Capitulo 27

A festa começara apenas no dia anterior. Bella havia co nhecido gente como Kenley e Dimitri, de quem gostava, gente como Jessica, condessa de Cuvier, a quem despre zava. Porém, embora achasse dezenas de convidados amis tosos ou não amistosos, divertidos ou profundamente cha tos, em outras palavras, seres humanos normais, a barreira constante das rígidas regras da sociedade britânica a exte nuavam tanto que ela se descobrira lutando contra a fadiga.

Mesmo assim, Edward insistia em elogiá-la: em voz alta, pública e continuamente. Ele decidira que sua noiva seria um sucesso. Já que parecia que Bella era a primeira mulher a quem ele demonstrara um claro interesse, seus convidados seguiam sua orientação... Embora Bella não fosse tão tola de imaginar que faziam isso alegremente. As damas na sala de estar que o dissessem...

Os olhos de tio Aro reluziram de interesse quando Bella se aproximou. Era evidente que ele ouvira rumores a respeito dela.

— Tio Aro, tenho novidades que sem dúvida lhe tra rão imensa alegria. — Edward apertou a mão do tio de um modo afetuoso. — Esta é a minha noiva, princesa Bella de Beaumontagne.

Bella relanceou os olhos para Edward, tomada de surpre sa. Tinham concordado em deixar os boatos a respeito de seu título correr pela sociedade sem nenhum esclarecimen to; ela, porque temia o retorno das cortesias complicadas devidas a uma princesa; ele, porque o mistério daria a Bella um cachê maior e facilitaria seu trânsito pela sociedade in glesa. Contudo, para o tio, Edward a apresentara com todas as honras... E ela ficou a imaginar por quê.

A demonstração afável de surpresa e prazer de Aro quase convenceu Bella de que ele era inocente de qualquer delito.

— Princesa Bella de Beaumontagne! — Aro fez uma mesura com toda a etiqueta do mais requintado cortesão do reino. — E uma honra conhecê-la. E... Meu menino! — Bateu na mão de Edward. — Congratulações por encontrar a noiva perfeita. Eu o invejo imensamente.

Bella não ouviu nenhum sinal de falsidade. Onde estava o tio Aro que ela esperava: de palavras untuosas, as sassino e ardiloso?

— E bom conhecer o único parente de Edward — ela disse, endereçando a Northcliff um olhar de adoração. — Ele é um homem tão maravilhoso que mal posso esperar para ouvir todas as histórias da sua infância.

— Ah, ele foi um garoto indisciplinado, isso eu posso lhe garantir. Sempre com as barras das calças sujas enquanto corria por aí procurando problemas. — Aro lançou um olhar malicioso para Edward. — Principalmente depois que a mãe... Nos deixou.

O sorriso de Edward desapareceu.

Ah... Lá estava ele, tio Aro, o vilão que Bella espe rava.

— Sim, posso imaginar que, sem a orientação de uma mãe, o jovem Edward devia ser endiabrado. — Bella declarou alegremente.

As papadas de Aro caíram mais ainda. Bella continuou a conversar, desviando a atenção do tio para longe de Edward.

— Quando perdi meu lar e meu pai, eu mesma me tornei rebelde. Era o desespero de minha irmã e, quando a deixei, sei que ela deve ter se preocupado.

— Você quer dizer que a perdeu — Edward a corrigiu.

— Não, quando eu a deixei... — Pela primeira vez, Bella se deu conta daquilo que Edward havia pensado. Ele julgara que sua irmã estava morta. — Eu queria viajar sozinha, assim a deixei dois anos atrás, na Escócia.

— Você a deixou? — A voz de Edward tornou-se seca, seus olhos, vagos. — Não. Ela é sua irmã. Sua família. Você não a abandonaria.

Talvez Bella devesse mencionar a carta que mandara três semanas antes. Mas não o faria agora, quando a linha dura do queixo de Edward emanava crueldade, e ela estremeceu com a frieza que irradiava dele. Mesmo assim, Bella não mentiria. Entre os dois, haveria somente a verdade.

— Mas eu a abandonei.

Edward olhou para Bella, para aquelas feições sérias que se erguiam para ele, para aquele corpo flexível que o enchia de desejo, para a reluzente perfeição que se acostumara a venerar, e viu as primeiras rachaduras no pedestal em que a colocara.

— Perdoe-me, tio. — Tomando-a pelo braço, Edward a conduziu para longe da festa.

Falou com os convidados conforme caminhavam, sorrin do, acenando, aceitando os parabéns pelo aniversário, man tendo a fachada do orgulhoso marquês de Northcliff. Duran te toda a vida, ele cultivara aquele verniz, pois isso manti nha ao largo as risadas por causa do abandono de sua mãe. Quando havia decidido tomar uma princesa exilada como noiva, Edward soubera que haveria mais risadas, mas não se importara. Pois, pela primeira vez, a face que apresen tava ao mundo expressava seus verdadeiros sentimentos: felicidade, empolgação, superioridade.

Agora... Agora uma tenebrosa sensação de traição o in vadia. A sua princesa abandonara a irmã? Nos ermos da Escócia? Tinha ido embora e dado às costas a um membro da família?

Ela fora embora da mesma forma que sua mãe fora embora e dera as costas a ele. Sem um olhar para trás. Sem um momento de culpa. Edward tinha feito presunções a res peito de Bella...

Eram verdadeiras ou ele estivera vivendo no paraíso de um tolo?

Embora Bella se contorcesse, Edward puxou-a consigo na direção dos penhascos. Na direção do lugar onde haviam se sentado e olhado para o mar, e ela o induzira a confessar seu passado, seus temores...

— Meu Deus! Que idiota eu tenho sido!

— Edward, escute-me, não é o que você está pensando.

Bella usava de um tom razoável, um tom que o deixou enervado.

— Espere até que nos afastemos da festa — disse Edward.

Ele não fez nenhum esforço para esconder o desprezo cor tante, e os dedos que a seguravam pelo cotovelo se aperta ram de uma forma constrangedora.

Bella não lhe deu ouvidos. Claro que não.

— Você acha que eu abandonei Alice como acha que sua mãe o abandonou, mas não é verdade.

— Espere — Edward murmurou outra vez. Não suporta ria se qualquer um dos convidados soubesse daquela... Daquela trapalhada que ele fizera de sua vida.

— Alice e eu discordamos sobre o que deveríamos fazer das nossas vidas.

Bella parecia tão sincera...

Edward a puxou mais depressa. Chegaram à beirada do penhasco. E, finalmente, ele a soltou, sem desejar mais tocá-la, com receio de que ela o contaminasse.

Bella continuou:

— Tentei fazer Alice me ouvir, mas é minha irmã mais velha. Achava que eu ainda era uma criança. Insistiu para que fizéssemos o que ela julgava melhor.

Porém, deploravelmente, por mais que Edward não qui sesse mais nada com Bella, ele também queria feri-la por trair Alice. Alice? Droga, não, por traí-lo. Por trair seu estúpido sonho de encontrar uma mulher que dedicasse leal dade onde a lealdade fosse devida, e correspondesse ao amor na mesma medida. Agarrando-a pelos ombros, Edward perguntou:

— Onde sua irmã está agora? O que está fazendo? Sente saudade de você todos os dias? E ela se sente culpada porque afastou você para longe? Está passando fome e sofrendo, e você não está lá para ampará-la? — Edward podia ver como Bella se ressentia com suas perguntas.

Que pena.

— Eu não abandonei minha irmã! — ela exclamou. — Alice estava em segurança naquela casa. E vi o modo com que lorde Jasper a fitava. Achei que estava apaixonado, e eu tinha razão. Alice se casou com ele. E uma condessa. Vai ter um bebê.

— Você se corresponde com ela? — Pelo menos, isso era alguma coisa.

— Sim, eu...

— Então, sabe do casamento e do filho por meio das car tas? Você as tem? Pode mostrá-las para mim?

Os olhos de Bella faiscaram, e a cor mudou para o verde do veneno. Ela parecia como era da primeira vez que Edward a vira: hostil e amarga.

— Não tenho cartas. Mantivemos contato através de anúncios, como eu gostaria de fazer com minha avó.

— Maldição! Você não mandou nem mesmo um bilhete para sua irmã? — Outra esperança destroçada. Todos aque les anos, Edward esperara por uma carta da mãe... Será que Alice havia esperado também? — O que Alice poderia fazer por você lá da Escócia?

— Não sei. — Bella cruzou os braços no peito, fechando-se para Edward.

— Nada, provavelmente, mas eu sou uma princesa. Até que Alice saiba que estou casada, ela irá desejar que eu viva o belo sonho de ser uma princesa em Beaumontagne. Por isso, não lhe escrevi, pois conheço o pre ço da realeza. — Seu pai pagou esse preço. Bella conteve a respiração.

Edward sabia ter sido brutal, mas não se importou.

— Sim, e se eu fosse convocada para a batalha, lutaria contente. Mas não me sacrificarei no altar de um casamento arranjado, e eis onde as princesas são sacrificadas.

— Desculpas.

— Não estou procurando desculpas. Estou me explicando. Mas por que me dar o trabalho, já que você não sabe a di ferença?

— Você nem mesmo sente culpa. — Edward não tentou disfarçar o desgosto.

— Claro que sinto. Passei por experiências que me fize ram crescer desde que deixei Alice, dois anos atrás. — Bella apontou para a casa onde à noite ele colocaria seu plano em ação.

— Mas não estou pronta para me atirar do penhasco por isso.

— Você não ousa procurar sua avó. Não sabe onde está sua irmã mais velha. Abandonou o último laço de família que possuía. — Edward recuou como se ela fosse empesteada. Bella era igual à sua mãe. Ele se casara com uma mulher igual à sua mãe. — Mesmo se você mantiver a promessa de ficar comigo durante um ano, vou imaginar que pretende me deixar tão logo o prazo se escoe.

— Não. Sim... Quer dizer, eu não sei. — Bella torceu as mãos. — O que você quer?

— Não quero isso.

— Eu manterei a minha promessa! — ela gritou. Edward baixou a voz.

— Não. Eu não quero uma mulher volúvel como você.

— Uma mulher volúvel como eu? Está me mandando em bora?

— Exatamente. — Melhor que Bella fosse agora do que esperar pela manhã em que ele acordaria e descobriria que ela o abandonara.

— E quanto ao nosso plano para esta noite? Você... Você precisa de mim — Bella argumentou.

— Qualquer um pode representar a sua parte. Mandarei Biggers procurar tio Aro. Ele se saíra bem.

— Mas eu quero saber como isso vai terminar. — Bella deu um passo na direção de Edward, aflita, linda... Venenosa. — Você está me condenando por um pecado que não cometi! E eu... Eu...

— Você o quê? — Ele pareceu acoitá-la com o tom de voz.

— Eu te amo.

As ondas estouravam contra a base do penhasco. As gaivotas circulavam no alto. A brisa brincava com os cachos dos cabelos de Bella, jogando-os em torno da suavidade de seu rosto.

E Edward riu. Riu diante das palavras que mais ansiava por ouvir. Riu quando seu coração se partia.

— Que momento incrivelmente conveniente você arran jou para confessar esse amor.

— Mas eu não sabia disso antes. — Bella segurou-o pelo braço.

— Acabei de descobrir minutos atrás, no jardim. Kenley e Dimitri me disseram que eu estava apaixonada por você, mas não acreditei. Então, quando o vi conversando com aquela senhora, senti uma onda tão grande de...

— Excremento crescendo dentro de você?

Bella arquejou como se ele a tivesse esbofeteado. Seus olhos se encheram de lágrimas.

— Edward...

Ele não podia ficar ali para vê-la chorar. Queria envolvê-la nos braços e consolar sua dor, dizer a Bella que não pre tendia agir assim, dizer que a amava também. Mas Edward sabia que não podia fazer isso. Aprendera sua lição muitos anos antes, e a aprendera bem. Apenas havia se esquecido momentaneamente.

— Faça as malas — ele murmurou. — Vá embora agora. Leve o que quiser. Vá para Beaumontagne ou aonde desejar, mas não fique aqui para despedaçar o meu coração. Você disse que eu era estúpido por desconfiar de todas as mulhe res por causa de minha mãe, e eu tinha começado a acreditar em você. — Edward se afastou. — Não sou tão estúpido, afinal.

Lívida, Bella ficou olhando Edward se afastar, indignado, uma figura rígida e orgulhosa. Sim, o marquês de Northcliff retornara.

Ela se virou, enxugou as faces na manga do vestido e começou a caminhar na direção oposta.

A seu lado, uma voz profunda falou:

— Para onde vai?

Bella olhou para o homem que se aproximara silenciosa mente. Era o cavalheiro por quem Kenley tinha se entusias mado, o sujeito moreno de olhos duros, de traje escuro. Aque le que parecera vagamente familiar... Não que ela se impor tasse com isso naquele momento, não quando o enxergava através de uma névoa avermelhada de fúria.

— Vou para casa — Bella respondeu.

— Fazer as malas, espero.

— Sim. Mas como sabe disso? — Ela parou e se virou para o estranho, a reagir como um cão zangado. — Estou indo embora. Vou deixar Edward, seus ridículos preconcei tos, suas estúpidas opiniões e suas atitudes imbecis.

— Mas vocêéuma princesa. Ele não é superior a você.

O estranho dizia as coisas certas, o tipo de bobagem que Bella queria ouvir.

— Alguém deveria dizer isso a ele. Vou voltar para Beaumontagne e assumir minha posição como princesa e usar minha autoridade para mandar decepar a cabeça de Edward. — Bella passou o dedo pela garganta, num gesto eloquente.

— Isso parece uma punição maior do que ele merece por... seja lá o for que fez. — O estranho parecia divertido.

— Você não diria isso se o conhecesse. — Bella continuou a caminhar, os braços retos, os punhos fechados dos lados. Então, virou-se para os penhascos. — Está bem. Eu o man darei acorrentar na parede do calabouço durante anos, e descerei lá todo dia para provocá-lo com a sua impotência.

— Isso é mais razoável.

— Então, eu mandarei que seja decapitado.

— Por quê?

— Porque qualquer homem que julga minhas ações di ficilmente merece tortura e prisão e... — Ela diminuiu os passos.

A mãe de Edward o abandonara, e ele enfiara na cabeça que Bella havia abandonado a irmã.

Bem, ela a deixara, mas não verdadeiramente.

— Não vou abandoná-lo porque sou volúvel. Eu não sou volúvel.

— Que palavra medonha!

— Espero que não. — O desconhecido parecia muito sério e a observava como se o assunto fosse de grande interesse para ele.

— E não o estou abandonando, vou embora.

— Uma decisão sensata.

— Exatamente. Estou tomando a decisão sensata de ir embora de onde não sou bem-vinda. — Bella apressou o passo de novo, virando para o chalé onde ela e Edward tinham passado a lua de mel.

— Este não é o caminho para a casa onde você deve fazer as malas — o estranho ponderou.

— O quê? — Bella resmungou.

Ela não era volúvel. Deixar Alice havia sido o resultado de anos e anos de frustração e da necessidade de mostrar à irmã mais velha que era uma adulta responsável que pode ria sobreviver por conta própria.

Diminuindo o passo, Bella murmurou:

— Eu me dou conta agora de que deveria ter me empe nhado mais em conversar com Alice sobre os nossos planos em vez de ficar emburrada como uma criança. — Dito isso, saiu correndo.

Bella quase fora estuprada e ficara à beira da morte, ex posta ao tempo e sofrendo de inanição. Tinha imaginado que poderia vagar pela Inglaterra sozinha quando, de fato, era necessário ter a perspicácia e a experiência da irmã para sobreviver aos rigores da falta de um teto. Bella havia sido arrogante e impetuosa, e pagara o preço.

Alice, além de sua irmã, fora sua companheira durante anos, e Bella não quisera admiti-lo até então, mas sentia saudade dela. E de Rosali também. Até do velho dragão, a avó. Edward tinha razão. Bella queria a família de volta... e não correria o risco de perder Edward como perdera os ou tros entes queridos. Como perdera o amado pai.

Com um andar desolado, ela aproximou-se da cabana e desabou num banco do lado de fora. Gostaria de deixar a abadia de Summerwind naquele instante, mas o peso nas pernas parecia pregá-la no lugar. Estava cansada. A discus são a exaurira tanto que achou que iria desmaiar. Precisava ficar sozinha para se recompor.

Sem ser convidado, o estranho sentou-se ao seu lado.

— Oh, por favor, vá embora. — Bella ficou surpresa ao ouvir o tom irritado da própria voz.

Ele não se afastou.

— Bella, você sabe quem sou eu?

— Deveria saber?

— Sou o príncipe Emmett.

O desconhecido poderia ter feito a declaração num idioma estrangeiro, um que ela não pudesse compreender de ma neira nenhuma, pelo sentido que a frase fez na mente de Bella. Ela voltou o olhar para ele e o encarou como se não o enxergasse.

Os cabelos negros caíam com um estudado descuido so bre a face dura, uma face que não era abatida, mas desgas tada pela vida e retificada à força. Os olhos eram castanhos, contornados por cílios escuros e velados. Velados demais. Contudo, nas profundezas, Bella viu resquícios de um rapaz que ela conhecera um dia e, lentamente, deu-se conta da verdade.

— Claro... Eu deveria tê-lo reconhecido. Mas você... Mudou. — Ele tinha sido um garoto mimado e agora era o tipo de homem que faria as mulheres suspirarem e os homens se afastarem, cautelosos.

— Sete anos num calabouço fazem isso. — Emmett a ob servou enquanto Bella absorvia a informação.

— A rainha Claudia quer que você volte.

Rainha Claudia... Vovó.

— Ela está bem? — Bella indagou ansiosa.

— Muito bem, da última vez que a vi. Creio que é indes trutível.

— Espero que sim. E... Você tem visto minhas irmãs?

Emmett sorriu.

— A princesa Alice já me rejeitou como pretendente.

— Ela está casada.

— Não estava quando me rejeitou. — A boca de Emmett ergueu-se nos cantos, como se ele se sentisse dolorosamente divertido. — Depois, enviou-me numa perseguição impossí vel... Atrás de você. Assegurou-se de que você tivesse tempo de desaparecer... Eu não esperava de Alice esse procedi mento tortuoso.

Bella absorveu a verdade. Alice lhe dera a chance que ela desejava. A chance de fazer seu próprio destino. E não fizera um trabalho, maravilhoso.

O mundo girou em torno de Bella, que levou a mão à testa.

— Está se sentindo bem? — perguntou Emmett.

— Sim, só estou um pouco cansada.

— Está? — Ele a fitou com uma expressão penetrante.

— E se sentindo mal também?

— Estou ótima! — Só porque ela o conhecia desde o berço, Emmett não tinha o direito de interferir de um modo tão atrevido em sua vida. E Bella não estava reagindo de modo exagerado também. — Você viu Rosali?

— Não, não vi.

— Sinto saudade dela. — Os olhos de Bella se encheram de lágrimas. — Faz dez anos que não a vejo, e ainda tenho saudade.

— Ela é sua irmã. — Emmett estendeu-lhe o lenço. Bella o pegou e assuou o nariz. Por que aquela onda de nostalgia a invadira agora? Tinha de ser por causa daquele parasita, Edward. Ele havia feito ressuscitar todo o sofri mento da separação e a deixara despojada de orgulho... e sozinha. E ela mal podia esperar para ir embora. Tinha de ir embora naquele instante. Levantou-se.

— Como me encontrou Emmett?

— Quando lorde Northcliff mandou consultar a embaixa da de Beaumontagne sobre o que acontecia no país, eu dei um jeito de... Interceptar a mensagem e a segui por minha conta. — Emmett levantou-se também e lhe estendeu a mão.

— Venha comigo para Beaumontagne agora. Eu a levarei até a sua avó e você ficará segura.

Bella olhou para a mão estendida. Olhou para Emmett. E foi perpassada por uma terrível revelação.

— Eu não posso ir embora. Jurei que ficaria com Edward por um ano.

— Você é uma princesa.

— E, como tal, estou presa aos meus juramentos. — Bella começou a caminhar para a festa. Então, virou-se para ele: — Não é o correto, Emmett?

Com relutância, ele concordou e, depois, ficou a observá-la se afastar. Num murmúrio, disse:

— Também estou preso ao meu juramento de vingança, princesa, mas creio que você frustrou meus planos de uma forma permanente.

Bella retornou à alameda que conduzia ao gazebo e jun tou-se à festa. Conforme se encontrava com os convidados, eles ou a fitavam com ar curioso ou desviam os olhos, e todos se viraram para observar a reação de Edward quando a avistasse.

Era evidente que aquela gente que uma hora antes se mostrara tão agradável sabia que Bella e Edward tinham discutido. Edward voltara sem ela. Para eles, o noivado es tava desfeito.

Bella olhou para Aro Masen. A satisfação ma ligna com o infortúnio alheio do tio de Edward provocou um calafrio em Bella.

Mas, claro, aquilo era ótimo, como ela não se dera conta? Não poderia procurar Edward agora. Tinham planejado a cena para aquela noite, mas o que acontecera... Era melhor, mais convincente, mais semelhante ao real porque era ver dadeiro.

E o que poucas horas a mais poderiam importar? Bella conversaria com Edward, o faria ouvir. Não iria perdê-lo por causa de um orgulho fora de lugar. Ela sabia bem o custo disso. Já pagara esse preço.

Abaixando a cabeça numa representação dramática de mortificação, Bella virou-se e arrastou-se de volta para a mansão.

Naquela noite, Aro Masen receberia a punição merecida.

Naquela noite, ele "mataria" o sobrinho enquanto todo mundo observava.

Bella olhou para o relógio sobre o aparador. Mais dez mi nutos até que batessem às seis horas. O sol ainda estava alto no céu, proporcionando iluminação para o drama. A platéia logo estaria em seus lugares. O tique-taque do pên dulo marcava o passar do tempo para um momento impor tante de sua vida, e Bella esperou, tensa de ansiedade, pelo sinal.

— Está na hora, senhorita — a criada avisou.

Bella levantou-se, aprumou os ombros, respirou fundo e seguiu em direção à porta. Saiu para o corredor repleto de camareiras com vestidos passados nos braços e criados com botas lustrosas. Diante da porta de Aro, bateu com o nó dos dedos. Em seguida, encolheu-se, tentando parecer infeliz e rejeitada.

O criado de Aro atendeu, aborrecido.

— O que é? — Arregalou os olhos ao reconhecer Bella.

— Senhorita! Milady! Alteza!

Numa voz sumida, Bella implorou:

— Por favor, posso falar com o sr. Masen? E impe rativo...

— Cla-claro. Sim, isto é... se puder esperar um momento. — O criado afastou-se às pressas.

O homem não se parecia em nada com qualquer criado que ela já vira. Parecia um lutador que ganhava a vida com os punhos.

Enquanto esperava, Bella concentrou-se na falta das irmãs, na morte do pai e na fúria de Edward. E quando Aro apareceu na soleira da porta, ela exibia uma expressão de solada e os olhos marejados de lágrimas.

— Vossa Alteza, posso ajudar em alguma coisa?

O criado ajeitou o casaco de Aro, observando os dois pelo canto dos olhos.

— Pode me acompanhar, por favor? Tenho perguntas... Quero dizer, preocupações com as quais espero que possa me ajudar. — Bella torcia o lenço nas mãos e fazia uma bela imitação de velado desespero.

— Como quiser Vossa Alteza. Às ordens. — Para o criado, Aro ordenou: — Merrill mantenha os olhos nas coisas. Em todas as coisas sobre as quais conversamos.

Ordem estranha pensou Bella, mas não tinha tempo para se preocupar com aquilo no momento. Rumou para a outra ala da casa. Em direção ao quarto de Edward. Numa voz doce e trêmula, falou:

— Receio que o senhor tenha ouvido dizer que Edward e eu discutimos esta tarde.

— Sim. Uma pena... — Aro a encarou. — Vocês romperam, não?

— Foi apenas um arrulho de namorados, realmente. Eu não sabia que Edward ficaria tão aborrecido, tão zangado comigo. Então, mandei-lhe um bilhete, e ele me veio com uma resposta desprezível. Desprezível! — Bella agitou a car ta que pegara da escrivaninha de Edward, uma com a letra dele... mas dirigida ao administrador de outra propriedade. — Então me enchi de coragem, até de atrevimento... Mas, oh, Sr. Masen, não pense mal de mim. Eu amo tanto seu sobrinho! — Levando o lenço aos lábios, Bella fingiu so luçar enquanto observava Aro de soslaio.

— Calma, calma. — Ele agitou a mão e olhou ao redor em busca de auxílio.

Bella parou de soluçar no mesmo instante. Precisava con versar com Masen a sós.

Agarrou-lhe a mão e a apertou entre as suas.

— Tudo que eu desejo é o amor de Edward. Quero apoiá-lo de todas as maneiras possíveis. Quando eu tiver a felicidade de ser sua esposa, cuidarei da saúde dele e nunca o deixarei se arriscar em qualquer atitude descuidada. Mais que qual quer outra coisa... Eu lhe imploro, não pense mal a meu respeito por estar tão inquieta. Mais que tudo, eu quero ter um filho de Edward e continuar a linhagem dos Masen.

As pregas caídas da face de Aro tornaram-se rígidas ao pensamento.

E Bella percebeu que, com a menção de herdeiros, conse guira a atenção de Masen de uma forma que Edward jamais poderia imaginar.

— Sei o que isso deve significar para o senhor, saber que os filhos de seu amado sobrinho continuarão a nobre linha gem dos Northcliff, mas Edward está... — Bella se virou de lado, e seus ombros pareciam tremer, como se ela estivesse chorando. — O senhor há de me julgar licenciosa, mas eu fui até o quarto de Edward para lhe pedir perdão.

— Foi? — Aro não parecia mais simpático. Falava com rispidez.

— Ele não quis me ouvir. Estava... estava bebendo, e tão zangado... De uma forma destrutiva. Jogava coisas. Cami nhava pela mureta do balcão, ameaçando se lançar de lá. Conhece bem aquele quarto, sr. Masen?

— Sim, sim, conheço. — A voz de Aro se tornara ansiosa.

Bella virou-se, numa magnífica representação de deses pero.

— O balcão se abre para os penhascos.

— Se Edward saltar, cairá para a morte e o oceano o levará para longe! — exclamou Aro.

— O criado não conseguiu convencê-lo a descer. E Edward não me escutou. Na verdade, quando falou comigo, parecia mais ainda com intuitos suicidas. Por favor, Sr. Masen, é o tio dele. Edward o escutará. O senhor pode convencê-lo a viver pelo bem dos nossos futuros filhos.

— Minha cara princesa, irei procurar meu sobrinho ime diatamente. — Os olhos de Aro faiscavam.

— Tenho certeza de que posso dissuadi-lo dessa atitude tresloucada. Deixe-o comigo.

— Oh, obrigada, Sr. Masen! Eu sabia que o senhor faria tudo que pudesse pelo meu querido e doce Edward. — Com uma profunda sensação de contentamento, Bella ficou observando Aro afastar-se apressado. Biggers, escondido da vista, saiu do canto e aproximou-se. De boca aberta, olhou para Bella.

— Esteve magnífica, Vossa Alteza!

— Não é mesmo?

— Pensei que fosse embora.

— Oh, não. Eu não vou embora. — Bella o encarou com um olhar eloquente.

— Não agora, nem ao final de um ano, nem nunca. Melhor reunir a platéia, Biggers. O ato final da peça está prestes a começar.

— Venham, venham — Biggers chamou, acenando para os hóspedes e indicando as cadeiras colocadas no jardim. — Vamos tomar nossos lugares e nos escondermos para fazer uma surpresa a Sua Senhoria do modo mais adequado.

As cadeiras estavam dispostas atrás dos arbustos e das árvores, e a maioria dos convidados se acomodou sem re clamar.

Lorde James Smith, contudo, pareceu aborrecido.

— Céus, Biggers, creio que seria muito mais de bom-tom esperar no salão para dar os parabéns ao lorde Northcliff.

— Mas seria o que ele haveria de esperar... — Bella bateu os cílios e tentou parecer a mais frívola das criaturas da Terra. — Assim, esta reunião aqui faz mais sentido.

— Para quem?

— Ora, torna a festa uma verdadeira surpresa — ela mur murou. — E eu a-do-ro uma verdadeira surpresa, o senhor não?

— Oh, acho que sim.

Com o que acontecera com Bella naquela tarde, lorde James Smith não sentiu mais a necessidade de se mostrar educado. Com toda a prepotência, berrou:

— Ei, você aí! Ei, lacaio! Venha acender o meu charuto! Kenley esgueirou-se para o lado de Bella e sentou-se.

— Este cenário é bastante excêntrico, Vossa Alteza.

— Confie em mim, Kenley. Você apreciará cada momento do espetáculo. — Bella permitiu que um toque de malícia colorisse seu sorriso.

— Realmente? — Kenley ergueu os olhos para o balcão banhado pelo luar. — O que Vossa Alteza aprontou?

— Espere e verá. — Bella levantou-se e levou o dedo aos lábios.

— Só que, por favor, vamos fazer silêncio.

As primeiras vozes alteradas de dentro do quarto pega ram todo mundo de surpresa.

Bella sentou-se depressa.

— Droga, Aro, como ousa interferir? — Era a voz de Edward, numa pronúncia arrastada, furiosa e arrogante. — Sou o marquês de Northcliff, o cabeça da família. Eu me casarei com quem me agradar.

A de Masen soou mais calma:

— Eu simplesmente gostaria de ponderar que essa mu lher com quem você se envolveu foi me procurar no meu quarto esta noite.

Kenley voltou os olhos para Bella, horrorizado. E todos fizeram a mesma coisa.

— Você não fez isso... — Kenley murmurou.

— Por favor. — Bella fez um muxoxo de incredulidade, a correr os olhos pelo grupo elegante. — Nenhuma mulher jamais desceria tão baixo.

A sociedade concordou com a cabeça. Todos deviam real mente desprezar Aro profundamente para chegar a uma concordância tão unânime.

— Esta noite? — Edward pareceu mais sóbrio.

— Sim, esta noite! — exclamou Masen. Bella ficou tensa.

— Esta noite? — Edward repetiu com uma risada. — Eu deveria saber que o senhor diria isso.

— Pergunte aos criados — Aro protestou. — Depois da falta de respeito desta tarde, essa mulher não deveria representar nada para você.

— Mas eu a amo! — A voz de Edward assumiu uma entonação de lamento. — Alguma vez amou uma mulher, tio? Eu a perdoaria por qualquer coisa só pelo prazer da compa nhia dela. O senhor não a deixou realmente entrar no seu quarto, deixou? — Edward surgiu à vista no balcão: cambaleante, descabelado, com ar tresloucado. Usava uma capa preta, que jogou de lado com floreios exagerados. Um lenço vermelho pendia de seu pescoço. E ele portava uma pistola. Lá embaixo, no jardim, todo mundo arquejou de espanto, e uns poucos convidados se esconderam atrás das árvores.

— Se deixou — Edward fez mira para dentro —, terei de atirar no senhor agora mesmo.

— Vá em frente. — Aro continuava escondido nas sombras do quarto, mas Bella sabia por que ele parecia tão displicente com a perspectiva de ser morto.

Todas as armas de fogo na abadia de Summerwind esta vam com o cano entupido; e embora Edward os tivesse lim pado, Aro não sabia disso e esperava que o sobrinho disparasse e, assim, acabasse com a própria vida.

Edward, porém, estendeu o cabo da pistola para o tio.

— Não, eu não posso matá-lo. O senhor atira em mim.

Aro suspirou com um desgosto tão patente que Bella julgou que ele perdera o pouco respeito que tinha pelo so brinho embriagado.

— Não vou atirar em você. Não com esta pistola. Preste atenção ao que estou dizendo. Sua noiva foi ao meu quarto, mas eu a rejeitei. Isso demonstra como você é desajustado e não serve para cuidar de si mesmo.

— Não sou desajustado. Posso fazer o que eu quiser.

— Me disseram que você estava tentando andar pelo parapeito. Na sua condição, isso é algo ridículo e impossível. — O desprezo de Aro pareceu açoitar Edward.

— Ridículo e impossível, hein? Bem, andei pelo parapeito esta tarde, antes de beber aquela terceira garrafa de co nhaque.

— Só três garrafas? Você não consegue se abster da bebida, hein? Tome, beba isto e me mostre o que pode fazer. — Aro surgiu no balcão. Colocou uma garrafa de co nhaque na mão de Edward.

Bella observou, com satisfação, como os hóspedes se re mexiam silenciosamente para acompanhar melhor o drama. Nenhum deles conseguia desviar os olhos fascinados da cena lá no alto, e nenhum emitia o menor som. Com uma expressão decidida e atoleimada no rosto, Edward saltou para o parapeito. Jogou a cabeça para trás, tomou um longo gole da garrafa e depois caminhou com passos ligeiros de uma ponta à outra do peitoril.

Duas das mulheres arquejaram. Os acompanhantes pe diram silêncio. A plateia estava fascinada.

Com uma mesura formal e elegante, Edward declarou:

— Tenho um equilíbrio maravilhoso. Não importa se me afoguei nos copos, eu jamais caio.

— É só preciso uma vez. — Aro soltou uma risadinha peculiar.

Edward agitou uma perna no ar e olhou para o tio.

— Não sei o que quer dizer, mas, veja, tio, sou perfeita mente capaz de andar, e aqui em cima, com a brisa soprando do mar, tomei uma decisão. Vou me casar com a princesa Bella e ter uma dúzia de filhos como herdeiros. E, tio, sinto muito lhe dizer isso, mas o Sr. Jacob Black e Sam Uley, conde de Stoke, me mostraram o documento perdi do com a última vontade de meu pai, que exige que no meu aniversário de trinta anos eu assuma a administração da minha própria fortuna.

Bella escorregou para a beirada da cadeira. Não sabia nada sobre isso.

— E, portanto, não preciso mais dos seus serviços...

— Rapaz — Aro o interrompeu, enquanto pegava uma cadeira —, você não vai me dispensar.

— O senhor escondeu o documento de mim para que eu jamais soubesse disso? — O tom de Edward mudara agora mais sóbrio e mais ríspido.

— Claro que escondi.

— O que o faz pensar que poderia mudar a vontade de meu pai e se safar?

— Isto. — Aro ergueu a cadeira e arremessou-a con tra os joelhos de Edward.

Edward saltou no ar como se tivesse pulado o que Bella sabia que ele fizera realmente. Com um berro alto, longo, dramático, e um esvoaçar espetaculoso da capa negra, ele desapareceu para além da borda do precipício.

Bella viu Aro debruçar-se no parapeito com um bri lho maldoso no semblante.

Um momento de atônito silêncio pairou sobre a plateia imóvel. Então, em uníssono, todos gritaram. Urraram. E se levantaram ao mesmo tempo.

Aro os avistou. E recuou de espanto. Suas feições frouxas se convulsionaram quando ele ouviu o próprio berro de horror. Correu para dentro do quarto, mas, cercado por Biggers e um enorme lacaio, voltou para o balcão.

Bella riu diante de seu ar aterrorizado.

—Vossa Alteza enlouqueceu? Isto é hora de rir? — Kenley tremia inteiro. Não conseguia ocultar a revolta. — Seu noivo se foi!

— Não é o que está pensando — ela assegurou. Então, um grito agudo de mulher, vindo da beira do pe nhasco, chamou a atenção da plateia estarrecida.

— Oh, meu Deus! — a Srta. Kent berrou. — Posso ver o corpo dele!

— Corpo de quem? — Bella perguntou.

— Você não sabe o que está fazendo, sabe? — Kenley falava num tom suplicante.

— Não se deu conta do que acon teceu?

— Não há corpo algum. — Edward dissera que saltaria para uma saliência da rocha e subiria até uma caverna para se esconder. — Você verá.

Mas os gritos e lamúrias aumentavam de intensidade.

Lorde Dimitri olhou pela borda do penhasco, levou a mão à boca e saiu correndo.

Lady Jessica esticou o pescoço pela beirada, virou-se e explodiu no que pareciam lágrimas verdadeiras.

Bella recusou-se a ficar alarmada.

— Pode haver alguma coisa lá embaixo, mas certamente não é um corpo — ela afirmou novamente para Kenley.

Engraçado, contudo, o modo como as pessoas enxergavam o que esperavam ver. Bella seguiu até a beira do precipício. Olhou para baixo.

Sobre uma pedra, uns dez metros abaixo, ela avistou uma forma escura. Parecia mesmo um corpo, mas... era impos sível. Exceto... exceto que o tecido preto, como o pano da capa de Edward, esvoaçava ao vento. E uma mecha de ca belos negros saía do capuz...

— Edward? — Bella gritou. Era uma piada. Ele deveria ter contado a ela.

— Edward, isso não tem graça!

Ninguém respondeu lá debaixo.

Bella conteve a respiração, o peito constrito. Esquadri nhou os penhascos, procurando por ele. Bem mais alto, mui to mais alto, gritou:

— Edward, você jurou que não era perigoso!

Vagamente, ela ouviu Kenley dizer:

— Ela enlouqueceu de pesar.

Alguém a abraçou pelos ombros e tentou conduzi-la para longe.

Bella livrou-se com um repelão e inclinou-se de novo na beira do penhasco.

— Edward, me responda, agora!

Ele não apareceu. Bella caiu de joelhos na grama. Vira um vislumbre de vermelho debaixo da capa negra. Um vermelho tão vivo co mo o do lenço que Edward usava.

Aquele corpo lá embaixo era de Edward!

Ela se levantou lentamente nos joelhos. Não podia acre ditar. Não era possível. Edward tinha prometido que não era perigoso. Dissera que estava familiarizado com cada cen tímetro do penhasco. Dissera que havia feito aquele truque antes e que era tão simples e fácil que até um bobo poderia fazê-lo.

Mas quem era o bobo agora? O homem que pulara pela beirada? Ou a mulher que ele deixara sozinha para chorar seu luto?

Por que Bella não percebera que deveria procurá-lo, re solver a briga e aproveitar a oportunidade para fazerem amor?

Agora, ela nunca mais o veria. Nunca mais o veria nesta vida. Nunca mais o veria ao sol, à luz das velas, nem o tocaria com amor, respiraria o cheiro dele, estaria com ele...

— Que Deus possa mandar sua alma danada para o in ferno, Aro Masen! — Bella ergueu o punho para o balcão.

As mulheres ao redor arquejaram diante da violência da linguagem. E todos recuaram de lado quando ela avançou para a casa. Para Aro Masen. Para a vingança.

Bella não viu lorde James Smith pegar sua luneta e foca lizar a forma lá embaixo. Nem o ouviu anunciar:

— Aquele não é Northcliff. Aquele corpo lá embaixo é de uma mulher... e está lá faz um longo, longo tempo.