Capítulo 29 – A resposta de Jensen
Misha sequer conseguiu dormir direito durante o restante da noite. Pensava nas diversas formas que teria para contar a Jensen o que tanto desejava e que, com tanto trabalho, planejara lhe entregar. Mas nenhuma maneira parecia, de fato, satisfazer ao rapaz, principalmente porque já não achava tão bom assim o discurso que, sozinho, tanto treinara nas poucas horas em que pôde se dedicar a isso – antes de seu primo, Alan, lhe telefonar.
E agora que, após um quente e reconfortante banho, o policial estava acordado, sentado na cama do quarto no qual dormira, tomando um café e comendo um sanduíche feito pelo moreno, a idéia de falar algo tão relevante deixava o menor ainda mais apreensivo. Resolveu, porém, que o incômodo silêncio não duraria para sempre, porque sentia que, de fato, sua vida não significaria absolutamente nada longe do loiro de olhos verdes. Então começou dizendo:
– Tem certeza que você está bem? – perguntou, apenas para se certificar, devido à preocupação que sentia.
– Tenho sim, obrigado, Mish... E obrigado por ter vindo até aqui. Depois da merda que eu fiz, não imaginava que...
– Eu amo você, Jen. E perdôo qualquer coisa – foi a resposta, franca e direta, sem que ao menos precisasse escutar a pergunta inteira. Porque a ligação entre eles era assim, e o moreno sabia disso.
– Mesmo? – em resposta, Collins lhe deu um selinho demorado.
– Sim, claro.
– Então por que diabos está tão nervoso?
– Ahn... Do que está falando, Jen?
– Eu sou policial, Mish. Trabalho com investigações o dia todo, por isso não foi difícil notar... Sinto que você está nervoso – sorriu, tentando acalmá-lo. – Não quer me contar o que aconteceu? Já sei... Meu pai brigou com você de novo...
– Não é nada disso – apressou-se em esclarecer, enquanto sentava na beirada da cama, ao lado do namorado. – É só que... Eu quero entregar algo muito importante a você... Algo muito valioso. Promete que não vai rir de mim?
– Claro que não vou rir. Mas anda logo, estou curioso! – disse, após colocar a bandeja e a xícara já vazias em uma mesinha próxima à cama.
O moreno desembrulhava, cauteloso, o que tinha de lhe entregar. Tentava se mostrar o menos tenso possível, o que era quase bastante complicado. E, após suspirar, pediu ao loiro que fechasse os olhos. Ackles ficou um pouco frustrado por não conseguir descobrir, de imediato, o que o namorado segurava, pois Misha não retirara o objeto do papel. A única coisa que o policial sabia, pelo tamanho do pacote, era de que se tratava de algo pequeno. E, ainda que estivesse um pouco contrariado, o maior obedeceu.
Collins colocou o anel na mão esquerda de Jensen, pedindo, em seguida, que ele abrisse os olhos. Tratava-se de uma aliança simples, com um intenso brilho prateado.
– Eu... Não tinha grana pra comprar algo que fosse mais parecido com você... Que tivesse mais a ver com toda importância que você tem... Me perdoe. Apenas peguei um valor que sua mãe me pagou para poder comprar isto... – iniciou, apontando o objeto na mão de Ackles. – Mas quero que saiba que é de coração. Sinto que precisamos disso, amor – falava baixo, demonstrando certa insegurança. –... Não somente eu necessito disso, mas você também. Porque eu, pelo menos, não sei viver sem você. Quero sentir como é viver ao lado de alguém que me ama de verdade... Após a perda da minha família, você é tudo que me restou – colou os lábios nos do maior, porém não obteve resposta.
Ackles não correspondia ao beijo, somente respirava rápido, olhos arregalados. Ele queria firmar compromisso, entretanto não imaginava que seria tão de repente.
– O que foi... Não gostou da surpresa? – o moreno perguntou, após interromper o beijo. – Se quiser, posso trocá-la... Dar um jeito de conseguir mais grana... – baixou os olhos, engolindo em seco ao ouvir o som angustiante do silêncio. O menor temia apressar as coisas entre os dois e perder quem tanto amava.
– Não precisa, querido. Eu adorei a surpresa, por isso estou assim – respondeu, depois de instantes que, para os dois, mais pareciam horas. – É tão bom saber que me ama... Desculpe não ter correspondido o beijo! – exclamou, puxando Collins para mais perto.
Aquele era o momento perfeito para retribuir a tamanho amor e carinho. E Ackles não perdeu a oportunidade. Beijou o menor apaixonadamente, como jamais havia feito antes. Somente se separaram, quando sentiram necessidade de respirar.
– E então... Aceita se casar comigo, Jen?
– Claro! – disse, pensando em algo que pudessem fazer no final do dia, quando seria a folga do menor. – Bem, eu estou melhor. A ressaca não veio, apenas uma dor de cabeça, que inclusive está passando. Então, acho que posso acompanhar você até o trabalho, que por coincidência é em minha casa... O que acha?
– Pra mim está perfeito... Mas e depois? – quis saber.
– Bem, sairei pra comprar a sua aliança. Você me deu esta; então... Preciso encontrar uma para você! – Comentou, enquanto pegava a jaqueta. – E, depois, vou conversar com a minha mãe.
– Vai contar pra ela, não é?
– Sim. Acha que posso?
– Claro. Você deve. Eles são a sua família, Jen. E sei que os ama. Então seja o mais sincero possível com eles. Porque, bem ou mal, a família é, muitas vezes, tudo que temos.
– É, tem razão – fez uma pausa, enquanto arrumava a roupa que acabara de vestir. – E, depois que eu conversar com mamãe, vamos jantar. Certo? – o moreno assentiu, contente. – Ok então. Tem lugar na moto?
– Sim. Vamos nessa.
– Ótimo. Porque será maravilhoso pegar carona... E ir coladinho em você – sussurrou, o olhar sacana.
– Ora... Jen! – Misha corou violentamente, ficando sem ter o que dizer.
– Ei, vê se relaxa. Deixe para ficar assim mais tarde – sugeriu, saindo do quarto.
Os dois deixaram o apartamento de Jared sem se despedir do moreno mais alto. Porque, ao passarem pela sala, não puderam deixar de escutar os gemidos que vinham do cômodo no qual Padalecki costumava ficar.
– Seu primo levará meu amigo para a perdição. Mas, quer saber, pelo que ouvi, o Jay tá gostando – comentou, o olhar divertido.
– Parece que sim – Collins respondeu, depois de rir com gosto.
O trânsito estava estranhamente calmo, embora fosse um horário bastante movimentado. O loiro acompanhou Collins até o local de trabalho e, sem adentrar a lanchonete, chamou Donna à porta do estabelecimento comercial.
– Aconteceu alguma coisa, filho? Onde você passou a noite?
– Essa é uma longa história, mãe. Mas prometo relatar todos os detalhes depois. Vou sair para comprar algo muito importante e, depois, quero conversar com você... Pode ser?
– É claro que sim – afirmou. – Mas... Houve algo grave? Você brigou com o Misha? – quis saber, preocupada com os dois.
– Não. É exatamente o contrário – respondeu, sorridente. – Falamos depois, mãe! – exclamou, enquanto caminhava em direção à rua.
Donna não compreendeu bem por quais motivos o filho se mostrava tão feliz, mas seu instinto materno a alertava de que seria algo bom para ele. Só então se lembrou que Jensen não gostava de anéis e, pensando um pouco, concluiu que o que o loiro trazia na mão esquerda era uma aliança. Sim, só podia ser uma. Entretanto, ao invés de perguntar ao moreno dos olhos azuis o que era aquilo e, assim, causar algum tipo de constrangimento, ela resolveu esperar que o filho voltasse para que pudessem conversar melhor.
Ackles não demorou muito para encontrar o anel que entregaria ao namorado. Acreditou ter achado algo que o rapaz gostasse e, às pressas, rumou para o local no qual trabalhava. Antes de dialogar com sua mãe, precisava falar com seu chefe, Jeffrey. Finalmente tudo começaria a melhorar. Jensen tinha certeza absoluta de que encontrara alguém que amava e que, em troca, o amava de maneira igual ou até mais intensa. E isso lhe bastava para tomar importantes decisões em sua vida, pois Misha estaria com ele.
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N/A: Meus leitores queridos! Desculpem por não ter atualizado essa fic! Passei um bom tempo sem conseguir escrevê-la, mas, aos poucos, volto à ativa! Não fiz um capítulo muito longo, porém o próximo será maior. Estamos indo para os dois capítulos finais da história! Espero que, apesar do tempo que não a atualizo, vocês ainda queiram acompanhá-la. Beijos e obrigado por todos os reviews!
