Capítulo Vinte e Sete: Fins Estranhos e Novos Começos
Bella acordou na manhã de segunda-feira com o som distante do despertador de seu celular. O ruído familiar tocava incessantemente do outro lado do apartamento, em seu quarto. Embora ela ouvisse apenas um bip ao longe, foi o suficiente para acordá-la. Edward, entretanto, não se afetou nem um pouco; ele continuou dormindo profundamente.
Bella levantou a cabeça para ver o relógio na cabeceira, por sobre o ombro de Edward. Era difícil se mover sem acordá-lo. Seu braço repousava pesado sobre os ombros dela, parecia um peso morto. Enquanto lia 6:05 em vermelho piscando na tela de LED do relógio, ela finalmente sentiu a pequena dormência em seus lábios.
Sua boca estava dolorida. A cada vez que respirava, pequenas fagulhas pulsavam e quando ela passava os dedos em seus lábios ou os fechavam, a dormência piorava. Ela sentia os lábios inchados da melhor forma possível, e podia imaginar qual era sua aparência.
Ela passara a tarde toda de ontem nos braços de Edward, beijando-o como uma mocinha que tinha acabado de receber o primeiro beijo. Era exatamente assim que ele se sentia. Ela estava revivendo a sensação de dar o primeiro beijo novamente. A cada beijo, a cada respiração, Bella sentia-se viva e muito amada. Ela não lembrava-se da última vez que fora beijada de tal maneira, e sequer recordava-se da última vez que passou um dia inteiro na cama, apenas beijando alguém e trocando carícias. Parecia incrivelmente juvenil, mas ela não se importava. Cada momento era mais glorioso que o outro.
E quando a noite caiu, Edward ainda continuou a cobrí-la de beijos, afastando-se da boca de Bella por um instante para beijar seu pescoço, antes de trilhar seus lábios molhados até chegar de volta à boca. Cada beijo parecia um novo começo. Cada um parecia diferente, e ao mesmo tempo igual; cada beijo era tão magnífico quanto o anterior. Nenhum era insignificante. Os beijinhos castos eram tão bonitos e doces quanto os longos e profundos. Os movimentos suaves eram tão espetaculares quanto os beijos rápidos e ávidos. Os lábios de Edward haviam moldado contra os dela de uma maneira que ela nunca achou ser possível.
A noite passada tinha sido maravilhosa, e seus sonhos tinham sido preenchidos com um replay de cada beijo compartilhado. A última coisa que ela queria era ter que acordar, porém o despertador tocou e perturbou tudo.
Ao se afastar de Edward, o rosto dela grudou-se ligeiramente no peito dele, que estava molhado com uma fina camada de suor após ter ficado com Bella deitada em cima a noite inteira. Bella não conseguiu evitar o sorriso que surgia lentamente em seu rosto enquanto sentava-se na cama. Sorrir havia doído, mas era praticamente impossível evitar que um sorriso aparecesse; era um largo e brilhante sorriso, composto de tanta alegria que ela podia só imaginar como aquilo pareceria para outras pessoas. Ela tinha certeza que seria de um brilho de cegar os olhos, e incrivelmente revelador. Bastaria apenas uma olhada nela e todos seriam capazes de adivinhar os eventos da noite anterior.
Ela virou o torso para olhar para Edward, cujo corpo ainda estava enroscado na posição de antes, quando Bella estava em seu abraço. Os olhos dele estavam fechados pesadamente, seus cílios repousavam espalhados adoravelmente sobre o topo de suas bochechas. Seus lábios formavam aquele biquinho, como sempre acontecia quando ele estava em um sono profundo; sempre parecendo estar à espera de um beijo. Mechas de seu cabelo terracota estavam espalhadas pelo travesseiro e testa, e Bella subconscientemente afastou os cabelos que cobriam seu olho direito. O movimento o fez mexer-se durante seu sono, aproximando seu corpo do local onde Bella havia estado. A cabeça dele agora repousava sobre a coxa de Bella e seu braço envolvia um joelho dela.
Naquele momento, com seu beicinho para fora e uma expressão adorável em seu rosto, ele parecia muito com aquele menino que tinha crescido com ela; o seu melhor amigo.
Ela lembrou-se de quando ficou a observá-lo enquanto dormia na manhã seguinte da noite em que perderam a virgindade, quando ambos tinham dezesseis anos. O cabelo dele estava mais curto do que atualmente, porém continuava cheio e, na época, algumas mechas ainda estavam pintadas de azul. Seus olhos estavam fechados delicadamente e seus lábios formavam aquele familiar beicinho. Enquanto dormia, ele portava um pequeno sorriso e segurava alguma coisa sob o travesseiro. Quando Bella finalmente conseguiu ver o que era, ela encontrou seu sutiã. No princípio ela achara aquilo estranho, porém mais tarde ela percebera que Edward estava tentando guardar algum objeto que o lembrasse da sua primeira vez, e o sutiã dela havia sido o escolhido.
Ela se perguntou se ele ainda guardava o sutiã em algum lugar, e riu para si mesma ao pensar isso. O chacoalhar de seu torso fez Edward se mexer novamente, e agora seus cílios pairavam sobre as coxas de Bella, fazendo-lhe cócegas a cada movimento de seus olhos. Ela ficou ali aguentando a doce tortura por um breve momento antes de se afastar de Edward.
"Não," ele grunhiu, sua voz rouca e pesada de sono. "Volta pra cá," ele murmurou, parecendo um menininho.
"Não vou a lugar nenhum," ela riu. "Pelo menos, não por enquanto. São seis horas, ainda temos tempo pra nos arrumar."
"Nos arrumar pra quê?" ele perguntou, grogue enquanto esfregava o sono dos olhos - ou, ao menos, tentava.
"Para ir trabalhar, Edward. Hoje é segunda."
"Que saco," ele resmungou, tentando se levantar da cama, porém caindo de volta. Bella gargalhou.
"Vamos lá, dorminhoco. Você tem que ir. Você acabou de fechar o contrato com uma grande campanha, tenho certeza que deve ter bolo e champanhe te esperando lá no escritório."
"Eu sei. Só que estou tão exausto. Maldito jet lag," ele reclamou, e Bella bateu em seu ombro de leve.
"Vamos," ela falou, chacoalhando os ombros dele; Edward deixou-se ser balançado, pois parecia quase como se ela estivesse o ninando de volta ao sono.
"Não quero," ele gemeu de novo, petulantemente, e pegou Bella pelos braços, trazendo-a de volta para cama e a deitando, presa a seu lado. "Prefiro muito mais isso aqui."
"Por mais que eu concorde com você, eu preciso tomar banho e me aprontar para o trabalho," ela argumentou, rindo o tempo inteiro enquanto tentava se esgueirar dos braços de Edward. Como resposta, ele simplesmente a segurou mais apertado, e ela sorriu. Estar nos braços dele era tão maravilhoso e caloroso, e parecia incrivelmente certo. Era como a conexão final de uma peça de um quebra-cabeça antes incompleto.
"Posso me juntar a você?" ele perguntou, um pouco envergonhado, enquanto percorria os dedos na coluna de Bella. Ele desenhou leves círculos com suas digitais ao final das costas, fazendo-a se contorcer contra ele. Os olhos dele estavam o tempo todo com as pálpebras pesadas, Bella via o verde por apenas uma pequena fenda.
"Claro," ela suspirou, em êxtase. "Mas nós só vamos tomar banho!" ela frisou, e Edward suspirou, derrotado.
"Não," ele grunhiu, sua voz rouca e pesada de sono. "Volta pra cá," ele murmurou, parecendo um menininho.
"Não vou a lugar nenhum," ela riu. "Pelo menos, não por enquanto. São seis horas, ainda temos tempo pra nos arrumar."
"Nos arrumar pra quê?" ele perguntou, grogue enquanto esfregava o sono dos olhos - ou, ao menos, tentava.
"Para ir trabalhar, Edward. Hoje é segunda."
"Que saco," ele resmungou, tentando se levantar da cama, porém caindo de volta. Bella gargalhou.
"Vamos lá, dorminhoco. Você tem que ir. Você acabou de fechar o contrato com uma grande campanha, tenho certeza que deve ter bolo e champanhe te esperando lá no escritório."
"Eu sei. Só que estou tão exausto. Maldito jet lag," ele reclamou, e Bella bateu em seu ombro de leve.
"Vamos," ela falou, chacoalhando os ombros dele; Edward deixou-se ser balançado, pois parecia quase como se ela estivesse o ninando de volta ao sono.
"Não quero," ele gemeu de novo, petulantemente, e pegou Bella pelos braços, trazendo-a de volta para cama e a deitando, presa a seu lado. "Prefiro muito mais isso aqui."
"Por mais que eu concorde com você, eu preciso tomar banho e me aprontar para o trabalho," ela argumentou, rindo o tempo inteiro enquanto tentava se esgueirar dos braços de Edward. Como resposta, ele simplesmente a segurou mais apertado, e ela sorriu. Estar nos braços dele era tão maravilhoso e caloroso, e parecia incrivelmente certo. Era como a conexão final de uma peça de um quebra-cabeça antes incompleto.
"Posso me juntar a você?" ele perguntou, um pouco envergonhado, enquanto percorria os dedos na coluna de Bella. Ele desenhou leves círculos com suas digitais ao final das costas, fazendo-a se contorcer contra ele. Os olhos dele estavam o tempo todo com as pálpebras pesadas, Bella via o verde por apenas uma pequena fenda.
"Claro," ela suspirou, em êxtase. "Mas nós só vamos tomar banho!" ela frisou, e Edward suspirou, derrotado.
"Estraga-prazeres," ele brincou, rindo, e se inclinou para um beijo meigo nos lábios dela. Bella sorriu durante o beijo, e ele sorriu de volta.
"Eu adoro poder acordar e fazer isso," Edward comentou e Bella assentiu contra seu ombro.
"Eu também," ela respondeu, deixando um beijo seu na boca de Edward. "Agora vamos lá. Quanto mais cedo a gente tomar banho, mais cedo você preparar o meu café."
Edward bufou alto, e Bella se levantou da cama.
"Por que eu que tenho que cozinhar?" Edward inquiriu, se espreguiçando e Bella ficou assistindo, maravilhada pela forma como os músculos definidos apareciam no abdômen dele ao arquear as costas. Ela achava espantoso o fato de nunca ter realmente notado o quão lindo Edward era. Mesmo estando com o cabelo seriamente bagunçado após horas de sono, suas mechas apontando para várias direções, e ainda assim ele estava adorável.
"Que foi?" Edward perguntou, parando de se espreguiçar, e Bella deu de ombros.
"Nada não."
"Você estava me encarando. Tem que haver alguma razão," Edward argumentou, e Bella balançou a cabeça.
"É só que eu nunca realmente reparei no quão sexy você é," ela enrubesceu, e Edward sorriu, andando em direção a ela. Quando a alcançou, ele a trouxe para perto de si, deslizando sua mão sob a fina blusa que ela usava desde quando ele chegara no dia anterior. Novamente, sua mão seguiu para a coluna de Bella e a fez se contorcer em seus braços, enquanto sentia os dedos dele subindo e descendo.
"Bem, eu sempre soube que você era linda," ele sussurrou, de forma amável, e sua mão livre penteou uma mecha de cabelo para trás da orelha dela. Bella mordeu o lábio enquanto olhava para Edward, e enxergou o quanto ele estava sendo sincero. Não havia nada além de adoração e pura honestidade reverberando naqueles belos olhos esverdeados.
"Eu amo você, Bella Swan, " ele declarou, fitando-a. A afirmação atingiu Bella como uma tonelada de tijolos. Era uma declaração firme, uma confissão honesta, e seu coração encheu-se e explodiu, tudo em um só instante. Bella ergueu-se nas pontas dos pés para conectar-se com Edward através de um beijo arrebatador.
Ela se afastou, depois, e sorriu para ele, porém o sorriso rapidamente sumiu ao ver a expressão sombria no rosto de Edward.
"O que há de errado?" perguntou ela, afastando-se de Edward para ver a forma de rejeição que sua postura havia tomado, repentinamente.
"Não é nada, Bells. Acontece que eu ouvi algumas coisas no trabalho outro dia. Estou só imaginando como vai se desenrolar."
Bella percebeu que ele não olhava diretamente para ela, e viu a maneira como os ombros dele estavam curvados para frente. Ele estava mentindo para ela.
"Você está mentindo. Por quê?" ela indagou, se perguntando o porquê de Edward mentir ao invés de responder à pergunta. Ele nunca foi de esconder nada dela; ele sempre abria o jogo sobre o que estava rolando em sua mente. Sempre que estava chateado, ele dizia o motivo. Sempre que estava feliz, ele lhe falava a razão. Era estranho que ele estivesse agora mentindo assim tão descaradamente para ela.
"Bella, não é nada que você tenha que se preocupar. Eu juro," ele respondeu, sorrindo tristonho enquanto puxava Bella pela cintura, de volta para seu abraço. "Confie em mim, Bella. Não precisa se preocupar com nada."
"Está bem, acredito em você," ela respondeu, apesar de não acreditar. Ela sabia que algo estava errado, porém iria deixar que Edward se abrisse para ela quando ele se sentisse confortável.
"Que bom," ele sorriu brilhantemente. "Que tal aquele banho, agora?"
"Sim, banho... só o banho, hein," Bella definiu, apontando seu dedo para ele e Edward riu, gentilmente mordendo-o e piscando para ela.
"OK, e talvez você devesse escovar os dentes também," ele provocou, e ela cobriu sua boca com a mão.
Por trás da mão, um "Como se você tivesse o direito de reclamar" foi murmurado.
oOo
"Você é uma imbecil!" Rosalie praticamente berrou, sentada à mesa de um restaurante local durante o intervalo de almoço de Bella. Rosalie ainda estava de férias por um mês e meio antes que o ano letivo da escola onde lecionava começasse. Bella havia passado os primeiros dez minutos do almoço inteirando Rosalie sobre tudo que tinha acontecido no dia anterior. Nenhum detalhe fora esquecido, e agora sua melhor amiga estava a assaltando verbalmente por conta de sua imbecilidade.
"Eu sei disso, Rose. Não precisa gritar comigo. É só que... eu não posso falar isso pra ele. Eu sei que é um erro, sei que deveria falar, mas não posso. Você não entenderia; você já tem o Emmett."
"Por que diabos você não disse a Edward que o ama, Bella? Está óbvio que isso é verdade," Rosalie falou, frustradamente, enquanto remexia furiosa em sua salada.
"Não é tão simples assim," Bella protestou com uma lufada. Ela, também, revirava e mexia avoadamente em sua salada.
"É claro que é, Bella," argumentou Rosalie. "Foi você quem iniciou toda essa conversa de 'vamos terminar o jogo'. Você que disse que queria mais dessa relação, e quando Edward confessa que sente o mesmo, você não responde nada de volta? Bella, isso é absurdo."
"Rose-"
"Não, nem vem com essa, Bella. Por quê isso, hein?"
"Não sei, Rose, realmente não sei."
"O cara te deu um colar de diamantes que vale mil e quinhentos dólares, Bella," Rosalie pontuou e Bella assentiu a cabeça, envergonhada, seus dedos percorrendo as bordas do pingente em seu pescoço.
"Como você pôde ficar calada? Edward te deu a chave para o coração dele. Como você pode ser tão burra?" Rosalie ralhou para Bella, fazendo-a se sentir pior do que antes.
Seu humor havia estado quase bom, desde ontem à noite. Havia ainda um resíduo de raiva por Edward ter mentido de manhã, porém não fora suficiente para deter o sorriso que se espalhava em sua face, ou a vivacidade de seus passos ao sair para trabalhar.
"É só um colar, Rosalie."
"Não é só a porra de um colar, Bella. Como você pode ser tão idiota e não enxergar além disso? Isso, literalmente, é a chave para o coração dele. Edward está apaixonado por você."
"Rosalie, eu nunca me apaixonei de verdade, como posso saber que eu o amo? Todas os meu relacionamentos passados foram fracassos. Eu não tenho condições de começar algo com Edward e isso poder acabar mal," ela admitiu e viu quando Rosalie quase não conteve o impulso de tacar o copo de água em seu rosto.
"Você é uma besta quadrada," ela começou a dizer quando o garçom veio para tirar os pratos. Ele perguntou se queriam mais alguma bebida antes que trouxesse os pratos principais, mas nenhuma das duas sequer deu atenção ao jovem rapaz. Eventualmente, ele compreendeu o clima e saiu para pegar os próximos pratos.
"Rosalie, olhe do meu ponto de vista-" Bella começou a se defender, mas Rosalie não queira nem saber.
"Você mesma me disse que o amava, que estava apaixonada por ele. Como você pode contar isso pra mim e não contar pra ele?"
"Eu não sei, Rose!" Bella gritou, atraindo olhares do restaurante inteiro. "Não sei," ela abaixou a voz dessa vez para repetir.
"Bella, você não pode enrolar Edward desse jeito. Você não pode esperar que ele te dê o mundo e você não retribuir à altura."
"Do que você está falando, Rose?" Bella perguntou, estupefata, enquanto o garçom voltava com suas refeições. Ele portava uma expressão assustada ao colocar os pratos na mesa e depois praticamente voou para longe da mesa delas.
"Edward deu tudo o que você desejava, e você nem para falar um 'eu te amo' de volta," Rosalie argumentou, e Bella apenas ficou a ouvir, silenciosa. "Ele te deu o coração e o que você fez? Você o pegou, guardou no bolso e se mandou. Você não ofereceu nem um pedacinho de si para ele. Você não disse que também o amava, Bella. Como foi capaz de fazer isso com Edward?"
"Rosalie, não é como se eu tivesse feito de propósito," Bella explicou, firmemente. "Eu não sei o que é o amor, Rosalie. Meu pai e eu nunca fomos muito próximos. Minha mãe nos deixou e cada namoro que eu tive terminou antes mesmo que o conceito de amor pudesse ser formado. Como eu vou saber se o que eu sinto é, de fato, amor? E se isso que eu sinto por Edward for outra coisa? E se eu encher o saco da relação e resolver ir embora? Não posso fazer isso, Rose. Eu preciso tê-lo ao meu lado. É egoísta, eu sei, mas eu preciso dele."
"Bella, você me contou, você me disse há pouco tempo," Rosalie apontou, exasperada. "Como é possível que agora você não tenha certeza dos seus sentimentos?"
"Existe uma diferença entre-" Bella começou a falar, mas Rosalie a interrompeu.
"Pare com essa babaquice, Bella! De que diabos você tem tanto medo?"
"Eu não sou boa o suficiente para ele, Rose," Bella admitiu, sua voz vacilante enquanto tentava controlar as lágrimas que começavam a embaçar seus olhos.
"Mas que asneira é essa que você está resmungando, hein?"
"Rose, Edward é um homem de negócios de sucesso, um homem lindo. Ele é inteligente, bem humorado e sagaz. Ele é sincero, cheio de paixão e compaixão. Ele poderia ter qualquer mulher em seus braços. Se ele entrasse por aquela porta agora mesmo, todas as mulheres desse restaurante olhariam descaradamente para ele e pensariam a mesma coisa: Ele é casado? É solteiro? Qual o nome dele? E se ele viesse aqui e sentasse ao meu lado, a primeira coisa que cada mulher pensaria seria: O que ele está fazendo com ela? Ele merece algo melhor do que Bella Swan, a editora de livros."
"Que monte de merda!" Rosalie exclamou alto, mais uma vez fazendo com que diversas cabeças do restaurante virassem em direção à mesa delas. "Você e Edward são almas gêmeas. Jamais existiu duas pessoas que se encaixassem melhor do que vocês dois. Vocês estão praticamente casados há vinte anos. Qualquer um que não enxergasse isso seria cego - porra, até uma pessoa cega enxergaria isso. Você o ama, Bella. E precisa se declarar para ele."
"Eu... eu... eu-"
"Chega de reticências, Bella, e nada de poréns. Ele é a primeira coisa que vem à sua cabeça quando você acorda e é a última em que você pensa antes de dormir. Você vê coisinhas insignificantes no meio da rua e instantaneamente lembra dele. Bella, isso é amor. Quando todos os seus pensamentos são consumidos por aquela pessoa, e todos os seus sentidos desejam tocar, ver, e cheirar aquela pessoa - isso é amor, Bella. É isso que o amor é," Rosalie despejou seu sermão, e Bella permitiu que as lágrimas escorressem agora e deixou que tudo, de fato, entrasse e se assentasse dentro dela.
Ela sabia que Rose estava certa, porém ainda havia aquela dúvida bem no fundo de seu coração, que a prevenia de admitir o que sentia. Sua amizade com Edward já havia mudado, mas se ela tivesse que admitir isso, falando em alto e bom tom para Edward, aquilo seria o fim. Não iria mais existir Edward e Bella, melhores amigos há vinte anos e para sempre. Eles passariam a ser Edward e Bella, amantes com um término em potencial.
oOo
Após seu almoço com Rosalie, o resto do dia no escritório pareceu passar depressa, embora em alguns momentos tivesse parecido arrastar-se, especialmente uma hora antes de ir embora. Ela ficou balançando o pé furiosamente sob a mesa enquanto só pensava em ir para casa. Ela não conseguia manter sua mente focada no livro à sua frente, relendo o mesmo parágrafo três vezes antes de perceber que já havia lido aquilo.
Quando o ponteiro finalmente marcou cinco da tarde, Bella saltou da cadeira e passou quase correndo por seus colegas, acenando e desejando-lhes boa noite só por educação; ela não dava a mínima para a noite deles, na verdade.
Pareceu uma eternidade até estacionar o carro na garagem do prédio, rapidamente reparando que o carro de Edward já estava lá. Ela não pôde evitar a onda de felicidade que a invadiu ao saber que Edward já estava em casa.
Bella estava incrivelmente impaciente naquela hora. O elevador estava devagar demais e subia lento demais para seu gosto.
Ela correu o mais rápido que seus pés calçados por saltos permitiram, o que acabou sendo apenas uma série de passos mais apressados. Ela custou a achar as chaves dentro da bolsa, e xingou aquele trambolho enorme. Esse era o problema com bolsas grandes, ela pensou. Você pode jogar qualquer coisa lá dentro, mas nunca vai achar quando você mais precisar.
Finalmente, ela conseguiu abrir a porta e encontrou Edward andando pela sala em um par de jeans e uma blusa de flanela.
"Oi," ela cumprimentou e ele respondeu com um grande sorriso, andando até ela para beijar sua testa.
"Como foi seu dia?" ele perguntou enquanto a segurava em um abraço.
"Foi OK. O trabalho foi tudo bem, e eu almocei com Rosalie, o que foi um pouco complicado."
"O quê? Por quê? O que Rose falou?" ele perguntou, com sinceridade.
"Nada do que eu já não saiba," ela respondeu e Edward assentiu, compreendendo.
"Ainda bem. Agora, vá trocar de roupa, tenho uma surpresa pra você."
"Como assim?"
"Você ouviu. Vá colocar um jeans e uma camiseta."
"O que vamos fazer?" ela perguntou indo para seu quarto, Edward a seguindo. Ao entrarem, Edward deitou-se na cama e espreguiçou-se, espalhado sobre o colchão, com um braço repousado sob sua cabeça. A pose e o filete de pele que se expunha toda vez que ele inspirava atiçavam Bella.
"Você vai descobrir já, já."
"Aonde nós vamos?" Bella perguntou ao remover os saltos e a calça social. Edward assistia da cama enquanto ela colocava um jeans surrado.
"Você verá," ele replicou, sorrindo provocador e vendo Bella desabotoar sua camisa.
"Sério, o que nós vamos fazer? Estou muito cansada."
"Você verá," Edward respondeu novamente, dessa vez abrindo e fechando um isqueiro Zippo com sua mão direita.
"Por que está com um isqueiro?" ela indagou, parada diante dele, esperando sua próxima coordenada.
"Você vai ver," ele sorriu e pegou sua mão para saírem do quarto.
"Edward, pra onde estamos indo?" ela insistiu na pergunta, e viu Edward pegar uma mochila do chão perto da porta da frente.
"Para o terraço. Tenho uma surpresa pra você."
Bella mordeu o lábio para suprimir um gritinho fino. Nenhum cara jamais havia feito nada desse tipo para ela. Nenhum homem jamais havia feito surpresa alguma para ela. Nenhum cara jamais comprou-lhe jóias também. Edward estava em um patamar só dele.
No terraço do prédio, Edward havia estendido um cobertor no chão e posto dois baldes de metal ao lado, um deles cheio de água.
"O que é isso?" Bella perguntou, e Edward sorriu ao sentar-se no cobertor, ajudando-a a sentar-se, em seguida.
"Você verá," respondeu ele mais uma vez, tirando de dentro de um dos baldes um pote de plástico retangular fechado.
"Pare de falar isso," ela protestou e Edward riu, passando o pote para ela. Bella pegou, desconfiada, e abriu a tampa, achando estranhas varetinhas coloridas dentro do recipiente.
"O que são essas coisas?" perguntou, e Edward sorriu.
"Velas estrelas¹," ele esclareceu, pegando uma e acendendo. As pequenas fagulhas brilharam por alguns segundos antes de apagar lentamente. Edward rapidamente jogou a vareta que ainda queimava no balde com água.
"Está falando sério?" Bella perguntou e Edward apenas riu levemente, acendendo mais um e mergulhando-o na água após queimar.
"Estamos comemorando," ele anunciou e Bella apenas o encarou, confusa.
"Comemorando o quê?"
"O fim do nosso jogo," ele respondeu, e retirou o gorro das letras de dentro da mochila.
"Do que você está falando? Ainda tem doze letras pela frente."
"Nós não precisamos mais delas," ele declarou, jogando dentro do balde vazio os pedaços de papéis que restavam.
"Isso é sério?" Bella inquiriu enquanto ele pegava outra vareta do pote de plástico.
"Sim," falou ele, acendendo a vela estrela.
"Espere aí!" Bella o interrompeu quando ele estava prestes a jogar a vareta ainda acesa dentro do balde com as letras.
"Por quê?"
"Tem certeza disso, Edward?"
"Absoluta," ele afirmou mais uma vez, abaixando a velinha que estourava estrelinhas dentro do balde, porém Bella agarrou sua mão e a forçou a mergulhar na água.
"Bella?" ele questionou e virou-se para encará-la.
"Eu... eu acho que não devíamos acabar com o jogo tão rapidamente assim."
"Mas nós não precisamos mais disso, Bella," ele falou, em voz baixa e Bella assentiu.
"Eu sei que não, mas acho que devemos terminar essa brincadeira da forma certa, apenas para solidificar o encerramento."
"Como assim?" ele perguntou, o verde de seus olhos parecia apagado, partindo o coração de Bella ao meio.
"Usaremos duas letras, nós podemos escolher. Podemos ver em todos os papéis e decidir qual pegar. A gente joga como deveria ser, em um sábado, porém não precisa ser exatamente como era antes."
"Ainda não estou compreendendo, Bella," Edward reclamou.
"Eu quero te mostrar, eu preciso te mostrar aquilo que eu não consigo falar," Bella respondeu e Edward finalmente entendeu o que ela estava querendo dizer. Bella quase pôde ver a ficha caindo dentro dele.
"Eu te amo, Bella."
"Eu... eu-" ela gaguejou, mas Edward a interrompeu.
"Tudo bem, qual letra você quer pegar?" ele indagou, e apesar de parecer chateado, Bella sabia que Edward ficaria de bem com esse acordo.
"Quero a letra I," ela respondeu, pegando Edward de surpresa.
"Por que I?"
"Você verá," ela provocou, fazendo Edward rir, e de repente a tensão que havia crescido desde a manhã começava a se dissipar, lentamente. Bella sabia que o alívio era apenas temporário, mas ela iria aceitar o que recebesse.
"E qual letra você quer?" ela perguntou, e Edward sorriu.
"Todas que sobraram," ele começou e Bella bufou, rolando os olhos. "Porém," ele continuou, "Vou ficar com a letra X."
"X? Por que você iria querer o X?"
"Você verá," ele respondeu, fazendo Bella rolar os olhos novamente.
"Ok, então neste sábado será a sua vez, e no próximo será a minha," Bella afirmou e Edward sacudiu a cabeça.
"Não, você faz a sua letra neste sábado, e eu farei no próximo," ele explicou e Bella o encarou, incrédula.
"Por quê?"
"Porque se tivéssemos continuado a jogar como antes, eu teria ficado com a última letra."
Bella assentiu e começou a procurar entre os papéis até achar a letra I, porém não conseguira achar o X.
"Não achei o papel do X," ela informou a Edward, e ele assobiou, desviando o olhar.
"Há quanto tempo você está segurando essa letra?"
"Desde o início do jogo," ele confessou e Bella ficou boquiaberta.
"Você é um trapaceiro sujo, Edward Cullen."
Edward deu de ombros e colocou todos os pedaços de papel desdobrados de volta no balde de metal vazio, acendendo uma das velas estrela.
"Quer fazer as honras da casa?" ele perguntou a ela, entregando-lhe a velinha que expelia estrelinhas em fagulhas quando ela assentiu. "Faça um brinde."
"Ahmmm..." Bella lutou para achar algo a dizer até finalmente conseguir.
"Ao fim do que nós éramos, e ao início do que vamos começar a ser. À nós," ela falou, jogando a vareta flamejante dentro do balde. As pequenas centelhas alcançaram um dos papéis e o colocou em chamas, causando um efeito dominó no resto dos pedaços.
"À nós," Edward reafirmou, puxando Bella para um beijo.
"Esperarei o tempo que for necessário para ouvir aquelas palavras," ele sussurrou no ouvido dela enquanto a segurava contra seu peito.
"Elas virão, eu prometo. Isso é tudo muito novo para mim," ela explicou.
"Eu sei disso, Bella."
Bella virou-se e sorriu para Edward. Vendo o sorriso dele em resposta, Bella puxou seu rosto para um outro beijo, e exatamente como na noite anterior, os dois deitaram-se e, nos braços um do outro, ficaram a se beijar, internamente rezando para que aquela sensação jamais terminasse.
N/T: ¹ Vela estrela - http:/ lh6(PONTO)ggpht(PONTO)com/_0jIAWTbDsLQ/TQlTz_SlvfI/AAAAAAAAAFA/eZZegz9P4iU/s400/Imagem1(PONTO)png
Então, vocês perceberam que já estamos chegando no fim da fic? Estão tristinhas? =P
Tentarei terminar o próximo capítulo antes do Natal, já que agora estou de férias. Mas se não conseguir, vocês terão um "agradinho" no dia 25. Pois é, estou participando de um amigo oculto (amigo secreto pros não-cariocas-e-mineiros) com mais nove escritores, e nossos presentes virão em forma de One-shots. Serão 10 presentes dos quais todos poderão desfrutar. Tenho certeza que vai ser lindo! hahah
Queria agradecer a todas as reviews elogiando a fic, agradecendo por eu traduzir, elogiando a mim *vergoinha*... Muito obrigada mesmo! Eu leio todas e tento responder a algumas, mas nem sempre tenho tempo, ou porque são reviews anônimas. Mas fico muito grata por elas, viu?
Beijos e não esqueçam delas, reviews!
