Beeem, e depois de uma razoável demora...Aqui vós trago! (XD) o capítulo 15 de CdE
Lembrando se que este capítulo excepcionalmente possui LEMON e LIME!
Caso você seja uma pessoa sensível e inocente, o lemon e o lime estarão em negrito para facilitar sua identificação, dessa forma fica a seu critério e risco o ler ou não =3
Abyssus Zero ai está seu premio! Espero que valha =3
LadyCapuccino... Um passeio de balão...? Hmm... Vou ver o que posso fazer XDDD
Lembrando que o terceiro lugar ainda está vago no desafio dos mistérios!
Espero que gosteeem e apreciem sem moderação! ;D
E eu quero reviews ;-; (=x)
Não é minha culpa a perversão desses brasileiros =x
Capítulo 15 – Coisas como falar sobre sexo
Estava exausto, total, e completamente exausto...
Começou a se despir, estando ainda no quarto, agradecendo aos céus que ao menos uma vez tiveram a bondade de hospeda-los em quartos separados...
Puf, ano de eleições, seeeempre assim.
Ligou o chuveiro, deleitando-se com a sensação da água morna caindo sobre seus ombros, logo entrou de cabeça, intensificando essa sensação.
A verdade é que estava realmente agradecido pela comodidade, não teria forças para começar uma discussão com São Paulo a esta altura do campeonato.
Foi apreciando como a água escorria por suas costas e suas tatuagens.
Depois de um bom banho de mar, essa era a segunda melhor coisa para se esquecer dos problemas!
Começou a banhar-se então, enquanto ansiava com sua doce, e solteira, cama que teria aquela doce noite~
Nem ao menos se importava se teriam ou não uma desgastante reunião na manhã seguinte, aproveitaria ao máximo.
Enquanto se banhava perdido em pensamentos e sensações que havia experimentado nos últimos meses... De alguma forma estranha, tudo parecia tão diferente, e ainda assim tão anormal...Chegava a ser engraçado e irônico.
O boxe onde estava era pequeno, ainda assim possuía uma grande janela, esticou-se um pouco para abri-la, lembrando com desgosto aquela vez que São Paulo o intitulara de baixinho.
Não era baixinho! E sim, este episodio ainda o irritava.
Terminou seu banho resolvendo que lavaria o cabelo amanhã de manhã, por que iria demorar, e queria ir dormir JÁ.
Colocou sua roupa de baixo branca com uma faixa vertical preta, e saiu resmungando alguma canção enquanto secava as pontas de seus cabelos distraidamente com a toalha.
Ah~ Sua cama, macia, quentinha e solte-
- ...Eu vejo Londres, eu vejo Paris...Não! Eu vejo Rio e...Ei, bela cueca.
Seu coração que batera sem problemas nos últimos 500 anos parecia ter dado um curto, enquanto se virava, agora mais branco que o sabonete que usara, encontrando ninguém menos do que a última pessoa e Estado! Que desejaria que o visse nesse mesmo instante.
Semi nu, molhado e...Isso já não era bastante?!
Mas lá estava ele, confortavelmente sentado no pequeno sofá, não muito longe da entrada, observando descaradamente seu vizinho constrangido.
- Só pra avisar, cê esqueceu de trancar a porta
- H-he?
- Eu vim avisar que a reunião...- Parava sem pudor o que tinha a dizer enquanto observava de cima a baixo o corpo do outro - ...Será mais tarde amanhã...Cê andou malhando?
-...Ah...- Processando, processando...Processando...Insira o CD com as atualizações e o manual de "MAS QUE MERDA?!" por favor...E então raciocinou, tacando a toalha na cara do 'recém chegado' - E POR QUE TU NÂO BATEU? !
- ...E desde quando eu sou educado tratando-se de você? - Respondeu sem tirar a toalha - E por que tão nervosinho? Como se eu nunca tivesse visto você de sunga. - Começou a retirar o pano, observando de esguelha.
- É DIFERENTE! - Alegou observando ao redor tentando lembrar onde raios tinha deixado sua roupa.
- Ué, o que tem de diferente?
- Bem... -
-Além do mais...
Rio não costumava ser do tipo que pensava antes de agir, e isso já era extremamente problemático, imagina então nas situações que parava de pensar...
...Como quando estava distraído procurando suas vestimentas, e não notara que o outro havia se levantado.
Ou quando sente algo próximo, PROXIMO, ferradamente P-R-O-X-I-M-O.
Ou quando uma mão nem um pouco santa averigua seus..."Municípios de trás"
- ...Temos as mesmas coisas - Quase sussurrou tendo o queixo apoiado no ombro do mais baixo - Só que em tamanhos e proporções diferentes.
Sua mão passava descaradamente pelas nádegas contrarias, até mesmo brincando com o elástico da roupa de baixo.
Era só virar, e socar o paulista... Era só virar e socar o paulista, só virar e... ENTÃO POR QUE NÃ VIRAVA?!
Rio sentiu um terrível e pessimamente...Ótimo arrepio perpassar por seu corpo, o qual, misteriosamente, conseguiu disfarçar, enquanto mordia seu lábio inferior com força.
A mão do paulista mostrava querer ingressar baixo o boxer que usava.
Erro no sistema, erro no sistema
- Rio... – Sussurrava em sua orelha – Que tal tomar... Outro banho?
Alerta de Vírus.
Sentia uma vontade incrível de fechar os olhos, sem saber quando uma de suas mãos também se posicionou na cintura paulista, Faltava tão pouco para encostar ambos os corpos...
Queria poder senti-lo também, o contorno de seu corpo...
Poder virar-se e proclamar aqueles lábios como seus... Vê-lo tão despido quando ele esta vendo-o agora.
Realmente desejava isso...
Desejava ele...
... Abrir a boca, e deixar escapar aqueles sons que lutavam por sair...
Mais perto... Só um pouco mais... A respiração do paulista contra seu pescoço... Suas fortes pernas começavam a fraquejar...
- ...SAIA JÁ DAQUI! - Berrou com tudo que tinha dando uma cotovelada no "amigo", que não conseguiu desviar totalmente, e lançando em seguida a primeira coisa que achou, o carregador do celular - MALDITO PERVERTIDO! FORA!
- Ai ai .. - Passou a mão na testa, atingida em cheio, vendo o carioca vermelho de "raiva" olhando na sua direção - Certo, certo, depois não venha dizer que eu nunca te elogio!
E Saiu irritado do cômodo, não antes de gritar.
- E NEM PENSE EM CHEGAR NO HÓRARIO ERRADO AMANHÃ, OU BRASÍLIA VAI DIZER QUE A CULPA É MINHA!
E bateu a porta com força.
Sua respiração estava descontrolada, seu coração se atropelava, e sentia uma vontade absurda de esconder-se em algum lugar, e ficar lá ao menos uma década...
Claro que não! E a Copa e as Olimpíadas?!
Foi meio cambaleante para o banheiro, tentando ignorar seus pensamentos, malditos pensamentos, que voltavam agora e com propósitos nada saudáveis, nada santos...
Ou melhor sim... Mas "São" e não "Santos", pensamentos bem "São"..."Paulo"
São Paulo
São Paulo
São Paulo!
E tornou a praticamente cair em baixo do chuveiro, tomando uma ducha esta vez.
Só que gelada, beem gelada...
Queria pensar em outra coisa... Qualquer outra coisa!
Ignorando completamente a única peça de roupa que usava no momento...
Seu corpo, por algum maldito motivo não parava de tremer, e não era pelo frio...
Isso tinha que ser um sonho! Só podia ser outro maldito sonho! UM PESADELO!
Se não...Se não...
Iria se tacar de cima do pão de açucar! Beem do topo!
Ou amarar uma pedra no tornozelo e se lançar ao mar
Ou...Ou... AAH!
Esses pensamentos não podiam estar passando na sua cabeça!
Ele e São Paulo... Sua cama... Sem roupa
Céus, queria morrer...Isso não podia estar passando com ele!
Ignorava completamente o realismo dos fatos, e se tacou dentro da sua cama, ainda meio molhado e sem trocar de 'vestimenta', não era sua casa mesmo...
Só queria acordar, acordar e provar para si mesmo que tudo isso não passava de um sonho louco! N-não, um péssimo pesadelo!
Isso...
Só queria acordar...
Estava tão cansado...
Só...
...Acordar...
...
TRIIIIIIIIIIIIIIIIM
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
Brasília chegava cansado na reunião que se realizaria em Belo Horizonte. Ainda sentia dores lombares dos golpes efetuados por SP e RJ, não conseguiu dormir bem de noite pensando na futura reunião que teria com outras capitais do mundo... Nunca fora em uma reunião com mais de 20 capitais...E geralmente eram apenas americanos... Não estava nervoso.
Estava totalmente apavorado!
Bocejou abertamente vendo se algum outro Estado tinha visto. Apoiou-se no pilar de entrada do hotel buscando em sua mochila alguma coisa para comer, ainda por cima tinha saído sem comer nada!
Bufou irritado e frustrado... Se ao menos Rio de Janeiro não quisesse matar-lhe pelo castigo que o dera podia ao menos pegar algumas dicas com ele... Ou quem sabe mesmo com São Paulo, afinal geralmente eram os dois que Brasil mandava para esse tipo de reuniões internacionais...
Talvez seu pai realmente não confiasse nele por isso...
- Ooooooscaaaaar!
Assustou-se levantando o rosto para ver de quem se tratava, antes mesmo que o pudesse teve o corpo envolvido rapidamente em um forte e sufocante abraço.
- Oscar! Oscar! Que saudade Oscar! Quanto tempo que eu não te vejoo! - Mal conseguia respirar, muito menos responder, além do forte abraço sentia uma certa circunferência que lhe pressionava o peito. - Outro dia mesmo estava falando de ti para Gustavo! Que boom que te encontrei!
Finalmente a jovem de não mais de trinta anos, rosto radiante, e belos olhos mel. Separou-se da capital.
- Lucia - Chamou sem graça recompondo-se e reconhecendo a jovem a sua frente - Q-que faz aqui em Minas..
- Vim passar um tempo nas casas dos meus pais - Sorriu segurando-lhe ambas as mãos - Olha para você Os! Nesses dez anos você não mudou praticamente nada!
- Ah...B-bem...É im-impressão sua!
- Impressão que nada! – Tomou a bochecha do jovem em suas mãos – Veja só! Nenhuma ruguinha, nenhum cabelo branco! Parece o mesmo jovem de 17 anos que eu conhecia a tanto tempo! Você tem que me dizer o produto que usa heim! – Riu sozinha.
Parou notando que por algum motivo o outro não parecia ter achado a menor graça, parecia até mesmo triste.
- Vamos Os, eu estava brincando... Continua tão sensível como sempre hã? É que eu pensei que tão estressado com seus 'colegas de trabalho' que você era, ia acabar envelhecendo mais rápido! Que surpresa não? Eu até mesmo já estou pensando em pintar meus cabelos! Tem um ninho horríiivel de cabelos brancos querendo sair, talvez seja coisa da gravidez também né.
O último comentário fez o mais velho abaixar a vista para o estomago da jovem.
- Ah! Que besteira a minha! Não te apresentei minha filhinha! – Dizendo isso pós as mãos dele sobre a circunferência distinta em seu corpo – Grande não é? É a única ocasião que eu aceito ser chamada de gorda! Eu e Gustavo estamos tão felizes! Ele queria um menininho, mas uma lady é sempre lindo! Não acha?!
- Ah...Bem acho que sim...Devem ser mais fáceis de lidar – Não havia comparação, por exemplo, lidar com Bahia e com Rio de Janeiro, pensava.
- Mas olha, eu vou te contar um segredo! – Aproximou-se bem do rosto do distrito – Se fosse homem eu colocaria o nome de Oscar!
O rosto do jovem tornou-se absurdamente vermelho.
- C-c-como é?!
- É que é tãaao lindo! O mesmo nome que o Arquiteto Niemeyer! Sabe que eu amo a história de Brasília né? Meu avô ajudou a construí-la!
- S-sim... – Disse ainda mais vermelho, se possível – Você sempre me disse isso...
- É por isso que sempre nos demos tão bem! - Sorriu radiante – Ah! Isso me lembra... Chega de só conversas rápidas pela internet! Temos que nos encontrar mais vezes! E eu já até tenho a próxima ocasião! – De dentro da bolsa ela tirou um aveludado papel com a bandeira de Brasília – É um convite para você! Espero realmente que vá, heeeim!
Deu um beijo em cada uma das bochechas do imortal, e lhe deu um forte abraço, que dessa vez, no entanto, foi rapidamente correspondido.
- Agora tenho que ir, meu esposo vai ficar preocupado. – Saiu correndo e ainda assim seguiu falando – SE VOCÊ NÂO FOR EU TE MANDO SEQUESTRAR!
E o brasiliense quase entrou em pânico.
- LUCIIA! NÂO CORRA VOCÊ ESTÁ GRAVIDA!
- AAH É! – E quase tropeçou
- LUCIO MEU DEUS!
– HAHA! BRINCADEIRINHA! – E saiu andando mais calmamente.
Suspirou aliviado, tornando a ver o convite.
Estava feliz por ela, claro que estava...Mas...
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.
- EU JÁ DISSE QUE NÃO!
- Não precisa ser grosseiro!
- Eu sou muito melhor nisso que você!
- Cale a boca! Sabe que não tem a menor chance contra mim!
- Pará...Amazonas será que...
- QUIETO TOCANTIS! Não se meta!
-...Mas...
- HahjAhhahA! Então! Entãao Perna! O que cê acha du plano?
- Uma merda como sempre, mas eu topo.
- ELA É MINHA!
- MINHA!
- EU NASCI PRIMEIRO!
- EU SOU MAIS BONITO!
- SOMOS GÊMEOS IDENTICOS IDIOTA!
- MAS EU AINDA SOU MAIS BONITO!
- Fios! Parem vocês doooois!
- Olha o peixe um real! – Ironizou São Paulo lendo uma de suas histórias de trás pra frente – Hoje ta uma verdadeira feira aqui dentro.
- Estranho não ser tu e Rio de Janeiro a discutir também – Juntou-se Rio Grande do Sul
- Ele não veio hoje – Respondeu simplesmente – E eu não estou a fim de gastar meu tempo com você hoje.
- ORA SEU!
- Ah cale a boca Rio Grande! – Ameaçou a catarinense – Já estou com dor de cabeça o suficiente para tu começar a esbravejar por ai
- Foi ele que começou!
- O que aconteceu com Brasília? – Tentou perguntar Paraná tentando ser ouvido pelo paulistano – Por que não tenta por ordem na casa, como sempre faz?
- Pázinho , será que ele entrou em greve?
- Aaah, pra ele é "Pázinho", pra mim é "Cala a boca Rio Grande"?
- Será um soco também se não vá a parar de irritar-me
- O amor entre vocês me deixa tãaaao comovido.
- Olha quem fala paulista! Estas sempre a quase matar-se com Rio de Janeiro!
- É, nisso você tem razão gaúcho
E toda a região sul parou suas conversas para ver surpresa São Paulo.
- O que deu nele? – Sussurrava Santa Catarina
- E eu que sei!
- Hmmm...Sampa... E Bahia onde está? – Seguiu Paraná convencido que era melhor mudar de assunto.
- Dormindo, do lado da mesa que Pernambuco acabou de derrubar em cima de Ceará e Piauí. – Respondeu sem nem ao menos tirar os olhos do que lia.
- Como é possível ela dormir com um barulho desses?!
- Ela vive no nordeste, deve estar acostumada.
Distante de tudo isso, Brasília se encontrava quieto em seu lugar, em mãos ainda o convite que receberá aquela manhã... Ignorando olimpicamente o caos que a reunião estava se tornando, passando uma e outra vez a mão sobre um dos nomes impressos no papel.
- Se Brasília está em greve - Começava a contar a ruiva do sul - Rio não esta, e Bahia está dormindo...Quem organiza a reunião?
- Minas não é a sede? Então...
- Uai soh! Tira-me dessa...
- Eu posso fa- Adiantou-se o gaúcho.
- Sampaaa! É tua deixa, faça alguma coisa!
- ...Fa...Zer isso...
- Eu? Por que eu? - Questionou deixando pela primeira vez sua leitura.
- ...Por que tu sempre foi intimo das Capitais! Deve de saber alguma coisa! - Apontou Santa
- Por que simplesmente não pode ser eu?
Nesse instante a atual capital levantou-se, sem recolher suas coisas e saiu momentaneamente da sala, talvez para conseguir ouvir seus próprios pensamentos.
Sampa suspirou cansado
- Intimo das capitais... Essa é boa – Riu seco – Muito bem, me dê uma arma que eu resol-
TUUUM
E repentinamente se fez silencio, alguns poucos olhares voltaram-se para o causador do repentino golpe. Espírito Santo apontava a arma para cima, ao tempo que uma bala de borracha ricocheteava e quebrava um vaso da sala.
E sem mais, tornou a sentar-se ao lado de Minas Gerais que o observava surpreso.
-Resolvido.
O capixaba evidentemente não estava com um humor muito bom esta manhã.
- ... Ocê ta bem Santo..?
- Eu pareço bem? - Respondeu cortante, Minas ergueu as sobrancelhas, e o mais velho logo acrescentou num resmungo que o mais novo custou em ouvir - Estou farto de sempre esquecerem ou se importarem de me explicar o que esta acontecendo na nossa maldita região.
O fazendeiro ia contestar, sendo observados por Sampa que acompanhava a recente cena de canto de olho, porém alguém tornou a falar entre o repentino silencio.
- Alguém tem ideia de algum assûnto? - Começou Ceará. - Eleições, clima, um filmi que passó ontem...Planos para hoje á noite?
- Tinha di sê você pra interromper a paz com uma bestagem dessas - Se impôs Pernambuco - Tanto ódio cê tem assim pelo silencio?
- Eu pôr exemplo, num tenho planos pra hoji não, si alguém quisé um lindo e engraçadu cearense ou sabé quem quérá to aberrtú a negociações bichinhus.
E não pode evitar sorrir ao perceber que Perna falhara em disfarçar um olhar mortal direcionado ao mais novo.
- Tantu é o teu desespero? - Ironizou Sergipe - Tâmanha é a falta é?
- Oía eu me garantu sabe não, máh eu sou um homi livre leve i soltu, é sempre boum lémbra, num acha não? - E com muito esforço segurou uma boa gargalhada ao notar uma mão apertar com raiva sua perna por baixo da mesa num aviso silencioso para que se calasse.
- É, e as mulheres de hoje em dia de nada ajudam - Entrou Pará recebendo um chutinho de Amazonas - Tem que se ter uma paciência de jô!
- Ah, mas a culpá há de ser dos homês grosseiros que se tem por ai - Espetou Alagoas.
- Ocês que são muito indecisas! - E Mato Grosso entrou na causa
- Verdade!
- Aaaah, agora ocês concordam... - Resmungou Goiás.
- Gente estressada da porr* isso é falta de da* se quer saber - Xingou ES.
- Santo!
- Pois não é muito longe do que o baixinho disse - E os dois do sudeste voltaram-se a Sampa, que voltara a ler indiferente. Logo Minas se virou para ES, que também parecia impressionado..
Foi mais ou menos por ai que a conversa tomou um rumo mais...carnal.
- Bahia!Bahia! Acorde e diga pra esses machistas que só pensam em vida sexual umas verdades!
- Huum? -Ah...Eu estou satisfeita com minha vida sexual - Comentou a baiana sonolenta sem entender exatamente o que lhe tinha sido dito.
Rio Grande do Norte, Pernambuco e Sergipe quase soltavam fumaça pelas orelhas devido ao 'comentário infeliz' já pensando em como arrancar o couro do put* homem que se atrevia a tocar uma de suas irmãs.
E não eram apenas eles, São Paulo também parecia disposto a participar da chacina contra um homem só.
Ceará simplesmente escondia sem muito resultado suas risadas. Piauí afastava um pouco sua cadeira para mais perto da região norte e seu amigo Tocantins, para sua própria segurança.
No sul, Santa Catarina fazia uma expressão de "own~", o sorriso bobo do gaúcho poderia ser grande o suficiente para ligar a America ao continente velho, e Paraná apenas escondia o rosto trás uma das mãos rogando paciência aos céus.
- Bichinhu - Recomeçou Ceará antes que o sangue cangaceiro dos seus irmãos falasse mais alto - Eu também num tenhu muito du que reclama
Pernambuco que estava a ponto de começar a berrar até descobrir quem era o cafajeste que estava cortejando sua irmã. Parou, enquanto Sergipe começava a questionar a irmã sonolenta e Rio Grande do Norte resmungava que era um absurdo.
O nordestino mais velho disfarçou o máximo que pode para lançar um estranho olhar a seu "amigo". Este segundo aproveitou a confusão recém-armada para por trás de seus documentos lançar um beijinho a seu amante, e o pernambucano teve que desviar o olhar irritado observando ao redor para ver se alguém mais tinha visto.
E as altas temperaturas de Recife foram a zero grau célsius quando notou do outro lado da mesa São Paulo lhe observava com as sobrancelhas franzidas levemente interessado.
Disfarçou como se nada tivesse acontecido, e quando tornou a ver o paulista, o mesmo seguia lendo sua história japonesa ... Será que tinha sido sua impressão? Estaria vendo outra coisa...? Olhou distraidamente para suas costas, só havia a porta de entrada que estava fechada atrás de si..
Ceará, no entanto, soltava um bufo irritado voltando para conversar com Paraíba, e ambos, para desespero do nordestino, começaram a lhe lançar olhares furtivos e acusadores. Definitivamente queria matar esse cearense.
- Mais alguém quer fazer relatos sobre sua vida ou desempenho sexual? – Colocou sarcástico o paulistano fechando o que lia – Ou será que já podemos ir embora para fazer algo mais útil? Talvez ir para as aulas práticas de sexologia?
- Tu estás bem inspi – Quis cutucar o gaúcho, mas de uma cotovelada foi interrompido por sua irmã. – Santa!
- Eeeeei! Sampa me diz... Quando tu a dado seu primeiro beijo?
- Ah... Isso faz muito, muito tempo... - Colocou a mão no queixo pensativo - Bah, você lembra que idade nós tínhamos exatamente?
E todos os olhares se voltaram para Bahia, uns extremamente surpresos, outros mais chocados.
- Em idadi humana? - Contestou simplesmente a baianinha se espreguiçando
- É – Comentou sorrindo vendo a expressão de estupefação de todo o nordeste, sem contar com a desiludida expressão de outro Estado mais ao sul.
- Uns sete, ou oito anos.
E houve mais de um suspiro aliviado nesse instante, e o coração arretado de certo gaúcho sentiu-se mais tranquilo, embora todas as atenções se mantivessem na conversa iniciada.
- É "criança vê, criança imita" – Explicou à nordestina, ao tempo que seu antigo vizinho de território parecia feliz em simplesmente rir da expressão alheia.
- Vimos um casalzinho beijando-se às escondidas, e o imitamos, foi simplesmente isso. Mas este foi o primeiro.
- Espero que tenha ficadu apenas nissu – Ameaçou Pernambuco.
- Sim, nunca tive nada mais com Bah – E acrescentou desafiante- Infelizmente
- SEU!
- Ah! Más ocê si lembra – Interrompeu Bahia ignorando a briga – U qui aquelês dois fizerum depois?
- Aaaaah siiiim – Respondeu Sampa – Eles tiraram a roupa e nós perguntamos como "aquilo" entrava "Lá".
Os dois meio-irmãos riram, perdidos em lembranças infantis... Nem tão infantis assim. Os demais apenas escutavam de boca aberta, não precisamente pelo fato, e sim pelo jeito simples que era contado.
- Ainda bem que Rio e seus ciúmes não estão por aqui hoje – comentou o capixaba.
- Ocê tem razão...
- Aaah, a inocência durou tãaao pouco
- E quando Lisbôa descôbriu saiu correndu atrás dus dois gritando que iam pra forca...
- Verdade! Tinha esquecido isso! A cara de tacho dele quando perguntamos o que era aquilo!
- ...Podemos mudar de assunto para algo menos sexualmente fúnebre...? - Tentou a catarinense que propôs o começo do assunto.
- Acho difícil - Respondeu o mais velho - Quantos de nós podemos dizer que a pessoa que perdemos a virgindade continua viva até hoje?
- ... É...Tens a razão Sampinha...
Ao fundo da mesa, na divisão do norte, Amazonas e Pará trocaram um rápido mais significativo olhar, ambos pensando no que o paulista tinha proferido.
E Brasília retorna a sala.
- Desculpem a minha ausência, fui resolver um...Problema, sobre o que discutiam?
- Sobre sexo - Colocou Santa Catarina
- Quando cê perdeu a virgindâde Brasília? - Questionou a baiana como se nada.
Silencio, total e mais completo silencio.
E Brasília ficou muito, muito, muito vermelho, num tom não existente em nenhuma tabela, e a temperatura superior em sua região-estufa superior ao do deserto do Saara. E mesmo assim, seguiu imóvel. Incapaz de responder.
- Brasília?
- Capital?
- Acho que perdemos o Distrito Federal
- Será que eli é virgêm?
- Bichiiiinhuuu! Brasília é virgem!
- Tu acredita nisso Amazonas?
- ...Acho meio impossível.
- VIRGEM!?
- Acredita nisso irmão?!
- Fio! Eu nem imaginava!
- A capital do Brasil ser virgem! - Exclamou São Paulo sarcástico - Ninguém no mundo acreditaria nisso, por mais que divulgássemos.
E repentinamente muitos, principalmente os homens começaram a rir.
- Verdade! Ninguém acreditaria!
- Que situação!
- Podiamus elaborá uma suruba pru Brasília! Que acham?!
- CALA A BOCA CEARÁ!
- Não seja chato Perna! Convidamos ocê pra suruba também! Que acha Paraíba?
- Hmm...
- NEM PENSE EM COGITÁR A IDEIA!
Ah! Também num é assim gente! - Adiantava-se Goiás abraçando por trás a Capital - Pobrezinho, ele ainda é criança!
- E-eu...
- Verdadi! Num sejam maus! - E Bahia o abraçou também.
- Eu acho até fofo viu - Amazonas também.
- Se eu soubesse que ia receber um monte de abraços assim, eu teria tido que era virgem também - Comentava com graça São Paulo, também de pé observando a cena
- Repito, ainda bem que Rio não está aqu-
- Que tu ta fazendo ai?!
- Meeu, esse ai não morre mais - Exclamou Espírito Santo, ele e Minas virando-se para onde Sampa e o abraço em grupo se formava, e atrás delas ali estava o dito e cujo carioca. - Quando ele entrou?
- Eu estou tentando fazer parte do abraço grupal das meninas - Disse, mas devido ao barulho das exclamações das garotas no momento da união de Maranhão e Amapá na causa, e das reclamações dos rapazes, só o carioca pode ouvir o comentário - Está com ciúmes?
- É- É lógico que não! – Impôs e, no entanto, seu olhar se mostrava afiado e descontente - Mas, por que não voltamos pra mesa?
- Olha quem fala, o atrasadinho que hora e meia dava uma espiadinha por entre a porta da sala, sem saber se entrava ou não na reunião...
- Eu tive que... Resolver um problema com meu carro... Apenas isso!
São Paulo aproximou-se sutilmente, nada exagerado ou que chamasse a atenção, mas para o carioca foi o suficiente, afastando um pouco o corpo mesmo sem sair do lugar.
- Não se preocupa, não vou fazer nada com você assim, toda a hora, muito menos aqui - E dando uma piscadela, retornou a mesa, e instantes depois o fluminense repetiu o ato sentando-se do seu lado um pouco, demasiado, tenso.
- Oi Santo... Minas.
-Ola ...
E do capixaba recebeu um olharzinho típico de irmão mais velho que dizia "temos que conversar".
- E-eu...E-eu... - E Brasília seguia incapaz de formular uma frase... Embora agora fosse muito compreensível que não conseguisse devido a falta de ar que as jovens e belas brasileiras lhe estavam proporcionando.
- Não é justo!
- Brasília laaaadrãaooo!
- Roubando nossas irmãs!
- Goiás é NOSSA!
- Isso! Diz a eles irmão!
- Por acaso... - Colocou como pode Santa Catarina sobre as reclamações - Aquela rapariga que estavas a abraçando-te na entrada daqui... Era uma ex-namorada?
E aos poucos as Estados foram soltando-o atentas para o que ele iria falar.
- Bem... Ela...Eh...Foi...Hmmm...Meu pri...Primeiro amor - Comentou baixinho, mas pelo inédito silencio absoluto que a reunião ficou, todos conseguiram ouvir.
E todos pareceram realmente surpresos com a informação.
- E...- Respirou bem fundo, contando até cem - E...C-com q-quem perdi a ...Vi-vir...Ah! vocês sabebem porr*! E...Eu me ausentei por que... - Respirou fundo uma vez mais, lutando para que seus olhos não voltassem a se umedecer como quando retirou-se da sala, não em frente todo o país - ...Fui avisa-la que não irei em seu casamento...
- Saaaiba qui o meeeu grandi amoor, hoje vai sii casar, mandou uma carta pra mi avisar... Deixandu em pedaços...U meu coraçãao Aii! - Cantarolou Ceará, recebendo uma cotovelada de Paraíba.
- AI!- E em Pernambuco - O que eu fiz?!
- Cantarolou a segunda voz, tadinho do homi! Desalmados!
- Por que você não vai? - Cortou repentinamente sério São Paulo, sob o olhar de sua região.
- C-como por que?! Eu... - Agora que novamente sozinho e em pé, a capital adiantou-se a sua própria cadeira e sentou-se - EU realmente amava ela... Estivemos juntos até...Mais tempo do que eu pretendia... Vê-la grávida já era difícil mesmo em fotos...Agora...Casar.
- Mas ela está viva.
- Como... É? -Franziu as sobrancelhas
- A primeira mulher com que eu me deitei, e cheguei a me apaixonar, dela não deve restar nem o pó em alguma floresta, ou mesmo cidade por ai. - Colocou Sampa apoiando o rosto entre as mãos - Se pudesse, mesmo que doloroso, gostaria de ter tido a oportunidade de acompanha-la, mesmo de longe, e vê-la sendo feliz. Você tem essa oportunidade, devia aproveitar.
E a sala tornou ao silencio absoluto.
- ... De quem tu fala...? - Até ser quebrado pelo questionamento inseguro de Rio de Janeiro.
- Não sei se você chegou a conhecer, era uma escrava que me acompanhava na época que eu era Bandeirante.
E nesse instante, tanto Minas Gerais quanto Paraná abriram os olhos surpresos.
- ... Sampa... Essa iscrava por acaso... - Começou o mineiro sem saber realmente se queria a resposta.
- ...Era Sófia? - Terminou o paranaense.
- Olha - Comentou surpreso vendo seus dois ex- pupilos - Vocês lembram-se dela! Quem dera, eu costumava deixa-los dormir a seus cuidados.
- Que babado é este? - Intrometeu-se Santa Catarina agora que a conversa voltava a "animar".
- ...Ela cuidava da gente...I ocês...
- Vocês tinham um sonooo beeem pesado - Completou o paulista colocando a mão no queixo sorrindo nostálgico - Se minha memória não me engano... Foi numa caíchoeira...Provavelmente em uma de suas terras atuais, é difícil dizer o mapa mudou tanto
- ...Eu prefiro não saber - Disse num tom enjoado o fazendeiro, o mesmo de Paraná, como de dois filhos que descobriram que o pai saia escondido com a babá.
- Que imagem mental horríiivel...
- Eu acho que lembru de uma Sófia - Comentou Mato Grosso.
- ...Eu não estou a lembrar disso não. - Tornou a catarinense
- Aaah! Sófia!- Exclamou Bahia - Pur isso cê num soltava dela...
- Você conviveu pouco com ela Mat... - Acrescentou - E Quando Santa surgiu...Bem, ela nãao estava mais comigo.
- Espera... - Tornou a conversa Paraná - Você não nos tinha dito que Sófia...Bem... Fugiu?
O meio sorriso nos lábios paulistas sutilmente foi redesenhado por um de tristeza.
- Ah, mas ela fugiu... Era filha de negros africanos e índios, nenhum dos lados nem os colonos um dia a aceitariam...Mas um escravo índio se interessou - Entrecerrou os olhos desenhando nada especifico com a ponta do indicador - Naquela época não havia nada que pudesse fazer por ela, ainda mais eu sendo um bandeirante, por isso fiz vista grosso e meio que os ajudei a escapar de mim mesmo - Riu seco - Nunca mais soube dela depois disso.
- Nossa... - Comentou baixinho Paraná - Desculpa...Eu não imaginava...
- Tudo bem, já faz séculos mesmo. E na melhor das hipóteses morreram juntos, fugir pro meio da floresta não é tão simples quanto parece, com sorte foram mortos só por algum animal, seria bem melhor do que encontrados por humanos.
- Como tu é pessimista - Colocou o carioca logo do arrepio passado na maioria pelo comentário paulistano.
- Apenas sou realista, sei bem o que faziam com fugitivos.
- Verdade...verdade... - Concordou Espírito Santo no que o fluminense se voltou a ele. - Não é Mama?
- Cê lembra né Santinho? Sei bem dissu Sampa - Comentou Bahia mexendo na barra de seu vestido - Meu primeiro amante foi acusado de heresia, quandu Madri era dona di tudo, ele e a filhinha, amiga du meu Santinho, a família toda foi levada para ser julgada e morta pela Inquisição
- Madri... - Tentou retomar a palavra Brasília - Quando...Isso?
- Quando um Rei idiota morreu caçando, ou algo parecido - Quem respondeu dessa vez foi Rio de Janeiro - Portugal ficou sem Rei, e ficamos uns 60 anos como colônia espanhola, mas eles acharam uma pequena graaaande resistência de nossa parte. Não falamos espanhol depois de tudo, não é? Ou teoricamente não - Lançou um olhar acusador a São Paulo.
- Que culpa tengo yo? - Deu de ombros
- Ao menos nunca queimamos ninguém por Inquisição aqui, mas alguns sem sorte foram mandados pra Europa e não... Acabaram muito bem.
- Ah...
- Meu primeiro homem foi um marinheiro espanhol... - Voltou Santa Catarina tentando dar um novo ar a conversa - ...Um mal momento para dizer isso...?
- Santa, não me venhas tu também! - Alegou Rio Grande do Sul.
- Tu foste com uma europeia também que bem me lembro!
- Santa!
- Se aconteceu alguma desgraça com ele eu não sei, mas deve de ter voltado pra sua Pátria e ficado por uma rapariga de lá.
- ... Também estivi com um explorador estrangeiro... Mas era francês...
- MARANHÃO! - Voltou-se Rio Grande do Norte
- Como que eu nunca vi isso!? - Intrometeu-se Pernambuco
- Olha quem fala! - Ironizou Ceará - O Senhor "Vamo aproveita a invasão", e tráço a filha de um holandês antes que Portugal chispasse eles de sua casa.
- Ah...E como cê sabe disso?!
- B-bem...F-f-foi...C-co-com...Uma ...Inglesa...
- Paraná! Tu também!
- Ah...S-se até Sampa ...Falou...
- Comigo foi uma descendente de índios - Colocou Pará recebendo um olhar atento de Amazonas - ... Ela costumava ser um doce.
- Costumava é... - Quase rangeu baixinho a nortista.
- ... Máh sempre foi muito bonita...
Os dois se entreolharam por alguns instantes, antes de desviar os olhares embaraçados.
- Também foi com uma Índia - E Roraima - Gostava di chámar ela di me banhar no lago com ela... Tão bonita.
- Um escravo também - E Goiás - Foi vendido pouco depois... Ah, mas era um homão!
- GOIÁS!
- Que poca vergonha!
- O que?! Fio da missa ocês num sabem nem da metade!
- ... Ouviu isso irmão!
- ... É... Eu também tive uma mulata muito da dengosa... E ocê?
- ... Uma baronesa...
- Oía que chiqueza!
- E você Rio? - Virou-se São Paulo curioso para o amigo.
- Ah...Bem...Eu não tenho uma historinha bonitinha pra contar...
- AHÁ! COMEÇOU COM SURUBA! - Acusou o cearense
- NÃO!...Bem...
- Opa, o cabeça ai acertou? - Surpreendeu-se seu vizinho erguendo as sobrancelhas.
- Não! Mas assim... Foi com uma mulher... Profissional
- Ah! Que bom! - Soltou Rio Grande do Norte - Não sou o único direto ao ponto
- Que pouco romântico...
- ...M-mas Maranhão! Era assim que os jovens começavam antigamente!
- Eles tem razão!
- Cê também Sergipe?!
- Que lance a primeira pedra quem nunca esteve com uma quenga!
E praticamente todos os homens do país resmungaram coisas como "É", "verdade", "uhum", e seus derivados.
- Hunf, homens - Amazonas cruzou os braços irritada.
- Aaah claro, "homens", se fossemos dependér di menininhas teimosas, morreríamos secos!
E uma nova discussão se foi formando
- É absolutamente normal.
- Só pra quem pensa com a cabeça de baixo!
- É difícil viver de amorzinhos temporários por séculos - O cearense lançou outra piscadela a seu "meio-irmão"
Brasília apenas observava tudo de boca aberta, em que momento exatamente tinha saído de histórias dramáticas para uma competição amor contra Sexo?! Tinha perdido alguma coisa?!
- E quem aqui já teve caso cum casadas? - Espetou Pernambuco em vingança - É o que há.
- Eu sempre tive vontade! - Admitiu Mato Grosso do Sul - Soa tão excitante!
- Menos pro corno posso garantir fio!
- ... Ou mesmo pra você se sua amante for uma louco desvairada... - Juntou-se São Paulo.
- Ah não! Tu também?! - Não pode evitar quase gritar o carioca.
- Olha quem fala! Meu amigo "Paguei pra me quererem" – Contra disse Sampa
- Haha! Quem disse que eu paguei, hã?
- Certeza que não era um traveco heim? Quando a esmola é muito até o Santo desconfia!
- Desconfio não
- Num tavam falandu di ocê Santo
- CLARO QUE NÃO! E ao menos ela não era casada!
- Sampa sendo amantee! - Riu a catarinense - Essa eu teeeeenho que ouvir! Conta ai Sampinha!
- Já há de ser estranho uma mulher o querer, quem dirá uma casada
- Cala sua boca gaúcho que a conversa não chegou no chiqueiro viado!
- POIS EU ME GARANTO PAULISTO!
- É "paulista", eu sei que sou atraente e bonzão, foi só um 'ritual de passagem' da época! Podia ser qualquer uma!
- Meu Paaai! Abram as janelas! – Ironizou o ex- bandeirante - O ego do carioca esta sugando todo ar da sala!
- Começou... - Suspirou o paranaense.
- Eu até qui sentia falta dessas briguinhas deles - Seguiu o mineiro.
- E cê não falou com quem foi sua primeira vez Minas...
- ...Ah, eu num gostu de me expór assim em público.
- Ah vá, até Sampa falou!
- EXIBIDO!
- CONQUISTADOR BARATO!
- Ah, não importa...Afinal eu sei com quem foi seu primeiro beijo~ - Lançou ao ar, dando-lhe uma piscadela, e quase automaticamente o mineirinho ruborizou-se.
- Eramus crianças...!
- Cê ouviu Sampa e Mama, mas é o primeiro - Sorriu - Então conta~~
- SURFISTINHA!
- NERD!
- CONTA LOGO A PORR* DO CASO CARAMBA! - Berrou Santa Catarina assustando ambos - Por favor, eu estou curiosa!
- ...Já pensou na possibilidade da Santa ser bipolar? - Cochichou o gaúcho a seu irmão.
- ... Muitas vezes...
- EU OUVI ISSO!
- Bem...- E o paulista achou mais prudente contar, vendo o soco que o sulista recebeu - .. Eu já contei essa história pro Rio, não sei por que todo esse escândalo.
- Contou nada!
- Bom saber que cê presta atenção no que eu falo! Ou nem acreditou. - Passou a mão sem graça pela nuca - Digamos que... Não foi exatamente consentido... Em outras palavras a louca me amarrou! Ameaçou-me com uma arma... E o pior! Acusou-me de impotente!
- Quando que tu me contou isso?!
- Nooossa! Sampa foi assediadu por uma muié! - Brincou Ceará.
- Queria ver se fosse sua fuça no meu lugar! E nem bonita era...
- Tem que estar muito desesperada mesmo.
- Cala a boca Gaú-
- Quer que eu te bata de novo?!
- ...
- A marquesa de Santos era uma louca mesmo... Depois tentou matar a irmã!
- Aaaaaaaaaaaah, a marquesa de Santos...Tu contou e... ACONTECEU DE VERDADE?!
E mais uma vez a sala se encheu de silencio.
- Sim... Um item a mais pra minha lista de traumas.
E a quietude foi quebrada pela cadeira do cearense caindo ao chão em meio a uma estridente gargalhada.
- CÊ CORNEEEOOOU O IMPERADOOOOOOOOOOOR! HHAUHAUAHUAHAUHAUHAU AAAAAAADOOOOOOOOROOOO!
- A culpa foi dela! – Defendeu-se - Sério!
- Como você faz uma coisa dessas?! - Exaltava-se finalmente a Capital, essa já era a gota d'água nesta conversa sem moral ou escrúpulos - Era um governante! Isto é uma grande falta de respeito! Inimaginavél!
- Nem vem que cê não era nem plantinha de obra de aquário naquela época!
- Ainda assim! ARGH! RIO! Fale algo pr-
- EU NÃO ACREDITO QUE TU FEZ UMA COISA DESSAS!
-... Pra ele...
- Eu te contei! Cê que não me ouviu!
- TU É LOUCO DE SE METER ASSIM JUSTAMENTE COM A AMANTE DE DOM PEDRO I!
- Cê vai mesmo me dar um sermão pra algo de séculos atrás?
- MAS É CLARO!
A bronca seguiu paralela na mesa, em que Sampa apenas concordava fingindo que ouvia.
- Mas Brasília - Aproximava-se Bahia passando a mão no ombro do mais novo - Si quisé, podémos ti ajudar a encóntrar outro amor, quem sabe, ele podi estar onde ocê menus espera...
Sorriu, vendo por cima do ombro do casula o gaúcho, que respondia seu sorriso, apesar dos gritos do seu lado.
- ... Não sei se estou pronto... Sabe... - Entrecerrou os olhos - Se apaixonar por alguém... Sabendo que terá que deixa-la...
- ... Mas e se não fó uma humana - Colocou erguendo as sobrancelhas.
- Ta, ta... Você está certo, eu estou errado, quer que eu vá pedir perdão à ex-família real ou um e-mail ao além basta? - Respondeu sarcástico o paulista
- Para a sua informaçã-
- BAHIA! - Exclamou o Distrito Federal - Sabe extremamente bem que o relacionamento entre Estados é absolutamente proibido!
As atenções se voltaram para o centro da mesa, onde se encontrava a atual capital da nação e a primeira.
- ...Principalmente tratando-se de uma Capital... Sabe o estrago que isso pode fazer no nosso pai? A instabilidade que ele ficaria?! Ainda mais em constantes reuniões com outros países!... Uma capital nunca deve se envolver com Estado algum - Terminou autoritário.
Não houve resposta, Bahia seguia sorrindo calmamente, e Rio de Janeiro não seguiu com sua contestação, observando então a mesa de cabeça baixa, e pensativa.
São Paulo agora lhe prestava total atenção, tentando analisar seus mais sutis movimentos, mordendo o lábio inferior irritado. Muito irritado.
- Você me interpréto mal Brasília...
Ceará passava a mão sobre a perna pernambucana.
- Que quer dizer?
Os gêmeos Mato-Grosso encostavam a cabeça cada um num lado do ombro de Goiás.
- O amor instabiliza as pessoas, para ô melhôr.
Por baixo da mesa, as mãos de Pará e Amazonas roçaram-se
- Ainda assim Bahia!
Alagoas lançou um olhar furtivo a Sergipe. Paraná soltou um longo suspiro cansado. Maranhão e Rio Grande do Norte ouviam a conversa pensativos.
- Cê ainda podê si envolvé com algum Estado de outro País – Colocou a baiana – Não há nada que proíba isso.
- Mas...
- É verdade – Concordou São Paulo, recebendo um olhar ofendido e furioso do carioca, pra não dizer ciumento, o qual ignorou – Todas as vantagens de namorar um Estado, sem toda essa parte 'burocrática'.
- Quem sabi cê num aché uma Capital prá ocê, issu quis dizer - Tornou a falar a baiana - Más é sempre boum saber sua posição com as "regras".
- ... Besteira Bahia - Respirou cansado - Então encerramos a reunião por aqui mesmo...Já dá pra notar que não vai sair nada de mais útil hoje.
Aos poucos o som de cadeiras sendo arrastadas encheu o ar, a capital passava a mão cansada pelos cabelos bagunçando-os e vendo distraidamente como todos saiam em duplas, ou grupos.
- Máh eu concordo com Sampa - Disse por última vez Bahia antes de levantar-se - Devia ir a esse casamentu, alguns humanos nos valem essi esforço
Rio observou como Sampa parecia distraído mandando uma mensagem para alguém na porta da sala, aproximou-se tentando entender o que escrevia, mas certo capixaba parou a sua frente, pensando que estava tentando fugir da "conversinha" que teriam.
- Pode esperar fratello, temos que conversar, e agora. - Impôs com as mãos na cintura e expressão irritada - E você vai me explicar tudo tim tim por tim tim!
- São Paulo venha cá, eu quero falar com você - Chamou Brasília juntando suas coisas
- Ah! Lá vem a bronca de capital 3.0
- Apenas venha!
- Já vou, já vou...
- Ceará... Xá eu te perguntá uma coisa...
- Que foi Bahia?
- Poxa... - Resmungou Santa Catarina desanimada notando como a sala ia se desvaziando - Ninguém questionou nada sobre relações homo... Que chato.
- Ah... Santa
- Ai Meu Pai Santa Catarina! Não vem começar com isso agora! - Rio Grande do Sul bateu a mão contra a testa.
- Ah...Mas é tão bonitinho!
- Não adianta descutir isso com ela Reo Grande...
- Não custava nada! - Seguia defendendo a catarinense, sendo escutada pelos demais - Podiam ter deixado eu perguntar!
- Onde estão Maranhão e Rio Grande do Norte? - Questionava Pernambuco no que mais parecia ser uma reunião de time com o nordeste.
- Acho que eles já saíram - Respondeu Sergipe
- SAMPA!
- Já vou "mãe"! Que droga, deixa eu mandar minha mensagem em paz!
- Pode desembuchar carioca!
- ... Aqui?
- Teríamos respostas ótimas se eu alguém perguntasse "Quem não é mais virgem dos dois lados levanta a mão!"
- SANTA!
- Aiii...
Espírito Santo levantou a mão indiferente tentando convencer seu irmão, Ceará lançou um olhar malicioso a Pernambuco, que trocou um olhar de pânico com o "amigo" ao tempo que o resto dos homens do nordeste
- ...Com uma condição...- Sussurrou satisfeito brincando com a mão, mexendo com a roupa.
- O qui for... - Sussurrou de volta PE apertando sua mão e tentando assassinar CE com o olhar - ...Depois te matô pur isso...
- Pois é... - Comentou São Paulo passando pelos vizinhos do sudeste distraidamente com o celular ainda em mãos digitando - Passamos por cada coisa nessa vida.
E os outros três pararam o que faziam para ver o paulista absolutamente perplexos.
- Ele não ta...Dizendo que já...
- Não pode ser... Deve ser do celular...
- ... Uai sóh...!
- Intão estou indo meninos - Despediu-se Bahia sorrindo, e perto da porta fazendo um discreto sinal com os dedos para que o gaúcho a segui-la
- Pernambuco, cê num vai fálar nada? Ela podi estar indu se encontrar cum o maldito cabra!
O nordestino lançou um rápido olhar irritado a Ceará, o que por ser rotineiro ninguém ligou, e o mais baixo devolveu com uma expressão inocente.
- Esperem por mim - Quase rosnou - ...Tenho que resolver algo... Dêm um jeitu dela não saí du prédio...
- ...Ah...Certo... - Sergipe virou-se confuso para Piauí, que não parecia muito animado em montar tocaia - E quanto a Rio du norte?
- Aaah...Eu vá me vou então - Despediu-se o sulista arrumando agilmente suas coisas - Paraná, leve Santa com segurança pra casa e...
- Aah certo! - Concordou animado
- NEM PENSAR! Nunca que a palavra "segurança" e "Pazinhó no volante" há de estarem juntas! Eu preso minha vida!
- Tentem encontra-lu também... Achu q o vi saindo com Maranhão...Talvez fique di olho nela...
- Então vamos conversar no jardim... Miiiiiiiiiiiinas, cê me espera? É só vou bater no meu fratello e já volto!
- ...Ah...Tudo bem... Vô da uma passadinha nu mercadu da frente intão...
- Certo! Te encontro lá!~ - E começou a puxar, com muita dificuldade, o fluminense pelo braço - Vamos!
- Hã... - Lançou um último olhar ao paulista que parecia estar recendo aquela bronca da atual capital, antes de voltar-se ao irmão mais velho -... Vamos então...
- Vocês são grandinhos, vocês se entendam, dirige tu então. Fui! - E o gaúcho saiu acelerado do cômodo.
- Me esperem então... - Disse Pernambuco indo em direção a porta.
- Eu vô cum eli pra cerrrtifica qui num vai mata ninguém!~ - Alegou alegre o cearense o seguindo.
- Num entendu por que ele vai... É mais fácil eli ser u mortu...
E já do lado de fora da sala...
- Então me diz o que está acontecendo... O que eu ouvi no telefone foi mesmo você...Gemendo?! Sério isso?! Você se deitou com Sampa e não me falou nada! O que aconteceu depois daquele cavalo dos infernos?! Desde que você e Sampa se entenderam nunca mais me disse mais nada!
Os dois seguiam pelos corredores procurando um lugar para ficarem.
- ... Não é bem assim...
- Aaah não?! Se você me dissesse "Eu quero ficar com meu Sampinha" - Disse numa péssima imitação de voz feminina - Eu até entenderia! Mas me excluir assim sem dizer nada! Se não fosse por Minas eu nem teria sabido da sua febre! E quando melhorou cê nem me avisou! Sou tão dispensável assim é?! Eu me preocupo com você idiota!
- ... Desculpa... Eu estava... - Suspirou cansado - Eu fui um idiota...Admito ta?...Fazia tanto tempo que não passava com ele...Sei lá... Com o fim do "corte de gastos" queria... Aproveitar o tempo...Algo assim... E... A febre... Estive muito preocupado com outras cosias pra dar atenção a ela...
- Que outras coisas então?
- Bem... - fez menção de abrir uma porta que levava os jardins traseiros do prédio, mas foi detido por ES- ... Que foi?
- Acho essa já está ocupada - Apontou para o vidro com sutil textura, duas pessoas sentadas numa muretinha escondida por uma moitinha que, no entanto, não os cobria totalmente - Eles precisam de umas aulinhas de como esconder-se numa moita.
- Hã?! Quem é?!
- Não chega perto! Vão notar você!
- Maas eu quero veeeer!
- Shiiiu! Faz silencio...São Estados... - Esticou os pés -Tô tentando ver.
- Mermão...!
- Hmm... - Analisou sorrindo travesso - Pernambuco tinha razão... Rio Grande do Norte ta de olho em Maranhão...Ou quase, se beija de olho fechado ne´...E que beijoo! hohoho!
- Quem diriiia!
- É mal de nome, só pode ser viu! - Riu pelo olhar ofendido que recebeu em resposta - Vamos seguir, deixa os dois em paz, eu ainda quero saber tudo que aconteceu!
- ...Tudo bem... Eu te conto... Mas é melhor acharmos um lugar você sentar...Por que a parada é tensa...
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
- Aonde estamos indo...Bahia? - Perguntou o gaúcho com a sobrancelha erguida seguindo a jovem, nem tão jovem, negra pelos pisos superiores do hotel.
- Meus irmãos como sempri acham qui eu num sei me defendé sozinha, devem di ta fazéndu uma tócaia du lado di fora pra ti péga em fragrante, mas nóis num precisamos sáir - Sorriu travessa - Achu que cum toda essa conversá ocê teve a mesma ideia qui eu, não?~
- Bem... - Comentou ligeiramente ruborizado - Não lhe vou a mentir..
Os dois subiram uma última escadaria antes de chegar numa sala afastada que rezava "Sala de Reuniões - 3º andar".
- ...Mas e Pernambuco Prenda...? Tu viste o irritado que estavas quando... Disses-te o que disse.
- Aaah, quanto a isso, num si preôcupa não - Sorriu - Eli vai estar beeeeem ocupado
Enquanto falava rodava feliz um molho de chaves na mão, ambos entraram na sala, e a nordestina fechou a porta, e a trancou.
- Entãaaao, achuqui...Nunca fizémus nu prédio de reuniões...Qui acha?
- ...O que acho? - repetiu erguendo as sobrancelhas - ...Que tu jamais deixas de surpreender-me Prenda, isso acho
Aproximou-se sutilmente, envolvendo o rosto da mais velha entre as mãos, e cortando a distancia que os separava.
Era um beijo necessitado e envolvente, não demorou para que a nordestina envolvesse a nuca do mais alto buscando mais contato, e o mesmo descendesse suas próprias á cintura da ex-capital.
Buscavam e exploravam com gosto cada cantinho de suas bocas, num turismo experimentado, e sumamente delicioso. Podia não conhecesse todos os caminhos das terras da baiana, mas cada vez conhecia mais as que correspondiam daqueles lábios.
Mais de alguma forma ainda se tratava de um beijo casto.- Chamego - Sussurrou a nordestina entreabrindo os olhos - Acha que vale a pane s está cômigo?
A questão tomou o sulista de surpresa, abrindo os olhos e encarando os negros da mais velha.
- Prenda...
- Pensa qui Paraná tem razão? Que somus diferentis dimâs i isso nunca daria certu...? - Passou suavemente os dedos pelo rosto do amante.
- Mas é claro que não! - Exaltou-se mas logo desviou o olhar dos ônix que o encaravam - ... Acaso não lhe trago segurança?
Teve a resposta plasmada em sua cara, num beijo demandante, que levou ambos a perder o folego, e por parte do gaúcho, alguns botões da camisa que usava.
- Eu te sintu inseguro... Cê é cabra moço...É normal eli se preocupa contigu, puxou issu di Sampa - Um rapido selinho e um botão a mais, e as alças de seu vestido bordado branco já haviam se rendido a mão contraria - Num cê sinta pressionadu por calma minha...Num se sinta pressionádu por mim, nem pur Paraná, é algo diferenti para ocê, e eu num quéro te abrigar a nada...Quase nada
Terminou com um sorriso malicioso pedindo silenciosamente que o sulista lhe beijasse mais.
- Que tipo de coisas tu me obrigarias a fazer então? - Mudou de assunto, a Bahia percebeu que ele não queria seguir com o tema, acatou e seguiu com o joguinho, aidna haveria muito tempo para incertezas, mas não agora.
- Qui esqueça a tocaia de meus irmão...- Subiu maliciosamente a mão sobre o branca face oposta
- Difícil... Devem estar a procurar-te agora mesmo
- Que si deixé levar, aqui e agora - E entrelaçou com seus dedos um único fio que sobressaía dos loiros cabelos a sua face - E solti essi seu lado impulsivo qui adoro, e qui deixa Paranátãao irritado.
Sorriu satisfeita quando todo o corpo do mais novo tremeu com o movimento, e teve que morder os lábios para não lançar um gostoso suspiro no ar.
Mas foi o suficiente para as mãos acostumadas ao campo alcançarem ágeis os encaixes do bustiê que ela usava.
Um puxão mais, o vestido veio a baixo numa tacada só, deixando a vista aquela negra e brilhosa pele, rapidamente sendo atacada por beijos e mais beijos desenfreados sob o colo de seu peito.
Já não havia qualquer rastro de hesitação antes mesmo de um terceiro movimento.
Estava distraído demais com a bela visão do 'que a baiana tem', para se importar com os candidatos a seu assassinato, o sermão que levaria de Paraná depois, ou mesmo notar que sua camiseta já jazia no chão e seu característico pano vermelho nas mãos da causante de sua mais deliciosa loucura.
E os prazeres e os sons daquele cômodo não eram exatamente... Discretos...Mas nenhum dos dois estava dando a mínima á isso nesses instantes.
-.-.-.-.-.-.-.-
- Com que direitu cê está trancando essa porr* - Alegou Pernambuco ao notar que o "meio-irmão" trancava a porta atrás de si, prendendo-os numa sala de projeção - Onde cê conseguiu essa chave?!
Adiantou-se para tomar a mesma do cearense, tarde demais, ela havia sido lançada janela á fora
- SEU GRANDE ABESTADO! - Deu um grande empurrão no mais novo que caiu rindo no chão.
- Biiichiinu, cadê seu espíritu de aventura? Prá que chavés si a sala tem janelas~?
Sem nem mesmo levantar-se, sentou em perna de índio observando o mais velho curioso.
- Cê me diz issu, más tu num parécia incomodadu quandu mé seguiu até aqui, Perna - O olhar assassino que recebeu só o deixou mais satisfeito - Umas palavrinhas nu pé da orêlha, umás cariciazinha...Ocê é menus resistênti du que parece, num acha não?
Desviou de um chute que tinha como objetivo sua cara, e uma boa dose de palavrões 'nordestiados'.
- Cê está di tramoía cum Bahia, num é?! Pra ela sair cum o put* cabra! Pra eu num sabé quiém é!
- Bichiinhu, assim ocê me machuca - Fez cara de inocente, apontou para o coração - Aqui adentro, sabe não?
Nesse instante, o pernambucano ajoelhou no chão apenas para tomar o mais baixo pela gola da camisa, levantando-a irritadíssimo.
- Eu te mato, maldito!
- ... De prazer!
E recebeu em troca um soco em cheio na cara.
Ceará passou a mão sobre a bochecha atingida, e limpou o leve fio de sangue que começou a sair de sua boca, Pernambuco observava a cena quieto, até acabar sentando de frente ao nordestino.
- ... Imbécil... Olha o que cê me faz fázer!
A área atingido seguia fortemente vermelha, possivelmente incharia.
Aproximou uma das mãos para averiguar o estrago feito no outro, pois sua boca não deixava de sangrar.
- Ceará...
Porém sua trajetória foi detida pelo ferido, que lhe lançou um olhar intenso. No primeiro instante achou que fosse desgosto, mas era diferente, e muito mais forte.
- É tão selvagem mon cher~
- Odeio quando cê fala francês comigo - Contestou e, no que ia alegar que o soco era exclusivamente sua culpa, teve sua mão levada até a boca, sutilmente rubra, do outro e calou-se.
Prendeu a respiração vendo como o nordestino beijava entre os dedos longos, cada dedo, cada centímetro, tão distinto, tão provocante a tocar um dos dedos e sugá-lo como se fosse... Como se fosse...
Aproximou desesperado o tórax do mais baixo com a outra mão, buscando mais aproximação, mais contato. E uma única mancha de sangue que acabou ficando em seus dedos foi o suficiente para que beijasse com remorso a área atingida, cada cantinho daquela bochecha, tentando ao máximo imitar a sutileza que o outro nordestino tivera a beijar o membro que o feriu...
... Mas não era nada bom nisso.
Não demorou a perceber vendo a expressão de dor no rosto de CE com sua tentativa de 'caricias'.
Tentou afastar-se, irritado consigo mesmo e com o estúpido a sua frente, mas...
- Me beija Pe... É o meío remédiu qui cê podi me dar
E não foi necessária uma segunda chamada.
Havia o gosto de ferrugem do sangue impregnado no beijo, o que não era nada romântico, mas com um fetichioso quê sensual.
Ao menos, para os dois.
Afastaram-se com a respiração agitada.
- ... Ainda está doendo...?
Ceará sorriu.
- ...M-mesmo que isso tenha sido exclusivamente culpa sua!
- Sim, está. Más sou forti, num cê esqueça.
- Eu não ti entêndo Ceará... Juro que não entendo... – Colocou, desviando o olhar, apenado - Podia estar com algumâ moça boa... Carinhosa, e... Bem mais prestativa, que não te deixária com um dente a menos.
- Estado do Pernambuco - Disse estranhamente sério colocando as mãos na cintura, chamando a atenção do nomeado - Olhe fixamente nos meus olhos azuis e prestê atenção!
- Seus ôlhus são castanhus, Ceará.
- Viu só? - Exclamou ofendido - Ocê num entendi minha linha de raciocínio! Como eu dízia, olhé para meus lindus ôlhos verdes...
- ... Não eram azuis...?
Riu gostoso e logo segurou o rosto do pernambucano com ambas as mãos, aproximando-os até quase roçar num beijo de esquimó.
- O quê cê diz num fáz o menor sentidu.
- Num précisa ter sentido - Sorriu - O amôr num tem sentidu, e eu te amo Perna, te amo de verdade.
E cortou as distancias, beijando-o com desejo, com gozo, aproveitando-se da aproximação para envolver a cintura do mais alto com suas pernas, ir deitando-se no chão, levando o tronco do outro consigo.
O mais velho não prestou a mínima atenção a isso, e pouco depois estava deitado sobre o corpo do cearense no chão de uma sala de projetores de um hotel, com as pernas do mesmo envolvendo sua cintura e causando uma fricção enlouquecedora nos dois corpos.
A camisa de Ceará não demorou a ser quase lançada pela janela, só não o foi, porque o pernambucano tinha total consciência de que seria muito suspeitoso sair com o mais novo assim. Não necessariamente pela falta da peça, mas sim pelas marcas...
Mordiscava sem pausa aquela pele morena, meio alaranjada pelo toque do sol, cheia de marcas brancas de antigos ferimentos. Os menores de loucuras recentes, marcas de pouco tempo, os maiores de conflitos que o Estado vivenciou, como sua participação do cangaço, e que provavelmente nunca sairiam... Estava tudo ali, em linhas mais claras de que a de um mapa.
- Aaaah...P-pe
Em contra partida, Ceará aproveitava o arco que a coluna do mais alto fazia para livrá-lo de uma prenda mais interessante a sua pessoa, esticando sua mão como podia e deslizando o zíper da jeans de seu amante.
E com uma habilidade invejável ajudou a descer a peça com a mão e a ponta de seus dedos do pé como encaixes.
A respiração de ambos se tornava cada vez mais descompassada, ainda mais quando o mais alto notou o atrevimento e pressa de seu "amigo", fazendo da fricção algo ainda mais insuportável para o menor, que arqueava o corpo e fechava os olhos.
- S-s-seu cruel
- Cada... Um.. .recebe o qui me-merece - Beijou desafiante, instigando o mais novo a seguir com suas provocações - N-não v-vai se sentar por se-semanas
- Q-que pouco românticoo~ Aaah! - Exclama.
- M-masi baixo - E o contato dos corpos seguia de forma a roçar o masoquismo, um contato sem real contato - V-vãu nús ouvii.
- Aaaaah!~
Os boxers negros que o pernambucano usava seguiam a passar provocantes sobre as jeans ainda postas do cearense, fazendo-o contorcer-se baixo o mais velho.
Ainda assim, com a vista embaçada, puxou a parte de baixo da camiseta de seu quase amante, recebendo ajuda com prontidão para desfazer-se logo daquela peça incomoda e desnecessária.
O mais velho dos nordestinos possuía um corpo invejável, era evidente, embora, o próprio Cearense não ficava para nada atrás... Aquele tórax era diferente. Suas marcas mais profundas... Roçavam ao fascinante, sim... Pernambuco lhe era fascinante, sempre o achou, desde muito pequeno.
Quem diria que acabariam assim?
- T-te amo, Pe
- N-não se cansa de dizer i-isso?
Foi sua vez a girar a roleta naquela sexy tabuleiro, passou sua lingua pelas marcas mais antigas.
- N-não...- E lhe mordeu, tão perto de seu umbigo... - A-até ocê dizêr o m-mesmo
Num rápido movimento depois de uma travessa mão perpassar por aquela roupa de baixo justa, Pernambuco sentiu sua cabeça bater com força contra o piso frio, com o menor se sentando em sua cintura para impedi-lo de levantar.
- E-eu sei q-qui voc-cê me ama cabeça dura, é só uma q-questão de ti fâzé confessá.
E arrancou por sua própria conta as últimas peças que lhe faltavam sob a vista impactada e excitada de seu "amigo".
- Tu escutou sons vindos daqui? - Questionou uma terceira voz, sobressaltando ambos.
- ... M-mas como assim ele... Meu paaai!... Não imaginei que Sampa faria... Q-quero dizer... Sempre soube que os quietinhos são os piores, mas... Cê disse alguma coisa?
- Filhos da put* - E surpreendentemente tais dizeres não saíram da boca pernambucana.
- A porta... - O som da maçaneta tentando ser aberta - Está trancada... Podia jurar que ouvi...
- Ceará, levanta – Disse precavido e, claro, irritado, PE indo empurrar o mesmo - Si eli quisé podi abrir essa porta, vamu logu abestado! Continuamus issu depois!
- Fiqué aqui - Colocou sério esticando a mão para a calça do mais alto e dela tirando um certo objeto. - Put*s empata foda...
E num único movimento fincou a peixeira do mais alto exatamente onde julgava estar a mão de quem tentava abrir aquela maldita porta.
- QUE ISSO?!
- Aaaah! Cuidado! Isso é um sinal de caia fora! Idiota! Te disse pra deixar quieto! ... Rio?
- H-hã? Ah... Certo... Tu teria algum papel com...Tu?
- VOCÊ ESTÁ LOUCO! - Berrou Pernambuco assim que perceberam os passos se afastando.
- Cê só notó agora? - Usou de sarcasmo voltando ao mais velho que encontrava-se sentado agora - Cê divia di té notadu naquela tarrdi á mais di méiu século - Sentou-se em seu colo - Qui bebemos, bebemus, e bebemus, e aquela se torrnô minha "primeira vez"
E lhe beijou.
- Ou quandu fizémus amor péla priméra vez, sóbrius - E ambos arrancaram a última roupa que vestia o corpo do nordestino mais velho. - Amor... E num só Sexo.
- Aaah CE... I-imbécil...
Os roces seguiam desesperados, entre beijos afagados, gemidos longos e pronunciados, já nenhum dos dois se importava se alguém os ouviria ou não, quando o próprio cearense selou aquela união, unindo ambos os corpos, entre exclamações de dor e prazer
Suspiros e gemidos descompassados eram tudo que saiam dos lábios do comediante agora, que não conseguia ouvir nem a própria respiração, totalmente absorto na sensação que lhe penetrava.
- S-seu... Eu tam... Eu tam... Amo... Abestado... Aaaah!
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
- Por que ta me seguindo?! - Voltou-se de repente para o homem atrás de si.
- N-não estou te seguindo! Só vamos para a mesma direção!
A amazonense ergueu as sobrancelhas de forma cínica, pelo comentário
Os dois nortistas encontravam-se a algumas poucas quadras do hotel que fora a estranha reunião.
- E pra que direção estaria indo Pará? – Acusou, cruzando os braços.
- B-bem...
E mesmo sem esperar uma resposta a jovem seguiu decidida seu caminho, aumentando a distancia entre ambos, no que o paraense seguia parado observando-a se afastar.
- ... ARGH! Por que segue me olhando?! - Virou-se, irritada, a jovem amazônica.
- ... Por que tu continua se afastando?
- Isso é pura balela (besteira), pensa mesmo qui o mundo gira ao seu rédour - Espetou e, no que fez menção de tornar a seguir seu caminho, recebeu uma resposta
- Não.
- Aaaah Até que enf-
- Más definitivamente sou o centro do Norrrté.
- Só si fó em história pra Boi durmir - Ironizou. - Estúpido, se acha! Té enxerga!
Pouco lhes importava se Paulista estava a matar gaúcho, ou mesmo carioca, por pura rivalidade, pouco lhes importavam.
Queriam saber apenas de sua própria briga. Sua própria rivalidade.
- Eu me enxergu, por issu digo u qui digo! Bem mêlhô que tu que só fica a olhar us dimais! Até mesmu Brasília deste em cima!
- Ao menus eu num sóh um idiota di cabeça fecháda, qui só vive em seu mundinho idiota! - Se aproximou, apontando acusatoriamente para o nariz do mais velho - Soú cabeça aberta! Coisa qui sua cuca cheiá de castanha jamais entendéria!
- Más tu morreria por fázer paarti dessu mundu - Sorriu
- A borracha daquelas seringuéiras realmenti afetu sua cabeça - Sorriu também.
- Si tu só vê os outrus, eu não séria um outro também?
- I o que ti diz qui eu num estou nesse seu mundinhu fechado?
- Nada - Deu de ombros - Entre quandu quisé, tenhu meu ego, mas sou hospitaleiro.
- E talvéz eu seja cabeçá aberta o suficienti prá suportá issu.
- Desapegada
- Cabeça dura.
- ... Eu ia prum restaurante - Disse ele
- ... Eu também - Disse ela - E tu iria pagar
- ... Metade
- 2/3
- Pão dura
- Pague cum seu egu, e se afogue com o troco
Ambos ergueram a sobrancelha provocantes, antes de tornar a caminhar lado a lado.
- Mas será di cumida paraense
- Italiana
- Paraense
- ITALIANA!
- E então?! - Questionou uma jovem de longos cabelos negros e lisos a um menino que aparentava ter uns quatorze anos, embora fosse bem mais velho, que observava a cena da fresta escondido em uma janela - Deu certu, Tocantis?!
- Eles estão saindo...
- Juntos...?
O tocantinense se voltou aos outros quatro Estados, que observavam tudo aprensivos.
- Sim, juntos... Funcionou!
Os irmãos e irmãs começaram a abraçar-se entre si, planejando de beber uma cerpa juntos, agradecendo a brilhantosa ideia da maranhense em comentar com o paraense que a amazonense teria um encontro depois da reunião.
E deixar o ego das terras amazônicas fazer o resto.
- Será que reataram? - Perguntou a de rosto redondo.
- Espero... - Respondeu Tocantins, descendo da janela - Queria saber comu os dois eram quando namoravam...
-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-
- Cê parece enjoado, Rio... Certeza qui esta bem?
- Uhum... - Comentou apenas com os olhos fechados, apoiando a cabeça sobre uma árvore. Uma das mãos caída em seu colo, algo suja de sangue saindo de um corte nem tão grande, mas em um lugar infeliz.
- Parece pálido também...
- ... Exagero... Foi só um cortinhu de nada... - Usou de um papel toalha que pegaram de imprevisto, limpando o machucado sem vê-lo realmente.
- ... Certeza?
- Fica sussa... Eu só não almocei...Mas que faca era aquela héim? ...Depois os violentos somos eu e Sampa!
- Hmmm... - Ainda um pouco desconfiado, o capixaba senta-se ao lado do irmão, para ver como a tarde aproximava-se devagar - ... Rio... Que cê vai fazer agora...?
O carioca respirou fundo, antes de abrir os olhos e mirar o céu... Um azul tão claro quanto...
Aqueles olhos...
- Quando eu descobrir, eu te conto.
- Como?! Realmente não pensou em nada?! E conseguiu ter cara de paú suficiente para encara-lo depois de tudo?!
- Há, até parece que tu não me conhesse.
- Nem mil litros de olho de peroba sériam o suficiente pra esse país viu...
- Haha! Concordo... Concordo... - Suspirou - Cara... Como eu gostaria do meu narguile agora...
- Cê pode pedir pra Sampa um cigarro.
- Eu não... Vai que ele sugeri eu por 'outra coisa' na boca
- Que mentizinha poluida, fratello! E ainda quer fumar pra pior o estado da coisa!
Ambos riram.
- Caaaaraaaa que parada loka foi aquela reunião! - Riu - Mas sabe... Fez eu me lembrar de umas coisas... E tu, ES?
- Eu o que?
- Quem foi seu primeiro amor?
- Hmmm... Uma criançinha que catava flores
o fluminense ergueu as sobrancelhas, estranhado.
- Haha... Nada... Não tive muitos amores na vida - Fechou os olhos, pensativo - Sempre fui muito na minha... Ficava atrás de Bahia e não queria contato com ninguém... Quando dei por mim, estava sozinho
- Eu sinto muito...
- Tudo bem... Eu tive minha culpa... Ao menos agora eu tenho um fratello idiota para cuidar - Riu com a expressão indignada do mais novo - Um muito idiota por sinal.
- Tu também não é nenhum irmão modelo, brô!
- Eu sei – Concordou, como se nada, e seguiu - A primeira vez que fiz sexo foi... Engraçada... Pra não dizer humilhante! Haha... A menina se diveertia com a minha confusão, até chegou a rir por que eu 'não acertava'!... Como eu ia saber?! - Defendeu-se - Não existia filme pornô naquela época! E eu nunca tinha visto que nem Bahia e Sampa...
Tentou dar um soco na cabeça de seu irmão que começou a gargalhar, quase rolando na grama.
- D-desgraçadp! Tudo tem uma primeira vez, TA?! DESCULPA SE VOCÊ NASCEU SABENDO!
- HAUAHAUHAUAHUAHAUHAUAHAUAU!
- CALA A BOCA!
- Aiii, aiii...
- Claaaro! Sua primeira vez sendo uma mulher da vida até se você acertasse o umbigo ela ia dizer que foi o melhor da vida dela! CÊ NUM TEM MORAL PRA FALAR NADA!
- Eiiii! Eu já disse que era normal começar assim pô!
- Seeei! Você devia assustar as menininhas com sua aura negra de capital!
O carioca imediatamente trocou sua expressão ofendida por uma arrogante.
- Brô, as mulheres nunca fugiram do papai aqui
- Seu...! - Mas logo se acalmou e tornou a sorriu, marotamente, estranhando o carioca - É... Tem razão... Não da mesmo pra competir com vocês...
- Há mais é cla-... Vocês?
- ...Sempre cercados de mulheres, você... Sampa - Espetou apreciando como o semblente do fluminense voltava a uma de desgosto - Aaaah siiim, o estilo "Nerd" com quê de "Empresario" faz um suceeeeesso com as mulheres...
- Quando isso?! - Exaltou-se, irritado
- Ooooh! Pobre das mulheres do mundo... O "papai aqui" é tão... Mais tãaaaao gay~
- A-ah! C-cala a boca! - Exclamou ruborizando-se - ... Tu estava mentindo, né...?
- HAHA! TOME! É, é. Era mentira... Em parte.
- ... Que parte?!
- Tãaao gay~
- VOU TE BATER IDIOTA!
Depois de uma briguinha gay de irmãos bastante gays, a calma voltou a reinar... Além de cada um sair com um ou dois galos na cabeça.
E foi a vez do capixaba perguntar.
- E você fratello? - Questionou tornando a olhar para o céu azulado - Quem foi seu primeiro amor?
- Bem...
- Como ela era...? Cê não disse que não tinha nenhuma historinha bunitinha pra contar... Mas fala sério! Cê já deve ter se apaixonado alguma vez... Antes.
- Eu não lembro...
- Como não lembra?! - Impressionou-se - E aquele papo de "o primeiro amor a gente nunca esquece"?!
- Não... Eu não lembro... Da pessoa.
O espirito-santense encarou o irmão mais novo, que observava nostalgico o céu.
- Cê quer dizer que não lembra muito bem como ela era... É isso? Aaah, é normal, eu também não lembro como era a mulher que tive minha primeira vez... Só a cara da mardita rindo...
- Nãaao, eu quis dizer... Eu não sei se era uma menina... Ou mesmo um menino. Se era alguém alto, baixo... Quantos anos tinha... Nem ao menos seu nome... Nada. Tudo pra mim é só um monte de memórias borrosas... Confusas... Soa idiota, eu sei... Mas eu... - Fechou os olhos deixando de ver aquele azul que o torturava - Eu me apaixonei por lembranças...
- ... Não lembra de mais nada...? – Perguntou, um tanto relutante, seu irmão.
- Sim... - Abriu os olhos tornando a encarar o céu - Um par de olhos azuis... Azuis-claros... Tão... Tão claros... Como céu... Eu desejei tanto quando pequeno... Tanto ter olhos como aqueles... Igual a minha lembrança... - Voltou-se ao capixaba, que observasva seus olhos azul-marinho emocionado - Ao menos isso... Eu meio que consegui.
- ... Algo... Algo mais...?
- ... E um par de braços... Que me abraçavam com força. Sempre.
"... - Não tenhas medo... Nos meus braços poderás ficar quando queiras..."
- N-nossa... Q-que lindo...
"... - Isso...Recorda um rio, como também as ondas do mar..."
- Esqueça... Isso é só uma história antiga.
" ... - Vas a devolver-me... És...És uma promessa..."
- Co-como pode dizer isso?! – Exclamou, chocado, o mais velho - É uma história linda!
- Tu acha esperar quase um século por alguém lindo? – Cortou, levantando-se sem ver o rosto do menor - Acha que cruzar de costa a costa procurando alguém que nem sabe como é, numa época que as viagens levavam meses mesmo aqui agradável?! E mesmo sabendo que... A pessoa...Não existe mais... Continuar esperando, esperando... E esperando. Me desculpe, Espírito Santo, mas pra mim isso não é nada lindo.
- ... Rio... Rio... Rio! - Tentou chamar o irmão mais novo... No entanto, o mesmo seguiu sozinho para dentro do hotel - ... Rio...
Andava quieto pelos corredores, sem prestar atenção a onde ia... Não demorou muito a ouvir passos que o seguiam ao longe. Começou a acelerar... Depois se desculparia com seu meio-irmão... Agora só queria ficar um pouco sozinho...
E no exato momento que o capixaba ia entrar no corredor que a ex-capital estava, uma mão tomou o braço do quase-loiro, o arrastando com força para dentro de uma sala, fechando-a.
- Rio...? ...Rio...?! Fratellooo! Onde você está?! - E os passos iam se distanciando pelo corredor
- Shhhhh! - Sussurrou um homem alto, de pele pálida e óculos, tampando a boca do seu refém - O baixinho pode nos escutar, e, francamente, não quero ser interrompido~
- O que tu quer?! - Exclamou entre irritado e assustado, não esperava encontrar o paulista pelo prédio ainda.
- Vim acertar umas contas com você – Disse, cruzando de braços.
- ... C-contas...?
- Sim... Contas... - Aproximou-se perigosamente do rosto do carioca, escassos centimetros e...
- AIIII!
Lhe deu um soco na cabeça
- Idiota!
- HÃ?! Como é?! O QUE EU FIZ?!
- "O que eu fiz"?! - Ironizou - Por sua culpa put* animal eu fiquei UMA HORA ouvindo a porr* da bronca do moleque capital! VOCÊ QUE DEVIA TER ESCUTADO! Maaaaas nãaaaaao... Eu tinha que ter avisado...Então a culpa é minha! MAS EU AVISEI DROGA! Cê tem o que?! Senso baiano de horário?! "A reunião será mais tarde" não significa que cê pode aparecer na metade! MESMO SENDO UMA PUTA REUNIÃO INÚTIL!
O fluminense apenas lhe observava... Compleramente horrorizado e paralizado.
- ... Você ta me escutando?!
Não tinaha sido um pessadelo... Não tinha sido... F-foi... Realmente f-foi... E ele... Ele... R-realmente quase... Quase...
- ... Eu quero morrer... - Sussurrou
... Como é? O que cê disse?
Estava em um mundo paralelo onde nada disso existia... Um mundo louco e totalmente perdido chamado "Sua cabeça". O desejo que sentira... Que esteve ao ponto de mostrar... No sofá, na cama, no chuveiro... Qualquer lugar
O queria... O desejava...
E não sabia por quanto tempo mais aguentaria...
Até sentir uma mão sobre uma de suas coxas...
- O QUE TU FAZ AI EMBAIXO?!
O paulistano encontravasse meio ajoelhado no chão, de frente as pernas do mais novo.
- Fale mais alto, acho que Tokyo não te ouviu - Ironizou - Estou apenas me apoiando.
A mão que estava em sua coxa... De fato, ajudava o paulista a não perder o equilibrio, enquanto observava uma mancha vermelho vivo cerca do joelho do mais novo.
- ... Você está sangrando... O que aconteceu? - Voltou seu olhar acinzentado ao amigo, que de cima tinha uma visão que... Não deixava nada á imaginação.
- ... Mão...
- Mão? - E analisou ambas do nomeado, identificando o corte, que voltara a escorrer sangue devido a correria... E o aumento de fluxo de sangue... Repentino. - ... Como você fez isso... Num me diga que estava tentando cortar os pulsos! FILHO DA PUT*!
- QUE?! N-não! Foi uma porta armada!
- Porta armada?! Essa é a coisa mais ridicula que eu já ouvi!
- É-É verdadee!
- SE VOCÊ TENTAR SE MATAR DE NOVO PUT* ANIMAL... EU TE MATO! OUVIIIU BEM!?
- QUE?! Que sentido tem isso?! E eu não sou nenhum put* suicida!
- ...
- ... Ah, esquece... Mas foi mesmo uma porta!
E seguiu tentando explicar sua história da porta armada, no que o paulista ignorava completamente, e o carioca por sua vez nem sequer notava que o mais velho tirara de sua bolsa, 25 de março, um kit de esparadrapo para enfaixar o ferrimento.
- Essa... Pose é muito incomoda...
- O que cê pensou que eu iria fazer? - Maliciou... E um sorriso malicioso ajoelhado frente a Paraty... Não era nada... Nada sano - Cê ainda tem que evoluir muito na vida pra merecer algo assim~
E serpenteou um pouco pela coxa do "amigo" ao dizer isso...
E quando voltassem para a casa que compartiam... Rio pediria abrigo para ao Senhor Nicolas... Para o odio do paulistano
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- AAAH! EU DESISTO! - Berrava Brasília para o nada, batendo a cabeça contra a mesa.
Já era noite e Brasília seguia checando o que ele amavelmente chamava de "Put* papelada burocratica dos infernos".
Resmungou baixinho... Nunca conseguiria se preparar para uma reunião internacional... Estava perdido... Perdido!
Devia ter pedido ajuda a Sampa primeiro... E brigado com ele depois...
Assim a chance de receber um "Vai tomar no..." seria menor...
Put*s Estados... Put* vida... Put* papelada... Put* fome...
Sim... Fome... Levantou-se como um São-Zumbi e procurou pela saida do hotel... Não era tão tarde... Ainda conseguiria um restaurantezinho...
Começou a ler as mensagens de seu celular, como um típico adolescente, sem dar a mínima atenção para onde ia.
Era uma mensagem de Lucia... Berrava e mandava mil e um emotions, dizendo que fora a melhor notícia que receberáa no mundo depois da que estava gravida... Seria díficil, mas... Ainda lhe era uma estimada amiga e... Não pega bem negar desejo de grávida, hã? Vai que o bêbe nasce com sua cara
Isso sim seria estranho...
" ... Quem sabe, ele podi estar onde ocê menus espera..."
Lembrou-se da frase da baiana, e seu coração lhe deu uma pontada...
Besteira... Era tudo uma grande besteira... e...
TUM!
- AAAH! LO SIENTO! LO SIENTO!
E Brasília foi direto ao chão, batendo a cabeça no mesmo, com uma pilha de documentos em português e em español espalhando-se para todos os lados.
- POR DIOS! LO SIENTO! NO MIRE POR DONDE IBA! Estás bien?!
- ...Um... Anjo? - Questionou meio tonto, vendo um cabelo loiro encaracolado cheio de brilhos que a circulava. E desmaiou.
- O NO! Llevantate! llevantate! O no! Não foi um atentado! LO JURO! - E Montevideú ligou alarmada para seu pai, tentando de todas as formas acordar a pobre outra capital.
E acabooou! Capítulo gigantesco, hã?
Agora em retorno a farta leitura...Que tal um review? *-*~
