havia cozido o suficiente para identificar uma blusinha.
- Rukia? – jovem se apoiou ao batente, piscando confuso.
- Ichigo? – a morena se virou, sorrindo com gosto ao amado. – Que houve? – ela piscou estranhando a expressão séria dele.
A surpresa logo se dissolveu em alegria quando a viu ali bem e sorridente. Estava preocupado.
- Pensei que ainda estivesse descansando... – ele comentou ao se aproximar.
- Não, já estou bem! – sorriu. – Hanatarou veio aqui e terminou de me curar. – e mostrou o rosto já sem marcas.
Ichigo se sentou ao lado da morena, afastando as lãs no sofá para lhe dar espaço.
Sem cerimônias, tocou o rosto já impecável tão alvo.
- Que bom! – Ichigo sorriu. – E o que está fazendo? – apontou o trabalho nas mãos dela.
- Ah, mais roupinhas! – respondeu. – Não sei o que aconteceu, mas aquelas que eu tinha feito... parece que sumiram...
Não haviam sumido... Ichigo havia escondido a lã desfeita e arrebentada que havia encontrado no chão. Sabia muito bem quem havia destruído aquilo que Rukia fazia com tanto carinho para o filho deles. Doeu o peito, mas ele tinha que se conter. Segurou uma das maçãs do rosto dela e beijou com ternura os lábios.
- Acho que você guardou em algum lugar e não achou, né?
- Não. Procurei em todos os lugares! – explicou. – Não achei nada.
- Sei... – ele engoliu seco, desviando os olhos âmbar. – Depois eu te ajudo a procurar, tá?
- Tá... – Rukia sorriu recebendo o afago de seu amado.
- E essa roupinha? Rosa? Mas você não reclamou quando comprei o vestido? – ele riu maroto enquanto cruzava os braços, fingindo estar irritado.
- Ora, não sabemos se é menino ou menina! – corou. – Temos que fazer para os dois! – explicou enquanto tirava algo da bolsa com lã. – Olha!
Ichigo riu ao ver os botões pequenos em formatos de cabecinhas de chappy.
- Gostou? – os olhos azuis dela brilhavam ao ver o mimo.
- São muito lindos! Vai ficar mais lindo ainda nela... – e sutilmente ele tirou as agulhas das mãos de Rukia, pousando-as sobre o braço do sofá, abraçando-a. – ou nele, não é?
Rukia sorriu, sentindo-se abraçada por trás por Ichigo. Ele afagou com ternura o ventre da amada. E uma dúvida cruzou sua mente. Ela não tinha pensado naquilo ainda.
- Ichigo... Qual nome você quer dar a ele?
- Hm? – o substituto piscou, surpreso com a pergunta. – Ah, isso quem faz não são as mães?
- Deixa de ser bobo! – ela notara que ele tentava escapulir da pergunta. – Me diz, que nome?
- Mas não sabemos se é menino ou menina, como você mesma disse! – explicou.
- Então temos que escolher um nome... – e se recostou melhor no peito de Ichigo. – para menino e outro para menina.
- Dois nomes? – Ichigo soltou um dos braços da morena para coçar a nuca, confuso. – É difícil! Não podemos chama-lo só de bebê por enquanto? Ainda falta mais de cinco meses, não é?
- Baka! – a baixinha xingou, cotovelando o estômago de Ichigo que gemeu baixinho, massageando o local. – Temos que chama-lo por um nome...
- O Hanatarou disse que já podemos saber se é menino ou menina! Então quando fizermos isso, nós damos o nome, ok? – ele perguntou, voltando a afaga-la em seus braços.
- Não! Não quero saber até ele nascer! – protestou.
- O quê? – Ichigo exclamou, irritado. – Está louca? Eu quero saber o que é!
- Não! Eu não vou saber! – a shinigami disse decidida.
- Rukia! Não vou passar esse tempo todo sem saber! – brigou.
- Pois vai ficar sem saber!
Ichigo suspirou. Ela era teimosa mesmo, não havia como protestar.
- Você prefere o quê...? – Rukia interrompeu o silêncio desagradável que se formara.
- Eu? – Ichigo perguntou.
- Não, idiota! A parede! – a morena ralhou como de costume, fazendo uma veia ser exposta na fronte do jovem que estalou a língua, irritado.
- Bem... não prefiro nada.
- Como assim? – Rukia piscou.
- É. Se for menina ou menino, não me importo. Apenas quero que nasça saudável... É a única coisa que realmente me importa...
Rukia sentia sinceridade nas palavras dele e aquilo a emocionou. Afagou os braços que a envolvia, recostando a cabeça no peito do jovem. Ele pôde ver um sorriso satisfeito nos lábios dela.
- Se for menina... – ela começou. – será Misaki.
- Misaki? – Ichigo perguntou confuso. – Por que Misaki?
- Porque lembra um nome especial... – Rukia respondeu. – Mesmo que eu não tenha a conhecido...
Ichigo sentiu o coração apertar quando notou o que ela queria dizer. Beijou com ternura o topo da cabeça da garota. Ela conseguia capturar o mais singelo sentimento dele. Foi a vez dele se emocionar.
- Obrigado, Rukia... – ele sorriu, apoiando o queixo a cabeça da pequena. – E se for menino...
- Tem alguma sugestão? – Rukia tentou se virar para encara-lo, animada.
- Ah, contanto que não seja Byakuya ou Isshin... – ele avisou.
- Baka! – Rukia ralhou. – Byakuya é um nome lindo. – e a expressão severa mudou para um sorriso quando pensou no bebê em seus braços. – Eu pensava em... – e recostou-se ao peito novamente. – Ginrei.
- Ginrei? – Ichigo perguntou. – Mas que nome feio! Nome de velho! – ralhou, tomando um novo soco da baixinha.
- É nome do avô do nii-sama! – Rukia vociferou explicando.
- Olha, não importa o nome dele, tá? – e a beijou no topo da cabeça mais uma vez. – Contanto que ele não seja tão brigão quanto à mãe...
Rukia riu, mesmo que irritada com o comentário. Disfarçou, tentando esconder o sorriso no peito do substituto. Ele logo segurou a mão da amada e a conduziu até seu próprio ventre. Ali ficaram afagando por um bom tempo o bebê que já era motivo de tanta alegria e até mesmo de novas brigas entre os dois.
E com aquele suave carinho, a morena já quase caía no sono.
- Rukia.
- Hm? – ela abiu os olhos, parecia que havia acordado agora.
- Estou indo para Karakura, tá?
- Karakura? – Rukia indagou surpresa.
- Sim. – ele respondeu. – Preciso resolver umas coisas... – e os olhos castanhos desviaram do par de safiras que conseguiam enxergar através de sua alma. – ...com meu pai.
E cada mentira parecia uma lâmina perfurando sua alma. Ichigo sentia-se nojento fazendo aquilo, mas ele sabia que era o certo. Não podia deixar sua amada indefesa e desprotegida daquela maneira.
- Com seu pai? Posso ir com você?
- Não, não se preocupe. Eu vou voltar antes de anoitecer. – avisou. – E não quero que se esforce. Por mais que Hanatarou tenha te curado, você não pode ficar se indispondo tanto assim, Rukia.
- Mas eu estou bem! – ela se virou de frente a ele e protestou.
- Eu sei que está. – o garoto passou uma mecha por detrás da orelha da pequena. – Mas fique, por favor. Pense no nosso filho. Ele precisa de descanso, Rukia. O que acontece com você afeta a ele também. – explicou.
E um amor inigualável brotava naquele par de castanhas que encarava seus olhos azuis, refletindo-a com um carinho tão puro e casto.
- Eu sei... – Rukia suspirou.
- Já volto, boba! Vamos passar a noite juntos, tá?
- Vamos, é? – e um sorriso malicioso cruzou os lábios da morena.
- Vamos... – ele riu da animação dela. – Vou compensar o que não quis fazer essa madrugada. – e dois dedos suavemente deslizaram pela nuca da morena.
Rukia sorria de forma desafiadora ao jovem. Mas ele parecia apenas brincar realmente. Ichigo parecia tão... preocupado.
- Está tudo bem com você, Ichigo?
- Hm? – ele piscou. – Por que está perguntando isso, Rukia?
- Porque... parece tenso. – ela respondeu levando as mãozinhas aos ombros dele, massageando com carinho.
- Não, não estou. – ele riu.
- Está sim, seus músculos estão rígidos. – notou.
- Não se preocupe, baka. Eu estava preocupado com você, só isso! E olhe, enquanto eu estiver fora, fique com o denreishinki bem perto de você! Vou querer saber como está e qualquer coisa que acontecer me avise, tá? Se espirrar, me avise! – ele parecia absoluto.
- Tudo bem, senhor Kurosaki Ichigo-taichou, supremo capitão do Gotei! – ela ria irônica.
- Ah, tá, engraçadinha! – zombou. – É sério!
Os dois ficaram a se encarar. Os olhos azuis confusos de Rukia se angustiaram ao ver os tão preocupados de Ichigo. O que era aquele mau pressentimento que corroía sua alma? Por que algo lhe dizia para não deixa-lo ir? Aquele mesmo pressentimento que teve antes que fosse encontrar Renji e ocorrer tamanha tragédia... Aquele pressentimento que teve quando ele a deixou sozinha no esquadrão e...
"- Acha que não sei que está grávida do Kurosaki-kun?"
Rukia levou a mão rapidamente à fronte, sentindo uma forte tontura a acometer.
- I... Inoue... – ela gaguejou, apoiando-se a Ichigo.
- Rukia! – Ichigo, preocupado com a palidez e o quase desfalecimento dela, a amparou segurando-a pelos ombros. – Que aconteceu?
Ele voltou a apoiar o corpo pequeno da amada em seu peito, preocupado.
- Rukia!
- Calma, tudo bem... – ela respondeu, voltando a abrir os olhos. – É que eu... lembrei...
- Lembrou-se de quê? – Ichigo se antecipou, preocupado. Será que a lembrança de Inoue lhe atacando voltara?
- Não... Lembrei que você havia saído e eu estava aqui crochetando quando... – e novamente um gemido cortou sua fala e ela voltou a cerrar os olhos com força.
- Rukia, não se esforce! – Ichigo pediu, afagando-a em seus braços. – Não tente se lembrar disso. Toda vez que tenta, acaba se sentindo mal assim! – explicou.
- Ouvi a voz da Inoue... – ela revelou confusa.
- Fique tranquila. – Ichigo a abraçou com firmeza. – Eu... vou resolver isso, ok?
- Anh? – Rukia questionou, voltando a abrir o par de safiras.
- Rukia, vai ficar tudo bem, eu prometo!
E encarar aquele par de âmbares tão decidido, seu peito apertou novamente.
- Ichigo... – ela chamou, sentindo a angústia lhe invadir.
Ele se levantou, ainda a trazendo em seus braços para deitá-la com cuidado no sofá, mesmo sob resistência da morena que logo se pôs sentada de volta.
- Ichigo, não... – ela segurou seu pulso. – Não vá.
- Fique calma, Rukia. Você está segura. Eu pedi para os guardas do rokubantai virem reforçar a segurança daqui também. – ele explicou.
- Não é isso...
Ela protestava quando os lábios de Ichigo encobriram os seus. Ele a beijara com paixão, tomando-lhe de volta em um abraço. As mãos percorreram o corpo frágil da amada. Ela não podia impedir aquilo e ele a dominava com sua doçura, sua ternura, seus carinhos... Uma lágrima solitária escorreu pelo rosto de Rukia enquanto seus protestos e temores foram cessados pelo carinho de Ichigo. Ele se afastou, segurando as duas maçãs do rosto da pequena, dedilhando com o polegar a lágrima que teimosa escorria pelo rosto alvo. Beijou a fronte da pequena com carinho, afagando aquele rostinho choroso.
- Não tenha medo... – ele pediu.
E ajoelhando-se entre as pernas de Rukia, ele depositou um novo beijo no ventre onde seu filho estava.
- Cuida bem da mamãe pra mim, tá?
E com aquelas palavras ele sorriu para a morena que se esforçou, limpando as lágrimas e sorriu para Ichigo. Ele era tão carinhoso. Levantando-se, deu meia volta, foi até próximo à porta e pegou zangetsu encostada a parede e a deixou.
Ali Rukia permaneceu sentada assistindo Ichigo partir e aquela angústia corroer sua alma. Abraçou a si mesma e o filho. E novamente ela conseguira sentir aquele mexer suave dentro de si, mas dessa vez parecia mais forte. Chegou a doer. Afagou a barriga com carinho, tentando acalmar aquele que carregava.
O que ela pensava ser apenas um reflexo de seu medo afetando aquela pequena vida, talvez fosse o sinal de que uma forte chuva estava para começar a cair. E um trovão estrondoso ressoou, contrastando com um dia que havia feito tanto sol. Um dia tão bonito que agora era ameaçado por nuvens carregadas que traziam consigo uma intensa tempestade. Tão forte que talvez se tornasse uma enxurrada... e levaria tudo o que havia com ela.
Continua...
