50 dias com ele – Dohko e Shion Version - 29

*Biritas na casa de Libra – 3*

Depois de um instante de silêncio, Dohko prosseguiu.

- Ok, eu não devia ter começado com o assunto sobre esses dois. Perguntas sobre os outros?

- Ah, eu, eu, eu! – Afrodite levantou a mão, tentando quebrar o gelo depois da bronca do ariano.

- Fala, Afrodite.

- Câncer e Peixes. Naquele tempo também era romance, né? Andei ouvindo as rosas murmurarem que eles também têm longa história.

- Sim. – Dohko sorriu irônico. – A história deles seria muito mais curta se eu tivesse partindo ao meio o rostinho lindo do Albafica depois que ele agarrou o MEU Shionzinho, mas eu preferi poupar minha existência porque, sério, eu era um pivete perto do Maringold e não ia arriscar, não. Ao contrário do Carlo, aquele era forte que dava medo…

- Ma che porra você está insinuando com isso?!

- Que você ainda precisa de um século de treinamento pra chegar chegando num deus igual o Maringold fez com Thanatos, hehehe.

- Ma…! Che saco… - Bufou, sabia que o antigo Câncer era um dos bons garotos, mas um com poderes pra fazer deuses tremerem. E de fato, ainda precisava de treino pra fazer isso…

- Ai, eu querendo saber dos romances e vocês só me falam dos podres e das tretas… - Afrodite quase desanimou. – Entendi, nada de perguntas sobre Albafica porque ele agarrou seu homem. Eu também odeio ele por isso, se te consola em algo. – Disse, como se isso não atingisse, ao final das contas, a si mesmo. - E Aquário e Escorpião? Esses também? – Mudança estratégica de foco. Finalmente Kamus se interessou pela conversa toda. Queria saber a perspectiva de mais alguém sobre aquele par. Juntos e separados também.

- Oxi, esses só faltaram casar também, igual o Shionzinho e eu.

- Sério? – Afrodite ficou incrédulo. – Por que o "meu" cavaleiro passado tem a história bugada enquanto o do Miro, tem romance? Isso tá errado, não é justo!

- Ei, eu sou um cara muito amável! Sempre fui! Ou não, talvez sempre tenha sido pro pinguim meu amor, mas pelo menos isso, né… - Miro se defendeu.

- S'il vous paît, calem as bocas, je quero ouvir a história do mestre de Libra sobre os dois! – Kamus resolveu intervir antes que perdesse o relato sobre Kardia e Dégel por culpa de uma briga de viados entre Afrodite e Miro.

- Bem, continuando então… - Dohko pausou só para ter certeza de que ninguém iria interromper de novo, pelo menos por um tempo. – Kardia não era um xuxuzinho amável igual o Miro, não. Era um demônio, quem olhava de fora, sentia uma aura sombria vinda dele e de fato, chegava a ser desconcertante. Mas depois que você vinha viver no Santuário e o via de pertinho… Ele também cortava as maçãs em forma de coelhinho. Era maluco, infinitamente maluco. Sasha o adorava, sabe-se lá por que, mas adorava. E ele, por sua vez, adorava Dégel. E Dégel adorava os livros. Dégel era calmo e inteligente, e, pasmem, bastante amável. Não tinha coração de gelo, sorria e dançava em bailes. Bem, eu o vi dançando só uma vez, mas soube que ele estava acostumado a se infiltrar na alta sociedade daquela época.

- Ele dançava daquele jeito lindooooooo de época, naqueles bailes cheios de glamour, com roupas magníficas, onde tudo parecia tão romântico igual nos livros da Jane Austen? - Afrodite voltou a se empolgar com a história.

- Isso! – Dohko achou que resumia bem. – Nesse baile onde eu estive presente, em especial, teve romance. Digno de ser registrado de forma literária, eu diria. Pena que ficou inconcluso.

- Ei, conte isso! – Miro sentia que tinha passado todo o grau da bebedeira, atento.

- O baile não era uma missão. Fugimos do Santuário pra ver como era… bem, pelo menos Shion e eu, porque nunca tínhamos ido a um baile no ocidente…

- E no oriente, já tinham? – Kanon ficou em dúvida, não que fizesse diferença.

- Sim, em alguns, mas isso é outra história. De fato, era bem diferente. E Kardia fugiu para ir porque queria e queria e ninguém ia tirar da cabeça dele, dançar com Dégel no baile. Sempre dançava com ele na casa de Aquário, lá nem sempre foi uma sorveteria, mas fora de lá, nunca tinha, e estava determinado a conseguir. Shion e eu tínhamos nos casado fazia apenas semanas e só Asmita, Kardia e Dégel tinham presenciado a cerimônia, Kardia pareceu bem afetado com o ocorrido e estava mais impaciente do que de costume desde então. Só no baile me confessou que pretendia fazer o pedido a Dégel. Sabia que tinha grandes chances de ter o pedido aceito, mas estava tão nervoso que temia colocar tudo a perder. Não sabíamos que, enquanto isso, Dégel estava em outro canto a falar para Shion sobre como gostaria de poder ser um pouquinho insensato e ter coragem de se casar também, mesmo em tempos de guerra.

- Ou seja, eles tinham tudo para um "final feliz". Então, o que aconteceu? – Afrodite segurava as mãos unidas junto ao peito, já angustiado pela história.

- Kardia conseguiu a dança que tanto queria. E, deuses, foi lindo vê-los. As pessoas no baile estavam, também, encantadas. A aura dos cavaleiros de Ouro daquele tempo era impressionante e os dois estavam ressoando em perfeita sintonia, o que fazia quebrar a estranheza por serem um par masculino dançando em público. O sorriso de Dégel só ficaria maior se ele tivesse chegado a ouvir o pedido de casamento.

- Então ele não conseguiu pedir? – Até Aldebaran estava começando a se entristecer com o romance inconcluso.

- Conseguiu. Shion estava a ouvir usando sua telecinese, mas só Shion ouviu o pedido. O barulho que ocorreu bem no momento que Kardia proferiu as palavras foi estrondoso e abafou a voz dele. Dégel nunca saberia o que tinha sido dito naquele momento. Era um ataque dos espectros de Hades ocorrendo bem acima de nós, literalmente. O teto do salão ruiu e tivemos que correr pra salvar a todos.

Continua

Notas da autora:
Menções sobre o pedido de casamento de Kardia na Yesterday & Today, nas Versões dele próprio e do Asmita.
Tadinho do Kardia

Beijos!