Epílogo.

De pé, aplaudi minha linda esposa com sua barriga de oito meses caminhar até ao palco e subir os degraus sendo apoiada pelo meu Tio Carlisle. Ela venceu o prêmio Isobel pelo seu inovador tratamento contra a meningite. Sorrindo para ele, piscou querendo afastar as lágrimas. Durante a gestação, ela chora até se ganhar um sorvete, dirá um prêmio. O relacionamento deles melhorou muito depois que ficou claro que ela é tão competente como chefe de departamento assim como mãe, ela é a melhor esposa do mundo também. Não cabe em mim o orgulho que sinto dessa mulher, a minha doce, inteligente, tagarela e despretensiosa Bella, ou melhor, agora Dra. Masen. Seu discurso foi emocionado, porém firme, e ela conseguiu a atenção de diversos médicos para sua causa, o novo hospital, dessa vez construído em meio a uma zona de guerra: A síria.

Abracei-a apertado e ela recebeu felicitações de todas as pessoas ao nosso redor. Mal conseguimos falar com o outro, era muita gente querendo um pouco da sua e da minha atenção. Acabei de publicar uma pesquisa que está fazendo muito sucesso no meio, mais do que esperava, não era o meu objetivo inicial e jamais imaginei que ela seria cotada para entrar na grade curricular de diversos programas de residência em cardiologia pelo país. Foi uma surpresa agradável e que ouvi diversas vezes da minha esposa que eu devo dar mais valor a minha competência. Ela tem razão. Jantamos e não ficamos para o baile. Bella está com uma barriga imensa e ficando muito cansada com facilidade. Despedimos-nos dos meus tios que ficariam na festa. O casamento deles passou por uma onda muito ruim nos últimos anos, mas depois que meu pai voltou a ser quem era, percebemos que muitos problemas na família diminuíram.

Minhas tias mais velhas afastaram-se de novo, principalmente depois do episódio que o infeliz do meu primo provocou em nossa família. Segurei a mão dela enquanto dirigia e esfreguei sua cicatriz. Ela não fala sobre o assunto, mas é algo que ainda não superei e tenho medo todas as vezes que saio de casa. Não vivemos mais próximo ao hospital. A família cresceu além do que esperávamos nos últimos quatro anos e deixamos aquele apartamento como nosso local de descanso durante a semana, uma dormida e outra em plantões, quando queremos fugir das crianças e nossos amigos também usam o lugar para o mesmo fim. Às vezes nos encontramos lá... Jéssica precisando de um tempo de Mike. Eles ainda não tiveram filhos, mas se casaram há dois anos. Às vezes Benjamin corre para o apartamento para jogar um pouco. Rosalie e Emmett para fugir de Mason e Jenny.

Alice e Jasper ainda não têm filhos, eles casaram um ano depois do meu casamento, mas ela ainda está terminando sua residência. Meu amigo mal vê a hora de ser pai. Em todo caso, agora vivemos na ilha, próximo aos meus pais, em uma casa imensa, com direito a cachorro, gato, um coelho infernal capaz de roer todas as coisas no caminho e quatro crianças. Com dois na barriga. A gravidez definitivamente não foi planejada. Eu achei que o efeito da vasectomia não faria tanto efeito algumas semanas antes do previsto. Nós dois meio que não aguentávamos mais o jejum e Bella não estava mais tomando remédios... O resultado é que estamos esperando gêmeos. Ainda não sabemos o sexo. Será tudo uma surpresa.

Abri a porta de casa e respirei fundo. Bella soltou um grito e tapei a minha boca para não rir. Zoe tem cinco anos. Ela é terrível. Atentada, pimenta, respondona e mais todos os adjetivos que podemos para classificar uma criança arteira, mas nada se compara ao seu irmão, agora mais velho, Josh. Ele tem seis ano personificação do demônio da tasmânia em forma de criança pequena. Ethan, o nosso menino de três anos de idade, estava enrolado em fita durex e papel higiênico. Ava, nossa princesinha de quase dois anos, estava comendo o papel higiênico. E a baba da noite, o "Tio Peter", de quinze anos de idade, estava segurando duas fitas durex.

- Eu disse a você que não era uma boa ideia. – Bella suspirou. Marley, nosso labrador em homenagem ao filme, veio correndo todo sujo de lama. Leo, nosso gato, correu e derrubou o abajur. Às vezes a nossa casa parecia um verdadeiro circo dos horrores. – Nós planejamos ter três filhos. Quando chegamos ao dobro?

Encolhi os ombros.

Zoe chegou em nossas vidas e abriu o nosso coração para a paternidade, logo engravidamos do Ethan, o nosso amado menininho. Quando ele completou dois meses de idade, sentados esperando a nossa vez no pediatra, encontramos Bree, a assistente social que perguntou se poderia conversar conosco, ao nos voluntariarmos para sermos responsáveis temporários de um menininho de dois anos de idade que havia perdido dos pais, que eram imigrantes ilegais. Ele ainda estava sem uma família capacitada para recebê-lo, porque ele tinha que fazer o tratamento contra meningite. Bella apenas me olhou, dizendo que era a minha decisão. Nós dissemos que sim, uma loucura pegar uma criança com uma doença contagiosa com dois bebês em casa, mas ele foi um amor à primeira vista.

Internamos Josh e enquanto Bella estava em casa cuidando da sua licença maternidade, dos pontos da sua cesárea de emergência e das crianças, cuidei dele. Um menininho de pele clara, mas de cabelos cacheados, quase crespos e olhos castanhos claros. Ele era esperto, agitado e foi amado. A adoção foi apenas uma formalidade. Ele se tornou nosso logo que o encontramos. Hoje, eu quero colocar uma coleira nele, sinto saudades daquele bebê sorridente e não dessa criança impossível. Ava, a última gravidez também não foi planejada. Sexo na piscina tem dessas coisas. Aconteceu. E agora nós temos um time. Quatro crianças pequenas em casa. Dois a caminho. Duas carreiras a todo vapor. A nossa vida é uma loucura, porém, temos ajuda. Meus pais estão o tempo todo os buscando na creche, levando para as aulas extracurriculares, ou Charlie, ou Charlotte, que é a Vovó Char. E tem o Tio Peter, que é pior que todos eles juntos.

- Irmã, eu pensei que você fosse demorar mais. Eu vou limpar tudo. – Peter disse a Bella.

- É claro que vai. – ela tirou os sapatos. Peguei Ava no colo e limpei a sua boca de papel. – Por que você resolveu colar meu filho com durex?

- Era um experimento. Saber se aquela imagem da criança colada na parede é real ou montagem. Estávamos brincando de caçador de mitos.

Nenhum dos três que já sabiam falar soltou um pio. O olhar da mãe era o suficiente.

- Você está linda, mamãe. – Josh disse suavemente. Escondi meu rosto em Ava para não rir.

- Peter, descole meu filho. – Bella disse ocupando um lugar no sofá. – Joseph e Zoe. Cada um em seu quarto e esperem que o pai de vocês irá ajudar com o banho e colocar na cama.

- Você vem dar beijinho de boa noite, mamãe? – Zoe perguntou e eu vi que suas mãos estavam vermelhas.

- Isso é o meu batom? – Bella quase gritou. – Desapareçam!

Os dois saíram correndo escada acima.

- Deixa que dessa aí, eu cuido.

- Papai, me leva no colo? – Ethan pediu quando o último pedaço de durex saiu do seu corpo. Bati na sua bunda suavemente e ele saiu correndo para escada também.

Soltei o vestido de Bella e ela ficou com Ava falante e Peter começou a limpar a bagunça. Para economizar tempo e água, coloquei os três na mesma banheira. Lavei o cabelo de Josh, que parecia que tinha cola nos cachos. Esfreguei as pernas de Zoe sujas de batom vermelho e passei removedor nos braços de Ethan para tirar a cola do durex. Coloquei o pijama em cada um e perguntei se estavam com fome, mas eles disseram que Peter esquentou o jantar. Comeram legumes, com frango e suco de laranja. Josh dormiu rapidamente, Ethan também, já Zoe esperou Bella vir dar o beijo e ela seguiu para o quartos dos outros dois para cobrir do seu jeito maternal e sussurrar que os amava, ambos sorriram e voltaram a dormir.

Troquei a fralda de Ava, dei seu banho e mamadeira. Ela apagou, provavelmente muito cansada de todas as brincadeiras.

Abri a porta do quarto de Peter. Com Charlie e Charlotte viajando o tempo todo a trabalho, ele precisava de um lugar, rotina e rédeas.

- Ei carinha, nada de jogo até tarde. Estudou para sua prova? – perguntei e ele estava limpando seus óculos. – Seus olhos estão doendo?

- Desde cedo estou lacrimejando um pouco e fica embaçado. – disse e segurei seu rosto.

- Vou marcar o oftalmologista amanhã. Ainda com dor de cabeça? – perguntei e ele afirmou. – Ok. Não demore a dormir. E nada de colar meus filhos na parede.

Tranquei as janelas, acionei os alarmes e saí para dar boa noite ao segurança da guarita que ficava em nosso portão. Desde o sequestro, estou terrivelmente paranoico e tenho seguranças com meus filhos para todo lado. Coloquei Marley para sua cama, renovei seu pote de comida e água. Peguei Leo de cima do armário da cozinha, subi com ele e soltei no quarto de Zoe, ele subiu na poltrona, se enroscou e deitou. Olhei as crianças mais uma vez antes de seguir para o quarto e encontrar Bella ainda do banheiro nua. Esfregando a barriga e com um beicinho, sentou na beirada e apontou para seu creme hidratante.

- Vou tomar banho e já venho cuidar de você.

Desde que descobrimos que a gravidez era de gêmeos, Bella estava de repouso em casa. Ela sofreu uma queda na sala de cirurgia que ocasionou em um sangramento, foi no exame que Jasper constatou que a placenta dela estava baixa demais, também nos demos conta que havia outro bebê. Ela foi obrigada a tirar uma licença de repouso e hoje só fomos porque não iriamos demorar, mas amanhã a obrigaria ficar na cama. Ela tem reclamado de dores nas costas e a sua barriga está enorme, maior que as outras duas gestações. Saí do chuveiro, me sequei e coloquei minha calça do pijama. Estou com meus pulsos doloridos da longa cirurgia de hoje, mas enfrentei a minha tarefa noturna favorita: Passar hidrante em todo corpo dela.

Nós temos uma rotina de casados há mais de dez anos, mas só temos cinco anos juntos e acho incrível a forma que mesmo com quatro crianças, somos recém-casados. Raramente brigamos, a paternidade nos livrou de uma série de problemas egoístas e nossa prioridade é sempre estar com a sinceridade em dia, combinamos que mesmo que a verdade doa, iremos falar para o nosso bem. Bella é muito mais tranquila que antes, não discutimos por bobeira e ainda tiramos dias para comer pipoca e beber vinho, principalmente quando enxotamos as crianças, até o mais velho Peter, que apesar de não ser filho, é nossa responsabilidade, cuidado e amado como todos os outros. Ele foi oficialmente adotado por Charlie alguns anos atrás e sei que minha esposa tem os dez dedos nisso porque ela queria Peter como seu irmão. Os dois se entendem, porque são gênios e são iguais. Ela dá a normalidade que a escola não proporciona.

Passei a mão na sua cicatriz e ela me deu um olhar calmo. Sei que sou o único a reviver esse pesadelo, ainda lembro como se fosse ontem.

- Você precisa deixar isso pra lá. – ela sussurrou quando suavemente esfreguei sua barriga. Os bebês se mexeram e ela suspirou. – Não tem mais espaço, eles devem disputar por quem fica com o cotovelo na frente do outro.

- Seis filhos.

- Você me engravidou três vezes. – bufou, reclamando do seu corpo.

- Se houvesse algum problema com seu corpo, pode ter certeza que não teríamos tantos filhos.

- Duvido que algo ficará em pé depois desses dois.

Revirei os olhos e beijei sua pele esticada da barriga.

- Eu não posso gerar filhos, amor. Só amar você por poder me dar todas essas benções. Zoe chegou em nossas vidas por sua causa. Josh por causa dela. Foi você que olhou para ele e chamou de "amor da mamãe". – sorri e ela mordeu o lábio. – Foi você que lutou por doze horas para tentar trazer Ethan da forma mais saudável e sobreviveu aquela cesariana apavorante. Eu achei que ia te perder ali, fiquei assustado e eu sou um médico, acostumado a ver cirurgias o tempo todo. Foi você que gemeu de dor por horas no parto da Ava e no segundo seguinte estava levantando para tomar banho. E agora... Esses dois ao mesmo tempo. Eu te amo, Bella. Olha a família linda que você me deu. O seu corpo? Ele é perfeito. Sinceramente, olhei para sua bunda o tempo todo enquanto andou até o palco hoje.

Ela riu e me bateu suavemente, beijei seus lábios, cada um dos seus seios e sua barriga. Bella me deu aquele olhar quente que meu pau sempre responde ao comando e me afastei. O jejum sexual faz parte do repouso, mas ela anda insistindo e tirando o fio que me resta de sanidade. Se estou com saudades de fazer amor com a minha mulher? É claro que sim, mas a saúde dela e dos nossos bebês está acima da minha necessidade sexual. Deitei do seu lado depois de ajudá-la a vestir sua calça do pijama e o seu top confortável de dormir. Apaguei a luz do abajur e nos cobri. Ela deitou de lado, encaixando sua bunda exatamente onde eu adoraria em outros tempos e soltou uma risadinha com meu gemido.

- Comporte-se. – sussurrei beijando atrás da sua orelha.

- Estou comportada, as crianças que não.

- Você está falando os da barriga, certo? Não ouço nada.

- Já ouvi duas risadinhas...

- Eles nunca dormem? – gemi levantando da cama.

Abri a porta do quarto a tempo de ver Zoe correr de volta para o seu quarto. Ela costuma demorar a dormir ou a cochilar e acordar logo em seguida. Não fica satisfeita em ter a companhia do Leo, o gato irritante que trouxe para casa depois que o encontrou filhote na rua em um passeio com Peter, ela precisa acordar seus irmãos. Ethan estava dormindo, então a companhia dela que não estava na cama era Josh.

- Estou sem sono, papai. – Zoe disse docemente sentada na cama.

- Josh, saia do armário e vá para o seu quarto antes que eu decida colocar vocês dois de castigo.

Ele saiu correndo disparado para o seu quarto.

- Deita na sua cama. – pedi a Zoe e ela se cobriu. – Feche os seus olhos. Se eu levantar de novo, vai ficar sem ir a sua aula de judô por um mês. – disse sabendo que ela adora aprender maneiras de imobilizar seus irmãos. Ela bate nos dois. Saí do seu quarto e apenas olhei para Josh. Fechei ambas as portas para ouvir caso eles voltem a abrir. Olhei os dois menores adormecidos e voltei para o quarto. – Por que eles são tão ligados na tomada?

- Eu não sei, mas sinto falta de poder correr atrás deles. Você fica tão cansado.

- Não tem problema. Quando os gêmeos nascerem, cada um fica com três. – sorri imaginando que talvez precise cortar minhas horas no hospital pela metade.

- Nem me fale. – esfregou a barriga. – Antes de voltarmos a nossa feliz e muito importante vida sexual, eu preciso que você faça o teste. Não posso engravidar de novo e não conte comigo para o anticoncepcional.

- Fique tranquila. – sussurrei e voltei para cama. – Vamos dormir. Ava gosta de assistir o dia nascer.

Quando completei quarenta anos alguns meses atrás, eu pensei que a minha vida não podia ficar melhor, isso até descobrir que seríamos pais de dois ao invés de um. Tenho completa admiração por Bella por encarar essa gravidez sem medo, mesmo sendo algo muito assustador depois de termos quatro filhos. Como iremos gerenciar seis crianças está fora da minha imaginação. Deitei de lado para que pudesse encaixar sua coluna de forma que ela conseguisse dormir sem se movimentar tanto. Fechei meus olhos e mergulhei no meu pior pesadelo.

Sonhar com o dia do sequestro ainda me deixava apavorado. A sensação de que o mundo estava escorregando das minhas mãos me deixando impotente era a pior do mundo. Era um dia comum, no mês de fevereiro, poucos meses após o nosso casamento. Bella já estava com sinais bem visíveis da sua gestação de Ethan e nós ainda não sabíamos o sexo, por escolha. Em nossa folga, decidimos irmos a Hampton, porém, tive uma cirurgia de emergência e ela decidiu ir ao shopping com Zoe para depois nos encontrarmos e fazermos um programa em família. Assim que saí da cirurgia, estranhei que não tivesse me ligado, mandado mensagem e nada. Liguei para o seu celular diversas vezes, fui para casa e não a encontrei em nenhum lugar possível.

Coloquei todos nossos familiares e amigos em alerta, procurando-a. Andei a cidade toda de carro, revistei o shopping que ela costuma ir e mais dois. Charlie chamou seus funcionários e colocamos a cidade abaixo no completo desespero dela ter desaparecido por horas com a nossa filha. O GPS do seu celular indicava que ele estava em algum lugar no Rio Hudson. Chamamos a polícia e os idiotas faziam crer que ela organizou uma fuga, provavelmente infeliz com a nossa vida. Charlie precisou me segurar para não arrebentar o rosto daquele detetive idiota. Foram doze horas de pura agonia, medo e dor. A minha casa estava lotada, todos com celulares na mão, ela estava no noticiário e eu me senti morrendo por dentro. No amanhecer do dia seguinte, chegou o pedido de resgate. Eles queriam doze milhões por elas e é obvio que concordei em dar, sem pensar duas vezes, mesmo contra a opinião da polícia, afinal, eles disseram que ela havia fugido, então eu não estava dando ouvido a eles.

Charlie e todo seu conhecimento tático do exercito reuniu seus amigos militares, seus funcionários altamente treinados e vários conhecidos do FBI, trabalhando durante o tempo que ficamos no escuro sem saber da sua existência. Eles conseguiram rastreá-la pelas câmeras de vigilância da cidade, encontraram a imagem que ela aparece sendo conduzida por dois grandes homens para uma SUV. Ela parecia terrivelmente assustada, segurando Zoe e ao mesmo tempo, segurando sua barriga de sete meses. Aquela imagem reflete atrás dos meus olhos sempre que ela está fora do meu campo de visão. Quando encontraram o cativeiro, explodiram as portas e renderam os homens, ela estava com um corte profundo na mão e segurando Zoe, que estava profundamente assustada, faminta, mas que não havia entrado em condições piores porque Bella já tinha leite e lhe deu de mamar, no ato de desespero em não permitir que ela ficasse desidratada.

As duas estavam assustadas. E eu chorei de puro alivio ao vê-las inteiras, mesmo que muito traumatizadas. Ambas tiveram internações leves para hidratação e eu tirei férias do hospital, precisando ficar inteiramente com elas por todo tempo. Foi um choque que abalou nossa família e nos deixou tensos por dias até que um dos homens preso no cativeiro confessou quem havia pagado pelo sequestro. Meu primo Liam. Ele estava tão revoltado que não fazia parte dos lucros do hospital e nem herdaria nada do meu avô que decidiu tomar a parte que achava seu por direito sequestrando a minha mulher e filhos. Invadi a sua casa antes que a polícia chegasse lá apenas para ter o prazer de arrebentar com seu rosto e vê-lo ser arrastado porta a fora pela polícia. Minhas tias acharam que o ato dele foi impensado, mas que poderia ser resolvido entre a família, sem causar escândalos. É claro que eu restringi o acesso delas a tudo. Eu não faço ideia por onde andam, é como se eles nunca tivessem existido.

Acordei com um sobressalto. Bella estava falando baixinho com Ava e eu nem a ouvi chamar. Eu realmente estava cansado. Minha pequena garotinha de cabelos castanhos claros como os meus me deu um olhar, mamando no seio da sua mãe e voltou a se concentrar. Ela ainda mama apesar de comer muito de tudo que oferecemos. Nenhum dos nossos filhos é enjoado com comida, o que me deixa bem aliviado. Bella acariciou meus cabelos e a porta foi aberta. Josh, Ethan e Zoe entraram com suas fantasias do Halloween passado.

- Bom dia! – Zoe foi a primeira a subir na cama. Cada um deles nos deu um beijo. – Tio Peter nos deu café da manhã.

- O que comeram? – perguntei olhando a hora. O segurança irá levá-lo em breve para escola, hoje é sábado letivo e ele tem um decatlo acadêmico.

- Ovos fritos, torrada, cereal e leite. – Josh respondeu e deitou em cima de mim.

- Mamãe, eu te amo! – Ethan beijou a barriga dela. – Oi irmãos.

Nós sorrimos. As crianças são muito afetuosas com a barriga, conversam o tempo todo e os bebês se mexem, respondendo ao barulho. Só Deus sabe o que eles pensam sobre essa família barulhenta e numerosa que estão nascendo. Levantei com as crianças, sentei um por vez no balcão da pia do banheiro para escovar os dentes, lavar o rosto e pentear o cabelo. Zoe pediu uma trança embutida e eu ri de mim mesmo ao lembrar quando Bella me ensinou a fazer diversos penteados nelas. Agora estou completamente dominando a arte de deixar a minha filha ainda mais bonita. Desci com Ethan e Ava no colo ao mesmo tempo. Ela foi para cadeirinha alta ter seu café da manhã de mais sustância e ele porque dividimos o numero das crianças quando estamos em cômodos separados.

- Tô saindo! – Peter disse do hall de entrada.

- Você tem dinheiro?

- Tenho, devo chegar a tempo do almoço.

- Por que não tenta sair com a sua turma para comemorar?

- Ah, não. Vai ser melhor voltar para casa. – disse e saiu antes que eu pudesse argumentar. Ava arremessou a colher da sua papinha no chão e riu.

- Não vai dar pra tomar banho de piscina, né papai? – Ethan perguntou olhando o céu. Ele era tão esperto para sua idade.

- Não, amor. Está frio. Por que não escolhe alguns filmes com seus irmãos? Mais tarde nós podemos pensar em outra coisa.

Distrair as crianças em casa com o tempo frio é quase um desafio. Durante a semana que os maiores estão na escola e os menores na creche não tem problema algum, mas durante os finais de semana é quase um problema. Quando estou trabalhando, agora nessa reta final da gravidez da Bella, alguém sempre está aqui. Normalmente é Rosalie ou minha mãe. Ângela não tem pulso firme com as crianças, eles a amam e ela faz mais bagunça com eles do que eles fariam sozinhos. Quando eles vão para casa de Benjamin, sei que aprontam todas. Não sei como eles educam aqueles dois meninos, que são uns doces. Quando Ângela engravidou, quase ao mesmo tempo em que Bella engravidou de Ava, foi difícil aturar as duas com oscilações de humor.

- Ei Rose. – atendi a ligação enquanto dava uma colherada para Ava.

- Como está tudo hoje? Ela ficou bem?

- Parece bem cansada de ontem e nem tentou levantar da cama. – respondi e limpei a boca da minha filha, ganhando um sorriso.

- Tudo bem, irei mais tarde aí fazer o jantar e distrair as crianças.

- Você é um amor. Já disse que te amo?

- Não diga. Vou levar minhas duas pestinhas também, será uma festa. – provocou e eu ri.

- Seus filhos são calmos e metade dos meus... Espere, menos que a metade dos meus.

- E ficaremos assim. Pego seus filhos por tabela e seremos felizes. Tenho que levar Kim para ver minha mãe no hotel.

Kimberly era uma menininha linda com um sorriso de tirar o fôlego. Ela regula a idade do Ethan. E irá parar o trânsito como a mãe.

Voltei para o quarto e Bella estava sentada, com as pernas bem separadas e inclinada para frente.

- O que está acontecendo?

- Acabei de ter uma contração imensa. – disse sem fôlego.

- Por que não me chamou?

- Ela acabou de passar. Nesse exato segundo. – disse e gemeu, tentando voltar para cama. Coloquei os dois na cama e a ajudei. – Eu acordei sentindo uma pressão baixa nas costas. Acho que é hoje, amor. – completou e assenti. Jasper sempre nos alertou que por ser gêmeos, ela não chegaria aos nove meses de gestação.

Enviei uma mensagem para Jas e ele disse que faríamos a cesariana assim que a bolsa estourasse, para deixar que as crianças quisessem nascer e não interromper a gestação. Seria um dia de muita agonia, porque não suporto vê-la sentir dor. Liguei para Rosalie e ela disse que cancelaria com sua mãe para vir mais cedo, mas Alice acabou chegando mais rápido, colocando uma roupa normal nas crianças, deixando-as preparadas caso tivéssemos que ir ao hospital. Combinamos que não deixaríamos que eles tivessem o trauma de ver a mamãe sair de casa passando mal. Josh ficou muito nervoso depois que Bella ficou internada e nós percebemos que eles poderiam entender a situação se bem explicada. E nem que tivessem medo do hospital.

Mesmo com Alice e Rosalie em casa, as crianças perceberam que a mamãe não estava bem e toda hora um espiava da porta do quarto. Bella passou o dia gemendo de dor, mas graças a Deus, diferente da Ava, a bolsa estourou pouco depois da hora do almoço. Depois do banho, ajudei com suas roupas, peguei a bolsa de ambos que estavam prontas no quartinho deles e descemos juntos. Alice entrou na SUV para levar os quatro ansiosos e Rosalie seguiu atrás de mim com os seus dois. Jasper estava nos esperando ao lado de Mike, Jéssica e Emmett na porta da emergência. Registrei alguns acenos e sorrisos ao me ver passar empurrando a cadeira dela e três me seguindo. Josh segurava o bolso do meu jeans, de mão dada com Zoe, que segurava a mão de Ethan. Ava estava no colo de Alice.

Feito os primeiros exames mostrando que os gêmeos já estavam na posição do parto e bem, sem nenhum sofrimento, saí do quarto e fui até a sala de espera, orgulhoso que meus monstrinhos não estavam colocando o hospital abaixo. Minha mãe chegaria a qualquer momento com meu pai. Liguei para Peter e ele viria assim que terminasse na escola. Charlie iria mandar preparar seu avião e eles sairiam de Paris nas próximas horas. Toda família estaria vindo para o nascimento dos meus caçulas.

- A mamãe está bem? – Josh perguntou quando ajoelhei na frente deles.

- Mamãe estava sentindo dor porque os gêmeos queriam nascer. Agora, eu vou com ela para sala de cirurgia e quando vocês puderem entrar no quarto para vê-los, vou vir buscar. Enquanto isso, fiquem aqui sentados com a Tia Alice e Tia Rosalie, ok? Se comportem. A Vovó já vai chegar.

Zoe pulou da cadeira e me deu um beijo.

- Eu quero ver a mamãe. – sussurrou e seus olhos estavam cheio de água.

Suspirei. Eles estavam assustados.

- A mamãe está bem, prometo.

Jasper apareceu do meu lado.

- Ela quer vê-los antes de ir.

Eles foram andando no mesmo esquema das mãos dadas e me segurando, mas dessa vez eu estava levando Ava, que tinha o dedo na boca e uma expressão nervosa. Ela é tão pequena e entende tudo. Até o que não deve. Abri a porta do quarto e ela estava mais calma. Sorriu e abriu os braços. Eles foram correndo, cada um gemendo que queria que ela ficasse bem. Com um beijo no rosto e um sorriso, ela disse que estava.

- Agora, deem o último beijo na barriga da mamãe. A próxima vez que nos encontrarmos, ela não estará mais aqui e os gêmeos vão estar do lado de fora.

- Que legal. – Josh sorriu e beijou a barriga. – Fica bem, tá mamãe?

- Pode deixar, amor. Se comporta e cuida dos seus irmãos. Você é o mais velho. – piscou e ele sorriu abertamente.

Jasper levou as crianças e eu a abracei apertado.

- Preparada? – perguntei beijando seus lábios.

- Estou louca para eles saírem logo. – sussurrou contra minha boca. – E te abraçar bem de pertinho.

- Eu te amo, minha vida.

- Também te amo, minha luz do dia.

Assistir a cesariana dela me deixou nervoso, mas ela estava bem, conversando comigo e eu assisti os dois saírem e chorar com o APGAR 9. Cortei o cordão da minha menininha e depois do meu menininho. Levei os dois em meus braços e Bella chorou muito ao ver que cada um tinha o gorro diferente. Temos três de cada sexo em casa. Eu não sei o que mais pode ser perfeito que isso. Deixei que Dr. Evans levasse os gêmeos, mas não parecia que eles precisariam de incubadora, não com o choro forte e suas boas respostas. Jasper terminou com a Bella e preocupado pela forma que a pressão dela subiu quando tivemos que entregar os bebês, ele a colocou para dormir e acordar mais calma.

Tirei minha roupa cirúrgica e entrei no berçário. Minha mãe estava no vidro com as crianças e empurrei os dois para perto. Zoe e Josh não paravam de pular no lugar. Ava estava rindo pra mim, provavelmente sem entender nada e Ethan estava perguntando repetidamente cadê a mamãe. Meu pai estava tirando fotos o tempo todo, ele não parava de sorrir. Peter estava com o celular, provavelmente filmando e o vidro estava lotado com nossa família e amigos, querendo conhecer meus dois pequenos. Nós não escolhemos os nomes, temos algumas opções e eu só poderei decidir quando ela acordar.

Mais tarde, levei-os para o quarto. Ela estava acordada, mas não podia se mexer e nem falar muito, então, mostrei que ambos eram perfeitos. Minha mãe levou as crianças para casa, mesmo chorando, e passamos uma noite tranquila. Ajudei-a amamentar e admiramos nosso belo trabalho em fazer lindas crianças. Quando o dia amanheceu, ninguém precisou entrar para ensinar como trocar fralda ou segurá-los, já estávamos abrindo vagas para oferecer cursos. Jasper a examinou e ela foi liberada para sentar depois que colocasse a cinta. Era tão apertada.

- Dói menos com a cinta, porque segura os pontos. – disse e fechei seu vestido. – Bem melhor, parecia que eu estava toda solta. – murmurou e escovei seu cabelo. – Olha só para eles... São tão lindos. – disse e abracei sua cintura, ela estava sentada no meu colo. – Temos que escolher os nomes.

- Eu gosto de Lucca, para ele. – disse e ela concordou.

- Gosto de Khloe.

- Lucca e Khloe.

Bella voltou para cama, cobri suas pernas e ela quis passar um pouco de maquiagem, limpando bem as mãos logo em seguida. Eu estava segurando Khloe quando minha mãe bateu na porta com as crianças. Eles entraram em silêncio, ficaram visivelmente aliviados quando a viram bem na cama e soltaram arrulhos quando aproximei os gêmeos deles. Zoe não se continha, chamando os dois de fofura. Ava só queria o colo da Bella, ela não estava interessada nos menores. Fiquei com os três mais velhos paparicando as crianças. Josh chegou a chorar quando pegou Khloe.

Reunimos nosso time de seis na cama para meu pai tirar uma foto. Caramba... Eu era um cara tão sozinho antes dela chegar na minha vida. Depois que ficamos juntos, descobrimos que tínhamos o medo de acabarmos sozinhos na vida, de algo acontecer com o outro, decidimos ter filhos, mas só dois ou três, para que eles não fossem filhos únicos como nós. Em algum momento no meio do caminho chegamos a seis. Esse é o meu novo número da sorte.