Aviso: Inuyasha e Cia. ainda não me pertencem, ainda por que um dia pelo menos o Kouga!

The fury in the snow.

.

Parte dois: A poderosa Agome.

.

Tempestade

Eu sempre pensei que o mundo precisava estar frio, estéreo e escuro igual ao mundo interior de Kagome onde eu havia sido feita prisioneira, por toda a minha existência, para que pudesse libertar-me, mas hoje eu entendi que não é bem assim. A verdade é que sou eu. A minha presença é que sufoca toda a vida que há neste mundo.

_Kagome? Kagome você está aí? Kagome responda! Kagome!

Agome ouvia a voz de Sango chamar através do celular, mas levou alguns segundos para lembrar-se de ela era Kagome, pois havia tanto tempo que decidira deixar de ser Kagome para se tornar uma pessoa independente que às vezes ela até se esquecia de que, de uma forma ou de outra, continuava e sempre continuaria a ser Kagome.

_Estou aqui Sango. – finalmente respondeu e então dissimulou um ar alegre e eufórico – Oh Sango, é tudo tão lindo! Eu vou agora mesmo por umas roupas bem aquecidas, pegar Kirara e sair para...

_Está tudo um caos Kagome. – Sango cortou-a – A neve está alta demais, veículos não conseguem se locomover, pássaros migratórios enlouqueceram por toda a cidade, confusos se voltaram para casa cedo demais, ou se o inverno é que não quer ir embora, está ficando difícil até mesmo caminhar pelas ruas, quem está em casa não consegue sair, e quem não está simplesmente não consegue voltar.

_Você está presa na faculdade? – perguntou com genuína preocupação – Se quiser eu posso ir busca-la, eu posso...!

E por um terrível segundo esteve a ponto de revelar a Sango que ela era, na verdade, Agome e não Kagome.

_Estou na casa de Ayame. – Sango tranquilizou-a – Vou ficar aqui até as coisas melhorarem um pouco.

_Na casa de Ayame? – ela quase riu tamanha era o absurdo – Sango você mente horrivelmente mal.

Do outro lado da linha Sango suspirou, somo se já esperasse por aquela reação.

_Estou falando sério.

_E como isso aconteceu?

Aquilo ainda lhe parecia irreal demais para que ela pudesse acreditar.

_Tem ideia da força de uma youkai loba de sangue puro? Kagome ela simplesmente me pôs de baixo do braço colocou a bicicleta no ombro e saiu marchando bravamente pela neve.

Agome imaginava a cena: uma youkai com cabelos de fogo andando com a neve até os joelhos carregando uma bicicleta sobre um dos ombros e uma garota de baixo do outro braço.

_Disse que seria mais simples se ela assumisse a sua forma de loba das neves, mas se fizesse isso teria de me deixar para trás.

_Bem, ela é obstinada, isso você tem que admitir.

_É eu admito.

_Onde está Ayame agora?

_Fazendo chá para nos aquecer.

O desgosto na voz de Sango foi evidente e Agome teve que rir, se alguém quisesse esquentar Sango com uma bebida quente então tinha de ser café, ou chocolate quente, até leite, mas nada de chá.

Porque desde pequena Sango odiava chá, e Agome sabia disso, assim como o resto do mundo. Todos sabiam... Exceto Ayame.

_Você vai beber?

_Seria grosseria se não bebesse. – respondeu com um suspiro – E, além disso, ela também está rindo da previsão do tempo.

Aquilo soou estranho aos ouvidos de Agome, mesmo se tratando de Ayame.

_Como assim?

_É que cada canal dá uma explicação diferente, e ela dá risada da imaginação que tem esses meteorologistas.

_Ah.

_A bateria do meu celular está acabando, vou ter de desligar Kagome, estarei em casa assim que a neve permitir, mas até lá se cuide!

_Tá. E tomo conta da Kirara também.

A ligação foi encerrada, Agome suspirou e olhou novamente para o lado de fora, a neve continuava a cair, e ela se perguntava se algum dia pararia... Bem talvez quando ela fosse embora a neve cessasse.

Uma gargalhada borbulhou na garganta de Agome, se assim fosse então Tókio estava condenada a um eterno inverno, porque ela não pretendia ir embora daquela vez.

Agora estava decidida a ficar, decidida a proteger o coração de Kagome.

Um miado irrompeu pelo quarto, cessando as gargalhadas de Agome, e Kirara sibilou e afastou-se correndo assim que seus olhos vermelhos fixaram-se nos azuis gelo da garota.

_Kirara? – chamou saindo do quarto atrás da pequena youkai bege – Ei Kirara sou eu. Kagome.

A gata virou-se uma ultima vez para sibilar ameaçadoramente para Kagome antes de correr em disparada pelas escadas abaixo, Agome suspirou e foi caminhando calmamente a sua procura.

_O que me denunciou? Foram os meus olhos? Ou talvez o claro aumento da minha aura espiritual?

E tentou apanhá-la de debaixo da mesinha no centro da sala, mas foi rapidamente repelida com um arranhão provocado pelas garras de Kirara.

_Ai! – disse e olhou raivosamente para a pequena youkai, mas logo um tênue sorriso nasceu preguiçosamente em seu rosto – Anos antes eu te derrubei do céu com Sango a suas costas, e agora você arranha-me a arranca-me sangue, pouco mais ainda assim... Acho que agora estamos quites. Certo?

E mais uma vez estendeu a mão por baixo da mesa, Kirara voltou a sibilar, mas nada fez quando Agome pousou a mão entre suas orelhas e esfregou ali num carinho desajeitado, pois não tinha muita prática em "gentilezas".

_Você acreditaria em mim se eu dissesse que foi um acidente? Mas foi. Porque eu sou praticamente incapaz de fazer mal a qualquer pessoa que Kagome ame.

Mas praticamente não significa absolutamente. E com um ultimo sorriso Agome se foi.

Kirara miou e saiu de debaixo da mesa, olhando Agome com a cabeça inclinada subindo as escadas, vestida somente em roupas intimas em sua mão os arranhões começava a desaparecer, curando-se com o poder espiritual da jovem Miko, lá fora, a tempestade de neve só piorava.

Agome suspirou ao perceber isso.

_É melhor eu acabar logo com toda esta neve, ou logo Tókio vai estar soterrada sobre uma montanha de neve... E Sango não vai conseguir pegar nem um taxi para casa! – e riu com o próprio pensamento.

Mas quando tentou fazer com que a neve deixasse de cair, fazendo um gesto para que ela cessasse, a mesma intensificou-se e um vento gelado soprou e derrubou a caixa de correio na calçada.

Este tempo todo eu sempre achei que... Que Kagome não fazia ideia da extensão de nossos poderes, mas agora percebo que eu própria também não tenho uma ideia completa sobre o seu tamanho.

E isso me faz ter medo, e se o poder for demais para nós duas? E se nós também nos transformamos em pedra como aconteceu com a grande Midoriko?

Agora eu pergunto-me... Seriamos capaz de congelar o mundo? E deixa-lo tão desolado quanto aquela parte sombria de nosso coração?

Encostando sua testa a janela Agome observou a neve caindo imaginando que talvez ela nunca deixasse de cair. E foi então que ela se deu conta...

Não era ela a provocar a neve, era Kagome, claro a menina estava magoada, podia sentir o coração dela agitando-se dentro de seu peito, e agora o mundo a sua volta agitava-se e congelava lentamente, como se Kagome, inconscientemente, quisesse anestesiasse de toda a dor congelando o próprio coração e aquilo acabasse surtindo efeito no mundo externo e não no interno.

Agome suspirou. Para aquilo ela tinha uma solução, e não era como a de Kagome, que escondia e reprimia os seus poderes, não, Agome faria justamente ao contrário: ela liberaria os poderes.

Pelo menos uma pequena parte deles, e assim não se tornaria um fardo pesado demais para o corpo de Kagome suportar, e elas não se transformariam em pedra.

_Ah grande Midoriko, teria você se transformado em pedra se tivesse a mim para protegê-la assim como Kagome tem?

Perguntou ao nada enquanto recolhia pelo quarto algumas roupas quentes e coloridas.

Não gostava de todas aquelas cores, mas que escolha tinha afinal? Ou era isso ou sair de roupa intima na rua.

*.*.*.*

Sango olhava preocupada para a neve que caia do lado de fora, enrolada num roupão de banho verde com uma toalha combinando na cabeça, pois Ayame havia surrupiado as suas roupas e as levado para a lavanderia do prédio onde poderiam secar, e segurava entre as mãos uma xícara de chá.

_Será que é normal nevar tanto assim na primavera? – perguntou Ayame, toda enrolada no seu roupão vermelho, com uma toalha combinando na cabeça e também segurando uma xicara de chá.

Não, claro que não era normal.

Kagome estava machucada, magoada e reclusa, e agora começava a nevar, isso só poderia significar uma coisa: Agome.

Ela estava retornando, sim estava, e irada demais para esperar pelo inverno, irada ao ponto de criar o seu próprio inverno. E assim que se libertasse iria atrás de Inuyasha, e uma nova vaga na UTI seria preenchida, isso se ele sobrevivesse.

Afinal os outros garotos eram totalmente humanos, e ainda assim Agome havia sido capaz de lhes fazer um mal descomunal, o que faria então a Inuyasha tendo ele uma metade youkai? Um simples toque dela seria como ácido em sua pele.

Com uma careta Sango pensou que nem mesmo Inuyasha merecia um destino tão cruel quanto Agome.

Mas o que faria ela? Aquela neve não lhe permitiria chegar até em casa. E mesmo que chegasse como poderia impedir Agome? Talvez se houvesse um jeito de evitar que ela se libertasse por completo...

Sango suspirou.

E de repente a porta do apartamento de Ayame abriu-se num estrondo, e Jackotsu invadiu todo escandaloso.

_A era do gelo voltou! – ele gritou. – Está tão frio que até os pinguins imperiais do zoológico precisarão de cachecóis!

E começou a espanar com a mão para longe a neve que havia se acumulado em seus ombros e cabelos, aos seus pés uma poça de neve derretida formava-se.

_Sabe como foi duro chegar aqui? E eu só consegui porque Bankotsu foi buscar-me, mas francamente! Neve até os joelhos e subindo! Parecia que eu estava afundando sem sair do lugar, já até podia ver o noticiário de amanha: linda e jovem adolescente encontrada congelada nas ruas da grande Tókio!

_Aposto que pela primeira vez você ficou grato por estar usando calças não é Jackotsu? – Ayame sorriu pondo sobre os ombros de Jackotsu um roupão amarelo. – Chá?

_Ah sim, por favor, querida. – Aceitou enfiando seus braços nas mangas felpudas do roupão. E suspirou aliviado, quando Ayame lhe entregou uma toalha combinando com o roupão para secar os cabelos. – Eu sabia que poderia me aquecer aqui, com você me esperando com uma xicara de chá bem quentinha. Disse isso a Bankotsu, mas ele preferiu ficar no quarto dele secando os cabelos. Ah obrigada querida. – Agradeceu pegando a xicara de chá que Ayame lhe oferecia e sentando-se ao lado de Sango – Ah, boa tarde bela.

_Boa... Tarde. – respondeu um tanto desconcertada. – Jackotsu não é?

_Isso mesmo. – ele sorriu e sorveu um pouco do chá de Ayame – Ah, nada como o chá instantâneo da Ayame para acalmar esse frio. Não concorda bela?

_Hã... Claro.

_A propósito. Você não é do prédio, que faz aqui?

Ayame deu-lhe um peteleco no meio da testa.

_Não seja indelicado Jackotsu. Eu a trouce aqui, porque a casa dela fica mais longe do que a minha, e não queria que ela congelasse no caminho.

_Ah entendi.

Sango tomou um rápido primeiro gole de chá, mas fez uma careta discreta pelo sabor e colocou a xicara de volta a pequena mesa de montar de Ayame.

_Precisava ver Jackotsu! Eu coloquei a Sango debaixo de um braço, e a bicicleta em cima do outro ombro, e vim marchando bravamente pela neve. – contou toda orgulhosa – Nem foi tão difícil, porque sou uma youkai das neves, e...

_E me abandonou lá?! – escandalizou-se Jackotsu. – Como pode Ayame? Trouce a ela e a sua bicicleta, mas não a mim!

_Eu não podia deixar Sango lá!

_Deixava a bicicleta!

_Então eu ia montada nas suas costas todos os dias para a faculdade!

E logo Sango teve a impressão de que se saísse dali naquele momento, nenhum dos dois iria perceber a sua ausência.

E lá fora a neve ainda caía, ela precisava voltar para casa, e logo, precisava ter certeza de que ainda era Kagome naquele corpo.

Uma mão pousou sobre seu ombro, era Bankotsu, com seus cabelos absurdamente longos ainda úmidos soltos, usando uma camisa azul com o desenho de dois bonequinhos carregando um sofá, e abaixo a legenda "amigo", e então, mais abaixo outros dois bonequinhos, mas dessa vez carregavam um corpo, e embaixo estava a legenda "melhor amigo".

_Sobre o que eles estão falando?

Sango corou um pouco, por estar usando somente um roupão, puxou-o um pouco mais apertado contra o corpo e fitou Jackotsu e Ayame impassivelmente.

_Quantas vezes vou ter que repetir Jackotsu? Não posso te emprestar meus saltos porque você é quatro números maior do que eu!

_Então eu me aperto um pouquinho!

_Ah, por favor! – e atirou os braços para o alto – Da que a pouco vai querer as minhas roupas também!

_Por falar nisso, onde você comprou aquela saia de couro linda?

Sango virou-se novamente para Bankotsu.

_Sinceramente? Não tenho ideia!

Na televisão era anunciado que aquela nevasca repentina não tinha previsão para acabar... E então a imagem e o som se foram, em seu lugar, restou apenas chiado e chuvisco. Ayame e Jackotsu subitamente pararam de falar, e Bankotsu pareceu petrificar.

_Essa não! – ele arquejou.

_Minha televisão morreu! – desesperou-se Ayame correndo até o aparelho – Querida fala comigo! Por favor, não me abandone!

_Rápido alguém sabe fazer ressuscitação? Cadê o desfibrilador?! – Jackotsu disse todo alvoroçado.

E logo os três amontoavam-se ao redor da televisão, todos falando ao mesmo tempo "mecha na antena!" "ajeita aquele cabo" "Não assim vai queimar ela". Sango suspirou e levantou-se, foi andando até a janela com muito cuidado para que o roupão verde, que lhe cobria até um pouco mais além dos joelhos, não mostrasse mais do que devesse, lá fora a neve erguia-se cada vez mais alto, sufocando o mundo num cobertor branco.

Impossível sair ou entrar, pois a neve bloqueava o caminho.

E ela ali, presa com aquele trio de malucos por TV.

_Não Bankotsu você está piorando! – ouviu Ayame dizer.

_Estou nada, tá a mesma coisa!

_Para! – gritou Jackotsu – Ah deixa, por um segundo eu achei ter visto os dentes do ancora do jornal!

*.*.*.*

Aquilo era neve demais até mesmo para Agome.

Havia demorado tempo demais tentando achar roupas quentes e não tão infantis no vestuário de Kagome, até quem enfim conformou-se com uma calça de couro e botas de cano alto, ambas negras, com uma camisa de gola alta amarela, luvas de mesma cor, e um casaco rosa e lilás.

Definitivamente precisava fazer compras, e cortar os cabelos. Mas primeiro precisava liberar aquela energia, ou pelo menos parte dela, antes que ela e Kagome acabassem congelando todo o Japão ou se transformando em pedra por excesso de poder.

Fez uma careta ao pensar naquilo, ora vejam só! O velho Higurashi havia mesmo conseguido assustá-la com aquela história de Midoriko!

E Agome havia perdido tanto tempo, escolhendo roupas e tentando prender os cabelos de forma que não incomodasse tanto (até desistir e decidir deixa-los soltos de uma vez), que o relógio já marcava 22h quando tentou abrir a porta para sair, mas encontrou-a bloqueada pela neve.

Aprisionada pelos próprios poderes, que ironia, mas Agome já conhecia aquele filme.

Abrir a janela deu-lhe muito trabalho, mas ela finalmente conseguiu, sobre os protestos e estalos do gelo e quebrar-se.

Mas assim que pôs um pé no parapeito da janela, para escapar, ouviu um miado, olhou por cima do ombro e viu Kirara sentada próxima a cama.

_Eu preciso ir, tem muito poder acumulado dentro de mim, e se eu não liberar um pouco deste poder é capaz de eu explodir a casa.

Saltou para o telhado, e com um ultimo aceno para Kirara fechou a janela. Saltou para o chão, e a neve ao redor de seus pés começou a derreter, em seu peito o sofrido coração de Kagome latejava de dor, fagulhas róseas explodiram furiosamente no ar ao seu redor.

A caixa de correio derrubada pelo vento retorceu-se com a sua aproximação, e explodiu, mas nenhum fragmento atingiu Agome, pois uma barreira a protegeu, os galhos de uma árvore estalaram quando ela passou a sua frente, como se a árvore sentisse o poder de Agome e estremecesse com isso. Um cachorro, preso dentro de casa, começou a latir furiosamente quando a viu.

_É oficial. – pensou com um sorrisinho – Todos os animais do mundo me odeiam.

A nevasca acalmara-se ao seu redor, e a neve no chão em nada lhe atrapalhava de andar, pois a própria neve recuava e derretia com a passagem de Agome.

Onde estaria Sango àquelas horas? Na casa de Ayame, esperava, pois Agome nem sequer queria imaginar a sua amiga teimosamente tentando abrir caminho para casa em meio a toda aquela neve.

Ao dobrar em um beco, deparou-se com três cães de rua brigando furiosamente, ganidos, latidos e rosnados eram ouvidos, sangue respingava na antes imaculada brancura da neve, uma briga até a morte por um osso ruído.

Agome bateu palmas uma vez, e um sopro róseo foi projetado de suas mãos, fazendo os cães caírem duros no estante em que foram tocados pela energia. Não estavam mortos e nem feridos, não mais do que já estavam antes, apenas paralisados. O efeito deveria passar em algumas horas.

E então, Agome tranquilamente passou por eles e sumiu na escuridão.

*.*.*.*

Havia espaço para as duas no futon onde Ayame dormia, transformada numa bola por estar enrolada em dois edredons, mas Sango não podia dormir.

Não enquanto a sua preocupação com Kagome ainda a atormentasse, e nem sequer podia voltar a ligar para ela, pois não havia sido apenas o sinal da televisão que se fora com a neve, seu celular estava sem bateria e o de Ayame também havia morrido.

_Já parou de nevar. – murmurou consigo mesma.

Virou-se e apressou-se a atravessar o quarto, parou a porta para calçar as meias e os sapatos.

_Sango? – chamou Ayame – O que está fazendo?

_Já parou de nevar. – respondeu sem encará-la – Vou para casa.

_O que?! – subitamente desperta Ayame sentou-se no futon, tentou levantar-se, mas os edredons emaranhados no seu corpo a impediram – Como assim? Você não pode Sango!

_Tanto posso como vou. – e colocou-se de pé – Obrigada pela hospitalidade.

_Não espera! – Ayame tentou empurrar para longe os edredons e se levantar, mas eles enrolaram-se em seus calcanhares e ela caiu – Você não pode sair, vai congelar lá fora!

_Não vou. – negou Sango – Já parou de nevar.

_Você vai congelar lá fora sim! – insistiu Ayame chutando os edredons para longe, mas Sango recusava-se a ouvi-la, era aquela a velha determinação dos exterminadores de youkais da qual ela descendia. – Tudo bem. – cedeu a menina ruiva. – Mas se tem mesmo que ir, ao menos me deixe abrigar você. – Sango parou por um momento, e Ayame relaxou um pouco para ir até o seu guarda-roupa – A roupas demais aqui, eu estava inclusive pensando em dispensar o meu futon para caber mais, então... Algumas a menos não farão falta.

Pela cabeça de Sango passaram-se algumas das roupas que Ayame costumava vestir na faculdade, e imaginou-se usando algo como aquilo... Olhou para a neve lá fora, e para Ayame, catando roupas em seu amontoado guarda-roupa.

_Não é necessário Ayame... – tentou recuar.

_Ah sim, e como é necessário! – retrucou Ayame jogando uma trouxa de roupas para os braços de Sango – Vamos vista isso... Espere eu esqueci as meias! – e voltou correndo para o guarda-roupa.

*.*.*.*

Ao chegar á casa que dividia com Kagome tarde da noite Sango só queria descansar, tirou as luvas brancas das mãos, em seguida o gorro rosa e branco, olhou pela casa estava tudo silencioso, provavelmente Kagome já havia ido dormir, jogou o casaco de lã rosa bebê, ficando apenas com a calça de frio branca, a camisa de gola alta e mangas compridas vermelha, e as botas de pele falsa de cor branca com rosa, e sem salto.

Foi até a cozinha com a intenção de tomar um copo de chocolate quente para se esquentar, antes de dormir, e avistou a pequena folha de papel branca, preso por um imã de geladeira na geladeira, o pegou e começo a ler em pensamento.

"Hoje vou sair, provavelmente passarei a noite fora, não me espere acordada, apenas quero descontar em algo ou alguém seja lá o que cruzar meu caminho primeiro, a minha raiva".

Sango assombrada leu o bilhete deixado na geladeira, abaixo dessa única frase havia um nome escrito:

_Kagome... – ela leu o nome da amiga, mais isto não passou de um sussurro.

Saiu em disparada pela rua sem se importar com a neve que a congelava, mesmo estando usando suas botas, a calça de frio e camisa de gola alta e mangas compridas, tinha que encontra-la antes que ela comete-se alguma loucura, pois quando brava Kagome poderia matar sem dó nem piedade o primeiro que cruzasse seu caminho, tinha que agradecer a Deus por ser de noite e está nevando, assim não seriam muitos os seres vivos nas ruas, passou por um beco e teve certeza que Kagome havia passado por lá, estava totalmente destruído como se um desastre houvesse passado por ali, e havia mesmo, seu nome era Kagome, Higurashi Kagome, no chão três cães vira-latas mortos, deitados de olhos abertos, com o sangue escorrendo de seus corpos tingindo a neve de vermelho.

_Ela está possessa! – Sango disse com claro desespero na voz correndo para dentro daquele beco.

No fim do beco as pegadas na neve, e a trilha de destruição denunciavam Kagome, havia ido para sul deste, Sango seguiu as pegadas, pelo caminho de difícil acesso pelas ruas e becos, por causa da destruição, e a neve apenas dificultava o caminho, até que as pegadas desapareçam, a beira de um prédio, "minha amiga não faça nem uma loucura" Sango implorava em pensamento em quanto subia as escadas de incêndio de um prédio vermelho de cinco andares, ao chegar ao terraço lá estava Kagome, dava socos e chutes no ar, lágrimas escorriam de seu rosto, mais não simples lágrimas, mais lágrimas de raiva, seus olhos estavam em um tom de azul tão escuro que se chegava a ser confundido com negro, deixando claro sua fúria, em certo momento ela socou o chão abaixo de si fazendo todo o prédio tremer, e Sango teve a sensação de que iria desabar.

Kagome usava uma calça de couro negro colada, botas também negras que ia até o joelho e com salto, um casaco também de lã, e rosa bebê mais com as bordas lilás, uma blusa amarela e um par de luvas amarelas.

_Kagome, por favor, pare! – Sango gritou correndo até a amiga.

De uma vez Kagome se virou e atingiu um soco no canto da boca da amiga, Sango caiu longe quase caindo do alto do prédio, com o canto da boca sangrando uma fina linha de sangue vermelho escarlate.

_Sango? – a voz de Kagome soou rouca – Sango! – ela reconheceu a amiga jogada na neve e correu até ela – Oh meu Deus o que fiz? – sua voz agora já soava normal e seus olhos voltavam ao um tom de azul-céu – Sango, por favor, fale comigo! – ela entrou em desespero balançando a amiga pelos ombros.

_Oh Kagome, que bom que estás bens! – Sango disse abraçando a amiga.

_Como se eu estou bem? Eu estou ótima, é a sua boca que tá sangrando! – Kagome falava tentando liberta-se do abraço.

_Kagome o que houve com você por que esta nesse estado? – Sango perguntou limpando com a mão o filete de sangue que continuava a escorrer.

A expressão de Kagome voltou a se fechar lentamente, uma brisa gélida soprou ali fazendo os cabelos de Kagome balançarem lhe dando um ar tenebroso, seus olhos tornavam-se mais uma vez aquele azul tão escuro que chegava a ser confundido com negro, ela apertou os punhos com força e disse com uma voz assustadoramente rouca:

_Ele me usou Sango. – deu meia volta deixando a confusa amiga para trás e se, pois a caminhar.

_Espera Kagome. – Sango a chamou se levantando.

Kagome parou de andar mais não se virou, Sango abriu a boca para falar algo mais Kagome começou a falar:

_Lembra-se do primeiro dia de aula? – ela perguntou e Sango afirmou com a cabeça, mesmo que a amiga por estar de costas não pudesse vê-la – naquele dia eu o conheci, era tão ingênua – apertou o punho com mais forças – ele me dizia o quanto eu era linda, como gostava de mim – Sango viu quando água começou a molhar a neve aos pés de Kagome, e no momento soube que ela chorava – me pediu em namoro e eu... Aceitei – deu mais um forte golpe no chão fazendo o prédio tremer ainda mais que da ultima vez – IDIOTAAAAAAAAAAA – ela gritou mais Sango não sabia se estava xingando a ele ou a ela mesma, na verdade nem Kagome sabia – lembro-me que Kouga tentou me alertar, "Kagome não confie no cara de cachorro" ele sempre me dizia isso, por que não o ouvi? – Kagome recomeçou a andar, e a trilha de água aos seus pés a seguia – no final tudo que ele queria era me usar para fazer ciúmes... Em Kikyou – ela se pôs a beira do prédio olhando para baixo – o Idiota conseguiu, ela ficou com ciúmes foi correndo para os braços dele e ele me jogou como se fosse descartável, fazendo questão de esfregar na minha cara que apenas me usou. – Kagome pulou.

Sango correu até beira do prédio gritando pela amiga, quando ela pulou, mais na verdade, ela havia pulado em outro prédio, e Sango suspirou aliviada, porém, preocupada, pois a amiga poderia estar bem por fora mais por dentro...

Nas sombras a silhueta de Kagome foi sumindo, conforme ela se afastava pulando de prédio em prédio, e Sango sabia, naquele momento, Kagome era capaz de matar.

*.*.*.*

Pronto desde 04/11, eu e essa minha mania de anotar tudo!

Definitivamente há algo de errado comigo, em minha escola foram escolhidos os quatro melhores alunos para uma bolsa de estudos e eu fui escolhida, mas quando recebi a noticia tudo o que pude pensar foi: "O que está acontecendo? Eu não deveria estar sentindo algo? Não deveria estar sentindo... Felicidade? Mas por que não sinto nada? Onde está a minha felicidade?" e também... Ando a pensar muito na morte. Definitivamente, há algo de errado comigo.

Respostas as review's:

Veraozao: Ele até poderia ser mais gentil, porém o fato é que simplesmente não os posso imaginar como casal.

Babb-chan: Não é que ela seja mal agradecida, ela apenas... Não sabe direito como agir.

Você realmente é muito perceptiva, eu escrevi com essa intenção, mas não achei que alguém fosse notar.

Ah... Acontece que ela estava preocupada demais para se dar conta, e como viu agora, Agome surpreendeu-se, por que ela não planejava fazer nevar, mas quando olhou já estava tudo branco.

Ela estava tão desesperada em proteger Kagome, que sequer pensou nessa parte, e quando ela se der conta... Então será tarde demais.

MissFF: Bem, todos podem mudar não é?

paty-chan: Olá, agradeço as tuas review's e se continuar a acompanhar-me prometo responde-las direito daqui em diante. ^^