Ouça meu coração, porque ele é todo seu

Edward PDV

Eu olhei para minha frente, sem acreditar na imensa sorte que tive. Vê-la ali, se abrindo totalmente comigo, fazia com que meu coração pudesse explodir.

Ela não podia me dizer que me amava e ao mesmo tempo dizer que existia a chance dela ficar doente. Não sem explicar exatamente em que isso implicaria. Ela poderia morrer por isso? Ela me deixaria se as coisas ficassem ruins? Porque eu sei que nunca a deixaria.

Parte dos meus problemas, era controlar minha mente. Então antes que eu pudesse me parar, minha mente já estava vagando pelo ano que havia se passado. O ano que eu havia conhecido a garota que mudaria minha vida.

Mês um

— Soube que Esme alugou o apartamento vago? – Emmett perguntou e eu apenas neguei. – Pois ela alugou. E sabe o que isso quer dizer.

—Ela vai tentar nos apresentar.— Concluí sua linha de pensamentos. Esme era uma mulher maravilhosa. Praticamente minha mãe, uma vez que minha verdadeira mãe era egoísta e havia aberto mão de um dos filhos pelo marido. Mas um fato sobre ela, era que ela gostava de uma convivência quase familiar entre os inquilinos.

Eu sabia que ela nunca me obrigaria a interagir com o novo morador, mas sabia que ela ficaria chateada se eu não fizesse.

— Você sabe que sim. Eu a vi hoje. Bella parece uma garota legal. Deveria dar uma chance. –Emmtt sinalizou e eu apenas neguei.

— Não posso. Tenho que correr. – Respondi me levantando e apanhando meus fones.

Eu era surdo desde o dia em que nasci. Mas havia adquirido a mania de andar pelas ruas de fone. Uma vez que eu já não ouvia nada de qualquer forma, que diferença faria se as pessoas pensassem que eu não podia ouvir pelos fones? Quando as pessoas me chamavam, antes de saber que eu não posso ouvir nada, se eu não respondo, elas se sentem ofendidas ou irritadas. Então o fone acaba se tornando uma boa defesa.

Saí para minha corrida, pensando em tudo que estava abrindo mão nos últimos anos. Abri mão da minha casa, do meu irmãozinho e de muitas outras coisas. Depois do que houve com Tânia, eu sabia que as coisas nunca mais seriam da mesma forma. Eu tinha problemas em deixar que as pessoas se aproximassem e eu sabia disso.

Eu não era exatamente não atraente, mas é preciso muito mais do que um rosto bonito para manter uma garota entretida. Então desde o dia em que a peguei no armário, minha auto estima que já não era alta, caiu um pouco mais. Aprendi da pior maneira que o melhor era manter as pessoas afastadas.

Eram esses pensamentos e razões que me mantinham longe da nova vizinha. Ela poderia ser uma ótima pessoa, como Emmett havia mencionado. Mas essa era a versãodela, interagindo comeles. Eu sabia que comigo seria diferente. Comigo, sempre seria diferente.

Eu fiz meu caminho para dentro do elevador, ajustando os fones silenciosos em meus ouvidos e puxando o gorro, depois voltando a brincar com o chaveiro que havia em minhas mãos, foi quando uma garota entrou correndo pela porta.

Ela também usava um gorro, já que estava bastante frio lá fora. Apesar disso, seus cabelos estavam soltos e seu rosto corado, talvez por sustentar tantas sacolas.

Voltei a olhar para meus pés, torcendo para que o elevador andasse mais rápido. Mesmo sem a observar, podia sentir os olhos dela sobre mim.

O tempo nunca pareceu se arrastar tanto. Eram poucos andares, o quanto mais poderia demorar? Em um momento pensei em erguer meus olhos e sustentar seu olhar, mas as portas do elevador se abriram, me fazendo olha-la discretamente. O que eu não esperava, era que ao sair, ela estivesse olhando para mim, com aqueles olhos castanhos tão intensos.

Eu sabia exatamente que dia era hoje e também sabia que de maneira nenhuma Emmett desistiria de me arrastar para aquela festa. Eu amava Esme como minha própria mãe, mas não queria ficar cercado de pessoas novas. E inferno, u não a conhecia, mas não queria ficar cercado porela.

Vi as luzes se acenderem e apagarem diversas vezes na última meia hora. Ele não desistiria sem antes queimar minhas lâmpadas.

Foi quando senti meu celular vibrando.

— "Sai! Eu sei que está em casa." – Li sua mensagem. Eu sabia exatamente o que ele fazia aqui desde o momento em que essas luzes piscaram.

— " Não estou em casa. O que você quer?" –Enviei, esperando que ele acreditasse, mesmo que no fundo eu soubesse que não iria.

— "A festa é importante para Esme. Não faça isso com ela. Não dessa vez, Edward. Por favor". –Pediu através da mensagem, me fazendo esfregar os olhos.

— "Quem estará lá?" –Perguntei, também sabendo sua resposta.

— "A Angelina Jolie. Quem você acha que estará lá, gênio?" –Perguntou, me fazendo revirar os olhos.

— Para quem tem um QI como o seu, Emmett, pensei que fosse mais esperto. Quero dizer, quem além de nós, estará lá? A garota nova?

— " É aniversário da Esme. Se a garota do chamado estivesse lá, você ainda sim não teria uma desculpa boa o bastante para não aparecer. E sim, a vizinha estará lá. Esme gosta dela e a convidou. E seu nome é Bella, a propósito."

Eu sabia que devia isso a Esme. Ela não havia sido nada além de uma boa mãe para mim. Mesmo que o relapso do meu pai estivesse presente, eu deveria estar lá.

Ainda sim, não tinha forças para me levantar do chão e me obrigar a me vestir. Não até ler a ultima mensagem de Emmett.

— "Sabe, Edward. Esme nos trata como seus filhos. Suportando nossos defeitos e nos amando do jeito que somos. O mínimo que você podia fazer, é tratá-la da mesma maneira. Mesmo que você não queira se aproximar da Bella. De qualquer jeito, direi a Esme que você mandou parabéns

Aquilo era jogar baixo, mas Emmett nunca jogou limpo de qualquer maneira.

— "Que horas é a festa?" –Enviei a mensagem, me amaldiçoando a partir daquele momento. O que de piro poderia acontecer. Não seria como se ela não soubesse de mim de qualquer maneira.

Entrei em meu apartamento, ainda sem entender o que havia me chateado tanto. E daí que ela não sabia? E daí que não haviam dito nada para ela? Eu nãodeveriame importar, mas por alguma razão, seu olhar de choque, me deixou mais irritado do que se ela tivesse dito algo.

Estava perdido em pensamentos, quando senti o celular vibrar em meu bolso.

"Você foi para casa? Estou subindo."

Era Emmett outra vez. Ele era um bom amigo, mas não sabia quando parar e me deixar em paz.

"Não se atreva a me ignorar."

"Eu vou continuar mandando mensagens até encher sua paciência ou sua caixa de entrada! "

"O que você quer?"— Respondi, sabendo que ele realmente cumpriria a promessa sobre as mensagens.

De alguma maneira, eu havia permitido que Emmett entrasse em meu apartamento e nós havíamos discutido. Eu queria passar o resto da noite em meu quarto, onde o interruptor de luzes não funcionava. Mas meu estomago tinha uma ideia diferente, me fazendo ir até a cozinha. Por sorte, Emmett já havia saído. Talvez tivesse entendido o recado.

Ou talvez não, uma vez que assim que pus meus pés na sala, vi as luzes se acenderem outra vez. Ele definitivamente não sabia quando parar. Mas ele aprenderia.

Caminhei até a porta, sem nem pensar em olhar pelo olho mágico.

Não pude evitar que meus olhos quase saltassem, ao notar que não era Emmett em minha porta e sim a nova vizinha. Já estava pronto para fechar a porta, quando a vi segurar a madeira e negar com a cabeça, como se tentasse respirar mais fundo.

— Eu não faço isso já tem muito tempo, então posso errar em alguma coisa. – Ela sinalizou lentamente, me deixando quase sem ação. Quase.

— Conhece sinais? – Perguntei depois de algum tempo, com o choque claramente estampado em meus olhos.

— Sim. – Assentiu, voltando a erguer as mãos. – Podemos conversar agora?

Ela me perguntou e tudo que consegui pensar em fazer, foi abrir a porta e deixa-la entrar.

Já fazia alguns meses que Bella estava em nossas vidas. Ainda era estranho te-la por perto. Ainda mais quando ela tentava se aproximar cada vez mais. Eu não tinha certeza sobre como me sentia sobre ela. Não até ver Emmett em uma de suas crises ao menos.

— Eu gosto tanto dela! – Lamentou sinalizando. Seus sinais eram tortos e descuidados, talvez pela bebido que havia ingerido, mas ainda sim, compreensíveis.

— Por que não fala com ela? - Perguntei, sem saber exatamente sobre o que ele falava. Ou nesse caso, de quem ele falava.

— Porque ela pode decidir se mudar para outro prédio e isso acabaria comigo! – Respondeu e por um segundo, passou por minha cabeça que talvez ele pudesse estar falando de Rosalie. Eles nunca haviam dado o menor sinal de relacionamento entre eles, mas eu desconfiava. Todos desconfiavam.

— Eu não sou a pessoa mais experiente no assunto, mas ainda acho que deviam conversar sobre isso. – Declarei olhando para ele.

— Foi por isso que a chamei aqui. – Declarou, me fazendo assentir. Foi quando vi as luzes piscando.

Levantei, quase com a certeza de que encontraria Rosálie em minha porta. Mas a visão de Bella em minha frente, bagunçou qualquer pensamento coerente que eu pudesse ter.

— Emmett está aqui? – Perguntou sinalizando, fazendo meu coração acelerar. Era ela. Era sobre ela que Emmett falava afinal.

Ela acenou para mim, me cumprimentando com beijo no rosto e seguindo em direção onde ele estava.

— Você veio! – Declarou ainda sinalizando, mas não pude entender o que ela havia dito em resposta, uma vez que não usou sinais.

Apenas fiquei ali parado, com as mãos no bolso, esperando que fosse incluído na conversa e que eles mencionassem o nome de Rosálie, mas isso não aconteceu.

Em algum momento, Emmett tem seus braços sobre os ombros dela e isso me causa coisas que não sei explicar. Olho para meus punhos, que antes estavam dentro dos bolsos, e agora estão cerrados, e posso ver que minhas mãos tremem.

Ele normalmente sinaliza quando estou presente, mas acho que a presença dela o distraiu tanto, que ele sequer se lembra que eu continuo aqui.

Então sem pensar mais sobre isso, eu apenas os deixo na sala e sigo para meu quarto.

Duvido que Emmett se lembre daquela noite, mas mesmo depois de tanto tempo, eu não era capaz de esquecer.

Acho que desde que Bella e eu começamos a nos entender, o pior de todos os momentos, foi quando contei a ela sobre meus pais e minha infância. Falar sobre como havia sido crescer assim, havia sido fácil. Mas ver o olhar de espanto em seus olhos ao saber como meus pais eram, aquilo era difícil.

Em tão pouco tempo Bella havia despertado em mim uma infinidade de sentimentos: Admiração, carinho, amor e ciúmes.

Ainda me lembro da manhã em que acordei na cama, depois de passar parte da noite na praça.

Também me lembrava com clareza daquele dia, porque foi o dia em que falei pela primeira vez em seis anos.

Podia ver o choque em seus olhos, mas ao menos podia ver alguma coisa.

— Como você falou? Como você... – Perguntou voltando a si, fazendo com que minha respiração se normalizasse também.

— Eu não... falo... bem. – disse, tentando me lembrar de todas as palavras que havia aprendido. Ainda mantendo as mãos nos ombros de Bella. Sentindo o calor de seu corpo.

— Você pode falar. Mas não faz. – Perguntou pausadamente. Deixando que eu lesse seus lábios. – Por que agora?

— Eu preciso que você... ouça isso. - disse, embalando seus ombros, mantendo minhas mãos ali, trilhando um caminho até o pescoço dela, acariciando a pele macia.- Eu... sinto... muito. Eu fugi... Por que... – Parou respirando fundo, vasculhando em sua mente, em busca das palavras certas. – Porque eu... eu me apaixonei.

Naquele momento, minhas mãos tremiam e meu coração era tudo que eu ouvia. Era tudo que eu sempre ouvia, mas dessa vez, tive a impressão de que ela se concentrasse, também poderia ouvi-lo.

Era quase libertador colocar aquilo para fora. Então, e só então, fui capaz de contar a história da garota que quase me destruiu, para a garota que estava prestes a me salvar.

E agora, um ano depois de termos nos conhecido, ela estava novamente a minha frente, falando que me amava desesperadamente. E que continuaria comigo independente do que eu escolheria. E aquilo seria perfeito. Seria perfeito se ela também não tivesse escondido sua doença de mim.

Ao olhar em seus olhos marejados, eu lutava entre o instinto de abraça-la, beija-la, leva-la para o quarto, fazer amor como ela e lhe dizer que nada disso importava e que ela ficaria bem. Quenósficaríamos bem. Mas eu conhecia o bastante da vida para saber que nada era tão fácil assim.