N/A: eu espero realmente que gostem. Eu tive que apagar o review da Loma, na FeB pq ela descobriu o final, hahahah. É o último, mas eu ainda estou feliz por ter o epílogo. Talvez não esteja tão à altura do que todas desejem, mas eu escrevi de coração, eu faltei na facul pra escrever pq eu tava inspirada. Acho que aqui atamos quase todos os nós, e eu só tenho a agradecer a todas vocês que desde o começou ou desde algum capítulo mais para frente estiveram ao meu lado, lutando por Pansy e Hermione, sofrendo e rindo com elas. Essa fic me deu muita felicidade em escrever, por mais que eu tenha chorado nesse cap também.
Fla, ela é tua, inteiramente tua. E também é de todo mundo que chegou a amá-la, então ela também é nossa. Bom final e boa leitura:
STAND BY ME
Capítulo 28 – A Verdade sobre a dor
(5 anos atrás)
- Ron, eu estou te ferindo – ela murmurou, achando que ele dormia – E você tem agüentado tudo isso durante tanto tempo... Eu não queria te machucar, querido. Eu te amo tanto, eu sempre achei que esse amor bastasse, esse amor que cultivamos desde tão pequenos, mesmo sem entender que isso era amor. Esse amor que nasceu e ganhou força, que enfrentou uma guerra e que nos fez tão felizes ao principio... Eu destruí esse amor, não foi? Eu destruí parte de você... Eu me sinto tão culpada...
Ele continuou calado, os olhos fechados, dando as costas para ela, na cama, enquanto ela permanecia sentada ao seu lado, observando na penumbra do quarto aquela cabeleira ruiva, os lençóis lhe cobrindo o corpo.
- Talvez eu devesse não ter começado isso, talvez tivesse sido melhor para você ter encontrado outra mulher, uma que amasse só a você, uma que não pensasse em outra pessoa... Eu vejo nos teus olhos a amargura quando eu não deixo de tentar dia após dia encontrar uma maneira de estar com ela... O que estou fazendo com a gente? Por que estou machucando a nós dois? Por que, Ron? Por que não tenho forças para dizer que o melhor para nós já não é estarmos juntos? Por que eu ainda acho que tenho que te proteger e estar ao seu lado, para me desculpar por toda a dor e infelicidade que te causo?
Ela se deitou, abraçando-o por trás e escondendo o rosto em suas costas, deixando as lágrimas rolarem. Hermione sentia dor em seu coração, ela sabia que fazia dano não só a ele, ela sabia que a cada dia estava mais distante de sua vida ao lado do marido. Ela sabia que já não havia escapatória, que deveriam terminar!
- Ron, por favor, me entenda, peça a separação... Peça-a! eu já não tenho forças para isso...
O homem continuou ali, alheio a tudo, e ela não pôde ver que lágrimas de dor e revolta caíam de seus olhos.
X
Ronald Weasley encarou a sua maior inimiga, implorando-lhe que salvasse Hermione, viu como sua própria filha também chorava e segurava os ombros da médica, tentando lhe dar algum conforto.
Havia chegado o momento, havia chegado o ponto em que nada nem ninguém podia mudar sua decisão. Ele sabia o que tinha de fazer, ele só não estava certo se havia conseguido se preparar o suficiente para sentir aquela dor.
Ele deu as costas para ambas e abriu a porta do quarto, encarando seus sogros com um olhar triste, um meio sorriso amarelo, como se tudo já estivesse perdendo o sentido na sua vida.
- Preciso falar com ela – ele murmurou, e os sogros fizeram que sim, deixando a mulher sob tranqüilizantes sozinha com ele.
Hermione havia piorado outra vez, ela parara de falar outra vez. Em partes, assim era mais fácil, não ter que escutá-la, mas fazê-la escutar tudo o que ele precisava dizer e fazer.
- Hermione – ele a chamou pelo nome, indo contra os conselhos médicos – nós precisamos conversar... – ele murmurou, sentindo os olhos arderem – quem diria que um dia seria eu quem começasse uma conversação dessas, não é? – ele riu nervoso e seus olhos estavam marejados. Ela apenas o olhou atentamente.
Ele suspirou e colocou a poltrona muito próxima da cama e pegou sua mão, tentando controlar o choro.
- Sabe, eu sempre te admirei, mesmo quando eu dizia que você era insuportavelmente CDF, certinha, e santa. Eu sempre desejei que um dia você olhasse para mim, eu achava que você se apaixonaria pelo Harry – ele riu de novo, e uma lágrima escapou, solitária – mas no fim das contas você me viu, você também se apaixonou por mim! – uma nota de euforia se notava na voz alegre dele – a Parkinson fez seu melhor intento, contando a história de vocês, mas aço que agora somente eu posso contar a parte que ela desconhece... Então, preste atenção e se lembre, querida, muita gente está te esperando:
Eu acho que deveria começar, falando sobre a formatura, acho que foi quando tudo isso realmente começou, as estranhezas, os olhares doloridos, a vergonha e também a pequena raiva que eu mantive guardada há tanto tempo no meu peito.
Naquele dia, quando as vi juntas, meu coração parou de bater, simplesmente porque era tão bonito e verdadeiro o que uma sentia pela outra que eu não conseguia agüentar. Não conseguia imaginar como você podia amar tanto alguém que não fosse eu. Eu fiquei cego, eu tive raiva, eu mataria Pansy Parkinson se pudesse, naquele instante, mas Harry e Malfoy me seguraram, eles estavam pensando no bem de vocês, mas eu só conseguia pensar em todos aqueles anos de espera, em todos aqueles anos em que pensei que você nunca me amaria...
Mas, quando eu vi o Zabini correr desesperado e se jogar junto de vocês, fazendo aquele pacto tão temerário e aquelas palavras tão desesperadas, eu percebi que não era o único. Blaise também amava a Parkinson, e seguramente a amava de uma maneira mais pura do que eu, ele não tinha ciúmes, ele a conhecia mais do que eu te conhecia, e aquilo me desesperou.
Como ele era capaz de passar por cima do que amava pela verdadeira felicidade da pessoa amada?
Sabe, esses dias ele quase me estrangulou, e disse que eu deveria te salvar, porque se não o fizesse a Pansy não agüentaria, você acredita? Ele a ama muito, ela tem muita sorte...
Quando eu te arrastei para fora do castelo e nos fiz aparatar até a casa que eu havia comprado para nós, eu me odiei, e eu prometi para mim mesmo que o voto perpétuo que vocês fizeram, também valia para mim. Mas eu nunca acreditei que você iria para longe, eu sempre soube que seria impossível.
Então, quando você passava suas noites em claro, estudando sobre o voto sangüíneo, eu nunca disse nada, eu sempre achei que esse seria seu consolo, que dessa maneira, ao não reclamar do que você fazia, você me perdoaria pelo dano que ti fiz.
Mas o tempo passou, e quando as crianças nasceram eu acreditei que você desistiria, que agora que tínhamos uma família você já não buscaria maneiras de estar com ela.
Eu sei, Hermione, que você apenas se casou comigo por que eu te amava e você acreditava que essa era a melhor maneira de me pedir perdão. Que assim eu não te odiaria, mas amor, eu nunca te odiaria, talvez durante algum tempo, mas você me conhece, eu sempre esmoreceria e seguiria te admirando, te amando em silêncio... Talvez eu encontrasse outro alguém, mas nunca seria você.
Agradeci todos os dias dos últimos vinte e um anos, por ter você ao meu lado, mesmo que nunca estivesse completamente. E todos os dias na hora de dormir eu só conseguia relembrar aquele pesadelo que me perseguiu durante todo esse tempo, e nesse pesadelo os teus lábios eram dela, era ela quem você amava e beijava e esperava. Nunca fui eu. Talvez naquele início que durou tão pouco tempo...
Então você percebeu a minha dor, você sempre foi tão inteligente, sempre tão astuta e cheia de percepção. Você viu nos meus olhos toda aquela mágoa, e você se culpou, você acreditou que era melhor estarmos separados. Mas, querida, para mim essa opção nunca seria a melhor, eu sempre te amei, eu só amei você nessa vida, mesmo que eu soubesse que não era inteiramente correspondido.
Você me fez feliz, me deu esses filhos tão lindos que temos, os criamos como acreditávamos ser o melhor e os vimos crescer. Mas e agora? O Hugo não consegue dormir sozinho, desde que você veio para o hospital, ele dorme no quarto da Rose, ele entra escondido e passam a noite abraçados chorando, e eu me sinto tão culpado... Mas eu precisava esperar, ela precisava te contar a história de vocês duas primeiro, senão eu não conseguiria sozinho...
Todos sabem que eu nunca consegui fazer as coisas sozinho, por minha conta, e dessa vez eu tive que esperar, eu tive que me aliar à Parkinson mesmo que ela não entendesse o meu silêncio, nem ninguém, e eu me senti sozinho, com a cama vazia e as crianças chorando no quarto ao lado. Eu me culpei, mas me entenda, por favor, eu não podia fazer tudo sozinho. Eu sempre precisei de você ao meu lado, e dessa vez você sequer se lembrava de mim...
Mas, vamos terminar com isso logo, porque eu estou vendo esses seus olhinhos que eu amo tanto, e estou esperando que a luz volte para eles, e que você me perdoe e volte a vida, que seja feliz mais uma vez...
Dois anos atrás você teve coragem, a coragem que você tinha dito não ter, mas acho que a dor que nos envolvia era tanta que você não agüentou mais, você criou a fortaleza ao seu redor e você sentou comigo enquanto os meninos estavam em Hogwarts... Eu me lembro de todas as tuas palavras e eu te amei tanto naquele momento...
Você disse que já não podia mais me fazer sofrer daquela maneira, que já havíamos passado tempo demais prolongando aquele sofrimento, então chorou, olhando tuas próprias mãos, e pediu que nos separássemos, porque você tinha se casado comigo para que eu te perdoasse, mas que só tinha conseguido trazer mais tristeza para nossa vida.
E, eu disse que não. Eu disse que não precisava fazer isso por mim, que não fazia sentido, por que eu ainda te amava. Eu ainda te amo. E você me explicou que se em algum momento encontrasse a solução, que se descobrisse como desfazer o voto sanguíneo você não pensaria duas vezes em correr para os braços dela.
E você disse assim, como se fosse um fato irrevogável, eu senti que o mundo era uma merda, eu pensei que você nunca diria em voz alta, mas você o fez, na minha frente, olhando nos meus olhos enquanto chorava. E era uma verdade tão obvia que eu não tinha nada para fazer contra isso. Então eu decidi, que eu me faria forte a cada dia da minha vida e me prepararia para quando você descobrisse como romper o pacto.
Eu te disse que você não precisava me deixar enquanto não descobrisse. E quando disse isso, entenda, eu pensava não só em mim, mas nas crianças... Eu não queria que eles sofressem, eu não queria te perder, eu queria aproveitar cada segundo que nos restasse juntos!
Ronald começou a chorar, suas mãos tremendo e apertando as da mulher, olhando para os lençóis brancos, desejando não ter feito tantas coisas erradas... Ele nunca tivera a intenção de deixá-la assim. Jamais faria isso com a mulher da sua vida, por mais ciúmes ou inveja ou possessão que sentisse por ela, ele não seria capaz de fazer isso propositalmente.
Ele era culpado, mas ele não queria! Não havia planejado, não fora premeditado, ele sequer sabia que isso poderia acontecer!
Tentei levar a vida tranquilamente, mas a cada dia você se esforçava mais, e dormia menos, a cada dia você tinha uma expressão preocupada ou dolorida, ou extremamente séria. Você não escutava quando eu ou as crianças falássemos no jantar, você estava sempre tão aérea, sempre tão envolvida nessa tua obsessão em salvar a Parkinson.
E aos poucos, você foi se distanciando de mim, você dormia no teu escritório, entre seus pergaminhos e penas, e eu apenas podia te cobrir com uma manta e esperar que você voltasse a ser a mesma de sempre. E logo você melhorou, você estava contente com a pesquisa, estava sempre falando com Luna sobre alguma coisa.
Eu pensei que você ficaria comigo por tanto tempo, que continuaria sua pesquisa, mas com menos afinco, que dedicaria mais tempo à mim, mas o que você costumava fazer era dedicar-se a família durante o verão, quando as crianças voltavam para casa.
Me senti sozinho, completamente sozinho com uma mulher alheia a mim. E isso me machucou muito. Me culpei, me culpei por não ter aceitado o teu pedido de divórcio e te culpei por não ter sido tão grata como eu esperei que fosse, ao saber que eu permaneceria ao teu lado até o fim, até o momento que você me dissesse que se havia acabado, que já não estaríamos juntos.
E o mais inacreditável foi pensar que esse dia nunca chegaria. As veze seu me amparava nisso, outras vezes eu preferia que esse dia chegasse logo, porque eu já não agüentava mais te ter e não te ter ao mesmo tempo. saber que você amava outra pessoa era suportável, mas sentir que eu já não participava da tua vida era o mesmo que a morte...
E então o dia chegou e você veio falar comigo, semanas atrás. Você estava chorando descontrolada, e as crianças estavam na sala, mas parece que Rose escutou, você veio me dizer que havia descoberto, Hermione, que por fim você ia poder estar com ela, por mais que não utilizasse essas palavras...
Eu te odiei, eu te odiei tanto que eu não conseguia olhar para os teus olhos, não podia te encarar, não podia te mostrar um milhão de lágrimas que escorriam pelo meu rosto, porque eu não queria parecer fraco! Eu deveria ter me preparado mais e melhor, mas eu não consegui, eu só consegui pensar em como você já não estaria ao meu lado depois de me ter feito passar por tudo aquilo.
Eu enlouqueci. Eu perdi o chão e o rumo e eu te perdi...
X
- Por favor, Ron, olhe para mim – ela pediu, vendo-o encarar a janela aberta e não dizer nada, absolutamente nada – Por favor! Você disse que entenderia, que esperaria esse dia, eu nunca quis te machucar! – ela disse, a voz embargada, as lágrimas rolando.
Ele socou o parapeito da janela e se deixou chorar com mais força.
- Eu sinto muito, Ron, eu quis evitar isso, eu pedi que terminássemos antes, eu sabia que aconteceria... Eu sabia que você não agüentaria, eu estava pedindo demais de você...
- Você acha que eu sou um fraco, não é? – ele perguntou num murmúrio dolorido e gutural – Pois eu não sou! Eu estive todo o tempo ao teu lado, sabendo que você a amava, eu estive perdendo o meu tempo com você simplesmente porque eu tinha medo de te perder completamente!
- Me perdoe, Ron, por favor, nos separaremos e eu farei tudo o possível para que você não me odeie ainda mais!
- Te odeie? – ele se virou, encarando o rosto desolado dela – eu tenho raiva! Tenho raiva porque eu nunca achei que você conseguiria descobrir como se rompe essa merda de voto! – disse alto – eu achei que no fim, você pensaria mais nos teus filhos do que em você mesma!
- Ron, eu...
- Você já imaginou como vai ser isso para eles? Saber que a mãe dele deixou o pai para ir morar com outra mulher? Você tem idéia do quão duro vai ser para eles? Ou você só pensou em você mesmo e na Parkinson, porque se bobear ela também não vai querer largar o Zabini, afinal, ele sempre foi fantástico no casamento, não é isso, se ele ainda tá vivo é porque ele a faz feliz, não era esse o voto perpétuo? Fazê-la feliz a cada dia? Por que você acha que ela faria isso, então? Ela tem uma filha! E a menina veio aqui varias vezes, como você acha que elas vão se sentir quando souberem o quão estranhas e loucas são as suas mães?
- Pára-
- Não vou parar! O que vão dizer em Hogwarts? Ou no Profeta Diário se descobrirem? O que vão pensar os teus pais? E os meus? Você pensou nessas coisas?
Ele se sentou no sofá, transtornado, sem conseguir pensar direito. Sequer sabia que tinha todas aquelas coisas para falar, não sabia de onde todas elas vinham, sequer cogitou o quanto aquilo a machucaria. Mas pelo menos uma vez em todos esses anos ele precisava falar, dizer diretamente o quão bravo tudo aquilo lhe deixava, ele tinha agüentado por muito tempo!
- Ron... Eu sinto muito... – ela murmurou, chorando, sem conseguir olhá-lo – me perdoe por tudo isso...
- Não vai dar certo, Hermione, as pessoas vão falar, seus filhos vão ficar desnorteados e tudo isso pelo teu egoísmo babaca – cuspiu, olhando a mulher tremer incontrolavelmente a sua frente – Eu nunca vou te perdoar por isso. E eu não vou te dar a separação. Isso tudo – ele disse, encarando a expressão desesperada dela – é imperdoável.
E nesse momento, Hermione não viu mais nada, tudo estava escuro, negro, nada mais existia. Foi quando desmaiou pela primeira vez.
X
Eu sei. Eu sei que quando você acordou, eu deveria ter pedido desculpas, ou deveria ter dito algo que pelo menos diminuísse a tua dor. Eu sinto muito, Hermione, eu fui ridículo. Quando você acordou, eu sequer olhei para você, eu me segurei pra não gritar na tua cara que desmaiar não mudaria o rumo dos acontecimentos. Pelo menos eu não disse isso...
E quando você entrou na cozinha e as crianças haviam preparado o lanche da tarde eu te olhei com maldade, como se te dissesse que tudo aquilo acabaria, que você destruiria a felicidade deles. Então você voltou a desmaiar, e no terceiro desmaio você ficou em coma durante dois dias.
Eu entrei em desespero, Ginny havia me contado sobre o teu desmaio quando eu te pedi que se casasse comigo e deixasse a Pansy, mas eu jamais imaginei que isso poderia acontecer de novo, afinal você nunca tinha reagido assim... Eu sempre achei que você era a pessoa mais forte do mundo, e descobrir que você tinha fraquezas, e que eu havia tocado a ferida me fez perder a noção.
Quando me disseram que a Parkinson analisaria teu caso eu tive raiva, mas depois quando ela começou a contar a historia de vocês e você voltou a falar, eu queria me desculpar com ela, tentar que ela me entendesse, que de alguma maneira você me perdoasse.
Então, chegou o momento, é a única coisa que posso tentar e eu ainda não sei se será o suficiente para você voltar ao normal, Hermione.
O ruivo se levantou, a olhou nos olhos, vendo-a atenta, mas sem expressar nada e disse, por fim:
- Eu quero que você seja feliz mais uma vez. Eu te ajudarei quando nossos familiares te ofenderem ou brigarem conosco. Eu vou te apoiar e dessa maneira eu vou aprender um pouquinho com o Zabini... Ele é um bom exemplo afinal...
Ele secou os olhos e sorriu, pegando a varinha do bolso da calça:
- Eu te amo e te perdôo. Perdoe-me também, Mione... – ele suspirou e levantou a varinha – Eu aceito o divórcio, se você for ser feliz finalmente.
Da ponta da varinha, dois fios dourados se desprenderam, brilhantes e etéreos. Um deles envolveu a mão esquerda do ruivo e o outro, a mão esquerda da paciente. Os fios se enrolarão aos dedos anelares e logo voltaram rápidas para dentro da varinha, os fios agora mais compridos, levando consigo o ouro, agora em forma de um vapor brilhante, de suas alianças de casados.
Ele guardou a varinha e esperou, observando-a tocar a mão esquerda e girar o solitário de diamantes que ali havia. Então ele se preocupou, será que mesmo pedindo perdão e a perdoando, será que lhe dando a liberdade que ela necessitava, será que aquilo não seria suficiente para que ela voltasse?
Ron a olhou, ela havia recostado a cabeça no travesseiro e o olhava como se não houvesse ninguém lá dentro. Ele se perguntou quando a luz de seus olhos voltaria... Aproximou-se e fechou os olhos dela, descendo as pálpebras com seus dedos.
- Hermione, agora você precisa fazer a tua parte e se lembrar de tudo, por que eu já não sei o que eu posso fazer, está bem? – ele perguntou baixinho, próximo ao ouvido dela.
Ficou observando-a, passando as mãos em seus cabelos. Então desistiu, ela apenas adormecera e nada havia adiantado... levantou-se, sabendo que Parkinson lhe culparia pelo resto da vida e que sua filha também, e se Hermione não se recuperasse ele fugiria do mundo.
- Ron – ela chamou e o ruivo correu de volta para a beira da cama, chorando como uma criança.
- Você voltou! Você voltou! Ai mau Deus, obrigado, você voltou! – ele a abraçava e distribuía beijos por todo seu rosto, cabelos, lábios, enlouquecido de uma felicidade que ele já havia perdido as esperanças – Eu achei que não tinha dado certo, me perdoa Hermione, por favor, eu nunca pensei que isso pudesse acontecer, eu sou um idiota, um panaca, um ridículo, eu sinto muito, sinto tanto que... Oh céus, você está de volta – ele a abraçou e apertou-a contra o peito, sorrindo como um bobo.
- Você me perdoa? – ela perguntou, tranqüila.
- Perdôo. Eu sinto muito por tudo isso... Eu não queria...
- Nós somos humanos, Ron. Eu sei que você nunca me machucaria com a intenção de fazê-lo – ela disse e se distanciou – está seguro disso? – perguntou, levantando a mão esquerda e observando o anelar.
- Sim. Eu quero te ver feliz mais uma vez.
Ela não disse nada, apenas continuou contemplando o dedo, focando apenas o solitário ali, tão sozinho que o nome lhe pareceu apropriado.
- Você descobriu mesmo, não é? Como desfazer o voto?
- Sim – ela sorriu, seus olhos estavam marejados e brilhavam. Ele havia sentido falta daquela luz cheia de vida nos olhos dela.
- Eu vou chamá-la, está com Rose fora, preciso avisar o e Hugo, ele está na casa dos teus pais e eles devem querer te ver.
- Sim, eu preciso ver as crianças. Ron – chamou, quando ele andou até a porta – estarei eternamente agradecida, você é um homem exemplar, no fim das contas.
Ele sorriu, tentando segurar as lágrimas e deu um tapinha no ar:
- Eu também sou um homem de Dumbledore, afinal – e eles riram juntos, como há muito tempo não faziam. O homem abriu a porta e ficou sério, a postura ereta – Ela acordou.
.
- Ela acordou – a voz dele encheu o corredor e Pansy e Rose entraram desesperadas pela porta, invadindo o quarto e vendo Hermione as olhar em silêncio.
- Mãe? – a menina perguntou incerta.
- Desculpe por ter te preocupado, filha – ela disse e a menina correu em sua direção abraçando a mulher e chorando descontrolada.
Pansy olhou a cena, viu Hermione a olhar nos olhos e perdeu a força das pernas pela segunda vez no dia, caindo no chão e chorando, encolhendo as pernas contra o peito e soluçando alto. Dessa vez, quem a amparou foi Ronald Weasley, pegando-a pelos ombros e levantando-a, e a ajudando a andar até a cama da paciente.
Suas mãos estavam trêmulas e ela não conseguia acreditar que Hermione estava de volta. Por fim. Estava bem. Lançou um feitiço de observação para ver se estava tudo bem, a temperatura corporal, a pressão, os batimentos cardíacos.
- Você precisa... de alguma coisa? – ela perguntou, zonza, sentindo que desmaiaria a qualquer momento.
- Sim – respondeu, Hermione, afagando os cabelos da filha – Você já sabe Rose? Jean já te contou?
- Sim, mãe, ela me contou. Mas só por que estava muito preocupada, ela não quis ser fofoqueira nem nada.
- Eu entendo – disse, sorrindo de leve – Eu preciso que Blaise venha, Pansy. Eu descobri como romper o Voto Sanguíneo, querida. Eu demorei, mas consegui! – disse, seus olhos enchendo-se de lágrimas.
- Como assim? – Pansy se sentou na beirada da cama e olhou da ex-namorada para o marido dela – Mas e o Weasley? – perguntou, preocupada, ela não queria destruir a sua família, não queria!
Hermione levantou a mão esquerda e olhou para Ronald:
- Ron é um homem de Dumbledore, Pansy. Ele sabe tomar boas decisões.
Então a sonserina reparou no anelar, onde apenas havia o solitário, e sentiu-se tremer mais. Virou-se rapidamente para o ruivo e o encarou sem entender direito, buscando alguma resposta.
- Nós acabamos de nos separar – ele disse simples – vou avisar o Hugo que você já está bem.
E dizendo isso o homem saiu.
- Mãe, vou mandar uma carta para Jean e pedir que ela avise o senhor Zabini, está bem?
- Eu posso fazer isso, Rose – disse Pansy, levantando-se.
- Não, vocês tem muito o que conversar – ela sorriu e piscou, e então olhou para a mãe – Mãe, agora que eu sei o teu segredo, você precisa saber do meu – disse baixo e olhou para a porta – o papai ainda não sabe, mas a Jean é minha namorada – ela sorriu hesitante e andou para a porta.
Hermione e acompanhou com o olhar e antes que a menina saísse disse:
- Meu deus, passei os genes problemáticos para você Rose – havia um pouco de zombaria e preocupação em sua voz.
- Senhora Parkinson, acho que você realmente a conhece melhor que ninguém – ela disse, e saiu correndo pelo corredor.
Elas se encararam.
- Você se sente bem?
- Estou um pouco fraca – murmurou – tenho fome.
- Claro – Pansy sorriu e timidamente pegou a mão da mulher, observando o solitário.
- Você está certa de que ainda quer estar comigo?
Pansy a olhou surpresa e riu na cara dela, como se aquela pergunta fosse o maior absurdo que já havia escutado na vida.
- Eu nunca estive tão segura de alguma coisa.
E então puxou o rosto da castanha para si e seus lábios se tocaram. No começo foi algo tímido, como se tivessem medo de desaparecer de repente, mas logo o medo passou. As mãos de Hermione lhe abraçaram e acariciaram seus cabelos, e o beijo se transformou em algo extremamente romântico e necessitado.
Hermione sentiu suas línguas se tocarem e não conseguiu agüentar as lágrimas, não conseguiu deixar de pensar que a ultima vez que seus lábios se tocaram fora num dia tão infeliz, no dia que ela havia esperado durante todos os anos de Hogwarts, havia se formado e nada parecia certo.
Mas lá estavam elas, os braços se puxando para mais perto, percebendo que aquilo duraria até o fim de suas vidas e suas línguas sedentas uma pela a outra, as mãos acariciando cabelos, ombros e costas, desesperadas pelo toque uma da outra.
Pansy segurou o rosto da castanha em suas mãos e se separou um pouco, apenas para observar aquele rosto que ela tanto amara. Aquele rosto que ela veria até o fim, que amaria a cada segundo de sua vida. Aquele rosto que ela nunca fora capaz de esquecer e que agora tinha certeza que jamais esqueceria.
E foi olhando naqueles olhos cheios de luz e vida, que ela se deixou chorar e sorrir ao mesmo tempo. Então ela juntou seus lábios mais uma vez, sem fechar os olhos para poder continuar olhando para o amor da sua vida.
- Qual é o segredo do voto, Hermione? – perguntou, com seus lábios ainda encostados, e seus hálitos se confundindo com suas respirações e os tremores de seus dedos.
- O Amor Verdadeiro. Que não cansa, não esmorece, e permanece firme até o fim da vida. Por que almas que se necessitam, nunca estarão para sempre separadas. O amor é mais forte que o sangue e que as batalhas, o amor cura, o amor, salva, o amor protege. E o amor vai nos unir mais uma vez.
- Eu te amo tanto, Hermione! – disse sorrindo, sem poder acreditar que aquilo é verdade – Acho que terei que voltar a acreditar em finais felizes.
- Já não era sem tempo!
"Seasons may change, winter to spring
But I love you until the end of time
Come what may, I will love you until my dying day
And there's no mountain too high, no river too wide
Sing out this song and I'll be there, by your side
Storm clouds may gather, and stars may collide
But I love you until the end of time
Oh, come what may, come what may
I will love you, oh I will love you
Suddenly the world seems such a perfect place"
Come What May – Moulin Rouge
N/A: o que se pode dizer, é a maior honra do mundo escrever a primeira Pansy/Hermione com final feliz!
Contagem regressiva:
[UM]
[0 = epílogo]
Meninas, gostaria que pedissem coisas do epilogo, eu já tenho algumas cenas e alguns shippers que aparecerão TARAN, mas queria conseguir fazer algo que todas gostassem e quisessem ver, e tranqüilos com o Blaise, ele não vai ficar sozinho ;)
AMO MUITO TODAS VOCÊS E ME DEIXEM UM COMENTARIO, MESMO QUE SEJA PARA DIZER QUE ESPERAVAM MAIS. Na verdade eu acho que também esperava, esse é o problema de terminar as fics: superar as expectativas :/
Beijos imensos, Tai. *chora, eu nao terminava uma long há ANOS*
ps.: gente, como disse a Mya: eu também tenho pena do Ron, por mais que nao tenha sido uma boa pessoa no passado, tadinho, ele deve ter sofrido muito né :P
FIM
