Depois de uma ligação desesperada, Jacob estava na casa com sua maleta nas mãos. Havia algo errado. Já estava quase na hora dos bebês nascerem, mas Bella não deveria sentir tanta dor e aquele sangue que havia em suas pernas não era uma coisa boa.

— Isso não é bom. A placenta se descolou. Não vai conseguir dar a luz aqui. Ela precisa de um hospital, Edward. — Ele disse e Edward assentiu desesperado.

— Não... — Ela pediu. — Eu quero você comigo. Por favor, não me deixa. — Suplicou puxando a mão de Edward.

— Eu estarei com você, amor. — Respondeu olhando em seus olhos e apertando sua mão.

Jacob a carregou até o carro e a colocou no banco de trás. A cabeça dela deitada no colo de Edward, enquanto ele acariciava seus cabelos, Jacob os levava até o hospital.

— Isso não devia ser assim. — Lamentou chorando.

— Vai ficar tudo bem, Bella. — Sussurro, mas silenciosamente pedia que nada de ruim acontecesse e que ela e os bebês ficassem bem.

— Você não devia entrar comigo. — Disse chorando. — Mas eu preciso de você. Não consigo fazer isso sozinha. — Declarou culpada. — Eu sou egoísta, mas preciso de você.

— Eu não vou sair do seu lado, meu amor.

— Promete?

— Eu prometo. — Assegurou, afagando seus cabelos.

Eles chegaram ao hospital e Bella foi levada a ala de parto, enquanto Edward esperava e avisava a todos o que estava acontecendo.

Algum tempo depois todos já entravam no hospital.

— O que houve? — Carlisle perguntou preocupado.

— A placenta descolou. Vão fazer o parto, estão a levando para a sala de cirurgia.

— Você não pode entrar lá, Edward. — Disse segurando o braço do filho quando ele tentou entrar.

— Você não vai me impedir de ver meus filhos e estar lá com a mulher que eu amo. — Respondeu seriamente. Carlisle sabia que era uma batalha perdida.

Assim que Edward se vestiu de forma apropriada para acompanhar o parto de seus filhos, entrou na sala e segurou a mão de Bella.

— Está na hora, doutor. — A enfermeira disse.

— Ainda não. Tem muito sangue. Eu preciso de mais visibilidade. — Respondeu enquanto Bella choramingava de dor.

— Eu consegui controlar a hemorragia. Agora, Bella, preste atenção, ok? — Perguntou e ela assentiu. — Eu preciso que você faça força agora. Seus filhos querem nascer e só você pode fazer isso.

— Onde está a anestesia, Jacob? — Edward perguntou preocupado.

— Não dá mais tempo, Edward. Eles estão sufocando. Eu preciso tirá-los, agora!

— Edward... — Gemeu de dor e ele foi afagou seus cabelos.

— Amor, olha para mim. — Edward pediu apertando sua mão.

— Bella, a enfermeira que está ao seu lado vai contar até 10 e quero que você conte com ela. Quando terminar, quero que você empurre. Entendeu?

— Sim... — Respondeu trincando os dentes.

— Então conte. — Pediu.

— Um, dois... Três, quatro, cinco, seis... Sete, oito, nove... dez... — Contou, apertando a mão de Edward, que estava ao seu lado.

— Empurre. — Ordenou e ela o fez.

— Ah! — Gemeu empurrando com força.

— Conte de novo. — Ela contou e fez força, mas não era o bastante.

— Eu não... Não consigo, Edward. — Ela disse olhando para ele. Sua testa estava suada e alguns fios estavam grudados em sua pele.

— Consegue sim, amor. Estamos quase lá. Só mais um pouco.

A enfermeira voltou a contar e ela empurrou, ouvindo um choro em seguida.

— Empurre, Bella.

— Já temos nossa garotinha, amor. Nossa Emma. — Disse acariciando sua testa e olhando para a filha, nos braços da enfermeira.

— O próximo está pronto, Bella. Eu consigo ver a cabeça.

— Edward... — O chamou com os olhos pesados e a respiração irregular.

— Aidan está quase chegando. Só mais um pouco, amor. — Ele pediu acariciando seu rosto corado.

— Edward... — O chamou.

— Estou aqui.

— Eu estou tão... cansada... não consigo mais.

— Você consegue, Bella. Vamos lá, amor. Um pouco mais.

— Edward, ela não tem forças. Preciso que a ajude. — Jacob pediu, chamando a atenção dele.

— O que eu faço?

— Preciso que se sente atrás dela e empurre sua barriga com as mãos. Será mais fácil para ela. — Jacob instruiu e Edward o obedeceu e, com dificuldade, colocou as costas dela contra seu peito.

— O que eu faço agora?

— Empurre. Vamos lá, Bella. — Ela respirou fundo e deitou a cabeça no ombro de Edward. Usando a força que tinha para trazer seu filho a vida.

Outro choro preencheu a sala e ela sorriu fracamente.

— Ainda temos nosso pequeno. — Edward sussurrou contra seu lóbulo e ela fechou os olhos, apreciando o toque dos lábios dele.

— Ótimo, Edward. Faça de novo. Use suas mãos para impulsionar. Vamos lá, Bella. Estamos quase lá. Mais um pouco e você pode conhecer seus filhos.

— Eu não... — Tentou dizer respirando com dificuldade.

— Jacob? — Edward o chamou.

— Edward, eu preciso retirar o último. Agora!

— O que há de errado? — Questionou preocupado.

— Ela está perdendo muito sangue. Mas não posso parar a hemorragia com ele aqui dentro. Bella, preciso que você empurre e tem que ser agora!

Bella assentiu e as mãos dela estavam em sua barriga, cobertas pela de Edward, que a ajudava a empurrar.

— Eu quero que você use toda sua força. — Jacob pediu.

— Ah! — Empurrou, gemendo de dor. — Não consigo... Me desculpa. — Ela disse chorando.

— Você consegue. Você pode fazer isso. — Sussurrou em seu ouvido e ela negou com a cabeça. — Bella olhe para mim. — Pediu e ela levantou os olhos. — Você consegue. Estamos quase lá, amor. Logo vamos conhecer nossos filhos. Você é a mulher mais forte e mais corajosa que eu conheço. Eu amo você e você pode fazer isso. — Declarou e ela assentiu, usando toda a força que tinha e tombando exausta contra o peito de Edward.

— Enfermeira! Eu preciso de ajuda.

— O que...? — Perguntou sonolenta, tentando a todo custo se manter acordada.

— O cordão... pescoço. — Bella se mexia inquieta, tentando ouvir o que Jacob dizia, mas não conseguia manter os olhos abertos.

— Kal-El. — Ela sussurrou apagando. E o peito de Edward teria transbordado de alegria ao ouvir aquele nome, se não estivesse carregado pelo medo de perdê-la.

Edward saiu de trás dela e mancou até onde os filhos estavam, mas dois enfermeiros o cercaram antes que chegasse mais perto.

— Os bebês estão bem, mas preciso parar a hemorragia.

— Doutor, a pressão dela. — Uma das enfermeiras disse.

— Ela está instável. Eu preciso que você saia, Edward.

— Não. — Negou tentando passar pelos enfermeiros.

— Eu sinto muito, Edward. Não foi uma sugestão. Tirem o daqui. — E antes que ele dissesse mais alguma coisa, já haviam o levado para fora da sala. — Vamos, Bella. Preciso que você lute.

— Ainda instável, doutor.

— Tem muito sangue. — A outra enfermeira disse.

— Eu preciso estabiliza-la. Mas preciso parar esse sangramento primeiro. Nesse ritmo ela não irá aguentar muito tempo. — Quando Jacob estava quase conseguindo estabilizar sua pressão e parar o sangramento, o monitor cardíaco começou a apitar.

— Parada cardiorrespiratória, doutor!

Haviam tirado Edward da ala de parto, disseram que Bella estava sangrando muito. Os bebês estavam bem, mas ela não. A sala onde o colocaram as pressas era do lado de onde ela estava. Havia um vidro que permitia vê-la, mas não tocá-la ou falar com ela. Os aparelhos que estavam ligados a ela, começaram a apitar mais e mais rápidos. Jacob e as enfermeiras se moviam a toda velocidade em volta dela e, com o vidro, ele não conseguia ouvir o que diziam. A única coisa que conseguia ver era o movimento na tela que o aparelho que monitorava seus batimentos cardíacos mostrava.

Eles estavam caindo muito rapidamente e o Jacob começou a gesticular alguma coisa para os outros. Foi quando seu mundo parou, junto com o movimento do monitor cardíaco de Bella. Agora ele entendia o que Jacob havia pedido. Um desfibrilador. O coração de Bella havia parado. Ela estava o deixando.

Nothing But Thieves - Lover, Please Stay

So take from me

(Então, tire de mim)

What you want, what you need

(O que você quer, o que você precisa)

Take from me

(Tire de mim)

Whatever you want, whatever you need

(Tudo o que você quiser, o que você precisar)

But lover, please stay with me

(Mas amada, por favor, fique comigo)

I can see you, I can feel

(Eu posso te ver, eu posso sentir)

Sifting through my hands.

(Escorrendo entre minhas mãos)

Edward tentou chegar até ela, mas alguém havia trancado a sala onde ele estava. Os médicos que ajudavam Jacob, eram colegas e conhecidos de trabalho de Carlisle. Edward conhecia cada um deles e eles o conheciam. Sabiam como ele era super protetor e estava envolvido com Bella.

Durante a gestação ela havia repousado e seguido todas as recomendações, mas, ainda assim, Carlisle sabia que existia uma chance de Bella não conseguir.

A esse ponto, estavam injetando adrenalina nela e Edward tentava derrubar a porta.

Quando ele estava próximo de arrebentar a única coisa que o separava de Bella, sentiu uma picada no braço. Sua visão ficou turva e seu corpo ameaçou cair. Seus olhos conseguiram apenas focalizar uma pessoa. Seu pai. E depois ele apagou.

Sua visão foi clareando e as lembranças voltando. Enquanto ele se lembrava de como havia ido parar lá, começou a se mexer.

— Edward, não se levante, por favor. — Carlisle pediu.

— Como eu cheguei aqui? Eu não posso estar aqui! — Gritou, reconhecendo o próprio quarto.

— E eu não podia deixa-lo no hospital.

— Bella? Como ela está? Ela... Eu vi seu monitor. Ela me deixou, não foi? Ela prometeu que não me deixaria, mas deixou. —Disse, sentido sua garganta fechar. Ele não respirava mais.

— Edward... — Carlisle se aproximou.

— Eu a perdi de novo, pai.

— Edward... — O chamou novamente, ao perceber que ele se movimentava, tentando desesperadamente se levantar.

— Não! Ela me prometeu que seria para sempre e também me deixou.

— Quando eu o trouxe para cá, estavam tentando trazê-la de volta, filho. Ela está viva, mas muito instável. Os médicos acharam melhor coloca-la em coma até que se recuperasse. Mas se o pior acontecer...

— Não! — O interrompeu. — Não diga isso. — Suplicou. Não conseguia imaginar um mundo onde ela não existisse.

— Eu preciso, Edward. Se o pior acontecer, você não poderá se fechar de novo. Você tem três filhos agora. E eles precisam de você.

— Vocês me afastaram dela. — Rebateu com a voz tingida de raiva e desespero.

— Foi preciso. — Respondeu, se aproximando e tocando no ombro de Edward, que se encolheu.

— Ela pode não sobreviver e eu a deixei sozinha. Ela pode não sobreviver e vocês tiraram de mim a chance de me despedir.

— Se tivermos sorte, ela ficará bem, Edward

— Sorte? — Respondeu com a ironia em sua voz. — Olhe para mim! Sorte não é uma coisa que eu tenho! A ultima vez que tive sorte, foi quando ela entrou por aquela porta.

— Edward, eu apenas estou dizendo...

— Eu quero vê-la. — Pediu, irredutível.

— Não pode. Vai ficar doente. — Tentou argumentar.

— Eu não me importo! — Rugiu.

— Mas eu me importo. Como seu pai e avô de seus filhos. A última coisa que eles precisam é de um pai...

— Incapaz? Inútil? Impotente? — Começo a dizer e Carlisle o interrompeu.

— Já chega, Edward. A fase rebelde acabou. Por muito tempo deixei que agisse e fizesse o que bem entendesse. Porque pensei que assim as coisas seriam mais fáceis. Mas agora já chega! — Vociferou, fazendo-o se calar.

Edward estava pronto para tentar se levantar e rebater, quando Carlisle continuou a discursar.

— Você quer que eu me sinta culpado, mas não vou. Eu fiz o que tinha que fazer. E pare de se menosprezar. Você tem algumas limitações, grande coisa. Acha que me importo com isso? Ou a Bella? Ou seus filhos se importarão um dia? Você ainda é meu filho e eu amo você. Bella ama e seus filhos vão amar. Então pare de sentir pena de si mesmo e comece a pensar nas crianças.

— Eu sei. — Respondeu suspirando e voltando a se deitar.

— Isso não é sobre você, filho. É sobre a Bella e seus filhos.

— Eu só quero vê-la. Eu prometo que se eu apenas vê-la... — Suplicou, acalmando-se do ataque histérico.

— Está bem. — Respondeu sério. — Ela está em um quarto particular. Já anoiteceu. Amanhã você poderá vê-la.

— Mas...

— Essas são as condições, Edward. Eu não estou negociando.

Ele fechou os olhos, mas era incapaz de adormecer. Passou a noite se mexendo na cama. Não conseguia parar de pensar em Bella. Precisava vê-la. Saber que ela estava bem.

O dia mal amanheceu e Edward já estava na porta a espera de Carlisle.

Ao chegar ao hospital, Edward não esperou Carlisle e foi na direção do quarto em que Bella estava.

— Edward... — Carlisle o chamou, mas ele apenas continuou caminhando até encontrar o quarto.

Ela estava deitada na cama. Seus olhos estavam fechados e haviam agulhas em seus braços, que ligavam ao monitor cardíaco. Sua pele estava ainda mais branca e, abaixo de seus olhos, ele pôde ver que estavam fundos e arroxeados.

Edward se aproximou e fechou a porta. Assim que se sentou na poltrona perto dela, Carlisle entrou no quarto.

— O ambiente aqui é mais seguro, Edward, mas sabe que não poderá ficar muito tempo, não é? — Perguntou e ele assentiu.

— Pode me deixar sozinho com ela? — Questionou e Carlisle concordou, saindo.

Edward tomou uma de suas mãos e se aproximou.

— Bella. — Sussurrou. — Eu já disse isso antes, mas... — Parou, tentando conter as lágrimas que desciam sem sua permissão. — Eu preciso de você. — As mãos dela estavam frias e sua respiração fraca.

— Fica comigo. — Pediu afundando seu rosto nas mãos dela. —Eu faço o que for preciso. Faço o que você quiser, mas não me deixe. — As lágrimas caiam livremente e seus soluços podiam ser ouvidos do lado de fora do quarto.

Depois de alguns minutos, respirou fundo e voltou a falar, olhando para ela – esperando que a qualquer momento ela respondesse.

— Eu nunca cheguei a dizer, mas... — Sorriu sem humor. — Eu virei uma pessoa melhor depois que conheci você. E agradeço todos os dias por você ter me mudado. — Beijou os nós pálidos dos dedos dela. — Porque eu acho que você não teria gostado de quem eu era, Bella. De como eu era. De como eu era antes de você. — Acrescentou, voltando a beijar sua mão.

— Então eu posso parecer egoísta, porque eu estou aqui implorando pra você, mas é porque eu amo e preciso de você. Como eu nunca precisei de alguém. Como eu sempre vou precisar de você. — Entoou, apertando sua mão. — E tem mais três pessoinhas lá fora que também precisam. — Soltou a mão dela e enterrou sua cabeça na maca. — Eles precisam da mãe e eu do meu único amor.

Heart Like Yours

How could a heart like yours

(Como pode um coração como o seu)

Ever love a heart like mine?

(Amar um coração como o meu?)

How could I live before?

(Como eu poderia viver antes?)

How could I have been so blind?

(Como eu pude ser tão cego?)

You opened up my eyes

(Você abriu meus olhos)

You opened up my eyes

(Você abriu meus olhos)

Ela abriu os olhos, observando em volta e viu Edward, sentado na poltrona ao seu lado. Seus cotovelos estavam apoiados em seus joelhos, seu rosto escondido por uma de suas mãos, enquanto a outra segurava a mão dela. Seu cabelo mais desgrenhado do que o normal. Ele não a via, mas ela o chamou, acariciando seus cabelos e ele a olhou como se seu mundo ganhasse cores novamente

Ele tremia com seu choro, já silencioso, quando sentiu uma mão — muito familiar — em seus cabelos.

— Bella! — Clamou seu nome, como se fosse a coisa mais bonita que já havia visto; e ela realmente era. Era a mulher da sua vida, que acabará de abrir os olhos.