O ÚLTIMO BLUE FISH

O tempo passa rápido. Mudanças acontecem bem rápido também, e quando você se dá conta, tudo a sua volta é diferente. Foi mais ou menos isso que aconteceu comigo. Eu vi as coisas acontecendo, mas só percebi o que elas realmente significavam quando me torneio o último dos Blue Fish em Xigaze.

Os primeiros a ir embora foram os Urameshi, no natal de 2007. Eu tinha quinze anos e uma das minhas únicas lembranças dessa época é a cara de feliz do Toshihiro cantarolando que ia finalmente passar o natal ao lado da Rumiko em Tóquio. Hehashiro, Lily e Lhana também foram, e foi a última vez que eu vi o bebê antes que ele saísse lendo todas as placas das ruas e pedindo pra gente dizer uma palavra bem difícil pra ela tentar escrever.

Nós, os antigos Blue Fish, consagrados pelo campeonato mundial de 2003, ficamos ainda mais algum tempo juntos, até Len começar a insistir com seu pai que precisava ir para fora do país se quisesse concretizar seu sonho de se tornar um grande goleiro. Eu nunca entendi bem qual foi a briga deles, porque Qi Yin também é um goleiro, e joga naquela região mesmo. Não lembro de ele ter reclamado alguma vez de jogar em um time no fim do mundo. Len, pelo visto, sonhava um pouquinho mais alto.

O aniversário da Jun de dezoito anos foi um dia inesquecível, tanto pra ela e pro Len quanto pra mim e para o Chang. Nosso líder, fazendo jus ao título que tinha, nos levou pra Hong Kong, onde passamos o fim de semana no mesmo hotel em que ficamos durante os dois meses do Torneio Asiático. O pai do Takashi ainda era o dono oficial do lugar, mas não morava mais lá. Seus funcionário diziam que ele havia se mudado para Tóquio ou algo do tipo. Len sabe mais sobre isso do que eu. No dia 27, um sábado, jantamos todos – Len pagando – em um restaurante próximo à Victoria Harbor, do lado da ilha, olhando para o continente. Eu não lembro de outra ocasião em que comi tanto quanto daquela vez. E, durante a sobremesa, quando estávamos todos de bom humor por causa da overdose de açúcar, Len pegou as mãos da Jun e encarou ela nos olhos, sério. Lembro de ele ter ficado bem vermelho enquanto tirava alguma coisa do bolso da calça. Quando ele finalmente falou, eu e Chang caímos para trás com a surpresa, e por isso não sei exatamente qual foi a reação da Jun quando seu namorado perguntou:

- Jun, você quer casar comigo e se mudar pra Londres?

Eu fui o último a voltar pra mesa. Tinha uma cadeira em cima de mim que me impedia de me levantar. Sorte que o restaurante estava relativamente vazio naquela hora, ou as nossas reações exageradas causariam alvoroço por lá. Quando finalmente consegui me sentar, Jun encarava Len com a cara feito tomate, e Len suava frio. Eu juro que consegui ver o coração dele batendo acelerado dentro do peito, nervoso como eu nunca tinha visto antes.

- Casar... e mudar pra Londres? – Foi o que ela perguntou. Len só concordou com a cabeça, acho que ele tinha perdido momentaneamente a capacidade de falar. – Eu... eu... eu não sei, eu... Len, eu tenho só dezoito anos e...

Len finalmente se recuperou pra poder contra-argumentar.

- Jun, eu amo você de verdade, eu não quero ficar longe de você, nunca. Não suportaria isso. Eu reuni todos vocês aqui não só pra fazer esse pedido, como também para anunciar que eu recebi uma proposta para ir jogar no Arsenal. Vou pra Londres mês que vem.

A declaração de Len, mais do que o pedido de casamento, nos abalou profundamente. Eu e Chang nos encaramos, dava pra ver que ele sentia o mesmo que eu. Nosso líder estava indo embora de Xigaze, como aquele que tinha sido líder antes dele tinha feito também. E ele queria levar a Jun junto. Se ela concordasse, apenas Chang e eu ficaríamos na cidade, sozinhos.

- Len... isso é...

- Loucura...

Com toda a nossa agonia, acabamos completando as frases um do outro. O casal a nossa frente olhou pra gente um tanto surpreso. Ele ainda segurava as mãos dela e uma caixinha com um anel brilhante. Len respondeu um tanto seco:

- Não é loucura. É o meu futuro. Não há lugar melhor pra se jogar bola do que na Europa, e eu já tenho tudo acertado. Quero construir lá o meu futuro, e gostaria muito que a garota que eu amo ficasse comigo.

Nós todos olhamos para a Jun, e ela baixou os olhos, pensativa. A sua fala soou pra mim como uma espécie de sentença de morte:

- Certo, Len. Eu vou com você, mas ainda acho que sou muito nova pra casar.

No mês seguinte, o casal de noivos se despediu da gente naquela mesma cidade, e sabíamos que levaria muito tempo para que nos encontrássemos novamente.


Eu e Chang vivemos mais dois anos sem grandes acontecimentos. Claro, nesse tempo todo eu já tinha terminado a escola e trabalhava em uma lojinha de ervas medicinais, enquanto Chang fazia uma espécie de curso por correspondência. Ele tinha o único computador da cidade, e era um dos únicos que sabia como mexer com essas tecnologias. Aos vinte e dois anos, meu amigo media 2,10m. Só parara de crescer três anos antes, ao dezenove anos. Eu invejo ele, porque até hoje não passei de 1,69m. E foi pelo computador dele que veio o e-mail anunciando que, pasmem, o primeiro bebê da família Yin estava a caminho.

Era estranho, quer dizer, Jun antes reclamava que era muito nova pra casar e não sei mais o que, e de repente eles aparecem dizendo que vão ter um filho! Foi tão estranho quanto ouvir que a Lily estava grávida. Vai ver que sou que tenho tendência a achar gravidez uma coisa estranha e perturbadora. Ainda bem que eu não posso ficar grávido... Algum tempo depois, outro e-mail, dessa vez com fotos. O nome da criatura era Jian Rian Yin, e ele era pequeno e feio, como todos os bebês recém-nascidos. Chang me censurou quando eu disse isso.

Mais ou menos por essa época, meu amigo começou a agir de forma estranha. De uma hora pra outra, passou a recusar meus convites para sair e jogar basquete ou dar aulas de beyblade para os pirralhos que sonhavam em ser como nossa equipe um dia tinha sido. Nós fazíamos esse tipo de coisa todo o fim de semana, quando estávamos de folga do trabalho, mas ao que parecia, ele não tinha mais folgas. Chang trabalhava via internet, alguma coisa com relação à bolsa de valores ou algo assim. Estava ganhando bastante dinheiro pelo que eu pude entender, mas as explicações dele de como tudo aquilo funcionava soavam como grego pra mim. Nós nos víamos cada vez menos e eu me tornei o único "professor" de beyblade da cidade.

Um dia, resolvi enfrenta-lo e perguntar porque ele nunca mais apareceu pra gente se divertir junto. A porta da casa dele estava aberta, e eu entrei sem bater, como sempre fazíamos. Lá dentro, encontrei um monte de caixas empilhadas e objetos jogados por todo o canto. Reconheci o caos de alguém que está para se mudar. Corri até o quarto e encontrei Chang terminando de colocar seu precioso computador dentro de uma caixa. Ele me encarou, obviamente surpreso, e largou o que estava fazendo para ir até mim. Pra que a gente se encarasse olho no olho, ele se ajoelhou na minha frente.

- Kian... o que você está fazendo aqui?

- O que você acha? – Eu respondi, quase gritando. Meu mundo estava caindo. – Eu vim perguntar o que você andava fazendo que não dava sinais de vida a meses, mas acho que já entendi o que se passa!

- Hey, Kian, escuta! Eu ia falar com você sobre isso, só estava esperando o momento certo. – Apesar de apreensivo, Chang conseguia manter a voz calma. Acho que posso contar nos dedos das mãos o número de vezes que ele se irritou com alguma coisa. – Faz algum tempo já que venho recebendo propostas de empresas para trabalhar, mas nenhuma delas era realmente tentadora. Acontece que agora me fizeram uma proposta com um bom salário e liberdade para fazer o que eu quero. É uma chance única e eu precisava aceitar. Eu não me sinto bem tendo que deixar Xigaze, mas também não posso ficar aqui pra sempre. Eu sei o quanto esse lugar significa pra você e pra tudo aquilo que envolve os Blue Fish, mas os tempos agora são outros, não somos mais crianças, e de algum jeito precisamos seguir nossa vida. Você não tem vinte anos ainda, quando seu tempo chegar, você vai entender o que eu quero dizer.

Não sei quanto tempo eu fiquei ali, parado, encarando meu amigo sem saber o que dizer. Ele parecia mesmo um pouco transtornado e talvez envergonhado, mas nada justificava essa falta de comunicação dos últimos tempos. Afinal, éramos ou não amigos?

Agora, eu acho que Chang tinha razão quando indiretamente me chamou de "imaturo". Sem saber o que fazer e com a terrível sensação de estar sendo abandonado enquanto o mundo desabava sobre os meus olhos, eu saí correndo daquela casa e fui me refugiar no meu quarto. Não deixei nem mesmo a minha mãe entrar lá. Durante a semana seguinte, meu amigo tentou me procurar, mas eu me recusei a vê-lo por pura birra. Eu era meio infantil, mesmo aos dezenove anos.


Quando Chang se mudou para Hong Kong, ele saiu sem conseguir falar comigo. Até aquele momento, ele tinha sido meu melhor amigo, mais próximo do que Len, Jun ou Toshihiro jamais tinham sido. Nós jogávamos basquete e beyblade, andávamos pela cidade à noite nos divertindo, saíamos para pescar quando não tínhamos nada melhor pra fazer. Não posso dizer que a nossa amizade não ficou abalada depois de tudo que aconteceu. Nós não nos falamos pelos dois anos seguintes, e foi graças à Toshihiro que as coisas começaram a mudar.

- Alô? Quem fala? – Perguntou uma voz abafada. Estava sozinho em casa, entediado em um dia de chuva.

- Kian Ping. – Respondi, sem emoção. Estava de mau-humor também.

- Oi, Kian! Sou eu, o Toshihiro!

A última frase foi o suficiente para me fazer pular da cadeira. A última vez que tinha falado com ele havia sido no ano anterior, quando ele anunciou que era pai de gêmeos. Por um breve momento, pensei que ele estava ligando pra dizer que haviam mais dois bebês à caminho...

- Toshihiro? É você mesmo? Que surpresa agradável! Você não liga pra cá faz um bom tempo, não é?

- Ah, desculpe, mas eu não tenho tido tempo pra muita coisa. Acho que foi uma má idéia ter filhos tão cedo, ainda mais com a Rumiko e eu trabalhando tanto... Mas, enfim, eu quero falar de uma outra coisa...

- Outra coisa? Quer dizer que você não vai ser pai de novo?

- Deus me livre! Longe mim! – Eu tive que rir quando ele falou aquilo, imaginando que tipo de cara ele estava fazendo do outro lado da linha.

- Então o que é?

- Eu estava pensando em convidar os antigos Blue Fish para a festinha de aniversário dos gêmeos. Se você pagar as passagens pra cá, eu pago o hotel! O que acha?

Eu não recusei a proposta. Fazia tempo que não via não só o Toshihiro, como também a Jun e o Len. O aniversário dos bebês era próximo do aniversário do Chang, e acabamos concordando em celebrar os três aniversários juntos. Quando os Blue Fish finalmente se reuniram, eu estava apreensivo. Não sabia o que o meu ex-melhor amigo faria quando finalmente conseguisse falar comigo.

O que mais me surpreendeu não foi ver o quanto Jian Riam se parecia com a Jun, em temperamento e aparência, nem o tamanho absurdo que o cabelo do Len alcançara. Eu teria aceitado se Chang não quisesse falar comigo, e teria ficado na minha, sem reclamar. Acontece que, quando nós finalmente nos encontramos, ele estava ao lado de uma garota e segurava uma criança envolta em cobertores rosas. Como sempre fazia quanto ainda morava em Xigaze, ele se ajoelhou na minha frente, disse um "oi, Kian" animado, bagunçou o meu cabelo tigelinha e me abraçou. Hoje, quase dez anos depois daquilo, ainda consigo sentir o calor do abraço que valeu por dois anos sem contato, e o alívio que tomou conta de mim quando percebi que o meu ex-melhor amigo podia voltar a ser meu melhor amigo.


Nós, os Blue Fish, depois daquela pequena reunião, fazemos o possível para não perder o contato, mesmo estando espalhados pelo mundo. Ganhei um computador no meu aniversário de vinte e um anos com acesso à internet, e através dela comprei uma câmera digital e uma webcam. Através de e-mails, fotos e videoconferências, nós nos falamos periodicamente.

Eu ainda moro em Xigaze. Por aqui me chamam de "o último Blue Fish". Há um tempo atrás, eu achava que esse apelido caía bem em mim, mas agora, às vésperas do meu trigésimo aniversário, minhas opiniões são um pouco diferentes. Por mais que Len, Jun, Chang e Toshihiro estejam longe, nós ainda somos um time, ainda recordamos a nossa história, e, enquanto pudermos contar tudo que nos aconteceu para as novas gerações de beybladers, não haverá um "último Blue Fish".


Wow... essa fic... me deixou com um...

Jun: Uma sensação estranha...

Chang: Muito estranha...

(aparece James carregando o Luiz pela gola da camisa)

James: GRÊMIO NA FINAL DA LIBERTADORES!! FALA ALGUMA COISA AGORA, SEU COLORADO ESTRAGA-PRAZERES, FALA!!! Ò.Ó

Luiz: x-x

Felipe: humpf...

James: Eliminamos o São Paulo, eliminamos o Santos, agora é só ganhar do Boca!

Felipe: Ou do Cúlcuta! Duvido que vocês consigam, perderam pra eles na primeira fase...

James: Cala a boca, secador! Eu te apoiei quando o São Paulo enfrentou o Inter...

Felipe: Só porque era contra o Inter! E porque você adora o Rogério Ceni... u.ú

James: É, exatamente! n.n

Jun: Jamie, eu sei que você está entusiasmado com a atual situação do seu time no campeonato, mas agora estamos no meio de um off-talk de uma fic muito especial escrita pelo Kian do ano 2022, e eu agradeceria se você PARASSE DE BANCAR O TORCEDOR FANÁTICO E DEIXASSE QUE PELO MENOS UMA VEZ NA VIDA NÓS, OS BLUE FISH, TENHAMOS O DESTAQUE QUE MERECEMOS!!!! Ò.Ó

Len: (com bandeirinhas escrito "Fight! Jun!´") É isso aí, Jun, muito bem! Muito bem!

Jun: Ah, obrigada, Len! Eu agradeço o seu apoio, mas você não acha que quem devia estar aqui no meu lugar era você, o tão estimado líder da equipe? ò.ó

Len: Ah, Jun, sabe como é... você é tão boa para intimidar as pessoas que eu concordo em dar essa função pra você... o que acha?

Jun: Eu acho que... gostei!

Len: ufa... n.n'

Chang: Cadê o Kian? O.õ

Jun: Ué, ele não 'tá sempre junto com você?

Chang: Sim, mas hoje ele não está.

Len: Oh, meu Deus, o que será que aconteceu com o Kian? Será que ele foi seqüestrado? Será que ele está passando mal? Será que ele...

Felipe: Olha, meu amigo líder... em primeiro lugar, não estamos em São Paulo, logo, seu amigo não deve ter sido seqüestrado. Em segundo lugar, o aniversário dele foi 18 de maio, faz quase um mês, logo, é provável que sim, que ele esteja passando mal porque o Jay-gay atrasou demais a fic dele, e só postou agora porque quer postar a fic do Yuy-baka na data certa!

Len: Quem foi que disse que você podia se intrometer no NOSSO off-talk?

Felipe: Disse muito bem, "NOSSO"! XD

Len: Morra, seu desgraçado! (demônio Len do torneio asiático) Presas assassinas!

(Felipe atingido pelo ataque do Len)

(Felipe morre por causa do ataque do Len)

Toshihiro: Ah, coitado... eu sei como ele está se sentindo... u.u

Len: Toshihiro! Você por aqui! (Len volta ao normal e abraça o Toshihiro) Viu o Kian por aí?

Toshihiro: Kian? O.õ Não, não vi...

Jun: Oh, não! Então ele sumiu mesmo!

Chang: E logo na fic de aniversário dele!

Len: O que vamos fazer?

Jun: Vamos encerrar o off-talk sem o aniversariante, oras!

Toshihiro: Pelo visto não tem outro jeito...

Chang: É verdade...

Len: Então tá! Até mais, pessoal! Nos vemos na fic da Jun! O aniversário é 27 de junho, mas a data da fic é indeterminada porque depende da vontade cretina do James de escrever ou não uma fic pra ela.

Jun: Pois é! Nos veremos em breve, se ele não decidir cortar a minha fic pela segunda vez!

Chang: E até lá eu espero que a gente já tenha encontrado o Kian!

Blue Fish: Tchau! o/

(Blue Fish vão embora)

(Cenário abandonado)

(Kian sai de trás do cenário abandonado)

Kian: ahá! Agora que todos partiram, eu posso fazer o meu próprio off-talk! Sem ninguém mais pra atrapalhar, eu serie a grande estrela! Vamos lá então começar esse off-talk solo!

(Silêncio)

(fundo: grilos fazendo aquele barulhinho chato)

Kian: Oh, é, esqueci que eu é que tenho que fazer as coisas... Por onde eu começo? Hum... deixa eu ver... O que eu faria se não tivesse ninguém por perto pra me censurar? Se eu pudesse fazer tudo que eu quiser?

Eu podia destruir a Terra!

Não, muito clichê... Todo mundo já faz isso...

Eu podia avacalhar com a cara do James...

Mas todo mundo faz isso também...

Droga, agora eu fiquei sem idéias!

Hey, vocês, se tiverem alguma idéia do que fazer em um off-talk solo, por favor me contem no review, tá?

Até lá!

Kian Ping