Hospital em Manhattan
09 de novembro
09:40 a.m.
"Perfeito! Vou chamar ajuda e deixar a casa em perfeito estada para receber você e Emma!" Elliot disse com um brilho incomparável no olhar.
Olivia riu com a empolgação do homem a sua frente, concordando.
Elliot saiu radiante do quarto. Logo no saguão trombou com Fin e Munch conversando com Dr. Phill.
"Phill, você pode passar a tarde com Olivia?" Elliot perguntou afobado.
"Posso, claro, mas o que aconteceu? Por que essa agitação toda?" Perguntou Phill curioso com tanta animação.
"Olivia terá alta hoje e concordou em morar comigo até reaver seu antigo apartamento ou conseguir um lugar melhor. Preciso correr para deixar tudo perfeito para receber as duas." - Respondeu empolgado - "Inclusive preciso de vocês dois!" completou apontando para Fin e Munch.
"Limpar a casa, sempre sobra pra gente..." Munch respondeu de forma descontraída.
"Só ajudaremos porque é para Olivia e sua filha..." falou Fin.
"Que bom, enfim ela sairá do hospital. Fico feliz! Mas antes de tudo, antes de você a levar, preciso ter uma conversa séria contigo Elliot. Quando você voltar, podemos ter um momento?" Phill falou sério.
"Tudo bem... mas agora preciso correr, vamos?" Elliot respondeu rapidamente. O tempo era curto e ele realmente precisava correr para conseguir fazer tudo que precisava.
"É o jeito..." disse Munch saindo atrás de Elliot, sendo seguido por Fin.
Por sorte naquele dia a squad estava tranquila. Além da ajuda de Fin e Munch, Elliot conseguiu juntar Amaro, Melinda, Alex, Huang e alguns amigos.
Elliot preferiu deixar Melinda organizando o pessoal na casa, enquanto saiu com Alex para comprar os móveis para o quarto de Emma e roupinhas para a pequena.
O dia foi corrido. Limpar tudo, pintar o quarto de Olivia e Emma, organizar todas as coisas e roupas compradas. Foi trabalhoso para todos, mas saber que era para LIv valia a pena.
A vontade de todos era fazer uma festa surpresa, mas sabiam que pela fragilidade de Emma e pela cirurgia recente de Olivia, não seria apropriado o contato com tantas pessoas. Preferiram combinar um revezamento nas visitas, afinal todos estavam mais que ansiosos para vê-la.
Tudo pronto. Elliot tomou um banho rápido e foi correndo para o hospital.
Assim que entrou pelo saguão já avistou Phill o aguardando.
"Boa noite." Phill disse sério.
"Boa noite." Elliot respondeu mantendo a seriedade.
"Podemos tomar um café na lanchonete e conversar um pouco?" perguntou Phill apenas confirmando a conversa que pretendia ter com ele.
"Se for rápido, tudo bem." Ele respondeu de forma objetiva, logo seguindo até a lanchonete.
"Nos conhecemos há pouco tempo, e a princípio você pareceu realmente ser amigo de Olivia, alguém que se importa com o bem estar dela, mas não cometerei o mesmo erro duas vezes..." Phill começou a falar assim que sentaram em um mesa.
"Eu entendo sua preocupação afinal Thomas enganou a todos, mas nunca me compare àquele lixo humano. Eu amo Olivia mais do que você pode imaginar, e farei de tudo para vê-la bem e feliz." Elliot foi incisivo, já tinha entendido o porquê da conversa.
"Mais do que palavras, quero gestos. Eu sempre estarei por perto, me importo muito com Olivia e farei de tudo para protegê-la." Phill falou com a voz firme.
"Eu digo o mesmo Dr. Phill, afinal conheço Olivia há muito mais tempo que você. O senhor pode visitá-la quantas vezes quiser, mas não confunda as coisas, muito menos Olivia. Ela já passou por muitos traumas, e se tem alguém no mundo que pode entendê-la completamente, esse alguém sou eu." Elliot disse sério.
"Tudo bem. Só quero ter certeza que não cometerei outro erro com Olivia." Respondeu Phill em sua defesa. Havia percebido que Elliot queria se impor, não o culpava por isso.
"Mais alguma coisa?" Elliot perguntou já levantando da mesa.
"Apenas deixe o endereço de vocês, amanhã pretendo visitá-la." Phill completou saindo junto com Elliot.
Depois de trocarem telefones e endereços, Phill seguiu para Jersey, afinal tinha uma família e um emprego o aguardando, e Elliot dirigiu-se ao quarto de Olivia.
Mal entrou no quarto e já se deparou com Olivia e Emma prontas para irem embora e o médico com os papéis da alta.
"Pensei que havia esquecido a gente aqui." Olivia soltou de forma descontraída.
"Nunca! Estava conversando com Phill. Tudo pronto para irmos embora?" Perguntou empolgado.
"Quase tudo. Como você ficará com Olivia a maior parte do tempo, vou deixar em suas mãos as receitas de remédios e as recomendações médicas pós-cirurgicas." O médico falou entregando alguns papéis à Elliot.
"Como se eu fosse uma criança incapaz." Olivia disse nervosa com a situação.
"Pelo contrário. Você acabou de passar por uma cirurgia, precisa repousar, sendo assim, quem comprará os remédios e a ajudará, será o Sr. Stabler." O médico respondeu de forma tranquila.
"Pode ficar tranquilo, cuidarei muito bem dela doutor." Elliot falou rindo da cara fechada de Olivia.
"Já marcamos uma nova consulta semana que ão, até mais, e repouso Olivia, repouso." O médico concluiu se despedindo, deixando os três sozinhos.
"Vamos?" Elliot perguntou estendendo os braços para segurar Emma.
"Vamos, mas não quero sair nessa cadeira de rodas, então não ande rápido." Disse Olivia entregando Emma à Elliot, levantando devagar.
"Leve o tempo que precisar, estarei ao seu lado junto com Emma." Ele respondeu encantado com a pequena em seus braços.
Demoraram um pouco a chegar à casa de Elliot. Além de ser em uma área residencial, ele preferiu dirigir devagar por conta da bebê.
Logo que entrou Olivia já ficou impressionada com a beleza e a limpeza da casa.
"Bem vinda ao seu novo lar!" Elliot disse fechando a porta.
"Linda casa Elliot." ela falou com um sorriso, levemente desconfortável com a situação de dependência.
"Venha conhecer o quarto de vocês." Falou Elliot animado. Tinha percebido que Olivia ainda não estava confortável e faria o máximo para mudar isso.
Olivia seguiu Elliot vagarosamente. Estava com Emma no colo e os pontos no braço havia começado a doer.
"Meu Deus, que lindo!" ela soltou logo ao entrar. Estava realmente impressionada com a beleza do quarto.
As paredes pintadas de amarelo claro, com girafinhas ao lado do berço. Os ursinhos, as roupinhas. Tudo perfeito.
"Tinha certeza que você ia gostar! Sempre preferiu sair do comum, no caso do rosa para meninas." ele disse com um sorriso de satisfação.
"Você realmente parece me conhecer!" Olivia retribuiu o sorriso.
"Mais do que você imagina Liv! Mas agora, vamos aproveitar que Emma está dormindo para colocá-la no berço. Temos um jantar delicioso nos esperando na cozinha!" ele completou pegando com cuidado a pequena do colo de Olivia, a ajeitando no berço em seguida.
"Você ainda fez o jantar?" ela perguntou perplexa.
"Alex fez. Uma grande amiga nossa." ele respondeu saindo do quarto.
Olivia não disse nada, não sabia quem era Alex, mas havia decidido não ficar perguntando tudo à Elliot.
Já na cozinha, Olivia se acomodou a mesa, estava faminta.
"Lasanha!" exclamou Elliot colocando sobre a mesa, a servindo.
"Parece deliciosa!" ela disse com água na boca.
Durante o jantar não conversaram, comeram com tanta vontade que tinha molho espalhado por todo o rosto.
"Não como algo tão gostoso há tempos!" Olivia falou se limpando com um guardanapo.
"Pois trate de se acostumar!" ele completou limpando com o dedo a bochecha de Olivia que ainda estava suja.
"Você também está sujo Ell!" ela disse rindo da cara dele.
Por um instante tudo parou. Elliot não reagia, apenas a olhava com um sorriso largo.
Aos poucos ela foi parando de rir e ficando sem graça com a situação.
"O que foi? Está tudo bem?" ela perguntou estranhando o silêncio de Elliot e a forma com que ele a encarava.
"Você disse 'Ell'..." ele respondeu saindo do transe.
"E o que isso tem demais?" ela perguntou ainda confusa.
"Nada, apenas felicidade Liv, de tê-la aqui comigo, viva." Elliot respondeu a olhando nos olhos, colocando uma das mãos sobre a dela.
Naquele momento ela se sentiu segura, sentiu que com Elliot ali nada de mal aconteceria à ela e à Emma. Mesmo não lembrando de tudo que aconteceu em sua vida, nem dele, ela sentiu algo irracional, inexplicável.
Assim que ele a tocou, ao invés de fugir, como estava acostumada a fazer com Thomas, Olivia apenas encarou sua mão sob a dele. Observou cada cicatriz, desde os dedos até o braço de Elliot.
Aos poucos ela subiu o olhar até encará-lo novamente.
Por um instante sentiu que o conhecia há milhões de anos, como se sempre o tivesse amado.
Elliot apenas observava as reações de Olivia, admirava suas expressões, reações. Tudo que ele mais queria naquele momento é que ela conseguisse lembrar de tudo que viveram juntos, da parceria de anos, das noites mal dormidas, das conversas na madrugada.
