Olha eu aqui com capítulo novo!

Novo e último! (corre para as montanhas)

Bem, desta vez nem soltei previews porque eu queria que todas sentissem igualmente as emoções deste capítulo. Espero que vocês curtam porque foi escrito com muito carinho.

Falando em carinho, aproveito o momento para agradecer a Lu Michelutti, Renata Nunes e Liz Negrão. Sem apoio dessas três pessoas, NCGYD nunca seria a mesma coisa! Obrigada do fundo do meu coração, meninas!

Enfim, é isso e preparem os lencinhos!

Boa leitura


Exausta. E eu nem sabia o porquê.

Esta era definitivamente a expressão que mais se adequava a mim neste exato instante. Mesmo que o torpor que me dominava estivesse enfim se dissipando e aos poucos estivesse saindo da letargia, o cansaço físico e mental era algo imensurável. Sentia-me tão fraca como nunca estivera, como se toda energia que existia dentro de mim tivesse sido consumida nas últimas horas.

No entanto, na medida em que eu ia saindo da inconsciência, as memórias do que me ocorreram voltavam como flashes rápidos: a dor, o sangue, a expressão preocupada de minha mãe, quando saí de casa e o rosto agoniado de Edward, que foi empurrado para fora da sala de exames, pouco antes de eu ser levada para o bloco cirúrgico. Última lembrança que eu tinha em mente, já que depois disto tudo eu literalmente apaguei.

Abri os olhos e encarei as fortes luzes fluorescentes no teto que ofuscaram minha vista desacostumada com a claridade excessiva. O segundo gesto que fiz, aquele mais primordial de todos foi levar uma das mãos livres até minha barriga apenas para sentir que já não existia mais alguém ali dentro. Minha bebê havia nascido e sequer sabia.

Imediatamente minha respiração começou a acelerar e minha garganta ficou travada, com um choro reprimido que ameaçava transbordar a qualquer momento. Recordei aquela última frase que o médico dissera, antes que a anestesia surtisse efeito: a prioridade era eu e não minha menina. Mesmo que a Dra. Shelton tivesse comentado sobre essa possibilidade devido a minha hipertensão gestacional, nunca estaria de fato preparada para escutar algo como aquilo momentos antes dar a luz.

Minha visão periférica pegou um movimento do lado direito e segundos depois o rosto de Edward pairava sobre o meu — Oi, linda. Finalmente você acordou, Bela Adormecida.

— Oi... — murmurei muito baixo, tendo dificuldade em formar as palavras devido a sequidão em minha boca. — Por... p-por quanto tempo eu dormi?

— Um pouco mais de três horas, eu acho. — ele sibilou de volta, ao mesmo tempo em que ele sentava-se vagarosamente na ponta da cama ao meu lado.

Senti meu cenho se franzir — Que horas são?

O som baixo de seu riso me fez relaxar um pouco. — São quase duas da manhã, baby. — ele comentou, colocando uma mecha de meu cabelo atrás da orelha. — Só você para perguntar uma coisa como essas logo depois de passar por uma cirurgia.

Dei de ombros e tentei me mover um pouco, porém senti uma fisgada mais forte logo abaixo do meu umbigo. Foi impossível evitar fazer uma careta assim que senti a dor neste ponto.

Percebendo meu incômodo, Edward perguntou. — Como você está se sentindo?

— Dolorida. E um pouquinho fraca também. — falei baixo, sem esconder o que a recém-cirurgia causava ao meu corpo. Na verdade, ainda era um tanto surreal que eu tivera passado por uma operação de grande porte há poucas horas atrás.

Ao escutar como eu me sentia ele assentiu, sua expressão se tornando um pouco mais séria enquanto erguia o braço para apertar o botão perto da cabeceira da cama. — Acho que chegou a hora de chamar a enfermeira..

No entanto, muito maior do que qualquer dor que meu corpo estivesse sentido, o aperto em meu peito era muito mais angustiante: a falta de qualquer informação relativa à garotinha que estava em meu ventre era algo que me causava muito mais aflição do que qualquer coisa física naquele instante.

E foi me baseando nisso, que reuni coragem para finalmente inquirir a Edward. — Onde... onde está a Grace?

No mesmo instante, meu marido abriu um sorriso. — Você está falando da outra dorminhoca ali do lado?

Automaticamente, virei meu rosto na direção que Edward apontara sem me importar nem um pouco com as consequências do que o movimento brusco me causaria. Ali, há um pouco mais de um metro de distância de mim, estava pousado um pequeno berço recoberto pela manta de borboletas que tinha escolhido mais cedo. E bem no centro do colchão, uma bebê cabeluda e de face rosada dormia tranquilamente.

O alívio por vê-la ali, aparentemente bem e serena me acalentou. Na mesma proporção, o amor que eu já sentia por aquele serzinho tão especial pareceu ficar exponencialmente maior: eu tinha passado por essa sensação alguns anos atrás, assim que dei a luz a Richie e ele fora colocado em meu peito. Era algo incrível; como se o fato de vê-los fora de nosso corpo fizesse crescer o carinho que já tínhamos por eles.

Meus lábios estavam secos, contudo não senti dificuldade alguma em aumentar meu sorriso. Com certeza, estava emocionada, no entanto, desta vez não tinha vontade alguma de extravasar meus sentimentos através das lágrimas como acontecia das outras vezes; no fundo acho que minha mente sabia que as elas só atrapalhariam minha visão quando eu precisava absorver cada detalhe do rostinho daquela menina.

A nossa menina.

— Eu... posso? -— balbuciei para Edward, que olhava entre mim e Grace, com um sorriso fixo em seus lábios.

Mas, antes que ele pudesse responder a porta se abriu e uma enfermeira entrou em nosso quarto. Seu corpo pequeno mas ao mesmo tempo troncudo, dava a impressão de alguém um tanto que brusco, porém os olhos doces demonstravam justamente o contrário. — Ah, a mamãe finalmente acordou. — disse ela, assim que chegou próximo à cama onde eu estava. — Como você esta se sentindo, querida?

— Estou bem. — respondi sem rodeios para logo em seguida disparar. — Será que eu posso segurar ela? Preciso ver minha filha de perto e...

— Ok, querida, mas evite falar muito. — ela murmurou, enquanto anotava alguma coisa em meu prontuário ao pé da cama. — Pode gerar acúmulo de gases e isso será poderá ser bastante irritante nos próximos dias. Está sentindo alguma coisa? Tontura, dores, enjoos?

Antes que eu pudesse mentir, Edward interviu. — Faz pouco tempo que ela reclamou de dor e também disse que estava se sentindo um tanto que fraca.

— Não muito. — resmunguei, enquanto encarava Edward, que apenas deu de ombros.

A enfermeira assentiu para depois perguntar. — Ok. Em um nível de um a cinco, quantos dedos você usaria para me mostrar o quanto está doendo?

Sem rodeios, mostrei dois dedos de minha mão esquerda para ela. Edward ergueu uma sobrancelha, como se estivesse duvidando de mim. O pior que eu estava sendo completamente sincera: com certeza eu já passara por dores muito maiores, tal como as contrações que estava sentido alguma horas antes, assim que cheguei aqui no hospital.

Depois de um longo suspiro, Edward perguntou — Baby, você tem certeza? Você sabe que não pode ficar escondendo algo apenas por...

— Edward, eu estou bem! Lógico, não é a coisa mais confortável do mundo, mas eu estou legal.

A mulher interrompeu a nossa provável discussão ao começar a falar — Já chega vocês dois, eu entendi. — ela afirmou enquanto verificava o meu soro.

— Será que eu posso...

— Shhh, amor. — Edward sibilou tranquilamente para logo em seguida perguntar. — Enfermeira, tem algum problema se pegarmos nossa filha?

— É claro que não, papai. — comentou sorrindo. — Mas nada de amamentar por enquanto, Sra. Masen. Provavelmente ainda existem resíduos de analgésicos em sua corrente sanguínea e isso pode ser prejudicial para sua filha, entende?

Nós dois meneamos a cabeça de acordo, e não demorou muito para Edward sair do meu lado e ir em direção ao bercinho no canto do quarto. De certa forma, foi um tanto que estranho ver como ele se apressara em ir até ali, quase como se ele ansiasse por esse momento tanto quanto eu. Podia parecer estúpido, mas não pude deixar de sentir uma pontinha de ciúmes ao perceber que ele havia conhecido nossa filha primeiro do que eu.

Porém, na mesma velocidade que esse sentimento surgiu, ele se fora para ser substituído por algo muito melhor: a certeza de que agora tudo estava no seu devido lugar, como devia estar desde o princípio.

Observei a maneira como Edward se aproximou do berço para olhar para a Grace. — Você acordou de novo, princesa? — ele arrulhou, com sua voz aveludada ainda mais suave. — Quer conhecer a sua mãe, não é?

Um sorriso brotou facilmente em meus lábios e meus olhos se encheram d´agua ao ouvi-lo falar tão carinhoso com Grace. Meu peito inchou com uma sensação de paz que tomou conta completamente de meu espírito. Poucos meses atrás, nunca poderia sequer cogitar que fosse vê-lo agir desta maneira com uma neném que não desejava veementemente. Porém, o que estava diante dos meus olhos nesse instante era algo que nunca em minhas melhores esperanças poderia esperar: Edward se inclinando sobre o bercinho, e com todo cuidado do mundo retirar a nossa filha do cantinho em que ela estava.

— Irei deixar vocês três à vontade para se conhecerem. — a enfermeira disse com um sorriso, já próxima à porta. — Se precisarem de alguma coisa e só chamar.

Assenti brevemente, sem realmente prestar muita atenção à saída da mulher. Meu foco era integral na maneira doce com que Edward fitava nossa filha a medida que aninhava-a em seus braços. Sua expressão era cálida e quase que... apaixonada. Seu olhar se tornou muito mais brilhante e o sorriso que lhe estampava a face ganhou muito mais vigor, apesar de seu nítido cansaço.

— Grace Valentina, esta é a sua mãe, Bella. — ele formalmente disse a medida que se aproximava de volta de mim. — Bella, esta é a nossa filha, Grace.

Estiquei meus braços ansiosamente e Edward com muito cuidado passou a garotinha para o meu colo. A primeira coisa que pude constatar é que ela era linda: no rostinho enrugado, a pelugem leve das sobrancelhas douradas adornando olhos atentos e cinzentos, o nariz arrebitado bem parecido com o meu e uma boca pequenina e muito vermelha. De Edward, era inegável que ela havia herdado o tom ruivo: era incrível que ela tivesse nascido tão cabeludinha desta maneira.

Obviamente, havia alguns aspectos que caracterizavam que minha filha era Down: pormenores que eu só sabia distinguir devido ao fato de ter lido muito sobre o assunto ao longo da minha gestação. Por exemplo, o tônus muscular dela não era igual a dos outros bebês que eu já carregara: a melhor forma para descrever isto era dizendo que Grace era muito mais macia, tanto quanto um ursinho de pelúcia. E sinceramente, por mais maluco que seja, eu não estava reclamando de um todo desse detalhe: a vontade que eu tinha era de apertá-la de tão fofo que era seu corpinho.

Outro detalhe era a ponta da linguinha rosa entre seus lábios, o qual ela sugava como se fosse uma chupeta. Segundo os especialista, isso se devia ao fato de que as pessoas com Síndrome de Down tinham a cavidade bucal muito pequena. Esse detalhe também podia prejudicar na fala dela no futuro, mas na hora eu só podia pensar que esse mero detalhe a deixava ainda mais linda do que Grace já era.

Meus olhos queriam transbordar as emoções que eu estava sentindo naquele instante, embora eu lutasse contra isso com todas as forças. Afinal, não existiam mais motivos para chorar. Finalmente, depois de tantas lutas eu a tinha aqui comigo. Só de sentir o seu pesinho em meu colo e o calor de seu corpo contra meu peito fazia com que eu percebesse que todas as dificuldades valeram a pena. Se no meu subconsciente existia alguma dúvida quanto a ela, esta tinha acabado de se extinguir.

— Ela é parecida com você. — Edward murmurou, quebrando o silêncio do quarto.

— Ruiva desse jeito? — disparei com um sorriso, sem deixar de olhar para minha filha que agora bocejava preguiçosamente.

— O cabelo é só um detalhe. — ele retrucou antes de voltar para o meu lado na cama. — mas ela tem o seu nariz e seus olhos.

Acariciei delicadamente a pele suave de seu rosto ao mesmo tempo em que lhe respondia. — Não dá para saber ainda... E ela tem os olhos claros... talvez fiquem verdes como os seus.

Ele balançou a cabeça veementemente. — Vão ser castanhos, tenho certeza.

— Verdes, castanhos... tanto faz. — murmurei, sem parar de admirá-la — a única coisa que realmente importa para mim é que ela seja saudável e feliz.

— E ela será, baby. Ela nem precisou ficar muito tempo na incubadora depois que nasceu.

Incubadora? — interroguei-o — Ela teve algum problema?

— Apenas uma precaução. Segundo a Dra. Shelton, a Grace teve um pouco de dificuldade para respirar assim que nasceu, mas com menos de três horas, ela chegou aqui no quarto.

Observei por um momento sua respiração tranquila e pude constatar que não havia realmente motivos para criar pânico. No entanto, a preocupação materna falou mais forte. — Ela passou por um pediatra?

Edward balançou a cabeça positivamente. — O neonatologista de plantão constatou que está tudo bem com ela. Provavelmente amanhã irão fazer uma bateria de exames nela logo cedo... por conta da Síndrome.

Soltei um suspiro pesado, e fitei o rostinho entre meus braços. Aparentemente, Grace era uma bebê normal, contudo eu tinha ideia de que as estatísticas não estavam em nosso favor, uma vez que ela era Down. E por mais que ela tivesse passado por vários exames quando ainda estava no meu útero, havia grandes chances de ela ser cardíaca. E sinceramente eu não saberia o que fazer se tal possibilidade se concretizasse amanhã.

— Você não devia se preocupar. — Edward murmurou, pegando uma mãozinha de Grace. — Tenho certeza que vai dar tudo certo amanhã.

— E se não, Edward? E se encontrarem alguma coisa e ela precisar de uma intervenção imediata? Ter que ser operada com poucas horas de vida? Ela ainda é tão pequena e frágil...

— Bella, amor. Vai ficar tudo bem.

Um aperto tomou conta do meu peito, ao olhar a fragilidade da minha bonequinha. — Como você pode ter tanta certeza?

— Por que eu tenho fé. — ele respondeu enfaticamente. — Nossa filha não há de ter nenhum problema, Bella, acredite.

— Eu não sei... Eu tenho medo por ela.

— Estaria sendo hipócrita se dissesse que não tenho medo também. — ele afirmou, sem parar de brincar com os dedinhos minúsculos dela — Mas, tenho quase certeza de que nada vai acontecer. Grace vai nos dar muito trabalho ainda, mas não por conta de hospitais, remédios ou coisas assim. Nossa maior preocupação na vida vai ser em como educar essa princesa, porque particularmente, eu não sei se serei capaz de dizer um não para essa carinha.

Aquilo me fez rir alto e o barulho fez com que Grace soltasse um pequeno gemido, quase como se estivesse resmungando. Em resposta Edward inclinou-se sobre ela deixando um beijo prolongado no alto de sua cabecinha, sibilando palavras doces até que ela se acalmasse outra vez.

A cena foi o estopim para as minhas emoções à flor da pele e evitar as lágrimas foi impossível depois disso. Elas fluíam livremente por minha face, sem que eu pudesse mais contar a felicidade de ver Edward agindo com a pequena Grace como um pai em êxtase após o nascimento de um bebê tão aguardado. Este ato tão simples e pequeno dele demonstrava que ele aceitava nossa filha da maneira que ela tinha vindo ao mundo. Que a amava e tudo o que mais desejava era o bem dela.

Quando por fim Edward voltou a me fitar, seus olhos estavam tão marejados quantos os meus. — Acho que nunca poderei te agradecer o suficiente por não ter desistido dela. — ele murmurou, com a voz embargada. — Não sabia... não fazia ideia de como essa garotinha poderia mudar tanto minha maneira de ver a vida. Meus preconceitos, meus receios... tudo foi embora assim que pus meus olhos nela.

— Edward...

— Não, eu tenho que terminar de te dizer isso, baby. — ele respondeu ao mesmo tempo em que enxugava meu rosto com o polegar. — Na verdade, eu preciso te agradecer por não ter desistido dela. Sei que já disse isso outras vezes, mas acho que irei passar o resto de minha vida te falando isso. Obrigado, Bella, por ter trazido ela ao mundo e por me deixar ser o pai que ela merece. Eu te juro que irei passar o resto de minha vida me redimindo por tudo o que fiz para vocês duas.

Sem ser capaz de formar palavras coerentes naquele instante, fiz a única coisa que meu coração mandava ao unir nossos lábios de imediato. Eu já havia o perdoado pelo que tinha acontecido e tampouco guardava mágoas. O perdão pode ter até ter vindo de maneira rápida, porém eu não precisaria de provas de que tinha feito a coisa certa depois de ter visto o que eu vi.

Dúvidas e temores sempre existiriam, mas enquanto nós tivéssemos um ao outro ficaria mais fácil suportar a jornada que teríamos daqui para frente. Seja lá o que o futuro nos destinava, ficaria muito mais suportável uma vez que o homem que eu amava estaria ao meu lado.

O chorinho agudo do bebê em meu colo fez com que nos separássemos e ríssemos do ocorrido. Tinha a impressão de que Grace estava com um pouquinho de raiva por não ser mais o centro das atenções naquele momento. Afastamo-nos, ainda rindo e chorando por conta da pequena resmungona em meu colo que exigia um pouco mais de carinho. Comecei a niná-la e não demorou muito para que ela voltasse a se acalmar de novo, as pálpebras ficando pesadas e seus olhos se fechassem para mim.

Palavras não precisaram mais serem proferidas depois daquele momento: o instante era perfeito, tendo minha filha em meu colo, agora dormindo sossegadamente enquanto minha cabeça estava apoiada no ombro de Edward. Já ele, tinha um dos braços envolto em meus ombros enquanto o outro não largava a mãozinha de Grace.

Tendo-a aqui comigo, percebi que tinha valido à pena ter batalhado por ela. Sei que também cometi minha parcela de erros, porém tendo a certeza agora de que tudo tinha valido a pena. Se pudesse - e por mais masoquista que fosse - suportaria tudo outra vez ao saber que no final tudo acabaria bem.

Não hesitaria um segundo sequer, se fosse pela felicidade de minha família.

[...]

— Amor, você precisa de alguma coisa? — Edward perguntou pela quinta vez em menos de 10 minutos. Apenas de ver sua expressão ansiosa, eu sabia o quanto ele estava agitado.

Com um suspiro pesado, eu finalmente respondi. — Minha filha.

Já fazia quase três horas que Grace tinha sido tirada daqui e levada para a bateria de exames, comuns em bebês com Síndrome de Down. Tais testes iriam constatar se nossa menina tinha ou não algum problema decorrente da condição genética dela. Algo que eu tinha certeza que era essencial, no entanto não podia deixar de me sentir apreensiva. Isso somado ao fato de não ter notícia alguma era o que mais me preocupava.

— Você mesma escutou o que Carlisle disse. — ele comentou, finalmente desligando o televisor que nenhum de nós estava realmente vendo. — pode levar um bom tempo ainda. Você precisa se acalmar.

Edward até poderia ter acompanhado a Grace durante esses exames, mas resolveu ficar comigo uma vez que estava confiante de que tudo estaria bem nossa pequena. Porém, após a primeira hora sem notícia alguma, nós dois começamos a ficar preocupados. E uma vez que ninguém sabia (ou podia) nos informar nada, Edward ligara para o tio, em busca de qualquer informação a respeito desses exames. Como pediatra, Carlisle nos instruiu dizendo que este era um procedimento comum e de fato demorado e nomeou cada um dos testes que seriam feitos em Grace nas próximas horas.

Após a conversa, aparentemente Edward ficara menos receoso e agora só aguardava a resposta dos médicos. Quanto a mim, os minutos afastada dela só me deixavam mais e mais agitada. E como minha pressão arterial ainda não estava cem por cento normal, ele temia qualquer reação minha.

Ignorando a preocupação dele, eu insisti — Você já procurou sondar alguma coisa com as enfermeiras?

— Já, Bella. Ninguém sabe informar nada.

Bufei com raiva e disparei. — Como é possível que em um hospital como esse ninguém possa dizer nada?!

— Se você quiser eu posso voltar lá... Talvez eu tire a minha camisa também. — ele comentou. — Quem sabe, chamando a atenção das enfermeiras, alguma delas me informe alguma coisa depois disto.

Estreitei meus olhos em sua direção, embora o sorriso travesso dele não tivesse diminuído nem um milímetro sequer. Essa sua tentativa de fazer humor só me deixava ainda mais exasperada.

— Você é muito convencido, sabia?

Ele deu de ombros, mantendo o sorriso fixo nos lábios. — É um dom.

Bufei, cruzando os braços de modo emburrado. — Como você consegue estar tão calmo?

Ele se aproximou de mim, e beijou rapidamente os meus lábios. — Porque notícias ruins sempre chegam rápido. Grace está bem, Bella, confie em mim.

— Mas ela não quis mamar ontem à noite. — lembrei-o da minha falha tentativa de alimenta-la. Por mais que a enfermeira e eu insistíssemos em oferecer meu seio, ela se recusara com ímpeto. Poderia ser bobo mas essa rejeição dela tinha me destruído. — E se isso for um indício de alguma coisa?

— Amor, a Grace ainda é prematura — ele comentou mais sério, talvez começando a perder a paciência com minhas neuras. — A enfermeira mesmo afirmou que isso é comum em bebês que nascem antes do tempo. Pare de se preocupar tanto ou então isso só vai te deixar com mais cabelos brancos.

— Eu não tenho cabelo branco!

Ele riu dando um rápido selinho em meus lábios franzidos antes de murmurar. — Mas vai ficar muito em breve, se continuar pensando desse jeito.

Era notável que Edward estava tentando me distrair com brincadeiras bobas, mas meu senso de humor estava péssimo. Não sei se isso se devia ao fato dos hormônios pós-parto ou ao fato de estar presa nessa cama por quase 12 horas: o fato é que eu estava me sentindo terrível por tudo o que estava acontecendo.

Algum tempo depois, algumas enfermeiras me ajudaram a ir até o toalete e finalmente tomar o banho que eu tanto queria. Enquanto retirava a grotesca roupa hospitalar, tomei um susto ao ver o quão inchada eu estava. Meu rosto estava mais redondo do que nunca, meus pés pareciam duas bolas de futebol e meus seios pareciam que tinham triplicado de tamanho. Dizer que me sentia depressiva após ver meu reflexo seria o eufemismo do ano.

Depois disto, fui instruída a fazer uma pequena caminhada ao longo do corredor, com intenção de evitar quaisquer problemas na minha circulação. Foi um tanto doloroso voltar a me movimentar, embora isso já fosse bem melhor do que ver mais um episódio de Jeopardy na televisão do quarto.

Edward permaneceu ao meu lado acompanhando meus passos lentos, sem falar muito e bocejando a cada cinco minutos. Era notável o quão cansado ele estava após tudo que acontecera nas últimas horas: o cabelo mais amarrotado do que nunca e as enormes olheiras roxas sob seus olhos eram prova disto. Desde que chegamos aqui, ele não havia sequer cochilado e o único momento em que se afastou de nós foi quando foi vestir a roupa que minha mãe havia enviado para ele por Emmett.

— Você devia ir para casa, — eu comentei levemente enquanto entrávamos no corredor de volta ao nosso quarto. — descansar um pouco.

— Não. Vou ficar aqui.

Rolei os olhos dramaticamente. — Não ajuda em nada se você ficar doente e acabar sendo internado também.

— Eu estou bem, Bella. — ele prometeu com um sorriso. — E nem irei ficar doente. Posso aguentar.

— Você é muito teimoso, sabia? — reclamei, virando meu rosto em sua direção.

Ele deu de ombros.— Deve ser a convivência, afinal são quase 10 anos ao seu lado.

Eu estava pronta para revidar a acusação dele, no entanto, um grito vindo de uma vozinha que eu reconhecia muito bem chamou minha atenção.

— Mamãaae! — Richie disse empolgado, soltando a mão de Renee e correndo velozmente em minha direção.

No entanto, antes que ele se atirasse em meus braços. - algo que com certeza não seria nada bom para mim. - Edward passou a minha frente, chocando-se contra o foguete animado que era o nosso filho.

— Pai, a vovó tava certa! A barriga da mamãe foi embora mesmo! Aonde tá minha irmãzinha? Eu posso ver ela?

— Shhh, Richie. — Edward disse, erguendo-o para o seu colo. — Nós estamos no hospital, campeão, lembra?

Os olhos deles se arregalaram e no mesmo instante ele levou a mão à boca assustado e sussurrou — Shiiiiii... desculpa!

— Tudo bem, carinha, vamos para o quarto.

— Posso dá um beijo na mamãe?

Meu sorriso ampliou imensamente para as palavras doces dele. — É claro que pode, filhote.

Com isso, ele se esticou todo nos braços de Edward e pousou um beijo estalado em minha bochecha. Minha vontade era de puxa-lo para mim e enche-lo de carinho, mas devido às minhas atuais condições isso seria impossível. O pior que é provavelmente eu levaria umas boas semanas antes de poder pega-lo com meus próprios braços.

Minha mãe se aproximou de mim e me ofereceu um abraço delicado. — Como você está, querida?

— Bem. mãe. — respondi simplesmente ao mesmo tempo em que chegamos a porta do quarto onde eu estava. — Um pouco desconfortável, mas ainda assim estou me recuperando do susto.

— A cesariana não é tão boa quanto dizem, não é mesmo?

Assenti com ênfase — Definitivamente, prefiro mil vezes um parto natural.

— O que é parto natural? — Richie questionou para ninguém em especial.

A face de Edward ficou pálida e minha mãe e eu tentamos abafar uma risada. Era hilário o dom que meu filho parecia ter para fazer questionamentos nos momentos menos apropriados.

Limpei a garganta e observei a maneira como as sobrancelhas espessas de meu filho já estavam se franzido, devido a frustação de não ter resposta. — Richie, bebê, um parto natural é a forma normal que as mamães dão a luz. A maioria das vezes, os médicos não precisam cortar a barriga das mães para elas terem os bebês.

— E eles saem por onde então? — ele inquiriu, deixando a situação ainda mais constrangedora.

— Hey carinha. — Edward falou, chamando a atenção dele — Soube que lá na lanchonete eles fazem o melhor cachorro-quente de todos. Tá afim de comer um?

A expressão de Richie ficou ainda empertigada — Eu não posso comer besteira antes do almoço, papai. A mamãe fica com raiva, lembra?

Edward me fitou de uma maneira suplicante, e eu não consegui conter o riso. Era óbvio que ele estava se esforçando ao máximo para nos livrar de uma resposta constrangedora para Richie.

Depois de conseguir me conter, eu falei — Por hoje não tem problema, filhote. Pode ir.

— Com refrigerante também? — ele rebateu, intrigado.

— Pode até tomar sorvete de sobremesa. — assegurei-lhe.

— Puxa, desse jeito eu vou querer ter um irmãozinho todo dia agora!

Edward colocou-o de volta para seus próprios pés e comandou. — Agora vamos antes que ela mude de ideia. Vocês duas querem alguma coisa?

Balancei a cabeça negativamente assim como minha mãe tinha murmurado que não. Ambas vimos os dois se afastarem, engatando uma nova conversa que não tinha a ver com nascimentos. Suspirei pesadamente e voltei a subir na cama, sentindo o desconforto que o movimento causava.

— Quer que eu chame a enfermeira para lhe dar alguma medicação? — Renee perguntou enquanto me ajudava a ficar mais confortável.

— Não precisa.

— Tem certeza, Bella?

— E se eu tomar muita medicação, com certeza não vão me deixar amamentar a Grace. — suspirei pesadamente. — Não que isso fosse fazer muita diferença, já que ela não quer fazer isso mesmo.

Renee se acomodou na poltrona do canto, a mesma onde Edward tinha passado a noite toda — Porque não?

Dei de ombros. — Eu não sei. Insisti a madrugada inteira para que ela mamasse um pouco, mas ela se recusou. Nem sequer pegar o mamilo e tentar ela quis.

— Bella, querida, nem todos os bebês nascem sabendo como fazer isso. Ela está no berçário agora?

Balancei a cabeça negativamente. — Os médicos a levaram. Estão fazendo uma bateria de exames para saber se tem algo de errado com ela.

— Faz muito tempo?

— Algumas horas. E o mais frustrante é que ninguém nos informa nada.

Renee assentiu, para depois acrescentar. — Isso deve ser rotina em casos como o dela, filha. Você fez vários exames que não acusaram nada durante a gravidez, então não há motivos para estar tão apreensiva.

— Isso foi o que Carlisle disse. — retruquei sem vontade. — Edward ligou para ele há menos de uma hora.

Renee sorriu — Viu só? Não há motivos para se preocupar tanto, querida. Agora trate de descansar porque amanhã você terá um dia cheio.

— Por quê?

— Seu pai está voando para cá hoje a tarde, assim como Alice e Esme. Carlisle está de plantão e só poderá vir no meio da semana.

Aquela notícia trouxe um sorriso aos meus lábios — Parece que todos estão empolgados para encontrarem a Grace.

— Lógico que estamos! Afinal, ela é nossa primeira neta, como não ficar?

Uma batida na porta chamou nossa atenção e logo em seguida uma das enfermeiras apareceu, arrastando de volta o berço móvel onde Grace estava. Atentei-me à minha filha que dormia tranquilamente, sua respiração indo e vindo de forma serena que sequer o movimento do berço parecia alterar isso. Só de ver que, aparentemente, ela estava bem me senti muito mais leve; como se estivesse livre de um fardo que carregava a muito tempo.

Logo atrás da enfermeira, uma senhora de meia idade também entrou no quarto com um estetoscópio em volta do pescoço e um jaleco com motivos infantis na barra. Ela esticou sua mão em minha direção e eu a cumprimentei de volta formalmente.

— Sra. Masen, sou a Dra. Kate Jacobs, médica responsável por sua filha aqui no hospital.

— É um prazer conhecê-la, doutora. — disse sem rodeios. — Nós estávamos a aguardando. Vocês levaram a Grace por um bom tempo.

Pelo canto do olho, observei Renee rolar os olhos enquanto a recém-chegada sorria. — Desculpe-nos a demora então. Depois de 20 anos na profissão, eu devia ter aprendido o quanto as mães ficam apreensivas longe de seus bebês.

Sem mais interesse em amenidades, eu disparei de uma vez por todas. — Porque precisou demorar tanto? Minha filha tem algum problema, doutora?

— Não senhora, a Grace ao que me parece é uma menina bastante saudável mesmo sendo um bebê pre-termo. — ela explicou, observando a prancheta em suas mãos — Sistema gastrointestinal sem nenhuma alteração, coração com formação perfeita, nenhum sinal de cataratas em um futuro próximo e reflexos motores muito bons para uma criança com Síndrome de Down. Houveram alguns exames clínicos, muito embora tenho certeza que não hão de acusar nada em especial.

— Então a Grace está bem? Não tem nada de errado com ela? — indaguei, como se quisesse ter a certeza apesar de ser bem óbvio no modo como ela me dizia tudo.

— Nada de relevante. No entanto, existe um detalhe que a senhora deverá levar em consideração pelas próximas semanas.

Meu coração perdeu uma batida ao escutar aquilo. — O que?

— Bem. — ela começou solene — bebês com Down geralmente tem certa dificuldade durante a amamentação e sua filha não é exceção a essa regra: a Grace nasceu sem o reflexo de sugar e provavelmente vai ter um pouco mais de trabalho para se alimentar.

— Mas, ela vai poder se comer, não vai? — Renee questionou apreensiva — Ou ela vai precisar de alguma sonda ou algo do tipo.

— Bem, isso depende exclusivamente de vocês, Sra. Masen.

Confusa, eu falei. — De mim? Mas por quê?

— De antemão já posso lhe dizer que amamentá-la não será fácil. — a médica afirmou, cheia de certeza. — O fato da musculatura dela ser molinha além de ela ter dificuldade entre o ato de sugar, respirar e deglutir vai dificultar bastante o aleitamento. Porém, se insistir em fazê-lo, irá contribuir em muito com o desenvolvimento de sua menina.

Assenti brevemente a medida que ela continuava. — Além de aumentar esse vinculo mamãe e bebê, se Grace vier a mamar ao seio, a musculatura facial dela será mais forte, auxiliando assim a fala dela futuramente. Mas é um processo que requer paciência, tempo e disposição não só das mamães, mas de todos os que convivem com ela. Pode demorar semanas e até meses para que sua filha consiga independência nas mamadas, mas tenho certeza que o desenvolvimento dela será muito mais significativo, se acaso decidir pelo peito.

— Não importa as dificuldades; a mamadeira nunca foi opção para mim. — afirmei categoricamente. — Especialmente para ela.

— Essa é uma ótima decisão. — ela concluiu. — Ambas serão muito beneficiadas com essa escolha. Agora, outra dúvida: você já se informou sobre programas de estimulação precoce para bebês especiais?

Meneei positivamente — Sim. Como já sabíamos que a Grace seria Down, meu marido e eu visitamos algumas instituições para crianças excepcionais. Lá descobrimos a importância de certas terapias para o desenvolvimento dela e, assim que possível, nós iremos começar com a fisioterapia, fonoaudióloga e o que mais for necessário.

— Muito bom que vocês pensem dessa maneira. — ela comentou sorrindo. — Pais conscientes assim infelizmente ainda são raros. Devo parabenizá-los por isso.

— Obrigada. — agradeci, ficando um tanto que sem jeito diante da médica.

— Eu preciso fazer outras rondas. No mais, a Grace é uma menininha muito saudável e tem uma vida cheia de descobertas pela frente. Sorte a dela que caiu em mãos de pais tão dedicados.

— Obrigada, doutora.

Ela se dirigiu até a porta, mas antes de sair falou uma última vez. — Vou pedir para que alguma das enfermeiras venha até aqui para lhe ensinar a técnica de amamentação por sonda. Por hora, esse é o melhor meio de alimentar sua filha.

Assim que ela saiu, fiquei devaneando como é que seria dar de mamar junto com uma sonda e se isso infligiria algum incômodo para mim ou para Grace. Porém, antes que eu pudesse pensar mais sobre o assunto, a aproximação veloz de Renee chamou minha atenção.

— Ah, eu sabia que você iria se parecer com ele! — ela sibilou toda extasiada ao mesmo tempo em que retirava Grace de seu cantinho. — Olha só essa cabeleira vermelha, mocinha?! Seu pai deve ter se corroído todo quando olhou para você.

— Mãe...

Ela virou-se em minha direção com uma sobrancelha erguida. — O que? Vai me dizer que ele não ficou todo besta quando olhou para essa bonequinha aqui?

— É claro que ele ficou. Mas eu não gosto disso que você está fazendo. — respondi, mais séria do que pretendia. — Ele já está arrependido do que fez, não precisamos ficar relembrando o passado o tempo todo.

— Eu sei, Bella e você têm razão. Mas saiba desde já que seu marido vai passar o resto da vida com remorso, toda vez que olhar para ela.

— E é justamente por isso que eu não pretendo ficar lembrando para ele o que passou. — justifiquei, querendo defendê-lo dos comentários de minha mãe. — Ele terá muito com o que lidar sozinho.

Renee me encarou por um longo tempo antes de voltar a falar — Tudo bem, Bella. Desculpe meu comentário infeliz. — e então abriu um de seus sorrisos. — Se você, que é a pessoa mais interessada o perdoou, eu não vou fazer o papel de sogra chata. Não está mais aqui quem falou.

— Obrigada, mãe.

— E no mais, ela não é totalmente a cara dele. — ela murmurou enquanto se aproximava da cama onde eu estava sentada. — Esse nariz arrebitado eu reconheço muito bem.

Concordei com um sorriso, tocando levemente na ponta do nariz de Renee. — De mãe para filha e de filha para neta.

— Ela é linda, Bella. — ela disse com os olhos aguados. — Nunca deixem que te digam o contrário.

Meneei a cabeça positivamente enquanto ficávamos nós duas observando os detalhes de Grace. Ela hoje estava vestida em um conjuntinho cor de marfim, que parecia ressaltar ainda mais a pele delicada dela. Não importa se ela era Down ou não, ela era especial para mim: um pequeno ser que mudou meu modo de pensar a vida completamente.

Não demorou muito para que Edward e Richie reaparecessem no quarto, entrando tranquilamente como se soubessem que o mais novo membro da nossa família já estivesse de volta. Meu marido ostentava uma expressão calorosa assim que viu nossa garotinha em meus braços, já meu filho parecia ser uma mistura de curiosidade e receio, como se não soubesse agir diante aquela novidade.

— Vem aqui. filhote. — chamei-o com um sorriso. — venha conhecer sua irmãzinha.

Devagar, Richard saiu do lado do pai e de forma desconfiada veio até perto da cabeceira da cama, onde estava sentada. Seu cenho franzido de desconfiança, mudou para algo parecido com admiração e surpresa assim que seus olhos verdes fitaram a face de Grace.

— Ela é tão pequenininha. — ele murmurou enquanto sua irmã esticava os dedinhos. — Nem parece que é de verdade.

Todos os adultos riram baixinho com aquela conclusão dele. Edward se aproximou, apoiando suas mãos nos ombros dele antes voltar a falar. — É garoto, agora você é um irmão mais velho. É uma responsabilidade e tanto, sabia?

Richie assentiu. — Eu sei, pai. Vou ter que cuidar pra que ela não caia no parquinho e nem que babe os controles como a irmã do Mark lá da escola.

— Exatamente, campeão. — Edward afirmou. — Mas vai ser moleza para você.

— Eu só tenho uma pergunta. — Richie murmurou, sem deixar de olhar para a irmã — Eu não vou ter que limpar cocô dela não, né?

Renee cobriu sua boca com uma das mãos impedindo a gargalhada e eu respondia com ar de riso. — Só se você quiser docinho. Seu pai e eu não íamos reclamar de uma ajudinha extra, certo baby?

— Com toda certeza, amor.

Richie fitou a irmã por mais um tempo, até que balançou a cabeça freneticamente. — Não, quero isso não, mamãe. De verdade.

— Tudo bem, bebê. Sem problemas.

— Eu não sou mais seu bebê. — ele disse com um rolar de olhos. — A bebê agora é ela.

Estiquei meu corpo e dei um pequeno beijo na testa dele. — Vocês dois serão para sempre meus bebês, Richie.

— E está tudo bem com a nossa princesa? — Edward perguntou, acariciando levemente a bochecha de Grace.

— Absolutamente bem. — minha mãe disparou. — Como diria o vovô dela, Grace é saudável como um cavalo.

— Vovó, pelo tamanhico dela, a Gracie tá mais pra pônei!

Eu ri, me sentindo plena por estar rodeava por aquele que eu amo. Depois de tantas confusões e contratempos, só queria curtir aquele momento com todos que eu amava ao meu redor. Enfim, me sentia completa e realizada ao saber tudo valera a pena no final.

[...]

O nosso momento família foi interrompido por uma das enfermeiras, dizendo que eu só tinha mais 15 minutos do horário de visita. Fiz uma careta pela brevidade do momento, porém eu sabia que assim que estivesse sem tantas pessoas ao redor, a equipe do hospital e eu tentaríamos induzir Grace ao ato de amamentar. Trabalho esse que requeria paciência e quietude, algo que uma criança de sete anos como Richie não tinha.

Depois de uma discussão pequena, mas ao mesmo tempo enfática entre Edward e eu, consegui convencê-lo a voltar de táxi para casa com Richie. Ele estava esgotado e precisava descansar também depois da noite de ontem e minha mãe estaria alerta se acaso eu precisasse de algo. Isso sem contar que a presença dele em casa faria com que nosso filho se sentisse mais seguro, sem achar que estávamos o deixando de lado por conta da irmã recém-nascida.

Assim que meus dois garotos foram embora, uma enfermeira chegou com uma bomba de leite, um pequeno tubo transparente e um recipiente de acrílico. Ela explicou como seria o processo para que Grace pudesse mamar no futuro. Assim que o colostro foi coletado a mulher prendeu uma ponta da sonda no meu dedo midinho e me instruiu a maneira correta de estimular a pega dela, como se estivesse fazendo carinho no céu-da-boca dela. Nem demorou tanto para senti-la sugar e meu peito se encher de orgulho pelo primeiro desafio superado por minha menina.

Assim que passamos por esse processo a outra ponta da sonda foi colocada em meu leite e assim, finalmente, meu coração pode relaxar um pouco ao assistir finalmente minha garota se alimentando. Exatamente como a neonatologista havia dito, seria um processo trabalhoso, mas que valeria a pena, tanto no aspecto emocional quanto motor dela.

Não importava qual fosse o tamanho da dificuldade: minha missão como mãe da Grace seria garantir tudo que estivesse ao meu alcance para que minha filha levasse uma vida absolutamente normal, como qualquer outra criança.

Ela não demorou muito mamando; em menos de dez minutos ela afastou meu dedo e começou a choramingar toda vez que eu insistia um pouco mais. E pelo que eu soube esta reação de Grace era um tanto que comum, já ela se cansava muito mais rápido ao fazer o esforço extra na musculatura da face. Fiquei um tanto que tristonha, no entanto Jen, a responsável por me instruir me garantiu que muito em breve, passaríamos pelo mesmo processo, mas com a diferença que a sonda seria acoplada ao meu seio desta vez. Desta maneira, minha filha iria se habituando ao fato de que aquele era o local correto para se alimentar.

Em poucas horas, repetimos aquele mesmo processo, no entanto, a sonda agora foi presa no bico do meu peito direito. Precisei de uma ajudinha extra de Renee na hora de colocá-la na posição correta, uma vez que ela não tinha muita força em seu pescocinho, contudo fui tomada por uma onda de alegria quando finalmente Grace começou a sugar não só da sonda, mas do meu mamilo também.

Por fim, entre as mamadas de minha filha, as conversas de Renee e a programação entediante da tevê, o restante daquela dia transcorreu de forma tranquila. Edward ligou, dizendo que havia dormido poucas horas antes de ir pegar meu pai, Esme e Alice no aeroporto. Fiquei apreensiva com o reencontro de Charlie e meu ex-futuro-ex marido, mas Renee me acalmou dizendo que não havia nada a temer. Na verdade, minha mãe disse que enquanto eu ainda estava no hospital em Forks, Edward havia pedido desculpas pelo que tinha feito na véspera de Natal.

Lógico que eles não eram melhores amigos, afinal, Edward nunca foi a pessoa preferida do meu pai. No entanto, ambos me amavam e fariam de tudo pelo meu bem estar, se isso significasse ter que conviver amistosamente.

No dia seguinte, Grace recebeu a visita de todos aqueles que ansiavam em vê-la: minha pequena nem pareceu se importar com tantas pessoas passando-a de braço em braço. Meu pai foi o primeiro a fazer isto, ninando-a com um sorriso enorme e afirmando com toda a certeza de que minha filha teria os olhos marrons como os Swan. Obviamente, fiz questão de provoca-lo dizendo que Edward tinha feito esta mesma observação ontem à noite.

Em resposta, ele apenas retorceu o bigode e resmungou. — Pelo menos para uma coisa na vida ele tinha que ter razão.

Já Rose, como a boa madrinha coruja, trouxe balões cor-de-rosa, bichos de pelúcia e um buquê de azaleias para mim. Já Alice, assim que a colocou no colo, começou a esticar e flexionar as pernas e bracinhos dela e me passando dicas de como poderíamos contribuir desde já para que a musculatura de nossa filha ficasse mais forte.

No entanto, minha melhor amiga e fisioterapeuta particular nem pode nos mostrar muita coisa; bastou apenas um resmungozinho de Grace para que Edward a tomasse dos braços de sua prima, alegando que ela mal havia se recuperado do nascimento para se esforçar numa rodada de exercícios físicos.

Ele havia se transformado em um papai-urso. Mas na verdade, sabia que esse instinto protetor à longo prazo seria prejudicial para nossa filha. Isso era algo que teria que falar com ele em breve.

Todos estavam em êxtase ao conhecer a nova Masen, porém meus olhos não deixaram de captar a lágrima que rolou do rosto de Esme assim que pegou Grace. De fato, ela não conseguiu ficar com minha filha por muito tempo no colo e com a voz embargada pediu licença para sair do quarto. Mesmo sem precisar dizer, eu sabia que ela estava se recordando do seu pequeno Joseph. Seu filho Down que havia passado tão pouco tempo nesta vida, mas que conseguiu unir Esme ao seu verdadeiro amor, Carlisle.

Era egocêntrico, mas eu não podia deixar de agradecer a Deus por minha filha ser tão saudável. Teríamos desafios, mas todos os obstáculos serão aos poucos ultrapassados com tempo e paciência que dedicaríamos a ela. Não existia o mais leve temor de alguma má formação ou doença que pudesse assombrar os planos para nossa filha.

Aos poucos, nossos visitantes foram se dispersando. Emmett e Rose tinham compromissos importantes no trabalho naquele dia, mas se disponibilizaram a pegar Richie no colégio e passar a noite com ele. Não muito tempo depois, Alice e Esme precisavam pegar Carlisle no aeroporto e também se foram. E quase no final do dia, depois de terem um almoço tardio conosco, Charlie e Renee se despediram, com a desculpa que iriam organizar tudo em casa para a nossa volta amanhã

Por fim, restaram apenas Edward, Grace e eu em nossa última noite na maternidade.

Cansada de ficar naquela cama por tanto tempo, fui até o bercinho onde Grace dormia. Com tanta movimentação ao longo do dia, ela estava um tanto que agitada, se remexendo um pouco durante seu sono. Conferi a fralda e o coto umbilical e tudo estava nos conformes, então só pude supor que ela estava ficando com fome, já que faziam algumas horas desde a última mamada.

— Quer comer mocinha? — sibilei enquanto calmamente. — A mamãe nem te alimentou direito hoje não foi?

Ela apenas fez um biquinho em resposta e eu sorri, sabendo que muito em breve ela começaria a chorar por seu leite. Aproveitando que Edward estava no banho, fui até o extrator de leite e colhi um pouco, coletando o suficiente para que Grace tomasse durante aquele momento. Estava terminando de prender a sonda ao mamilo quando ele saiu, de banho recém tomado.

— Hey, algum problema, amor? — ele disse, franzindo o cenho enquanto assistia meus preparativos.

— Pode pegar a Grace para mim? Ela deve estar faminta, — comentei enquanto terminava de colar a fita adesiva do meu peito — Ela mal conseguiu mamar com a agitação toda de hoje.

Edward assentiu e foi até o berço e assim que a tirou de lá, ela começou a chorar baixinho, como uma verdadeira lady. — Shhh, o que foi, gatinha? — ele sibilou enquanto a trazia até mim. — Você já vai mamar, filha.

Sorri ao vê-lo chamar em voz alta de filha pela primeira vez. Lógico que não me restava mais dúvidas que ele a amava como tal, mas mesmo assim foi muito bom poder presenciar aquele momento.

Edward passou Grace para o meu colo e sentou-se ao meu lado na cama. Ajustei minha filha, segurando seu corpo com um braço e com a mão livre comecei a instigar o seu céu da boca incentivando-a a sugar meu dedo. Era exultante saber que minha garota pegava o jeito de mamar cada vez mais rápido: exatamente como a pediatra disse, era tudo uma questão de incentivo.

— Vou precisar de uma mãozinha extra, agora. — murmurei para meu marido.

— Eu sei, e é por isso que já estou a postos.

Sorri e ofereci meu seio a Grace ao mesmo tempo que Edward apoiava a cabecinha de nossa filha, para que ela conseguisse ficar na posição correta. Rapidamente, ela começou a tomar o líquido com força, fazendo barulhinhos de satisfação enquanto mamava, trazendo um sorriso ao nossos lábios.

O silêncio era um calmante depois de um dia com bastante movimento. Não pude reter um bocejo de cansaço e recostar minha cabeça ao ombro de Edward. Era tudo tão confortável e pacifico que temia que o menor barulho pudesse acabar com essa quietude.

Senti os lábios de Edward tocarem no alto da minha cabeça e seu outro braço livre me envolver ao redor dos ombros. — Cansada, baby?

— Só um pouquinho.

— É bom você se acostumar. Vamos voltar àquela agitação de ter um bebê.

— E já tendo um menino de oito anos na mesma casa. — retruquei, suspirando pesadamente — Nós somos loucos, não somos?

Ele riu, — Bem, eu sou mesmo. Louco por vocês.

— Eu te amo, Edward. — afirmei simplesmente, aquela convicção mais profunda do meu ser.

Ele recostou nossas testas e sibilou seu hálito fresco de dentes recém escovados, antes de nos beijarmos. — Eu também te amo, Bella.

[...]

A manhã seguinte, a Dra. Shelton apareceu cedo no hospital e fez um último check-up antes de me conceder alta. Apesar da minha pressão arterial ainda estar um pouca elevada, ela não via problemas que eu voltasse pra casa se eu mantivesse cuidado com a alimentação e tomasse as medicações receitadas nos horários corretos. Em um ambiente familiar, minha recuperação seria ainda mais rápida.

Poucos minutos depois, foi a vez da pediatra responsável por minha filha atestar que Grace também poderia ir para casa. Era notável que apesar das dificuldades iniciais, minha filha nāo tinha problema algum e que minha atenção seria as consultas e vacinas que qualquer outro bebê necessitava ao longo das próximas semanas.

Todavia, eu me sentia insegura.

Nāo pela saúde dela, uma vez que já fora confirmado e assegurado que tudo estava perfeito. Esse temor de forma alguma era premente naquele instante para mim.

Mas, enquanto vestia a roupa que escolhera para nossa saída da maternidade, não pude deixar de refletir sobre o que aquela menina enfrentaria no mundo lá fora. Minha família e meus amigos tinham aceitado Grace de braços abertos; na verdade, apesar dos poucos dias, minha filha se mostrou extremamente carismática. Entretanto, nada podia garantir que ela sofresse preconceito por ser da maneira que era muito em breve.

Assim que puséssemos os pés fora deste hospital, estaríamos expostos aos julgamentos e preceitos dos outros. Não temia por mim e nem pela decisão que escolhera há seis meses, mas sim por minha filha. Que era totalmente inocente e tampouco culpada por ter vindo ao mundo sendo Down.

Quantos olhares de pena ela iria receber a partir de agora? Quantas pessoas iriam considerá-la incapaz somente por que ela é assim? E o quanto essas coisas poderiam atingir a inocência de Grace? O quanto isso abalaria a Edward, a mim e especialmente a ela?

De repente, eu não sabia se tinha de fato toda essa coragem para enfrentar todos estes problemas.

— Bella, está tudo bem?

Virei-me em direção a porta, onde Edward tinha acabado de entrar, parecendo preocupado com algo. Sorri levemente, tentando aliviar um pouco seu receio. — Não é nada.

Não percebendo meu desconforto, ele simplesmente sorriu — Então, prontas para sair? Por que o que mais quero agora e levar minhas meninas para casa.

— Claro. — murmurei, sem muita confiança.

Edward suspirou alto para minha empolgação fingida e disparou — Sério Bella, qual é o problema? Você está sentindo algo? Alguma dor? E por isso que você não quer sair do hospital?

Balancei a cabeça negativamente. — Não é nada comigo, não se preocupe.

Ao se aproximar de mim, ele ergueu meu queixo com seus dedos delicadamente, fazendo com que eu o fitasse. — O que foi, baby?

— Eu acho que estou com medo. — retruquei, sem conseguir mais esconder a verdade.

— Medo de que, amor?

— Pela Grace. — Edward esboçou fazer mais perguntas, mas o interrompi ao continuar a falar. — Eu sei que está tudo bem com ela, mas eu acho que não estou preparada para ser mãe dela.

A voz dele saiu meio que numa risada. — Como não? Nós já passamos por Richie, lembra?

— Lógico que não estou me referindo neste sentido, Edward. — respondi um tanto irritada. — Eu estou me referindo ao fato de ela ser Down.

O cenho do meu marido se franziu. — Bella, você é a mulher mais preparada no mundo para isso. Você enfrentou a tudo e a todos por nossa filha. Caramba, eu quase te perdi por ser estúpido e obtuso em relação a Grace. Como agora, depois que ela já está aqui você diz que não se acha pronta?

— Eu não sei... acho que estou com medo por tudo o que ela terá que enfrentar daqui para frente. Definitivamente não vai ser fácil.

— Você tem razão; não será. — ele concordou. — Mas, da mesma forma que aprendemos a criar o Richie, nós vamos conseguir com Grace. Com passos mais lentos, é claro. E foda-se o que os outros pensem ou deixem de pensar sobre ela.

Deitei a cabeça em seu peito e me deixe ser abraçada por ele — Promete que sempre que eu me sentir insegura desta maneira, você vai estar ao meu lado?

— Baby, nós estamos nessa juntos e é claro que eu vou estar com você, — ele assegurou, — Sei que daqui para a frente eu também vou ter os meus momentos de receio, mas sei que se você estiver ao meu lado, nós dois poderemos suportar tudo a favor de nossa princesa.

— Obrigada, Edward.

— Disponha, querida. — ele sibilou antes de beijar brevemente minha testa e meus lábios. — Será que agora podemos ir para casa? Eu preciso de verdade dormir numa cama de verdade hoje.

Eu ri. — Tudo bem, nada de poltrona para você hoje. Mas lembre-se que vamos ter que acordar umas quatro vezes no meio da madrugada para alimentar a Grace.

— Eu concordo em levantar até dez vezes, contanto que eu consiga um lugar onde eu não precise dormir sentado. — ele resmungou fazendo uma careta. — Vou buscar a cadeira de rodas.

— O que?! Não, eu posso andar!

Edward deu de ombros. — Desculpe, normas do hospital.

Resignada, esperei Edward voltar para o quarto acompanhado por uma enfermeira e uma cadeira de rodas desnecessária. Protestei mais uma vez, alegando que era perfeitamente capaz de caminhar sozinha, no entanto de nada adiantou, pois a mulher era enfática ao garantir que todas as pacientes tinham que sair desta maneira. À contragosto sentei e esperei que Edward colocasse Grace em meu colo.

Como mágica, assim que minha filha foi colocada em meus braços, esqueci tudo ao meu redor. Meu foco era exclusivamente ela, a ponto de não me importar nem um pouco com qualquer parafernália desnecessária para que eu me locomovesse.

Do lado de fora do hospital, embora o tempo ainda permanecesse frio, o sol brilhava alto, tendo como fundo um céu límpido e azul, como sempre acontecia após as tempestades de neve. E enquanto eu encarava a beleza do firmamento acima de mim, não pude deixar de fazer uma metáfora com a minha própria vida.

Eu tinha passado por um vendaval de emoções, desde a segunda ecografia quando descobrimos sobre a possibilidade de Grace ter uma alteração genética. Quando ficou constatado que a chance tinha se concretizado para algo 100% real, tudo havia enegrecido: nuvens espessas de dúvidas haviam pairado em cima de nossas vidas, que até então era considerada perfeita. Foram meses de escuridão e de temor até este momento, o sol parecia ter voltado a brilhar, quiçá até de forma mais intensa.

Levantei da cadeira e aninhei melhor Grace em meu colo. Aproveitei o momento e dei uma espreitada por cima da manta que a cobria e me deparei com seus olhinhos abertos, piscando lentamente como se tentasse se acostumar com a claridade. Ali, tenho minha bonequinha em meus braços, só podia concluir que de fato ela era o raio de luz que tinha entrado nossas vidas. Grace tinha aberto meus olhos para um mundo além dos humanos considerados perfeitos: que existiam pessoas com limitações que se superam em raça e determinação e nos davam lições de vida todos os dias. E eu tinha sido agraciada por me tornar mãe de alguém assim.

Só podia agradecer a Deus por ter recebido uma dádiva e missão como esta.


Não vou me despedir agora por que ainda temos um epílogo todo para chorar!

Ah, e também porque não tô preparada psicologicamente para me despedir desta fic agora. =/

Enfim, comentários (vocês já sabem!) são sempre muito bem vindos. E através deles que tento melhorar meu trabalho e proporcionar o melhor sempre para vocês!

Bem, epílogo será muito difícil de sair ainda este ano, mas quem sabe se a inspiração bater, não é?

No mais (se o mundo não acabar) desejo um Feliz Natal e um Super ano-novo para todas!

Até o fim, literalmente!

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