Wait, they don't love you like I love you
Wait, they don't love you like I love you
Maps...
Wait, they don't love you like I love you
Made off
Don't stray
Well my kind's your kind I'll stay the same
Espere! eles não te amam como eu te amo
Espere! eles não te amam como eu te amo
Mapas
Espere! eles não te amam como eu te amo
Feito
Não abandone
Meu tipo é seu tipo, eu vou permanecer a mesma
Maps - Yeah Yeah Yeahs
Fica. Eu te amo.
Ler aquelas palavras escritas no guardanapo em um garrancho haviam significado muito para Faith. Adrian havia dito milhares de coisas para fazê-la ficar, mas aquele reconhecimento de que ele a queria e pronto contava mais do que qualquer outra coisa. A vontade que teve era de arrastá-lo até um canto e beijá-lo como se não houvesse amanhã, mas haveria tempo para isso depois. Naquele momento, a prioridade era outra.
Se iria ficar, tinha que tomar providências para manter Adrian, Eddie e sua família a salvo. Precisaria conversar com Blake depois e pedir conselho, porque não fazia ideia de como faria aquilo. Ir atrás de Oliver não era uma opção, não ainda.
Além disso, não podiam deixar Jill presa pelo resto da vida num quarto na esperança de que ninguém a atacasse. Seja lá quem estivesse conspirando contra a Rainha, já sabia que Jill estava ali. Junto com a teoria de Adrian sobre a ligação com strigois, tinham um perfil bem delimitado. Com certeza era alguém influente o suficiente para saber de informações secretas e corajoso ou burro o suficiente para negociar com strigois.
Faith enfiou o último pedaço do seu Pretzel na boca, lembrando de seu pai. O que era que ele dizia? A coragem e a burrice são duas faces da mesma moeda. Roubou um croissant e um pedaço de bolo de Adrian, apesar dos protestos dele, e terminou o café ainda refletindo sobre a citação.
Ela estava sendo corajosa ou burra? Ou, pelo contrário, estava sendo covarde e escolhendo o caminho mais fácil? Se ficasse pensando nisso, nunca faria nada.
— E agora? — Eddie havia perguntado para ela.— O que faremos?
— Eu e você? Nós vamos voltar para casa e ficar por lá até que o problema se resolva. Lá não há como ninguém tentar nos usar para nada nem nos ameaçar. E acredito que ficar aqui só vá atrapalhar. Não é, Will?
— Vocês podem tentar encontrar suspeitos, se quiserem brincar de detetive. — O dhampir deu de ombros. — Mas concordo que vocês ficarem aqui não ajuda. Nem, se me permite a intimidade, Lorde Ozera, vocês. Mas compreendo se quiser ficar para tornar a estadia menos traumática para a princesa. É recomendável que fiquem em segurança na casa de Andrew Ozera enquanto tentamos resolver esse problema.
— E quanto a Jill? — Dimitri perguntou.
— Nós cuidaremos dela. Vou me certificar de que os guardiões vasculhem todos os lugares onde ela for e o professor Abel dará uma aula especial sobre como detectar e prevenir feitiços utilizados em objetos. — Blake parecia cansado. — Ian está responsável pela guarda pessoal de Jill e Lisabeth deve chegar aqui amanhã.
— Então nós podemos ficar tranquilos. — Faith disse. — Os dois são extremamente competentes e Lisabeth é a melhor guardiã da minha idade que eu conheço.
— Melhor do que você? — Adrian perguntou.
— Muito melhor. Você precisa ver, ela é assustadora.
— Se for como a mãe, provavelmente será a melhor guardiã da geração. — Dimitri disse. — Eu ouvi sobre a invasão em Estocolmo e sobre o tanto de strigois que ela matou. Como vocês a conseguiram?
— Eu, Annika Savage e a mãe de Faith somos amigos íntimos desde a escola.— Blake explicou. — Então Faith e Lisabeth praticamente cresceram juntas.
— Você conhece Annika Savage? — Dimitri olhou para Faith com espanto.
— Ela trocou minhas fraudas. — Faith deu de ombros. — E eu também conheço Henry Miller, que foi meu professor no primário. E Janus Kouris nos deu um curso extra de estratégias de guarda-costas quando eu tinha 15 anos.
— Você conhece cada um dos diretores do conselho dos dhampir? — O tom de Dimitri era de descrença.
— Não todos. Só esses, na verdade, dos sete. — Faith odiava compartilhar essa informação e odiava a forma como eles a tratavam depois que sabiam disso.
— Finalmente essas pessoas tem nome. Foi assim que você conseguiu soltar Eddie? — Adrian perguntou, abraçando-a pelos ombros.
— Um mágico nunca revela os seus truques. — Ela o respondeu em tom de chacota, apoiando dois dedos nos lábios dele. — Não fique espalhando boatos infundados sobre mim por aí, Addy.
Adrian deu um meio sorriso e Faith desviou o rosto, contendo a vontade de beijá-lo.
— Eu aposto que você também conhece alguns desses fodões, Dimitri. — Ela apoiou o cotovelo na mesa. — Aliás, eu ouvi algumas coisas sobre você antes disso tudo...
— As pessoas sempre exageram. — Dimitri disse, se sentindo desconfortável.
— Exageram nada, Dimitri. Pare de ser modesto. — Christian disse, se inclinando na direção dela. — Se você o tivesse visto lutando contra strigois...
— Bem, eu posso dizer que Belikov tem uma mão pesada. — Faith disse em tom leve. — Mas me disseram que as suas habilidades não ficam muito atrás, Lorde Ozera. Soube da sua participação na invasão da St. Vladimir e como a sua participação ajudou a afastar os strigois.
Christian ficou um pouco corado e coçou a cabeça, constrangido.
— Não foi nada demais.
— Foi sim. Eu ousaria dizer que se não fosse por isso, a sua namorada não seria rainha hoje.
— Se não fosse isso e o fato de estarmos tentando desviar a atenção da possível assassina da rainha anterior. — Ele respondeu, sarcástico.
— As pessos tem medo de mudar, mas você meio que jogou na cara delas que é possível fazer algo. E aí, um pouco depois da notícia se espalhar, a sua namorada se candidata a rainha. Foi como uma brisa refrescante num dia particularmente quente. — Faith sorriu. — Bem, pelo menos para mim. Não que eu esteja insinuando que a sua tia-avó tivesse sido uma má rainha, Adrian, porque ela não foi. Mas a tendência é que em situações instáveis se opte por governos mais tradicionais e o meu medo era que um daqueles babacas conseguisse ganhar a coroa.
— Eu tenho certeza que a velha Tatiana não se sentiu ofendida, meu amor.
— Ela adoraria conhecê-la, Faith. — Christian disse e Adrian riu. — É sério. Seria engraçado ver o que aconteceria.
— Provavelmente a terceira guerra mundial. Eu até imagino o sermão que ela daria... — Adrian balançou a cabeça.
— "Você fica se jogando para cima de Adrian! Ele não faz ideia do que está fazendo, sua aproveitadora! Afaste-se já!" — Christian disse, imitando de forma quase perfeita a rainha anterior e fazendo Adrian engasgar com o bolo que comia de tanto rir.
— Eu acho que perdi a piada no meio do caminho. — Eddie disse.
— É que quando Adrian conseguiu que Rose e Lissa fossem para o julgamento de Dashkov, a Rainha chamou Rose e... bem, basicamente mandou que ela terminasse tudo com Adrian.
— Julgamento de Dashkov...? Isso foi há quase dois anos. — Ela se virou para Adrian. — Vocês dois já estavam juntos?
— Não. — Dimitri respondeu antes que Adrian pudesse dizer algo, com uma intensidade esquisita. — Eles não estavam.
— O que só torna tudo mais engraçado. — Adrian levantou uma sobrancelha. — Os boatos que rolaram por causa disso foram hilários.
— Aquele que ela tinha fugido porque estava grávida foi um dos mais engraçados. — Christian disse.
— Eu gostei do que dizia que vocês iam fugir para se casar e mudar para o Brasil para viver o romance proibido. — Eddie disse. — Era o mais romântico.
Os meninos continuaram a falar os boatos mais absurdos e Faith percebeu que estava com ciumes. Embora desejasse que Adrian superasse Rose, toda aquela conversa leve e sem preocupações sobre o passado dos dois a incomodava um pouco. Talvez porque não estava segura o suficiente, talvez porque não gostasse da ideia de falar com alguém que havia machucado tanto Adrian, ela estava com ciumes.
E pode perceber que do seu lado, o russo estava mais calado do que o normal. Ah, ele também estava com ciumes. Era justificável. E provavelmente isso deveria acordar várias memórias desagradáveis.
Faith deu um sorriso que julgou ser reconfortante para ele antes de decidir terminar com aquilo.
— Eu odeio ter que interromper, mas nós temos coisas a fazer hoje. Muitas coisas. — Ela disse, se levantando. — Acho que consigo um carro para nos fazer voltar para casa em meia hora. Lorde Ozera, o que planeja fazer?
— Christian.
— O quê?
— Meu nome é Christian, não Lorde Ozera. E eu vou voltar com vocês. Será que ainda dá para vermos Jill antes de irmos embora?
— Vocês podem ir vê-la agora. Acho que vocês são exceções de segurança.
Christian sorriu e se levantou.
— Adrian, você vem comigo?
— Sim. Alguém tem que impedir Sarah de levar Jill para o mal caminho.
Faith e Hope riram.
— A essa altura, não haverá correção para ela. — Faith disse com humor. Adrian se levantou, arrumou a roupa e se inclinou para beijá-la.
— Nos encontramos na garagem?
Faith assentiu e não conseguiu segurar um sorriso ao vê-los partir. Hope e Will se levantaram um pouco depois, deixando-a a sós com Eddie.
— O que foi isso? — O garoto perguntou, se sentando ao lado dela na mesa.
— Isso o quê?
— Vocês estavam agindo como... se estivessem em casa. Como se nada tivesse acontecido.
— Nada aconteceu, Eddie.
— Você está me zoando? — Eddie esperou alguma resposta, mas quando ela não veio, ele arregalou os olhos, soando indignado. — Hope chorou a noite inteira achando que você ia embora e de repente você aparece aqui com Adrian como se fosse a coisa mais normal do mundo vocês sairem por aí berrando um com o outro.
Ela cobriu o rosto com as mãos, sentindo sua bochecha ficar quente de vergonha.
— Agora você está com vergonha.
— Foi tão ruim assim?
— Foi pior. Eu tive que dar várias explicações sobre... bem, você e Adrian.
— Oh. — Faith gemeu em desanimo, mas depois começou a rir. — Eu não acredito nisso. Desculpe, Eddie.
— Pelo quê?
— Te fazer passar por essa situação ridícula. — Ela o segurou pelo ombro. — De verdade.
— Desculpa por isso? Você vai ter que me pagar um milhão de euros e uma dose de uísque.
Isso a fez gargalhar e os dois se levantaram.
— Venha, você precisa me contar exatamente tudo o que aconteceu enquanto eu estava na enfermaria ou acertando as coisas com Adrian.
— Seu desejo é uma ordem.
xxx
Adrian havia imaginado Andrew Ozera de todas as formas possíveis, mas nunca chegara nem perto do que o homem era de verdade.
Haviam sido pegos de surpresa, o que era impressionante considerando que estavam com Faith E com Dimitri. Quando se aproximaram da casa, Dimitri estava na direção (Como Faith o havia deixado dirigir? Adrian não conseguiu impedir uma leve onda de ciume. Os dois se conheciam há menos de uma semana e ela já dava o volante para ele assim?) e Faith ao seu lado e os dois ficaram visivelmente tensos, interrompendo o fluxo de conversa de Adrian e Christian.
— O que foi? — Christian perguntou, se inclinando para frente.
— Há alguém na casa.
— Não há ninguém na casa.
— Olhe lá. — Faith apontou para a casa na distância. — Aquele vaso ali na frente não estava virado quando saímos.
— Como você pode ter tanta certeza disso?
— Eu só tenho. — Ela deu de ombros. — Dimitri também sentiu alguma perturbação na força.
— Você é jedi agora? — Christian se virou para Dimitri.
— Não conte para Rose.
— Você fez uma piada? — Adrian falou, descrente.
— Não conte para Rose. — Dimitri repetiu e até Adrian riu da cara que ele fez.
— Enfim, nós vamos parar na frente da casa e Dimitri e Eddie vão dar a volta e entrar pela porta do jardim. Eu e Meredith ficaremos aqui com vocês dois até recebermos um sinal positivo, certo?
— Certo. — Christian respondeu. — Qualquer coisa, vou ficar a postos.
— Está de dia, não vamos precisar disso.
— Fogo não funciona só contra strigois, Faith.
— Não use. Não quero ter que te tirar da cadeia por homicídio.
Christian só sorriu, se acomodando no banco. Alguns momentos depois, Eddie surgiu com uma expressão engraçada.
— Vocês podem vir. — Ele disse. — Aparentemente é o dono da casa que está aí.
— O dono da casa? — O tom de Faith era de surpresa.
— É. Ele disse que é Andrew Ozera e mandou que você fosse cumprimentar o seu pai como deve.
E assim havia entrado na casa e encontrado Andrew Ozera sentado no sofá como se fosse, bem, o dono da casa, com uma menina loira no colo. Ele se levantou para cumprimentá-los e Adrian aproveitou para medí-lo.
Depois de conhecer Hayden e ter visto Oliver em vídeo, Adrian havia imaginado que Andrew era como Christian, com olhos azuis e cabelo preto, na moda da maioria dos Ozera. Foi surpreendido ao perceber que o pai de Faith era mais como ela do que como os seus irmãos morois.
Andrew tinha o cabelo loiro curto e uma barba bem cuidada cobrindo o seu queixo quadrado e bem desenhado. Tinha os mesmos olhos de todos os seus filhos - azuis escuros, com dobrinhas nos cantos que o faziam parecer que estava sempre sorrindo - e uma expressão que inspirava segurança e confiança. Não era tão alto quanto Adrian, mas tinha uma imponencia natural que o fazia parecer mais alto e mais sábio.
Adrian teve quase certeza que ele era usuário de espírito, porque o homem transpirava carisma.
— Faith, minha menina! — Andrew começou por Faith, abraçando-a longamente. — Quanto tempo.
— Nem tanto assim, não seja dramático. — Faith disse, abraçando-o pela cintura e se virando para eles. — Esses são Adrian Ivashkov, Christian Ozera, Guardiã Lawrence e Guardião Castille, que você já conheceu.
— Prazer em conhecê-los. — Andrew soltou a filha e os cumprimentou um a um, com apertos de mão. — Então você é o famoso Ivashkov? E você, primo, espero que tenha se sentido em casa por aqui. Guardiã, belas mãos.
Na vez de Eddie, ele parou e encarou o dhampir por alguns segundos de forma meio assustadora.
— Você é Edison Castille?
— Sim, senhor. Prazer em conhecê-lo.
— Me procure depois para conversarmos. — Ele enfiou as mãos no bolso e isso foi o máximo de atenção que dedicou a Eddie. Se virou para onde a menininha loira estava sentada, encarando-os com curiosidade. — Essa é Olive. Olive, querida, essa é sua irmã Faith.
Adrian observou Faith atentamente. Se reencontrar o pai não a havia deixado emotiva, ver aquela menininha de loira com os olhos verdes a tinha desarmado. Ela se abaixou até ficar na altura de Olive e a menina a observou com curiosidade.
— Irmã?
— Sim, querida. — Faith disse num tom carinhoso, estendendo uma mão para ela.
Olive deu um passo para trás antes de segurar a mão de Faith e abraçá-la.
— Tem um presente para você. — Olive disse, numa pronuncia perfeita, carregado de sotaque britânico. — Papai?
— Shhh, Olive. Lily tinha pedido para esperá-la, lembra?
— Oh! — A menininha fez uma cara de espanto e levou as mãos na boca. Se virou para Faith, balançando a mão. — Eu nunca disse nada!
Adrian riu.
— Mamãe foi visitar dedushka? — Faith se levantou, parando ao lado do pai.
— Como você sabe?
— É óbvio, ele é pai dela.
— Você não veio me visitar quando eu quebrei minha perna há dois anos... — O tom de Andrew era sentido.
— Você não tem sessenta e cinco anos.
— Ainda. Você vai esperar que eu tenha essa idade para começar a se preocupar comigo?
— Oh, por favor. — Faith revirou os olhos. — Adam veio com você?
Andrew assentiu com a cabeça, indicando a cozinha, e Faith caminhou com pressa para lá, como se tivesse esquecido todas as outras pessoas da sala. Adrian não deixou de se perguntar se o tal Adam era um dos ex-namorados de Faith e sentiu ciumes novamente. Esse seria o primeiro que ela parecia estar exultante em ver e o que isso queria dizer?
— Venham, se sentem. — Andrew mostrou a sala e se acomodou no sofá. Olive subiu em seu colo novamente, olhando para Adrian com olhos atentos. — Como está a Princesa Dragomir?
— Ela está assustada, mas lidando bem com as coisas. — Christian respondeu, se acomodando em uma poltrona. — Agora provavelmente todo mundo sabe que ela está aqui...
— Na verdade não. A notícia que eu tive, com fotos, é que ela e a Rainha estão se divertindo muito na nova escola. — Andrew deu um sorriso reconfortante. — Eu só sei porque tenho contatos.
— O que quer dizer que a sua filha idealizou o plano e um amigo de infância da sua mulher o colocou em prática.
— Por aí, Ivashkov. — Ele deu uma piscadela antes de continuar falando. — Qual a teoria de vocês sobre o ataque que aconteceu?
— Você sabe de tudo?
— Bem, digamos que Lily recebeu um certo telefonema... Quais são as suas teorias?
— Pai, por favor. Nós acabamos de sair de um dia irritante cheio dessas merdas e você vem falar disso na cara, sem nenhum rodeio? — Faith voltou para a sala acompanhada de um homem que era quase uma xerox mais nova de William Blake.
Andrew fez um muxoxo, mas Adrian pode perceber que ele havia se divertido pela sua aura. O outro homem acabou sendo Adam Blake, sobrinho de William e guardião de Andrew. Em menos de meia hora, Adrian e Christian haviam aprendido que Adam era filho da irmã gêmea de Will, que ele era casado com a babá moroi de Olive e que tinha um filho. Também tinham aprendido que Andrew morava em Newcastle, que ele gostava de jazz e ouviram sobre a vez em que Faith e Bliss haviam cortado o cabelo de Hope com uma faca.
Adrian estava intrigado. Andrew o havia tratado com muita educação e deferência, até, fazendo-o rir e rindo quando era apropriado. Mas não Eddie. Poderia até ser porque o garoto era dhampir, mas era óbvio que o Ozera não tinha problemas de "superioridade" e tratava todos os outros dhampirs da mesma forma. A teoria era que Andrew tinha ciumes, mas se isso fosse verdade, ele teria que tratá-lo mal também, porque Adrian dormia com a filha mais velha do moroi todos os dias.
O mistério ficou ainda pior quando Andrew o convidou para ter uma conversa em particular em seu escritório no final do dia. Adrian nem sabia que tinha um escritório na casa, mas seguiu o pai de Faith pela escada que dava para o porão e por uma porta secreta até chegar numa sala grande, com vários sofás e estantes de livros em todas as paredes. O Ozera se acomodou em uma poltrona grande e fez um gesto para que Adrian se sentasse em outra.
— Então?
— Então o quê?
— Você sabe do que eu estou falando. — O tom do moroi mais velho era misterioso.
— Bem, eu e Faith chegamos à conclusão de que há a possibilidade desses ataques serem orquestrados por um moroi, em aliança com um strigoi.
Andrew levantou uma sobrancelha. Adrian sentiu uma urgência de se explicar e pelos próximos cinco minutos desenvolveu a teoria que havia feito sobre o assunto. O máximo que o outro moroi fez foi levantar a outra sobrancelha.
— Além disso, assim que descobrirem o tipo de feitiço que estava no camafeu, nós poderemos ter certeza da natureza do ataque. — Adrian terminou de falar, estranhamente apreensivo.
— Isso faz muito sentido, mas não é disso que eu estava falando. — Andrew se levantou e se aproximou de uma mesinha. — Deseja beber alguma coisa? Um uísque? Conhaque? Café?
— O que você for beber está bom. — Adrian disse e recebeu um copo de uísque. O gosto pela bebida era de família, então. Andrew acendeu um cigarro e ofereceu um para Adrian, que aceitou de bom grado. — E eu sinto muito, senhor, que eu não saiba ler mentes e adivinhe sobre o que está falando.
Mas era óbvio que ele sabia. Não era a primeira vez que o pai de alguma namorada tinha conversava com ele e lembra-se da última vez doía. Abe era um cara legal, mas mafioso, o que queria dizer que Adrian havia morrido de medo enquanto tinham A conversa. Não ajudou muito que ela tivesse acontecido enquanto Rose mostrava o quão fodona ela era na sua prova final.
— Faith pode ser bem difícil às vezes, você sabe. Tenho que admitir que tenho alguma parcela de culpa nessa história toda, mas, bem, estou tentando remediar. — Andrew se acomodou novamente na cadeira, tomando um gole do uísque.
— Essa é a hora em que você me diz para ter paciencia e que se eu fizer algo para fazê-la sofrer, você corta as minhas bolas e dá para os lobos comerem?
— Que tipo de bárbaro diria uma coisa dessas? — Andrew levantou as duas sobrancelhas e Adrian teve que conter o riso. — Não, Adrian. Faith é adulta, e eu duvido que você a faça sofrer mais do que Oliver. O que eu quero é que você me ajude. Faith não pode ir embora.
— Ela não vai. Tudo não passou de um mal-entendido.
Andrew pareceu surpreso e ficou em silêncio enquanto bebericava a sua bebida. Adrian podia sentir o peso dos olhos dele o medindo e tentando entender o que pensar dele e se sentiu desconfortável novamente.
— Eu juro que minhas intenções-
— Não são do meu interesse. Você realmente quer que eu acredite que suas intenções são as melhores quando eu, no seu lugar, não as tinha? Deixe eu te contar como vim parar aqui. Tudo começou quando a minha irmã mais nova completou dezoito anos e decidiu que iria para a mesma faculdade que eu frequentava. Na época, eu já havia terminado a faculdade e estava num mestrado. Você pode imaginar coisa mais chata do que ter a sua irmãzinha andando atrás de você na faculdade?
— Algumas. — Adrian disse, com humor.
— Bem, na época essa era a minha maior preocupação. — Andrew deu um meio sorriso nostálgico. — Como me livrar dela quando ela entrasse? E aí... ela escolheu Lily para ser a sua guardiã.
— E você se apaixonou?
— Não ainda. Lily era a mulher mais bonita que eu já havia visto e provavelmente a primeira e única mulher que não se seduziu pelos meus encantos. Além disso, ela conseguia me deixar sem jeito com uma facilidade enorme. Você sabe o que é uma pessoa que sempre tem uma resposta na ponta da língua ficar sem saber o que dizer? E eu decidi que tinha que dormir com ela, pelo menos uma vez, custasse o que custasse. De repente, a perspectiva da minha irmã ir para Cambridge comigo era benvinda, se me desse a chance de conseguir seduzir aquela menina meio tímida e ambiciosa que era a sua guardiã. — O moroi deu um gole no uísque, parecendo nostálgico.
— Você conseguiu e ela ficou grávida de Faith?
— Isso aconteceu quase cinco anos antes de Faith nascer. — Ele deu um sorriso. — Essas Brennan são difíceis de pegar, Ivashkov. Conforme eu tentava me aproximar de Lily, mais ela me envolvia. Quando eu percebi, a minha intenção havia se transformado em uma determinação de fazê-la ficar comigo para o resto da vida. Mas entenda, ela era ambiciosa. Só com um ótimo argumento eu a faria ficar comigo e deixar a sua carreira voar pela janela, mesmo que depois ela admitiu que tinha sentimentos por mim.
— E qual foi o seu argumento?
— "A vida é muito curta para ser desperdiçada com bobagens". — O loiro balançou a cabeça, parecendo meio triste. — Mas não foi o meu argumento, foi o dela. Logo depois que a minha irmã morreu num ataque strigoi. Nina havia se tornado a melhor amiga de Lily. Ela teria gostado de nos ver juntos.
Adrian ficou em silêncio, se sentindo esquisito. Aquilo era quase uma invasão de privacidade, ele percebeu, mas o moroi estava abrindo o seu coração com tanta sinceridade... Ele se perguntou se Faith sabia daquilo.
— O meu ponto é, eu entendo se suas intenções não forem das melhores. Minhas filhas herdaram a beleza da mãe.
— E o talento enlouquecer uma pessoa, pelo que eu soube.
Isso fez Andrew rir e ele se levantou, terminando o copo de uísque.
— Me diga, Adrian, o que você acha daquele garoto, o Eddie?
— Eddie? Eu confiaria a minha vida à ele cegamente, mil vezes.
— Hunm... Bem, peça para ele descer aqui. E eu devo ter uma lista com suspeitos para você e Faith se divertirem com as suas teorias malucas amanhã.
— Oh, você vai ter A conversa com Eddie, não vai?
— Hope ainda é menor de idade. Eu tenho que me divertir enquanto posso.
Os dois homens riram.
— Seja bonzinho com ele.
— Vou ser. Você me deu uma boa ideia com a história dos lobos. Obrigado.
— Ele andou até a porta e a abriu para Adrian. — Aliás, como está Abe? Faz tempo que eu não vejo aquele filho da mãe. Ele está me devendo três mil rúpias há anos e se recusa a me pagar.
— Como você sabe que... Esquece. — Adrian balançou a cabeça. — Eu não preciso ter medo de achar uma cabeça de cavalo em cima da minha cama, preciso?
— Eu não sou esse tipo de pessoa. Não se preocupe. — Andrew o segurou pelo ombro. — E obrigado por fazê-la ficar.
Adrian se despediu e não conseguiu conter um meio-sorriso enquanto subia as escadas.
Andrew Ozera não era nada como ele esperava. E ainda assim, não se sentia surpreso. Ele era o pai de Faith, afinal.
E se ele fosse ajudar a manter Jill a salvo e a descobrir quem estava planejando contra Lissa, gostava ainda mais dele.
