CAPÍTULO XXIX

"Chegamos".

Mary levara Sakura em silêncio pelas ruas de Dunny Coast. Seus sapatos felpudos diversas vezes meteram-se nos buracos úmidos dos cascalhos, enquanto os pés descalços de Mary, revestidos de uma grossa de camada de poeira nas solas, andavam como andaram sempre, saltitando como se estivessem num salão púrpura e não numa rua deserta. De um modo muito forte conseguiram ficar caladas, pois tinham muito a dizer, e era natural delas falar. A cortesã queria perguntar como ela vivera na pobreza imensa, porque não escolhera entrar num outro bordel, seguir com a vida. Mary queria explicar as provações que se auto infligira, para punir-se pelo sofrimento de Sakura, pela quase sua morte. Entretanto, sem saber como começarem a dizer, ficaram em silêncio.

Andaram por muito e atravessaram toda a Dunny Coast, que começava com os bordéis sujos e terminava nas ruas acobreadas dos ricos. Viraram próximo a delegacia onde Syaoran por um tempo trabalhara, mais um prédio de fachada do que uma casa de justiça, e por fim entraram nos becos do centro industrial de Londres. O cheiro de fumaça era insuportável, até naquela hora da manha. Passaram algumas curvas estreitas, desviraram de um monte de bêbados, e pararam numa viela escura. Mary indicou com os dedos o barraco pequeno ao fundo. "É melhor você carregar a arma".

Sakura o fez. Mary pôs o dedo indicador sobre os lábios e sussurrou. "Talvez não tenhamos chegado a tempo".

"Por que diz isso?".

"Está muito silencioso... Charity não está mais gritando".

"Gritando?", a mão circundou inconscientemente a arma com mais força. "Porque ela estaria gritando? O que está acontecendo?", seus olhos estreitaram na menina. "Você fez alguma coisa com ela, Mary?".

"Eu não fiz nada", explicou a menina muito calma e complacente. "E o que Charity está sofrendo não é nada comparado ao que ela deveria sofrer. Você vai ver o que está acontecendo... e aí você decide se termina com isso dando um tiro na cabeça dela, ou se a deixa ser torturada".

"Você acha que eu seria capaz de fazer qualquer coisa que...", ela interrompeu-se, olhando para a arma tão firmemente segurada, e percebeu que não conhecia o que seria ou não capaz de fazer, se ouvisse o que temia ouvir, o que seu coração gritava ser verdade, o que seu cérebro cético pedia que os pés investigassem. Antes que percebesse ou pudesse evitar estava andando, segurando numa mão a arma, com a outra tateando a parede do beco, tentando pôr pouco peso nos passos. Mary era muito mais graciosa que ela e parecia também mais determinada, como um tigre atrás da presa, um brilho assassino nos olhos.

"Vire à esquerda", ela falou, quando ambas já estavam próximas do barraco. "Tem uma janela. Não me notaram antes".

Andaram novamente naquela estranha sensação de não enxergarem nada além de um céu meio alaranjado e de um destino incerto. Pararam na frente da janela. As duas não respiraram. As mãos de Mary tocaram as de Sakura. Ela sussurrou para que a ruiva se erguesse e olhasse dentro da janela.

O aposento estava mergulhado num breu. A luz natural da noite iluminava umas poucas silhuetas, uma cortina que dançava, um armário num canto, uma cadeira vazia, nada que explicasse a razão de Sakura está aqui. Virou-se para a prostituta, que pediu paciência. "Ele tem que acender a luz", garantiu ela. "Tem que acender".

Quando foram acostumando-se com o silêncio noturno Sakura distinguiu nele sons. Primeiro foram passos. Tentou acompanhar sombras, mas seus olhos estavam tão concentrados nas cortinas que perdeu qualquer coisa, embora Mary jurasse ter visto algo se mexer. Depois, foi uma respiração, muito mais rápida e irregular que das duas prostitutas, e Sakura não conseguia ouvir mais nada. Ficou concentrada naquele som esparso, percebendo o sofrimento dele, tentando não pensar que era Charity, mas também sabendo que não tinha como não ser, porque eram os mesmos suspiros outrora afetados que enchiam o Candy de tantos homens atrás da loura de talentos inverossímeis.

Passaram-se minutos tensos, até que Sakura, não contendo mais o aperto do seu coração, falou. "Eu vou entrar".

Mary aquiesceu e respondeu, hesitante. "Há algo que você tem que saber... antes de entrar", ela tornou a cabeça para a janela, como se esperasse por um milagre que as luzes se acendessem e não tivesse de explicar nada. "Charity fez coisas horríveis, sim... mas não fez sozinha".

"Você falou sobre isso, na adega... disse que são duas pessoas"; e Sakura ainda não descartara totalmente a possibilidade Mary ser uma delas; podia estar presa já num armadilha fatal.

"O que ela fez... foi ideia dela, mas sozinha ela não podia executar seus planos. Então... outra pessoa ajudou-a. Mas essa pessoa se virou contra ela...", Mary engoliu um seco. "Essa pessoa é louca. Vai ser perigoso entrar ai".

Sakura também voltou a olhar para a escuridão. Perigoso, Mary dizia. Que vida de prostituta não é perigosa? Viviam a mercê de homens desalmados, doenças venéreas, pobreza e fome, perdiam seus filhos em abortos sangrentos, envelheciam sem conhecer o amor. Se ela chegara aos vinte e poucos anos fora com sorte, sua mãe morrera com quase quarenta, de modo injusto e descabido, mas tão, tão comum nas ruas do submundo londrino.

Vivera, de um jeito ou de outro, muito melhor que qualquer menina que conhecesse. Sempre tivera o que comer, trabalhara sem apanhar uma única vez, fizera bons amigos como Tristan, tivera até o luxo – embora um luxo desmerecido – de se apaixonar e ter sido amada também, e uma filha bonita, parecida com ela, a promessa para um futuro melhor. Perdera tudo. Quando Amy morreu, ela deixou de se importar.

E não se importava agora. Se era para a morte que caminhava, era porque todos os seres viventes o faziam; ela só estava escolhendo um jeito mais corajoso de morrer.

"Se vai ser tão perigoso, você fica", disse a Mary. Talvez houvesse esperança para ela ainda, era o que gostaria de acreditar. Tomoyo fora feliz, não fora? Matt e Nina também eram, e como tanto haviam superado, superariam também o acidente com o cliente, e iriam embora de Candy Pleasures, se fossem espertos. Se pudesse, Sakura mandaria todas as prostitutas para longe, para lugares melhores, para vidas diferentes. Perdera esse direito quando perdera o bordel.

"Eu fico, mas vou prestar atenção. Se eu ouvir qualquer coisa, eu entro", Mary endireitou-se e a confiança que transbordou em seus olhos fez a prostituta ter remorso de ainda estar pensando mal dela. "Boa sorte, Sakura".

Sorte nada tinha a ver com aquilo, mas ela agradeceu.

Engatinhando começou a circundar o barraco, procurando uma entrada que não fosse a janela ou a porta estreita próxima a ela. Quando deu a primeira volta na lateral direita, suas narinas foram invadidas pelo cheiro inconfundível do álcool. Havia outra janela. Era maior, e dava para um aposento também pouco iluminado. Sakura olhou para os lados, não havia outro jeito de entrar que não ali. Pôs a arma nas anáguas, e entrou pela janela.

Caiu num baque contra um chão de azulejo. Sua cabeça bateu no que parecia ser um armário de alumínio, porque era gelado e cheirava aos consultórios médicos que poucas vezes visitara. Apoiou-se nele para levantar, mas ele tombou, e um ruído de copos se quebrando ecoou no quarto como o próprio fim do mundo. Sakura não via nada, e se encolheu quando sentiu, pela primeira vez desde que entrara na casa, que não estava mais só. Com os dedos tentou tatear a parede, para se apoiar. Encostou a cabeça na parede.

Algo grudou nos seus cabelos, úmido e pegajoso. Pegou-o com as mãos dos seus fios. Cheirou.

Era sangue.

"Jack...".

Um gemido rouco, um barulho oco, e uma lamparina acendeu-se, fraca, mas iluminando o aposento que era do tamanho e cheiro de um banheiro.

O sangue que pegara seus cabelos escorria pela parede, e vinha pelos dedos feridos do corpo numa maca pouco acima de sua cabeça. Fluía tanto sangue. Sakura afastou-se um tanto, ia tornar pela janela, acometida pelos medos súbitos que fazem as pessoas evitarem esquinas escuras, porém a voz ressoou novamente, afetada e inconfundível. "Jack... é você... eu estou com sede...".

A adrenalina que ordenava que suas pernas subissem pela janela tão ao alcance inverteu caminho e pensamentos. Sakura levantou-se com muita segurança. Na cama o corpo de Charity estava semi-nu, coberto apenas por um lençol que revelava suas pernas e braços muito brancos e vermelhos. Os cabelos loiros grudados no rosto de cor azulada, e Sakura percebeu-lhe os olhos fechados, o nariz sangrando e quebrado, os lábios tingidos de vermelho. Os punhos e os tornozelos estavam presos. O quarto era todo recheado com aparatos médicos, soros, seringas, álcool, lâminas. Deu um passo, os olhos de Charity se abriram, não mais brilhosamente castanhos como antes.

Opacos como os de alguém que sabia que ia morrer.

Ela não a vira ainda. Sakura estava num ângulo impossível para a moribunda olhar. A prostituta mexeu de leve o pescoço e gemeu. Havia um corte na altura do seu ombro, e era ele que sangrava profusamente pelo seu braço e pela parede. Com mais atenção Sakura também percebeu que o lençol que a cobria estava lenta, quase que sistematicamente, se tingindo de rubro. O cheiro de sangue e álcool era insuportável. Pôs a mão sobre os lábios. Charity soltou um palavrão. "Sangrar até morrer... uma boa ideia, Jack, digna de você... faz sempre tanta sujeira...".

"O... que...", os olhos da prostituta loira arregalaram-se enormemente, por um momento parecendo que iam saltar de suas órbitas. "O que fizeram com você, Charity?".

"Sakura?", tomada de uma força e de renovada cor Charity virou-se com tudo, o sangue passando então a tingir a maca. A cortesã se moveu para frente, as mãos sob a boca e o nariz.

Quando os dois pares de olhos se encontraram, foi Sakura que empalideceu como se fosse morrer, e Charity que corou como se fosse viver por mais de mil anos.

"Você está sangrando muito", conseguiu murmurar. Esqueceu de Mary, esqueceu dos propósitos que a levaram ao barraco, porque não podia assistir uma pessoa sangrar até morrer sem fazer nada, e foi desesperando-se com isso. "Tenho que tirá-la daqui".

"Não ouse me tocar", falou a loira, rosnando a sua curta aproximação. "Como você veio parar aqui, porra?! Como?! Isso é um plano do Jack, não é?! E você veio?!", ela ia ficando mais vermelha que o próprio sangue, numa raiva digladiadora com a aparência de morta de outrora. "Não poder ser tão ingênua! Não vai me dizer que o chinês está aqui também?! Ah, isso é ótimo! Um plano de mestre! Jack é um gênio e você... e você... Sakura, sua burra, está morta no instante em que decidiu vir com ele!".

"Cale a boca, Charity, não sabe o que está dizendo, eu não sei que merda de Jack é esse, e estou sozinha, pelos demônios, pare de se mexer que você está sangrando muito!".

A loira calou-se, não por obedecer, mas por estar fraca demais para continuar com seus berros. Sakura tornou a encostar-se à parede, também exausta, Charity sugando com sua energia com olhos desdenhosos.

Era um estranho paradoxo, essa cena. Ambas estavam lembrando-se do dia que se conheceram.

Kate resgatara Charity das ruas, porque ouvira dos seus clientes sobre uma menina bonita que faria fortuna se fosse contratada pelo bordel. Trouxera-a envolta em panos, dera-lhe de comer e de beber, embora sua aparência fosse mais saudável do que da maiorias das meninas. Sakura tudo de um canto observara, perguntando-se onde sua mãe arranjara uma jovem tão bonita e bem cuidada. Foram apresentadas. "Essa é a menina de que tanto falam, filha. Seja boa com ela", tinham a mesma idade, quase a mesma vida, e não os mesmos sonhos. Enquanto Sakura sabia que um dia não mais suportaria vender o corpo, Charity tinha a vontade de enriquecer com isso.

Ficaram dois ou três minutos, se olhando. A ruiva bem vestida sorrindo. Charity nos trapos, fingindo sorrir. Sakura soube desde então que Charity seria famosa no submundo. Charity soube desde então que Sakura seria uma pedra em seu sapato.

"Ela era só uma criança".

As lágrimas de Sakura romperam os olhos verdes e desceram pelas bochechas, quando Charity continuou, olhando fixamente para o teto. "Não queria ter matado uma criança. Foi diferente das outras coisas que fiz... porque até então, eram pessoas feitas, que tinham vivido muito... e não tinham morrido pelas minhas mãos. Amy não... Amy tinha muito pela frente".

Ela tentou se erguer um tanto nos cotovelos. Não chorava, mas seus olhos estavam vermelhos de remorso. "Se você veio até aqui... é porque sabe tudo que eu fiz. Eu queria o que você tinha... e lutei por isso. Se veio até aqui para me matar, para se vingar pela sua filha... é bom que saiba", ela levantou os braços trêmulos. "Você já foi vingada".

Os cachos loiros tombaram na maca, insossos e sem um resquício do esplendor de suas noites boêmias. "Se eu fosse você... iria embora. A menos que queira matar o outro responsável pelos assassinatos, porque como pode ver... não há mais o que possa fazer comigo".

Sakura se aproximou da maca, e Charity dessa vez não grunhiu, nada fez além de olhá-la com a calma de suas últimas palavras. Era o que sempre foram, pensou com desgosto. Sakura olhando-a de cima, com pena ou com raiva ou qualquer outro sentimento digno de perdedores, e Charity numa posição inferior, sofrendo, presa as amarras do destino, tentando lutar contra uma mulher invencível porque o mundo a fizera assim. Quando Sakura ergueu os dedos que não tremiam para perto de seu braço, Charity soube que ia ser enforcada, porque Sakura era muito boa, mas a morte da filha era imperdoável, e lutar pela sobrevivência da espécie é um instinto natural, e não sinal de crueldade. Mas não sentiu nada, porque o que a mulher fez foi procurar um jeito de soltar as tiradas de couro que tanto apertavam seus punhos.

Charity fitou-a, incrédula. "Deixe isso daí".

"Se eu não levá-la a um médico agora, você...".

"Eu vou sangrar por dias, antes de morrer. Meu... parceiro de crime é muito bom no que faz", ela soltou um riso bufão, rindo da ironia daquela cena absurda. "Mandei matar tanta gente pra morrer da mesma maneira, pelas mesmas mãos. Pode rir, isso é muito engraçado. Vai ver existe esse negócio de que o que você faz volta pra você em dobro".

"Não vejo graça", Sakura falou simplesmente, limpando as lágrimas com uma mão, a outra ainda escarafunchando as trincas da tiras, tentando solta-la. "Diz o que eu tenho que fazer para soltar isso. Se conhece tão bem quem fez, então também conhece um jeito de sair".

"Não tem jeito. São tiras que usam em manicômios. Só os médicos sabem. A menos que você seja um médico ou um policial...".

"Policial?", Sakura interrompeu-a. Charity assentiu, para depois, percebendo o porque de sua pausa, balançar a cabeça freneticamente.

"Nem pense nisso!".

"Eu vim rápido para cá. Posso trazê-lo. Se você tem alguns dias, algumas horas não vão fazer a menor diferença!".

"Não!", Charity tornou a vociferar, o braço que antes aceitara complacente os esforços de Sakura contorcendo-se para se afastar. "Eu não quero Syaoran aqui, eu não quero!".

"Charity, deixe de mesquinharias, isso está acima do que ele sente por você ou por mim, ou do que nós sentimos...".

"NÃO, NÃO ESTÁ!".

O choro veio vermelho pelas bochechas, um choro apaixonado e doido, que afastou Sakura como seus gritos não haviam feito. "Ele... sabe o que eu fiz?", perguntou ela. Sakura fez que não e sussurrou que não ia nem contar. "Não importa. Se ele me vir, vai entender. Eu não posso deixar. Syaoran... eu lutei tanto para salvar a vida dele... não vou permitir que ele morra vindo para cá".

"Ninguém vai morrer", Sakura falou, resoluta. "Estou aqui, não estou? Estou tentando soltar suas amarras, não estou? Se a pessoa a quem você fez tudo de ruim está te ajudando, tenha um pouco de fé e me ajude, dizendo como eu desamarro isso".

"Você vai morrer senão for embora".

"Como você não dá a mínima se eu morrer ou não, então isso deixou de ter importância. Agora diz como eu desamarro essas drogas de tiras".

"NÃO HÁ JEITO, EU JÁ FALEI!".

Só havia um jeito, e ele atingiu Sakura na fúria do grito de Charity. Ainda sem pensar em nada, ainda sem pensar no que a trouxera ali e o que mudara quando vira que Charity também era uma vítima, ela tirou a arma das anáguas, sendo assistida por um chocada Charity, e apontou o cano para a trinca. "Não", Charity implorou. "Ele vai vir para cá, Sakura. Não faça isso".

"Quem quer que esteja aqui, Charity, já ouviu seus gritos, então não faz sentido eu tentar fazer silêncio agora".

Sua pontaria não era muito boa, apesar de sua mãe ter ensinado-a como atirar caso precisasse. A bala atravessou apenas a lateral da tira, ricocheteando e caindo próxima a janela, e Sakura não notou, já com os dedos terminou de cortar a tirar. Uma vez livre o braço direito, que era o ferido, Sakura rasgou uma tira da anágua e pôs sobre o ombro dela. Charity bufou como se nada daquilo adiantasse, e Sakura só entendeu a descrença dela, quando compreendeu que o lençol não só servia para cobrir a nudez de Charity.

Cobria um corte exposto na altura do ventre, que sangrava meticulosamente, absurdamente preciso. Um tubo inserido na ferida mantinha o sangramento sobre controle, mas já havia sangue arterial escorrendo pelo quadril nu.

"Ele sabe muito bem o que faz", foi tudo o que Charity disse, quando Sakura a olhou horrorizada.

A arma tombou de sua mão. Sakura já não mais procurava modos de soltá-la, e sim de cobrir seu ferimento de modo a parar a forte hemorragia. Olhava em todos os armários, procurava panos, pegava o álcool, embebeu as próprias saias nele, encostou no ferimento. Charity soltou um grito agudo, as lágrimas escorrendo pelo canto de seus olhos, mas Sakura não parou, dava jeitos de tentar fazer uma gaze. "Misericórdia", a noite ia se esvaindo pela janela, os primeiros raios do sol invadindo a sala, revelando que o sangue era mais vermelho do que previra, que a situação pior do que podia lidar, era hora de chamar Mary, pedir ajuda e sair com Charity dali.

Deu um nó desajeitado sob o corte da loira, e prometeu. "Eu já volto. Vou buscar ajuda", as lágrimas de Charity caíram em profusão, Sakura a tranqüilizou. "Não vou chamar Syaoran".

A cortesã se aproximou da janela, ajeitando as anáguas para pular, quando uma mão segurou seu braço. Não era a de Charity, sabia, ela não teria forças nem meios para detê-la.

Virou a cabeça por sobre o ombro.

Um par de olhos violetas fitou os seus. Era Charity, mas sua expressão estava estranhamente posicionada num rosto masculino.

"Sakura. É um prazer".

CONTINUA


Muito boa noite a todos (:

Entrego em mãos e no prazo - milagrosamente, eu sei - o penúltimo capítulo de Candy Pleasures. Ainda que haja muito a ser dito, prefiro que vocês tirem suas próprias conclusões sobre a conversa de Charity e Sakura.

E também quero que tirem suas próprias conclusões de quem é a vítima dessa história. Me deem sua opinião como a história deve terminar. Apesar de eu já ter a ideia pronta, adoraria saber o que vocês estão pensando.

Um beijo, agradeço imensamente os comentários (:

Ps: Já faz algum tempo, mas não custa avisá-los. Eu mudei a classificação da história para M, mais pelo linguajar e pela temática violenta.