Olá, garotas.

Finalmente consegui escrever.

Já tenho alguns capítulos de frente e vou postar toda segunda.

Meu objetivo é não precisar parar novamente e concluir a fic dessa vez.

Agradeço novamente pela paciência de quem ainda estiver por aqui.

Beijos.

Bah Kika

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TEPT - Capítulo 25
"Decisões, decisões..."

(Alguns meses depois)

PDV BELLA

- Meu reino por seus pensamentos. - Ângela me despertou com suas palavras.

- Não gaste seu reino com aquilo que já sabe.

- Deixa-me ver se adivinho, então... Pensando no Edward? De novo?

- Sempre, não é? - Eu suspirei, com meu sorriso sem graça.

- Bella, você precisa fazer alguma coisa. - Ângela insistiu. - Não aguento mais te ver sofrendo assim.

- Mas o que é que eu posso fazer, Ângela?

- Atacar!

- Eu não posso atacar o meu médico! - Eu sabia que ela sabia disso, então qual era o sentido daquela insistência boba?

- Se você não falar com ele, eu vou falar! – Eu até perdi o ar com a ameaça. - Faz meses que você está presa nesse sofrimento e isso não está te fazendo bem.

- Se você falar, ele vai me afastar, Ângela!

- Talvez essa seja a solução!

- Eu não quero ficar longe dele!

- Bella, eu sei que você não tem muita experiência com essa coisa de amor. E olha que eu também não sou lá nenhuma especialista. Mas, eu preciso te dizer uma coisa: se você contar ao Edward o que sente, duas coisas podem acontecer e, na verdade, qualquer uma delas é melhor do que viver nessa angústia que você vive.

- Eu não vivo em angústia nenhuma...

- Vive! - Ângela insistiu, categórica. - Vive com medo de perder um homem que nem sabe o que você sente! Se for para continuar assim, é melhor você realmente se afastar dele. Quem sabe, longe, você não consiga olhar para outra pessoa, esquecer o Edward, seguir em frente...

Eu não consegui responder nada às acusações de Ângela. Eu sabia que tudo o que ela estava dizendo podia muito bem fazer sentido e que eu devia escutá-la, mas a simples ideia de esquecer Edward, doeu no fundo do meu coração.

- Bells... - Ângela tocou meu ombro de forma suave. - Você sabe que eu estou certa. Se você não quer contar o que sente, é só dizer que vai mudar de médico. Ele não pode te impedir.

- Ele vai ficar decepcionado comigo...

- O Edward quer te ver feliz. - Ângela afirmou. - Você sabe disso. Além disso, você me disse que ele já conseguiu registrar a pesquisa dele. Você já ajudou o Edward com o que podia. É hora de viver a sua vida.

- Eu... Eu vou pensar.

- Não pense que eu vou te dar muito tempo, Bells. Já cansei de te ver sofrendo. Faz meses que conversamos sobre isso, e até agora você não fez nada além de sofrer e chorar. É pelo seu bem que eu estou dizendo. E eu tenho certeza que o Edward concordaria comigo de todas as maneiras.

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PDV EDWARD

- Como estão as coisas? - Carlisle me perguntou.

- Tudo indo muito bem, na verdade. - Eu sorri, ao responder. - A recepção à minha tese foi incrível, meus pacientes estão indo cada vez melhor...

- E você tinha alguma dúvida de que sua tese seria bem aceita, Edward?

- Claro que eu tinha dúvidas! - Eu confirmei. - Eu estava apostando tudo nela, eu fiz tudo o que podia, e lutei todos os dias, mas, você sabe muito bem que os resultados podiam ter sido ruins.

- No começo, sim. - Carlisle concordou. - Mas já fazia algum tempo que os resultados vinham se mostrando ótimos. Alice, Isabella... Até mesmo Jasper. Da sua primeira turma, nós só perdemos Rosalie.

- Mas Rosalie era um caso muito complicado mesmo...

- Eu que o diga... - Carlisle suspirou. - Não me conformo em não ter percebido antes. Se eu tivesse diagnosticado a personalidade histriônica logo no início, talvez, tivéssemos tido mais tempo para tratá-la, e...

- Carlisle... - Eu o interrompi. - Você nem era o médico responsável pelo atendimento dela. E, além, disso, nós já conversamos sobre esse assunto: Rosalie estava em um caso de TEPT quando chegou à clínica. E isso mascarou os demais sintomas.

- Eu posso não ter sido o médico direto de Rosalie, mas eu sou o responsável por todos os pacientes que chegam à minha clínica. E eu não me conformo em perder um paciente!

- Você não é Deus, Carlisle. - Eu sorri, tentando lembrá-lo da frase que ele costumava usar comigo.

- Eu sei. - Ele suspirou. - Mas não me conformo mesmo assim. Rosalie ela linda, jovem, podia ter uma vida dentro da normalidade, caso aceitasse o tratamento necessário.

- Eu sei como você se sente. - Eu assenti para meu tão querido professor. Aquele gosto amargo era algo que eu realmente conhecia. - Eu convivi com todos esses sentimentos quando a minha mãe morreu.

- Edward... - Ele se penalizou, e eu sorri, tentando absolvê-lo da preocupação. Depois de tantos anos e sessões de terapia, eu já havia aprendido como conviver com essa dor.

- Sabe, eu acho que essa é a parte mais difícil da psiquiatria: ver que você perdeu, e que nem sequer foi para a doença. Foi para o próprio paciente. Quando eles se entregam, não aceitam nenhum tipo de ajuda... Quando eles decidem que não há mais por que lutar ou pelo que viver...

- Eu não sei se Rosalie queria mesmo morrer. - Carlisle ponderou. - Rosalie... Ela era o tipo que faria tudo para chamar a nossa atenção. E nós não fomos cuidadosos o suficiente.

- A clínica fez tudo o que podia por ela, Carlisle. Até mesmo a investigação concluiu isso. Os quartos estavam adequados às normas, nós fomos cuidadosos com os medicamentos, ela não tinha contato com objetos cortantes... Ninguém poderia imaginar que ela faria o que fez.

- Ah... Nem me lembre disso! Ter que enfrentar uma equipe de investigação dentro da minha clínica! Depois de tudo o que já estávamos passando... - Carlisle reclamou. - Isso nunca havia acontecido aqui.

- O importante é que eles não encontraram nada de irregular, Carlisle. Todas as clínicas têm persianas.

- A nossa não tem mais. - Ele relembrou. - Mas o preço que pagamos por isso foi alto demais.

Já fazia algum tempo que Rosalie havia falecido, mas Carlisle ainda não conseguia aceitar. Ele se sentia culpado por não ter percebido, mas ela não vinha mesmo dando sinais, nem costumava ameaçar que cometeria tal ato, como a grande maioria dos pacientes costuma fazer. Ela só estava mais calada, depois de um longo período de uma depressão que a deixara apática. E, mesmo com os remédios, a verdade é que ela, simplesmente, não queria reagir.

Então, certo dia, no meio da tarde, a enfermagem foi acionada: uma câmera flagrava Rosalie tentando se enforcar com os fios da persiana de seu quarto. Ela estava tão mal, que conseguiu continuar segurando os fios e fazendo força, mesmo enquanto sentia dor.

Os funcionários conseguiram socorrê-la a tempo, mas ela produziu um bom ferimento no pescoço e teve que ser transferida para um hospital de emergência. Os médicos não compreendiam como ela havia suportado continuar fazendo força, mas as gravações provavam que ela havia feito.

Depois da transferência, Rosalie não voltou mais.

Na verdade, oficialmente, o óbito foi causado por uma infecção, que se originou nos ferimentos, mas uma equipe de investigação foi designada pelo conselho estadual, para averiguar se a clínica havia contribuído para sua morte.

Felizmente, eles concluíram que não.

A clínica, como instituição, saiu ilesa do caso, mas Carlisle, como indivíduo, não - Ele mesmo se cobrava mais do que qualquer investigação.

Eu e Emmett até insistimos que ele tirasse ao menos alguns dias de folga, para se distrair, viajar com Esme, relaxar um pouco... Mas ele era teimoso demais. E tinha aquela mania irritante de querer carregar o mundo nas costas.

"Olha quem fala" – Heidi costumava dizer, quando eu repetia isso.

- Vamos mudar de assunto? - Eu sugeri. - Nem sei por que estamos falando disso hoje. Não começamos exatamente, falando sobre como tudo estava indo bem?

- É verdade. - Carlisle tentou sorrir. - Me desculpe por isso. Vamos falar sobre suas boas conquistas. Ouvi dizer que Alice está organizando uma grande festa.

- Como você soube? – Eu perguntei, surpreso.

- Emmett comentou alguma coisa. – Ele deu de ombros – Você vai?

- Acho que não. Melhor não misturar tanto as coisas. Eu costumo frequentar as festas que representam grandes conquistas, como a inauguração da loja de Alice, e a exposição dos trabalhos de Isabella... Mas uma festa de aniversário, e em uma casa como aquela... Não sei se me sinto a vontade. Além disso, duvido muito que ela note minha ausência, já que dizem que ela está convidando a cidade inteira!

- Você conversou com ela sobre isso?

- Conversei. – Eu assenti – Alice está bem, equilibrada. E ela sabe muito bem que eu não posso vigiá-la o tempo todo. Quem tem que se manter longe do álcool é ela. Não que eu posso reclamar: ela tem agido muito bem e feito tudo direitinho; não tocou no álcool desde que saiu da clínica.

- Ela é uma boa menina.

- Ela é, sim. Na verdade, eu acho que dei muita sorte com meus pacientes...

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PDV BELLA

- Hello... - Eu atravessei a porta e me joguei no sofá com Ângela. - Estou esgotada hoje.

- Sei bem como é. Esse fim de semestre não está fácil para ninguém. - Ângela suspirou. - Ainda bem que já está acabando. Não vejo a horas de aproveitarmos as férias, viajar para casa...

- Está falando de você, não é? Porque eu não vou poder sair da cidade, Ângela.

- Ah, Bella... Seria tão divertido viajar com você!

- Mas eu tenho a exposição. E esse ano, estão dizendo, vamos receber um crítico muito importante. - Eu contei sorrindo. - Você já imaginou o tamanho da oportunidade?

- Sei... - Ângela examinava meu rosto. - Você jura que ficar aqui não tem nada a ver com o Edward, não é?

- Eu também não posso abandonar meu tratamento...

- Você entendeu o que eu quis dizer. - Ela acusou.

- Eu tenho tomado cuidado, Ang. Está tudo bem.

- Melhor seria se você mudasse de médico...

- De novo isso? - Eu reclamei. - É melhor nós mudarmos de assunto antes de começarmos a brigar outra vez. - Eu me levantei do sofá. - Vamos pedir alguma coisa para comer?

- Eu já pedi pizza. - Ela me informou, aceitando a mudança de assunto, embora não sem um certo mau humor. - Já deve estar até chegando.

- Tudo bem... - Eu suspirei. - Quanto ficou? Eu pago dessa vez.

- Ah! Já ia até me esquecendo: chegou um envelope para você. - Ângela apontou o aparador que ficava perto da porta.

- Envelope para mim? - Eu estranhei. - De onde?

- Eu não sei. - Ângela deu de ombros, então eu andei até o móvel e observei o envelope, procurando o remetente.

- Alice? - Achei ainda mais estranho e me apressei em rasgar o papel. - Alice... - Eu ri de seu enorme convite de aniversário.

- O que foi?

- É o aniversário dela. - Eu mostrei para Ângela. - Ela é tão dramática. Não seria muito mais simples mandar um convite pelo Facebook?

- Bem, depende do tipo de festa. - Ângela riu. - E, pelo jeito, não será uma festinha qualquer.

- Alice não é de fazer nada pequeno... - Eu concordei, examinando o convite com mais atenção. - Mas eu nem sei se vou.

- E porque não? - Ângela questionou.

- Você sabe que eu não gosto muito de festa. - Eu relembrei. - E, além de tudo, ter que ir sozinha... Não sei, não.

- Pois eu acho que seria muito bom para você. E, se todo o problema é esse, eu duvido que Alice se importe se você levar um acompanhante.

- E quem eu vou levar? Só se for você!

- Não, Bella! Você precisa levar um garoto!

- Que garoto, Ang? - Eu ri.

- O Jacob, por exemplo... - Ela disse, tentando fazer a frase parecer muitíssimo normal. - Já faz um tempão que ele está te cercando. Quem sabe não é uma chance de vocês se conhecerem um pouquinho mais?

- Ele não está me cercando. - Eu tentei negar, mesmo sabendo que ele estava sim. Jacob fazia questão de me lembrar de sua presença em todas as aulas que fazíamos juntos, e agora ele havia descoberto o número de meu celular.

- Ele está louquinho por você! - Ângela riu. - Você precisa dar alguns passos adiante, Bells.

- É complicado para mim, Ângela. E você sabe disso. Além do mais...

- Além do mais... Tem o Edward. - Ângela completou a frase que eu achei melhor não completar.

- A gente não manda no coração. - Eu aleguei.

- Mas manda na cabeça. - Ângela segurou meu rosto e fez com que eu olhasse bem dentro de seus olhos. - Você precisa andar. Vai ser muito saudável para você.

- Você tinha gostado tanto da ideia de me ver com o Edward. - Eu lembrei. - O que mudou tanto?

- Você precisa andar. - Ângela reafirmou. - Se fosse para ir em direção ao Edward, eu te apoiaria. Mas você não quer, não vai... Então, só tem uma opção: andar para longe. Eu quero ver você bem, minha prima. E este lugar em que você estagnou não é um lugar onde você possa ser feliz.