Capítulo XXVIII

Pansy trabalhava na estufa, quando viu Harry chegar a meio galope. Como sempre, sentiu pal pitações ao divisar os ombros largos. E não era apenas o coração que despertava para a vida. Havia semanas, ela deixara Goodview com seus pou cos pertences e o ferimento que começara a cicatrizar. Harry mandara com Pansy metade dos trabalhadores, além de Dino, três arqueiros, Emília, Hagrid e a égua negra. Harry em pessoa ainda não tinha vindo. Ela até começara a preocu par-se.

Pansy foi ao encontro dele com uma serenidade apenas apa rente e Hagrid veio buscar Demon.

— Boa tarde, milorde. O dia está maravilhoso para um pas seio. — Pansy estremeceu com o vazio do próprio comentário, quando, na verdade, só queria jogar-se em seus braços.

Harry tirou o chapéu e curvou-se. :

— Foi o que eu pensei. — O sorriso era irresistível. — Ainda mais com uma bela dama aguardando no final do trajeto.

Pansy sentiu que enrubescia. Mas que tolice corar só porque um par de olhos verdes reclamavam a posse. Ela estendeu a mão para um cumprimento. Harry beijou-lhe os dedos e apoiou-os sobre o próprio braço.

— Entre, milorde, e venha conhecer meu novo lar. — Pansy conduziu-o para dentro e fez um gesto largo, com orgulho. — Que tal, gostou?

— Gostei muito. — Ele não se referia à casa, mas a ela.

Pansy tornou a ficar vermelha. Harry aproximou-se, porém naquele momento Dino apareceu para pegar o chapéu e o chicote. Harry recuou e entregou o equipamento ao soldado. Por que Pansy se sentia tão constrangida? Era fato que o relaciona mento entre eles mudara e só o tempo poderia atestar qual a transformação sofrida.

— Por que não vamos até a sala de estar? — Pansy indicou uma porta à esquerda. — Mandarei trazer chá.

— Obrigado, talvez mais tarde. Primeiro, eu gostaria de ver o seu jardim... — Harry abaixou a voz para segredar-lhe no ouvido — já que não posso ver seu quarto.

— Harry! — Pansy sentiu o rosto em fogo. — Alguém pode ouvir.

— Não há ninguém por aqui e eu prometo não comprometê-la. Porém não se surpreenda se eu escalar a janela do seu quarto durante a noite. Nem que tenha de subornar os guardas. — Harry afastou-lhe alguns fios de cabelo do rosto. — Senti sua falta, Pansy.

— Precisa de mais alguma coisa, senhora? — Dino apareceu no momento em que Harry se curvava para beijá-la.

— Oh, não, obrigada, Dino. — Pansy abafou uma risada, quan do Harry deu um pulo para trás. — No momento, não.

O guarda retirou-se.

— Preciso ter uma conversa com esse jovem. Ele executa seu dever com precisão excessiva — Harry murmurou.

Pansy não se conteve e deu uma gargalhada.

— O senhor é que insiste em superproteção. — Eles se encaminharam para os canteiros.

— Mas ninguém tem ordens de protegê-la de mim. Diga-me, Pansy, como está se sentindo? E o ferimento?

— Ainda está sensível, mas os pontos já foram retirados.

— Houve mais alguma ocorrência fora do normal?

— Não. Emília tem dormido na cama de rodinhas, no meu quarto de vestir. Há sempre mais de um homem no hall, assim como do lado de fora. Sinto-me bastante segura.

— Fico contente de ouvir isso.

Deram uma volta no jardim e, dos fundos do chalé, foram até o riacho. Muitos salgueiros margeavam a água em um dos lados do gramado. Os ramos recurvados das árvores mais fron dosas iam até o chão, formando um canto oculto. E foi para láque Harry se dirigiu com Pansy. Afastou alguns galhos e es piou entre eles.

— Ah! Um dos antigos jardineiros deve ter pensado nos ena morados. Aqui há um banco.

Eles foram até o esconderijo romântico e Harry espanou a poeira com o lenço.

— Então, milorde é meu pretendente? — Pansy perguntou com graça.

Harry sentou-se e puxou-a para seu lado.

— Claro. Eu a avisei que viria cortejá-la.

— Nunca tive um aspirante à minha mão. — Ela sorriu. — Acho que gostei da ideia.

— E eu fico satisfeito, desde que o candidato seja do seu agrado. — Harry fítou-a por um instante. — Não. Não estou satisfeito. — Harry tomou-a nos braços e beijou-a com força. — E quero muito mais, Pansy.

Harry ajoelhou-se a seus pés e segurou-lhe o rosto entre as mãos.

— Quero que seja minha, para sempre. E pode estar certa de que eu conseguirei o que desejo. Aproveite o seu chalé e a sua independência durante o tempo que quiser, isso não fará a menor diferença para mim. Mas fique sabendo: no dia em que todos os problemas puderem ser esquecidos, a senhora se tor nará minha esposa.

Esposa de Harry. Pansy ficou sentada por um momento em silêncio, refletindo. Gostaria de gritar "sim, sim". Mas procurou conter-se. Não de sistiria tão depressa de sua nova vida, de sua trégua, da indi vidualidade. Ainda era muito cedo para resignar-se a ter outro marido. E ainda não sabia se estava ou não grávida.

Sorrindo, Pansy tocou-lhe o rosto.

— Milorde, isso é uma proposta ou uma ameaça?

— Considere-a uma declaração das minhas intenções. — Harry abraçou-a pela cintura e puxou-a para junto de si. — Estou preparado para esperar o tempo que for necessário. — Ele mor discou-lhe o pescoço. — Porém tenho de preveni-la de que a espera não será muito paciente... — Beijou-lhe o decote — ...E que aparecerei e fitarei com olhar feroz outros pretendentes.

— Eu não espero nenhum outro candidato, milorde.

— Pois eu, sim. — Ele puxou-lhe o corpete. — E uma enxur rada deles. E nem lhe prometo luta honesta.

Passou os lábios levemente sobre a ferida e provocou o mamilo liberado. Pansy conteve a respiração e depois gemeu.

— Na verdade, são táticas torpes.

Harry não respondeu, mas continuou a estimular-lhe os seios com a língua e a ponta dos dedos, até Pansy sentir-se en fraquecida de desejo. Ela se recostou no tronco de um salgueiro, por entender que não suportaria mais. Naquele momento, Harry afastou-se.

— Infelizmente, aqui não é o lugar apropriado. Mas isso ser virá para que não me esqueça, assim como eu jamais a esque cerei. — Harry levantou-se a arrumou o ajuste do calção, de pois tornou a sentar-se e abraçou-a.

— Eu a amo, Pansy.

Harry a amava. Ele lhe confessara em voz alta. De repente, amá-lo parecia-lhe infinitamente mais seguro. Um dia se casa ria com ele. Não havia sentido fingir para si mesma que tomaria outra atitude. Harry prometera que poderia esperar até ela estar pronta. Pansy teria tempo para saborear sua independên cia e preparar-se para ser novamente uma esposa. Dessa vez, uma esposa de verdade. E teriam filhos.

Depois disso ela não viu Harry por dois dias e soubera que ele estava a bordo do Eclipse, à procura dos piratas. Não houvera mais naufrágios. Harry especulava que o Árpia poderia ter zarpa do para a França ou para Londres, com a finalidade de vender as mercadorias roubadas. Mas os bandidos voltariam e Harry pretendia estar pronto para enfrentá-los.

Pansy acordara enjoada e mandara chamar o Dr Dumbledore. Ela explicou o mau estar que sentia há algum tempo: enjôos, tonturas, calafrios. O médico, sorrindo, afirmou-lhe o que Minerva já lhe havia dito, estava grávida. Esperava mesmo um filho de Harry. Seu mundo girou. A possibilidade era uma coisa, mas a confirmação. Temia pela atitude de Harry ao descobrir.

— Peço que seja discreto quanto a essa notícia Dr. Dumbledore.

— Não se preocupe minha senhora, seu segredo está a salvo. Mas temo que não será possível guardá-lo por muito tempo. Sugiro que case logo com Lorde Potter, antes que a barriga apareça.

Pansy sentia-se aflita com a novidade, precisava encontrar a hora certa para falar com Harry. Nos dias de ausência dele ela foi visitar James. Es tava com saudade do garoto, e Harry lhe dissera que o filho sentia falta da preceptora.

Pansy vestira-se para ir à praia. Esperava que o sr. Snape, o novo tutor recém-chegado a Goodview, concedesse algumas horas de folga ao tutelado.

Encontrou James aborrecido. Fumaça desaparecera.

— Procurei em todos os lugares, srta. Pansy. — O desapontamento do menino era de cortar o coração. — Não o encontrei em lugar nenhum.

Pansy ajoelhou-se ao lado do garoto e abraçou-o.

— Não se desespere, James. Ele não pode ter ido longe. Na certa, está brincando de esconde-esconde.

— Acha mesmo? — A esperança iluminou-lhe o rosto.

— Tenho certeza. Por que não vamos levar para a água o barco que sua avó lhe mandou? Na volta, eu o ajudarei a pro curar o gato.

— Que bom. Sei que a senhorita poderá encontrar Fumaça.

Bem mais animado, James saiu correndo e voltou depressa com o brinquedo favorito. Seamus estava com dor de dente. Colin e Dino escoltaram James e Pansy até a praia. Quando chegaram perto da areia, James deu um grito.

— Fumaça! Ali está ele!

O menino saiu correndo à frente dos adultos e desapareceu atrás de uma curva.

— James, espere! — Pansy gritou. — Espere por Colin!

Colin desceu a toda velocidade o caminho irregular. Pansy correu atrás deles e estacou ao deparar-se com o soldado imóvel e ereto. Ela espiou em volta e perdeu o fôlego.

Onde a praia se encontrava com as rochas, havia um homem de cabelos loiros que brilhavam ao sol. Ele estava em pé, segu rava o pescoço de James e tinha uma arma apontada a têm pora do menino. Pansy quedou-se de olhos arregalados, sem en tender nada por alguns momentos. Depois a verdade atingiu-a como um raio.

— O senhor!

Draco Malfoy sorriu com maldade.

— Ora se não é a minha esposa bela e infiel!

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