Prisioneira
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Pedido
\Capítulo Vinte e Oito\
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As palavras de Kagome ecoaram por sua mente, antes de sentar na cadeira a encarando com seriedade, desejando saber se havia entendido bem o que a morena lhe pedira, ou se simplesmente entendera errado. Mas ao ouvi-la repetir aquela frase no mesmo tom despreocupado de voz, estreitou os olhos a encarando com seriedade.
# Por que?
# Em breve Naraku irá conseguir me seqüestrar novamente. – falou em tom baixo, se ajoelhando diante dele. – Devido esta escolha poderei ser controlada novamente… E Naraku conseguirá o que quer. Serei corrompida! Se acaso isso acontecer muitas pessoas morrerão e se devo decidir entre a minha vida e a de uma humanidade, opto pela deles – Sesshoumaru permanecia incrédulo. – Por favor, Sesshoumaru…
# Sabe o que está me fazendo arriscar? – perguntou-a, se lembrando da existência de seu irmão mais novo. – Acha que Inuyasha irá se conformar em saber que eu lhe matei? Percebe o conflito que vai gerar entre nós?
Kagome sorriu tristemente, abaixando a cabeça e ficando de pé. Deu às costas para Sesshoumaru, interrompendo suas passadas, ao parar diante do eletrocardiograma, o analisando com curiosidade.
Suspirou e abaixou a cabeça, afinal de contas, Inuyasha, realmente odiaria o irmão mais velho caso isso acontecesse, mas não haveria outra saída para eles. Fechou os olhos, soltando o ar com força pelos lábios, antes de tornar a ficar de frente para o Youkai.
# Inuyasha poderá ficar sentido por um tempo, Sesshoumaru… - disse lentamente, pois, a mesma temia aquela reação. – Mas pelo menos ele e a humanidade estarão vivos para fazerem o que quiserem de suas vidas. Por que se eu for corrompida… é o que vai acontecer Sesshoumaru. A Era Youkai irá retornar… os poucos humanos que sobreviverem irão se tornar escravos.
# Mas por que eu tenho de fazê-lo?
# Sango e Miroku jamais conseguiriam chegar perto de mim e me matar! – iniciou. – São humanos! Inuyasha jamais seria capaz de tocar em mim para tirar-me a vida… mesmo que a dele dependa disso. – parou diante dele. – Enquanto a Kikyou… ela poderia até tentar e talvez conseguir… mas eu a atacaria antes e mataria o que ela sempre desejou. Quanto a você… - sorriu levemente, enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas. – É Youkai… resiste mais que um humano e poderia me atingir!
# Seus poderes espirituais me fazem mal, Miko! – assinalou. – Como poderei resistir a eles a tempo de conseguir te matar?
# Casar-se com uma Miko tem seu lado positivo. – ela sussurrou, pegando a mão esquerda dele, a cobrindo com a sua. – Quando se casa com uma Miko e realizado o ritual dos companheiros tomando seu sangue… os poderes dela passam a lhe proteger em situações onde sua vida é posta em risco. – explicou, sem desfazer o contato físico e visual que mantinham. – Mas como meus poderes são maiores que os da minha irmã...
Sesshoumaru abaixou seu olhar ao ver Kagome sorrir, e sentir um calor estranho em sua mão. Pode ver as mãos dela serem envoltas por seu poder espiritual, mas não o queimava como normalmente deveria acontecer. Minutos depois, a energia foi se dissipando e Kagome desfez o contato físico.
# Criei uma espécie de barreira ao redor de seu corpo. – explicou. – Vou fazer o mesmo com Kikyou, Inuyasha, Sango e Miroku sem que eles percebam… - fez uma pausa, enquanto o Youkai examinava a própria mão. – Mas há um porém, Sesshoumaru… Assim como eu coloquei, eu posso retira-la. Então… - tocou o próprio peito. – Deve me matar com um único ataque atravessando meu coração. – sussurrou. – Pois se errar… recordar-me-ei da barreira e matarei você e aos outros, antes que possa recuar. – abaixou o braço, e ele fez um gesto positivo com a cabeça.
# Por que não me deixa matá-la, agora?
Ele se surpreendera com a própria pergunta, entretanto, a moça Miko, não pareceu se incomodar uma vez que sorrira satisfeita e abriu os braços deixando o caminho até seu coração livre.
# Quando eu for corrompida, meus poderes de cura serão eliminados. A barreira que me protege contra essa espécie de ataque será rompida… e você será capaz de atacar meu coração. – explicou, abaixando os braços. – Acha que Youkai já não tentaram atravessar meu peito antes? Nada na vida é simples Sesshoumaru… E é deste poder que tenho de desistir…
# Como assim, desistiu?
# É feita uma pergunta quando uma mulher se torna Miko… Do que você deseja desistir acaso seu corpo seja corrompido e isto a torne perigosa? – reproduziu. – No passado muitas Miko foram corrompidas e isso trazia problemas. Para evitar isso, criaram uma regra. Era um voto quase igual ao da castidade… Onde a Miko, se fosse corrompida, perdia mais da metade de seus poderes. E aquelas que tinham poderes a mais, eram obrigadas a desistir deles. O mesmo que ocorre comigo. Quando for corrompida, meus poderes de cura irão embora…
# Mas não sua força…
# Mesmo que eu perca uma parte deles ainda serei capaz de fazer as mesmas coisas que me viu fazendo. Até por que… não sou uma humana normal. Nunca fui. – explicou. – Kikyou também era mais poderosa que o normal. Por isso também perdeu a capacidade de ser mãe, quando foi ataca por Naraku. Uma vez que o filho de um Youkai e uma Miko pode ser mais perigoso que a própria Miko corrompida. Minha filha com Naraku era um belo exemplo disto.
# Então é por isso que Kikyou não pode engravidar? – Sesshoumaru encarou a cunhada incrédulo. – Ela desistiu?
# Sim… e Naraku fez questão de fazer com que isso fosse seguido. Uma vez que está escrito no livro do destino, que o filho de Kikyou era o único a poder acabar com o que minha filha ou eu, iríamos fazer.
Sesshoumaru colocou a mão no rosto, tentando absorver tais mensagens.
# O que é esse livro do destino?
# Um livro antigo que foi redigido com as profecias feitas pela Miko. – explicou. – Eu apareço nele como a destruição juntamente a minha filha e de Naraku. Naraku o conseguiu e mandou Chyo o traduzir uma vez que tinha conhecimentos e estudou a cultura Miko. Foi assim que Naraku descobriu o que poderia fazer, embora tenha demorado a descobrir que a menina era eu. E que se Kikyou tivesse um filho com você… os planos dele poderiam ir para o espaço. – houve silêncio. – E então? Vai me matar? Se o for… Prometa a mim, que nada o impeça de fazê-lo! Me prometa… que o que quer que descubra… não irá lhe impedir de me matar.
Ele fez um gesto positivo, embora não soubesse se seria capaz de atravessar o coração da morena parada a sua frente, afinal de contas, acima de tudo, ela era a irmã da mulher que amava e a amada de seu irmão mais novo. Mulher que por diversas vezes, retirou o sono dele e fez com que os dois brigassem pois ele não agüentava vê-lo pensando nela durante a maior parte de seu dia.
Isto poderia gerar um conflito sério entre os dois, mas ela tinha razão ao dizer, que antes o conflito do que a volta da Era Youkais e extermínio de mais da metade da população humana. Era um Youkai sim, mas mesmo naquela época a família de Inu no Taisho era extremamente odiada, e não estava a fim de sofrer com aquela Era novamente, especialmente com Kikyou ao seu lado.
Interrompeu tais pensamentos ao pensar na esposa. O que ela havia querido dizer com mataria o que Kikyou sempre desejou? Encarou Kagome com seriedade, e obviamente a menina sabia o que se passava por sua mente naquele momento, uma vez que sorrira.
# O que quis dizer? – perguntou, não se preocupando em completar a frase, pois, ela sabia ao que ele se referia.
# O que Kikyou sempre desejou, Sesshoumaru? – rebateu, o desafiando com o olhar.
O Youkai franziu o cenho e em seguida arregalou os olhos, sentando-se na cadeira, não acreditando em seus próprios pensamentos, ao mesmo, que Kagome sorria não contradizendo o que pensava. Mas era impossível! Ela havia acabado de lhe dizer...
# Quando Kikyou invadiu minha mente… antes que minha filha pudesse tomar controle. Eu purifiquei o corpo dela, eliminando o feitiço que foi feito para que ela não engravidasse. Posso fazer isso! – sua voz estava baixa, e Sesshoumaru encarava o nada. – Se reparar direito no cheiro de Kikyou perceberá que ele mudou…
# Como…?
# Estava mais preocupado em discutir com ela por causa de omissões e mentiras… E mais preocupado com o fato de que Kagura lhe pedia ajuda por Sarah. - respondeu. – O rumo da história dela mudou. Vão ter uma menina e um menino… Kikyou sempre quis uma menina.
Sesshoumaru pronunciou gêmeos com os lábios, ainda não acreditando nas palavras de Kagome. Não acreditava que, depois de tanto tempo, ele finalmente teria um filho com Kikyou, sua companheira. Mas não seria apenas uma criança, e sim duas. Uma menina e um menino.
Nunca havia se sentindo tão bobo na vida, e ao mesmo tempo tão idiota por não ter notado que o cheiro de sua esposa havia mudado.
Sorriu abobalhado, e voltou os olhos para Kagome, que lhe encarava neutramente, ia lhe dizer algo, afinal, milhares de perguntas voltavam a sua mente. Mas, interrompeu essas, ao se lembrar de uma pergunta, que era mais importante que qualquer uma daquelas a passarem por sua mente.
# Onde está Naraku?
# Onde sempre esteve… - deu de ombros. – Em um castelo escondido no meio de uma floresta nos limites do Japão. Mas vocês não poderão chegar até ela… uma vez que não podem vê-la. – acrescentou. – Naraku a protege com uma barreira… Até mesmo eu sou incapaz de levá-los até lá, uma vez que ele não deseja. Mas acredite-me… quando ela desaparecer… vocês vão saber.
# O que quer dizer com isso?
# O castelo de Naraku chama em demasia atenção… quando ele aparecer, poderão notá-lo por satélite. – explicou.
# Certo! – fez um gesto com a mão. – Irei resolver alguns assuntos, quando puder, voltarei aqui com Inuyasha e sua irmã. – ela sorriu. – Ele vai gostar de saber que você voltou ao normal. Ficou de pé e caminhou até a porta, a abrindo e voltando os olhos para Kagome, a fixar os olhos castanhos em seus dourados.
# Sim!
# O que é sim? – questionou o Youkai, sem entender.
# A resposta para a pergunta que está fazendo!
O Youkai franziu o cenho, se perguntando, qual das perguntas que se fazia tinha a resposta positiva, uma vez que não podia questioná-la, já que uma equipe médica acabara de surgir no corredor, e supostamente, ele não deveria estar conversando com uma paciente, até então, em coma. Fechou a porta e abandonou imediatamente o andar, sem aguardar manifestações sonoras da moça ou que fosse visto por um dos médicos, gerando perguntas a não desejar responder no momento. Deixá-los-ia verem que Kagome haviam despertado e modificado seus trajes, sozinha.
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Os olhos vermelhos estavam fixos na taça a sua frente, como se o objeto fosse capaz de lhe desafiar. Fora capaz de sentir que Kagome se desprendera por completo dele e isto significava, que ela voltara a falar normalmente e agora, deveria estar contando tudo a Sesshoumaru e Inuyasha, inclusive, revelando a verdade a respeito de Kagura.
O que claramente significava que a Youkai criada a partir de seu corpo, não teria mais utilidade alguma. Mas deixaria Sesshoumaru lhe tirar a vida, seria mais interessante vê-la morrer pelas mãos do cara por quem se apaixonara e com quem havia tido uma filha, do que pelas suas mãos.
Riu com o pensamento, voltando os olhos para a lareira que crepitara violentamente chamando sua atenção. Franziu o cenho e olhou para o livro aberto a sua frente, antes de suspirar em satisfação e sorrir.
Ao menos havia boas noticias para alegrar-lhe e não fazer desejar matar um de seus subordinados, apenas para sentir-se satisfeito.
Kagome, mesmo se dissesse onde é a localização de seu castelo, eles jamais conseguiriam chegar a ele, uma vez que seus poderes protegiam aquele local e qualquer um que se aproximasse, morre envenenado com a atmosfera local. E havia acabado de descobrir o que sempre desejara saber, e o fato de Kagome ter retomado sua consciência apenas ajudaria no processo de corrompê-la. Juntamente com o fato de Ayame estar trabalhando noite e dia, para fazer o bracelete que seria capaz de agüentar os poderes de Kagome e ao mesmo tempo, anulá-los.
Sorriu ainda mais. Não imaginara que a cientista fosse cair em sua conversa, após ter revelado de Kagome havia lhe contado a respeito daquilo, mas ela havia sido facilmente coagida quando tocara no assunto de Inuyasha pertencer a ela.
"Pobre ingênua."
Pensou consigo mesmo, levanto a taça com o liquido vermelho para os lábios. Pois, iria sim deixá-la se livrar de Kouga para ele, entretanto, não iria deixar Inuyasha vivo, mesmo sem memórias. A existência dele lhe trouxe problemas com Kagome e não irá deixar ele lhe atrapalhar novamente. Fará com que a Miko mate o Hanyou que ama, a irmã mais velha e o marido dela, para então, livrar-se de Ayame e do homem que estaria se deitando com Sango.
Não, não se livraria dela. Afinal de contas, a exterminadora era boa no trabalho que fazia. Não podia perder aliados do porte dela, e poderia precisar da vida dela, no futuro, para controlar o temperamento de Kagome.
Ergueu a cabeça ao ouvir o fraco baque ocasionado por alguém a bater em sua porta e fez um gesto com a mão, fazendo o objeto se abrir magicamente e em seguida, se fechar as costas de Kagura, que ainda possuía algumas escoriações causadas pela invasão a casa dela.
# Está tomando sangue com mais freqüência, Naraku! – comentou, ao parar diante da mesa dele, recebendo um olhar frio em retorno. – Acaso está tão fraco assim?
# Não me venha com suas gracinhas agora, Kagura! – ficou de pé. – Estou sem paciência para isso!
A Youkai sorriu de maneira debochada, cruzando os braços sobre a cintura o seguindo com o olhar, até a porta do local onde Ayame estava sendo mantida. Naraku terminou de virar todo o conteúdo da taça e a atirou contra o fogo, fechando o punho com força.
# Se foi necessário tanto sangue assim… imagino que esteja desesperado. – apontou, franzindo o cenho. – Kagome já acordou depois de perder a criança que esperava e agora está podendo falar sem a interferência dela? – o Youkai apenas lhe lançou um olhar frio, apoiando a mão na parede. – É Naraku… acho que isso significa que seus planos não são tão bons assim. – ele colocou tanta força contra a parede que ela afundou sobre seus dedos, sobressaltando Kagura.
# Não brinque comigo desta maneira Kagura! – mandou, afastando-se da parede, para aproximar-se lentamente dela. – Pois se conseguir Kagome de volta… e garanto a você que irei fazê-lo… a primeira coisa que posso fazer é livrar-me de você e transformar sua querida Sarah em minha criada. - a pouca cor que existia na face de Kagura, se perdeu ao ouvir aquilo, e Naraku sorriu satisfeito, passando direto por ela. – Kagome voltou a falar e tenho certeza de que contará a verdade para Sesshoumaru… por tanto… - a encarou de soslaio. – se prepare para ele.
Ela abaixou a cabeça, sabendo, que com toda a certeza, Sesshoumaru deveria estar a odiando naquele momento, se por um acaso já houvesse sido notificado a respeito da triste verdade a seu respeito. Fechou os olhos com força, mas tornou-os a abri-los, virando-se para Naraku, que procurava por algo, em suas gavetas.
# Se Kagome voltou a falar, Naraku… pode ter certeza que ela irá se livrar de seus informantes na SSJ…
O Youkai parou de procurar o que desejava e ajeitou a postura para se virar em direção a Kagura.
# Kagome não conhece todos os meus informantes, Kagura! – enumerou. – O único que ela conhece é Kouga, e se ele for esperto o suficiente ficará longe do grupo para não ser morto pela menina ou por Inuyasha.
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Sesshoumaru coçou os olhos revelando seu cansaço, tentando digerir todas as informações que Kagome havia lhe dado àquela manhã. Desde a verdadeira história por traz de sua existência, até o momento em que descobrira que Kikyou iria lhe dar dois filhos. Mas para isso, teria de protegê-la da própria irmã quando a hora em que Naraku a conseguisse de volta chegasse.
Abaixou a cabeça. Sentia pelo irmão e pela esposa. Inuyasha lutou por anos para conseguir capturar aquele quem lhe tirara Kagome, e quando a consegue ter de volta por completo, novamente vai perdê-la, mas desta vez, teria de ser pelas mãos dele e não haveria volta. Uma vez, que ninguém jamais, havia retornado da morte.
Olhou para a mão que Kagome havia tocado enquanto lhe dava a proteção momentânea contra o ataque dela. Nunca tivera receio de nada, então, por que desta vez receava o fato de ter de matar uma menina que nem ao menos chegava a conhecer direito?
Sorriu pelo canto dos lábios, achando irônica aquela situação. Jamais em toda a sua vida, Sesshoumaru Takahashi, primogênito de Inu no Taisho, o maior Youkai de todos os tempos, imaginou-se naquela situação. Mas quem um dia, imaginou vê-lo casado com uma humana, e sentindo-se bobo por saber que em breve terá um filho com ela.
Mas para que isso acontecesse, teria que matar a irmã dela, e assim o faria. Se ela o desejava e se era para salvar a vida de seus filhos, esposa, e até mesmo irmão, assim seria feito.
Fechou o punho com força, e ergueu a cabeça, sentindo o cheiro de Kikyou se aproximar, na companhia de Inuyasha, Sango e Miroku. Como Kagome havia lhe dito, ele realmente havia mudado, assim como acontecia com todas as mulheres que engravidavam, e era capaz de ouvir duas batidas de coração a mais, no corpo da esposa.
Parou no meio do corredor, esperando o grupo chegar até ele.
# Sesshoumaru? – Sango mostrou-se surpresa ao vê-lo. – O que está fazendo aqui tão cedo?
Inuyasha estreitou os olhos e olhou do irmão para o corredor de onde ele vinha, obviamente já imaginando o que ele havia ido fazer, àquela hora e naquele andar.
# Encontrei o diário que apareceu nas memórias de Kagome. – foi direto, deixando os três humanos, surpresos. – Ontem à noite o encontrei depois que ela me mostrou onde estava, tocando meu braço e me fazendo ter uma visão.
# Onde ele estava? Onde está agora? – quis saber Kikyou.
# Escondido em um compartimento embaixo do guarda-roupa dela. Quando chegarmos em casa, lhe mostrarei. – acrescentou. – E ele está com ela neste momento. – colocou o braço diante dela, a impedindo de avançar. – Estive esperando que ela despertasse para poder conversar com ela. Kagome me contou tudo o que realmente aconteceu, e agora está com uma equipe médica, não irão nos deixar entrar.
# O que exatamente quer dizer com esteve conversando com ela? – perguntou Miroku, só então, fazendo Inuyasha despertar para realidade, abandonando seus devaneios, para olhar o irmão mais velho.
Kikyou olhou nos olhos do marido, sem compreender a razão daquilo. Então levou as mãos aos lábios, enquanto Sango soltava um gritinho agudo, antes de realizar o mesmo gesto. Inuyasha sentiu suas entranhas congelarem e sorriu, enquanto Miroku os encarava sem compreender.
# Kagome voltou a si. Parece que perder o filho que esperava de Naraku, a ajudou. – falou Sesshoumaru, pois Miroku o encarava sem entender. – Esteve conversando comigo. Esperem os médicos deixarem a sala, para poderem ir até lá…
Inuyasha murmurou qualquer coisa inaudível e avançou, passando pelo irmão, sem se preocupar com as palavras que ele havia dito. O mais velho suspirou e tornou a passar as mãos nos olhos, realizando um gesto de negação quando Kikyou deu um passo a frente, ameaçando seguir o Hanyou.
# O deixe conversar com ela primeiro! – pediu. – Acho que ele, dentre nós, é quem mais desejava falar com ela.
Kikyou fez um gesto positivo enquanto seus olhos se enchiam de lágrimas. Sango começou a pular pelo corredor, e Miroku a tentava controlar. A moça exterminadora murmurou algo incompreensível e saiu correndo em direção oposta, com o rapaz lhe seguindo, afinal, poderia ser perigoso deixá-la sozinha naquele estado.
Sesshoumaru encarou a esposa e sorriu de leve para ela, antes de segurar-lhe pela mão, pensando em como poderia dizer a ela.
# O que houve? – quis saber a Miko, sentindo que havia algo de errado. – Aconteceu alguma coisa?
# Você está grávida!
A reação de Kikyou foi instantânea. Abriu os lábios, incrédula, e o encarou como se houvesse enlouquecido, estremecendo ao senti-lo levar as mãos até seu ventre, para sentir a vida que ele disse haver ali. Sorriu levemente, tentando não se decepcionar por descobrir que aquilo era impossível, uma vez que havia sido sua penitência por ter sido corrompida, e desfez o contato entre eles, afastando-se enquanto negava com a cabeça.
# Kagome me contou a respeito do que acontece quando se é corrompida. – falou Sesshoumaru, voltando a segurar o braço da esposa, para evitar que fugisse. – Ela me disse que não poderia engravidar por causa disso, e também me disse que se livrou disso para você, naquela noite em que você fez a regressão.
# Não é possível… - sua voz saiu rouca.
# Também achei… mas agora que olho para você, sou capaz de perceber… Seu cheiro mudou! E posso ouvir as três batidas de coração em seu corpo. - os lábios de Kikyou tremeram e ela piscou por diversas vezes como se segurasse a vontade de chorar. – Você está grávida de gêmeos Kikyou! Um menino e uma menina.
Ela sorriu sem reação, abaixando a cabeça, e inconscientemente, tocando o próprio ventre, ouvindo as palavras da irmã voltarem a sua mente: "No final, você e seu marido terão dois filhos… uma menina e um menino…"
Sentiu Sesshoumaru lhe abraçar e o abraçou de volta, levando uma mão aos próprios lábios.
# Kagome tinha razão! –sussurrou
Jamais havia se sentindo tão feliz antes. Afinal, no mesmo dia, descobrira que sua irmã havia voltado a falar e que estava grávida de Sesshoumaru, esperava gêmeos depois de anos sofrendo por ter tido seu corpo corrompido daquela forma. Deixou seus lábios serem capturados pelos dele, mas imediatamente afastou-se para observar um grupo de médico passar apressado, sendo seguido por Inuyasha.
# O que houve?
# Kagome não está no quarto! – falou enterrando a mão no bolso do sobretudo e continuando a caminhar, no intuito de encontrar a menina.
O casal trocou olhares, antes de seguirem o Hanyou. Era melhor encontrarem Kagome logo, antes que tivessem alguma espécie de problema, com os espiões de Naraku que se encontravam infiltrados naquele prédio.
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Encostou-se a parede metálica do elevador e suspirou encarando os andares irem avançando no sinalizador, apesar de não ter apertado para qual andar gostaria de ir.
Havia conseguido abandonar o quarto antes que os médicos entrassem, e tinha certeza de que estariam a sua procura naquele momento, entretanto tivera a necessidade de sair. Necessitava verificar algumas coisas a respeito dos espiões de Naraku, antes de, finalmente poder ver Inuyasha com seus verdadeiros olhos, e em fim o abraçar, como a tempos, desejava.
Sentiu o equipamento parar e ergueu os olhos, para encontrar os de Kouga quando a porta se abriu. Sabia que ele iria pegar o elevador naquele momento, e que a reação dele seria exatamente aquela, enquanto olhava para os lados e piscava repetidas vezes, no intuito de descobrir se era ou não, fruto de sua imaginação.
# Algo errado? – perguntou de forma ingênua, usando seus poderes para evitar que o elevador fechasse a porta e saísse sem ele. – Acaso o senhor esta sentindo algo?
Kouga o pareceu voltar a si, sacudindo a cabeça em negação, e entrou no elevador apertando o botão para o térreo. A porta metálica se fechou e o Youkai permaneceu, por todo o tempo, encarando o marcador como se pudesse fazê-lo andar mais rápido.
# Acaso nós nos conhecemos? – o Youkai a encarou sem entender. – Sinto como se lhe conhecesse de algum lugar! – ele sorriu, murmurando um "não é possível" – Tem certeza? É que eu acabei de despertar para a vida, e não me lembro de quase nada do que aconteceu depois do meu aniversário de doze anos… - Kouga suspirou aliviado. – Tem certeza que não nos conhecemos?
# Definitivamente não! – confirmou. – Me lembraria de alguém bela como você! – afirmou, a fazendo sorrir forçadamente.
# Deveria parar de mentir e dar em cima de quem não deve! – alertou, seriamente. – Eu não sou o tipo de mulher que gosta de ser enganada e receber elogios de homens do seu gênero. – falou, e o Youkai arregalou os olhos, enquanto ela se aproximava. – Eu tenho certeza de que te conheço e irei me lembrar. – o olhou de cima abaixo. – Afinal… Não sou uma humana normal e me curo rápido! – sorriu, fazendo com que o botão do quarto andar ficasse amarelo, como ficava aqueles que são pressionados, sem nem ao menos o tocar. – Até mais, Senhor! – abandonou o elevador. – Espero que nos encontremos novamente! – fez um gesto com a mão, enquanto as portas se fechavam.
A moça ficou séria, observando os números irem diminuindo a cada andar, e sua mão foi envolta por sua energia. Respirou profundamente, e fechou o punho, obrigando a energia se dissipar. Girou no mesmo lugar para poder avançar em direção ao banheiro, achando melhor deixar aquela oportunidade passar.
# Vou deixá-lo por último! – e entrou no banheiro.
