Capítulo Vinte e Oito
- Lucius... Oh, Lucius...
A mulher continuava ajoelhada sobre a terra misturada à neve, as lágrimas caindo copiosas pelo rosto pálido, marcado pelo vermelho dos cortes e do marrom do sangue seco. As mãos agarravam-se à terra, sujando suas mãos, manchando ainda mais suas vestes rasgadas.
Harry colocou as mãos no bolso da jaqueta, observando a mulher com o olhar solene, enquanto a mesma deitava o rosto sobre a terra, como se aquilo pudesse aproximá-la do marido. Sua expressão suavizou, absorvendo a dor e os gritos daquela mulher para o fundo de sua alma. Nada que fosse dito seria consolador para ela, ele compreendia isso.
Lucius Malfoy sequer pudera receber um enterro digno, tendo o corpo apenas coberto pela terra na fronteira entre dois países que sequer eram sua pátria-mãe.
Abaixou o rosto, subitamente envergonhado por presenciar uma cena como aquela. Ele não gostava de nenhum Malfoy, mas aquilo simplesmente... Simplesmente doía especialmente por imaginar qual seria sua reação se alguém que amasse fosse morto daquela maneira.
Arrastar a família para uma situação como aquela, daquela maneira... Fora exatamente por isso que ele preferira seguir aquele caminho sozinho. Para não enfrentar algo como a morte de alguém importante a ele. Sim, às vezes ele acreditava que aquela atitude fosse puramente covarde e egoísta, mas ele preferia assim.
Seu olhar encontrou a figura do rapaz de cabelos claros, afastado da mulher. As mãos estavam soltas ao lado do corpo, e ele apenas encarava a própria mãe se afundar; sem forças para se mexer.
Harry franziu o cenho, desviando o olhar mais uma vez. Ainda não conseguia compreender como fizera aquilo, como conseguira escapar com uma mulher debilitada e um rapaz em choque em tempo. Diabos, ainda estava incrédulo de que Malfoy realmente o tivesse procurado, buscando salvação à sua família.
- Lucius... – Narcisa Malfoy gemeu seu nome, deixando um uivo de dor escapar de sua garganta.
O ventou bateu com força em suas faces, fazendo-o abaixar o rosto ainda mais, protegendo-o contra aquela rajada gelada. Inspirando profundamente, caminhou até Draco Malfoy.
O Comensal percebera sua aproximação, mas Harry percebera que ele não fizera menção de limpar suas próprias lágrimas, como um orgulhoso e arrogante faria.
- Nós seguiremos à Rússia. – Harry o informou em voz baixa. – Não acredito que haja local mais seguro no momento, e Nikolaievich prometeu-me ajuda para sua situação e de sua mãe. Ele pareceu-me interessado em sua história.
- Nikolaievich. – Draco sussurrou o nome, encarando o homem que tanto detestara. – Tem certeza que não seremos presos? Tem certeza que estaremos seguros? – ele olhou em direção a sua mãe, e seu rosto tentou inutilmente esconder a dor. – Tem certeza que ela estará segura?
- É provável que ele vá interrogar e exigir algumas coisas, mas Nikolaievich é um homem razoável.
- Eu poderia deixá-la fora do interrogatório?
Harry balançou a cabeça.
- Isso não é comigo, é com ele.
Draco assentiu.
- Dói-me vê-la desta maneira. Dói-me saber que nada disto é um pesadelo. – Harry se surpreendeu com a sinceridade do homem, considerando que jamais haviam sido próximos. – Nossa família está destruída... A troco de quê?
Harry não tinha resposta para aquela pergunta. Apenas inspirou profundamente e deu um passo, afastando-se de Draco.
- Não poderemos seguir aparatando, pelo menos não por enquanto. Voldemort provavelmente está caçando todo e qualquer vestígio mágico nosso, e uma aparatação seria a maneira ideal para que ele encontrasse nosso paradeiro.
- E como faremos?
- Seguiremos usando transportes trouxas e, em algumas partes, teremos que caminhar. – Harry respondeu de maneira suave.
- Não temos dinheiro trouxa.
- Não se preocupe. Posso dar conta dessa parte.
- Obrigado, Potter.
O agradecimento saíra tão sincero, tão desolado, que Harry se sentira envergonhado. Simplesmente balançara a cabeça, de uma maneira frustrada.
- Temos que ir. – ele resmungou. – Está anoitecendo.
- Antes – Draco o interrompeu, o olhar mais determinado agora. – Há algo que eu gostaria de perguntar.
- O que?
- O assassino de meu pai... Você reconheceu o assassino?
Ambos os homens se mediram por um longo período – ou assim lhes parecera – antes que Harry negasse.
- Não. De certo modo, fiquei até mesmo surpreso quando a capa do assassino caiu.- ele lhe respondeu com sinceridade. – Não conhecia sua existência.
Mas apenas a lembrança daquela mulher, agora, era capaz de fazer os pêlos de seu corpo se arrepiar. Não se lembrava de olhos tão frios, tão inumanos quanto aqueles. Era como se Voldemort tivesse criado em um laboratório sua parceira ideal; uma cópia exata dele.
- Malfoy. – Harry o chamara de maneira firme, chamando-o de volta para o presente. Draco balançou a cabeça, seus olhos encontrando os de seu antigo inimigo, que o encarava com o cenho franzido. – Você compreendeu o esquema? Nós vamos entrar assim que todo o local for cercado, e assim que todos os pontos em que ocorreram assassinatos forem ocupados pelos Aurores.
Ainda sem expressar compreensão ou até mesmo uma reclamação, o homem apenas encarara Harry, que fizera uma careta à falta de resposta.
- Malfoy?
Quando Harry lhe contara a respeito de quem exatamente era Rostova, ele não conseguira acreditar de primeira. Na verdade, ele não queria acreditar que aquela mulher era a mesma que se deliciara ao ver o sangue de seu pai ser derramado. A mesma que cortara o pescoço de seu pai de maneira lenta, de modo que sentisse prazer ao matar, enquanto Lucius agonizava dolorosamente.
Após isso, sabia que Harry pensara que iria explodir em raiva, urrar, brandir a varinha e exigir a cabeça daquela desgraçada, mas não fora exatamente o que acontecera. O que acontecera fora que, estranhamente, ele não parecia mais tão ciente de seu corpo, como se não tivesse mais controle sobre ele. Fora como tomar uma surra, uma surra tão grande a ponto de que a vitima fique desorientada por certo período.
Em seguida, fora como se estivesse caindo de um lugar muito alto, alto o suficiente para que se tenha noção do tamanho do estrago que causará ao corpo quando atingir o chão. O medo o engolfara de tal maneira que ele perdera o ar de seus pulmões. Suas mãos começaram a tremer, em um momento pouco, em seguida quase descontroladamente, e ele não se sentiu capaz de articular uma palavra sequer a Harry.
Saber que Rostova fora a assassina de seu pai não contribuía em nada ao seu medo de perder Sarah. Sabendo do que aquela mulher era capaz de fazer, era como se a realidade de resgatar a Auror com vida transformasse-se em algo cada vez menor e cada vez mais insignificante.
- Malfoy.
Além de despertar-lhe suas piores lembranças, sua mente também pregava peças cada vez mais cruéis. Quando fora informar a Neville a respeito das descobertas do ritual, seu olhar pairou sobre um corpo desconhecido sobre a mesa fria do legista e ele sentiu o coração falhar uma batida.
Não fora uma desconhecida que ele vira sobre a mesa, fora Sarah. Cortada e desfigurada da mesma maneira que as outras vítimas do ritual haviam sido. Vinte minutos mais tarde, enquanto seguia ao lugar em que Potter havia combinado de se encontrar antes que partissem, ele jurara ter sido capaz de escutar gritos. Dela.
A mulher que assassinara seu pai. A mulher que destruíra sua vida. Como ele seria capaz de impedir que ela não destruísse ainda mais? Como ele seria capaz de salvar a única pessoa que fora capaz de lhe retornar o riso, após tanto tempo, sem que o mesmo fosse sarcástico?
- Draco, me escute.
À raridade de Harry chamá-lo pelo primeiro nome o despertara mais uma vez. Ambos se mediram por um tempo, antes que Harry suspirasse cansado.
As íris cinzentas encontraram as verdes e Draco Malfoy apenas balançou cabeça, desorientado. Harry não poderia culpá-lo por sua atitude, entretanto – imaginou-se qual seria a sua reação se isso acontecesse com ele e Ginny. Diabos, ele já estava quase surtando e Ginny sequer iria acompanhá-los naquela loucura.
- Eu entendo a sua preocupação, mas a única maneira de você tentar reverter isso é me ajudando. – Harry disse em voz baixa e séria, dura o suficiente para trazê-lo de volta. – Apenas ficar perdido em lamentações não vai ajudar em nada. Isso não vai salvá-la, Draco. Isso não vai salvar seu filho. Malfoy -.
- Qual é a chance de a encontrarmos com vida? – ele perguntou em voz baixa, interrompendo Harry. – Rostova nunca perdeu tempo.
- Ginny me disse que vocês sempre encontravam um corpo apenas dois ou mais dias após o assassinato. Sarah só está desaparecida há doze horas. Temos chance ainda.
Malfoy soltou um riso amargo.
- Você acha que ela não está aproveitando essas doze horas da melhor maneira possível? Você acha que ela já não tocou em Sarah?
Imaginar a mulher que ele considerava tão forte encolhida em algum canto, aterrorizada, fazia com que seu coração quebrasse.
- É por isso que eu preciso de sua ajuda, maldição. Todo minuto, todo segundo é essencial. Vamos lá Malfoy, volte a ser aquele filho da mãe que me ajudou na Guerra. Não deixe seu próprio medo acabar com a única chance que Sarah tem de sobrevivência.
Sarah.
"É a intensidade das emoções que cada caso provoca em mim que me faz criar ânimo para continuar."
As palavras dela ecoaram em sua mente por algum tempo, antes que ele se deparasse com o largo sorriso da Auror. Não era mais Harry quem ele via a sua frente, tampouco o local em que se encontravam, mas ela. Apenas ela.
O ar passional que ela exalava, a intensidade de suas emoções, sempre demonstradas com tanta força em suas íris.
Subitamente, uma raiva o invadiu de tal forma que ele lançou um olhar inflamado a Harry, os punhos fechados com força sobrenatural. Deixou que um grunhido escapasse de sua garganta.
- Quando eu colocar as mãos naquela cadela desgraçada -.
- Não me diga nada disso. É homicídio premeditado, seu idiota. – Harry o cortou. – Se você acaba a matando, eu sou obrigado a te prender.
Draco o lançou um olhar de escárnio.
- Não me venha com essas. Você não iria me prender. Você age da mesma maneira.
Harry deu de ombros e deixou que um sorriso sarcástico escapasse dos lábios. Draco reconheceu aquele sorriso; junto com o brilho desprendido em seu olhar, aquele sorriso significava que ele não iria pegar
leve naquele caso. Iria usar todo o conhecimento adquirido... E se alguém morresse... Simplesmente acontecera.
- Só estou seguindo o protocolo. – Harry respondeu por fim.
- Estou pronto.
Os dois homens voltaram-se para David Connor, que arrumava a capa vinha sobre os ombros. Ele lançou um olhar determinado a Harry e Draco, onde o Auror russo devolveu com a raiva ainda mascarando suas feições.
- Senhor, os outros grupos estão apenas esperando sua ordem para partir.
- Dê-lhes ordem para partirem, então. Estamos prontos.
Sarah,Draco rezou, fechando os olhos por um pequeno período ,agüente firme. Por favor, mantenha-se forte.
- Onde você pensa que vai, Ginevra?
Ginny congelou no momento em que estava arrumando a jaqueta preta sobre os ombros. Virou-se, encontrando-se com Nathan Madison, que a encarava com as sobrancelhas erguidas e os braços cruzados.
Droga. Droga. Droga.
Ela franziu o cenho e ergueu o queixo, reunindo toda a dignidade e arrogância que ainda possuía e o encarou.
- O que você acha? – ela disparou, franzindo o cenho e terminando de fechar a jaqueta. – Eu vou resgatar Sarah.
Nathan fez uma careta, antes de encostar-se ao batente da porta e estudar as ações da ruiva: esconder armas brancas dentro da jaqueta, guardar a varinha em uma espécie de coldre, na cintura. Esconder o coldre. Prender os cabelos.
- Ginny, você disse a Harry que não iria.
Ginny se voltou para encará-lo mais uma vez.
- Bem, aos diabos com o que eu disse.
Sua voz saíra controlada e baixa, exatamente como sairia a de um Diretor do calibre daquela mulher.
Ele assistiu em silêncio o ritual que se desenrolara; Ginny terminara de se arrumar, estalara os dedos das mãos e se voltara para a porta, sem dar satisfação alguma à ele. Quando ela finalmente colocara a mão delicada sobre a maçaneta, o encarou.
- A equipe de resgate já saiu?
- Sim. Acredito que estejam se posicionando neste momento.
- Ótimo. Então também irei.
- Ginny. – Nathan a encarou incerto, com o ar preocupado. – Minhas ordens são mantê-la segura. Protegida. E antes que você pense em brigar comigo ou com Harry, são ordens do meu chefe.
Ordens do seu chefe porque ele fez um acordo com Harry. Você acha que eu realmente sou idiota, Nate?
Ela encolheu os ombros.
- Se seu trabalho é me proteger, me siga, porque eu não vou ficar parada aqui.
- O que nós estamos fazendo aqui parados? – Malfoy sibilou furioso, suas mãos suando enquanto ele, Harry e Connor escondiam-se próximos a uma casa velha, mas de boa aparência. As janelas estavam todas cobertas pelas cortinas, e tudo parecia normal.
Mas ele sabia que ali, a poucos passos, a mulher estava com Sarah.
- Cale a boca. – Harry sibilou de volta. – Estamos esperando o momento certo. Preciso de todos os Aurores posicionados.
- Pra quê isso? – Malfoy grunhiu agoniado. – O que diabos você acha que vai acontecer se todos os Aurores não estiverem ali?
- Preciso ter a certeza de que Rostova não irá escapar.
- Nós estamos perdendo tempo. – ele sentiu vontade de gritar a resposta, chacoalhar Potter e trazê-lo de volta à razão. – Você acha que Rostova vai fugir à pé? Potter, pelo amor de -.
- É claro que eu não acho isso, por isso estou fechando o cerco, tanto física quanto magicamente. – Harry o interrompeu frustrado. – Você acha que eu souidiota, Malfoy? Você acha que eu realmente não tinha pensado na possibilidade de Rostova e seu acompanhante aparatarem?
À menção do acompanhante, Harry sentiu sua espinha congelar. Lembrou-se de Ginny no Departamento, que se recusara sequer a encará-lo antes de partir, e procurou se acalmar.
Ela está segura. Nathan está com ela. Mantenha o foco, Potter, Ginny está bem.
Ele tinha que segurar aquele assassino. Tinha que impedir Erick Rutherford de sair daquela casa, não enquanto não estivesse seguramente preso.
Ou morto.
- Vamos repassar mais uma vez. – Harry disse em voz baixa. Connor assentiu, mas Malfoy sequer se dera ao trabalho de responder-lhe. Continuara encarando a casa, o punho fechado sobre seu colo. – Malfoy!
Ele se voltou com o cenho franzido.
- O que é? Nós já repassamos essa porcaria trinta mil vezes! Não temos mais tempo para ficar procurando falhas em planos, temos que entrar naquela casa!
- Temos que agir com cautela! – Harry retorquiu. – Temos que resgatar Sarah em segurança, sem prejudicar ninguém.
- Temos que resgatá-la com vida! – Malfoy quase gritara, mas controlara-se em tempo. Seu corpo inteiro estava trêmulo, enquanto ele fazia um esforço descomunal para controlar a raiva.
Ele sabia que Harry estava certo; droga, ele confiava sua vida nas mãos daquele homem, porque sabia o quanto ele era capaz, o quanto ele provara ser capaz. Mas pedir paciência um momento como aqueles estava impossível. Tudo o que ele queria, tudo o que ele precisava, era segurar Sarah em seus braços e saber que ela estava bem. Que ela estava viva.
O Espelho de Duas Faces que Connor segurava em mãos brilhou por um segundo, antes de aparecer a imagem de um Auror barbudo.
- Todos estão aos seus postos, senhor. – disse, dirigindo-se a Harry.
- Projetem o escudo. E fiquem atentos. Rostova e Rutherford podem aparecer em qualquer lugar.
- Sim senhor.
A imagem do homem desaparecera. Harry voltou-se para Connor e Malfoy.
- Certo, agora nós – Malfoy! MALFOY!
Harry gritou enfurecido, levantando-se em um salto e correndo atrás do homem, que disparava em direção a casa, a varinha já em mãos.
Malfoy já saíra para a claridade, denunciando sua posição; sabia, agora, que manter-se calmo e esperando o momento ideal não iria mais funcionar, e sentiu-se satisfeito por isso. No treinamento que passara por Nikolaievich, aprendera a agir de maneira rápida e eficiente. Seu corpo estava treinado para aquele tipo de ação. Todos os homens de Nikolaievich, do serviço secreto, tinham aquela lição marcada como ferro em brasa em suas carnes.
Invadir o local. Matar o criminoso. Garantir a segurança do refém.
Ele manteve o mantra, até que suas costas se chocassem contra a parede ao lado da porta de entrada, Harry Potter em seus calcanhares. Viu a fúria estampada nas íris verdes do homem, mas não se importou. Apenas manteve o pensamento: invadir o local. Matar Rostova. Salvar Sarah.
Potter se chocou contra a parede, da mesma maneira que Draco fizera, mas do outro lado da porta. Fulminou-o com o olhar.
- O que pensa que está fazendo?
- O que fui treinado para fazer. – Draco sibilou.
- Você não está em uma situação rotineira, Malfoy! – Harry gesticulou. – Você tem sua própria pressão emocional!
- É por isso que estamos em trio: você me dá cobertura, Connor dá cobertura a nós dois. Se Rostova e Rutherford nos abaterem, Connor poderá fazer o serviço e chamar a cavalaria, da forma como você planejou. – ele franziu o cenho, revoltado. - Então vamos fazer a merda que você planejou, agora. Eu não vou ficar parado naquela merda por mais tempo, enquanto ela pode estar morrendo em algum lugar dessa casa!
Harry o encarou frustrado, antes de assentir. Ambos se encaram por um tempo, antes que, como se ensaiado, ficassem lado a lado e ambos gesticulassem com a varinha, abrindo a porta de maneira silenciosa.
A sala estava vazia.
Subitamente, Malfoy começou a se sentir o pânico aumentar. E se eles não a encontrassem? E se Ginny estivesse equivocada? E se elas não estivesse ali?
Em uma pergunta silenciosa, seu olhar encontrou o de Harry, e ele indicou a escadaria. Harry franziu o cenho e sibilou:
- Não podemos nos separar.
- A casa é grande o suficiente para que Rostova perceba nossa presença e...
E mate Sarah.
Ambos voltaram seus olhares à porta quando Connor finalmente os alcançara.
- Há mais Aurores vindo. – Connor os avisou em voz baixa. – Eles vão nos ajudar a procurar pela casa. Temos que manter alerta: Rutherford é um dos nossos. Ele sabe a maneira que lutamos.
Malfoy sentiu vontade de rir de maneira histérica. Não, ele sabia como Aurores lutavam. Isso não incluía as sombras russas de Nikolaievich, tampouco o homem que assassinara Voldemort e quase todos seus Comensais a sangue-frio.
O olhar de Harry voltou-se para o corredor que separava a sala da cozinha, e franziu o cenho. Ali, no corredor marcado por fotos de crianças sorridentes e gatinhos, existia uma porta.
Porão.
Catherine Eden fora morta em um local abandonado, escuro. Tamara Abramova, na Rússia, morrera em um estacionamento trouxa, durante a noite...
Lugares escuros. Todas as vítimas foram assassinadas em locais escuros.
Ela está no porão. Só pode estar.
Ele estava pronto para comunicar seus pensamentos a Draco e David Connor, quando o berro encheu-lhes os ouvidos. Fora um grito angustiante, o suficiente para que Harry sentisse os pêlos de seu braço arrepiar.
Draco, entretanto, não hesitou um segundo sequer ao escutar o grito. Parecendo sequer lembrar-se de usar a discrição a seu favor, ele sacou a varinha e berrou o feitiço, destruindo a porta.
- SARAH!
Rostova erguera a cabeça, de maneira calma, ao escutar o berro masculino angustiado. Pelo som, sabia que o homem estava perto. Seu cenho franziu-se.
A mulher estava pronta para prender o outro punho de Sarah que, antevendo a dor que passaria, tentara afastar a mão e gritara para que ela se afastasse. Após isso, só tivera tempo de lhe aplicar mais uma dose de sedativo em seu pescoço, antes que a única coisa que escutasse fosse a porta sendo destruída e o grito que ela sabia ser de Draco Malfoy.
Sarah também reconhecera aquela voz. Mesmo que completamente desnorteada graças às drogas que a mulher vinha lhe injetando para que não tivesse forças para lutar contra, ela conseguira distinguir aquela voz.
Draco. Draco está aqui.
Aquilo fora o suficiente para que seu coração começasse a bater de forma mais acelerada, o suficiente para que ela se esforçasse a compreender aquela situação. Sua mão direita ainda gritava em dor, a estaca fincada à palma de sua mão.
Rostova de repente se erguera, o indicador deslizando suavemente sobre a palma de sua mão ainda não agredida, e ficara de costas à ela. Sarah a percebera deslizar suavemente pela escuridão, e sua mão se fechar contra alguma coisa.
Varinha. Aquela faca. Deus, o que ela pegou em mãos?
- Eu não tenho tempo para brincadeiras. – a mulher replicou com suavidade. – Você está atrapalhando o que deveria considerar um milagre, traidor.
Subitamente, o lugar parecera ficar ainda mais escuro que antes. Sarah percebeu que começara ofegar, e sua visão fora aos poucos tentando ajustar-se a todo aquele breu. Sua mão latejava, mas tudo que ela podia pensar era em Draco.
Ela vai matá-lo. Ela vai matá-lo. Ela vai se aproveitar desse escuro e vai matá-lo.
Vá embora, Draco. Por favor, vá embora!
- Eu preciso de reforços! Cadê o maldito reforço! – uma voz gritou no andar de cima, e ela especulou se estava certa ao acreditar que aquela voz pertencia à David Connor.
Não, você não precisa de reforços, seu idiota. Você precisa ajudar Draco a sair daqui. A sair de perto dessa louca.
Rostova ia matar Draco, da mesma maneira que pretendia matar ela e o bebê.
O bebê.
A mão livre pousara de maneira suave sobre o abdômen, e ela em seguida o apertara com toda a força que tinha. Sentiu um solavanco no estômago, e engolira em seco, como se um novo sopro de determinação tivesse invadido seu ser.
Aquela mulher não iria destruir sua vida.
Tudo parecia estar acontecendo devagar demais, lento demais. Não conseguia escutar um ruído de Draco, um ruído de Rostova. Ainda sim, sua mente gritava a si mesma para reagir. Ela estava conseguindo enxergar naquele escuro, maldição. Ela poderia ajudar Draco.
Ela poderia impedir que Rostova o matasse.
Seu olhar caiu sobre sua mão inutilizada pela estaca. Apenas de cogitar o pensamento fizera seu corpo inteiro tremer em dor. A tontura viera à tona mais uma vez e ela fechou os olhos, tentando reprimir qualquer pensamento.
Eu preciso fazer isso, eu preciso fazer isso.
Sua cabeça estava uma confusão. Inicialmente, pensara ser capaz de compreender o que estava acontecendo, mas tão logo percebera que era apenas ilusão. Tudo rodava, tudo parecia sem nexo. Não escutava Draco, não escutava Rostova. Por que demorava tanto? Ele parecia desesperado quando aparecera. Por que não fazia ruído algum agora?
E se Rostova já tinha o alcançado?
O desespero fizera com que ela jogasse a mão livre sobre a estaca, e a puxasse. A estaca movera-se, mas não o suficiente para que livrasse sua mão daquele cativo.
E doera. Jesus Cristo, aquilo doera mais do que quando a mulher pregara a palma de sua mão. Ela fechou os olhos com ainda mais força e enterrou os dentes sobre seu ombro, tentando evitar o grito preso à sua garganta.
Sentiu o gosto de sangue em sua boca, mas não dera importância àquilo.
Preciso sair daqui. Preciso ajudá-lo.
Preciso salvar meu filho.
Ela puxara a estaca mais uma vez, afundando os dentes sobre a própria carne, não conseguindo conter muito bem o grito ao ter o ferro finalmente tirado de sua mão.
Deus, como dói. Como dói. Eu não consigo mexer essa mão inutilizada.
Estou completamente inútil. Não consigo me mexer, não consigo entender.
Vamos Sarah, mexa-se. Mexa-se!
- Sarah!
Ela se surpreendeu quando seu corpo foi erguido, de maneira tão fácil. Como se não estivesse tonta.
Mas espere, aquilo não fazia sentido. Ela ainda não conseguia enxergar nada, e tudo rodava tanto... Como poderia ter se levantado...
- Eu preciso de um paramédico! Droga, Connor, traga o maldito paramédico aqui!
Draco.
A voz dele estava tão próxima a ela, que ela finalmente percebera que fora ele quem a erguera. Eram seus braços agora que estavam em volta de seu corpo, a sustentando, a protegendo. Era seu corpo que estava aquecendo o frio e trêmulo corpo dela.
- Sarah, fala comigo, por favor. Fala comigo!
O tom de sua voz, o pânico, a proteção com que ele a tinha segura a fez ficar com os olhos cheios de lágrimas. Mas ela não segurara o choro, porque estava confusa demais. Simplesmente começara a chorar. Por não compreender. Por temer pela vida dele. Por tudo estar um breu e rodando desgraçadamente.
- Eu não consigo enxergar nada. Eu não consigo ver nada.
- Shh. Está tudo bem. Está tudo bem. – ele sussurrou, a abraçando com mais força. – Você está segura.
- Mas Rostova... Rostova! Ela -.
- Está morta, Sarah.
Sarah usou a mão boa para segurar a capa de Draco, mas a mesma pareceu derreter em seu toque quando ela sentiu o corpo se afundar, apagando.
Harry suspirou cansado, enquanto olhava para o corpo da mulher esticado sobre o chão. O sangue escuro agora estava aumentando sob sua cabeça, ensopando os cabelos quebradiços de Rostova.
De qualquer modo, isso não aliviava seu humor. Checara a casa inteira, os Aurores reviraram todo possivel local fora da casa, e Rostova era a única assassina presente. Nada de Rutherford.
E, no momento, Erick Rutherford era sua maior preocupação. A ameaça que precisava ser detida.
Seus olhos ergueram-se da figura ensangüentada aos seus pés e encarou os olhos cinzentos de Malfoy, que o fitava da mesma maneira. Os paramédicos finalmente haviam alcançado a casa, e agora desciam as escadas em direção a figura desfalecida de Sarah Madison.
Malfoy olhou para a palma da mão da mulher em seus braços.
- Ela estava mantendo Sarah sedada, isso é óbvio.
- Há medicamento o suficiente para isso. – Connor respondeu, enquanto franzia o cenho observando a mesa velha de madeira que Rostova mantinha todo seu equipamento. – Cara, acho que nem minha avó usava tanto remédio.
Rostova já a tinha pregado ao chão, ele pensou quando os paramédicos finalmente agacharam-se ao lado dele e de Sarah, e pediram de maneira gentil para que ele se soltasse da Auror. O pânico preencheu suas feições, e ele pensou se seria capaz de algum dia em sua vida soltá-la mais uma vez. A última vez que permitira que ela se afastasse dele, ele quase a perdera. Ele não iria permitir isso acontecer mais uma vez.
- Você também está ferido. – um dos paramédicos observou o sangue manchando a roupa de Malfoy, no ombro esquerdo. – Há um corte profundo próximo aos cabelos também.
- Rostova o agrediu com esse facão. – Harry indicou a arma ao lado de Rostova.
- Jesus Cristo. O que essa mulher era, uma açogueira? – um paramédico comentou perplexo.
- Ela costumava cortar suas vítimas.
Malfoy fora um idiota e quase morrera, Harry pensou balançando a cabeça, enquanto os paramédicos colocavam Sarah em uma maca e ajudavam o Auror a se erguer. Entrar como um maluco dentro daquele porão, sem saber a posição de Rostova fora um erro.
E esse erro quase lhe custara à vida, quando a mulher o fizera bater a cabeça contra a bancada, desnorteando-o. E ela apenas lhe atingira com o facão no ombro porque Harry fora rápido o bastante para desviá-lo do caminho letal, antes de receber um murro no maxilar e mentalizar o primeiro feitiço que lhe viera à cabeça. O pescoço de Rostova abrira completamente, e ela tivera apenas tempo de soltar um esgar surpreso, antes que desabasse.
Se ela tivesse acertado aquele golpe, Malfoy teria perdido a cabeça.
Por outro lado, ele não se sentia capaz de culpar o homem pelos seus atos. Ele sabia que, se estivesse na situação que Draco se encontrara, ele teria agido da mesma maneira. Provavelmente pior.
Malfoy se ergueu, cambaleando em direção a escadaria. Harry segurou seu braço e o ajudou a se equilibrar, usando seu corpo como apoio. Olhando para as feições sujas do homem, Harry reconheceu o cansaço nelas.
- Acabou. – ele afirmou ao Auror em voz baixa, que apenas assentiu, respirando fundo. Como se, pela primeira vez, ele fosse capaz de respirar daquela maneira.
Ao subir as escadas, os paramédicos retornaram do local onde deixaram Sarah e vieram dar auxilio aos dois homens. Afastaram Draco de Harry, e ambos seguiram em direção à rua.
Harry notou o olhar ansioso de David Connor e ele aproximou-se do homem.
- Procure afastar o maior numero de repórteres possíveis. Feche o local. Quero qualquer coisa que pertença a Rostova confiscada e levada para análise. Talvez isso nos leve à Rutherford.
- Sim, senhor.
Harry seguiu até o meio da rua, e compreendeu que não demoraria muito até que o local estivesse infestado de jornalistas. Grunhiu.
Seu corpo finalmente cedeu ao cansaço, ignorado horas antes graças à adrenalina. Agora, seu maxilar doía e suas costas reclamavam. Estou velho, ele pensou e subitamente riu. Tenho apenas vinte e quatro anos e estou agindo como um velho de sessenta.
A imagem de Sarah Madison, presa daquela maneira também não lhe saía da mente. Imaginou Ginny em seu lugar, e seu corpo ficara congelado com o pensamento. Isso o fizera se lembrar de Erick Rutherford, ainda desaparecido, e seu medo aumentou ainda mais.
O prêmio de Rutherford era Ginny. E Harry precisava dela ao seu lado para saber que ela estava segura. Que ela ficaria bem.
- POTTER!
- HARRY CUIDADO!
O som do berro rouco de Malfoy o despertara de maneira abruptada, seus olhos encontrando a figura masculina com os olhos arregalados. A princípio, ele não compreendeu o que aquilo queria dizer, mas ao perceber, em uma pequena fração de segundos, que Malfoy não olhava especificamente para ele e sim, para o que estava atrás dele, seu corpo ficou tenso e seu coração acelerou.
Tudo acontecera muito rápido, mas para ele fora uma eternidade. Harry se virou, a tempo de ver o homem, ainda maior do que ele, com um facão parecido com aqueles dos filmes sobre soldados em guerra que os Dursley costumavam ver em sua infância, e que ele era obrigado a assistir escondido.
E o facão estava embebido em alguma coisa. Um líquido roxo, escuro.
Magia Negra.
Ele sabia que não conseguiria reagir antes que aquela arma atingisse alguma parte de seu corpo, mas precisava de alguma maneira defender-se antes que aquilo ficasse ainda mais sério.
Foi quando algo se chocou contra aquele monstro, forte o suficiente para que o homem cambaleasse. Harry piscou, desnorteado, enquanto escutava gritos. Aurores gritavam. Paramédicos gritavam. Malfoy gritava.
Ele olhou para o chão, próximo de onde o homem estava e visualizou sangue gotejando de algum lugar...
Seus olhos cravaram-se na figura em pé em frente a Erick Rutherford, a apenas três passos de distância dele e sentiu o pânico crescer em sua garganta, de modo que ele perdera toda e qualquer reação.
Não. Por favor, não.
Continua...
Notas: Não gostei desse capítulo. Pensei que poderia fazê-lo exatamente da maneira que imaginei, mas após reescrevê-lo três vezes seguidas, vi que isso era o máximo do 'passável' que eu poderia fazer. Bloqueio maldito.
Espero que tenha agradado a vocês :D
E gente, qual é? Vocês ficam falando de me matar, matar, matar - e depois eu acho que EU tenho uma mente doentia e psicótica xD shuaheushauehushae
E sim, eu nunca planejei matar a Sarah xD. Ela e o Malfoy já se ferraram o suficiente para que eu terminasse a história dos dois matando a coitada HSUAHEU xD Sei que pareceu confuso o resgate dela, ainda mais por grande parte ter sido narrada pelo ponto de vista dela, que tava extremamente drogada, mas achei que foi a melhor maneira de descrever, usando os detalhes gerais apenas depois quando usasse o ponto de vista do Harry. O local não estava tão escuro quanto ela achou estar, aquele breu impossivel de ver alguma coisa, mas imaginem-se bebados: conseguiram? Agora imaginem-se caminhando rumo ao banheiro para vomitar, mas vocês tão vendo tudo rodando e voce não consegue se agarrar a nada, ver nada, por mais que a luz esteja acesa. Viram?
Bem foi exatamente assim xD
e novidades! Estamos a dois capítulos do final e do epílogo! :DDD (comemora)
Obrigada a todos os comentários, vocês não fazem idéia do quanto eles me empolgaram para escrever esse capítulo :D Aliás, ela fanfic inteira :B
a Pedro Henrique Freitas, eu vou prestar RI só na UnB e na PUC-MG, que são as melhores na área. Esse ano, para USP, vou prestar História mesmo. Mas sei lá, esse final de ano está confuso, eu estou podre e a única coisa que eu quero é descanso. Ano que vem eu faço cursinho xD E é, ENEM esse ano tava mais dificil que ano passado - leia-se aqui RETARDADO - , com questoes completamente sem-noção. Mas paciencia :B E semana de provas é sussa, pensa assim, é só uma :D - Eu VIVO em semana de provas... é mais facil perguntar quando eu não tenho prova, porque atualmente to tendo até de sábado e domingo xD
a Sandy Meirelles, eu fico lisonjeada que você tenha gostado do prólogo da Camila e do Mark. Eu to começando a bolar a trama dos dois agora - antes era uma coisa, mas agora eu já mudei algumas coisas - e pode apostar que eu vou me aprofundar de novo nessa parte de suspense :D Se bem que eu vou fazer o relacionamento dos dois ser algo bem mais carnal do que eu fiz entre HG e a Sarah e o Draco. A.d.o.r.o a história dos dois, porque são dois personagens que eu venho criando desde meus treze anos, aprimorados ao longo dos anos xD. E bem que eu pensei em fazer Direito, ser delegada. Afinal, eu ADORARIA liderar uma investigação... mas minha área é mesmo RI ou História. E eu quero muito pegar a parte internacional, porque meu sonho é trabalhar contra o tráfico internacional de seres humanos. Tanto que o último livro que eu peguei, da minha autora favorita, mexe justamente com três coisas que eu sou apaixonada: Russia, trafico de mulheres, suspense. Delirei shauehuhsa. Mas prometo que pensarei com carinho ;D
a Beatriz-Bia, o Harry não abaixou a moral dela no Departamento, ele apenas tá histérico o suficiente para, mesmo sabendo que ela pode muito bem se proteger sozinha, enchê-la de mais proteção e colocá-la numa redoma de vidro xD. Ah, eu nunca li Anne Rice, mas garanto que você irá amar os livros da Tess! (Juro, EU termino os livros sem unhas - e Deus sabe o quão analítica eu sou nessas situações de vida-morte, experiencia propria xD)
a Sabrina, Camila Oliveira é baseada em uma pessoa que eu não vou falar para não comprometê-la xD mas garanto: essa mulher É um inferno. Se você chegar a ler a fic dela, você vai perceber isso ;D
a Cacau, Sobre o lance da Rita com o Draco, foi apenas blefe dela. Aquela coisa de sensacionalismo do tipo: por ele ter sido comensal, e aparecer justo quando ocorrem assassinatos logo ele é o assassino. Tudo o que ela jogou foi praticamente um blefe, que a Sarah chegou a quase considerar xD E sobre o Harry na Guerra - eu não vou entrar em detalhes. Pode ser que eu use isso para a trama na continuação dessa fic, por isso que, no momento, eu não aprofunde o assunto. Mas de qualquer modo, foi uma Guerra - ele matou MUITA gente, torturou povo de montes e fez o que achava necessário se fazer.
a Maria Lua, ushaeuhusahe primeira pessoa que eu vejo que não curtiu o Mark! Adorei isso, de verdade! Mas não que ele seja ruim, frio ou com uma mente doentia e psicótica, mas há muito mais história por baixo dos panos, que não prcisa ser mencionado nessa fic.
Pra quem não tem entendido o esquema que vai ser essa 'série', será mais ou menos assim:
"Ninguém Como Você!" - Fanfic CamilaxMark (algo como relacionando alguns pontos usando a fic passada, mas nada que atrapalhe ambas as tramas) - "Pequeno Paraíso" (Continuação da NGM, HG, e uma das fics mais tensas que eu pretendo escrever.)
Bom, é isso n.n
