Capítulo 29 – Fim.
– Daisuke, tome cuidado! –Sakura gritou vendo o garoto correr apressadamente atrás da menina de cabelos ruivos.
Gaara e Ino também estavam ali para presenciar a união de Saya e Itachi, mas tinham prometido não ficar muito tempo, pois o recém-nascido Yuri não parecia disposto a cooperar com a tranquilidade do casal. Para a surpresa de seus amigos, Ino estava se saindo uma ótima mãe de primeira viagem, além disso, Gaara contribuía de alguma forma com a experiência prévia que adquirira com a sobrinha. Já como casal, ambos estavam muito bem. Quer dizer, Gaara ainda sofria com os ciúmes da esposa, porém sabia um jeito para contorná-la e com isso, amansar a fera. Os pais da Yamanaka não tiveram muita opção, se não aceitar seu casamento, ao menos sua filha estava feliz e o neto ia crescer em um bom lar.
Cumprimentando os noivos, estavam Tenten e Neji. Ambos estavam morando em um sobrado numa rua nobre de Paris, para onde a mulher levara sua avó, para ter o conforto e acolhimento que a mesma sempre merecera. Neji continuava enfeitiçado pelos encantos da Mitsashi e depois de ter uma trégua com o tio, voltou para o seu lado como um dos principais herdeiros e sucessor legítimo. Assim o Hyuuga vivia ao lado de sua esposa, que de meretriz, tornara-se uma exímia dama da sociedade.
Próximos deles, o irmão e a cunhada da noiva sussurravam um ao outro. Era inegável que Hinata agora parecia radiante, não havia melhorado apenas nos quesitos beleza e vaidade, mas também em seu astral e autoestima que se tornaram outros após o casamento. Mas também pudera, afinal Naruto era o tipo de homem que sempre depois de acordar, fazia questão de arrancar um sorriso do rosto da amada e possuía o dom de simplesmente fazê-la feliz. Era inegável que tinham sido feitos um para o outro e que o que faltava em um, o outro tinha de sobra, como por exemplo, a impulsividade de Naruto, oposta à calma e racionalidade de Hinata.
O Rei e sua Rainha não ficavam para trás e agora se conformavam que os filhos, dos quais tinham perdido toda a infância, estavam agora prontos para seguirem seus próprios caminhos e criar laços familiares com as pessoas que tinham escolhido para si, afinal, não foi justamente isso que os mesmos fizeram quando eles próprios eram os jovens? Agora era a hora dos filhotes voarem, enquanto assistiam á tudo, unidos em seu ninho.
Os noivos eram a mais convincente demonstração da mais pura alegria. Havia sido um árduo e improvável caminho até ali. Mesmo depois da resposta de sua carta ao consulado ter chego, Saya e Itachi enfrentaram a parte mais difícil. Os fieis não se contentaram em ver um membro do clero deixar sua vocação por um casamento e, para não prejudicar o reinado de Minato de forma nenhuma, a princesa se refugiara com o noivo no feudo Uchiha. Ao menos lá, as pessoas pareceram se esquecer com o tempo e de fato, foram tão indiferentes ao caso, que o casal fizera questão de consagrar sua união ali mesmo, celebrada por um sacerdote conhecido de Itachi e que respeitava totalmente sua escolha. Apenas os mais próximos, ou seja, aqueles que queriam o bem do casal estavam ali, formando então uma cerimônia bem menor do que deveria ser para uma princesa. Entretanto Saya não se importava com mais nada, se não o fato de que agora se sentia a mulher mais realizada do mundo, ao lado daquele que poderia não ser nenhum príncipe em títulos, mas que o era totalmente em sua postura e forma de tratá-la. Já Itachi tinha cada vez mais certeza que havia tomado a escolha correta, deixando sua fé em primeiro lugar, mas partilhando de seu coração com a bela princesa.
Mikoto estava sentada na mesa de destaque, apesar de tudo era como se apenas seu corpo estivesse presente ali. Sua mente pairava longe... Lembrando com saudades do dia em que ela se vestira de noiva e se juntara á Fugaku em matrimônio, naquele tempo já gostava do Uchiha, mas mal sabia que o que sentia não chegaria nem perto do amor que desenvolvera pelo pai de seus filhos durante os anos que se seguiram. Fugaku sempre fora seu porto seguro e mesmo com todas as atitudes erradas que havia tomado, ele sempre foi o primeiro a apoiá-la e mostrar que nunca estaria sozinha. E de fato, mesmo agora sentia que o seu eterno amor sempre estaria consigo.
Depois das experiências e arrependimentos que tivera com Sakura, não se atreveu á se opor ao casamento do filho mais velho, embora estivesse um pouco decepcionada pela decisão do mesmo. Porém sua opinião não deveria importar mais, seu único desejo agora era ficar cercada de sua família e ver todos felizes.
Assentados em um lugar um pouco mais reservado, o belo moreno conversava com a mulher grávida que exibia o grande barrigão do último mês de gestação.
– Tem certeza de que está tudo bem? –Sasuke perguntou tentando inutilmente disfarçar seu tom preocupado.
– Acredite Sasuke, eu sou mais forte do que pensa. –respondeu, na verdade vinha sentindo pequenas dores desde que se levantara e a intensidade delas pareciam aumentar cada vez mais, entretanto tinha de vir presenciar a realização de Saya e Itachi.
– Sei que é. –concordou deixando a tensão lhe escapar por um momento. – Nosso filho já está prestes á nascer, não acha que já não é tempo o suficiente para reatar comigo totalmente? –Sakura sabia que o mesmo se referia ao relacionamento dos dois. Embora tivesse voltado para debaixo do mesmo teto que o Uchiha e convivessem em harmonia, a rosada sempre estava a fugir de suas investidas e mudava o rumo da conversa quando aquele assunto chegava.
– Já esperastes oito anos por mim, não acha que nove meses são pouco comparados á isso? –indagou com um pequeno sorriso.
– Sinceramente... Não. –mostrou-se impaciente. – Ainda duvidas do que sinto?
– Bem, eu... –começou, mas ela própria se interrompeu – Ai meu Deus! –suas expressões foram tomadas por sofrimento.
– O quê? O que houve? –perguntou tomando um tom desesperado.
– As contrações... –disse inspirando profundamente. – Aumentaram muito, a dor está forte.
– Maman! –gritou. – Chame a parteira, acho que Sakura dará a luz. –gritou por Mikoto, que se apressou em avisar um criado para buscar a senhora que costumava realizar os partos, a mesma que trouxera Itachi, Sasuke e acompanhara Lyn no conturbado nascimento de Daisuke.
Todos os convidados encerraram o que estavam fazendo e se voltaram á rosada, até mesmo os noivos pareceram esquecer-se da data tão especial, para acudir Sakura. Sasuke pegou a mulher nos braços e levou-a da capela até o casarão, em seguida subiu os degraus carregando-a e por fim, depositou-a na cama de seu quarto.
– Fique calma Sakura, dará tudo certo. –Hinata disse segurando sua mão, para então deixar o quarto.
– Traga meu sobrinho ou minha sobrinha para esse mundo. –Saya pronunciou, saindo logo em seguida.
– Se pudesse, aguentaria essa dor por ti. –Naruto parecia choroso, compadecido pela expressão de dor da amiga.
– Não dia besteiras Naruto! Diz isso porque homens não podem dar á luz, caso o contrário não aguentaria nem a primeira contração! –Tenten rebateu antes de dar um sorriso acolhedor à amiga e se retirar dali junto do loiro.
– Ficarei aqui, já passei por isso e sei que irá precisar de apoio. –Ino disse se colocando diante da cama.
– Ah, eu também! –Kushina exclamou juntando-se a loira.
– Mas Kushina... –Mikoto começou sem jeito.
– O que foi? Só porque sou a Rainha? Nada disso, já dei a luz á crianças e estarei aqui para o que for preciso. –argumentou.
– Merci. –Sakura agradeceu com dificuldades.
– Maman, diga-me que dessa vez dará tudo certo. –Sasuke sussurrou para a mãe, via-se o medo em suas feições. – Não quero perder a mulher de minha vida.
– Vai ficar tudo bem, logo terá Sakura e um bebê em seus braços.
Ambos ficaram quietos quando a senhora já corcunda entrou no aposento. As mulheres deram espaço para que passasse, então como Sakura já estava devidamente acomodada, a mesma levantou o lençol que cobria as pernas da mulher e a examinou.
– Sim, a hora é essa madame. –informou simplesmente.
...
Itachi viu o menino com expressões perdidas. Para Daisuke deveria ser difícil entender o que acontecia, então foi até o sobrinho e pegou-o no colo:
– Por que essas expressões tão tristes? Deveria estar contente por ganhar um irmão, ou irmãzinha.
– Estou, mas... Maman parecia ferida, não quero que se machuque. –respondeu fazendo um beicinho.
– Ela só estava sentindo uma pequena dor –mentiu. – que será recompensada por uma nova vida. –o menino pareceu conformar-se. – Quero que me prometa algo.
– O quê, tio?
– Que será para seu irmão ou irmã, um irmão tão protetor e exemplar quanto eu me esforcei para ser ao seu papa. Ele ou ela sempre o verá como exemplo, então dê o seu melhor sempre.
– Prometo! –concordou.
Itachi sorriu e abraçou o mesmo, o momento de ternura foi interrompido por um grito vindo do quarto.
...
Tentava apenas ignorar a dor e continuar a fazer força, mas era difícil. Sasuke estava pálido ao seu lado segurando uma de suas mãos, já Mikoto do outro lado não parava de repetir incentivos para que prosseguisse com o bom trabalho. Quando achou que não aguentaria mais, que suas forças se esgotariam, foi surpreendida pelo agudo, mas tão doce som do primeiro choro.
O som inundou seus ouvidos como uma música e automaticamente lembranças vieram á sua mente, dessa vez seu bebê chorara, estava vivo! Aliviou-se e ficou ainda mais feliz pelo acontecimento mais triste de sua vida não se repetir.
– É uma menina! –Kushina exclamou alegremente juntando-se á Ino em um abraço, as duas tinham ficado ali o tempo todo, orando e torcendo pela criança e sua mãe.
A parteira terminou de retirá-la, partiu o cordão com uma faca pequena e mostrou-a para os pais, era pequenina, rosada e já se notava alguns fios negros em sua cabeça. Só então Sakura sentiu as lágrimas correndo por seu rosto e fora surpreendida por um toque sutil em seus lábios, quando ele se afastou, pôde ver que Sasuke também estava emocionado, enquanto sussurrava um "merci" para que só ela ouvisse.
Foi Mikoto quem a trouxe para seus braços, os olhos ainda estavam fechados e o pranto cessou assim que foi acomodada nos braços da mãe, a Uchiha não sabia se chorava ou sorria para a pequenina em seu colo.
...
Três meses depois...
Sakura subiu ao coche com a ajuda do pajem, afinal em meio aos panos que carregava estava a pequena Risa. Daisuke as acompanhava com ânimo, o garoto vinha sendo de grande ajuda, já que sempre tomava conta e vinha acudir a irmã quando a mesma começava a chorar.
Deixou o menino no castelo com Naruto e seguiu caminho para o ambiente hostil dos calabouços, estava muito bem acompanhada por guardas, afinal não era sempre que uma donzela como Sakura visitava aquela área. Esperou diante de uma cela vazia, até que duas pessoas foram postas lá dentro, um casal na verdade.
Os olhos de ambos se iluminaram ao ver a figura que esperava por ambos:
– Sakura! –a mulher loira exclamou emocionada.
– Filha, fico feliz em vê-la aqui. –o homem disse igualmente comovido.
– Bem, eu... Imaginei que gostariam de conhecer Risa. –só então repararam no embrulho em seus braços.
– Ela é –a mulher começou abalada.
– Sim, neta de vocês. –completou sorrindo.
No mesmo instante, os dois pareciam encantados pela criança, que abriu os olhos verdes e sacudiu os bracinhos, parecia querer cumprimentar os avós. Sakura ficou ali por mais algum tempo, achava importante esquecer as mágoas do passado e que sua filha tivesse contato com os avós maternos também.
– Ela é tão linda Sakura. –Mebuki elogiou.
– Acho que se parece contigo. –Kizashi completou.
– Merci, Mikoto diz o mesmo. –agradeceu.
Trocaram mais algumas palavras e depois o silêncio perdurou afinal, todos ali sabiam que nenhuma palavra teria mais valor do que aquele valioso momento.
...
Assim que retornaram ao feudo, Daisuke saiu correndo em disparada e saltou no colo do pai, que tinha vindo recebê-los.
– Transcorreu tudo bem? –perguntou á mulher intrigado.
– Não poderia ser melhor. –respondeu juntando-se a ambos. Sasuke plantou um beijo no topo da cabeça da mulher e outro na de sua filha.
– Tens visita. –no portal da entrada, Hiruzen estava recostado próximo á Mikoto.
– Que bom vê-lo! –exclamou, entregando Risa com cuidado aos braços do pai, afinal a mesma estava dormindo.
– Pequena. –cumprimentou-a enquanto a mesma segurava suas mãos.
– Acho que já passou da hora do almoço, vamos entrar. –Mikoto disse sendo ultrapassada por Daisuke, que mais uma vez corria á frente.
Após a refeição, Sakura deixou sua pequena junto da sogra. Mikoto estava muito radiante com a presença do querido neto e agora também com a sua pequena princesa Risa.
Sasuke insistiu para que Sakura o seguisse, foram de mãos dadas por entre as árvores ao exterior do casarão e chegaram por fim, a um ponto que a rosada conhecia bem:
– Nosso esconderijo. –disse.
– Sim, foi aqui que caístes em cima de um arbusto e nos vimos pela primeira vez. –confirmou soltando um pequeno sorriso.
Observou que a vegetação e o clima presente ali pareciam os mesmos de sua infância e, por um instante, foi como se o tempo não tivesse passado.
– Queria que estivesse aqui comigo nesse momento, pois penso que é o lugar perfeito para um recomeço, afinal foi aqui que tudo teve seu início. –o moreno continuou a dizer.
– Sasuke...
– Não imaginas o quanto fico feliz por tê-la ao meu lado como vem sendo, porém –segurou suas mãos –a quero por inteiro, eu a amo e sei que me amas também.
– Sabe que não podia fazer isso, ou ao menos não o fazia, pois precisava de algo mais concreto. Daisuke sempre foi como eu nesse sentido, ele o amava mesmo que fosse ignorado, nada pode o afastar de ti, Sasuke e comigo é a mesma coisa. Risa veio para compor isso, ela é o maior símbolo do nosso amor, é fruto dele e ver hoje, o quanto os ama e os trata com carinho me faz querer amá-lo com todas as minhas forças. –disse emocionada.
– Então, isso significa que...
– Sim, estou de volta. Ou melhor, nosso amor está. –abraçou-o pelo pescoço enquanto o mesmo mantinha os braços ao redor de sua cintura.
Em meio ás copas das árvores, alguém assistia aquela cena com um sorriso nos desgastados lábios, fazendo com que os vários sinais de sua idade se mostrassem ainda mais.
"Eles viveram o amor e todas as suas tramas. Em determinados momentos, quase desistiram do mesmo. Perderam-se do que realmente importava, foram tomados por solidão e rancor, no entanto assim como uma luz que se acende em um corredor escuro, esse sentimento se reacendeu para fazer com que a vida corresse de volta por suas veias, afinal tudo o que se espera dessa mesma vida é essa luz, que ás vezes parece nunca chegar..."
Fim!
