Bom, vocês podem perceber que eu resolvi atualizar mais rápido dessa vez, é que para vocês ficarem paralelos ao capítulo que estou escrevendo precisarei postar esse e o capítulo 30 mais rapido ao invés de uma vez por semana... Então animem-se logo logo terá mais um ai... bjussss... agradecimentos lá embaixo.

Capítulo 29 – Adeus querida Hogwarts.

O olhar de McGonagall era duro e demonstrava a clara luta que ela travava entre dar sua opinião e aceitar o que fora dito. Deu uma rápida olhada para a senhora Weasley ao seu lado e a viu dar de ombros.

- Eu também não gosto nada da idéia, Minerva. – Admitiu a mulher gorducha.

McGonagall mordeu os lábios e se prendeu a mais uma luta interna entre aceitar ou gritar que era loucura. No fim os gritos ganharam.

- Você tem certeza, Potter? Sabe que a minha opinião é de longa data e não um julgamento precipitado.

- Eu sei, professora. Acredite, eu sei mais do que todos.

- É exatamente por esse motivo que não consigo acreditar que VOCÊ vá fazer isso, sabe que pode estar entregando-a ao sofrimento. Tem tantas outras possibilidades.

- Então me diga uma que seja melhor ou mais favorável para a segurança dela. – Disse o menino rispidamente. – Juro que se for melhor vou escutá-la com atenção.

A professora olhou para Harry por um longo tempo e o menino achou que se fizesse um esforço poderia ouvir as engrenagens na cabeça dela procurando uma resposta, tentando encontrar uma saída favorável e que fosse tão boa quanto a idéia que acabara de dar. No fim ela apenas largou a pena que segurava e se largou na cadeira bufando indignada. Harry olhou para a senhora Weasley e a viu abrir a boca para contestar alguma coisa, mas ele foi mais rápido.

- Agradeço a preocupação das duas, mas minha decisão está tomada. Só preciso mesmo da ajuda que pedi. Preciso que façam o feitiço Fidelius.

- Mas se você será o portador do segredo, Harry querido, Você-Sabe-Quem terá acesso à essa informação. – Disse a senhora Weasley com cuidado.

- Dumbledore me disse que Voldemort teme essa ligação e que não irá tomar minha mente novamente por causa disso. Então eu serei o portador mais seguro, principalmente por ele me querer vivo.

- Não gosto quando fala dessa forma. – Disse a mulher colocando a mão no peito.

- É a verdade, senhora Weasley. Não adianta mais mentir. Não adianta nada fingir que não estou fadado a fazer o que é preciso fazer.

- Então é isso que você vai fazer? É por isso que não quer voltar para a escola no próximo ano letivo? – Questionou McGonagall seriamente. – Você vai atrás de Voldemort?

- Não, já disse que tenho uma coisa para fazer. Dumbledore me deixou uma tarefa e vou cumpri-la. Mas sim, eu vou acabar indo atrás dele e matando-o ou morrerei tentando.

Harry olhou para as mulheres com firmeza. Não era momento para fugir ou ignorar uma verdade tão clara como aquela. Não havia mais para onde correr ou a quem pedir ajuda. O momento de seguir seu próprio caminho e aceitá-lo finalmente batera a sua porta trazendo consigo o medo do fracasso, mas também a coragem de tentar.

- É ridículo, mas eu sou o Eleito e tenho que seguir o caminho que me couber.

- Ainda acho tudo isso um absurdo. Você deixar a menina e depois ir embora atrás de uma tarefa que Dumbledore te deixou. – Exclamou a senhora Weasley com lágrimas a brotar de seus olhos. – Mas não posso fazer nada se você quer mesmo fazer isso.

- A senhora vai me ajudar então?

- Claro que sim, acha que vamos deixar a menina a própria sorte?

Inesperadamente a mulher se levantou da cadeira, puxou Harry da sua própria cadeira e lhe deu um abraço apertado de uma forma que jamais dera ao menino. Apesar de achar que aquele não era o momento ideal, pois precisavam partir o quanto antes, Harry não pode deixar de saborear o doce sabor do que talvez fosse o último abraço dado naquela bruxa gorducha. Seus braços se fecharam um pouco mais ao redor da cintura dela e seu rosto se escondeu na curva de seu pescoço enquanto inspirava a sensação do aconchego materno. Quando se liberou dos braços da matriarca e olhou em seus olhos molhados percebeu talvez pela primeira vez que amava aquela mulher tão incondicionalmente que poderia sentir dentro de si o poder desse amor a lhe gritar que sua vida jamais seria igual se não a tivesse nela.

McGonagall deu uma leve tossida e Harry desviou os olhos da senhora Weasley e os pregou no chão dando um tempo para engolir o nó que estava em sua garganta pela forte emoção e se recompor. Quando virou-se encontrou as duas já prontas e lhe esperando.

- Melhor irmos logo.

Harry assentiu e saiu do escritório de McGonagall. Os três rumaram para a ala hospitalar em silêncio, não havia o que dizer, pois as opiniões foram expostas, discutidas até que todos concordassem que não havia outra saída. Quando chegaram a ala hospitalar e Harry adentrou ao recinto encontrou Rony sentado ao lado de Hermione na cama no fundo da ala. Hermione carregava em seus braços um pacotinho pequeno, mas que se mexia.

- Oi. – Disse Harry se aproximando e afastando o manto que cobria a menina. Seu rosto ainda era enrugadinho, mas era belo aos seus olhos, assim como os olhos verdes dela. – Obrigado por cuidar dela, Hermione. – Agradeceu o menino pegando a menina em seus próprios braços. Mas já temos que ir.

- Que pena. – Disse a amiga se levantando. – Ela é uma gracinha. Posso me despedir dela?

- Claro.

Hermione e Rony se aproximaram do bebê e sorriram quando ela levou a mão até os olhinhos e os esfregou em claro sinal de sono.

- Até logo Lys, vamos nos ver em breve. – Disse Hermione antes de dar um beijo casto na testa da menina.

- É, seja uma garotinha forte. – Disse Rony fazendo um carinho desajeitado na bochecha dela. – Nos veremos em breve.

Harry sorriu para os amigos e levou a menina até a senhora Weasley que estava pronta com uma pequena mala ao lado. Harry entregou a bebê para a mulher e também acarinhou a bochecha de Lys que lhe olhou firmemente como se entendesse alguma coisa.

- Até breve, meu amor, vamos nos ver em dois dias. Meus tios sabem dela?

- Não. – Respondeu a senhora Weasley simplesmente ajeitando a menina nos braços e pegando a mala com a outra mão. –Acredito que será uma grande surpresa, mas não se preocupe, eles nem vão chegar perto dela. Ela estará segura em minhas mãos.

- Eu sei. – Sussurrou o menino vendo a senhora Weasley caminhando para fora da ala hospitalar com a criança nos braços.

- Não se preocupe, Harry. Mamãe é casca grossa quando se fala sobre crianças, ninguém conseguirá tocar nela se estiver com a mamãe.

Harry sorriu de leve e saiu da ala hospitalar com os amigos. Apesar de saber que ela estava totalmente em segurança, Harry não pode não ficar preocupado, pois só voltaria a ver Lys em dois dias.

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Snape permanecia em seu laboratório particular em sua casa na Rua da Fiação. O Lord das Trevas não manifestou nenhum plano mirabolante para a captura do menino, então seus comensais dispersaram-se fazendo seja lá o que fosse. Snape se bandiou na antiga e abandonada casa e se trancara nos confins de sua imundice e desleixo. Deixou-se ser comido pelo revés de sentimento que o assolara antes de finalmente jogá-los fora e se concentrar em seu ponto mais importante, o controle.

Controle era a chave para tudo e ainda mais para aquele momento em que sua vida estava completa e totalmente a mercê do futuro assassino de Harry Potter. Era o controle que fazia com que Snape pudesse abrir os olhos de manhã e não pensar nem um único minuto nos momentos com o menino dos olhos verdes ou relembrar os dizeres carinhosos. Não, tudo isso fora juntado e depois descartado. Agora só havia a casca vazia que aguardava as ordens de seu senhor.

Não podia fraquejar. No cárcere do cruel rumo que tomava, ele não podia fraquejar. O Lord das Trevas deixara bem claro que em breve faria alguma coisa com o menino e por sorte conseguira avisá-lo em sonho que deveria deixar a menina, abandoná-la e se separar completamente dela, para que assim talvez ela tivesse um futuro que já estava resguardado ao mesmo triste fim de seu pai. Fora difícil entrar nos sonhos de Potter, não pelo feitiço que por si só é complexo, mas pela saudade que infiltrara-se em suas barreiras e o tomara de assalto causando-lhe tremores no momento que o viu.

Ele estava lindo, como sempre. Seus olhos verdes estavam grandes e raivosos, sua pele estava pálida, mas ainda assim macia e sua boca vermelha latejava com a saudade. Ele vira tudo isso, sentira tudo isso. Fraquejara perante o amor cruel que o rasgava por dentro. Não podia, não devia fraquejar, somente os fracos são sentimentais e onde eles acabam? Morrendo como Lilian, ou Dumbledore ou vários outros sem nome que jazeram pelas mãos dos comensais, ou as crianças que viram por último o feitiço verde que saia de sua própria varinha.

Não, não podia fraquejar.

Com esse pensamento em mente, Snape passou os dias trabalhando fortemente sua Oclumência contra si próprio e em troca dos sentimentos e pensamentos guardados, sentiu-se mais cru e mais vazio que nunca. Ao se desfazer dos sentimentos que o deixavam vivo, que sopravam uma lufada de oxigênio direto em sua alma, ficara oco. Agora era apenas o comensal que trabalhava incansavelmente para cumprir com suas tarefas, como naquele exato momento em que andava por entre os balcões verificando pelo menos sete caldeirões que borbulhavam ao mesmo tempo.

- Snape? – Chamou uma voz minguada no alto da escada. – Snape, você está ai?

- Claro que estou idiota, onde mais eu estaria?

O barulho de passos ecoou pelo recinto. Snape nem mesmo olhou na direção do barulho, já sabia quem era a figura que o presenteava com sua desagradável presença.

- O que quer, Rabicho?

O homem que descera a escada era pequeno e franzino. Sua pele era de um tom pálido doentio como se há muito tempo não visse a cor do sol e nem se banhara em seus raios. Seus cabelos loiros rareavam na careca quase total. Os dentes que deveriam ser retos eram na verdade muito tortos e amarelados aparentando ser de fato um rato.

- Você tem visita.

- Quem é?

- Madame Lestrange.

Snape revirou os olhos e se virou para a criatura medíocre que era Rabicho, o viu se encolher perante seu olhar, mas não se demorou com ele, apenas caminhou pelo seu laboratório e passou diretamente para a escada que levava até a sala. Rabicho rapidamente o seguiu fechando a porta atrás de si, pois sabia que Snape jamais o deixaria ficar ali dentro sozinho, não com suas preciosas poções.

- A que devo esse grande desprazer, Belatriz?

A mulher de cabelos negros e espessos estava parada na sala olhando a horrível paisagem do lado de fora, mas assim que ouviu a voz do comensal olhou diretamente para ele e sustentou seu olhar com firmeza.

- Não vai me dizer que deseja mais uma noite agitada. – Disse Snape afiadamente levantando uma das sobrancelhas.

- Não estou aqui para brincadeiras, Snape. O Lord me mandou aqui para te dar um recado sobre a operação daqui a dois dias.

- Um recado que era possível ser encaminhado por uma coruja ou pela rede de flu sem que eu precisasse encarar sua irresistível carranca, mas que você faz questão de fazê-la aparente. – Alfinetou o homem sentando-se em uma poltrona e cruzando as pernas.

- O Lord deseja que você mude de posição com Avery. – Disse Belatriz sem dar atenção ao que lhe fora dito.

- Por quê?

- Faça seus questionamentos diretamente para o Lord, eu apenas entreguei seu recado, então esteja pronto no ponto nove junto com Greyback e Aleco.

Snape meramente assentiu com a cabeça e a viu colocar o capuz sobre a juba negra antes de sair porta afora para desaparatar. Rabicho ainda estava ali perto curioso como sempre, mas Snape logo o pôs para correr ao olhá-lo de canto. Finalmente sozinho pode pensar no pedido do Lord. Ficar no ponto nove com Greyback e Aleco só podia significar uma coisa. Estaria na linha de frente e acabaria vendo-o. Piscando lentamente conjurou um copo de Whisky que sorveu lentamente sentindo o liquido queimar-lhe a garganta enquanto uma fumaça branca e densa subiu pelos seus olhos nublando-lhe a mente ao mesmo tempo em que a sensação de uma gélida camada de gelo subindo por seu corpo fora fortemente sentida. Sua mão tremeu levemente. Veria Potter mais cedo do que desejava.

Comprimiu os olhos fortemente chegando a fazer uma careta enquanto concentrava-se em manter todas as imagens e sensações guardadas com segurança em sua mente. Não podia perder o controle agora. Faltavam apenas dois dias, apenas dois para que precisasse enfim estar diante dele e seguir com o que precisava fazer. Tinha que arquitetar, planejar uma forma de manter-se escondido e longe dos olhos verdes.

Após alguns minutos Snape se levantou e dirigiu-se mais uma vez para seu escuro e abafado laboratório. Não havia a possibilidade de sair porta afora e descontar em outro ser a raiva que sentia, muito menos o remorso e angustia, então iria encher sua mente com os precisos e minuciosos passo a passo de suas poções mais complexas. Talvez assim conseguisse finalmente esquecer-se do menino assim como fazia quando usava Oclumência perante o Lord das Trevas. Pena que o uso constante de Oclumência desestabilizava completa e mentalmente o praticante e isso acabaria deixando-o incapacitado para as missões do Lord o que significaria que não conseguiria proteger o menino.

Então, sem mais pensar em nada além do próximo passo a ser feito no preparo da poção em sua bancada mais próxima, Snape concentrou-se no que estava fazendo diante do caldeirão e passou as próximas horas sem nem ao menos se lembrar quem era Harry Potter.

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- Eles já chegaram, Harry. Vamos?

- Já vou, Hermione. Estou terminando de colocar o tênis. – Respondeu Harry em seu dormitório na torre da grifinória virando a cabeça em direção a porta do quarto.

- Tá, vou esperar lá em baixo.

Harry ouviu o barulho dos passos da amiga enquanto descia para a sala comunal para lhe esperar e então se virou novamente para olhar aquele dormitório. O tênis fora posto há muito tempo, mas não queria dizer para a amiga que na verdade estava parado olhando para as camas vazias e as paredes cruas, nem que estivera o tempo todo apenas relembrando momento bons e ruins que passara junto com os amigos naquele mesmo quarto.

Seis anos, seis anos completos em que dividira seu ambiente com mais quatro meninos da mesma idade. Seu melhor amigo Rony, o atrapalhado e gentil Neville, o bonitão e legal Dino Thomas e o estourado Simas. Todos diferentes e todos ao mesmo tempo iguais a ele. Meninos querendo se achar no mundo entre outros tantos bruxos.

Devagar andou ao redor do dormitório redondo. Parou por um instante ao lado da cama de Dino e viu na parede as marcas dos adesivos da equipe trouxa de futebol West Ham que ele colava assim que chegava a escola. A cama de Simas era a que mais se destacava das outras devido seu cheiro de pólvora e as marcas de explosão na parede ao redor, Harry riu se lembrando de um momento muito embaraçoso no quarto ano em que o amigo tentara mostrar como fazer um feitiço que vira em um livro e atara fogo em seus próprios cabelos e travesseiros. O sorriso se intensificou quando se lembrou de que Neville ficara completamente impressionado consigo mesmo por ter conseguido executar o feitiço "Aguamenti" com perfeição inundando Simas com o jato d'água que saiu de sua varinha. Neville que estivera tão próximo a ser o Eleito quanto ele e que por sorte ou talvez destino fora deixado de lado quando Voldemort o escolheu como o menino da profecia. As próximas camas não tinham nada de interessante, a de Rony apresentava algumas marcas de madeira roída onde era claro que Perebas estivera gastando seus longos dentes e a sua própria cama era, talvez, a mais comum e sem nada de extraordinário. Não havia nela marcas ou algo que pudesse indicar que ali estivera Harry Potter. Iria embora e seu próximo dono jamais saberia quem havia deitado naquele colchão.

Com um suspiro audível e ainda contemplando cada pedaço de parede, chão, móveis e janelas que pudesse enquanto se encaminhava para a porta, Harry arrumou a mochila no ombro e saiu pela última vez do dormitório dos meninos da Grifinória onde jamais voltaria.

Rony e Hermione estavam sentados juntos no sofá, suas mãos, pelo que Harry percebera, estavam juntas e as cabeças dos dois pareciam coladas. Parou de andar quando chegou ao último degrau. Sabia que dependia dos dois e que precisava deles juntos consigo na empreitada em que se enfiaria, mas olhando-os assim sentiu-se cruel por tirar o que poderia ser um lindo futuro juntos. Desejava e muito dizer-lhes para ficarem e serem felizes juntos, curtirem os momentos sem se preocuparem com ele, mas Hermione era muito firme no que queria e Rony achava uma desfeita em sua amizade não estar ao seu lado. Por esse motivo os três arrumavam-se para saírem de Hogwarts juntos.

- Oi. – Disse Harry audivelmente fazendo os dois se sobressaltarem e se afastarem.

- Harry, que bom. Temos que ir logo. – Disse Hermione colocando a bolsa no ombro. – Olho Tonto diz que quanto mais demorarmos, mais problemas poderemos ter.

- Imagino que sim. Vigilância constante, não é mesmo?

Rony riu e acompanhou o amigo para fora da torre da Grifinória. Harry tentava disfarçar, mas enquanto andavam a caminho na entrada do castelo seus olhos arquivavam em sua mente o maior numero de lembranças que poderia levar consigo. Claro que seu esforço fora inútil, no decorrer do terceiro lance de escadas Hermione soltou um soluço que o fez olhá-la e encontrá-la com a mão tapando a boca e uma expressão de completa tristeza enquanto as lágrimas rolavam pelo seu rosto.

- Hermione, não chore. – Disse Rony a abraçando pelos ombros. – Você vai voltar para cá, sabe disso.

- Quero acreditar nisso, Rony. Mas ainda assim, é tão triste estar deixando Hogwarts sem saber quando vamos poder vê-la novamente.

- Confie em mim, Hermione. – Disse Harry chegando perto da amiga. – Vou cumprir com o meu dever e então você terá Hogwarts novamente, poderá se enfurnar na biblioteca e devorar todos os livros que quiser.

- Ah, Harry, você é um bobo.

Hermione puxou os amigos para um abraço e escondeu o rosto no braço de Rony. Harry deu-lhe palmadinhas nas costas até que finalmente a menina se afastou e limpou as lágrimas na manga da camiseta.

- Pelo menos vamos ficar juntos. – Disse a menina quando voltaram a descer as escadas.

No saguão de entrada havia a maior quantidade de bruxos que Harry já vira, todos eles participantes da Ordem da Fênix e que o esperavam para escoltá-lo até a casa de seus tios.

- Ainda não entendo. – Disse Harry enquanto caminhavam em direção ao aglomerado na porta. – Por que ir de trem? Aparatação ou até mesmo a lareira são muito mais rápidos.

- A lareiras estão sendo vigiadas. Segundo McGonagall, Quim enfeitiçou a lareira de seus tios para que ninguém conseguisse ligá-la a rede de flú devido terem Comensais infiltrados no Ministério e você ainda não é maior de idade, por isso teria que aparatar acompanhado, o que também é vigiado pelo Ministério.

- Mas do que adianta ir de trem? Com certeza da para se vigiar um trem enorme daquele andando até Londres.

- Ah, Harry, não é óbvio? – Perguntou Hermione parando e olhando para o menino com o rosto preocupado. – Tudo que é vigiado pelo Ministério vai parar no Ministério. Se você usar o flú ou aparatar vai acabar aparecendo no meio do átrio do Ministério onde sabemos que tem diversos Comensais infiltrados. Precisam te levar até a casa de seus tios em segurança, somente quando você pisar no solo onde está o sangue de sua mãe estará em segurança. Enquanto isso é um alvo fácil.

- Será que pode ir mais rápido, senhor Potter? – Perguntou McGonagall olhando-os aborrecida.

- Então não seria melhor voando? – Perguntou Rony.

- Não. – Respondeu Hermione. – O céu não daria muita vantagem, tem espaço demais e é muito instável. Se houver um ataque dos Comensais será muito mais fácil lutar se estiverem em solo firme do que no ar.

- Como você sabe de tudo isso? – Impressionou-se Rony.

- Fiquei conversando bastante com McGonagall enquanto vocês aproveitavam para jogar quadribol.

Quando chegaram perto do aglomerado, todos olharam para Harry e o menino não saberia dizer se as expressões eram de respeito e preocupação ou se estavam incrédulos que tivessem que proteger um menino tão magricela como ele.

- Potter. – Vociferou uma voz no meio dos bruxos carrancudos. – Venha aqui, Potter.

Harry abriu caminho até Olho Tonto que vestia uma grande capa de couro marrom e estava com uma cara séria que afastava quem estivesse próximo. Harry não ligava para a carranca de Moody e nem para suas cicatrizes ou o olho azul elétrico que rodava para todos os lados, sabia que o bruxo era um dos aurores mais competentes que já existiu e confiava completamente nele.

- Deixe eu lhe explicar algumas coisas. Vamos pegar o trem na estação de Hogsmead daqui a meia hora. Vamos acompanhá-lo dentro do trem e no ar. Uma equipe estará nos esperando na estação de King's Cross. Você deverá ficar sempre acompanhado de um auror que irá te seguir para todos os lugares, não ficará sozinho em um local.

- Mas e se eu quiser ir ao banheiro? – Perguntou baixinho.

- Temos mais preocupações do que ficar olhando suas partes intimas. – Disse alto sem se importar com a descrição. Harry ficou extremamente vermelho e desejou que fosse Lupin a pessoa encarregada de lhe explicar essas coisas. – Granger, Weasley, podem ir junto com Savage e Williamson.

- O quê? – Exclamou Harry virando-se para os amigos com os olhos incrédulos. – Vocês não vão comigo?

- Não. – Disse Hermione sem jeito. – Temos mais de dezoito anos. Vamos aparatar em nossas casas.

- E isso será muito bom, pois assim serão dois a menos para nos preocuparmos.

- Mas nos veremos em breve, Harry. – Disse Rony. – Vocês irão diretamente para A Toca logo logo.

- Estamos atrasados. Vamos logo. – Vociferou Moody.

Hermione se adiantou e abraçou Harry fortemente. Rony lhe apertou a mão e lhe deu um sorriso desejando-lhe boa sorte. Harry ficou olhando os dois descerem o jardim acompanhados pelos aurores e após os portões de entrada aparatarem para suas respectivas casas.

- Agora somos nós, Potter. Vamos.

Harry não gostou nada de ser acompanhado por todos aqueles bruxos, mas não falou nada, apenas acompanhou-os pelo caminho até Hogsmead. Moody mancava ao seu lado com a varinha na mão deixando seu olho azul elétrico enlouquecer em busca de algo fora do normal. Após muitos minutos chegaram até a estação de Hogsmead onde a locomotiva vermelha estava parada e imponente aguardando seus passageiros para poderem viajar rumo Londres. Moody entrou junto com Potter após os aurores que estiveram o tempo todo dentro do trem vigiando avisarem que era seguro. Harry foi posto em uma cabine no meio do trem que estava com as persianas fechadas.

- Como vieram tantos aurores? Todos eles são da Ordem da Fênix? – Perguntou Harry sentando-se e retirando a mochila das costas.

- Nem todos são da Ordem, mas todos são confiáveis. Eu mesmo os interroguei. Acredite, Potter, você está seguro. Agora mantenha os olhos abertos e a varinha nas mãos.

Harry assentiu e viu o auror sair porta afora deixando a cabine ser preenchida por dois aurores muito carrancudos e desconhecidos. Logo a locomotiva começou a andar e em poucos minutos pegou velocidade correndo pelos trilhos que o levariam da Escócia até Londres. Percebeu que estavam indo muito mais rápidos do que quando estão indo para Hogwarts, provavelmente a reduzida quantidade de pessoas e a pressão de Moody no maquinista ajudaram muito nisso. Como chegariam em Londres somente dentro de algumas horas então era melhor se recostar no banco e aguardar.

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O céu estava com um azul bonito naquela manhã quando Snape desaparatou ao lado de Belatriz nos terrenos da mansão Malfoy. Seus olhos negros vagaram pelas árvores ao redor e o jardim muito bem arrumado e cuidado. Viu o verde intenso que brilhava nas folhas novas que emolduravam as flores belamente esculpidas pela natureza. Finalmente, após alguns minutos e quando não podia mais evitar, olhou para frente e viu ali os muitos comensais da morte que aguardavam uma instrução.

- Preocupado, Snape? – Perguntou a voz de Belatriz ao seu lado. – Tentando imaginar qual desses comensais vai matar o seu amor? – Zombou a Comensal causando-lhe um espasmo involuntário na têmpora. – Não se preocupe, não contei a ninguém que você tem uma paixão secreta, estou esperando você me contar quem é. – Snape continuou olhando para frente. – Assim eu posso matá-la com minhas próprias mãos ou torturá-la como você fez comigo, minha garganta ainda doi.

Nesse momento o rosto de Snape se virou lentamente para a mulher, estava duro e frio, completamente cruel e fora de si, seus olhos antes vazios agora estavam repletos de ódio e repulsa. Suas mãos tremiam e sua pele estava arrepiada enquanto observava a mulher rir na sua cara com completa felicidade pelos planos que tinha para quem quer que fosse que ele amasse. Maldita hora em que baixou a guarda, maldita hora em que a deixou perceber que se importava, que havia alguém. Belatriz precisava sair do caminho, isso estava claro em sua cabeça. Precisava eliminar Belatriz, mas antes precisava pensar bastante, não podia simplesmente matar a comensal mais insana do Lord. Snape sorriu loucamente fazendo Belatriz franzir a testa.

- Do que está rindo?

- Estou rindo do que estou planejando para matar você Belatriz. Ah, Bela, você vai desejar que eu continuasse enfiando meu pau em sua boca, aquilo não foi nada comparado com o que eu vou fazer com você.

- Atreva-se. – Rosnou a mulher entre os dentes. - Atreva-se a chegar perto de mim e terá que ver sua prostitutazinha sendo comida pelos comensais quando eu a achar. Imagine, Snape, imagine ela de quatro no meio da sala de minha irmã, com o corpo completamente despido e penetrado por diversos comensais esfomeados ao mesmo tempo. Imagine quando o Lord a pegar. – Riu-se a mulher. – Você sabe muito bem o que ele gosta de fazer, foi ele quem te ensinou a fazer igual com aquelas crianças trouxas. Você nem mesmo terá forças para me matar.

Apesar de estar vociferando ameaças na cara de Snape, Belatriz vacilou quando olhou no fundo dos olhos de Snape, ali estava um animal tão bestial que a mulher teve que engolir suas palavras e recuar um passo sentindo o temor subir por suas pernas. A sombra nos olhos de Snape não era negra e sim vermelha, vermelha como sangue que corre desvairada pelas suas pupilas, louca e ensandecida por liberdade, sedenta para correr solta. Belatriz recuou novamente quando um sorriso torto apareceu naquele rosto medonho.

- Eu mal posso esperar por isso, Belatriz. – Disse o homem baixinho levando a mão até o queixo da mulher e o apertando de leve.

Sem dizer mais nada o homem caminhou para o outro lado onde se postou a direta do Lord que acabara de chegar. Os comensais ao redor não saberiam dizer naquele momento de quem teriam mais medo, de Voldemort que ditava ordens da perseguição ao trem de Hogwarts ou de Snape cujo o rosto bestial permanecia encoberto pelos longos cabelos negros.

- Tragam-me Harry Potter vivo. – Foi a única coisa que Snape ouviu antes de sair do quintal dos Malfoy trazendo atrás de si cinco outros comensais excitados dentre eles Greyback e Aleco.

Antes de aparatar, Snape olhou mais uma vez para Belatriz no outro lado do jardim liderando um pequeno bando de comensais, assim que a mulher o avistou seus negros olhos encheram-se de fúria, sua visão ficou vermelha e seu sorriso fora a jura que fizera de que mataria Belatriz com suas próprias mãos.

Quando desaparatou no ponto nove viu-se em um prédio abandonado que ficava ao lado da via férrea pela qual o trem de Hogwarts passaria. Os comensais que foram com ele se juntaram a outros que chegaram pouco depois, todos se preparavam para fazer o ataque assim que o trem passasse por eles, mas Snape não queria saber do vozerio irritante de suas vozes roucas e estridentes ou de seus sorrisos enviesados, muito menos de suas risadas transloucas.

Naquele momento Severus Snape só tinha uma coisa em mente enquanto olhava para o horizonte onde a linha férrea sumia de vista.

Harry estava vindo para ele.

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Já era bem tarde e o trem continuava chacoalhando enquanto corria para Londres. Os aurores continuavam sérios e em suas devidas posições como se só pudessem sair dali se tivessem ordem para tal. Harry continuava sentado no mesmo lugar, porém agora sua cabeça pendia molemente em seu ombro, sua boca estava ligeiramente aberta por onde saia um filete de baba. Harry dormia pesado naquele momento, ficara acordado a noite devido o medo de dormir e sonhar novamente com as lembranças de Snape já que Madame Pomfrey o proibira de tomar a poção do Sono sem Sonhos, segundo a enfermeira aquilo estava lhe viciando.

Um solavanco leve fez a cabeça de Harry virar para o outro lado sem acordá-lo, sua mão afrouxou e seus dedos se abriram deixando a varinha deslizar sobre eles e pairar por um único segundo na ponta de seu dedo médio antes que caísse ao chão sob um grande estrondo.

Harry acordou assustado quando ouviu o barulho, rapidamente se abaixou para pegar sua varinha quando sentiu algo o pressionando no chão. Percebeu que um dos aurores estava em cima dele deixando-o fora da linha de mira de qualquer um.

- Saia de cima de mim! Deixe-me levantar!

Harry lutou contra as mãos do auror, mas ele era extremamente forte e conseguiu lhe conter no chão enquanto seu parceiro verificava o corredor em busca de respostas. De repente outro estrondo foi ouvido e o trem parou bruscamente fazendo Harry bater a cabeça no bando ao lado causando-lhe estrelinhas diante dos olhos, quase perdeu a força para tentar se livrar do auror. Muitos gritos foram ouvidos do lado de fora quando a cabine foi aberta e Olho Tonto entrou com o rosto lívido de fúria.

- Solte-o Danuer, ele precisará se mexer para se defender.

- O que está acontecendo? – Perguntou Harry se desvencilhando bruscamente do auror e empunhando a varinha fortemente na mão enquanto colocava a mochila nas costas.

Um grito agudo foi ouvido do lado de fora e o clarão de um feitiço resplandeceu a cabine.

- Caso isso não responda sua pergunta, Potter. Estamos sob ataque inimigo.

N/A: Pois é, as coisas vão começar a entrar em um colapso daqui em diante onde Snape e Harry estão separados um do outro. Apesar de querer seguir ai a linha do livro, muitas coisas que escreverei jamais aconteceram nos livros e não vou passar toda a viagem do trio, não se preocupem, vou escerver os topicos principais que aconteceram com eles e que vão ser cruciais para o estado de espirito de Harry e sua sede de vingança contra Snape.

Daniela Snape - Amo seus UPs... ta vendo nem demorei muito para postar... rsrsrsrs

Alma Frenz - Harry quer realmente ser bom para matar Snape, ele está cego com a vingança que assume sua mente, seus sonhos e seus objetivos. Acredito que Snape está do ladinho do Voldemort no quesito ódio, porém Harry não está de frente com Snape, não sabe como irá reagir quando tiver que colocar em prática o que tanto deseja e fazer valer a promessa que fez a Dumbledore em seu tumulo. Posso te adiantar que vamos descobrir no proximo capítulo.

Realmente é maravilhoso sonhar com quem amamos, e ali pudemos sentir o quanto Snape está preocupado com Harry e a menina, afinal entrar nos sonhos dos outros não é tão fácil, não para quem não tem a ligação do Voldemort, ele teve que fazer um feitiço complexo, mas finalmente deu certo, ele pôde dar o aviso ao Harry, dizer o que precisava... espere para ver quando eles dois se encontrarem cara a cara...vixi

Eu sei que no mundo bruxo só existe o padrinho, mas não consegui visualizar só o Rony como padrinho, Hermione tinah que estar em um posto de igualdade com Rony, na melhor então do que dar à ela o posto de madrinho.

Nos proximos capítulos começaremos a visualizar como será a dificil tarefa de Harry com os amigos e também a de Snape na escola de Hgwarts... sempre quis escrever como era Snape na escola enquanto Harry estava foragido...Espero muito a continuação do Desiderium...

Carol - Muito obrigada pelo seu review, fico muito feliz que esteja gostando, apareça mais vezes... bjusss

Tonks Fenix: Eu resolvi fazer um capítulo mais light pq os proximos capítulos serão bem tensos visto que estamos entrando na parte do setimo livro que é quando tudo fica mais tenso e angustiante. O sonho foi uma estratégia que achei que iria dar certo, e deu, uma forma de mostrar ao Harry que ele precisava confiar em Snape acima de sua raiva.