Oi, leitores e leitoras queridas, estou de volta! Desculpem, demorei um pouco para postar esse... Acontece que esse capítulo foi um daqueles que eu escrevi e reescrevi algumas partes várias vezes, a todo o momento pensava que estava faltando algo, ou não estava como eu queria... Enfim, de tanto reescrever, antes que me desse um bloqueio resolvi deixar como ficou a última versão, ou seja, essa que apresento a vocês. Me desculpem se algo os desapontar, eu espero que não!
AVISO: Cenas quentes.
Boa leitura!
A minha queda será por você
Capítulo 29 – O primeiro Adeus.
Saphiro sentado na cama, esperava a costureira real terminar de consertar a sua farda azul e trazê-la de volta. Descamisado, tinha o ombro enfaixado e o braço acomodado em uma tipoia. A maçaneta girou devagar e a porta se abriu, era Hina chegando.
— Saphiro... — entrou temerosa, ele lhe fugiu o olhar virando o rosto para o outro lado.
— O que faz aqui? — perguntou nervoso e envergonhado.
Ela sentou ao seu lado, cuidadosamente passou as pontas dos dedos sobre as faixas brancas em seu ombro, depois recolheu a mão e olhou para baixo.
— Deve ter sido difícil... — ela disse bem baixinho, doce e pesarosa.
— Hum? — ainda sem olhá-la, não a compreendeu.
— Deve ter sido difícil guardar segredo, você poderia ter dividido isso comigo, Saphiro... Eu estou muito triste... — falava cabisbaixa.
— Imagino o quão desapontada comigo deve estar, não a culpo.
— Estou sim, mas estou desapontada por não ter confiado em mim. Eu confiei em você, contei que seu irmão estava vivo e eu não deveria, contei sobre os sentimentos da princesa, e você nunca se abriu para mim... — respirou fundo — Será que não sou digna de sua confiança?
— Hina... — finalmente a olhou em remorso profundo. Cuidadosamente, tirou o braço do apoio da tipoia, e embora fosse muito doloroso movê-lo, a abraçou de lado — Me perdoe.
— Não importa o que aconteça, jamais sentirei raiva de você. — disse meiga, ainda de cabeça baixa — Jamais, Saphiro... O que eu sinto por você permanece intacto... Não quero que vá embora! — encolheu-se, chorosa.
O príncipe azul se virou de frente para ela e a tomou nos braços, sentiu o choro dela molhar-lhe o peito despido, as mãos delicadas apertarem as suas costas, repuxando um pouco a pele e provocando-lhe desconforto devido ao ferimento. Não reclamou, manteve-se no abraço, pousou o queixo sobre os cabelos alaranjados, afundou-se neles. A saudade doía mais do que o ombro.
— Eu não tenho escolha, Hina... – beijou-lhe a testa — Mas, sabe? De certo modo estou feliz... — ergueu-lhe o rosto, fazendo-a mirar seu sorriso acolhedor mascarando o sofrimento — Sou feliz por ter a sua atenção, mesmo depois de tudo, obrigado. Será que posso... — deslizou os dedos pela face corada — Beijá-la mais uma vez?
— Uhum — forçou um sorriso e fechou os olhos, respirando pesadamente. Acalmou-se quando os lábios frios de Saphiro encontraram os seus mornos.
Um pequeno choque se fez em ambos, roçaram-se carinhosamente, depositaram selinhos um no outro, degustaram-se, e, quando as peles rosadas já estavam escorregadias e sensíveis, Saphiro fez Hina abrir a boca e recebê-lo. O corpo dele pesou sobre o dela, fazendo-a deitar. O ombro dele ardeu, porém o Black Moon não demonstrou dor, a mão quente de Hina afagou-o no braço, subiu desajeitada à sua nuca e brincou com os cabelos azuis, as pernas dela cruzaram-se, tímidas, e roçaram-se uma na outra, gemia bem baixinho, amassada pelo corpo dele. O beijo findou, olharam-se por um tempo, ele afastou os cabelos de fogo que cobriam o rosto da jovenzinha, riu de leve ao vê-la cor-de-rosa, como sempre.
— Não tenho muito tempo... — ele se lembrou, lamentando. Olhou-a de cima a baixo, enrubesceu de leve, comportado, recostou uma maçã ao seio ofegante de Hina, fechou os olhos e ouviu seu coração acelerado — é uma pena... — sentiu-se estranho, como da vez em que a espiou experimentando o vestido do baile. — gostaria de vê-la daquele jeito outra vez... — sussurrou consigo.
Estática, via a ele e a si no reflexo dos cristais do teto, entorpecida, piscou lentamente os olhos e mordiscou o lábio inferior, tomando coragem, enfrentando a timidez. Não fazia ideia de quando o veria outra vez, e de certo modo, ao ouvir o murmúrio dele soube o que quis dizer.
— Saphiro... — soltou o nome num suspiro, abriu devagar as pernas tensionadas e, encaixou-o entre elas, apertando-o levemente. Ela tremia. A mão temerosa encontrou a dele e fê-la subir por sua cintura, induzindo-o a tocá-la. De início ele não compreendeu muito bem o significado daquele gesto. — Pode me beijar de novo? — pediu.
Beijou-a com ainda mais ardor, e quando ia apartar-se ela não permitiu, segurou-o firme contra o corpo dela, prensando-os. O calor entranho o percorreu como da outra vez, o mesmo calor emanava da suplicante Hina. A mão dela despiu a dele, a luva azul caiu ao chão. Assim, singelo, ele passou a mão nua por baixo da blusa colegial de sua ruivinha, entrando em contato com a pele quente. Ah, como amava sentir o calor e a textura de sua Sailor Fire... E assim mesmo, não querendo desrespeitá-la, traria a mão de volta, mas a dela própria a segurou ali e, trêmula subiu-a um pouco mais, à altura das costelas.
— Hina? — disse entre beijos.
— Está tudo bem... — a voz soou tremida, ela sorria.
Suave, ele beijou-lhe o rosto, depois o queixo, e, calmo, desceu ao pescoço.
— Para nos lembrarmos... — ele justificou para si e para ela.
— Para nunca esquecermos... — ela complementou.
Olharam-se outra vez, no momento seguinte ele tornou ao pescoço dela, provou a doçura da pele de novo, com as mãos tímidas, desceu a gola do uniforme branco e lilás, beijou-lhe os ombros, arrancou o broche vermelho do laço prateado, depois desfez a fita, sentou-se com ela, acomodou-a em seu colo. Respirou fundo, resistindo à dor que sentia em decorrência do ferimento, ela, recatada o beijou ali, enquanto ele, menos envergonhado, tirava-lhe a parte de cima do uniforme colegial.
Ao vê-la, coberta por um romântico sutiã alaranjado e cheio de bordados, conteve a respiração descompassada, dessa vez a face dele esquentou.
— Você é linda, Hina... — afagou-lhe a barriga, eriçando-lhe a pele, desenhou os bordados cor de abóbora com as pontas dos dedos, parou-os no pequeno gancho dourado entre os seios redondos e alvos.
Inspirou e expirou o ar, encontrando fôlego para desabotoá-lo. Tic. Feito. Ele desceu as alças dela calmamente, fazendo-as caírem pelos ombros encolhidos, fitou-a como quem pede permissão, um sorriso trêmulo foi a resposta. Libertou-a daquela peça, revelando-a até o umbigo. Numa reação espontânea, Hina uniu os seios abraçando a si própria, escondendo-se. Saphiro, mantendo a calma, abaixou os braços dela devagar. Vermelha, ela baixou o olhar e a cabeça, ele a ergueu outra vez pelo queixo.
— Me abrace. — pediu, foi acatado cuidadosamente.
Subiu e desceu as mãos pelas costas dela, se desfez da outra luva. Ousando mais, apertou-a contra si, espremendo os seios da marinheira contra o seu peito. Suspirou-lhe ao pé do ouvido, enquanto a mão, menos cerimoniosa, apalpou a coxa rechonchuda por debaixo da saia lilás que a cobria até o joelho.
— Pode continuar... — num esforço ela conseguiu dizer: — Tire o resto...
— Levante-se. — fez outro pedido, foi atendido.
Ela se pôs de pé, quase ofegante. Ele se sentou de frente para ela e, com as duas mãos, abaixou-lhe a saia pregueada calmamente. Hina fechou os olhos e respirou fundo, as mãos dele lhe percorreram as pernas, desfazendo-as das meias brancas, e, carinhosamente, os pés das sapatilhas. Tornando-a quase como veio ao mundo, foi sua vez de ficar de pé. Cativou as duas mãos frágeis e acanhadas e as fez pousarem sobre o cós da calça, não sem antes mostrar-lhes o caminho, desde o peito pálido. Inebriou-se com o calor daquelas palmas, certificou-se de jamais esquecê-lo quando retornasse ao frio Nemesis.
— Você quer me ver? — perguntou docemente, apertando as mãozinhas seguras no fecho da calça branca.
— Sim... — ficou ainda mais rubra.
Satisfeito com a resposta, sorriu e a fez desabotoá-la para ele. A peça caiu como uma cortina, ele desenrolou os pés da veste e desfez-se dos próprios sapatos. Abraçaram-se outra vez, firmemente. Uma pontada no ombro fez Saphiro gemer, Hina assustou-se, fez menção de se afastar, ele não permitiu. Apertou-a com força, dentro do aperto ela sentiu algo incomum encostando-a, quase pegou fogo, tremeu nas bases. O nemesiano, desejoso, mergulhou o nariz nos cachos dela, enquanto suas mãos trataram de libertá-la da última peça, pois os minutos corriam e o tempo era escasso.
— Está com medo? — sussurrou ao ouvido dela, enquanto, acanhado, tocou levemente a extremidade umedecida e sensível, tão nova para ele quanto para ela.
— Um pouco... — confessou, revirando os olhos.
— Não tema... — sem que ela percebesse, ele se desfez da roupa íntima e ficou no mesmo estado. Vagarosamente, ainda abraçado a ela, a trouxe consigo para a cama, sentou-se encostado à cabeceira, acomodou-a sentada no colo. — Não faço ideia de como isso é, mas sei que não poderá ser ruim. — afirmou afagando-lhe a cintura, depois subindo as mãos pelas laterais dela, para por fim pousar, temeroso, em suas nádegas e induzi-la a relaxar. —... Porque eu a amo. — Beijou-a, tentando acalmá-la.
"Talvez não nos vejamos nunca mais..." — ela pensou, aflita — "Talvez seja a nossa única chance" — convenceu-se.
Hina, contendo os tremores nervosos, baixou os quadris lentamente e entrou em contato com a rigidez dele. Abafou um gemido beijando-o. Cerrou os olhos, sentiu uma leve dor ao tentar engoli-lo às pressas, ele a fez parar, mesmo entorpecido pela quentura da pele dela. Encarou-a silenciosamente, os orbes azul-safira cintilavam em encanto, as mãos comportadas alisaram a pele macia da marinheira, tentando proporcionar-lhe calma e boas sensações contornaram os montes redondos num primeiro movimento, para depois encaixarem-nos nelas com perfeição. A ruivinha arfou, o corpo inteiro enrijeceu, Saphiro a fez recostar a cabeça em seu ombro intacto, e, a beijar-lhe o rosto tornou a tocá-la onde nunca antes fora tocada – os seios alvos, levemente rosados quando em contato com os dedos –, e ela, em retribuição afagava o tronco pálido e delineado, roçava os lábios em seu pescoço e ombro, provocando no Black Moon ligeiros tremores e arrepios.
Um respingar cálido da essência dela sobre a dele o aqueceu ainda mais. Em resquícios de pudor, os dedos tímidos a tocaram superficialmente, contornaram-lhe a entrada, cuidadosos, ela inteira tremelicou, os músculos amoleceram-se. Encostaram-se as testas suadas, as respirações descompassadas se misturaram e, pela primeira vez olharam-se tão intensos como duas faíscas que se cruzam.
Sailor Fire apoiou as mãos à cabeceira dourada da cama e impulsionou o corpo para baixo, devagar. Entrou em contato com ele, como antes, a ligeira dor não foi impedimento para que ela remexesse os quadris uma, duas, três vezes, vagarosa, acanhada.
Ele, marcado por rubor equivalente ao dela, enredou-a a passar os dedos por sua virilha, ajudando-a a mover-se e, aos poucos, engoli-lo. Conforme era absorvido naquele calor molhado, mais latejava ali dentro, e, discreta, sua garganta emitia baixos ruídos. Os olhos cerravam-se, jamais experimentara algo tão bom em toda a vida.
O ar que escapava de Hina o soprava, o acalentava e o instigava. Com certa força, fê-la descer por completo, sentiu-se bater em uma parede macia, um alto gemido de sua pianista o alarmou. Ficaram parados, ali, completamente unidos, ela enrijecera novamente. O nemesiano, paciente, acarinhou-lhe a nuca e as costas, enquanto a guardiã das chamas escondia o rosto no ombro invicto dele, a tremer.
— Hina, olhe para mim... — disse em voz baixa, ele também tremia.
O olhou outra vez. O sorriso dele e a ternura azulada nos olhos a derreteu, uma lágrima contida derramou-se de uma esmeralda, foi beijada ali, o jovem alquimista deliciou-se com o gosto salubre, e mais ainda com a doçura ao experimentar-lhe os lábios outra vez. Antes que pudesse dizê-la que não era obrigada a continuar, o seu membro foi apertado no interior dela, ambos latejavam. Superando-se, ela tornou a mover o corpo sobre o dele, como se tentasse dançar. Seus dedos apertavam-se à cabeceira, tendo-a como suporte. Os cachos alaranjados escorriam sobre a face entorpecida de Saphiro, tirando-lhe a visão do resto do quarto. Tudo o que via era toda ela sobre si, entregue, catártica, e inocentemente sedutora naquela espécie de dança de acasalamento. Ele próprio movia-se dentro dela, para um lado e para outro, aproveitando-se de cada textura que ela tinha. No decorrer daquilo, tornavam-se mais intensos, e logo a timidez virou passado em suas ações. Dedos tocavam articulações como se tocassem bemóis e sustenidos, dali compunham as mais diversas melodias, as línguas traçavam percursos de oitavas sobre articulações arrepiadas. As cascatas se encontravam e formavam um olho d'água, precisas, derramavam-se e os corpos enfim, dividiam espasmos, calores, descontroles, tornando-se um só. Entre gemidos cantados, terminaram o seu Adágio. O Black Moon derramou-se na Sailor, encharcando-a de dentro para fora. Deram tanto de si naquele ato que, ao término estavam exauridos, um apoiava-se no outro, ofegantes.
— Eu o esperarei. — disse entrecortada pela respiração — Prometo! — esbanjou um sorriso esperançoso — E, quando você voltar, terei composto uma sonata para você!
— Adorarei ouvir... — a abraçou com tudo de si, como se não houvesse amanhã. Finalmente, ela se desmanchou em pranto naquele gesto.
"Não haverá um só dia que eu não pense em você..." — ele pensou, possuindo corpo e alma de sua adorada naquele abraço saudoso — "Perdoe-me seu eu não regressar"! — fechou os olhos, desejando que aquele momento pudesse durar por toda uma vida.
Rini pendurou no pescoço o cordão cujo pingente era uma chave dourada. Sentada ao trono, segurava o adereço numa mão, recordando-se da infância sofrida. Príncipe Diamante adentrou o salão, abatido como ela.
— E então, o que falta? — ele perguntou.
— Seu irmão estar pronto. — respondeu no mesmo tom frio.
— Majestade, como ele chegará num planeta distante como Nemesis ainda hoje? — Damien, ao lado da rainha, perguntou curioso — Eu levei tantos dias para chegar aqui e vim de distância semelhante!
— Graças ao poder do cristal negro, bem de nossa família, podemos viajar através do portal dimensional de espaço-tempo. Assim, chegamos instantaneamente aonde quisermos. — Diamante olhou-o com ares de superioridade.
— Nós o levaremos ao portal do tempo! — Luna tomou a frente, antes que um clima hostil se formasse — Não se preocupe, príncipe Diamante, seu irmão chegará são e salvo em Nemesis!
— E, de qualquer forma, podemos nos comunicar por holografias, príncipe. — Artêmis complementou.
— Curioso... — Diamante observou — Podem se comunicar com os habitantes de Nemesis através de hologramas? Então por que não fizeram isso antes? — encarou a rainha.
— Há muito perdemos o contato com os de seu clã, príncipe. Mandávamos mensagens e eles não nos davam resposta. A última vez que tentei contato com os seus foi para convidá-los ao baile, mais uma vez não obtive retorno. — Rini respondeu séria.
— Vejo que precisamos mesmo fazer essa viagem, talvez eu deva ir com Saphiro...
— Não! — ela o interrompeu apressadamente — Não antes de meu marido estar de volta!
— Está me proibindo de voltar ao meu planeta? — a voz enegreceu.
— Não, não é isso... — ela se atrapalhou — Por favor, espere meu marido voltar! — viu-o manter-se em silêncio, resolveu apelar: — Por Crystal!
— Que seja. — a mulher acertou seu ponto fraco, o nome que o amolecia. Jogou a capa, deu as costas e saiu do salão. Impaciente, foi até a porta do quarto da princesa e bateu, uma mulher vestida em branco abriu-a.
— Sinto muito, ela ainda não pode receber visitas.
— Já acordou? — ele perguntou.
— Não, infelizmente. Com licença, devo observar o processo de transfusão de sangue. — reverenciou-o e fechou a porta.
Diamante ficou parado ali, pensativo. Não lhe saía da memória o estado de Crystal quando a encontrou: opaca, vestida como princesa Serena, derrotada por forças superiores e aterrorizantes... Por ele. Os olhos púrpuros fecharam-se pesarosos, a mão pousou sobre a porta e nela fechou-se.
— Irmão, estou pronto. — Saphiro deu as caras, trajava a sua clássica farda azul adornada por medalhas prateadas, intacta, e, ao seu lado, Hina estava.
— A rainha o espera no salão principal. — Desencostou da porta, em passos calmos foi a frente, mal olhou-o.
Sailor Fire sentiu a angústia de Saphiro em si, tomou-lhe a mão com carinho, tentando abrandá-lo e abrandar-se, quanto mais se aproximavam do salão, mais lhe doía a alma.
— Está pronto, Saphiro? — Rini se levantou do trono e caminhou até ele, recebendo-o.
— Sim, majestade — a reverenciou, submisso.
Ela tirou do pescoço a chave dourada e entregou-a a Luna, a felina humanoide pôs o cordão no pescoço e estendeu as mãos, uma para Artêmis, outra para Saphiro. Antes de unir-se aos guardiões da lua, o rapaz fitou o irmão, este encarava-o sério e, sutilmente, deprimido. Por último, num suspiro e forjado sorriso fitou Hina, aflita, a espremer as mãos ao colo, ele balbuciou a ela uma singela declaração de amor, enfim, conformado, deu as mãos aos subordinados da rainha.
Rini observou Luna proferir as palavras místicas que certa vez ela própria, ainda menina, proferira. Sob as três cabeças uma nuvem rosada se formou, dela uma luz desceu e os consumiu, quando a iluminação se desfez os três não estavam mais lá, foram tragados para a outra dimensão: a famosa dimensão espaço-temporal.
— Está feito. — Diamante suspirou.
Hina, sentindo-se inundar por dentro pela falta que Saphiro já lhe fazia, correu dali sem sequer perceber o quanto chamara a atenção. A regente do reino de Cristal suspirou, o peso da culpa a abateu. Rolou vagarosamente os olhos por todo o salão, parou-os no príncipe branco, ainda mais pálido e obscuro do que o costume. Ela petrificou por dentro, assombrada pela dúvida: Seria ele capaz de fazer Crystal feliz?
— Ai, mas que pesado! — cambaleou com o belo tigrino, abraçados de lado — O que você bebeu?
— Uísque... — a voz grave soou arrastada e chiada.
Reiko abriu os olhos, lembrando-se do fim da festa. Soltou um risinho enquanto contemplava o verde das árvores através da janela do dormitório.
— Pronto, está entregue! — despejou-o na cama. — Ei! — resmungou, pois ele não desvencilhou a nuca dela do abraço.
— Não me deixe sozinho aqui, é muito triste! — puxou-a com firmeza, apertando-a contra o corpo atlético.
— Está me sufocando! — ela ria, divertindo-se, até perceber que estava deitada sobre ele. — Tigrinho, isso está ficando um pouco perigoso, deixe-me ir, vamos!
— Você é bem bonita... — segurou a face dela com as duas mãos, analisando-a. Focou-se no decote desavergonhado que ela usava, sorriu sapeca — Hmmm...
Reiko gargalhou desacreditada e tapou os olhos dele, brincalhona.
— Está bem, agora eu vou! — libertou-se dos braços fortes e rolou para o lado, sentando-se na cama.
— Não vai não! — soou firme, autoritário, e desengonçado jogou-se sobre ela, prensando-a no colchão. Segurou os punhos dela sobre a cabeça, afundou-os também no macio tecido branco dos lençóis. Encararam-se. Ela, surpresa, arregalou os imensos olhos e piscou as longas pestanas. Ele, firme e direto, mirava-a sério, ligeiramente irritado.
— Agora você está me assustando. — ela quebrou o silêncio — Não vai vomitar em mim, né?
— Shh! — tocou o indicador nos lábios dela — Fica quieta!
A filha da natureza fez bico, indicando aceitar a mudez. Tigre tocou o nariz rosado ao dela, esboçou um sorriso galante. Puxou uma madeixa negra e trouxe ao rosto, fechando os olhos.
— Você, sempre me provocando... — sussurrou — Parabéns, conseguiu.
— Oi?
O líder do Trio Amazonas entreabriu os lábios, soprou nos dela e pendeu para frente, selando-os subitamente, como certa vez ela fizera. Fogos de artifício estouraram no íntimo de Reiko, a jovenzinha alargou um sorriso contente dentro daquele beijo amargo de uísque. Abraçou-o e retribuiu de imediato, ele abriu a boca permitindo acesso, não tardou e o galã dos guardiões de Elysium cativou a língua de Sailor Nature, persistiu a degustá-la até onde teve ar para respirar.
Ofegante, findou o aguardado beijo e encostou o rosto ao lado do dela, colou as bochechas.
— Está tudo bem? — ela perguntou
— Só estou respirando um pouco... —falou enrolado.
— Sei... — fez uma careta de desapontamento, ele estava tão sóbrio quanto um louco. — Ai! — um gritinho foi a reação quando recebeu uma mordida no pescoço — O que é isso, que brincadeira é essa? — a resposta foi uma lambida no mesmo lugar — Está me fazendo cócegas! — começou a rir.
— Cócegas, é mesmo? — ele chiou e desceu um pouco mais, descoordenado.
— Ei, ei, está bom, chega disso! — Reiko o apalpou os ombros e lhes deu leves tapinhas — Sai de cima, você é pesado!
— Não quero! — resmungou como uma criança.
— Azar o seu, sai! — o empurrou, falando sério. Ele caiu da cama como uma boneca de pano — Ops, foi mal, Tigrinho! — ela pôs uma mão à cabeça, rindo-se. —Tigrinho? — cutucou-o caído ao chão, ouviu-o zumbir bem baixo, aproximou-se, identificou que o zumbido na verdade era ronco. — Dormiu... — suspirou, de certa forma aliviada, contemplando o homem esparramado no piso, salivando sobre o nobre cristal — Que fofo! — ajoelhou-se ao lado dele, num esforço o apoiou em si e ergueu-o para despejá-lo na cama. Ali, acomodou os fartos cabelos dourados e a cabeça dele sobre o travesseiro macio. Parecia tão tranquilo... Não resistiu, recostou-se no ombro largo do guardião e, lentamente, adormeceu. No fim das contas estava exausta, virara a noite farreando junto a ele. — "Nós somos uma bela dupla" — concluiu.
A brisa matutina balançou os galhos das árvores, despejando algumas verdes e largas folhas, levando-as à janela do quarto. Uma delas beijou a maçã de Reiko, e em retribuição, a mocinha a afagou na bochecha, depois a tirou de lá e encaixou-a atrás da orelha.
— O mundo em conflito e eu aqui suspirando por nada... — apoiou-se no parapeito, divertindo-se com o próprio estado. Levantou-se calmamente, resolveu dar bom-dia ao mundo, mesmo exausta como estava. Todos no palácio estavam. Passou pelo corredor, encontrou com Marine, a guerreira das águas a guiou para o salão, onde quase todos marcavam presença.
— Estamos aguardando por notícias do irmão dele — a lourinha apontou a Diamante com os olhos, tentando pôr a amiga a par da situação, enquanto isso a outra procurava Olho de Tigre entre todos e não o encontrava, nem ele ou seus companheiros estavam no cômodo real.
No centro da grande sala havia um círculo lapidado em cristal prateado, envolvido por uma moldura dourada. Dele, uma luz esbranquiçada surgiu e subiu quase até a cúpula, dentro daquela luminosidade, como um refletor, a imagem de Luna, Artêmis e Saphiro se fez.
— Majestade — a aliada da família da Lua Branca tomou a palavra — Estamos chegando à Porta do Tempo, tudo corre bem.
Rini relaxou os ombros, aliviada.
Nuvens, sim, estavam andando sobre nuvens, Saphiro constatou. Branco e rosa se misturavam naquela névoa mística e fofa, andavam sobre ela como se pisassem em ovos. Mais à frente, a névoa se dissipou dando aos três condições para que enxergassem a imensa porta, igual ao que sempre foi, rígida como o tempo – uma das grandes verdades do universo – diante dela havia uma menina, quem a olhasse poderia jurar que possuía no máximo doze anos de idade. Ela sorria, inocente e alegre como uma criança. O nemesiano a analisou e admitiu que, tanto a cor da pele como a dos cabelos lisos e presos metade em coque, metade esparramados, lembravam muito a antiga guardiã, Sailor Plutão, no entanto, os olhos da garotinha brilhavam como ouro vivo, e acobreavam-se à margem das pupilas negras.
— Sailor Chronus! — Artêmis cumprimentou-a sorridente — É um prazer, enfim, conhecê-la!
— Visto que possuem a insígnia da lua branca, são amigos, mas, e esse aí? — os enormes olhos dilataram-se contemplando a lua negra na testa do rapaz. A mão pequenina retorceu-se, apertando um grande báculo prateado que, no topo, possuía um relógio de areia — O que ele é?
A imagem de Rini fez-se visível entre a guardiã do tempo e os demais.
— Pequena Sayu, esse rapaz precisa voltar para casa, e o meio mais rápido para isso é através da porta que você protege. — A soberana transmitiu calma durante o discurso — Peço que o deixe passar, apesar da insígnia que vê na testa dele, não é inimigo, está partindo para nos ajudar.
Enquanto a rainha se pronunciava, Saphiro olhava além dela, procurava no cenário atrás a recente mulher com quem dividira os primeiros suspiros de volúpia. Acelerou-se rememorando o calor, enrubesceu singelamente. A quentura tornou-se frio quando as joias azuis refletiram em si a imagem do príncipe branco, atormentado, fosco atrás da antiga Sailor Chibi Moon, e era só o que via: as duas presenças. Hina não estava lá, havia se refugiado no coreto onde se conheceram, consolava-se nas teclas do piano, compunha escalas agonizantes no bater da testa nas oitavas.
— Ajudar? — a voz infantil despertou-o, era a pequenina Sailor — Como assim?
— Estamos enfrentando alguns problemas entre Terra e Nemesis, mas, se for o desejo da grande Deusa Selene, esses conflitos logo se extinguirão — fechou os olhos e uniu as mãos em prece — Precisamos que esse rapaz, Saphiro, passe pela porta.
Sailor Chronus abraçou-se ao báculo, pensativa. Atarefada em cuidar daquela entrada, ignorava os acontecimentos recentes. Assim como Sailor Plutão, ela era uma jovem solitária, cuja triste missão era apenas cuidar do Portal tempo-espaço e só. Embora não soubesse dos ocorridos, conhecia a insígnia de Saphiro, sabia o que significava e o que causara a Tóquio de Cristal há quase um século. Coçou o queixo, respirou fundo, bateu de leve o relógio de areia à cabeça, buscando ideias. Andou até o jovem, rodeou-o como um animalzinho curioso, não se importou por constrangê-lo com esse ato. No holograma, os olhos carmesim cintilavam, pedintes, tristes, inseguros.
— Sabe que é perigoso mostrar a ele o caminho, não sabe, majestade? — ela reforçou.
— Na verdade, — ele tomou a palavra — eu já o conheço. — suspirou.
— O quê?! — a menininha deu um pulo.
— Sailor Chronus, por favor, se ele não for, meu marido será morto! — abriu o jogo de vez num último argumento.
Pasma, a criança afastou-se do nemesiano sem dizer uma palavra, os lábios negavam fecharem-se. Deu duas batidas nas nuvens com a ponta do báculo e as portas lentamente abriram-se.
— Vá... — sussurrou, empalidecida — Antes que eu mude de ideia...
— Obrigado. — Ele assentiu e caminhou rumo à luminosidade que escapava de dentro, já enxergava o labirinto místico que o levaria ao buraco negro de Nemesis. A lua em sua testa tremeluziu uma aura arroxeada, era o poder do cristal negro, podia sentir.
Luna, Artêmis e Sayu o viram sumir aos poucos, e, enfim, as portas se fecharam. De resto, só poderiam esperar para que ele mandasse notícias de Nemesis... Ninguém saberia ao certo quem estaria mais ansioso por notícias: Rini ou Diamante.
— Veja só, não é que cumpriram com o combinado? — Onyx apontou num painel arredondado uma luz verde a piscar, parecia um sonar. — Alguém está atravessando a dimensão espaço-temporal, e, pela forma como o cristal negro está brilhando, só pode ser o príncipe! — fitou o pedaço da pedra no grande salão emanar um brilho intenso. — Está feliz? — virou-se para a adoentada, sentada no tatame, esforçando-se para parecer bem.
— Quartzy — Ametista a chamou, respirando fundo —, peço que vá recebê-lo... Como sabe, não estou em condições de viajar por dimensões...
— Está se guardando para ir a Elysium outra vez, eu sei. — pesarosa, ajoelhou-se perante a líder — Tome mais uma dose da poção, vai ajudá-la...
— A viver pelo menos mais um dia! — o gênio insano completou numa brincadeira estúpida.
— Mas que cara chato! — Akai bufou, Topázio a recriminou com o olhar, Jade, por outro lado, assentiu com uma piscadela.
A mais fiel subordinada de Ametista, submissa e delicada, levantou-se e desapareceu solenemente da vista dos companheiros. Seu corpo esbelto e curvilíneo materializou-se na escuridão em que Saphiro se encontrava – num buraco negro – na passagem entre dimensões.
— Quem é você? — ele fitou-a confuso, a roupa clara de bailarina clássica alumiava a escuridão, assim como os claros cabelos róseos, presos em um baixo coque lateral, adornados por uma rede de cristal. Os olhos lilases dela o cumprimentaram gentis, Saphiro estranhou a doçura que ela transpassava, não era comum nos habitantes de Nemesis.
— Me chamo Quartzy, sou a irmã adotiva de princesa Ametista, conselheira real e sua médica particular. — curvou-se, graciosa — Vim buscá-lo, meu príncipe. Por favor, siga-me. — às costas dela havia um rastro, uma espécie de estrada esverdeada.
Vendo-a virar-se e caminhar em passos coreografados, foi em seguida. Conforme andavam, o cenário em volta mudava do vazio para o negrume típico do décimo planeta. Um frio brutal fez Saphiro encolher-se, acostumara-se ao calor da Terra, afinal. Ao redor, viu as largas pilastras, os lagos parados, a paisagem desértica, tudo negro, noturno, no céu não havia astros, adiante a única luz em meio ao breu: a fria iluminação do castelo que fora a sua morada. Ele suspirou, acomodado à nova realidade.
As portas robustas e de cor nemesiana abriram-se, um largo corredor mostrou-se para cansar-lhe os pés. Seguiu-a até o salão onde era tão esperado. Lá, todos os nobres integrantes do clã o receberam numa reverência, exceto Topázio, insubordinado.
— Príncipe Saphiro! — a pálida líder fez menção de levantar-se, a guerreira de jade a conteve, apoiando-a no ombro — Estou tão feliz em vê-lo! — esbanjou um sorriso sincero, comovida de alegria, mesmo a voz soando fraca.
— Então, foi com você que me comuniquei daquela vez... — ele se aproximou. De pé, encarando-a, notou-lhe as profundas olheiras, analisou também seu corpo atrofiado e percebeu em uma de suas mãos uma espécie de soro alimentando o que lhe restava de saúde — A sua doença é real...
— Por que eu mentiria? — foi erguida por Quartzy e acolhida em seus braços. — Quartzy, por que não apresenta todos a ele?
Os desconhecidos o rodeavam: a mulher trajada em armadura preciosa era a mais próxima, depois duas garotinhas curiosas, idênticas nos traços, distinguidas apenas pela oposição do azul ao vermelho, adiante o bizarro cientista, encarando-o por sobre os óculos de lentes arredondadas, à parede o cavaleiro cuja armadura dourada cintilava, esse sim, o semblante provocava reais sensações de desconforto no irmão mais novo de Diamante.
— Essa é Jade, — a leal companheira de Ametista se pronunciou — exímia guerreira, foi discípula de Topázio e treinada por ele, o maior conhecedor das artes bélicas em Nemesis, conhecido como o "cavaleiro dourado" — apontou-o — Olhando-o dá para entender o porquê — o homem virou o rosto, esnobe — Essas duas são Akai e Aoi, as gêmeas Agatha e servas de Topázio, é tudo o que posso dizer sobre elas... — ruborizou de leve, pigarreou tentando disfarçar e buscar coragem para apresentar o último dos aliados, a criatura que lhe causava asco só em pronunciar o nome: — Onyx, por último, alquimista como você, e cientista, conhecido como "o gênio insano", pouco se sabe sobre o seu passado, mas a sua inteligência tem sido instrumento fundamental para o cumprimento dos planos de nossa senhorita, a princesa Ametista, responsável por devolver a vida a vocês, príncipe Saphiro.
— De certa forma, já nos conhecemos, não é mesmo, príncipe? — o "louco" curvou o corpo e os lábios numa atitude debochada.
— Fatalmente. — amargo, Saphiro reconheceu a voz do homem. — Você foi o responsável pelos ataques ao reino, certo?
— Onyx agiu conforme eu mandei, príncipe. — Ametista interveio — Precisávamos mostrar-nos de alguma forma, e aquela foi a que encontramos.
— Isso é um absurdo! — ele alterou o tom — Você tem noção do quão irritado meu irmão está? No passado, nosso desejo foi viver na Terra e não mais entrar em conflito com os terrestres!
— Majestade, esquece-se de nossa conversa e do que contei a você? — a pequenina, pacientemente, falou: — A própria rainha Rini não nos quer lá, achei que você tivesse notado isso... Jade! — gesticulou para a subordinada.
— Príncipe, siga-me até a janela, por favor. — a mulher dos cabelos esverdeados pediu, ele acatou — Olhe. — ela apontou a paisagem mórbida.
— O que tem? — ele perguntou, nada surpreso. — Continua a mesma coisa de que me lembro.
— Não, príncipe, antes fosse o mesmo. Nemesis está pior.
— Como assim pior?
— Sem recursos. — ela baixou o olhar.
— Os habitantes desse planeta estão, literalmente, morrendo de fome. — Ametista continuou — E não é de hoje.
— Não acredito... — ele sussurrou. — A rainha de Tóquio de Cristal não os envia recursos, pelo menos? Você me disse que rainha Serena enviava, já que a convivência entre os povos não deu certo!
— Recursos? — Onyx riu – Que gracinha este príncipe, não? — cruzou os braços e deu de ombros.
— Onyx! — a princesa o reprimiu.
— O problema de vocês é esperarem algo de bom daqueles seres inferiores da Terra — a voz soou num rugido rouco e grave confundindo-se ao som metálico da armadura ao mover dos passos. Topázio tomou a vez — Ficam gastando o tempo que mal temos com diplomacias frustradas, discursos vencidos de paz, quando é sabido que só há uma solução para esse problema: guerra!
— Não! — o príncipe caçula respondeu de imediato. — Ainda acho que tudo isso está acontecendo por conta de algum mal entendido.
— Não há mal entendido algum. — o cavaleiro afirmou seguramente.
— Prove! — Saphiro desafiou-o.
— Pois bem. — Topázio lançou um olhar à Onyx — Siga-nos, príncipe.
Saphiro procurou por Ametista, estava sentada no mesmo lugar, recebendo à boca algum remédio que ele desconhecia. Ela lhe sorriu como se pedisse para que ele seguisse os dois homens. Estranhamente, não sentia maldade ou segundas intenções na jovem líder, via através do adoecido semblante encantamento e admiração direcionados a ele. Via também o que a vida dele custara a ela, não poderia ter sido à toa. Convencido da inocência de Ametista, caminhou ao lado dos outros com quem ainda não se entrosara, os três desapareceram na escuridão do corredor.
— Onde estará Saphiro que ainda não deu notícias? — Rini andava de um lado para o outro, angustiada. — Será que correu tudo bem?
— Dê-me mais vinho! — Diamante, nervoso, exigiu a uma empregada do palácio.
— Príncipe mimado, peça ao menos "por favor"! — a mulher respondeu, trazendo a bandeja.
— Como é? — ultrajado, virou-se a ela.
— Controle-se! — para completar, o príncipe sedniano segurou-lhe os ombros. — Não desconte a sua raiva nessa mulher, ela nada tem a ver com os seus problemas!
— Fato! — Diamante respondeu ríspido — Que tal eu descontar em você? — desafiou-o, segurando-lhe a gola.
— Parem os dois! — Rini gritou, histérica — Vejam! — apontou para a entrada da porta, ali estava a médica de Crystal.
— Majestade, a situação já se estabilizou, porém, a princesa não acordou ainda.
— Quando acordará? — os príncipes perguntaram em coro, apartando-se.
— Não há previsão, sinto muito. Nesses últimos tempos, parece que a princesa gastou muita energia, ela precisa descansar para recuperar-se, e há algo estranho... — pausou — Muito estranho!
— O que há de estranho com minha filha? — a mãe aflita pôs-se a frente.
— A princesa está passando por algum tipo de conflito que vai além dos horizontes da medicina, majestade. Creio que a partir daqui, a sua graça deve tentar acalentá-la com o poder do cristal de prata...
Todos os presentes no salão calaram-se em comum ansiedade. No recinto havia restado Rini, Damien e Diamante. Luna e Artêmis chegariam logo, os visitantes e as outras guerreiras dispersaram-se em afazeres, Sailor Star Fighter estava encostada à porta do quarto de Crystal.
— E então, está convencido? — Topázio analisou a face apática de Saphiro.
O rapaz, paralisado pelo choque diante do que assistira, suspirou profundamente. Suas sobrancelhas desceram, os olhos obscureceram, a boca estremeceu. A cabeça balançava sutilmente em negação, todavia, todo o seu ser sentia, profundamente, que não havia como negar.
— Sim. — deu o veredicto. — "Infelizmente" — pensou, colorindo na memória uma tela de Hina.
— Então vamos, seu irmão está esperando por notícias suas. — Topázio ajeitou a enorme capa e caminhou na frente, Onyx o seguiu eufórico. Saphiro foi o último a sair do cômodo que parecia ser uma imensa biblioteca de holografias. Assim que pôs os pés fora dali, o dourado soldado trancou a porta.
— Nada. — Olho de Águia uniu-se aos companheiros, há algum tempo se separaram por Elysium numa busca pelo rei.
— O lago continua petrificado. — Olho de Tigre disse — Tentei chegar perto, fui repelido.
— É óbvio que ele está lá! — Peixe disse, irritado — Precisamos tentar entrar ali de qualquer maneira!
— É impossível! — Tigre afirmou.
Não se afobem, a nossa palavra será cumprida! — a voz feminina ecoou por todo o mundo fantasioso.
— Esse é o último esforço dela... — Quartzy acomodou a cabeça da adormecida no colo.
Saphiro sentou-se à beira do leito, estavam todos no quarto de Ametista, o príncipe observou a regente provisória e, por fim, pousou as brilhantes safiras na mulher que afagava os cabelos lilases com cuidado. Permanecia estranhando a presença de uma criatura tão gentil naquele covil de corações enegrecidos.
— Eis o rei de vocês! — uma rachadura surgiu no lago cristalizado, fazendo ruir a pedra que impedia o trio de mergulhar para procurar por Helios. Quando as águas tornaram ao normal e agitaram-se, envolto numa bolha estava o sereno marido de Rini preso em cristal negro.
— Majestade! — os homens gritaram, aflitos.
— Eu o liberto... — sussurrou ao ouvido do homem, ela estava lá, só não podia ser vista.
Helios abriu os olhos, procurando-a, Ele a via, e sentia o seu sofrimento.
— Finalmente sei quem você é. — falou em baixo tom — e sei que, no fundo de seu coração, possui lindos sonhos. — o corpo físico dele estava imóvel, mas a sua consciência afagou a mão da pequenina que, transparente, o abraçava pelas costas.
— Obrigada... — ela sorriu — mas é tarde para isso, rei. — conforme o cristal que o prendia tornava-se cinzas, a presença de Ametista se desvanecia.
— Segure-o! — Olho de Peixe gritou ao ver o corpo de Helios cair como uma pluma dos ares, Olho de Águia o capturou ainda no alto e o trouxe para o gramado, Elysium voltou a ser o que era, enfim.
— Pobre criança... — ele sussurrou ao despertar.
— É tarde demais... — Ametista abriu os olhos, curvou o corpo em reação à dor aguda no peito — Para voltar atrás!
Quartzy a abraçou, acolhendo-a, era tudo o que poderia fazer. Saphiro observava o sofrimento das duas, a apreensão de Jade e os olhares misteriosos de Onyx e Topázio. O próximo passo era comunicar-se com o irmão e pedir para que viesse, daí em diante, o que os esperava era:
— Guerra... — ele sussurrou enquanto saía do quarto, caminhava ao salão, e acionava o dispositivo de comunicação via holograma.
Continua...
Amigos, que final, né? É para prendê-los à fanfic! He, he, he!
Bem, a história já está chegando no ponto que eu queria... Desde que comecei a escrevê-la, estava ansiosa por esse momento. Isso é bom e ruim ao mesmo tempo, pois não posso deixar que a minha ansiedade em mostrar tudo atropele o enredo, tenho que ter calma e disciplina... Espero que estejam gostando, infelizmente os personagens não podem ser felizes para sempre, ao menos não no meio da história... e muito ainda está por vir! Vocês se apegaram muito a algum personagem? Cuidado!
Ha,ha,ha,ha! Calma, gente, não sou o George Martin!
Bom, a dificuldade em postar esse capítulo foi a cena Hina/Saphiro. Até agora não estou muito satisfeita, ainda sinto que ficou meio atropelado... E sabe o que é mais estranho? É que realmente era para ser algo impulsivo, afinal ele iria embora, ela queria provar que não havia deixado de amá-lo e nem deixaria... Mas, sei lá, alguma coisa para mim faltou, que coisa... Espero que vocês tenham gostado.
Até o próximo capítulo! Se eu conseguir, talvez seja o último que postarei durante um bom tempo, semana que vem já (já?) começam as minhas aulas.
Kissus e obrigada a todos que estão lendo e, especialmente, às minhas queridas amigas que doam um pouco de seu tempo para comentar!
