CIÚME, SIM!

Alguns dias se passaram e Hermione estava com pouco mais de um mês de gravidez, e uma pequena saliência em sua barriga era vista.

Além do brilho que era visto em seus olhos, Hermione trabalhava sua mente constantemente para se manter firme e esperançosa. Mas, para o seu desgosto, esse trabalho às vezes era um tanto difícil. Motivo? A falta de Rony.

Os momentos com o ruivo eram cada vez mais curtos, viam-se apenas na parte da manhã e quando se encontravam no Ministério. A maior parte dos dias da semana Rony chegava tarde, e ela, com suas noites de sono mais alongadas, já se encontrava adormecida.

Rony se martirizava por não poder estar ao seu lado à maior parte do tempo. Chegava em casa e a via num sono profundo, com um livro caído ao lado, ou a televisão ligada, o que ele imaginava, à sua espera.

Ansiava por beijá-la, abraçá-la, mas não queria acordá-la e se segurava ao máximo. Esperava o dia amanhecer, e assim, matava parte da saudade, aproveitando cada segundo antes de irem trabalhar.

O final de semana era o único tempo em que ficavam juntos, e podiam curtir cada minuto.

Era uma sexta-feira à noite. Rony estava na sala de reunião ao lado de Harry, entre os outros participantes.

Sua mente estava longe, seu corpo cansado, louco para ir para casa.

-Isso está mais complicado que pensei! –Rony exclamou se jogando na cadeira na sua sala, após a reunião.

-Nem fala. –Harry falou igualmente cansado. –Esse caso será longo, muito longo!

Harry e Rony ainda ficaram durante mais trinta minutos no Ministério, e logo depois foram embora.

Rony aparatou numa rua perto de sua casa, pois agora a casa vizinha, antes vazia, fora habitada, e Rony não queria chamar atenção para seu lado mágico.

Pegou as chaves e abriu a porta. Soltou um longo bocejo, estava sonolento.

Assim que fechou a porta atrás de si e virou o corpo, seus olhos se arregalaram.

-Herm-on-nini, focê errr especial - Krum falou dando um último abraço apertado em Hermione e beijando sua face.

Rony ficou rubro. Suas chaves foram de encontro ao chão, e seus punhos se fecharam com força com os lábios apertados.

Krum e Hermione se assustaram e olharam em sua direção.

Por um momento Rony ficou calado sem saber o que dizer. Mas não foi preciso fazer muito esforço para pensar em algo. Seu instinto fora mais rápido.

-Posso saber o que ele está fazendo na minha casa, na minha sala e abraçado com você, Hermione?- Rony perguntou sem disfarçar seu descontentamento, num tom de voz rude.

-Eu... –Krum tentou pronunciar, mas Rony o cortou.

-Você, calado! –falou apontando-lhe o dedo e os olhos faiscando.

-Rony! –Hermione exclamou repreendendo-o.

-Não vou ficar calado enquanto vejo ele te agarrar na minha casa! –elevou o tom de voz.

-Ele não estava me agarrando! –exclamou estupefata.

-Imagina! –debochou. –Nem um pouco! Agora eu sou o idiota!

-Realmente você é um idiota! –Hermione retrucou raivosa, sem pensar.

-ÓTIMO! –gritou, caminhando até a porta. Virou e deu uma última olhada para os dois. Viu o olhar assassino de Hermione, mas não se importou. –Fique com ele, então! –falou por último e saiu batendo a porta logo em seguida.

Hermione arregalou os olhos sem acreditar no que estava acontecendo.

-RONALD! –gritou sem sucesso e bufou. Rony já saira.

-Desculpe-me, Hermio-ni-ni. No querrria te causar porremas.

-Está tudo bem, Victor.

Krum se desculpou mais uma vez prometendo a Hermione, para o seu desespero, voltar quando as coisas estiverem mais calmas. Aparatou da sala mesmo, deixando Hermione só.

Assim que Rony saiu pela porta, sentiu algo trombar com seu corpo, quase o levando ao chão, porém conseguiu se equilibrar.

-AI! –falou uma voz suave.

Rony olhou para o chão, e ali caída, estava uma morena.

( N/A: foto da vizinha: ./Main#?uid=14357753822625427650&pid=1247621103720&aid=1 )

-Me desculpe... - Rony falou oferecendo-lhe a mão. -... eu não a vi. Mil desculpas! –ajudou-a a se levantar.

-Não foi nada. –falou ela com um sorriso. –Afinal, eu quem estava no seu caminho.

-Você está bem? –Rony perguntou com uma mão em suas costas e outra em seu braço.

-Oh, sim! Claro, não foi nada! –falou um pouco envergonhada, ao perceber a beleza do ruivo. –Eu... eu... –gaguejou e raspou a garganta. –Eu sou nova, me mudei recentemente para a casa da frente.

-Ahhh, sim! Agora somos vizinhos. –Rony sorriu simpático.

-Sim. –falou e ficou a mirá-lo.

Rony, na curiosidade de saber se Krum ainda estava na sala, deu uma olhada na janela, mas não o viu.

A morena, depois de ficar admirada com a beleza de Rony e seu jeito cuidadoso, acordou de seu devaneio.

-Sei que é um pouco tarde... –começou a falar chamando a atenção de Rony. -...mas preciso de uma lâmpada, a minha queimou. Vi a luz da sua casa acesa e resolvi vir até aqui. –falou tímida.

-Não tem problema. –Rony lhe sorriu. –Bem-vinda ao bairro. Acho que tenho uma "lampida", quero dizer... –refletiu. – uma lâmpada sobrando. É só uma de que precisa?

-Sim. Depois eu lhe trago outra.

-Não se preocupe. Eu já volto.

Assim que entrou novamente pela porta, Rony sentiu a raiva o envolver.


Hermione sentiu-se desanimada pela situação. Victor viera lhe visitar de surpresa, pegando-a desprevenida.

A visita fora rápida, e Hermione achou bom o fato de Rony não estar em casa. Porém, iria lhe contar quando chegasse. Não tinha o que esconder. Mas todo o controle fugira de suas mãos e agora o destino fez com que Rony entendesse tudo errado.

Olhou pela janela, na esperança de vê-lo e seus olhos se arregalaram. Rony estava abraçado com a vizinha! A nova vizinha!

Hermione a vira na noite passada. Pele branca, cabelos ondulados e longos, corpo escultural e olhos verdes misteriosos.

O que Rony está fazendo abraçado a ela? – pensou sentindoo ciúme aflorar.

Seus olhos se desviaram da janela e respirou fundo três vezes. Antes que desse o primeiro passo em direção a porta, Rony entrou por ela, com a face nada diferente de quando saira.

Os dois se olharam e por um momento não disseram nada.

-Será que podemos conversar? –Hermione se esforçou para falar, parando Rony que dera alguns passos.

Rony se virou para olhá-la.

-Por que você não chama o Vitinho para conversar, beijar, abraçar? Não precisava interromper o momento por eu ter chegado! –falou com a face vermelha.

-Victor veio me visitar! Eu não sabia que ele viria! –tentou explicar.

-Ótimo! Surpresa sempre torna as coisas mais prazerosas! Chame ele de volta, talvez seja melhor.

-Você está com um ciúme bobo! –exclamou elevando a voz. –Está sendo idiota!

-Idiota que você se casou! –retrucou deixando Hermione sem fala.

-E o que você estava fazendo abraçado com aquela vizinha lá fora? Já foi retribuir na mesma moeda? –perguntou sem se conter.

Rony crispou os lábios. Não era mais um garotinho!

-Eu não fui descontar nada! Eu trombei com ela e a ajudei a se levantar. Ao contrário de você que ficou se agarrando com aquele... –não completou. Suas veias latejavam. E antes que Hermione falasse mais alguma coisa, saiu da sala. Pegou a lâmpada e retornou caminhando em direção a porta.

-Aonde você vai? –Hermione perguntou.

-Não sei. –respondeu seco sem olhá-la e bateu a porta.

Hermione parou estática, sem saber o que fazer.

Rony falou por breves momentos, com Allie, esse é o nome da vizinha que se encantara com o ruivo, e aparatou no meio da escuridão em seguida.

-Rony! O que faz aqui a essa hora da noite? –perguntou Molly, vendo o filho entrar pela porta da cozinha da Toca.

-Nada. –falou baixo com a feição raivosa.

-Já sei... brigou com Hermione. –falou com um sorriso.

Rony a olhou, os olhos faiscando de raiva, sem querer render muito assunto e Molly riu.

-Posso passar a noite aqui? –perguntou envergonhado apesar da raiva.

-Vai deixar Hermione sozinha? –questionou sua mãe.

-Vou. –afirmou sem pensar muito.

-É claro que você pode ficar o tempo que quiser. Essa casa ainda é sua.

-Obrigada, mamãe. –tentou sorrir. – Papai está em casa?

-Está no banho. Você já jantou?

-Não.

-Sente-se, então. Seu pai já vem.

Assim que Rony se jogou na cadeira, escutou um barulho vindo da sala e se levantou, com seu reflexo de auror, com varinha em punho, e seguiu para a sala, rapidamente, seguido de Molly.

A respiração de Rony parou. Seus olhos se arregalaram. Como ela sabia que estaria na Toca?

Obvio! –pensou Rony.

-Desculpe invadir sua casa, Molly. –Hermione falou terminando de limpar suas roupas, um tanto pálida.

-Não tem problema algum, querida. –falou atenta a palidez da nora.

-O que... –antes que Rony pudesse terminar sua pergunta, Hermione se curvou num vaso vazio, ao lado, e vomitou.

Uma ruga de preocupação se instalou em Rony.

Ela não devia ter usado a lareira - pensou preocupado.

Hermione se levantou e recebeu um lenço de Molly. Estava pálida e fraca.

-Me desculpe, Molly. –falou muito envergonhada.

-Não se preocupe. Venha, você precisa se sentar. Você está pálida.

Hermione sentou-se e olhou para Rony que desviou o olhar.

-Você não devia ter usado a lareira. –Rony se viu pronunciar sem que percebesse.

-E você não devia ser tão imaturo e me escutar! –falou raivosa.

-Talvez, então, você seja muito madura para mim!

Hermione sentiu uma raiva intensa a dominar, levantou-se rapidamente sentindo a tontura a tomar, porém, não se importou, caminhou a passos largos até Rony, se jogando para cima dele e começou a socá-lo no peito.

Rony agarrou-lhe os pulsos, deixando-a respirando pesadamente pelo esforço.

-É o máximo que consegue fazer? –perguntou cínico.

Hermione fechou os olhos tentando conter a raiva. Logo em seguida abriu-os e um sorriso de canto se formou em seus lábios.

-Não. –falou erguendo uma das pernas dando uma joelhada na parte sensível de Rony.

Ele arregalou os olhos e soltou-a. Suas mãos cobriram o sexo latejante e dolorido. Seus joelhos se dobraram e Rony foi de encontro ao chão, gemendo de dor.

Hermione, por um momento, sentiu-se vitoriosa, mas logo depois percebeu que exagerara.

-Rony... –chamou baixinho. Ajoelhou ao seu lado e viu as lágrimas nos olhos azuis do ruivo.

Molly que ainda estava na sala, apenas olhava os dois e não falava nada.

-Não...encoste...em...mim... –Rony falou com dificuldade.

Hermione emburrou e se levantou.

-Você pediu isso.

-Creio que com o Vitinho você não seja tão "carinhosa" assim! –falou sarcástico, tentando se levantar.

-Por que você não para com esse ciúme bobo? –perguntou num tom de voz triste, o que Rony não percebeu.

-Ciúme bobo? –perguntou incrédulo. –Ele estava te agarrando!

-Você é inacreditável, Rony!

-É bom saber disso.

Hermione sentiu uma tontura a tomar e respirou fundo de olhos fechados tentando controlá-la.

Decidiu por não discutir mais, e insistir na tentativa de fazer Rony entender. Seu corpo mole pedia por alguma coisa para deitar. Precisava ir embora.

Abriu os olhos e mirou Molly, que a olhava preocupada. Sentiu a vergonha bater por ter discutido na frente da sogra.

-Desculpe, Molly... Eu realmente...

-Não se preocupe, Hermione. –sorriu. –Você precisa descansar. Não está bem.

-Sim, eu já vou indo. Novamente me perdoe por tudo. –Hermione abraçou a sogra e aparatou sem falar nada com Rony. Outra viagem de lareira não daria certo.

-Ela não devia aparatar sozinha. –Rony choramingou mediante a dor.

-Você é o marido dela, devia ter a acompanhado. –Molly retrucou.

Rony fechou a cara e mudou de assunto.

-Mamãe, eu vou ficar impotente! –choramingou.

-Ronald, isso é coisa que se diga?!

-Mas, mãe! Isso dói, sabia?

-Eu vou buscar gelo e logo melhora.

-Isso porque a senhora não tem. –resmungou baixinho.

-Falou alguma coisa, Ronald? –perguntou Molly segurando o riso.

-Não. –respondeu emburrado.

Rony subiu as escadas com dificuldade. Tirou a calça e vestiu apenas uma samba canção. Puxou a barra da mesma e olhou para dentro, analisando o estrago.

-Você vai continuara vivo, não vai? –falou dramático.

Rony pegou o saquinho com gelo, que sua mãe lhe dera, e colocou sobre o sexo, sentindo um alivio. Enquanto a dor se ia, Rony refletia.

Hermione não estava nada bem. E agora, raciocinando, Rony sentiu-se um monstro por deixá-la sozinha.

Mas ela estava lá, nos braços do Krum! Aquele imbecil! –pensou revoltado.

Sentindo o estômago roncar, e a dor ter diminuído bastante, Rony vestiu-se e desceu para jantar com os pais.

Durante o jantar, Molly o olhava questionadora, intimidando Rony. Seu pai ao contrário, tinha um ar de riso contido.

Após o jantar e de conversar um pouco com os pais, Rony retornou ao seu antigo quarto e tentou pegar no sono, mas era impossível. Pensava em Hermione sozinha, grávida...

Praguejando, Rony se levantou de um salto e aparatou.


Hermione chegou em casa indo direto sentar-se no sofá, precisando de um apoio. Chamou Tayla pedindo um copo d'água e fechou os olhos recostando a cabeça no sofá, pensativa. Estava só.

Aquele mal estar, pensava ela, tinha algo a ver com todo aquele acontecimento. Até o momento em que Krum chegara para visitá-la, estava ótima. E agora, parecia ter tomado uma caixa de uísque de fogo e estava de ressaca. Seu estômago embrulhando, sua cabeça rodando.

Abriu os olhos e olhou ao redor. As lágrimas desceram sem tentar impedi-las. Levantou-se e seguiu para o quarto.

Por que Rony tinha que ser tão difícil às vezes? Por que Krum tinha que aparecer do nada? –Hermione pensava enquanto trocava de roupa. Abraçou a barriga de forma carinhosa e sorriu fraco.

Era nesses momentos que um buraco e o medo se instalavam em seu peito.

Na esperança de conseguir dormir, deitou-se abraçada ao travesseiro do ruivo, sentindo seu cheiro másculo e natural. As lágrimas não cessaram até que caísse no sono.


Rony viu a escuridão dominar.

-Lumus! –exclamou com a varinha em punho.

Subiu as escadas e abriu a porta do quarto sem fazer barulho. Lá estava ela, encolhida na cama. Seu coração apertou. Caminhou até ela e deitou-se ao seu lado, tentando ao máximo não acordá-la.

Rony tirou as mechas de seus cabelos que estavam em seu rosto e alisou-o vendo as marcas das lágrimas.

Pelo menos não está tão pálida. –pensou um pouco mais aliviado.

Logo, observando-a no sono profundo, os pensamentos de Rony foram direcionados a momentos atrás, e o ciúme o transformou novamente. Levantou-se, ainda muito confuso, e aparatou em seu quarto na Toca.

Hermione acordou assustada no momento em que Rony aparatara. Ascendeu o abajur ao lado e não viu nada. Podia jurar sentir as mãos de Rony em seu rosto. Mas, pelo jeito, fora apenas um sonho. A partir daquele momento o sono fora interrompido, fazendo-a passar a noite em claros.

O dia amanheceu e Hermione estava cansada e abatida. Acreditando que o trabalho iria lhe distrair, tomou um rápido café, pela insistência de Tayla, e seguiu mais cedo para o trabalho.

Rony acordou com os músculos tensos. Tinha certeza que o primeiro que o tirasse do sério, escutariam coisas que não queriam.

Desceu as escadas a passos duros, encontrando sua mãe na cozinha.

-Bom dia. –cumprimentou mal-humorado.

-Fazer essa cara não vai adiantar nada. –falou sua mãe mexendo nas panelas.

-Mamãe, por favor, não começa. –falou agora num tom cansado e desanimado.

Molly olhou para o filho e sentiu seu peito apertado por vê-lo assim.

-Já vou indo, ainda tenho que passar em casa e trocar de roupa. –continuou falando.

-Não vai tomar café?

-Estou sem fome. –falou abraçando a mãe.

Molly não questionou. Despediu-se do filho e viu-o se ir.

Rony esperava encontrar Hermione em casa, mas de acordo com Tayla, ela saira mais cedo.

-Eu só queria saber se ela estava bem. –falou como desculpa para a elfa.

Hermione ainda tentou contato com Rony em sua sala, mas não havia ninguém presente, nem mesmo Harry.

Como se seu organismo reagisse a essa falta de Rony, todo o café e almoço, ingeridos com esforços pela morena, foram embora. Respirou fundo e saiu do banheiro. Seguiu para casa.

Ao chegar, tomou um banho e deitou-se para descansar. Logo Tayla lhe trouxe um lanche, que Hermione agradeceu por seu estômago não rejeitar.

Aproximadamente uma hora depois Rony entrou pela porta do quarto, sobressaltando Hermione.

Os dois se olharam, mas não disseram uma única palavra.

Rony ainda tentou superar seu orgulho e dizer algo, mas não conseguiu. Seguiu para o banheiro desviando o olhar.

Ela estava esperançosa por uma conversa, mas desviou o olhar quando o viu caminhar até o banheiro. Resolveu por deitar-se de lado, engolindo as lágrimas, para que assim, não o visse quando saísse do banheiro.

Para o desespero da morena, seu estômago revirou, e a ânsia a tomou.

-Saco! –falou baixinho consigo mesma.

Vou ligar para o Dr Aristides, esses enjoos estão piores. –pensou a morena.

Assim que viu Rony sair do banheiro, correu até o mesmo e fechou a porta em seguida, deixando o lanche se ir.

Rony a olhou preocupado, parado no mesmo lugar.

-Você devia tomar o chá que sua mãe falou que é bom. Ela disse que ajuda nos enjoos. –Rony comentou como se não estivesse tão interessado.

-Não vou tomar nada! –Hermione exclamou teimosa apenas para contradizê-lo. Porém, sabia que era melhor seguir seu conselho.

-Prefere ficar zonza, fraca e vomitando toda hora? –perguntou descrente.

-Prefiro. –falou firme sem olhá-lo e deitando-se novamente.

-Você devia deixar de ser tão teimosa às vezes.

-E você devia deixar de acreditar em coisas que não existem! –exclamou chorosa, sentindo as lágrimas embaçarem seus olhos. Mal acabara de falar e levantou-se saindo pela porta batendo-a em seguida.

Rony ficou a mirar a porta sem saber o que fazer. Por um tempo ficou estático no mesmo lugar. Depois se deitou ficando a espera de Hermione, porém, ela não apareceu.

No dia seguinte Rony ainda estava com seu mau-humor irritante. E quem aguentava o ruivo era Harry e Alana.

-Mas que droga, Rony! –exclamou a loira cansada de presenciar os ataques de raiva e

depressão do ruivo. –Será que dá para tirar essa cara amarrada? Isso para não falar outra coisa!

-Não. –respondeu seco.

-Não sei por que você se sente tão ameaçado por esse Krum.

-Eu não me sinto ameaçado! –retrucou mentindo para si mesmo.

-Imagina! –debochou. –Fica ai morrendo de ciúme à toa.

-Normal, Alana. Desde que Krum e Hermione tiveram um casinho, Rony o despreza. –comentou Harry.

-Ele nem é bonito, sabe... –falou a loira. –Mas talvez Hermione não ache isso. –falou apenas para irritar Rony.

-Bom, alguma coisa de bom ele tinha que ter para Hermione ter tido um caso com ele. –Harry falou entrando no jogo de Alana.

-Será que dá para vocês dois pararem? –Rony perguntou irritado.

-Eu se fosse você ficaria esperto, Rony. Ao invés de ficar fazendo ceninha de ciúme deveria estar ao lado de Hermione. Vocês precisam estar juntos nesse momento. –falou abandonando o tom brincalhão e adotando o tom sério.

-Eu concordo com ela, você sabe. –falou Harry. –E sabe também que Hermione ama você.

-Obrigada. –Rony falou ríspido, cansado de ouvir e saiu da sala.

-Deixe ele. Aposto que quando chegar em casa os dois vão fazer as pazes. –Harry falou aos risos.

-Se depois de tudo o que aconteceu eles ainda estão juntos, o mundo pode cair, que eles vão continuar.

-Isso com certeza!

Rony saiu raivoso da sala. Porque a verdade às vezes dói?

Mais tarde, quando chegou em casa, encontrou Hermione sentada no sofá. Ela apenas o olhou por breves momentos e baixou o olhar tristonho, para o livro em suas mãos.

Ele, ainda emburrado, foi direto para o quarto. Tirou as roupas com certa violência como se descontasse a raiva de si mesmo em cada peça. Tomou um banho rápido sem muita paciência, vestiu apenas uma calça larga ficando sem camisa e deitou-se na cama.

Hermione entrou pela porta com seu olhar vazio. Abriu a porta do guarda-roupa e começou a se trocar sobre o olhar de Rony. Quando a saliência em sua barriga entrou em foco o ruivo sorriu, mas logo o sorriso saiu de foco e se levantou de um salto.

-OK, OK! –falou andando de um lado para o outro.

Hermione deu um pulo de susto e olhou em sua direção com a blusa do pijama ainda em suas mãos.

-Quer saber? –parou e olhou diretamente para Hermione. –EU ASSUMO! ASSUMO! –falou erguendo os braços. –Tenho ciúme mesmo! Ciúme de você com aquele búlgaro nojento! –passou a mão pelos cabelos num misto de nervosismo e timidez.

Hermione continuou estática e olhos arregalados.

-Morro de ciúme de cada letra que você escreve em uma carta para ele! –continuou falando. –Simplesmente não aceito te ver com ele. É como se a qualquer momento... –suspirou. –eu fosse te perder pra ele. – seus músculos tensos relaxaram.

Rony se calou por um momento e baixou o olhar a espera que Hermione falasse algo. Mas ela continuava em silêncio. Olhou e a viu na mesma posição.

-Desculpa. –voltou a falar num tom de voz baixo. –Desculpa por ter brigado com você, por ter lhe deixado sozinha. Mas esse búlgaro... –fez uma careta. –... foi marcado por mim, marcado como o meu rival.

Hermione engoliu em seco percebendo a intensidade do sentimento que vive em Rony.

-Você não tem que se sentir ameaçado por ele. Victor agora é casado. E eu estou com você. –Hermione falou de repente, chamando a atenção de Rony.

-Não importa se ele é casado, solteiro, se gosta de homem... para mim ele sempre será uma ameaça! Ele só espera o momento de dar o bote. –parou e respirou fundo.

-Mas não se preocupe, eu não vou te sufocar com o meu ciúme. Tenho ciúme de todos que te olham e te desejam, mas foi o búlgaro que lhe deu o primeiro beijo. Foi ele o primeiro a ter o direito de sentir sua pele num carinho, sentir seus lábios... Sei que ciúme não é demonstração de amor, mas eu te amo e, possessivamente, você é minha! Sou egoísta, não divido você! –Rony falou tudo muito rápido, deixando Hermione atenta a sua fala. Terminou de falar e suspirou aliviado.

Desviou o olhar e silenciou-se. De repente dois braços o rodearam num forte abraço. Automaticamente suas mãos pousaram nos cabelos e costas de Hermione a puxando para si.

-Eu não sabia que ele viria. Tentei dar alguma desculpa, mas não deu... –falou contra seu peito. –Mas eu juro, juro que entre eu e ele não tem anda além da amizade a distância. Você não tem que se sentir ameaçado por ele. É você que eu amo.

-Eu não sou perfeito, tenho meus defeitos e o ciúme é um deles, principalmente do Krum. Mas eu vou tentar me controlar. –falou com um sorriso fazendo Hermione rir.

- Eu sei que você não gosta dele, mas não sabia que era tão intenso.

-Ele fez tudo o que eu devia ter feito e não fiz. Eu me martirizo por isso até hoje.

-Então não se martirize mais. Não tem por que. Se tudo aconteceu dessa forma é porque tinha que ser.

-O importante é que hoje eu tenho você e ele não! –exclamou apertando Hermione em seus braços.

-Rony! –exclamou rindo. - Sabe, eu também sou egoísta em certo ponto, não divido você.

-Estamos quites então. –sorriu e recebeu um beijo apaixonado de Hermione.

-Sonhei com você ontem à noite. Parecia tão real.

-Era real. Eu vim lhe ver.

-Ficou com medo de eu fazer as malas e ir embora? –brincou.

-Não. Acho que foi saudade e preocupação mesmo. –riu. -Me senti um monstro por ter te deixado sozinha e sentindo-se mal. –falou sério.

-Não se preocupe, eu estou bem agora. Acho que tudo foi reflexo da briga.

-Por esse motivo me sinto pior ainda.

-Não se sinta, por favor.

-Certo. Agora já passou. Apenas quero te ver bem.

Hermione sorriu. Rony pegou a blusa de Hermione que caira no chão e vestiu-a na mesma.

-Prontinha para dormir!

-Dormir? –perguntou alarmada.

-Ahhh, a mocinha não se esqueceu da baita joelha que me deu de presente? –perguntou debochado. Hermione se envergonhou.

-Me desculpe, eu não queria ter feito aquilo.

-Dessa vez eu perdoo. Mas doeu viu! Foi maldade, Mione! Você correu o risco de ficar sem pra sempre!

-Que exagero, Rony!

-Exagero nada. Você que não viu o estado dele! E agora como castigo nada de fazer uso do meu amigo aqui, ele está em greve.

-Greve?

-Isso mesmo. Ele ainda está se recuperando.

-Fala sério, Rony! Ele já está ótimo, quer ver? –falou fazendo menção de tocar Rony em sua parte intima.

-Não toque ai mocinha! –falou detendo sua mão.

-Que foi? Está com medo? –perguntou marota.

-Pior que estou! O meu amigo ainda está sensível!

-Aff... Você é tão exagerado! –falou soltando um bocejo.

-Está vendo? Se começássemos algo, ele ficaria chateado novamente. Você já está praticamente dormindo em pé!

Hermione riu e o puxou caindo os dois na cama.

-Você me ama? –Hermione perguntou aconchegando-se em se peito.

-Muito. E você me ama?

-Demais. –deu um beijo no peito de Rony e adormeceu deixando o ruivo aos risos.

No dia seguinte Rony trabalhou com uma animação fora do normal.

-Não falei que eles iam fazer as pazes? –comentou Harry com Alana que riu.

Rony foi o primeiro a chegar em casa do trabalho. Seus lábios tinham um sorriso malicioso e a animação era a mesma de todo o dia.

Hermione olhou no relógio, faltavam apenas vinte minutos para ir para casa, não via a hora. Seu organismo agora estava ótimo em comparação aos dias anteriores

Impaciente, arrumou suas coisas e saiu da sala. Despediu-se de Sarah e se foi.

Chegou à rua de sua casa, e estacionou o carro na garagem. Olhou a frente e lá estava a vizinha na janela. Parecia morar sozinha. Hermione não vira nenhum outro habitante na casa a não ser ela. E esse fato a incomodou.

Desviando sua atenção, caminhou até a porta e abriu-a. Estranhou, tudo estava escuro.

Logo duas mãos a surpreendeu por trás e luzes diferentes se ascenderam.

-Uma forma de me redimir. –falou uma voz baixa e sexy em seu ouvido fazendo todo seu corpo tremer.