N/T: Voltei antes do esperado, everybody :D

Era logo depois das duas da manhã quando Rachel diminuiu a corrida até parar na frente do prédio de apartamento de Quinn.

Ela tinha esperado que o estacionamento estivesse vazio de vida e era por isso que ela não estava se comportando de forma particularmente escondida. Ela tinha esperado ter que ligar pra Quinn pra deixá-la entrar e era por isso que ela tinha o celular seguro na mão direita. Ela tinha esperado que a escuridão da noite a envolvesse completamente e a deixasse protegida do mundo adormecido ao redor dela e era por isso que a lua cheia sendo revelada pelas nuvens que se moviam a surpreenderam, efetivamente iluminando o caminho dela para o lar – para Quinn.

O que Rachel não tinha esperado era chegar ao prédio de apartamentos de Quinn só para ser recepcionada pela própria enquanto ela fazia seu caminho pra fora.

"Quinn," Rachel engasgou, começando a desacelerar o coração com respirações calmantes e profundas. As mãos dela estavam nos quadris enquanto ela dava alguns passos em direção a outra mulher na calçada.

Quinn não parou de forma alguma enquanto se movia pra longe do prédio e pra perto de Rachel. "Oi," Quinn disse, e Rachel não pôde evitar o sorriso que floresceu no rosto – ao som da voz ao mesmo tempo amorosa e inocente mas desconcertantemente grave e linda de Quinn e o jeito que Rachel foi cumprimentada era como se Quinn não tivesse nem um pouco surpresa de vê-la.

Enquanto Quinn se aproxima, ela ainda se recusava a diminuir o passo. Ela meramente esticou os dedos enquanto passava por Rachel e – num gesto maravilhosamente sem esforço – entrelaçou os dedos nos dela antes de efetivamente arrastar Rachel com ela pela calçada.

"Quinn," Rachel disse, dessa vez com pequenos pontos de interrogação acompanhando o nome que saía da sua boca, "nós vamos a algum lugar?"

Parando perto da porta do passageiro do carro dela, Quinn ajeitou o corpo de forma que ela estivesse parada perfeitamente paralela a Rachel. O tempo não diminuiu para ficar parado e o mundo não desvaneceu ao redor delas, mas a brisa suave pareceu morrer e os grilos que cricrilavam na grama pararam de fazer barulho mesmo que só por um momento; as pontas dos dedos de Quinn tracejaram levemente primeiro ao longo da linha acentuada de maquiagem perto do olho de Rachel antes de proceder em colocar uma mecha cacheada de volta, atrás da orelha de Rachel.

"Nós vamos a algum lugar," Quinn respondeu, "Se você quiser vir comigo."

Havia uma tensão no ar entre elas e não era uma tensão que elas estivessem desacostumadas. Parecia que, constantemente, havia um gosto palpável no ar que residia entre elas – um puro desejo personificado por ondas magnéticas, pulsando ao redor delas e por elas constantemente. E quando elas estavam perto assim – quando a pele de Quinn encontrava a de Rachel e quando o peito de Rachel, que subia sutilmente entre elas entre elas só pelo esforço de manter a capacidade pulmonar adequada, ficava roçando quase imperceptivelmente no de Quinn – era absolutamente eletrizante.

A palavra deixou a boca de Rachel antes da mente dela sequer ter uma chance de processar e talvez isso fosse um pouco mais do que o amor delas uma pela outra trabalhando.

"Sempre," ela disse, abaixando a cabeça para pressionar a bochecha na palma aberta de Quinn. Seus olhos se fecharam enquanto elas respiravam o momento, os corpos delas dolorosamente próximos mas mal se atrevendo a fechar o minúsculo espaço entre elas. As pálpebras de Rachel flutuaram e a respiração de Quinn parou completamente quando ela olhava através de cílios grosso pros olhos castanhos impressionantes.

Quinn não queria só dizer pra Rachel que a amava naquele momento, talvez mais do que em qualquer dos outros momentos anteriores no tempo delas juntas; Quinn queria gritar pro céu noturno e a lua cheia além das nuvens partidas que ela estava completamente, devastadoramente apaixonada por Rachel Berry.

Mas o estacionamento perto do carro de Quinn talvez fosse a cena mais longe possível da noite cheia de gente na Times Square.

... E ainda sim, Quinn podia praticamente sentir as palavras se formando nos lábios dela de qualquer forma, ávidas pra sair e serem derramada ao longo do espaço entre e ao redor delas. O olhar no rosto de Rachel era tão cheio de amor e adoração que Quinn podia bem literalmente sentir dentro do próprio peito, explodindo. A energia entre elas era tão tangivelmente pulsante com cada batida do coração delas enquanto elas miraculosamente mantinham esse tempo perfeito juntas. E Quinn achava impossível ignorar a umidade entre as pernas dela quando lembrava da visão impressionante que Rachel tinha sido na formatura – e estava ainda, aqui, agora, em uma roupa casual parada diante dela; Quinn não podia ter ignorado a besta furiosa que rugia em algum lugar dentro do peito dela, Minha! enquanto ela olhava faminta pra Rachel...

Mas havia vizinhos a considerar.

Ao invés de dizer qualquer coisa, Quinn pressionou o corpo pra frente, facilmente retirando Rachel do caminho dela para que ela pudesse abrir a porta. O tempo inteiro, os olhos delas continuaram fixos um no outro e parte de Quinn sabia que Rachel tinha os mesmos desejos bestiais tumultuosamente balançando e girando dentro do peito dela que Quinn possuía.

"Então vamos," Quinn disse, estendendo a mão para Rachel segurar; ela ajudou a garota a entrar no carro, sem outras questões perguntadas.


Meia hora depois Quinn se encontrou saindo da estrada principal para uma estrada de terra que já tinha visto dias melhores.

Havia passado anos desde a última que ela estivera aqui – na realidade, pelo menos. Tinha sido o verão depois do primeiro ano dela de faculdade e ela tinha voltado pra cidade natal pra passar algumas semanas com a família (com Caleb). A viagem era de trinta minutos de Lima mas só uma hora da casa da família Fabray se eles andassem.

E era um caminho que Quinn e Caleb tinham caminhado bastante na juventude deles. Manhãs de verão e tardes de outono; dias de neve de folga da escola, caminhando lenta e penosamente pela neve; noites quentes no final da primavera.

Por um momento enquanto o carro de Quinn teve problemas mecânicos sobre o atoleiro da velha estrada, Quinn imaginou sobre sua proximidade com os pais. E a coisa mais estranha sobre a situação toda não era que era quase três horas da manhã ou o fato de que a aluna de Quinn e interesse amoroso proibido estivesse dormindo no assento do passageiro com os dedos repousando adormecidos no topo das costas da mão de Quinn – era o fato de que Russell e Judy estavam há apenas alguns quilômetros pro sudeste e Quinn não podia ter se importado menos.

Quinn poderia rir de puro alívio daquele sentimento – ou falta dele – mas ela não queria acordar Rachel.

Infelizmente, o solavanco da estrada embaixo dos pneus fez isso por ela.

"Mmm..." Rachel murmurou sonolenta, incoerências passando pelos lábios dela e fazendo Quinn sorrir com amor.

"Ei," Quinn respondeu. Ela gentilmente girou a mão, permitindo que os dedos de Rachel juntassem-se aos seus. "Você está dormindo por aproximadamente vinte minutos. Nós estamos quase lá."

Com um lento acenar, Rachel afundou-se mais no banco, deixando a cabeça cair no encosto de cabeça. Ela não perguntou onde elas estavam indo; parecia um dos detalhes menos importantes da noite.

Uns minutos depois, os faróis de Quinn mostraram outra estrada – essa ainda menor, menos usada e num abandono ainda maior. Ela saiu da estrada pra outra e estacionou o carro e colocou em ponto morto. Elas estavam encarando um portão velho e enferrujado, fechado por uma extensão de corrente sem cadeado.

"Se importa em andar daqui?" Quinn perguntou. "Não é longe."

Rachel concordou e elas saíram do carro. Quinn abriu o portão e o empurrou o suficiente para elas passarem, então ela o fechou depois de passar.

O ar frio da noite jogou os cachos longos e soltos de cabelo de Quinn sobre o ombro dela e ela estava agradecida pelas tranças que ela tinha feito mais cedo naquela noite porque elas estavam mantendo seu cabelo longe do seu rosto na maior parte. Sujeira foi amassada embaixo das solas dos sapatos delas, e grama comprida fez cócegas nos tornozelos desnudos delas. Quinn andou pra frente com um propósito, Rachel ao lado dela, em direção ao carvalho alto no meio do campo, a lua cheia iluminando o caminho delas.

Em algum lugar dentro da mente de Quinn, ela sentia como se não lhe fosse permitido retirar os olhos da árvore, como se, se ela olhasse pra longe, iria começar a se mover pra mais e mais longe dela, só para desaparecer totalmente. Como se fosse um sonho; ou talvez um sonho de um sonho...

Havia um celeiro perto delas, alto e abandonado para os elementos na maior parte dele. Havia uma pequena amostra de árvores menores a alguma distância que crescia na floresta onde Quinn e Caleb tinham feito trilhas inúmeras vezes na juventude deles, um trator velho e quebrado onde Caleb costumava brincar, a tinta vermelha quase totalmente queimada pelos tons de ferrugem.

Era uma caminhada curta, como Quinn prometera, e não passou muito tempo antes delas entrarem na sombra da árvore majestosa. E então elas estavam paradas embaixo dos ramos pendentes do velho carvalho e Quinn deixou a mão de Rachel cair enquanto se movia pro balanço de pneu que estava pendurado de um dos galhos mais altos.

Rachel parou, contente por um momento em assistir a cena se desdobrar – uma cena que ela ainda não entendia bem. Mas ela sabia que algo importante estava acontecendo pra Quinn; e se isso era importante para Quinn, então era importante pra ela também. Ela ficou parada, silenciosa e estável, e esperou.

Quinn estendeu a mão e tocou a borracha do pneu, seus dedos sentindo a linha familiar das iniciais que ela e Caleb tinham deixado anos e anos antes. Mas essa era a vida real, isso era uma existência tangível – e ainda, a lua estava jogando seus pálidos raios de luz ao redor dela e tudo parecia cinza, se cinza pudesse ser usado como um sentimento real.

Fechando os olhos, Quinn se inclinou pra baixo para o gingado do balanço. Isso era realidade, mas estava pendendo perigosamente para a irrealidade. O sonho que ela tivera – a luta para alcançar a árvore, o milagre de encontrar um estranho que não era realmente um estranho de forma alguma, a explosão de cores na paisagem cinza, a dor... Tinha sido tudo tão real para Quinn e ela sentira ali que lá era algo precioso que era dela, algo que ela estava a ponto de perder totalmente, mesmo agora, Quinn sentia como algo a pressionasse pra baixo, ameaçando tirar a melhor coisa da vida dela –

Então uma mão deslizou pela cintura dela. O corpo de Rachel estava completamente pressionado no dela por trás e o corpo trêmulo de Quinn – o qual ela sequer tinha percebido que estava tremendo pra começo de conversa – começou a se acalmar. Uma das mãos dela soltou o balanço de pneu e moveu-se para agarrar o antebraço de Rachel onde a garota tinha se enroscado na cintura dela. Uma pressão gentil foi exercida pela figura de Rachel ao longo da espinha de Quinn e pelos braços fortes que a envolviam completamente e Quinn imaginou se Rachel sabia que ela estava preenchendo algum papel preordenado de protetor, salvador e amante naquele momento.

"Por que estamos aqui, Quinn?"

As palavras de Rachel não vieram até o corpo de Quinn ter se acalmado, até ela estar parada firmemente nos dois pés com o agora desnecessário mas totalmente bem vindo apoio de Rachel atrás dela. Olhos verde-castanho estavam escondidos atrás de pálpebras fechadas e ela inspirou lentamente. Abrindo os olhos ao exalar, Quinn viu a umidade dos pulmões dela encontrar o ar frio da noite, condensando-se na névoa antes de se dissipar; e com isso, qualquer ansiedade que tinha caído sobre ela.

"Nós nos encontramos aqui, uma vez," Quinn respondeu, ainda com as costas pressionadas na frente de Rachel. Dedos brincando sem sentir com a bainha da camiseta dela. "Em um sonho," ela adicionou olhando pra baixo e pro lado dela, vendo o pé de Rachel plantando firmemente atrás dela. "Você me salvou, Rach. Você me salvou quando eu sequer tinha percebido que precisava de salvação ou do que eu precisava ser salva."

Quinn virou nos braços de Rachel, suas mãos imediatamente se movendo para segurar as bochechas rosadas enquanto as mãos de Rachel se moviam pra base das costas dela. Os olhos de Rachel brilharam enquanto seus lábios sorriram, não desfamiliarizada com o poder dos sonhos – a habilidade deles de machucar, mas também o poder deles de curar. Ela olhou nos olhos de Quinn, ela sentiu o alívio sair como alguma entidade psíquica saindo do corpo de Quinn e ela disse, "Aí está ela." As palavras vieram sem filtro da mente de Rachel, mas elas pareceram certas quando ela olhou nos olhos de Quinn e sentiu uma conexão profunda se encaixar nas almas delas.

"Aqui estou eu," Quinn sussurrou de volta e então ela virou levemente a cabeça e mergulhou ligeiramente pra baixo, pressionando os lábios nos de Rachel.

As bocas delas se abriram ligeiramente, sem esforço, convidando a outra pra vir pra mais perto, mais fundo. Uma das mãos de Rachel enrolava o material do velho suéter que Quinn estava vestindo, pressionando seus corpos mais perto um do outro. Quinn andou um passo impossível pra frente, suas pernas agora de cada lado de uma das de Rachel. Suas mãos delicadamente acariciaram a pele do rosto de Rachel, segurando as bochechas dela gentilmente, como se Rachel fosse a frágil do abraço; mas elas eram ambas quebráveis, elas eram ambas frágeis, e elas ambas estavam contando uma com a outra para não deixá-las cair.

Juntas, as fragilidades individuais delas pareciam inconsequentes. E enquanto não necessariamente fosse requerido a junção dos lábios para produzir sentimentos de invencibilidade, o beijo e a proximidade que foi provido certamente não fazia mal. O jeito que as línguas delas se tocavam delicadamente e a respiração misturada delas e os gemidos de paixão juntos produziam algo que parecia dolorosamente próximo da perfeição.

A noite estava ficando mais fria, mas Quinn e Rachel não eram nada a não ser uma fogueira; no momento, uma na outra. A pele exposta das pernas de Rachel devia ter explodido com arrepios pela brisa que passava mas a carne levantada, ao invés disso, era resultado das ondas de prazer correndo pelo corpo de dela pelo contato das bocas e mãos e a pura falta de espaço entre elas.

Quinn, mais coberta de roupas, suéter folgado que estava baixo em seus quadris, deveria estar mantendo uma temperatura corporal apropriada; ao invés disso, ela estava quente. De fato, ela estava positivamente queimando. Uma mulher de pouca força de vontade iria puxar Rachel para o chão com ela, removendo todo último vestígio de roupas para alcançar tanto contato pele a pele quanto fosse humanamente possível.

Por outro lado, uma mulher de muita força de vontade teria andado pra longe disso há meses – não teria notado as saias curtas ou os olhos tristes, não teria ansiado tão desesperadamente para ouvir uma voz voluntariamente escondida.

Com um ressurgimento de ânsia nascido em face da lembrança, Quinn continuou. Sua língua pressionou pra mais adiante na boca de Rachel e ela quase se desfez quando sentiu a forte pressão de Rachel sugando sua língua. O gemido de Quinn não ficou perdido; ao invés disso, saiu do seu corpo para escuridão iluminada pela lua, desaparecendo no ar.

A proximidade, a intensidade do momento estava fazendo com que cada sentido se abrisse, se expandisse, pegasse cada detalhe da noite ao redor delas. As folhas fizeram barulhos, grilos cricrilaram, coiotes gritaram em algum lugar à distância. Se os olhos delas se abrissem, elas teriam visto a sombra do grande carvalho lentamente diminuir enquanto a lua continuava sua trajetória pelo céu, as nuvens passantes, a claridade das estrelas pontuavam a escuridão. Rachel tinha um leve gosto de morangos e chocolate para Quinn, e, para Rachel, Quinn tinha gosto de menta e traços de canela. Inspirando profundamente, o cheiro do ar era de um frescor que só podia significar uma coisa: a primavera tinha chegado a elas em algum momento no fluir de post-its e amor, e esse era o momento perfeito para se perceber isso.

"Eu amo você," Rachel engasgou, quase sem fôlego, antes de passar uma das mãos pelo ombro de Quinn e pressionar vorazmente na nuca da garota, segurando-a perto. Os beijos delas – que antes tinham sido longos e profundos – de repente tornaram-se curtos, pontuados mais pela superficialidade da pressão dos lábios. O fogo ainda estava ali, só estava se manifestando diferentemente; uma chama controlada versus uma labareda furiosa – ainda feroz e apaixonado mas sustentável de um jeito confortável.

"Rach," Quinn disse, pressionando os lábios no canto da boca de Rachel, capturando o lábio inferior dela, então o superior, o canto oposto, lentamente saboreando cada milímetro. "Eu amo você, também." Saiu em um sussurro suave e carregou um peso que não era opressivo mas, ao invés disso, descansou satisfatoriamente nos ombros de Rachel.

Era bom: se sentir amada sem expectativa mas com a disposição de se doar por completo.

Elas balançaram juntas, beijando-se lentamente e suavemente, mãos exploradoras tocando costas, quadris, lados, bochechas. Tempo era de pouca conseqüência até que um bocejo de sono finalmente derrubou as defesas de Rachel. Naturalmente, Quinn bocejou em resposta.

"Que horas são?" Rachel perguntou, esticando ambas as mãos e as deixando descansar facilmente sobre os ombros de Rachel, entrelaçando os próprios dedos para segurar a nuca de Quinn nas palmas das mãos.

Quinn sorriu docemente antes de arrastar a mão pelo braço de Rachel e puxar uma das mãos dela, beijando a palma da garota antes de segurar o pulso dela há alguns centímetros do próprio rosto. "Uma sarda depois do cabelo," ela proclamou, depois de parecer ter estudando a pele de Rachel atentamente por alguns segundos. Com um sorriso, Rachel ficou de ponta de pé e capturou os lábios de Quinn uma última vez, demorando o beijo. Então ela inclinou a cabeça no peito de Quinn e Quinn colocou a bochecha no topo do cabelo ainda arrumado de Rachel.

"Obrigada por vir comigo," Quinn disse.

Mas o que Quinn não disse foi o quanto a noite significava pra ela: o que significava voltar aqui, tudo para o que ela estava dando adeus, o futuro que ela estava pronta e disposta a abraçar. Ela não disse as palavras, porque ela não precisava. Todas as respostas estavam nas entrelinhas, no silêncio. E se havia uma coisa que Rachel estava intimamente familiarizada, era com o espaço entrelinhas, o silêncio que abarcava tudo o que não fora dito.

"Sempre," Rachel repetiu a promessa que fizera mais cedo naquela noite.

Quinn simplesmente repetiu, "Okay." E então ela estava colocando o braço sobre o ombro de Rachel e dirigindo a garota sonolenta pra longe do carvalho, balanço de pneu e as iniciais QF&CF. Quando elas alcançaram o portão, Quinn abriu-o e deixou Rachel se encaminhar pro carro que estava próximo. Quinn, entretanto, se virou e encarou, não desejando nem por um momento mais dar as costas pra árvore, pras memórias, a inocência da juventude dela.

Foi com um sorriso e uma percepção de que seu futuro estava esperando atrás dela – no banco do passageiro do carro, com o cinto de segurança colocado, com um sorriso sonolento no rosto – que Quinn estava finalmente apta a fechar o portão e dirigir pra longe.

Silêncio se acomodou entre elas mas foi quebrado depois de um minuto ou dois por Quinn. "Cante-me uma música?"

"Que tipo de música?" Rachel perguntou em resposta, se mexendo no banco e sorrindo pro perfil de Quinn.

"Qualquer coisa," veio a resposta facilmente.

E então Rachel cantou – suavemente, simplesmente e com todo o coração dela.

Meia hora depois elas se encontraram estacionando no estacionamento de Quinn, depois de alguns protestos de Rachel para não ser deixada em casa. Will estava em casa, mas era bem depois de quatro da manhã, então ele definitivamente estava dormindo.

"Eu praticamente só tirarei uma soneca na sua cama," Rachel disse, piscando os cansados mas ainda lindos olhos na direção de Quinn. "Eu terei indo embora antes dele sequer levantar pela manhã." E realmente, Quinn tinha acabado de escutar a garota cantar música depois de música na sua linda voz cativante; ela estava indefesa.

Elas caíram na cama de Quinn tão quietamente quanto a mútua exaustão delas permitia, e elas afundaram num sono pacífico, envolvidas nos braços uma da outra.


Foi o bater das panelas emanando da cozinha, distante no corredor e para dentro do quarto de Quinn que foi a primeira pista do grave erro que elas tinham cometido.

Rachel se sentou rapidamente na cama, só para imediatamente mudar o olhar de volta pra baixo pra uma Quinn que não se mexia. Os olhos de Quinn estavam arregalados, enganada pela falta de movimento dela e ela rapidamente levantou um dedo e pressionou nos lábios – como se esse fosse o momento no qual Rachel tinha planejado explodir em Fanny Price com uma alta performance de I´m the Greatest Star, e o sinal de silêncio de Quinn fosse a única coisa a mantê-la em silêncio.

A batida dos utensílios domésticos pararam, e passos pesados foram facilmente discerníveis enquanto o colega de quarto de Quinn andava pelo corredor. Uma batida na porta fez com que os olhos das duas garotas se arregalassem, mandíbulas caíssem e cobertas fossem postas sobre as cabeças (como se isso fosse fazer algum tipo de diferença.) "Quinn?" Will chamou pela porta.

Desde que ela normalmente estava acordada antes de Will nas manhãs de domingo, se ele estivesse no apartamento deles e não com Emma, Quinn não tinha realmente preparado pra essa situação. Apesar de que pra sermos justas, ela tinha estado em uma hipnose induzida pela Rachel Berry na noite anterior, então o julgamento dela estava bem longe de estar claro, muito menos digno de confiança.

"Sim?" Quinn gritou de volta, colocando a cabeça pra fora das cobertas apesar do jeito rápido que Rachel estava balançando a cabeça num gesto desaprovador. Quinn apenas fez uma careta e deu de ombros como se dissesse O que mais eu poderia fazer?

"Você gostaria de algumas panquecas?"

Diga a ele que você não se sente bem, Rachel sinalizou.

Que bem isso iria fazer? Quinn perguntou em retorno. Ele apenas irá entrar e me checar ou algo do tipo.

Rachel dramaticamente caiu de volta nos travesseiros atrás dela enquanto Quinn respondia, "Sim Will, isso parece maravilhoso! Obrigada."

"De nada, elas estarão prontas em apenas alguns minutos."

Elas escutaram os passos dele desaparecerem na cozinha antes de sentar e jogar o cobertor pra longe delas. O que vamos fazer? Rachel perguntou, sinalizando com gestos rápidos e deliberados.

Calma, Quinn gesticulou em retorno, respirando profundamente para enfatizar a instrução dela, Eu tenho um plano. Pegue seus sapatos.

Menos de um minuto depois, Rachel estava parada nas costas de Quinn atrás da porta dela. Elas rapidamente fizeram a cama juntas e se fizeram apresentáveis o suficiente para o mundo exterior. Rachel estava segurando os sapatos nas mãos, pulando pra cima e pra baixo nervosamente nas pontas dos pés dela cobertos com as meias.

Nós vamos nos certificar de que ele está ocupado na cozinha, então nós colocamos você no banheiro. Eu vou levá-lo pro meu quarto, então você quietamente sai e vai pra casa. Okay?

Rachel sorriu e balançou a cabeça – não num sinal de desacordo mas numa forma de reconhecimento de que o que elas estavam prestes a fazer era absolutamente insano.

E nenhuma delas ainda estava disposta a admitir que foi a displicência conjunta delas que as tinha colocado nessa situação.

Okay, Rachel respondeu, mas então ela imediatamente jogou as mãos pra cima, ainda agarrando os sapatos, e indicou que ela precisava de um minuto. Ela foi na ponta dos pés para mesa de Quinn e procurou ao redor para o que, exatamente, Quinn não estava certa. Mas dentro de poucos segundos, Rachel estava voltando em direção à ela e pressionava algo na palma dela. Beijando o canto dos lábios de Quinn, Rachel quietamente sussurrou, "Eu não posso acreditar que você só tem os brancos."

Olhando pra baixo, Quinn abriu a mão e viu o 27 que Rachel tinha escrito num post-it branco que ela achara na mesa de Quinn. Esta sorriu e mordeu o lábio antes de movimentar a mesa em direção da porta, conseguindo um aceno de prontidão de Rachel.

Quinn suavemente abriu a porta do quarto e olhou ao redor em direção da cozinha. Ela não podia ver Will, mas ela podia escutá-lo cantando uma música de Aerosmith, o falsete como algo que os vizinhos iriam reclamar mais tarde; ele não ouviria Rachel indo pro banheiro, o que ela rapidamente o fez quando Quinn indicou que o caminho estava livre.

Do outro lado com sucesso no banheiro, Rachel se virou e assoprou um beijo pra Quinn antes de empurrar a porta pra ficar quase fechada. Quinn mordeu o lábio novamente para suprimir uma risadinha e levou um momento pra respirar profundamente antes de chamar, "Will? Você pode vir me ajudar um minuto?"

Sua cantoria loucamente de alto tom parou e Will veio trotando pelo correndo alguns segundos depois. "O que foi?" ele perguntou quando Quinn abriu a porta do quarto completamente e o puxou pra dentro.

"Minha luz do armário," ela respondeu, "queimou e eu não consigo tirar!"

Will estava no quarto dela e foi em direção ao armário, mas Quinn continuou parada na porta enquanto ela elaborava algo mais sobre seus problemas com a lâmpada. Rachel abriu a porta do banheiro com uma expressão incrédula no rosto, sinalizando pra Quinn, Sério?!

Com um dar de ombros, Quinn rapidamente gesticulou para Rachel andar pelo corredor, não esperando a garota desaparecer pra seguir Will pro armário. Imediatamente, Quinn empurrou a porta toda pra trás pra parede para que ele não pudesse ver o calendário de post-its de contagem regressiva; ela pressionou a palma na esquina enquanto ela gesticulava sem perceber pra luz e expunha as dificuldades, colocando o post-it de 27 na superfície da porta entre os irmãos.

Ao mesmo tempo, Rachel estava camufladamente fazendo seu caminho pelo corredor, pelo balcão da cozinha e deslizava para fora pela porta da frente, fechando-a silenciosamente atrás dela. Ela calçou os tênis e foi embora.

De volta no quarto de Quinn, Will não só foi bem sucedido em tirar a cobertura da luz, removeu a lâmpada que não estava queimada e a trocou por uma nova, ele também estava oferecendo-se para consertar as falhas na porta do armário de Quinn.

"Não!" Quinn quase gritou, limpando a voz à expressão chocada de Will antes de falar mais suavemente. "Não, está tudo bem, Will. Eu realmente aprecio a sua ajuda."

"Só precisar, Quinn. Agora venha comer suas panquecas antes que elas fiquem frias!"

Will deixou o quarto e se dirigiu pra cozinha, feliz em ser bem sucedido ao completar sua tarefa de mudar a lâmpada.

Quinn, por outro lado, estava apoiada na porta do armário, segurando a maçaneta para se segurar. Ela estava cansada de ter um total de quatro horas de sono na noite anterior, mas ela também estava mentalmente e emocionalmente exausta pela real ameaça de exposição que elas tinham acabado de enfrentar e miraculosamente defendido.

"Bem," Quinn murmurou pra si mesma, desligando a luz do armário e se moveu em direção ao corredor, "pelo menos ninguém poderá dizer que eu não coloquei tudo em jogo."

Era uma justificação fraca para o risco que elas tinham tomado e Quinn sabia disso.


Shelby estava na frente da secadora, puxando um artigo de roupa depois do outro, os dobrando, metodicamente. Era quase nove horas da manhã e Rachel não estava na casa.

Seu primeiro instinto tinha sido deixar Rachel dormir mais depois de uma noite de excitação de formatura, mas Shelby tinha ido contra seu melhor julgamento, batendo na porta do quarto aberta de Rachel. Para seu choque compreensível, a cama de Rachel estava vazia; apenas seu vestido de formatura jogado sobre o pé da cama era evidência de que Rachel tinha estado ali de alguma forma nas primeiras horas da manhã.

Com uma calma nascida do conhecimento de que Rachel não era nada além de responsável, Shelby fez seu caminho para a cozinha e colocou a chaleira no fogão.

Mas foi com um coração pesado que Shelby sentou no sofá da sala alguns minutos depois, caneca quente de chá de ervas entre as palmas. Além de oito anos cheio de absoluto e inequívoco silêncio, Rachel nunca tinha aprontado de forma alguma!

... Então talvez Shelby estava meio que diminuindo a inata rebelião que de alguma forma iria se associar com o voto de silêncio de Rachel, mas ela realmente não considerava sua filha como uma causadora de problemas. Rachel nunca tinha saído escondida antes, para conhecimento de Shelby; a garota sequer tinha passado noites foras de casa com amigos ou ido em encontros – não além do tempo passado em Nova York pra audição de Juilliard e a formatura na noite anterior. Mas em ambas ocasiões, Rachel tinha estado ou com Quinn Fabray ou com o colega de sala dela, Patrick.

"Patrick!" Shelby repentinamente engasgou entre goles da bebida dela como se alguma lâmpada tivesse virado brilhantemente iluminada no espaço acima da cabeça dela.

Fazia sentido! Shelby não tinha visto na verdade o carro dele indo embora – admitidamente, ela talvez podia estar espionando pela janela da frente, mas ela parou tão longo ela pensou que tinha sido descoberta. Mesmo se ele tivesse saído depois de deixar Rachel, ele podia ter dirigido ao redor do quarteirão e esperou por Rachel sair novamente. Podia ter havido uma festa depois da formatura, não era uma idéia nem um pouco absurda. Rachel não tinha pedido pra ir a lugar algum depois da formatura, e Shelby certamente não podia prever que diria não a tal pedido da filha; mas o fato permanecia de que Rachel não tinha pedido permissão pra deixar a casa. Onde quer que ela tenha ido, ela estava preocupado com a aprovação de Shelby.

E isso ao mesmo tempo entristeceu e preocupou muito Shelby.

"Ela não sabe que pode me dizer qualquer coisa?" Shelby pensou suavemente consigo mesma, genuinamente curiosa se havia ou não algo a mais do que amizade ocorrendo entre Rachel e Patrick.

Ela escolheu ignorar as pontadas de dor ao perceber isso, não, Rachel obviamente não achava que podia contar tudo à Shelby! Rachel não tinha contado muito de nada em quase uma década inteira à Shelby – e enquanto velhos hábitos eram difíceis de morrer, alguns nunca morriam.

Shelby se levantou do sofá, depositando sua caneca meio vazia na pia da cozinha, não mais com qualquer sede real e disposta a cuidar da roupa que ela tinha ignorado em terminar na noite anterior.

Uma pilha de toalhas estava cuidadosamente dobradas no topo da secadora – o cuidado contrastando gravemente com a bagunça dos pensamentos na cabeça de Shelby – quando o barulho da porta da frente se abrindo chamou a atenção de Shelby de uma forma espetacular. Ela continuou perfeitamente em silêncio e parada, esperando pra ver o que Rachel faria.

Ela realmente não deveria ter ficado surpresa quando sua filha de dezoito anos fez seu caminho quietamente pelas escadas. Shelby estava tentando não usar mentalmente a palavra na surdina, mas isso era a impressão que ela estava tendo, alto e bom som apesar do silêncio da casa. Ela não escutou a porta do quarto da filha fechar mas ela tinha certeza que tinha se fechado.

Elas ambas atuariam como a manhã não tivesse acontecido, Shelby sabia. Rachel tinha estado fora por quem sabe quanto tempo e ela não queria arriscar entrar em problemas por não ter perguntado – ou ao menos contado – a Shelby sobre sair; e Shelby tinha notado a ausência da sua filha mas ela estava com medo de perguntar sobre pelo medo de esquivas e silêncio.

Era melhor, Shelby decidiu enquanto ela voltava a dobrar o resto da roupa lavada, que algumas coisas passassem sem ser notadas.

Por agora.


Quinn conseguiu cruzar delicadamente as pernas no espaço apertado do seu assento designado no avião. Passageiros ainda estavam entrando enquanto ela pegava o livro dela que já estava enfiado na bolsa traseira do assento em frente à ela, descansando-o no colo. Ela fechou os olhos, lembrando a última vez que voara – como ela tinha sido a mão confortadora para Rachel no primeiro vôo de todos da garota. Mas agora Quinn estava com um poço de nervos acumulados no estômago dela, porque ela estava viajando para D.C. para ver o irmão dela, e era mais do que uma visita casual entre irmãos, mais do que um ato de finalmente conhecer a noiva dele; era sobre contar a Caleb uma das verdades mais difíceis de serem reveladas que ela já lidara na vida dela.

"Com licença," uma voz profunda soou acima de Quinn. Ela abriu os olhos e deu uma olhada pra cima, rapidamente percebendo que alguém precisava pegar o assento da janela ao lado do dela no corredor. "Se você não importar, eu acho que eu sou o A pro seu B." Ele era apenas alguns centímetros mais alto do que Quinn quando ela levantou para deixá-lo passar, e ele tinha cabelo castanho ondulado e um sorriso charmoso que teria desarmado Quinn em outra vida. Ele tirou o blazer que estava usando enquanto agradecia a ela e tomava seu assento.

Eles estavam sozinhos na fileira de dois no lado esquerdo do avião e logo, os atendentes de vôo estavam instruindo-os no protocolo de emergência enquanto o avião começava a taxiar. Eles foram informados que eram o nono na fila para decolar e o seu vôo de meio dia estava prestes a entrar. Quinn passou o polegar na ponta do livro, virando as páginas displicentemente. No meio do livro ela viu o post-it que Rachel tinha dado a ela naquela tarde: 8-7-6, se lia, representando o fim de semana inteiro que Quinn estava prestes a passar longe de Lima.

No canto do olho, Quinn viu o A para o B dela passar as mãos pelo cabelo. Foi quase involuntário, o jeito que ela virou para vê-lo uma vez que ela percebera o que estava acontecendo, e logo ela estava quietamente rindo enquanto ela virava o olhar pro colo.

"Desculpe," ele disse, virando ligeiramente de lado no banco dele para olhar pra ela, "fiz algo engraçado?" Seu tom era brincalhão.

"Não, não," Quinn disse, dando com a mão levemente. Mas então ela percebeu que estava mentindo. "Bem, sim," ela corrigiu. "É só... Eu sou uma grande fã de Grease e você me fez lembrar totalmente de Danny Zuko bem agora."

"Wow," Assento A disse, concordando com a cabeça e fechando a boca para esconder o quase envergonhado sorriso que estava se formando no rosto dele. "Você me pegou! Não são muitas pessoas que pegar meu hábito nervoso, mas acontece nessa ocasião. Eu realmente odeio voar. Infelizmente, é parte do trabalho. Felizmente, eles me compensam bem por isso." O rosto dele relaxou um pouco enquanto Quinn continuava a rir pra si mesma, cruzando as pernas novamente e se acomodando. Ele se inclinou pra trás e pro lado para melhor estender o braço em direção à ela, palma pra fora para um aperto de mão. "Jesse," ele disse, "Jesse St. James."

Quinn apertou a mão dele e balançou firmemente. "Quinn Fabray. Prazer em conhecê-lo, Jesse St. James."

"Negócios ou prazer?" Jesse perguntou, tentando se reter displicentemente de agarrar apertadamente os descansos de braços ou de dar uma de Zuko no cabelo novamente.

Contemplativamente cerrando os olhos por um momento, Quinn concordou decididamente antes de responder, "Prazer. E você? Eu assumo que seja negócios.." ela parou de falar, deixando a declaração aberta pra ele terminar.

"Negócios, com toda certeza. Eu sou na verdade um caça-talentos. Na maior parte musical teatral, mas eu procuro em todo lugar. De qualquer forma, eu estava me encaminhando de Chicago para DC para um show que eu tenho que ver hoje à noite e de alguma forma eu fui parar em Cleveland por três horas. Como isso sequer acontece?" Ele riu como se fosse uma pergunta que ele realmente não esperava a resposta antes de se inclinar pra frente e levantar a janelinha, olhando pra fora e contando a posição deles na fila.

As sobrancelhas de Quinn se levantaram à admissão da profissão do homem, sentindo que, talvez, houvesse uma oportunidade por estar ali. "Você tem um cartão?"

A sobrancelha de Jesse levantou para ficar igual a de Quinn – um feito admirável – e então ele alcançou o bolso interno do prazer que estava dobrado ao longo de um joelho dele, extraiu um cartão e deu pra ela. "Você conhece um talento em Ohio, Srta. Fabray?"

Quinn sorriu antes de deslizar o cartão cuidadosamente para a capa frontal do livro dela. "Só fique feliz em ter uma parada em Cleveland, St. James."


"Aguardarei o contato, Quinn," Jesse disse bondosamente enquanto carregava a mala de rodinhas atrás dele em direção à saída do aeroporto.

"Definitivamente. Espero que o show que você irá ver não o desaponte hoje à noite! Foi legal te conhecer."

"Igual!" E com um aceno, Jesse tinha ido embora, desaparecendo na multidão que rapidamente se dispersava.

Quinn fez seu caminho pra esteira de bagagens, não sendo eficiente o suficiente para ter só uma bagagem de mão. Ela achou a esteira número três e estava esperando pacientemente pelas malas chegarem quando ela sentiu um tapinha no ombro direito. Girando, Quinn deu de cara com o irmãozinho dela.

"Caleb!" Ela exclamou, jogando os braços ao redor dele, abraçando-o com força. Ela beijou a bochecha dele enquanto ele ria na orelha dela.

"Quinn," Caleb disse o nome dele antes de sinalizar, Estou tão contente em ver você! Ele estava quase pulando de contentamento. Era realmente muito bom ver a irmã dele, especialmente fora do hospital.

Depois deles pegarem a bolsa de Quinn, eles se deram as mãos enquanto Caleb guiava Quinn para onde tinha estacionado o carro. Uma vez dentro, Quinn estava colocando o cinto de segurança quando Caleb começou a sinalizar novamente.

Que acha de jantar e um show para sua primeira noite na cidade?

Com um sorriso, Quinn respondeu, "Isso soa perfeito. Eu encontrarei Tina hoje à noite?"

O sorriso de Caleb quase quebrou o rosto dele no meio. Não no jantar, ele respondeu, mas você definitivamente a verá no show. Ela tem o papel principal!


O teatro Greenberg para Artes Performáticas era íntimo mas elegante. Painéis largos de madeira adornavam as paredes, criando ao mesmo tempo um design prazeirosamente não estético mas também um necessário para acústica ideal.

Quinn e Caleb pegaram os programas e Quinn riu para si mesma quando ela percebera que ela iria ver ainda outra performance de West Side Story. E se a noiva de Caleb – sobre a qual Quinn tinha aprendido bastante ao longo do jantar – era a protagonista, então isso queria dizer que Quinn estava destinada a comparar a atuação dela com a de Rachel de apenas um mês antes.

Incerta de que alguém poderia ou não verdadeiramente se comparar ao talento de Rachel – e, claro, talvez ela fosse um pouco imparcial – Quinn estava certamente disposta a ver com uma mente aberta, especialmente desde que Tina tinha ao mesmo tempo treinamento profissional e maturidade ao lado dela. Afinal de contas, se a alegria de Caleb era algo para se guiar, o teatro musical do departamento da Universidade Americana iria montar um show e tanto.

Eles tinham chegado cedo e eles se sentaram na segunda fileira no centro só para começar a conversar excitadamente em Libras enquanto o teatro se enchia ao redor deles. Antes de muito tempo, toda cadeira estava ocupada e as luzes da casa estavam piscando para indicar que eles estavam prestes a começar.

Instantaneamente, Quinn perdeu a atenção de Caleb. Ela pensou que era bonito, realmente, de se ver o quão alegre ele estava em ver Tina atuar – não importava que ele não pudesse ouvir a voz dela enquanto ela dizia os diálogos ou alcançava cada nota; era o suficiente para ele ver a paixão dela por atuar demonstrada no rosto dela e os movimentos dela, ver a história se desdobrar nas expressões faciais e a linguagem corporal e a batida eloqüente da música no peito dele.

Quando Quinn viu Tina pela primeira vez como Maria, ela ficou impressionada pela beleza da garota. Com o seu tom de pele ricamente caramelo e seu lindo cabelo escuro com leves mechas por todo ele, Tina era uma absoluta visão. Em um ponto, logo antes do intervalo, a garota alcançou uma nota espetacularmente alta em uma música e a ovação em pé enquanto a cortina caía era – Quinn não tinha dúvida – inteiramente pra Tina. Ela olhou para o rosto do irmão dela e instantaneamente desejou que ela pudesse ter o primeiro ato completo foto a foto porque o orgulho de Caleb era algo impressionante de se ver.

Juntos, Quinn e o irmãozinho dela fizeram seu caminho para o átrio pra pegar uma bebida. Alguns minutos depois, eles estavam parados perto de um pilar alto de um lado, silenciosamente conversando. Quinn levou um momento pra realmente ver o irmão dela – para nota o jeito que ele cortar o cabelo ainda mais curto do que no Natal, o jeito que a camisa azul escura e a gravata que ele estava usando realmente realçava o verde nos olhos dele, tão similar ao dela própria. Enquanto conversavam, Quinn estava pensando em que bonito casal Tina e Caleb deviam formar, o jeito que o tom de pele deles impressionantemente contrastavam – era uma imagem que a própria Quinn estava familiarizada quando se tratava da pele de Rachel na dela...

O pensamento só serviu como um lembrete para Quinn de que esse final de semana era mais do que apenas ser uma irmã mais velha apoiadora.

"Quinn Fabray." O nome rolou pra fora de uma língua ferina bem próximo, e Quinn instantaneamente olhou pra cima e olhou nos olhos de Jesse St. James.

Ela riu e se esticou para puxá-lo para um curto mas amigável abraço. "Wow, que legal vê-lo aqui!" As mãos dela sinalizaram as palavras mesmo quando ela as falava em voz alta, dirigindo-as pra Jesse mas facilmente deixando Caleb saber o que estava sendo dito por ambas as partes. "Jesse, esse é meu irmão, Caleb."

"Prazer em conhecê-lo," Jesse disse, estendendo a mão para dar um firme aperto na de Caleb. "O que você achou do ato um?"

Quinn estava impressionada como o jeito que a aparente surdez de Caleb não tinha tirado Jesse de tempo nem por um momento. Uma reação comum para os indivíduos que ouviam era começar a falar em um ritmo mais lento, enunciar demais e aquela compensação quase sempre deixava mais difícil do que nunca para Caleb acompanhar. Jesse obviamente não era estranho a conversas com os destituídos de audição.

"Eu amei," Caleb falou alegremente, claramente ávido para se gabar dos talentos da namorada. Ele mudou para sinalização, dando com a cabeça para Quinn brevemente, indicando que ele queria que ela traduzisse, antes de olhar pra Jesse novamente. Minha namorada é Maria. Eu talvez não seja apto a ouvir, mas ela me faz sentir mais com a presença dela do que talvez qualquer um de vocês consigam experimentar.

Jesse e riu e deu um tapinha no ombro de Caleb. "Tina Cohen é sua namorada?" ele perguntou. "Isso é incrível. Ela é na verdade a razão para eu estar aqui hoje à noite. O diretor é um velho colega de faculdade meu e ele me disse que eu não iria querer perder isso por nada. E eu digo a você, Caleb," Jesse se inclinou, como se estivesse conspirando com Caleb e ninguém mais no cômodo, mesmo se Quinn estivesse traduzindo pra ele. "Eu posso ver do que ele está falando. É óbvio que ela é uma estrela!"

Nós na verdade recentemente ficamos noivos, Caleb praticamente gritou, e você está certo. Ela é uma estrela, a mais brilhante na minha vida. Ele piscou pra Quinn e ela bateu o ombro dela no dele em tom de brincadeira. Caleb e Jesse continuaram a conversar sobre o papel anterior de Tina como Kim em Miss Saigon e seu futuro como atriz, todo tempo com Quinn interpretando e participando da conversa enquanto acontecia.

Mais tarde naquela noite depois da performance, Caleb cumprimentou Tina com um beijo e bregamente sussurrou "Estou tão orgulhoso de você" na bochecha dela.

Quinn nunca tinha sentido mais falta de Rachel.


Na manhã seguinte, Quinn, Caleb e Tina foram tomar café da manhã juntos numa lanchonetes há algumas quadras do apartamento de Caleb.

"Então Tina, me conte sobre essa Sue." Quinn estava genuinamente curiosa sobre essa mulher supostamente difícil para quem Caleb trabalhava; ela ouvira muitas coisas, mas ela não estava inteiramente certa se Caleb estava ou não exagerando quando ele mencionou a aversão fervorosa de Sue à homens de cabelos encaracolados, desconfiança de sem tetos e a recusa em vestir qualquer coisa além de ternos poderosos e cabelo cuidadosamente pra trás.

Do outro lado da cabine de Quinn, Tina estava sentada próxima ao lado de Caleb. Ela estava com uma mão na perna de Caleb, e a mão dele estava em cima da dela, brincando com o anel de noivado que ela usava. Tina gentilmente desentrelaçou os dedos para levantar as mãos e sinalizar a resposta para que Caleb soubesse o que ela estava dizendo. Era bem rudimentar, mas Caleb tinha mencionado que ela estava melhorando rapidamente. E apesar de Tina estar gesticulando pro benefício de Caleb, ele parecia contente em fazer nada mais do que sentar e encarar os lábios dela pra sempre.

Quinn conhecia esse sentimento.

"Você sabe," Tina começou, "Caleb ganha mais da tão chamada Sue durona – " aqui, ela inseriu aspas com os dedos ao redor da frase "– do que eu já que ele trabalha lá. Eu tendo a passar tanto tempo lá por causa dele." Ela virou e sorriu pro noivo e Caleb beijou o canto dos lábios dela. Tina se virou de volta pra Quinn que estava dando outra garfada no omelete de café dela. "Ela é definitivamente uma chefe dura, mas ela é realmente só apaixonada a respeito do que ela se importa. E quando você ver a galeria, você saberá porque ela é completamente apaixonada pela arte. Do mesmo jeito que esse cara aqui," ela disse, gentilmente cutucando Caleb no banco ao lado dela.

"Eu sei o que você quer dizer," Quinn respondeu. Eles caíram no silêncio enquanto a multidão do café passava ao redor dele, um mar suave de movimento, conversa e barulho de talher. "Eu estou realmente contente em finalmente lhe conhecer, Tina." Tina balançou a cabeça e mordeu o lábio, cruzando as mãos sobre o coração. "Sério," Quinn continuou, sorrindo largamente, "essa família é pequena mas segura. Novas adições não é algo que tivemos antes, mas eu vi por meses agora quão feliz, sua presença na vida do meu irmãozinho, tem o deixado."

"Bem, nós meio que estamos apaixonados," Tina disse, rindo quando Caleb inclinou a cabeça no ombro dela. Ela bateu na bochecha dele com a mão e beijou a testa dele. "Mesmo assim, obrigada, Quinn. Isso significa muito."

Quinn olhou pro prato, instintivamente sabendo – ou ao menos acreditando, esperando – que Caleb nunca a afastaria, não dessa unidade amorosa que eles formaram anos e anos atrás; mas a dúvida ainda estava ali e isso fez a conversa que ela tinha que ter antes desse final de semana acabar ainda mais assustadora.

Olhando pra cima, ela viu Caleb enquanto ele mordia um pedaço de bacon. Ele piscou e ela sorriu de volta.

Talvez as coisas iriam ficar bem. Quinn tinha que esperar por isso.


"Eu dirijo um navio bem rígido aqui e eu não permito nenhuma bagunça ou trivialidades de qualquer tipo. Eu rio na cara da adversidade porque eu sou uma mulher forte que lidou com isso a vida inteira, e isso não me parou ainda, nem irá. Eu metaforicamente e algumas vezes literalmente ataco quando eu verifico até mesmo o menor sinal de fraqueza – quer seja na forma de outra galeria competindo pra mostrar um novo e talentoso artista ou uma corrida com extremos utilizadores de cupons pra o caixa. Eu não peço desculpas – nunca pedi e eu certamente não tenho a intenção de começar agora... – qual você disse que é seu nome mesmo?"

Quinn fechou a boca mas não conseguiu retirar a expressão de olho arregalado do rosto enquanto respondia. "Quinn."

"Certo, Quinn, como eu estava dizendo," Sue Sylvester – dona de galeria, licença pra caçar vitalícia, brevemente lutadora de mma, possivelmente assassina treinada e entusiasta de jardins – continuou. "Essa-" ela gesticulou ao redor pras paredes enquanto colocava o braço ao redor dos ombros de Quinn e a levava pra longe de Caleb e Tina. Quinn olhou pra trás por sobre o ombro indefesa enquanto Tina ria e Caleb dava tchau pra ela de uma maneira bem dramática " – é a minha paixão. Arte," ela disse, "é linda. Qualquer um pode vir aqui, na minha galeria, e eles podem olhar essas paredes. Eles não tem que saber os nomes dos artistas, estilos ou períodos de tempo e eles certamente não tem que saber que o que algum tipo de brancos protestantes ricos sentam-se ao redor de uma mesa cara fumando cubanos e comparando suas pontuações no golfe pensam constitui qualidade. A boa arte é envolvente, Quinn. Boa arte faz você querer parar, mesmo quando você já está parada."

"Eu sei o que você quer dizer," Quinn respondeu. Elas estavam estacionadas na frente de um pedaço de trabalho que Quinn não podia ter descrito em nenhum outro detalhe além de preto e branco e acidentada e futurista mas certamente cativante. Quando Quinn pensava sobre arte – quando ela pensava sobre verdadeiramente se sentir tocada – ela pensava sobre Rachel, não pintura ou escultura. Rachel, sentada no palco com uma única luz brilhando perto, violão no colo e palavras deixando a boca pela primeira vez em anos.

Isso era arte para Quinn. Ler as palavras de Rachel nos primeiros meses da escola... Bem, Sue tinha batido aquele prego bem na cabeça.

"Seu irmão está trabalhando pra mim por algum tempo agora."

Quinn virou de repente pra apreciar o perfil forte de Sue, incerta de onde a mudança de assunto tinha vindo ou pra onde estava indo. "Sim, ele tem mencionado por você há alguns anos agora."

"Ele é um bom garoto," Sue disse, "mas eu honestamente não podia me importar menos com isso. O que eu me importo, Quinn, é talento. E seu irmão, ele tem isso aos montes." Quinn concordou; ela sabia disso desde que eles eram crianças e Caleb estava criando lindas obras primas de aquarela (aos olhos de uma criança) enquanto Quinn estava lutando com figuras paradas e optou ao invés disso por lições de piano.

"E como um alguém com olho pra isso e um coração apaixonado, eu assumo que ele não está trabalhando pra você por acidente," Quinn disse, movendo-se pra parar na frente da próxima obra na massiva expansão de parede diante delas.

"Você é atenta e você está certa," Sue reconheceu, seguindo-a com as mãos pra trás. "Você já pensou em uma carreira fora do ensino? Talvez gerência de algum tipo, talvez até mesmo franco-atirador?"

Quinn riu quando balançou a cabeça e respondeu. "Não, eu não pensei e eu não tenho a intenção. Mas eu sei que você é a melhor das melhores aqui, e contanto que Caleb esteja aqui, ele não estará fazendo nenhum desserviço a si mesmo ao aprender de você. Eu posso dizer que você é uma força a ser reconhecida, Sue e eu aprecio que você tome conta do meu irmão."

Sue levantou o queixo e pareceu momentaneamente contemplar discutir que ela absolutamente não estava tomando conta de ninguém... mas então ela simplesmente concordou. "Aperfeiçoar talento é um talento em si mesmo. E eu sou bem o oposto de modesta nesse aspecto."

"Fodona?" Quinn disse.

"Não, não. Eu não uso essa palavra."

Quinn riu. " Você sabe que eu também não uso-a normalmente, Sue?"


Eu gosto de Sue, Quinn sinalizou.

Caleb riu – mais com o corpo do que qualquer som real. De alguma forma, eu pensei que você iria.

Era tarde de sábado. Eles tinham deixado Tina no teatro pra uma leitura com o resto do elenco antes da performance da noite. Quinn tinha ficado quase triste por vê-la ir, genuinamente tinha gostado do tempo dela com a outra mulher até agora e percebendo que não havia muito tempo restante pra ficarem juntas antes dela voltar pra Ohio.

Mas ao menos agora Quinn tinha outra chance de um tempo sozinho com Caleb. E a livraria usada/café onde eles estavam sentados exsudava a atmosfera perfeita. Caleb correu a mão pelos cabelos – o qual sempre miraculosamente caia de volta perfeitamente no lugar – e pegou o latte dele de baunilha com o triplo de café. Ele fez um som satisfeito no fundo da garganta e Quinn tomou um gole do (bem menos cafeinado) chá gelado dela.

O que você acha de Nova York? Quinn perguntou, a questão parecia de alguma forma abrupta para Caleb desde que ele não estivera por dentro dos pensamentos bagunçados na cabeça de Quinn.

Eu amo NYC, ele sinalizou. Faz um tempo desde que eu fui, mas eu acho que o futuro de Tina está lá, sabe? Quinn concordou, entendo substancialmente mais do que Caleb sabia até então. Por que você pergunta, Quinn?

Era isso. Esse era o momento. A abertura que Quinn estivera esperando, se apresentou sem esforço diante dela, e agora tudo que ela tinha que fazer era achar coragem, dizer as palavras e encarar a música (ela preferia lidar com a metafórica música do que algo grotescamente violento como um metafórico pelotão de fuzilamento).

Eu talvez consiga um emprego lá. Pelo menos, eu realmente estou esperando conseguir a oferta de trabalho. Eles pareceram interessados e eu acho que eu deixei uma boa impressão quando eles me ligaram há algumas semanas pra uma entrevista e-

"Uou," Caleb levantou a mão, se esticando pra cobrir as mãos de Quinn que se movimentavam rapidamente. Quinn, isso tem a ver com aquela pessoa que você me disse que estava vendo quando eu visitei em Dezembro? Ele deixou a cabeça cair, imaginando que outra possível razão Quinn poderia ter para querer deixar Haverbrook por Nova York. O que, as coisas finalmente estão ficando sérias agora, então você decidiu contar ao seu irmãozinho? O sorriso no rosto dele levou mais perto da ponta naquele momento; isso era exatamente o que Quinn precisava ouvir, então ela acenou concordando.

Ela pegou o copo dela e tomou outro gole, chateada consigo mesma por perceber que as mãos delas estavam tremendo ligeiramente, definitivamente contra a vontade dela. Os nervos dela seriam mais facilmente ignorados se Caleb não estivesse a encarando com um olhar tão sabedor. Ele sempre fazia isso, sempre estivera apto a ver profundamente nela.

Ele sempre a conhecera melhor do que ninguém – melhor do que Santana e certamente melhor do que os pais deles.

Quinn não devia ter se surpreendido quando Caleb lentamente e enfaticamente sinalizou, Eu sei sobre Rachel, Quinn. Mas ela estava. Ela estava absolutamente chocada.

Tanto, de fato, que ela começou a tagarelar quase instantaneamente. "Não há jeito possível pelo qual eu possa explicar racionalmente," ela começou, suas mãos tremendo ainda mais. Quinn estava frustrada consigo mesma além da compreensão enquanto ela sentia lágrimas inexplicavelmente saindo no canto dos olhos.

Antes que as lágrimas pudessem se formar totalmente, Caleb estava aproximando a cadeira dele pra Quinn e envolvendo os braços ao redor dela, pressionando os lábios na têmpora dela e sussurrando suavemente no lado do rosto dela. "Está tudo bem," ele continuou a dizer pra ela, várias vezes. "Está tudo bem, Quinn, eu prometo."

Quinn riu e sinalizou, Sua fala ficou tão melhor nos últimos meses. Caleb sorriu, inclinando-se para a sua irmã. Ele estivera trabalhando bastante na enunciação dele desde que conhecera Tina – desde que ele percebera que ao olhar nos olhos dela, ele via algo maior do que só ele mesmo. "Me desculpe por chorar," Quinn sussurrou, sabendo que Caleb estava lendo os lábios dela agora.

Não fique com medo, Quinn, especialmente de mim... Você a ama? Quinn virou olhos destemidos e brilhantes na direção dele. Ela concordou e ele acreditou nela sem pestanejar. Isso é tudo que eu preciso saber. Não há como explicar o amor ou o que ele nos faz fazer. É lindo e incrível em sua simplicidade, mas também em sua complexidade. Ninguém deve nunca te culpar por isso – não importa com quem você divida isso.

Quinn finalmente deixou as lágrimas fluírem livremente; estava claro que ela ainda teria o apoio do irmão dela e isso significava o mundo pra ela. Ela deveria saber, realmente, que não havia nenhum universo no qual ele não seria apoiador. Mas, finalmente, ter seu único segredo que Quinn mantivera dele não mais secreto – melhor ainda, aceito inequivocamente – parecia magnífico.

Quinn tinha esperado pelo melhor mas se preparara pro pior. E enquanto ela sentava na mesa com o braço de Caleb ao redor dos ombros dela, aproveitando da força um do outro, ela sabia que ele entregara pra ela o melhor resultado.

Infelizmente, Quinn sabia que sua preparação pro pior estava destinada a ser aproveitada em algum ponto.