Capítulo 29

|Narrado por Bella|

Naquele dia quando sai do apartamento de Edward, e seguia até o meu para deixar Bear em casa, tive a sensação de que algo estava fora do lugar. E depois eu estava simplesmente inquieta enquanto dirigia a velha picape até o meu consultório. Alguns carros atrás de mim buzinavam para que eu fosse mais rápido. Porra será que eles não entendiam que aquele era o limite da picape, quer dizer olha pra ela, ela tem idade para ser a avó de qualquer um desses carros!

Bati com a mão no volante e afundei o pé no acelerador, rezando pra que o motor não resolvesse dar uma crise de terceira idade e parasse de funcionar no meio da avenida.

Só agora, totalmente estressada e resmungando palavrões a Deus dará, é que eu percebi o com o minha vida havia mudado nesses poucos meses namorando Edward.

Quer dizer, quando que a antiga Isabella sairia resmungando palavrões a torto e direito, e ficaria estressada com um carro que não conseguia sair dos 70 km/h, antes eu simplesmente ignorava as coisas a minha volta e tentava levar a minha vida da forma o mais simples possível, e quando eu estressava simplesmente respirava fundo, contava até 10 e pensava em alguma famosa frase do Gandhi ou de algum filósofo.

Mas hoje eu ficava facilmente estressada no transito e com o meu carro, porque eu simplesmente queria chegar ao consultório logo, para o meu dia acabar o mais rápido possível e estar com Edward o quanto antes. Não só pelo sexo absurdamente incrível, por que sexo com Edward Cullen é de mudar vidas, mas pelo simples fato de estar com ele, na presença dele, ouvir sua voz, ver seu sorriso e escutar sua risada, ignorar as bobagens que ele falava, porque fala sério, meu Edward fala muita bobagem, ou quando ele tentava ser fofo comigo ou quando ele era completamente safado e ficava falando besteiras no meu ouvido e me provocando para no minuto seguinte nós dois estarmos sem roupas e nos unindo. O que, ele sempre fazia ser uma cena épica, digna de um Oscar, se existisse Oscar para filmes pornôs.

Eu o amava. Disso eu não tinha duvidas, só de ficar longe meu coração ficava apertado. E hoje não foi um dia diferente, mas houve uma mudança, meu peito ficou mais apertado a ponto de quase doer a cada vez que a distancia entre nós dois aumentava.

–Bom dia Ângela. –cumprimentei a minha secretaria quando cheguei ao consultório.

–Bom dia Bella. –Ângela sorriu amigavelmente.

–Quais são os pacientes marcados para hoje? –perguntei enquanto puxava meu smartphone da bolsa para conferir a agenda com ela.

–Mike Newton, ele marcou dois horários seguidos. –Ângela deu uma risadinha.

–Nossa que legal. –resmunguei.

Mike era um problema, sensível demais, chorava por nada e uma consulta com ele se passava da seguinte forma: eu sentada desenhando enquanto ele preenchia seu horário com uma falação infinita, mas acho que falar como uma gralha o ajudava, então eu meio que escutava seus problemas e nas raras ocasiões em que ele não estava preenchendo o tempo com seu falatório infinito eu dava algumas sugestões que poderia ajuda-lo a melhorar suas atitudes e a convivência com as demais pessoas.

–A senhora Denali logo em seguida. –respirei fundo.

Se Mike Newton era problema, Irina Denali era outro, ela estava na casa dos 65 anos e reclamava que a filha e as netas não lhe davam atenção, mas também ela passou a vida toda as ignorando completamente, só dando atenção para seus filhos homens e os filhos dele, só procurava a filha quando queria dinheiro ou quando queria que o genro fizesse algum favor para ela, mas mesmo assim eu a escutava falar mal do genro, apesar de querer manda-la a merda de tanta raiva que eu ficava dessa mulher toda vez que ela abria a boca, mas eu não a mandava para lugar nenhum porque eu era uma excelente profissional.

–E o senhor Anthony Masen depois do almoço. –aquelas palavras simplesmente tiveram o poder de acabar com o meu dia em poucos segundos.

–Tudo bem. –respirei fundo. –Interfone quando o Mike chegar vou ficar na minha sala enquanto isso.

Assim que fechei a porta me encostei a ela tentando controlar a tremedeira em minhas mãos e regular a minha respiração. Aquilo tinha que acabar, eu não ia aguentar segurar aquilo por muito tempo. Controlei as lágrimas em meus olhos decidindo que hoje seria o dia do ultimato. Eu não poderia continuar escondendo Anthony de Edward, e que se foda a ética profissional, eu não colocaria meu relacionamento na linha do trem pela minha profissão, por mais que eu amasse o que fazia, eu amava Edward mais.

O restante da manhã se passou o mais tranquilamente possível aguentando os chiliques de Irina e os choros de Mike. Nos horários vagos entre uma consulta e outra troquei algumas mensagens com Edward, ele estava entediado e parecia uma criança querendo atenção da mãe todo cheio de dengo pro meu lado.

Ângela havia pedido o nosso almoço para comermos aqui mesmo, afinal ir para casa e depois voltar me deixaria com o tempo apertado e pelo menos assim eu poderia adiantar algumas coisas para que assim que atendesse o ultimo paciente pudesse ir direto pra casa.

Eu estava ansiosa para a consulta com Anthony Masen. Hoje eu tomaria uma atitude que eu deveria ter tomado e cobrado dele desde o começo.

Quando o pai biológico de Edward bateu a porta de meu consultório eu aceitei porque fiquei curiosa, queria saber quais foram os motivos dele não ter amparado o filho, de ter fugido como uma criança assustada e os descobri todos e agora depois de 26 anos ele resolveu que me encontrar seria uma maneira de estar próximo a vida de seu filho. Ele queria encontrar uma maneira, com a minha ajuda, de se aproximar de Edward, mas tinha medo da reação dele.

–Bella, Anthony já chegou. –Ângela anunciou no interfone.

–Peça para ele entrar. –destravei a porta e em poucos segundos aquele homem inconfundivelmente parecido com Edward adentrava a minha sala.

–Isabella boa tarde. –se sentou no mesmo sofá que Edward havia se sentado quando nos conhecemos.

–Boa tarde sr. Masen como vai?

–Hoje melhor do que ontem. –deu de ombros.

–Como vai o tratamento?

–Desgastante. –disse com um suspiro.

Segundos que se pareceram horas se passaram antes que eu tomasse a atitude que deveria ter tomado desde o inicio.

–Eu não posso continuar com isso, você tem que se encontrar com Edward.

–Eu sei. –Anthony disse com uma expressão cansada. –Mas eu tenho medo, você sabe.

–É melhor você enfrentar seus medos do que ter que conviver com eles todos os dias de sua vida. –eu disse. –É melhor você encontrar com Edward e saber qual será a reação dele do que conviver com as possibilidades e deixar o 'e se...' atormentar a sua mente. Você não conhece Edward como eu conheço e sei que não estou sendo nada profissional falando assim com você, mas quer saber eu não ligo porque não vou deixar o seu fantasma em meio a minha relação com seu filho, eu amo ele e vou enfrentar qualquer medo, qualquer dor, qualquer coisa para ficar ao lado dele. É o que você devia ter feito desde o começo.

Anthony me encarou por um minuto inteiro antes de se manifestar.

–Você sabe que mesmo eu não podendo estar por perto, que mesmo não conseguindo estar por perto, eu sempre olhei por Edward. Mesmo a distancia eu o observava, o jeito com que ele se parecia com a minha Lizzie era perturbador, o mesmo sorriso e os mesmos olhos e aquilo me perturbava. Mas nunca duvide do meu amor por meu filho, eu posso não ter sido o pai que ele precisava, aliás, eu nunca fui nada para ele se você pensar direito, mas sempre mantive contato com Esme e Carlisle, sempre procurando saber se ele precisava de alguma coisa. Quando os avós estavam para perder a casa que eles moravam para a hipoteca eu não permiti que isso acontecesse porque sabia que meu filho amava aquele lugar, o único apoio que ele teve de mim foi o financeiro, e me envergonho por isso, mas eu vi meu filho crescer e virar um homem e desde criança ele sempre se recusou a aceitar o único apoio que lhe dava.

''Eu vi Edward crescer e fazer todos os tipos de trabalho, desde vender limonada na porta de casa a entregar jornal de porta em porta para nunca depender do meu dinheiro. Tudo o que ele tem hoje foi conquistado com o esforço dele. Absolutamente tudo. Eu vi meu filho ter tudo o que queria, mas nunca o vi ter aquilo que precisava até você entrar na vida dele. –deu um sorriso torto assombrosamente parecido com o de Edward em minha direção. –Meu filho se tornou outro homem depois de você entrar na vida dele, e mesmo pra quem o conhecia apenas de vista pode notar essa diferença."

Ele se levantou com as mãos no bolso do casaco que vestia.

–Eu não tenho maneiras para expressar o quão feliz eu sou por Edward poder viver um pouco do amor que vivi com a mãe dele. Eu sei que a história de vocês vai ser diferente, porque vocês irão viver muitos anos ao lado do outro e vão poder criar seus filhos juntos. Obrigada Isabella por ser aquilo que meu filho precisa.

–Você vai se encontrar com ele? –perguntei com a voz um pouco embargada pelas palavras do pai de Edward.

–Na verdade vou daqui direto para o apartamento dele.

–Edward pode ser um pouco difícil no começo, mas não desista Anthony, me prometa que não vai desistir dele de novo.

–Eu não vou. –caminhou com segurança em direção à porta.

Observei a porta de fechar atrás de Anthony ansiosa. Todos os meus encontros com o pai de Edward terminavam comigo ansiosa por querer contar de uma vez tudo para Edward, mas naquele dia a ansiedade me corroía, eu a podia sentir correndo em minhas veias.

Levantei-me e comecei a andar de um lado para o outro em minha sala me sentindo sufocada com as paredes a minha volta, parecendo um animal selvagem acuado em uma jaula.

Aquele dia já havia dado tudo o que tinha para dar. Então guardei alguns arquivos de pacientes que tinha sobre a minha mesa e dei meu expediente por encerrado. Peguei minhas coisas e me dirigi até a mesa de Ângela.

–Já vou indo Ângela, pode ir para casa também.

–Você está bem Bella? –ela me perguntou com o cenho franzido.

–Tudo bem é só um mal estar, estou com um pouco de dor de cabeça também. –dei de ombros.

–Vá para casa tome um chá bem gostoso e descanse bastante então. –disse com expressão preocupada. –Amanhã você estará novinha em folha. –sorriu gentilmente.

–Obrigada querida até amanhã. –me despedi de minha secretária e amiga.

Quando coloquei os pés na calçada em frente ao meu consultório senti uma sensação estranha no peito e sem perceber levei a mão até aquela região, esfregado à área como se o movimento fizesse aquela sensação ruim passar.

Depois de enfrentar um transito dos infernos eu estacionava a lenta picape em frente ao meu prédio. Definitivamente, eu amava aquele carro, mas não tinha mais condições de continuar com ele. Eu subia as escadas rumo ao meu apartamento quando senti meu celular vibrar no bolso. Estranhei ao ver o nome de Emmett piscando na tela.

–Alô. –atendi rapidamente, pensando ser alguma coisa com Rosalie e o bebê.

–Bella vem para o hospital agora, é o Edward, ele sofreu um acidente.

Eu ouvia aquelas palavras sendo ditas pela voz de Emmett, mas não as assimilava.

–Me desculpa não entendi. –disse.

–Edward sofreu um acidente você precisa vir para cá agora! –sua voz forme disse do outro lado da linha.

E então eu entendi exatamente o que aquelas palavras significavam. Precisei me sentar nos degraus por alguns segundos para não desmaiar nas escadas enquanto sentia meu corpo todo gelar diante aquela terrível noticia.

–Bella? –eu não percebi que ainda segurava o celular na orelha.

–Já estou indo. –disse, desliguei o celular enfiando-o de qualquer jeito dentro da bolsa e corri escadas abaixo.

Parei um táxi na rua resolvendo não ir com o meu carro, pois naquele momento eu precisava ser bem rápida. Enquanto o taxista guiava o mais loucamente possível costurando pelo transito eu sentia que meu cérebro havia virado gelatina, eu estava em meu modo automático e simplesmente não conseguia pensar ou raciocinar com coerência. Paguei o taxista quando ele parou em frente ao hospital de modo mecânico. Perguntei para a recepcionista do hospital para onde deveria ir sentindo minha voz sair fria de minha boca. Peguei o elevador até o andar para onde Edward havia sido levado para uma cirurgia de emergência ainda completamente em stand by.

Vi Emmett sentado em um dos bancos de espera no longo corredor branco da área de UTI e caminhei em sua direção.

–Bella você está bem? –parou preocupado a minha frente.

–Como ele está? –ouvi as palavras saírem de minha boca, mas aquela não era a minha voz.

–Está em cirurgia, temos que esperar o médico para saber o que está acontecendo lá.

–Tudo bem. –balancei a cabeça afirmativamente.

–Bella? –ele me chamou, sua voz soando preocupada.

–Emmett? –rebati.

–Você vai entrar em pânico não é mesmo? –ele perguntou.

O encarei sem saber o que responder. Na verdade eu não sabia exatamente o que estava acontecendo comigo, porque eu estava reagindo tão friamente a todas aquelas terríveis noticias? Porque eu não podia simplesmente reagir, gritar, chorar, desmaiar ou qualquer outra coisa seria melhor do que não sentir nada, do que me sentir fria e vazia por dentro como eu me sentia. O amor da minha vida corria serio risco de vida e eu parecia um zumbi, andava, respirava e até falava, mas não passava daquilo.

–Onde está meu filho? –foi então que uma voz me despertou para a realidade.

–Anthony? –ouvi a voz incrédula de Emmett dizer em alto e bom som.

–Você o conhece? –me virei para o melhor amigo de Edward.

–Claro que eu sei quem ele é assim como Edward sabe.

–Onde ele está? –Anthony perguntou mais uma vez.

–Você não deveria estar aqui. –disse para ele.

–Bella você conhece ele? –Emmett tocou levemente o meu braço fazendo com que eu me virasse para ele.

–Ele é um paciente meu. –murmurei.

–Isso não vai ser nada bom, Edward não vai gostar nada disso.

–Com licença. –um senhor vestido de branco apareceu logo a minha frente. –Vocês são da família de Edward Cullen?

–Sim somos. –respondi. –Alguma noticia dele Doutor?

–Eu sou o dr. Robert, estou aqui para informar o estado do paciente que é estável e não corre riscos de vida, milagrosamente Edward fraturou o braço esquerdo e três costelas, já passou por uma cirurgia para recolocar os ossos no lugar e está em observação, em 24 horas ou até menos ele será transferido da UTI e poderá ir para um quarto receber visitas.

–O que você quis dizer com milagrosamente Doutor? –questionei.

–Eu quis dizer que Edward teve muita sorte, ou alguém lá em cima gosta muito dele, o acidente era para ter sido fatal, pelo que sei o carro que o paciente dirigia foi completamente esmagado por um caminhão.

–Oh meu Deus. –gemi ao imaginar a cena e naquele momento todas as muralhas que eu havia erguido para evitar o choro e o desespero haviam caído por terra e eu sentia as lágrimas escorrerem descontroladamente em meu rosto assim como soluços audíveis escapando da minha boca.

Senti braços fortes me segurarem quando minhas pernas vacilaram.

–Vamos sentar Bella. –ouvi a voz de Emmett sussurrar. –Edward vai ficar bem, ele é forte, você ouviu o que o médico disse ele não corre nenhum perigo.

–Eu sei disso, mas só de imaginar... eu... –e uma nova sucessão de soluços seguiram.

–Eu sei Bella, eu sei. –olhei para o rosto de meu amigo e vi que uma lágrima silenciosa rolava por seu rosto, lágrima essa que ele rapidamente fez questão de secar.

–Precisamos que alguém assine as documentações da estadia do paciente, já que pelo que pudemos verificar ele não possui plano de saúde. –uma enfermeira trazia uma prancheta na mão.

–Ele é o meu filho, pode deixar que me responsabilizo por tudo. –Anthony que até então estava silencioso se manifestou.

–Não. –Emmett se ergueu rapidamente. –Eu me responsabilizo pelo meu amigo. –e tomou a prancheta das mãos de Anthony.

–Ele é meu filho, eu me responsabilizo.

–Agora ele é seu filho então? –Emmett disse friamente e aquelas palavras fizeram com que Anthony se calasse.

Emmett estava em um canto me observando, agora já mais calma, enquanto ligava para nossos amigos e familiares avisando sobre o acidente de Edward, já que eu não me encontrava em condições de falar com ninguém sobre aquele assunto, foi quando o meu celular começou a tocar e vi o nome de Jacob na tela.

–Oi. –atendi desanimada.

–Bella não consigo falar com Edward, é a Bernie. –a voz de meu primo disse desesperada do outro lado.

–O que aconteceu com ela? –perguntei preocupada.

–Nada de grave, mas depois que Edward saiu daqui ela ficou muito desesperada e inquieta e então ela ficou muito estranha e liguei para a veterinária dela, agora eu estou aqui na clinica e a Bernie está dando luz aos filhotinhos dela. –explicou. –Eu não consigo entrar em contato com o Edward para avisar.

–Meu Deus. –tampei a boca segurando o choro. –Emmett ainda não te ligou?

–Porque ele me ligaria? –perguntou confuso.

–Jacob, o Edward sofreu um acidente de carro, está sendo operado agora.

–Ele está bem?

–O médico disse que sim, ainda não posso ir vê-lo. –respondi.

–Pode deixar Bella que eu vou cuidar da Bernie e dos filhotes enquanto isso, não se preocupe.

–Muito obrigada Jake, depois que eu conseguir ver o Edward eu vou até aí para ver os filhotes e a Bernie.

–Não se preocupe com isso agora, eu vou levar eles pro meu apartamento e fico com eles até você e o Edward decidirem o que vão fazer.

–Muito obrigada Jake.

–Não precisa agradecer. –ele disse. –Vai ficar tudo bem você vai ver. –meu primo disse antes de desligar.

–Aconteceu alguma coisa? –Emmett estava parado ao meu lado preocupado.

–Bernie deu a luz aos filhotes. –disse sentindo um pequeno sorriso em meus lábios.

–O Edward vai ficar louco quando descobrir. –meu amigo disse rindo.

–Se vai. –dei uma risadinha.

–Os pais dele vão pegar o primeiro voo para cá. –Emmett explicou. –Rose, Japer e Alice já estão vindo também.

–Obrigada por avisar todo mundo Emm, não sei o que faria sem a sua ajuda.

–Pra isso servem os amigos. –disse passando um braço sobre o meu ombro e me encostei contra ele para aguardar por mais noticias.

Como descrever as ultimas 24 horas sem usar as palavras: as piores da minha vida?

Eu me recusei a sair daquele hospital sem poder ver Edward, saber se realmente estava tudo bem e se ele de fato não corria nenhum perigo. Por mais que o médico tentasse me tranquilizar dizendo que seu estado era estável e que eles o mantinham apenas em observação por aquele era o procedimento, era difícil acreditar, eu precisava ver com os meus olhos, toca-lo com as minhas mãos para ter certeza e ouvir de sua boca e com a sua voz que tudo estava bem, que tudo ficaria bem.

Só sei que Emmett havia ligado para os avôs de Edward avisando sobre o acidente. Rosalie, Alice e Jasper haviam aparecido por aqui e ficado algumas horas conosco nos apoiando, mas precisaram sair para trabalhar depois de algumas horas. Emmett havia tirado o restante da semana de folga para poder ajudar no que fosse preciso, já eu havia cancelado minha agenda da semana e pedido para Ângela ligar para os pacientes se desculpando pelo imprevisto. E agora quase 12 horas depois Emmett saia para ir buscar os avós de Edward no aeroporto, porque Esme e Carlisle simplesmente pegaram o primeiro voo para Los Angeles sem pensar duas vezes e dentro de poucos minutos eles estariam aqui.

Anthony foi uma presença constante e silenciosa durante todo esse tempo, assim como eu ele havia ficado no hospital ignorando por completo toda e qualquer necessidade sua para poder saber em primeira mão qualquer coisa sobre Edward.

Fui até a cantina do hospital brevemente para comer alguma coisa, já que eu precisaria aguentar mais longas horas pela frente e quando voltei me deparo com a seguinte cena:

Carlisle segurava Esme, que estava meio descontrolada apontando o dedo na direção de Anthony xingando-o aos quatro ventos e a todas as suas gerações, sem se importar com o local em que estava.

–Você não tem o direito de estar aqui. –Esme disse após um momento e de estar mais calma.

–Tenho todo o direito de cuidar do meu filho. –Anthony disse.

–Meu filho. –Carlisle se pronunciou, sua voz grave não deixou margens para discussões. –Você quer estar aqui, ótimo, antes tarde do que nunca, mas não ache que você vir até aqui, depois de anos se mantendo afastado, que vai pode ganhar o direito de chamar Edward de filho, porque esse direito é exclusivamente meu.

–Eu só quero me aproximar dele. –Anthony rebateu com uma voz cansada.

–Não vou negar isso nem a você e nem ao Edward, mas unicamente por respeito ao meu filho, porque nada do que você faça nessa sua vida vai ganhar o meu respeito ou o direito de chama-lo de seu filho.

–Eu cuidei dele, mesmo a distancia, mesmo não conseguindo estar perto, vocês dois são testemunhas que eu cuidei dele a minha maneira, de um jeito torto, mas eu cuidei. –Anthony disse meio alterado.

–Dinheiro não compra amor e muito menos respeito. –Carlisle passou os braços nos ombros de sua mulher. –Vamos nos sentar querida você está muito abalada. –e se afastou.

Anthony ficou em seu canto sem falar mais nada pelas horas seguintes. Horas depois daquela pequena discussão eu conversava com Esme e Carlisle quando o médico apareceu a nossa frente.

–O paciente foi removido mais cedo para o quarto de visitas, ele está chamando pelos pais. –o Dr. Robert disse.

Nesse momento Esme e Carlisle, assim como Anthony se levantaram.

–Nós somos os pais dele. –Carlisle disse friamente a Anthony que voltou a se sentar.

Observei Esme e Carlisle se afastando ao lado do médico e secretamente senti uma pontada de mágoa, afinal imaginava que eu seria a primeira pessoa que Edward fosse querer ver quando acordasse. Pelo isto eu me enganei.