Traumas.


– Transtorno Delirante Erotomaníaco ou Síndrome de Clerambault, é o que diz aqui no Google – Edward falou depois de abrir o notebook e pesquisar sobre os sintomas da Jessica.

– E isso quer dizer?

– Que ela sofre de um tipo de esquizofrenia como disse meu pai e acredita que é amada por mim. E fantasia tudo. Ela não inventa por maldade, simplesmente acha que é realmente verdade. – Eu o olhava do sofá de couro do seu escritório fazendo um bico e pensando em tudo que aconteceu na hora do almoço.

– Como é possível que, ela sendo uma psicóloga, não tenha percebido? E, o mais estranho, ainda continuar atendendo e, bem, seus pacientes? Se ela tivesse me contado que estava namorando qualquer outro eu teria acreditado, sem a menor sombra de dúvida.

– Aqui diz que a doença afeta principalmente mulheres solitárias que se imaginam numa relação com alguém de status superior e que não muda em nada os outros aspectos de sua vida... – ele me olhou por um momento – Logo, ela levava sua vida normal, acreditando realmente que estávamos namorando. – Eu suspirei pesadamente.

– E agora?

– Papai disse que irá informar ao hospital e pedir uma suspensão, folga ou qualquer outra forma de dispensá-la por um bom tempo para se tratar. O problema é que alguém da família precisa se responsabilizar. Nós não podemos obrigá-la a se cuidar. Eles é que precisam fazer essa parte.

– E?

– E eles não acreditaram quando meu pai a deixou na casa de sua irmã e contou o que aconteceu. Ela estava radiante, como se tivesse saído de uma festa. Ele e a Kate ficaram com cara de idiotas enquanto ela os apresentava.

– E ela os apresentou como, colegas de trabalho ou sogro e sei lá o que?

– Colegas de trabalho. Meu pai está chocado – E eu não posso culpá-lo porque estou do mesmo jeito.

– Que dia hein? – Edward saiu de sua mesa e veio até mim, deitando-se com a cabeça no meio dos meus seios, enquanto eu fazia cafuné em seus cabelos. – Ontem estávamos nos amando em Ptown e hoje...

– Eu sei bebê... – Eu continuei o movimento em seu cabelo, beijando-o. – Realmente não foi um dia fácil...

– Edward... – Chamei-o vacilante - Estou com tanto medo... – Ele se sentou sobre seus joelhos à minha frente e ficou me olhando por um tempo.

– Eu vou cuidar de você, amor – Dizendo isso ele se colocou de pé e me pegou em seu colo, me levando para nosso quarto e me sentando na cama.

Retirou meu vestido delicadamente, depois meu sutiã e minha calcinha me tocando de forma gentil. Me levou, ainda em seu colo, até o banheiro, me sentando na borda da banheira enquanto retirava sua camisa cinza claro, a calça jeans escura e a boxer branca lentamente, depois me levou pela mão até o chuveiro.

Meu cabelo foi molhado pela água morna que caía sobre nossos corpos e pude ouvir o barulho do frasco de shampoo sendo aberto então senti a massagem no meu couro cabeludo, me relaxando instantaneamente. Fazendo com que fechasse os olhos, ronronando como um gatinho, me apoiando no mármore frio para não despencar. Logo foi a vez do condicionador. Depois suas mãos me ensaboaram lentamente com sabonete liquido de lavanda, numa lenta e torturante massagem por todo meu corpo. Não houve uma pequena parte sequer que foi esquecida, tudo completamente lavado, me fazendo gemer e relaxar ainda mais com seu toque. Nos abraçamos embaixo da água por um longo tempo e eu fiz o mesmo com ele, lavando seus cabelos e seu lindo corpo cuidadosamente devolvendo a mesma torturante experiência que ele havia me proporcionado.

Edward desligou a água e me secou com delicadeza, envolvendo meu corpo em um roupão atoalhado branco e quentinho, fazendo o mesmo consigo. Me levando para nossa cama secando e penteando meu cabelo. Nunca, em toda minha vida, me senti tão amada e cuidada.

Ele fechou as cortinas e o quarto caiu numa penumbra reconfortante. Quando voltou para cama senti seus braços me envolvendo e me trazendo para seu peito e o ouvi murmurar, a minha, agora, canção clássica favorita, antes de cair no sono.

Ao acordar, vi o arranjo de orquídeas do dia ao lado da cama, phalaenopsis roxas e o cartão, eu sorri, não precisava ler para saber o que estava escrito. As palavras eram sempre uma declaração de amor com sua assinatura e a data. Mas, a lembrança de algo que Jessica dissera me atormentou. Rosas...

– Edward... – Eu gemi, sentindo seus braços em minha volta me apertando um pouco mais e um beijo no topo da minha cabeça.

– Você deve estar com fome... Está tarde, vamos jantar? – Eu não queria sair daqui, principalmente para comer, mas Edward já estava me ajudando a sentar e me levando para a cozinha.

Ao chegarmos os pratos estavam postos e o jantar nos esperando calmamente no microondas. Eu me sentei no banco alto em frente ao balcão e o vi andar de um lado para o outro para nos servir.

– Edward... – ele me olhou quando o chamei depois de termos terminado o jantar em silencio. - Você mandava flores para suas ex? – Ele respirou profundamente virou-se completamente na minha direção, apoiando-se no balcão.

– Eu só mandei flores para você Bella, por que isso agora?

– Estava pensando, de onde a Jessica tirou a ideia de que você lhe envia rosas diariamente? – Edward me olhou seriamente cruzando os braços. – Porque ela não falou que você toca pra ela, por exemplo, como sempre faz prá mim?

– Não sei... Mas, eu só toco pra você... – Edward foi em direção ao telefone, enquanto eu o olhava sem entender. – Boa noite, tenho um contrato com vocês em nome de Edward Cullen e gostaria de saber a situação... – Ele ouviu por um tempo e o vi fechar os olhos e depois o punho, com certeza, algo bom não deveria ter vindo do outro lado. – Não, há algo errado... Não tem como cancelar? – E ele passou a andar de um lado para o outro – Outro número? Em nome de quem?... – Ele ouvia e murmurava um palavrão. – Como é possível? – Edward não me olhava e isso não era bom. - Ok, então... Obrigado. – Eu o olhava com expectativa sem entender o que ouvira.

– Edward?

– Quando você falou sobre tocar entendi que é algo que só você sabe. Algo nosso. – Eu afirmei com a cabeça. - Eu só fiz isso pra você. As orquídeas também. Nunca mandei flores pra ninguém. Na verdade quando comecei não foi nada planejado só foi a melhor forma que encontrei para dizer o que sinto... – Edward andava de um lado para o outro na frente do balcão. – Mas, as flores vêm de algum lugar, não é algo que aconteça só em nossa casa e que mais ninguém saiba...

– Você está querendo dizer que acredita que ela estava nos observando? – Eu perguntei com a voz um pouco chocada.

– Sim, amor – Ele se sentou ao meu lado. – Eu liguei para a floricultura e, o atendente me informou que, todos os dias saem duas remessas no meu nome. Uma para cá, com as orquídeas e outra para a casa da Jessica com rosas vermelhas.

– Você estava pagando sem saber? – Ele negou com a cabeça e sorriu sem graça.

– Não. As rosas saem em meu nome, mas o pagamento é feito em outro cartão. Em nome da Jessica. Ele falou que uma pessoa ligou se identificando como minha secretária e pediu para que fizesse a entrega. – Eu o olhava estupefata.

– Eu não entendo... Como é possível? Você prestou atenção na aparência dela?

– Do que você esta falando?

– Edward ela mudou nesse final de semana, a cor do cabelo e as roupas estão muito parecidas com as minhas e agora essa coisa toda e, se...

– Bella, olha pra mim... – Edward pegou meu rosto em suas mãos no mesmo instante que as lagrimas começavam a cair por meu rosto. – Nem ela, nem ninguém nunca vai lhe fazer mal, está me ouvindo? – Eu afirmei com a cabeça – Eu prometo. – Seus olhos eram tão profundos e sinceros – Eu amo você e vou te proteger bebê. – Ele me abraçou, beijou meu rosto e minha boca e voltei a me sentir segura em seus braços.

Nossa noite terminou na sala com Edward tocando para mim, como sempre fazia. Ele estava aprendendo, como gostava de dizer, outras musicas. Agora elas voltaram a ser mais alegres e apaixonadas. Eu gosto especialmente quando toca Ode to Joy, a 9ª sinfonia de Beethoven, ele sempre ri quando toca essa peça.

Quinze dias passaram voando, Jessica continuava na casa da irmã. Carlisle conseguiu para ela uma licença médica por estresse, não pela sua doença de nome complicado. Essa também foi uma forma discreta que ele encontrou de ajudá-la. Mas o fato é que eu nunca mais a vi. Fiquei os dois dias seguintes em casa, assim como Esme, mas o dever nos chamou e voltamos à instituição. E tudo está na mais perfeita calma e tranquilidade.

Meu sábado começou bem animado. O evento beneficente seria hoje e estou, nesse exato momento, ao lado de Rose, Alice, minha sogra e minha mãe, sim, ela e meu pai são convidados especiais de Esme e Carlisle, e estão tão animados. Nós estamos no SPA do Mandarin Oriental, nosso ponto de encontro quando o assunto é se preparar para uma festa. Todas queriam saber sobre mim e Edward e eu, pacientemente, tentei driblar o questionário. Alice esta toda animada tentando convencer Jasper a engravidar, mesmo ele achando que ainda é muito cedo. Rose voltou ao trabalho e Ben está indo para o recém-inaugurado berçário da empresa de arquitetura. Esme está feliz por hospedar minha mãe e meu pai e dona Renée parece pinto no lixo de tão feliz. Tudo é motivo para dar gritinhos alegres e felizes.

Ontem jantamos, eu, Edward e nossos pais, e foi realmente estranho. Fomos alvo de todas as lembranças possíveis da nossa infância, das alegres, que pareciam sempre envolver Alice, Emmett e Jasper, até as mais bizarras como quando fui empurrada do palco por uma garota no coral do dia de ação de graças. Passando por Edward sendo expulso da escola aos 07 anos porque pichou o quadro negro com tinta vermelha. Segundo ele, foi uma represália ao ensino, mas eu preferi não me manifestar. Foi realmente um momento único e, nós dois, concordamos em vivê-lo o mínimo possível, e voltamos correndo pra casa.

Uma semana antes do verão, o já tradicional evento beneficente nos jardins da mansão Cullen, com ingressos vendidos com antecedência, jantar exclusivo, orquestra animando o salão de dança, lances por objetos únicos que costumavam ser leiloados, além é claro, do discurso do Dr. Garret, psiquiatra especialista em abuso sexual infantil, o que poderia levar a ofertas mais generosas e no final de tudo, fogos de artifício.

Edward já está pronto, ele aproveitou minha tarde ocupada e saiu com nossos pais, Emmett, Ben, e Jasper. Mas, quando voltei, ele já estava de banho tomado e no closet, se aprontando. E eu? Bem, estou nesse momento terminando de calçar uma sandália Jimmy Choo salto 10, que combina perfeitamente com meu vestido longo Aidan Mattox champagne com bordado dourado, decote V e as costas nuas. O vestido acompanha meu corpo e se abre delicadamente em movimento numa saia até o chão. Meu cabelo está preso em um coque, a maquiagem perfeita e sem joias.

– Não há jeito de você estar mais linda e sexy Bella. – Edward disse assim que apareci na sala, parando de tocar ao piano e se levantando para me ver. Ele está lindo num smoking Gucci preto. Perfeito nem chegaria perto da visão que estou tendo nesse momento. – Vamos? – Eu sorri e concordei com a cabeça tocando sua mão na minha.

– Você também está incrível – Edward beijou minha mão e me encaminhou para o elevador.

Realmente não sei como Esme conseguiu, mas a mansão dos Cullen estava ainda mais magnífica, se é que isso era possível. Havia uma iluminação indireta especial que parecia fazer a casa pairar no ar acima da vegetação que contornava o lugar.

Ao entrar na propriedade, um longo tapete vermelho iluminado e decorado com grandes jarros contendo flores vermelhas e velas boiando, dava acesso ao lugar onde uma imensa cobertura transparente havia sido montada. E de lá pendia uma gigantesca luminária de cristal que dava uma luz difusa ao ambiente.

As mesas de 08 lugares com suas toalhas impecavelmente brancas eram iluminadas de baixo para cima e ornadas com jarros de prata com tulipas e outras pequenas flores vermelhas em sua mais linda floração.

Nos quatro cantos havia altas ornamentações florais vermelhas delimitando o centro de uma pista de dança. O palco contava com uma orquestra para 17 músicos, um maestro e quatro cantores que animariam a festa até altas horas. Um telão e um jogo de luzes dava ao ambiente um ar requintado e grandioso.

Um bar montado próximo à pista de dança contava com barman que, além de servir bebidas, criavam drinks na hora e animavam as pessoas. E vários garçons serviam os convidados com champagne o tempo todo.

Esme estava maravilhosa em um longo vestido verde esmeralda com decote em V e tecido fluido, parecia uma estátua grega de tão linda. Carlisle a seu lado era o homem mais orgulhoso do mundo.

– Mamãe, você está linda – Edward disse com seu sorriso torto o que a fez rir e beijar o filho – Papai. – Eles se abraçaram, depois Carlisle e Esme me abraçaram também.

– Bella, você me ajuda a recepcionar as pessoas? – Eu olhei para Esme um pouco assustada. – Afinal você é a namorada do fundador da instituição. – Só então me toquei de que o que ela dizia era verdade.

– O que eu devo fazer? – Perguntei um pouco alarmada.

– Nada amor... – Edward respondeu ao meu lado, em meu socorro. – Só fique comigo e será a anfitriã perfeita. – E ele olhou me seduzindo e precisei me lembrar de como se respira.

Em pouco tempo avistei meus pais que já circulavam pelo ambiente. Minha mãe usava um vestido justo azul da meia noite, e estava completamente encantada com tudo ao seu redor, assim com eu.

– Edward, Bella, que bom que chegaram. A festa será linda. – Ela nos abraçou e depois meu pai me beijou e apertou a mão de Edward. Ainda estava cedo e a maioria dos convidados não havia chegado. – Vocês já viram os objetos que serão leiloados? É tudo tão incrível.

– Você gostou de algo em particular Renée?

– Oh, não, não, não Edward. É tudo muito caro. – Edward apenas sorriu para ela enquanto meu pai e eu revirávamos os olhos.

– Esse ano os amigos dos meus pais foram especialmente generosos. Minha mãe se dedicou a montar um bom lote. – Eu me virei e vi Emmett chegando com Rose num vestido de um ombro só margenta, incrivelmente estonteante, juntamente com seus pais.

Depois de um tempo conversando com meus pais pedimos licença e continuamos circulando pela festa, até que Edward me deixou ao lado de Jasper e Alice que usava um vestido rendado de alças largas em tom safira, para falar com um grupo de médicos.

Eu passei a circular pela festa que estava cada vez mais animada e, nesse momento, conversava com Carmen, Eleazar, seu marido e Kate, a psiquiatra chefe da instituição, quando senti mãos carinhosas em minhas costas e, mesmo sem olhar, abri um sorriso sabendo quem era. Ao me virar o sorriso de Edward me atingiu em cheio.

– Queria te apresentar a uma pessoa... – Eu me virei na direção do homem moreno de cavanhaque ao seu lado. – Bella esse é Garrett, nosso amigo de longa data e que hoje fará um discurso para nós... – Eu estendi minha mão e sorri para o simpático homem que me olhava com um sorriso nos lábios. – Garret, minha Bella.

– Finalmente, homem... – Garrett disse olhando para Edward – Uma mulher te fisgou. – Ele começou a rir e me olhou – Bella é um prazer conhecê-la pessoalmente... Na verdade Carlisle já havia me falado muito bem de você...

– E... – Edward chamou a atenção de Garrett – Essa é Kate, ela trabalha na instituição...

– Kate... – E Garrett desviou toda sua atenção para ela, pegando em sua mão e beijando. Uma pessoa interessante, ele. Parecia estar se divertindo e era sincero em seus atos, falava com todos de forma descontraída e despretensiosa.

Parece que todos já haviam chegado. A festa estava animada, os músicos embalavam os convidados e o jantar seria servido a qualquer momento. Eu e Edward ocupamos nossos lugares ao lado de Carlisle, Esme, Jasper, Alice, meu pai e minha mãe. Em cima de cada um dos souplas havia uma pequena caixa de veludo vermelha e dentro dela um pequeno peso de papel em cristal com o logo da instituição. Um lembrete como dizia Esme, para que todos fossem bem generosos essa noite.

O Mistral, um dos melhores restaurantes de Boston ficou encarregado da cozinha e nos brindou com um delicioso Lombo grelhado com azeite Bordelaise e aspargos com salteado de batata, preparado pelo chef Jamie Mammano, e Torta quente de maçã crocante com sorvete de baunilha e calda de caramelo. Um verdadeiro manjar dos deuses regado a vinho tinto francês e branco italiano para a sobremesa.

– Vou lá... – Edward sussurrou em meu ouvido depois de pegar em minha mão e sorrir quando todos já haviam terminado suas refeições.

Era a hora do show. Ele se encaminhou para o palco, passando por Garret que estava acompanhado de Kate, dando-lhe um tapinha nas costas.

– Senhoras e Senhores... – ele chamou a atenção de todos, segurando firmemente o microfone - Obrigada pela participação de todos nessa noite. O assunto que os traz aqui não é dos mais fáceis e mesmo assim, vocês não se furtaram a ajudar nessa causa que precisa da nossa total atenção – Edward olhava para cada um dos presentes. – Muitas crianças sofrem em silêncio, amedrontadas, mas cada um de nós podemos fazer a diferença, seja combatendo ativamente, criando leis – Ele olhou na direção de um senador que estava presente – Contribuindo financeiramente, ou se fazendo presente doando seu tempo e atenção a instituições como a nossa que cuida de crianças que sofreram abusos. – Ele esperou um tempo para que todos assimilassem o que havia falado. – Mesmo que eu tenha criado essa instituição, com a ajuda dos meus pais, não me vejo como o orador que vocês precisam essa noite. Eu gostaria de convidar para nos dizer algumas palavras, um especialista, o Dr. Garrett Lee, Psiquiatra especializado em abuso sexual infantil. – Todos aplaudiram a saída de Edward.

Garrett subiu ao palco e seu jeito simpático e descontraído não parecia em nada com o especialista que Edward havia acabado de descrever.

– Boa noite – Ele sorriu. – Os Cullen me convidaram para que eu pudesse ajudar. E aqui estou. Não tenho a menor pretensão em ajudar as 03 milhões e 300 mil crianças do nosso país que precisam de ajuda, mas, se eu conseguir salvar uma já será maravilhoso. – Um burburinho desconfortável se fez ouvir, no momento em que Edward sentou-se ao meu lado, segurando minha mão na sua, em seu colo. – Sim, eu ainda não bebi o suficiente para errar o número e hoje especialmente, eu gostaria de poder ajudar os adultos que um dia em sua infância sofreram algum tipo de abuso sexual.

Eu senti nesse momento, pelo aperto da mão de Edward na minha, o quanto ele estava desconfortável com o que ouvia.

– Claro que todos nós sabemos sobre as estatísticas de gravidez, prostituição, crime e violência que acometem pessoas que foram abusadas, mas, quantos de nós sabemos sobre como sobrevivem esses homens e mulheres que um dia foram violentados?

Edward fechou a outra mão em punho e balançou discretamente a cabeça como se não pudesse acreditar no que Garrett havia acabado de falar. Eu podia sentir seu aperto um pouco mais forte em minha mão.

– Um adulto que pode ter tentado o suicídio, se cortado, queimado, adquirido alguma síndrome ou transtorno ao perceber que não podia confiar em quem deveria protegê-lo. Ter uma visão distorcida de si mesmo e do sexo, baixa-autoestima, ser agressivo e não se enquadrar sexualmente... – Garrett caminhava lentamente pelo palco olhando os convidados enquanto falava – Ou não ter nenhuma dessas coisas. Ser aparentemente normal, mas convivendo com a dor por algo que nunca deveria ter acontecido. Isso permanece para sempre, dentro dessas pessoas.

Eu olhava para Edward que parecia se encontrar em algum universo paralelo. Eu sabia que ele estava se vendo em muitos aspectos, sentindo a dor e o sofrimento descritos por Garrett, que nesse momento encarava meu namorado.

– Vidas mudadas para sempre, sombras e fantasmas que eles terão que aprender a conviver. E, cabe a cada um de nós aqui presente, fazer algo para que outros não precisem crescer dessa forma. – Ele parou olhando para os convidados. - Os Cullen criaram uma instituição, nós podemos ajudá-los. Quantos de nós estão dispostos a fazer sua parte nesse processo? - Garrett sorriu na direção de Esme. – Não tenham medo de contribuir da forma que for possível, seja com seu tempo, ação ou financeiramente, com certeza teremos grandes oportunidades ao longo da noite.

Sorrindo, Garrett terminou o seu discurso sendo aplaudido por todos, e vindo em direção a nossa mesa cumprimentando Carlisle, Esme e Edward. O mestre de cerimônias assumiu seu lugar no palco anunciando o inicio do leilão.

Basicamente, esse ano Esme decidiu leiloar objetos de arte, mesmo que tivesse um ou outro objeto pessoal. Tínhamos uma escultura de Venus em mármore negro, uma aquarela original do século XIX, um mapa antigo de Boston da época da Festa do Chá, a primeira edição autografada de Beautiful and Damned de F. Scott Fitzgerald, um jarro de cristal de edição limitada e numerada Lalique, um jogo de xadrez em ouro e prata, uma pequena gravura Romero Britto, uma caneta tinteiro Cronway em ouro e diamantes com edição numerada, um conjunto de brincos em platina e diamantes Verdura e um relógio em aço Vacheron Constantin Overseas.

Não sei se graças ao discurso do Garrett ou unicamente pela contribuição generosa dos participantes, mas a soma toda arrecadada na festa chegou a $ 1.020.000,00, o que segundo Esme foi um recorde e seria usado ao longo do ano para ajudar a melhorar o tratamento das crianças.

A festa transcorria animada. Depois do leilão a pista de dança foi aberta e os cantores agitavam ao som de jazz. Eu já havia dançado com Edward e meu pai e, nesse momento, estava nos braços de Emmett que parecia se divertir muito me rodopiando por todos os lados.

– Obrigada. – Eu o olhei sem entender depois que parei de ser chacoalhada. – Edward... Acho que ele passou esse tempo todo esperando por você, mesmo que não soubesse...

– Emmett...

– Eu disse que ele era o cara certo pra você, mas ninguém me ouviu, não é Bella?

– Como eu poderia saber? – E, antes que Emmett pudesse responder uma mão firme e branca tocou seu ombro fazendo-o parar e olhar em sua direção. Aro Volturi estava parado ao nosso lado com um sorriso largo no rosto.

– Bella, poderia ter a honra de uma dança? – Emmett me olhou com a sobrancelha levantada e eu consenti com a cabeça. – Obrigado.

Eu diria que Aro é um dançarino mais conservador que Emmett, seus movimentos são bem calculados, mas não me passa tanta segurança, já Emm, desliza pelo salão se divertindo. Mas claro que prefiro dançar com Edward, ele tem graça e elegância, assim como Carlisle. Ótimo, uma noite dançando e virei especialista, contudo, posso afirmar que qualquer um deles é melhor que o meu pai, ele me pisou duas vezes.

– Você está radiante, querida. – Sorri para ele, enquanto instintivamente procurava por Edward, e o vi dançando com a minha mãe e olhando em minha direção.

– Obrigada, Aro. Você também está elegante.

– E você não tira os olhos de Edward. – Eu o olhei surpresa sem saber o que dizer. – Parece que os Cullen são irresistíveis e absurdamente sortudos. - Eu praticamente parei olhando para ele.

– Desculpe Aro, não estou entendendo. – Ele riu condescendente.

– Eu já tive um dança assim, há muito tempo atrás. E, até hoje, me pergunto se a dama que estava em meus braços naquela ocasião é feliz – Ele voltou a me conduzir pelo salão. – Ela se afastou de mim, teve filhos e não sei se os sacrifícios que fez valeram a pena. Eu não queria o mesmo para você.

– E o que exatamente você quer Aro?

– Quero que encontre um homem que seja realmente honesto e sincero, que a ame e venere mais que tudo e que dê a você todas as alegrias que merece. E não um menino brincando de homem.

– Aro – Eu disse com toda paciência parando e olhando-o nos olhos – Eu já encontrei o homem dos meus sonhos...

– Encontrou? Você sonhou com tão pouco? – Eu parei abruptamente olhando-o irritada com o que havia dito. – Você sonhou com um homem com um passado tão sombrio que não consegue ficar muito tempo com mulher alguma, que o diga a Jessica... – Ok, ele tem minha total atenção, agora.

– Jessica? O que tem ela Aro? – Nós não estávamos mais dançando, apenas parados no meio do salão conversando.

– Você não acha estranho o que ela diz? Como ela descreve tão bem seu relacionamento intimo com o Edward. Desculpe-me Bella, mas se tiver que acreditar em alguém nessa historia eu acredito nela. Não no que ela fala agora, nesse momento, mas no passado. Eu acho que eles já tiveram algo e, pela sua reação, acredito que você não sabia de nada, não é? – Não tive tempo para responder pois senti a presença de Edward ao meu lado.

– Bella? – Eu me virei olhando-o nos olhos, realmente chateada. – Parece que você conseguiu deixá-la muito irritada, não foi Aro?

– Não comemore Edward. Nunca se deve comemorar por uma mulher estar menos do que radiante.

– Aro, faça- me um favor, se afasta da minha mulher – Ele falou quase bufando em cima do médico mais velho. Depois olhou para mim pegando em minha mão - Bella? – Por que os homens têm sempre a mania de se medir com o outro enquanto nós mulheres ficamos entre eles?

Aro ficou para trás, Edward pegou-me pela mãe e me levou pro lado oposto do salão. Eu estava irritada demais para perceber qualquer coisa nesse momento.

– Você quer me contar o que aconteceu?

– Eu é que pergunto Bella, o que aconteceu? Você estava sorrindo dançando com o Emmett e, de repente estava lá, parada no meio do salão discutindo com o Aro. – Eu não estava discutindo. Tá, ele estava falando e eu apenas ouvia, infelizmente. – O que ele disse que te deixou tão irritada? Eu juro que se ele a desrespeitou, eu...

– Ele falou sobre a Jessica. – Depois de um tempo parado olhando-me com a mão na cintura ele bufou e me abraçou, eu não correspondi, não sabia bem o que fazer. – Quero ir pra casa, por favor. – Se afastando de mim ele apenas acenou com a cabeça.

Despedimo-nos dos nossos pais, que não entenderam o porquê de sairmos tão rápido e antes do final da festa. Minha mãe tentou argumentar que ainda teríamos os fogos de artifício, mas nós prometendo nos encontrar no dia seguinte e fomos em direção a sua BMW, eu não diria que estávamos brigados, entretanto, o clima não era muito amigável nesse momento.

– Você quer me contar o que ele disse, por favor?

– Eu já falei, ele falou sobre a Jessica.

– Você só falou isso e eu quero saber exatamente o que ele disse. – Eu me virei ficando de frente para ele enquanto estávamos parados em um semáforo. Quando o sinal abriu eu contei o que Aro havia dito.

– Primeiro, meu pai me contou que a minha mãe já havia namorado com ele. – Eu o olhava enquanto ele me contava a historia e pelo seu tom de voz eu podia perceber que também estava irritado. – Eles dois eram colegas de universidade e, quando papai conheceu minha mãe ela não resistiu, deixou o Aro e se casaram. – Parte da conversa solucionada.

Eu continuava olhando para Edward que apenas dirigia o carro.

– Segundo, tirando o fato de que nunca brinquei com você, não sei o que mais posso dizer para que acredite que eu nunca tive nada com a Jessica. Eu. Nunca. Estive. Com. Ela. Nunca fodi com ela. – A voz sexy como o inferno que me fazia tremer, me mostrou o quanto ele estava irritado. – Se existe alguém para quem eu disse toda a verdade a meu respeito, esse alguém é você. Eu sempre fui completamente honesto com você, Bella. – Ele tem razão. Agora estou pior, com ainda mais raiva, mas, não dele ou de qualquer outro, mas de mim, por ter me deixado contaminar pelas palavras do Aro.

– Edward... – Eu disse e toquei sua mão, ele não se afastou mas nunca o senti tão frio – Desculpe... É... Que...

– É difícil acreditar que a Jessica fantasiou? Claro, uma a mais uma a menos na minha conta não vai fazer a menor diferença, não é? O único problema é que eu nunca quis outra mulher que não você Bella.

As lágrimas caíram em meus olhos e me lembrei de todas as vezes que ele disse isso. E de toda a sinceridade que eu sinto quando ele diz. Idiota, por que fui reagir dessa forma, criando um cavalo de batalha e explodindo em cima dele, como se duvidasse dos seus sentimentos?

– Não é assim...

– E como é?

– Eu amo você Edward...

– Eu sei Bella. Não estou duvidando. Eu também te amo, mas, pelo amor de Deus... – ele entrou na garagem e saiu rapidamente, dando a volta no carro e abrindo a porta para mim. O elevador estava à nossa espera eu entrei e ele apenas apertou o andar e se afastou. – Vá pra casa, eu já vou. – Eu fiquei ali, vendo as portas se fecharem e ele do outro lado, sem entender nada.

Cheguei em casa chorando, como a nossa noite de incrível passou a trágica? Ah sim, Aro Volturi, passou em nosso caminho. Eu juro que estou concordando com o que Edward sempre disse. Ele não é de confiança. Se bem que, a primeira impressão que tive dele foi exatamente essa, ele não é um homem em quem devemos confiar. Parece amargurado por ter sido preterido por Esme, até hoje. Tomara que não resolva rivalizar com o Edward ou o próprio Carlisle nessa altura dos acontecimentos. Não faltava mais nada pra gente.

Fui para o banheiro, tomei um banho, sequei minhas lágrimas o melhor que pude, depois peguei uma camiseta de Edward no closet e senti seu cheiro. Me lembrei do que ele me disse uma vez, sobre dormir ao lado da minha camisola quando nos separamos, e as lágrimas se acumularam em meus olhos. Me vesti e me arrastei para nossa imensa cama.

As cortinas estavam fechadas, acho que cochilei um pouco e acordei com um barulho no quarto. Abrindo os olhos e encarando o despertador vendo que passavam das quatro da manhã. Eu demorei tanto tempo para dormir rolando de um lado para o outro na cama e apenas fechei os olhos por meia hora.

Edward deitou-se timidamente ao meu lado e eu me virei em sua direção abraçando-o, sentindo ele me puxar ainda mais para seu peito nu, me apertando em seus braços.

– A cama estava muito fria sem você.

– Meu coração estava frio sem você, bebê. – Eu o olhei e ele me beijou carinhosamente. – Me perdoa?

– Me perdoa você? – Ele apenas sorriu e me beijou novamente.

– Edward, eu acredito, eu juro que acredito em você. – Ele sorriu mais uma vez e senti sua mão percorrer minhas costas.

– Eu sei Bella. Eu amo tanto você. – Eu sorri me deitando mais em cima dele.

– Basicamente... – Eu disse de forma sedutora enquanto beijava seu pescoço e passava minha mão por seu peito – Nós brigamos... Por que nos amamos?

– Hum... Acho que brigamos... Bella... Por que... Hum... Um idiota... Se meteu com a minha mulher... – E eu já o estava atacando, beijando todo o seu peito e massageando seu pau por cima da boxer preta que ele usava.

Nos amamos até o dia amanhecer então eu adormeci plenamente feliz nos braços de Edward e ele nos meus.

SPOILER

– Hum... – Ele sorriu e eu voltei a fechar meus olhos querendo voltar a dormir. – Não... Edward... Me deixa dormir... – Mas ele riu ainda mais e suas mãos passearam pelo meu corpo demonstravam claramente que sua intenção era tudo menos que eu dormisse. – Ainda é cedo...

– Não é não, são 13:43, está na hora de acordar, minha Bella adormecida.

– Mais um pouco... Por favor.

– Eu quero te pedir uma coisa, amor. – Edward não parou de me beijar e reclamar minha atenção.

– Eu concordo... – Eu disse depois de suspirar e me virar tentando voltar a dormir.

– Serio que você aceita? Assim tão fácil? Não vou nem ter que implorar? – O que será que ele quer?

– Edward, se é sexo, eu juro que quando acordar eu pulo em cima de você e resolvemos isso, mas por hora, amor, me deixa dormir. Eu vou estar mais animada daqui a pouco. Agora seja bonzinho, por favor.