CAPÍTULO XXIX: Providencias

As férias chegaram e Lílian cumpriu fielmente sua promessa de responder às cartas de Tiago. A coruja do rapaz não tinha muito descanso entre as trocas de correspondência dos dois. Naquele dia Tiago recebeu logo cedo uma resposta dela.

"Você venceu. Minha mãe não para de perguntar quando o trarei aqui para jantar. Então, me diga quando pode ser para eu marcar com ela.

Lily"

Leu a mensagem com um sorriso. Estava fazendo progressos. Iria jantar na casa da ruiva...

Saiu do quarto e viu que Sirus ainda dormia. Sirius... Não queria deixar o amigo sozinho, sem nada para fazer. Os pais de Tiago não estavam parando muito em casa e ele próprio passava muito tempo se correspondendo com Lílian. Queria poder fazer algo pelo amigo.

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"Lily, quero muito ir, mas não sei o que Sirius poderia fazer enquanto estiver aí. Não queria deixá-lo sozinho, acho que ele ficaria aborrecido.

Beijo, Tiago"

A coruja de Tiago esperava na escrivaninha, enquanto Lílian escrevia rapidamente uma resposta. A mensagem de Tiago fez com que ela tivesse uma súbita ideia.

Assim que terminou de ler, ela esquadrinhou a escrivaninha e viu a carta que Liliane lhe mandara mais cedo. Releu cuidadosamente as palavras da amiga, formulando um plano.

"Oi Lily. Meu Natal foi legal e o seu? Já estou em Londres. Papai está fazendo algumas negociações, então só fomos à Grécia para o jantar de Natal e voltamos para a Inglaterra. Ele anda tão ocupado que mal o vejo. Se quiser fazer alguma coisa, me mande uma coruja.

Com carinho, Liliane."

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Tiago recebeu a resposta ansioso, imaginando se Lílian teria alguma solução para ele, ou se aproveitaria a deixa para se livrar dele. Abriu a mensagem e gargalhou assim que terminou.

"Tiago,

Tive uma ótima idéia. A Liliane está em Londres, o pai dela está ocupado com o trabalho e acho que ela não tem nada para fazer. Por que o Sirius não vai fazer alguma coisa com ela? Os dois têm se dado bem ultimamente... Pergunte à ele e marcamos o jantar.

Lily".

Imediatamente, o míope se virou para o amigo, que lia uma revista sobre os objetos trouxas que tanto o fascinavam.

-Sirius, o que acha de levar uma garota bonita pra sair e ainda deixar seu amigo feliz?

-Que garota? – Ele tirou os olhos da revista, confuso.

-Liliane Matheson. – Sorriu largamente. – É que os pais da Lílian querem que eu jante lá e nem eu nem ela queremos deixar os amigos na mão. Então pensamos que vocês podiam sair e fazer alguma coisa para passar o tempo.

Sirius achava meio ridículo aquele receio que Tiago tinha em deixá-lo sozinho, mas a ideia não era ruim.

-Está bem. Me empresta sua coruja para eu escrever um recado pra ela?

-É toda sua.

O moreno largou a revista, foi para seu quarto, sentou-se na escrivaninha e começou a escrever. Demorou algum tempo para decidir como convidá-la e por fim, achou satisfatório:

"Oi, Liliane.

Como vão as férias? Lílian nos contou que você está em Londres, espero que esteja se divertindo. Se tiver algum tempo livre, podemos fazer alguma coisa.

Sirius".

Mandou a coruja com certo receio, mas recebeu a resposta uma hora depois, num pedaço de pergaminho branco, com letras azuis claras.

"Oi, Sirius.

Na verdade não tenho feito muita coisa a não ser passear pelo Beco Diagonal e ficar no meu quarto no Caldeirão Furado. Seria legal fazer alguma coisa. Só me diga que dia está pensando e o horário.

Com carinho, Liliane"

Foi conversar com Tiago e os dois combinaram que o melhor dia era sexta-feira. Assim, marcados o jantar e o programa de Sirius e Liliane, começaram os preparativos, especialmente por parte de Lílian, que se sentia absurdamente nervosa com a situação.

Quando a noite do jantar chegou, arrumou-se com esmero e analisou-se no espelho. A princípio, pensara em se maquiar, mas notou logo que seria exagero e foi esperar o maroto na sala de sua casa, onde seu pai assistia o telejornal.

A campainha não tardou a soar e ela sorriu ao atender a porta. Tiago sorria para ela, com um grosso cassaco marrom e um buque de lírios amarelos nas mãos.

Assim que a mãe da moça viu o rapaz com as flores, se encantou.

-Ah, meu Deus, como é gentil! – Exclamou, logo depois de cumprimentar o rapaz.

Lílian foi buscar um vaso de vidro para colocar as flores e quando voltou, Tiago já havia cumprimentado animadamente o Sr. Evans e se sentara num dos lados do sofá. Sempre se esquecia como ele era espontâneo.