Olá.

Tenho duas notícias para vocês, uma boa e outra ruim. Como eu acho que é melhor arrancar o band aid de uma vez só para doer menos, vou começar pela ruim.

Lulu está em semana de provas, portanto, é provável que o próximo capítulo atrase um pouquinho. Mas prometemos que é só um pouquinho mesmo.

A notícia boa é que vão acontecer algumas coisas que vão fazer alguns (acho que muitos XD) de vocês soltarem fogos de artifício, algo que estão esperando desde...hum...bem, esperando faz um tempão.

Então, divirtam-se com o capítulo.

Beijos,

Ana


Capítulo 26 - Um Passo para frente ou dois para trás?


Pancadas quase violentas podiam ser escutadas na porta de entrada da casa dos Lupin, a ponto de a mais velha das gêmeas se perguntar se o próprio "Lobo Mau" não estaria na entrada, confundindo-a com a residência dos Três Porquinhos.

A loirinha olhou pela fresta da cortina da janela, vendo uma moça de longos cabelos negros caindo displicentes sobre os ombros. Surpreendentemente, Leda não estranhou o fato de Nymphadora Tonks estar parada nos degraus da entrada com uma expressão verdadeiramente irritada. A moça imaginou que aquilo aconteceria mais cedo ou mais tarde desde que o pai comunicara a ela e à Ariadne sobre o desligamento dele da Scotland Yard.

-Olá, Leda - a americana cumprimentou assim que a moça abriu a porta. Essa era uma coisa na detetive que sempre deixava Leda impressionada. Tonks nunca confundira as gêmeas - Preciso falar com seu pai.

-Ele está na sala de estar - ela respondeu, dando passagem ao furacão vivo que a detetive parecia ter se tornado.

Tonks seguiu a passos pesados e determinados em direção ao caminho que Leda lhe indicara, enquanto a moça lhe seguia pelos calcanhares, só se separando da mulher quando estavam na porta do cômodo.

Enquanto Nymphadora entrava sala adentro, Leda praticamente desaparecia pela porta ao lado, que dava acesso à cozinha da casa.

Ariadne, que estava sentada à mesa, lendo compenetradamente um livro, levantou a cabeça ao notar a chegada da irmã, que silenciosa e freneticamente dirigiu-se até o armário, pegando um copo de vidro, encostando-o na parede, e depois pousando o ouvido no fundo dele.

-O que está fazendo? - Aria perguntou, imaginado se a irmã não enlouquecera de vez.

-Shhhh... Fique quieta... Tonks veio conversar com o pai e eu quero ouvir.

Ariadne revirou os olhos, voltando-se novamente para seu livro. Fosse o que fosse que estivesse acontecendo, era melhor que ela deixasse a irmã fazer exatamente o que desejava. Depois Leda iria despejar sobre ela qualquer que fosse o resultado daquela "investigação".

-Por que saiu da Scotland Yard sem me dizer nada? - foi a primeira coisas que Leda escutou.

Remus colocou o jornal que estivera lendo até então na mesinha ao lado de sua poltrona, levantando-se para encarar a outra detetive. Como ele intuíra, ela viera atrás dele para tirar satisfações.

-Dora... - ele começou com uma voz suave, porém firme e séria.

-Não me venha com Dora, detetive Lupin - ela cruzou os braços - Você simplesmente vai embora sem se explicar, sem se despedir, arruína a minha primeira investigação na Scotland Yard e acha que eu vou ficar calma e tranqüila no meu canto?

-È isso que a está realmente incomodando, detetive Tonks? - Remus perguntou, com o cenho franzido. - Por eu ter arruinado a sua investigação?

Nymphadora quase suspirou, ainda observando, de braços cruzados, o homem. Por mais que ela primasse sua competência e não aceitasse fracassos com muita facilidade, ela sabia que a saída de Lupin não prejudicaria tanto as investigações do roubo do sinete como ela poderia sugerir. Ela arrumaria um novo parceiro e com as pistas que já tinha era questão de tempo até encontrar a verdade.

Não era isso que estava irritando a detetive. Era o fato de que Lupin parecia simplesmente não confiar nela. Aquilo magoava mais do que ela podia admitir, porque, depois que ele se foi, ela teve certeza de que se apaixonara pelo detetive. O orgulho dela não permitia tamanha fraqueza de gostar de alguém que a tinha em tão pouca consideração.

-Você não confia em mim. - ela confessou - Você está me escondendo muitas, Remus. Eu sei disso.

O homem passou a mão por entre os cabelos levemente grisalhos, de modo quase exasperado.

-Eu tenho minhas razões, Dora. Não posso dizer mais que isso.

Tonks deixou um meio sorriso irônico formar-se no canto dos lábios.

-Imaginei que não. O "Clubinho" de vocês não permitiria. Mas isso não vai me impedir de descobrir o que tanto querem acobertar.

Ela virou-se, dando as coisas para o detetive, enquanto pousava a mão na maçaneta da porta.

-Não precisa me acompanhar. Eu sei chegar até a saída. - ela disse, saindo porta afora da mesma forma impetuosa que entrou.

Lupin deixou-se cair na poltrona. Pelas palavras da detetive, ele percebeu que ela já sabia alguma coisa sobre os Valetes, talvez partes distorcidas do quebra cabeça e da farsa que ele ajudou James e Sirius a manter durante todos aqueles anos.

Ela poderia se machucar se continuasse por aquele caminho e ele não podia permitir que ela se ferisse novamente por conta de negligência dele. Remus precisa contar a verdade à Tonks. E precisaria de ajuda para fazer aquilo.

Leda afastou-se da parede colocando o copo em cima da mesa, com uma expressão pensativa no rosto.

-Ela foi embora. - a loirinha balbuciou, mais para si mesma que para a irmã caçula.

Ariadne parou novamente de ler, esperando que Leda decidisse compartilhar o que estava passando na cabeça dela.

-O pai gosta dela, Aria. E ela também gosta dele. - a mais velha disse com determinação.

-Tem certeza? - a caçula perguntou, tendo sua atenção completamente voltada para a irmã.

-Do mesmo modo como tinha certeza sobre você e o Órion - ela respondeu, deixando um brilho perspicaz passar por seus olhos. - E como no caso de vocês dois, acho que vou precisar fazer uma pequena intervenção.

Ariadne apenas meneou a cabeça, conhecia Leda desde o dia em que nasceram, e, sabia que quando a irmã colocava alguma coisa na cabeça, ninguém, talvez apenas a exceção de Kyle, era capaz de demove-la de seus propósitos.


Harry observou-a pelas costas enquanto a moça rapidamente galgava os degraus da entrada da Mansão Black, os cabelos presos num rabo de cavalo frouxo balançando de acordo com seus passos.

O rapaz sentiu uma ligeira vontade de rir, notando apenas naquele momento o quanto o chapéu que ela estivera usando – agora seguro na mão da moça – de feltro escuro e linhas masculinas, faziam-na parecer, até certo ponto, uma assassina mafiosa.

Finalmente eles alcançaram o hall da entrada, onde ambos deixaram casacos e chapéus no vestíbulo.

- Vamos para o meu quarto, em qualquer outro lugar podem acabar nos ouvindo. – ela observou, voltando-se para ele – O que descobrimos hoje...

Ela não chegou a terminar a sentença, pois, nesse instante, uma criada surgiu a frente deles, cumprimentando-os com uma ligeira mesura antes de se dirigir à moça.

- Lady Black, Lorde Malfoy telefonou mais cedo. Ele pediu para avisá-la que chegaria hoje à noite e que viria vê-la amanhã pela tarde.

A morena assentiu.

- Obrigada, Marie. Meus pais ou meu irmão estão em casa?

- Lorde Black está na biblioteca, mas milady e o pequeno saíram mais cedo.

- Ótimo. – ela respondeu, antes de voltar-se mais uma vez para Harry, que permanecia em silêncio logo atrás dela – Vamos indo.

Ele apenas a seguiu, seu bom humor tendo evaporado no momento em que escutara o nome de Malfoy. Finalmente, eles chegaram ao quarto da garota e ela abriu a porta para deixá-los passar, cerrando-a em seguida.

- O que você acha que isso significa? – Lyncis perguntou, pensativa – Um símbolo judaico... e o nome da família... lembra muito o sobrenome de solteira da sua mãe. – ela piscou os olhos, virando-se para ele ao perceber que o rapaz não estava prestando atenção ao que ela dizia – Harry?

O moreno virou-se para encará-la. Ela se aproximou dele, embora tentasse não demonstrar a preocupação que a expressão repentinamente vazia dele acabara de lhe evocar. O que acontecera? Ele estivera tão animado durante os dois últimos dias, enquanto fuçavam juntos o mistério do sinete... Por que, de repente, os olhos dele tinham se tornado sombrios e distantes?

- Harry? – ela chamou mais uma vez, colocando uma mão sobre o braço do rapaz.

Por aquele instante, todas as discussões, toda a mágoa que ela ainda podia guardar dele ficou para trás. Ela o encarou sem segurar-se dessa vez, os olhos límpidos demonstrando claramente sua inquietação.

- O que foi? – ela perguntou com a voz mais suave que usava com ele em dias.

Foi a vez de Harry encará-la, a compreensão penetrando lentamente em sua mente enquanto ele a observava. Todos aqueles anos... tanto tempo perdido... E ele ainda teria de agradecer ao Malfoy por fazê-lo perceber...

- Eu sou um idiota. – Harry murmurou com um sorriso ácido.

Lyn franziu a testa, sem conseguir entender do que ele estava falando.

- Não que eu discorde dessa afirmação, mas... o que você fez dessa vez? – ela perguntou, quase divertida.

- Eu amo você. – ele respondeu simplesmente, sem qualquer inflexão na voz – Estava aqui o tempo todo e eu... nunca consegui perceber, eu nunca... Lyn?

Ela dera um passo para trás, soltando-o e abaixando a cabeça, fazendo com que a franja caísse sobre seu rosto, cobrindo-o.

- Você só pode estar brincando comigo. – ela sussurrou entre dentes, embora alto o suficiente para que ele a ouvisse – Isso não é verdade.

- Lyncis... – ele tentou se adiantar, mas ela imediatamente se desvencilhou, reerguendo a cabeça, encarando-o com os olhos furiosos.

- Vá embora. Agora. – ela sibilou.

- Por que você está tão brava? – ele perguntou – O que eu fiz dessa vez? Não era isso que você queria ouvir? Todos esses anos, você sempre gostou de mim e...

- Você sabia? – os olhos dela agora estavam arregalados – Você sabia? E esse todo, mesmo sabendo, você... argh! Seu idiota!

- Lyncis! Você não está fazendo sentido! – Harry retrucou, levantando a voz da mesma maneira que ela fizera.

- Você é um idiota, Harry Potter! – ela exclamou – Você só disse isso agora porque ouviu que Draco está voltando, não é? Você sabia, e ainda assim, esse tempo todo... Você é um egoísta, cheio de si, mimado... Por que você... – um soluço escapou do controle da moça – Isso é ridículo. Você é ridículo. Eu estou sendo ridícula.

Mais uma vez ele tentou se aproximar. Mais uma vez, ela se desviou.

- O que diabos há com você, Lyncis? – Harry finalmente explodiu – Eu acabei de me declarar para você. O que você quer que eu faça mais?

- Você só fez isso porque Draco está voltando. – ela respondeu – Era muito confortável para você me ter sempre a mão, não é Harry? Se tudo o mais desse errado, eu estaria por perto. Mas agora que Draco está no meio, isso não é mais possível. Você está com ciúmes. Quer me afastar dele. Só por isso...

Dessa vez ele conseguiu segurá-la e, antes que Lyn pudesse tentar reagir, ele a empurrou contra a parede, segundos antes de silenciá-la com um beijo furioso.

A princípio, a morena acabou por corresponder, mas logo ele a sentiu empurrá-lo, afastando-se bem a tempo de evitar o punho dela.

- Fora daqui. AGORA!

Harry não tentou argumentar dessa vez. Batendo a porta ao passar, ele deixou o quarto dela. Sozinha, a moça ventilou sua raiva soltando um murro com toda força contra a parede.

A dor foi imediata, as lágrimas saltando-lhe dos olhos enquanto mordia os lábios com força para não gritar. Teria de dar um jeito de resolver aquela situação. Chorar não iria levá-la a lugar algum.


Ele mesmo carregou sua valise de viagem enquanto deixava o portão de desembarque de passageiros para trás. Estava de volta afinal. De volta a Londres, onde tudo começara.

Enquanto caminhava, sua mente tentava lidar com todos os problemas que tinha em mãos. As discussões que tivera com a mãe enquanto estivera em Paris, a consciência de que a fortuna pertencente à família minguara com diversas tolas aplicações que seu pai fizera quando ainda estava vivo, sua situação com Lyncis...

Draco parou do lado de fora do aeroporto, dando sinal para um táxi. Fosse outra época, ele teria um criado ali à espera com um carro. Mas, a considerar as circunstâncias, isso seria um desperdício. Já era o suficiente o que tinham de gastar em Paris, onde sua mãe insistia em manter as aparências da família.

Finalmente ele se viu dentro de um dos carros, sentindo-se ligeiramente satisfeito ao escapar, ainda que apenas por algum tempo, do frio que dominava a cidade.

Enquanto o motorista seguia suas instruções, colocando-se a caminho de Malfoy Manor, o rapaz levou a mão ao bolso do casaco, sentindo seus dedos se fecharem em torno de uma pequena e delicada caixinha de veludo.

Ele só teria uma única e última chance de convencê-la. Não poderia errar. Não podia mais se dar a esse luxo.

No dia seguinte, ele pediria Lyncis em casamento.