Epílogo

"Quando abri o primeiro documento dessa história, eu era uma menina. Dezesseis anos, doze semanas de gravidez, um rompimento recente e uma ruptura no meu relacionamento com minha mãe. Prestes a ser mãe novamente, pela terceira vez, me vejo encerrando um ciclo. Quando a editora me sugeriu fechar o quarto livro da série, eu decidi, finalmente responder a primeira pergunta que originou isso tudo: para quem estou vivendo?".

Levantei com um pouco de dificuldade com a minha barriga de sete meses a frente. Andy apontou para meu quarto e olhei onde meu pequeno homem número dois estava deitado com meu irmãozinho de quatro anos de idade. Seth era um ano mais velho que Thomas. Meu menino de três anos de idade é muito esperto, carinhoso e tagarela. Ele é muito parecido com Edward, comigo, com Andrew, tem o sorriso da minha mãe e anda como Carlisle. É uma misturinha deliciosa, que chegou para tornar nossas vidas perfeitas.

- Irmã? - Leah me chamou. - Preciso fazer xixi. - disse pulando num pé só. Sorrindo, abri seu short de sarja rosa e ajudei a ir ao banheiro. Ela me deu um beijo molhado e um sorriso maroto antes de sair correndo de volta.

Com os dois terríveis meninos dormindo, desci e encontrei Harry, Landon e Lily brincando com os menores. Ela era pouco mais nova que Andrew e tinha paciência com os mais novos. Ela também olhava sua prima mais nova, Maya, filha de Alice e Jasper que nasceu há dois meses. Rosalie estava feliz com o número dois, considerando que a junção de Thomas, Harry, Seth e Landon era demais para aguentar. Mas o meu filho e o meu irmão são duas pestes que eu tenho vontade de amarrar na cadeira.

Fui para cozinha e minha mãe estava com sua inseparável agenda e computador, na bancada. Há um ano ela casou-se novamente, parece jovem, feliz, adotou o filho de dez anos do seu novo marido, que é muito gente boa e se encaixou na loucura da nossa família. Minha mãe e eu passamos os últimos anos reparando nosso relacionamento. Ela é uma avó incrível para meus filhos, uma sogra muito cúmplice - até demais - do meu marido e se dá muito bem com Rosalie (deixaram a animosidade de lado em prol da boa convivência de todos) e com Sue. Alice e ela se estranhavam o tempo todo, mas eu sentia que elas gostavam de brigar uma com a outra.

Minha vida teve grandes mudanças nos últimos anos. Nos mudamos para Forks, todos nós. Vendemos a casa de Seattle e dividimos um apartamento espaçoso na cidade, porque tanto Edward quanto Emmett ainda trabalham em Seattle. Jasper mantém seu escritório pomposo lá, mas abriu um comunitário em Forks onde lida com casos que algumas pessoas não podem pagar e todos nós percebemos que ele está visivelmente mais feliz com sua profissão. Eu fui assaltada. Levaram meu carro e quase levaram meus filhos junto. Edward havia acabado de renovar seu contrato para alguns plantões, mas também tirou alguns para o Hospital de Forks. Agora ele também tem seu consultório funcionando alguns dias por semana. Ele faz o que ama e se dedica onde estiver, voltar para casa foi uma boa decisão.

- Sua agenda está uma confusão, consegui renegociar o lançamento do filme para depois do parto, mas alguns dos patrocinadores são um pé no saco. - disse ajeitando o óculos. - As crianças te atrapalharam?

- Não. Estou cansada. Protelando. - murmurei batendo com os meus dedos na bancada. - É difícil dar um fim a uma história que não acabou. - disse e abri a geladeira. - Acho que vou descansar um pouco.

- Não tem problema, querida. Estou esperando Marcus vir com Caius, depois iremos sair para jantar. Pensei em levar os meninos, tudo bem para você?

- Claro. Coloque Thomas num parquinho e gaste a energia que ele está carregando agora. - murmurei e voltei para escada. O bebê mexeu e sorri. Obviamente, essa gravidez não foi planejada. Edward e eu estamos considerando quantos filhos iremos ter e tenho medo do arrependimento de fazer uma laqueadura. Ainda não temos aquela sensação de que está bom. Enquanto Thomas me deixa exausta e Andrew se torna um rapazinho na velocidade da luz, teremos uma menininha agora.

Deitei na minha cama vazia com saudades de Edward. Ele ainda é um jovem médico que precisa assegurar seu lugar, em sua cabeça, pelo menos. Ele está constantemente para todo lado. Eu não costumo reclamar, porque antes da gravidez, eu também estava. Depois da série estrear, escrevi um romance eletrizante, nada a ver com a minha vida. Vendeu muito. E agora, foi adaptado ao cinema. Fui a produtora. E minha vida ficou numa correria sem fim, com marido, filhos, atores e um monte de gente atrás de mim todo maldito tempo. Não sei como não enlouqueci. Só engravidei. Bem, menos mal.

Acordei com beijos suaves no meu rosto. Abri os olhos lentamente e Edward estava debruçado sobre mim, com um sorriso doce e seus olhos lindos, brilhando.

- Oi.

- Você estava dormindo muito. Cansei de ficar sozinho. - fez um beicinho.

- Por que não me acordou?

- Ainda encontrei todas as crianças aqui quando cheguei. Thomas estava escalando na cortina e sua mãe tentando puxar de volta. - disse e gemi. Esse garoto propenso a esporte radical vai acabar com meu coração.

- Se ele vier com qualquer autorização para fazer algum esporte radical, eu vou amarrar o seu filho na cadeira e dane-se o conselho tutelar. - disse ainda sonolenta. Edward riu. - Minha mãe os levou?

- Sim. Quer sair para jantar ou assistir um filme aqui mesmo com pizza?

- Quero sair para comer pizza. Sua filha está implorando.

Edward me deu um sorriso de tirar o fôlego.

- Papai vai satisfazer todos seus desejos, filha. Você vai ser mimada. Adorada. Vou chutar a bunda de todos os caras que te fizerem chorar. - disse e ela se mexeu forte. Grunhi. - Lizzy, não machuque a mamãe.

- Ouça seu pai, garota.

Me arrumei para sair com Edward, estávamos no auge do verão em Forks, amanhã teria um dia de casa cheia. As irmãs de Edward com suas famílias, meus pais com suas famílias, meus sogros e nós. Já um grande time para um almoço de domingo a beira do Lago para assistir os fogos de artifícios de quatro de julho. O prefeito finalmente se deu conta que nosso condado merece um pouco de festa. Há uma abundância de comida para cozinhar. As crianças irão usar a piscina desnecessária que Edward mandou construir - quem tem piscina em Forks, sério? Ela dá um trabalho do inferno no inverno. O meu marido faz tudo que as crianças pedem, nem discuto mais.

Edward estacionou o mais próximo da porta e senti falta do ar condicionado logo que me ajudou a sair do carro. A Pizzaria estava quente, escolhemos uma mesa do lado de fora. Dei um beijo nos pais de Lauren e James que jantavam com Connor, ele deu um high five com Edward e vários beijos na minha barriga. Jessica Stanley estava no caixa quando Edward fez nossos pedidos e pagou. Eu não lhe trato mal, mas, por ordem da justiça, todos eles ainda precisam ficar longe de mim. Ela teve um filho com Mike um ano e meio depois que Andrew nasceu. Mike a deixou para estudar direito em Harvard e hoje ele é um advogado figurão em Los Angeles. Seus pais arrotam orgulho em cima do filho que deixou a namorada, o filho pequeno e eles brigam por pensão. Jessica não foi a Universidade, trabalha no mercado de dia e na pizzaria a noite.

Eu não sei porque ela sente vergonha do quanto batalha pelo sustento do seu filho. Tenho orgulho que aquela garota mesquinha se tornou batalhadora. A vida ensina.

Mesmo com tudo que ela me fez, é bom que Mike Newton nunca cruze meu caminho. Vou chutar sua bunda. Angela casou com o novo pastor da igreja, ele também foi para escola conosco, Eric York e era um dos meninos mais calmos e fora de confusão. Ela continua com sorrisos doces e personalidade manipulada. Faz parte do grupo de esposas e mães perfeitas da comunidade. Tenho certeza que sou pauta de muitos assuntos, afinal, meu Thomas deixa a maior parte das crianças chorando quando vai a igreja com Esme.

- Onde está seu pensamento?

- Em tudo, no momento. Pensando no trabalho, no livro, no passado.

- O passado?

- Você sabe onde Tyler foi parar?

- Não… Por que?

- Saber de todas as coisas do começo da história vai me dar uma noção do encerramento. - disse e bebi meu suco. - Muita coisa mudou. Preciso refletir mais sobre o impacto que o último livro pode dar em nossas vidas.

- Tem certeza que é o último? - perguntou segurando minha mão. - Temos muita história pela frente.

- Três filhos, um casamento maravilhoso, uma carreira abençoada e uma família incrível. Eu já descobri quem eu sou. - pisquei e ele me deu seu sorriso que ainda me deixava desejosa e cheia de intenções. - Está tentando me seduzir, Sr. Cullen?

- Minha missão de vida, Sra. Cullen.

- Você pode me seduzir mais tarde se comprar a nossa torta favorita para sobremesa. - apontei para vitrine. Quando brigamos, ele vem aqui, leva dois pedaços para casa com um pote de sorvete romeu e julieta. É assim que vai ganhando meu perdão.

Edward e eu devoramos uma pizza gigante e dois pedaços de torta. Nesta gestação, estou comendo muito menos besteira do que na do Thomas. Apesar de ter emagrecido tudo, a terceira vez me faz parecer grávida de gêmeos. Minha bunda está enorme. Depois de conversarmos com alguns vizinhos sobre um outro vizinho solteiro que passa com seu carro conversível a toda velocidade na rua, seguimos para casa. Minha mãe tinha acabado de estacionar na minha garagem e meu padrasto estava tirando Thomas adormecido no colo e Andy veio correndo, abraçando o pai.

- Eles comeram e brincaram no parque. Tom veio dormindo no carro. Caius também apagou. Andrew estava quase lá. - minha mãe sorriu e me deu um abraço. - Descanse.

Acenei para Marcus e vi o quanto minha mãe parece feliz e apaixonada, visivelmente equilibrada também. Marcus é totalmente diferente do Phil. Ele é gentil, engraçado e muito piadista. Viúvo, criou seu filho sozinho, enquanto se dividia na carreira de medicina. Ele é chefe de trauma enquanto meu sogro assumiu a direção do hospital há dois anos. Minha mãe voltou a morar nessa cidade, fria, úmida, insuportável de quente no verão e congelante no inverno por amor a mim, seu novo marido e a Caius, que ela assumiu a maternidade dele com devoção. Eu me perguntei brevemente o que meu pai sentiria se não tivesse Sue e meus pequenos irmãos. Será que haveria algum ressentimento?

Deitei para dormir pensando no quanto seguir em frente é importante. Levantei no meio da madrugada para escrever isso. Cedo, Thomas veio para meu colo no escritório e dormiu entre a mesa e minha barriga. Depois de uma hora, abriu seus olhos lindos como do pai e me deu um sorriso sapeca, sonolento, cheio de amor. Andrew veio atrás do irmão. Eles não dividem o quarto, para paz dessa casa. Mas Tom vai para cama do seu irmão mais velho toda noite. Não importa o quanto diga que ele pode vir para nossa.

Edward acordou e sorriu ao nos ver embolados no sofá do escritório. Descemos juntos e o observei todo paciente ensinando os meninos como fazer panquecas. Eles fizeram uma bagunça, felizmente limparam tudo. Comemos na cozinha e eu subi para trocar de roupa. Nossos amigos também se juntariam a nós no almoço. Victoria e James foram os primeiros a chegar. Minha melhor amiga é uma brilhante advogada esportiva, agora muito grávida e James um jogador famoso, vencedor do Super Bowl. Ela está com cinco meses. Apesar de viverem no Texas, eles estão sempre em Forks. Logo em seguida, Lauren chegou com Connor e Benjamin. Ela também está grávida. E não foi combinado. Agora eles vivem em Forks novamente. Lauren abriu uma livraria, Benjamin trabalha no hospital, gerente financeiro e agora decidiram ter outro bebê.

Jane e Félix vieram para cidade. Vivem em D.C. Ela é assessora parlamentar e ele um fisioterapeuta famoso. Fez a fama no instagram, vai entender. Jane está esperando uma menina como eu, enquanto as duas cunhadas terão meninos. Será um time interessante dessas crianças no futuro. Minha casa estava tão cheia que era impossível falar sem gritar. As crianças estavam brincando nos plásticos derrapantes e caindo na piscina. Emmett estava agindo de guarda vidas, porque elas eram muitas. Os homens estavam do lado de fora, com a churrasqueira, cerveja e montando a grande mesa. E também olhando as crianças. Todas as mulheres estavam na cozinha. Era uma confusão, gritaria, cheiros de comida e eu não mudaria nada.

- Você não pode ser rude com as meninas, Caius. Lily é sua amiga. Peça desculpas. - Renée chamou atenção do meu novo irmão.

- Mas mãe, ela é grudenta.

- Tenha paciência e seja um bom menino. - disse e eu o vi sair com os ombros caídos. Encostei na parede. - Eu não lembro como você era nessa idade. Às vezes, me pergunto, se eu deveria ter trabalhado tanto e perdido essa fase. Minha mãe saberia o que fazer. Todas essas birras são novas pra mim.

- Você fez o que tinha que fazer para colocar comida na minha boca, mãe. São sacrifícios. Além do mais, eu posso te dizer que cada filho age de uma forma diferente. Andy era um doce, brincava de forma criativa, definitivamente não me deixava histérica a maior parte do tempo como Tom. Eles são diferentes e me completam de forma diferente. Você e Caius tem uma ligação, ele te ama como a mãe que sempre quis e você tem a oportunidade de aproveitar melhor essa fase. - passei o braço no seu ombro.

- Minha filha me dando conselhos. - ela riu.

- Você já se perguntou como seria a sua vida se não tivesse deixado meu pai?

- Não me entenda mal, Bella. Seu pai é um homem maravilhoso e acredite em mim, eu só realmente passei a amá-lo como pai da minha filha nos últimos anos, depois que nos reencontramos. Nunca houve paixão. Ele era um namoradinho que, ops, engravidamos. Não era o amor da minha vida. Nunca ficaria.

- Nunca pensei por esse lado. - disse e abri um sorriso. - Agora sei quem puxei essa mania de analisar tudo e ficar questionando.

- Deus me livre, não foi de mim, você é muito chata. - retrucou e nós rimos. - Tenho muito orgulho de você, Isabella Cullen. Minha menininha gordinha e bochechuda se tornou uma linda e exemplar mulher. Eu te amo.

- Ah, mãe. - eu chorei e ela me abraçou.

Minha mãe e eu construímos um relacionamento ainda mais forte depois que o perdão finalmente colocou para descansar nossas mágoas e rancores. Pensei em Olívia e Riley. Ele ainda é um homem solteiro, sem filhos. Simplesmente sei disso porque ele me procurou seis meses atrás, o arrependimento que eu sabia que iria bater, chegou. Andrew sabe que não é filho biológico do Edward. Nós contamos a ele antes que algum coleguinha da escola pudesse fazer. Li trechos do meu livro para que ele entendesse a dimensão do amor de Edward por ele e suas dúvidas nos levaram a: se o papai esteve presente na sua gestação, como fui feito? Eu não queria responder essa pergunta, contei a história sobre Riley, nosso namoro, de forma editada e concisa. Felizmente, ele aceitou e agradeceu a seu pai por nos amar. Eu chorei a noite inteira depois disso.

Quanto a Riley, eu não poderia impedir que Andrew decidisse conhecê-lo quando se tornar um adulto, o que acho bem difícil de acontecer. Mas posso e tenho direito de impedir agora. Enviei uma notificação judicial para que ele se afastasse. Ele nunca mais me procurou e estou sem arrependimentos quanto a essa decisão. Não é por mim ou por Edward. É por preservar o coração de Andrew quando Riley decidir ser pai e depois cansar da brincadeira. Voltei a realidade com Thomas chorando. Seus gritos me deixaram gelada. Saí da cozinha com pressa e Edward me segurou a tempo de tropeçar.

- Ralou o joelho, calma. Boa parte do escândalo é porque a Vovó está dando corda. - explicou e olhei para meu filho gritando próximo a bisavó que mais estraga crianças no mundo. A Vovó Cullen é surreal em dar doces e fazê-los ter os piores acessos de manhas.

- Tom? - chamei suavemente. - Deixa a mamãe ver. - ele esticou a perninha pra mim. Era um raldo superficial. Em dez minutos ele estará correndo novamente. - Papai vai cuidar disso. - beijei sua bochecha. - Chega de choro, menino forte. Está tudo bem agora.

- Vem de carona nas costas até o papai, Tom. - Andy ofereceu e meu menininho foi, animado por montar no irmão.

Benjamin me ajudou a levantar do chão e por um momento, olhei ao redor. Meu pai tinha um braço ao redor dos ombros delicados de Sue, minha madrasta o olhava com adoração enquanto falava algo para meus dois irmãos pequenos que bebiam as palavras do papai com interesse. Não muito distante, minha mãe ajeitava a gola da camisa do seu marido e eles riram de algo que meu outro irmão disse. De filha única de pais que não se importavam, um pai solteirão e uma mãe infeliz à irmã de três e uma grande família, algo que nunca tive. Vi Alice balançar Maya em seus braços enquanto Landon corria com Harry. Rosalie estava sentada no colo de Emmett e fazendo uma trança no longo cabelo loiro da minha afilhada, Lily.

Cruzei meus braços observando meu sogro cuidar dos seus pais junto com minha sogra e seu inseparável sorriso seguro. Também vi minha melhor amiga ganhar um abraço do seu marido, mas os dois sempre agiam como eternos namorados, com a mesma paixão adolescente. Me orgulhei de ver Benjamin ensinar Connor um arremesso. Ele e Lauren formaram uma família tão cedo na vida quanto Edward e eu e nós passamos por muito altos e baixos. Jane e Félix conversavam sozinhos, ele era sempre de poucas palavras, mas, com ela, ele tinha todas as palavras do mundo. Todas as pessoas importantes da minha vida estavam felizes, como nos finais da novela, crianças correndo, mais filhos a caminho, muitos problemas para resolver, uma rotina a superar, educar filhos, ser bons cidadãos, saber viver em uma comunidade tão pequena e superar as desavenças do dia-a-dia.

No começo da noite, quando o primeiro fogos rasgou o céu, eu entendi o que precisava dizer e espero que todas as minhas leitoras compreendam. A vida é sobre mudanças, sobre superação, perdão e amor. É sobre saber lidar com sentimentos mistos, agir com sinceridade e justiça. Sobre se dedicar ao que importa e arriscar quando sentir medo. Minha jornada de vida realmente começou quando fui tirada da minha zona de conforto, onde descobri a minha força interna, meu amor e minha coragem ao enfrentar desafios. Eu era apenas uma garota fútil da escola, alguém que poderia ter um futuro muito diferente do que tenho hoje e eu passaria pelo pior para estar onde estou.

O dia quatro de julho encerrou com perfeição, comi tanto que precisei deitar para dormir. As semanas seguintes foram preenchidas com meu trabalho usual na escrita, a ajuda da minha mãe e da minha sogra para manter a casa e os meninos em ordem. Há certas coisas que é impossível fazer com uma grande barriga a minha frente. A entrada do meu oitavo mês me deixou cansada a maior parte do tempo e um dia, no meio do mês de agosto, eu estava observando Andrew fazer sua lição de casa e Thomas brincar silenciosamente por alguns minutos. Ele adora Andy e respeita o horário da escola. Ele começou esse ano na creche escola e não foi nenhuma surpresa pra mim que ele foi andando sem olhar pra trás quando sua nova professora segurou sua mão. Ele me deu um sorrisão, um beijo e um aceno. Chorei nos braços de Edward. Meu bebê sequer sentiu minha falta e quando fomos buscá-lo, tagarelou horas sobre o seu dia. Foi inevitável não fazer um beicinho.

- Mãe? - Andrew virou e sentou no chão na minha frente. Como pude fazer uma criança tão linda? Com oito anos de idade, ele é um menino alto, robusto, lembra Riley em algumas expressões, mas osmose é algo que realmente existe, porque ele também tem muito de Edward.

- O que você precisa, meu pequeno homem?

- A professora pediu para levarmos alguém da nossa família para o dia da profissão. - disse calmamente. - Eu conversei com papai. Dois amigos vão levar seus pais médicos, inclusive um deles também pediatra em Port Angeles. Mas eu queria levar você e não queria que o papai ficasse chateado. Ele disse que estava tudo bem, porque você é incrível.

Eu amo Edward. Ele tem sorte de não estar em casa agora mesmo ou iria sufocar com beijos.

- Você iria, mamãe?

- É claro que sim. Será uma honra. - sorri e beijei sua bochecha.

- Obrigada. As anotações estão na agenda. - sorriu e fechou seu livro.

- Acabou, irmão? - Thomas perguntou com um brilho no olhar. Andrew assentiu. - Ótimo. - ele se jogou em cima do irmão, derrubando no chão. - Brinca comigo?

- Não façam muita bagunça fora do quarto dos brinquedos. - gritei quando os dois saíram correndo. - Sobrou eu e você, doce Elizabeth.

O bebê número 3 foi tão planejado quanto os outros dois. Edward e eu estávamos na correria. Indo e vindo de Seattle em dias diferentes, correndo de um lado ao outro, tentando equilibrar as necessidades das crianças no meio disso e quando de repente, fiquei doente. Eu sabia que estava grávida no primeiro segundo que comecei a passar mal, mas não quis deixar Edward preocupado porque ele estava viajando em uma conferência médica com Carlisle. Chamei minha mãe e fui ao médico, confirmando minha suspeita. Ao contrário de Thomas, fiquei feliz no mesmo instante. Aprendi a minha lição: aceitar a bênção conforme ela vier. E Thomas foi um susto, o melhor da minha vida, assim como Andrew e agora, nossa princesinha.

Tive tempo o suficiente para preparar uma festa surpresa para Edward. Contei os meninos, pulando as perguntas de Thomas de como o bebê foi parar lá dentro e Andrew, sem paciência, disse "pessoas adultas que namoram ou são casadas tem filhos, seu besta. Mamãe não te achou no lixo! Ela ficou enorme. Mãe, você vai ficar enorme e chorando de novo?" e enquanto tentava organizar meus dois questionadores, um chorão e outro impaciente, meu pai e minha mãe se dobravam de rir com seus parceiros enquanto me ajudavam a pendurar balões e fazer um jantar digno para Edward.

Meu marido chegou de viagem, me encontrou linda, arrumada, a casa decorada. De primeira, ele não entendeu a faixa, depois que leu a camisa dos meninos, seus olhos pularam para minha barriga. Andrew usava o número 1, Thomas 2 e eu coloquei o número 3 em mim. Edward começou a chorar e Thomas soltou "o papai também vai chorar muito?". Era impossível ser infeliz com essas crianças. Foi uma noite mágica. Nós comemoramos com os meninos e depois comemoramos como um casal. O quarto dela está pronto, enxoval completo.

- Bella? - Rosalie bateu suavemente na porta dos fundos.

- Entra! O que houve?

- Hoje tive uma sensação meio dejavu. - disse sentando-se ao meu lado. - Uma jovem adolescente, recém mudada a Forks para viver com a avó, porque está grávida e seu namorado saiu de cena. - disse e suspirei.

- Dificuldades na escola?

- Também.

- Entendo. Qual o endereço dela?

- Amor! Cheguei! - Edward gritou da cozinha.

- E nós vamos sair. - gritei de volta.

- Posso fazer xixi, pelo menos?

Dei uma risadinha e ele foi para o banheiro. Rosalie ficou com os meninos enquanto Edward dirigia para uma parte da cidade que pouco conhecia. Ele estacionou em frente a uma casa simples, pintada de branco, com portas vermelhas e janelas azuis. Uma senhora abriu a porta antes que pudesse chegar aos primeiros degraus. Ela me deu um sorriso

- Eu tinha esperança que você viesse. - disse e a abracei. - Conheço sua história. Você é tão parecida com sua avó.

- Obrigada. Ela era maravilhosa. - sorri e vi uma menina, grávida de cinco meses, parada próximo a escada. Ela estava muito magra, com grandes olhos assustados. Me senti dando um mergulho direto no passado. Foi como me ver parada, na sala da casa do meu pai, ansiosa, confusa, muito perdida. Estiquei minha mão e mesmo muito desconfiada ela aceitou. - Oi Claire. Eu sou Isabella Cullen.

- Já ouvi falar sobre você… O que está fazendo aqui?

- Eu vim aqui te dizer que você não está mais sozinha, mesmo que sinta, aqui, vou te ajudar a passar por essa fase e descobrir o quanto ela pode ser maravilhosa.

Sentamos no sofá e senti pena de Edward no carro por horas, porque eu abri meu coração e ouvi seu relato, cheio de soluços e gritos. Eu simplesmente entendi, aceitei sua história e me comprometi a ajudá-la. Depois que saí da sua casa, entrei no carro e me permiti chorar. Seus pais a expulsaram depois que o namorado saiu de cena, eles queriam forçar o garoto a cuidar do bebê. Ela vagou nas ruas sozinha por semanas, de carona em carona, para chegar até Forks, até a sua avó paterna, que não sabia da situação. O que poderia ter acontecido com essa menina na rua? Sozinha? Só de pensar, não conseguia parar de chorar.

- Você é incrível. - Edward me abraçou apertado.

Ter Claire ao meu redor, trouxe outras meninas também grávidas. Semanalmente minha casa era invadida por meninas jovens, que queriam ouvir sobre a maternidade, que caminho a seguir, como conseguir ajuda. Era informal, apenas uma conversa de grupo, onde Rosalie explicava a parte física, Jasper a jurídica e Alice orientava da melhor forma profissional. Foi importante pra mim, para finalização do meu livro, sentir que não foi só o sucesso que ele me trouxe, mas a experiência e a ajuda necessária para outras meninas.

Semanas mais tarde, eu estava novamente com Edward ao meu lado, passando pela dor de trazer mais um bebê a vida. Quando Elizabeth nasceu, olhei para Edward, nós sorrimos e dissemos juntos.

- Eu te amo.

Depois do parto, acordei horas mais tarde. Edward estava com a nossa menina nos braços, Thomas sentado em uma perna e Andrew pendurado no seu ombro. Os três apenas olhavam pra ela.

- Eu nunca vou deixar um garoto perto dela. - Andrew disse dramaticamente e como Thomas concordava com tudo, balançou a cabeça. Edward riu.

- Não deixe a mamãe sabe desse pacto ou ela vai brigar com a gente, mas Elizabeth só pode namorar depois dos trinta.

- A mamãe não tem trinta anos. Você a namorou com dezoito anos.

- Fica quieto, Andy. - Edward brigou e me segurei para não rir.

- Ei meninos! - disse suavemente. Andrew me deu um beijo e ajudou Thomas a deitar em mim. Meu menino com cabelos bagunçados me deu um sorriso doce. - Você se comportou com a Vovó Esme?

- Claro que sim, mamãe.

Quando chegamos em casa, no dia seguinte, eu sentei no sofá com meus três filhos. Foi fácil ter meu último capítulo. Sou Isabella Cullen, um dia, fui Isabella Swan, líder de torcida, presidente do clube de literatura, filha de pais divorciados que se odiavam, eu tinha um padrasto escroto, uma mãe muito ocupada e um pai mulherengo. Engravidei do meu namorado, que era a paixão da minha vida. Minha mãe não aceitou, meu padrasto ajudou me colocando para fora, meu namorado não assumiu o filho. Eu tive minha vida, meus sonhos, meus planos e meus desejos jogados pela janela. Toda segurança de vida desapareceu.

Vim parar nessa cidade pequena, úmida, hipócrita, sofri com a gestação, sofri sozinha, me senti perdida, mas foi no meio de tanta dor que eu encontrei o amor de verdade, minha força de vontade, minha coragem de enfrentar o desconhecido pelo meu filho. Tive força de me erguer e seguir atrás dos meus sonhos, lutei pelo meu nome e também ser mãe. Encontrei o amor da minha vida. Construí minha família. E encontrei minha felicidade. Descobri, que por mais que eu ame meus filhos e meu marido, vivo por mim mesma, assim posso ser a melhor mãe, a melhor esposa, a melhor filha.

Toda mulher precisa entender, por si só, seu lugar no mundo. Sem pré-definições sem julgamento, sem medo, apenas a certeza do caminho que deve seguir, do quanto devemos amar quem somos e se entregar naquilo que acreditamos. Nada de barriga encolhida e bunda empinada, apenas queixos erguidos e determinação no olhar. Meu maior momento de dor moldou exatamente quem sou. Não se desespere diante das situações ruins, aprenda o que puder aprender, considere a experiência e viva!

FIM