Selena's POV
Eu não tinha tido nenhuma notícia de Demetria e apesar do pouco tempo em que ela tinha sido sequestrada, a cada hora que se passava meu corpo se arrepiava imaginando o pior, imaginando Demetria com uma garota doente e sem escrúpulos. Se eu tivesse a oportunidade de ver Hanna, eu acabaria com ela em meio tempo, sem nenhum pingo de dó e muito menos piedade. Ela tinha ido muito longe, exagerado e realmente me irritado. Não era uma coisa muito boa de se acontecer... Eu mal conseguia fazer minhas coisas e todos percebiam o quanto eu estava nervosa, mas eu apenas tinha falado para Toby e para minha mãe, que já estava acomodada na nova casa. Minha vontade era de fazer nada e de ficar apenas deitada no colo da minha mãe ouvindo ela dizer que tudo iria ficar bem e que Demetria seria encontrada, porém nem tudo seria fácil assim e eu teria que assumir meus compromissos, que por sinal, eram muitos.
– Minha cabeça dói. – reclamei para minha mãe.
– Isso foi pelo fato de você ter dormido pouco a noite, Selena. – ela respondeu.
Eu e minha mãe estávamos almoçando no pouco tempo que eu tinha livre no meu dia. Optei por almoçar em sua casa; não queria causar nenhum tipo de tumulto em algum restaurante e nem demorar muito.
– É, eu dormi pouco... Pra falar a verdade, não sei se dormi. – coloquei uma mão em minha testa. – Mas que merda.
– Filha, tudo ficará bem. Eles irão encontrar Demi. – tentou tranquilizar-me.
– Eu espero que sim, pois ela é tudo o que eu penso.
Eu e minha mãe terminamos de almoçar e depois perguntei se ela queria ir comigo, mas ela disse que não, que preferia ficar em casa e descansar um pouco. Beijei minha mãe na testa e saí em direção a uma entrevista que teria em uma rádio. O clipe de Naturally tinha sido lançado de manhã e essa rádio começaria a tocar o single, então era importante e eu não poderia faltar, sem contar que teria uma sessão de autógrafos em um shopping. Entrei pelos fundos da rádio, totalmente desanimada e encontrei-me com o locutor, Dave Parker, um dos mais famosos dos Estados Unidos.
– É um prazer conhecê-la, Selena! – cumprimentou-me.
– Também é um prazer conhecê-lo, Dave. – cumprimentei.
– Então, vamos começar a entrevista?
Todas aquelas mesmas perguntas clichês de sempre. Como comecei, quando, o que eu fazia antes de me tornar famosa e alcançar o sucesso, quais eram minhas maiores inspirações, se eu estava apaixonada, se eu iria fazer uma turnê... Aquilo tudo estava parecendo tão cansativo. Depois das perguntas que eram ao vivo, ele soltou Naturally na rádio para toda a população norte americana ouvir. Eu estava orgulhosa de mim mesma, porém minha vontade era de chorar e eu odiava estar tão frágil assim, qual motivo? Demetria. A música era para ela e ela tinha sido sequestrada. Tentei parecer o mais normal e simpática possível e tudo ocorreu bem, menos um í correndo em direção ao shopping aonde ocorreria a sessão de autógrafos em uma livraria, aonde fui informada que a segurança seria pesada. Eu autografaria cds, fotos, revistas, tudo relacionado a mim. Não era tão chato assim, já que era legal ter aquele contato com os fãs e eles me faziam sorrir.
Cheguei no shoping também pelos fundos, escoltada por vários seguranças e peguei um elevador de serviço até o andar aonde se localizava a livraria. Demos um jeito para que eu entrasse no estabelecimento sem que ninguém me visse e as portas de lá estavam fechadas. Havia uma mesa no centro aonde eu ficaria sentada para autografar e entraria um por um, para evitar tumulto ou qualquer outro tipo de coisa. Aos poucos, fui autografando as coisas para meus fãs e houve até um incidente aonde uma menina correu para me abraçar e um segurança queria retirá-la a força, porém eu disse que estava tudo bem e retribuí o abraço com um sorriso. Eu não ligava em dar abraços, nem nada do tipo, só abominava se tentassem puxar meu cabelo, me agarrar a força ou algo parecido.
Encerrei a sessão, e voltei para meu apartamento. Eu estava um pouco mal, graças a meu problema de sinusite e de rinite, mas tomei meu remédio rapidamente e repousei em minha cama. Eu estava doida para ligar para Taylor e procurar saber sobre alguma informação, mas minhas crises de espirro estavam constantes e disso de uma hora para outra. Esperei ela acabar, para ligar imediatamente para Taylor.
– Alguma notícia? – perguntei preocupada.
– Não, nada. Nenhuma ligação dos sequestradores. Dianna e Eddie estão loucos aqui e eu também. – percebi a tristeza em sua voz. – Acho que vou ter que agir, Selena, não dá para ficar parada.
– Eu estou pensando em voltar para Dallas, Taylor. Eu estou muito preocupada com Demi.
– Não, isso vai te prejudicar. Fique aí, eu vou dar um jeito.
– Mas Taylor...
– Selena, é sério. Você esperou muito para que o seu sonho se realizasse, tudo o que Hanna quer é te te atingir e ela pode acabar te fazendo algum mal. Fique por aí, ok? Eu vou resolver tudo, Demi vai ser salva.
– Eu... É complicado, mas vou tentar ficar calma. – coloquei minhas mãos na cabeça. – Qual é o seu plano?
– Eu e Miley...
– Miley? – cortei Taylor.
– Sim. – falou naturalmente.
– Não gosto de Miley. – revirei os olhos. – Exclua Miley desse plano.
– Não, ela e Demi de alguma forma são amigas e ela vai ser útil. Selena, agora não é hora de ressentimentos, você não tem que aceitar nada.
– Tá, continua.
– Enfim... Nós vamos dar um jeito de encontrar aonde Hanna está escondendo Demi. Miley conhece alguns amigos de Hanna e vamos coletar informações, quem sabe até passamos alguém do lado de Hanna pro nosso lado, hein? Alguém deve saber de algo, e nós vamos descobrir.
– Eu quero que essa garota vá presa, que mofe na cadeia, mas se ela tentar fazer algo contra Demetria...
– Eu já sei. Pode deixar.
– Ótimo. Espero que Miley não seja molenga, nem algo do tipo, pois era só o que faltava.
– Miley não é, isso eu posso te garantir. Pelo menos quando se trata de Demi, ela defende-a com unhas e garras, pelo menos sempre foi assim.
– Hum. – estava um pouco enciumada. – Que bom então, né?
– Sim, Selena. Você está com ciumes?
– Claro que não, que besteira. – tentei convencer Taylor.
– Ah, qual é? Demi é louca por você, Miley é passado.
– Taylor, vou te mandar a real. Eu e Demi temos uma conexão muito forte, muito menos e eu estou louca por ela, isso é um fato visível. Mas ela e Miley têm uma história longa e muito importante... Não sei se Demi realmente superou, sei lá. Miley é muito especial para ela, e é por isso que eu fico insegura, ou com ciúmes.
– Nossa, peraí. Você chamou a Demi de Demi? Meu Deus, eu deveria gravar essa conversa.
– É de tanto vocês chamarem a Demetria assim. Até que ''Demi'' é fofo. Enfim, continuando... Não sei se você me entende, mas tenho medo de perdê-la. Você sabe como eu sou fechada, eu me abri para Demi e morro de medo de me magoar.
– Tenho certeza que ela não irá te magoar, Selena. Relaxe...
– Vou tentar, pois é. Olha, eu vou desligar... Comecei a passar mal aqui, não estou muito bem e tenho coisas para fazer amanhã de manhã. Qualquer notícia, me ligue, em qualquer horário e não hesite. Eu te amo, Taylor. Boa noite.
– Tudo bem... Melhoras, Sel, mesmo. Eu também te amo, e pode deixar que qualquer coisa eu te ligarei.
Desliguei e deitei na cama. Tinha voltado a passar mal, minha crise de espirros tinha voltado e eu tomei outro comprimido. Aquilo me irritava profundamente. Comecei a suar e concluí que estava com febre, e resolvi ir dormir logo de vez.
