Capitulo 29: Dois anjos gêmeos.

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Bill gemeu contente quando sentiu como uma mão calosa viajava por suas costas até se posar sobre seu arredondado traseiro. Se aconchegou melhor contra o corpo mais delgado e cheirou o aroma refrescante que tinha o cabelo negro de seu recuperado amante. Fora de suas classes, Severus Snape lavava afanosamente seu cabelo, para que essa gordura que lhe dava muitos sobrenomes por parte de seus alunos, saísse completamente. Em realidade, seu cabelo era macio e sedoso, mas muito poucos têm tido a oportunidade de ver em seu esplendor.

-Não podemos estar todo o dia na cama, sabes? - sibilou uma voz a seu ouvido. - Hoje não tenho classes pela manhã, ainda que não acho que tenha… tudo graças às ocorrências de ontem pela noite de Potter e seus irmãos.

O ruivo se tensou e levantou-se para olhar enfadado ao maior.

-Não fale dessa maneira do ocorrido! - gritou. - Pude ter perdido a meu irmã ontem à noite!

-Sim, bem… - suspirou dramaticamente. - Todos temos sorte de que Harry Potter tenha estado no lugar e momento correto ontem à noite.

Bill grunhiu e baixou sua cabeça para morder com enfado o mamilo direito de Severus, o maior gritou e agarrou a cabeça para afastar de seu corpo.

-Auch! Louco! Isso me doeu!

-Merece por ser idiota. - murmurou, dantes de voltar a deitar sobre o corpo pálido do outro.

-Após tanto tempo separados, é bem como tratas-me?

-Não foi porque eu assim o quis…

Um silêncio pesado baixou sobre eles. O que tinha começado como uma conversa quase humorística tinha terminado por trazer à realidade do precário de sua situação. Bill não lhe tivesse querido jogar nada em cara a seu amante, o amava demasiado como para lhe guardar rancor, mas era inevitável que o assunto saísse sem o chamar, como agora.

-Amo-te, Liam. - suspirou Severus, não aguentando mais o silêncio que se instalou em sua habitação.

-E eu a ti, Sev. - o menor sorriu e beijou o peito de seu amante, para demonstrar-lhe que ele sentia o mesmo. Uns momentos mais passaram, contentes de estar um nos braços do outro, após tanto tempo, até que Severus deteve seus caricias no ventre de seu amante.

-Tens uma cicatriz um pouco grande aqui. - Severus pestanejou e levantou uma sobrancelha ao sentir como seu amante se tensava e como o sinal de socorro, medo e desamparo saía a rodo de seu corpo. - Liam…?- chamou algo alarmado, tratando de ver aos olhos a seu casal, mas ele se negou. - Que está a passar? Não me assustes… - tentou voltear ao menor, mas Bill forcejou e Severus não pôde achar que teve que recorrer à força e algo de violência para conseguir que seu companheiro o olhasse. - William! - gritou alarmado, vendo como seu amor estava a entrar quase num estado de histeria.

-Oh, Severus! -soluçou antes de enterrar sua vermelha cabeça no colo de seu amante.

-Diga-me que passa! Por que te puseste assim só porque falei dessa cicatriz?

Lentamente, os olhos azuis levantaram-se para fazer contato com os negros. Severus aterrorizou-se ao ver o conflito de emoções que distinguiu ver neles.

-Sev…

-Que passa? - acariciou com ternura seu rosto. – Diga-me que te tem assim… faz favor. - rogou. Esta atitude poderia estar fora de carácter para Severus. Mas, tal e como só alguns conheciam a verdade sobre seu cabelo, muito poucos também sabiam que o pocionista poderia chegar a ser absolutamente doce e compreensivo se alguém a quem ele amava o precisava. E William Weasley era uma das pessoas mais amadas por ele, senão a maior.

Bill baixou a mirada e acariciou quase com devoção a cicatriz em seu ventre.

-Esta cicatriz é de uma cesárea, Severus. - murmurou tão baixo que Snape quase não o ouviu. Mas fez e seus olhos abriram-se como pratos.

-Que estas tratando de me dizer com isso…?

-De onde saíram dois formosos bebés… - o menor continuou, como se não tivesse ouvido a pergunta. - Quando me deixaste… eu não estava só… alojava a dois meninos de nosso amor em meu ventre. - sorriu ao mesmo tempo de duas lágrimas saíam de seus olhos. - Estava tão feliz… porque Merlin quis que tivesse um lembrete do amor de minha vida. Mas meus pais não pensaram o mesmo… - murmurou com rancor. - Mamãe estava tão enojada, nunca a vi assim… ela me gritou tanto… vi tanta decepção em seus olhos… - enterrou a cara em suas mãos e Severus só conseguiu encerrar num abraço poderoso, ainda em choque por todo o que estava a escutar. - Obrigaram-me a permanecer em casa… e quando meus anjos nasceram me arrebataram. Nem sequer deixaram-me fazer a conexão mágica que um pai deve fazer com seus meninos! Mas de nada lhes serviu! Eu os amo e o quero comigo…! Vim a isso! Já não vou deixar que me calem!

O ruivo gritou de pura angústia e Severus apertou todo o que pôde o abraço. Bill rodeou a cintura do outro com seus braços e chorou por uma longa hora, até que pareceu ficar sem lágrimas. O tempo todo, o Slytherin sussurrou palavras confortantes a seu ouvido, assegurando-lhe que o amava e que não o ia voltar a abandonar.

-Que sucedeu com os meninos? - perguntou Snape ao fim.

Não tudo estava claro em sua mente, o único que tinha recolhido do balbucio de seu noivo era que seu precioso amor tinha ficado grávido dele quando o abandonou, sendo um adolescente, o que levou a que seus pais se decepcionassem dele e lhe tirassem aos meninos. Isso era outra coisa. Ele falou de dois ou mais… quiçá gêmeos? Uma pequena voz por detrás em sua mente tratou de sussurrar-lhe algo, mas ele não lhe prestou atenção, agora estava mais preocupado por seu amor e a história que tanto o arquejava.

-Dei a luz a gêmeos o primeiro de abril de faz 14 anos atrás, Sev. - disse, sua voz rouca de tanto chorar. De modo que são gêmeos..., pensou o pocionista. A voz em sua mente voltou-se mais fastidiosa, mas ele seguiu a ignorando, a favor de escutar a seu amante. - Eram tão formosos… - sorriu, mas depois seu cenho franziu-se. - Mas minha mãe estava implacável, eu não quis lhe dizer que tu eras o pai e ela me negou minha maternidade. Criaram uma história credível e fizeram crer ao resto do mundo que meus filhos eram em realidade meus irmãos… - o olhou aos olhos. - Mas já não quero isso… preciso lhe dizer a verdade a nossos bebês. Ajudar-me-ás a dizer-lhes a verdade…? Faz favor? - perguntou suavemente, tomando sua mão.

Severus pestanejou.

-A verdade a quem? - perguntou totalmente perdido.

-Oh, por Merlin, meu amor! Não és um Slytherin inteligente e perspicaz?! Pensei que já tinha notado… com todo o que te disse…

-Bem, perdoa se é que estou demasiado surpreendido como para que meu cérebro funcione corretamente. - sibilou sarcasticamente.

Bill sorriu de lado, mordendo seu lábio inferior, levantou-se para sentar-se no colo de seu amante e beijou seus lábios.

-Sinto muito. - murmurou. - Não tomei em conta que poderia te dar um ataque ao saber que tens dois filhos gêmeos de 14 anos de idade. - Isto não te vai gostar, a voz na cabeça de Severus murmurou quando ao fim ele lhe fez um pouco de caso. - Frederick e George Weasley não são meus irmãos, são nossos filhos, Sev.

Isso tratava de te dizer! A voz molesta gritou. A seguir, Severus Snape fez algo completamente fora de carácter, pior que lhe dar uma felicitação por suas poções ao Potter… porque Severus Snape, anterior comensal e espião da Ordem da Fênix… se desmaiou.

-Severus!

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-Hey, esta a tremer. - Lestat declarou e acercou-se a seu casal para abraçá-lo e esfregar seus braços pálidos, tentando sacar essa sensação de seu amante.

-Que é o que tenho feito mau? - Louis sussurrou. - Tenho sido eu…? Ou é que simplesmente meu filho não entende o conceito do "não" ou de perigo?

-Nenhum tem feito nada mau, mon amor. - sussurrou o loiro. - É só que… ele é teimoso, ele mesmo te disse: "Se não fazia nada iam matar à irmã de meu melhor amigo!"- sorriu. - Acho que tem um complexo de herói…

Louis não pareceu animar com a tentativa de humor de seu companheiro, de modo que se desfez do abraço e caminhou até se sentar num dos cadeirões da pequena sala que tinha Marius na parte do castelo que lhe tinham dado para viver. Seu cenho estava franzido e seus lábios formavam uma linha fina.

-Ele não entende que o que faz me mata? Estou cansado de preocupar-me tanto, de sabê-lo em tanto perigo…

-Oh, vamos… ele faz porque crê correto, até agora não lhe passou nada… - se encolheu de ombros. - De modo que só devemos lhe dar uma boa reprimenda e talvez um castigo que…

-É que não entende, verdade?! - grito o moreno, seus olhos verdes brilhando com enojo. - Ele é tudo para mim! Senti-o parte de mim desde o momento em que o encontrei e apoiou seu cabecinha em meu ombro! Se algo lhe passa morrer-me-ia! Eu não poderia viver sem meu bebê!

-E eu que? - Lestat quase grunhiu.

-Você…? - seus olhos se entrecerraram. - Devo recordar-te como era nossa relação antes de que aparecesse Harry em nossas vidas?

Lestat sim recordava-o e o veneno na voz de seu amour não fazia nada para que a culpabilidade se extinguisse de sua ser. O loiro suspirou para acalmar-se e ajoelhou-se em frente a seu companheiro.

-Tenho mudado, Lou. - murmurou, olhando aos olhos. - Tenho deixado meu comportamento libertino detrás desde que carreguei a Harry aquela noite que se perdeu na mansão. Fiz-o por vocês… e agora minhas únicas vítimas, as de todos, são esses comensais ou os que têm que ver com eles e só bebo seu sangue, sem nada de flerte prévio. Dei-me conta que te amo, os amo a ambos, e não desejo mais que dormir a cada noite a teu lado, entendi que ninguém trame-a nunca mais prazer que você, mon amour. - acariciou sua bochecha. - É por isso que deixei toda essa loucura atrás e estou alegre que você também fizeste o mesmo… - murmurou, acariciando uma notória cicatriz na base da costelas esquerdas de sua amour, justo embaixo do coração, que era uma marca da última vez que Louis tentou terminar com sua vida.

-Fiz-o por Harry, porque ele me precisava.

-Não teve nada para mim nessa decisão? - perguntou baixinho.

-Por sua culpa eu quis morrer muitas vezes, Lestat de Lioncurt, mas por Harry quis viver, para cuidar de meu filho. Você me tem lastimado muitas vezes… e não sei se em algum momento voltará a ter o lugar que tinha em meu coração, mon ciel. Porque esse lugar já o ocupa Harry.

Lestat suspirou e agachou sua loira cabeça até apoiar nas pernas de seu amante.

-Não sabia que me guardava tanto rancor…

-Nem eu… mas ter a meu filho tão cerca da morte me fizeram revalidar meus sentimentos. - acariciou ausente a cabeça do vampiro maior. - E eu sei que sabe que Harry está um degrau mais alto em meus valores sentimentais.

-Prometo-te que farei o possível para emparelhar esse degrau. - prometeu com decisão, abraçando a cintura de seu amante com possessividade.

-Está a fazê-lo muito bem desde faz muito, mon amour. Só te peço… que siga assim. Quero saber que sou o único ao que ama, ao que deseja lhe fazer o amor, em quem pensa quando estas só…

-Te juro.

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. semana após o termo de classes.:.

-Vamos, Severus, minha família deve estar toda reunida hoje. Quero dizer-lhes hoje a nossos filhos a verdade.

O professor de poções permitiu que seu amante o arrastasse para a casa horrível que era A Toca. Ainda não entendia como tinha sido convencido para isto, mas estava seguro que era esse estranho poder que só William Weasley tinha sobre ele. Nem sequer um Império faria que ele cumprisse tão bem como uma ordem de seu Liam.

-Não estou muito seguro se quero que eles saibam que são meus filhos.

-Como que não? - Bill girou-se para enfrentar a seu casal e Severus teve que pestanejar, porque lhe pareceu ver um flash de Molly Weasley quando estava enfadada no rosto de seu amante. - Eles são nossos bebês, Sev! Não os amas?

Não! Severus esteve tentado a dizer. Quem poderia amar a esses pequenos demónios?! Certamente ele não, particularmente têm sido os gêmeos Weasley os que mais o sacaram de quício em todos seus anos de professor. Até Potter dava-lhe menos dores de cabeça! Mas se dizia-lhe isso a seu amor, estava seguro que Bill retirar-lhe-ia a palavra para o resto de sua vida. De modo que só forçou um sorriso e assentiu, era o único que podia fazer, lhe mentir em voz alta era impossível.

Ainda não chegava a compreender como é que Bill pensava que ele estava bem com esta situação. Era como se seu casal pensasse que, porque ele lhe tinha dito que os gémeos eram seus filhos, ele começou a amar nesse instante (Não posso achar que esteja a pensar isto!). De fato era todo o contrário, ainda que tinha uma certa parte em seu cérebro e coração que se orgulhava de ter dois filhos tão inteligentes… ainda que usassem essa inteligência para incomodar a suas Slytherins.

Golpearam a porta, mas ninguém lhes abriu, de modo que Bill, arrastando a Severus, abriu a porta, lhes dando passo ao interior.

-Quem é? - Severus e Bill congelaram ao escutaram a voz exigente de Molly. Ela sacou sua cabeça pelo marco da porta que dava à cozinha e seus olhos se alumiaram ao ver ao maior de seus filhos. - Bill! Meu rapaz! Onde se tinha metido? Voltaste de Egito, mas desapareceu a noite que sucedeu o de tua irmã e não soubemos nada mais de ti! Como pode ser…? - a pergunta não terminou, porque nesse momento Molly notou que seu filho não estava só, ele vinha acompanhado da pessoa menos esperada, é mais, filho estava tomado da mão com Severus Snape. - Bill… Que…?

-Não estou aqui para falar contigo, mãe. - o ruivo disse tenso. - Viemos a falar com os gêmeos. Já não estamos dispostos aos deixar viver numa mentira.

Molly franziu o cenho, mas em seguida todas as peças pareceram encaixaram em sua mente. Ela arquejou enquanto seus olhos se abriam como pratos. Olhou incrédula as mãos apertadas, depois a Severus e… terminou por desmaiar-se.

-Vamos.

Severus levantou uma sobrancelha e permitiu que seu amante voltasse ao arrastar, passando acima de Molly sem golpear uma flange.

-Deixaremos ela ali?

-Sim. - Bill murmurou friamente.

Subiram as escadas, que rechinavam mais que as armaduras de Hogwarts, e chegaram em frente a uma porta que tinha um cartaz de "Perigo" muggle. Dantes que o ruivo pudesse golpear, uma explosão se escutou dentro, fazendo que, por instinto, Severus atracasse a Bill num abraço, enquanto ambos sacavam seus varinhas.

-Acho que pôs demasiado disso, meu querido irmão. - disse uma voz disse.

-Não… em sério cries isso? - outra voz similar à primeira respondeu, gotejando sarcasmo na cada palavra. Bill não pôde mais que sorrir, porque essa maneira de falar era demasiado parecida ao homem que o abraçava pela cintura neste momento.

-Conquanto… Por que acha que Molly não tem vindo a nos gritar?

-Não sei e não me importo.

Molly? E porque falam dela desta maneira? Severus perguntou-se, mandando-lhe sobrancelha levantada a Bill. Preocupou lhe ver a tristeza no rosto de seu amante, mas Bill só negou com a cabeça e golpeou a porta.

-Já vamos! - as duas vozes soaram algo alarmadas e um estrondoso ruído lhes seguiu, soava como coisas que se moviam de um lugar a outro com frenesi.

A porta terminou-a abrindo um ruivo despenteado, com uma bochecha manchada de fuligem. A respiração de Snape se embargava em seu peito ao notar, após todo este tempo, que os olhos deste garoto eram negros… tão negros como os seus. Os dois tinham-no dessa cor?

-Bill! - o outro ruivo materializou-se por trás de seu irmão. E confirmou as suspeitas de Severus, ambos tinham olhos negros como os seus. - Que te traz por aqui, querido irmão?

-Severus e eu queremos falar com vocês.

-Severus…? - recém nesse momento ambos gêmeos notaram a segunda presença depois de seu irmão. Eles empalideceram e deram um passo instintivo para trás. - Snape!

Severus bufou com desdém, divertido um pouco ao notar que os Weasley olhavam a seu amante primeiro e depois recém o notavam e, se isso não fora já estranho, quando o viam tinham a mesma reação.

-Podemos passar, Fred? - Severus não tinha a menor cria como é que seu amante os distinguia. Será uma coisa das mães?

-Oh, bem… - Fred olhou a seu gêmeo e se fez a um lado. - Passem…

Uma vez que entraram, Severus e Bill se sentaram na cama que dizia em vermelho FRED no marco e os gêmeos na que era de George. Estiveram em silêncio muitos minutos, os gêmeos olhavam-se de relance e franziam o cenho ao ver que seu irmão agarrava a mão de seu odiado professor de poções, como se a vida se lhe fosse em isso. Severus por sua vez, olhava a habitação de seus filhos (tinha que acostumar à palavra, ainda que fora por ver um sorriso em seu amante, após tanto que o fez sofrer). O lugar parecia agarrotado de coisas inúteis, quase como o escritório do insofrível do Diretor, tinha muitos caldeirões fervendo, caixas com artigos multicolores, somado a brinquedos infantis.

-Então… Por que esta aqui, Bill?

-E mais importante… Por que está ele aqui? - ambos franziram o cenho em Snape.

-Bem, Severus e eu somos companheiros… - Fred e George bufaram sarcasticamente, dando a entender que isso era evidente, Severus aguentou as vontades de sorrir e Bill os ignorou. - Isto não é recente, nos conhecemos quando fui ao colégio, ele era meu professor e eu seu aluno, pelo que nos fizemos noivos em segredo… - os gêmeos riram baixinho e Bill os silenciou com um fulgor de seus olhos azuis. - Amamos-nos muito, mas tivemos alguns problemas como todos os casais… algo que não lhes vou contar…

-Awww… seguro que foi quando descobriste que era um vampiro.

-George! - Bill admoestado, enquanto Severus lhe grunhiu ao ruivo menor.

-Je… só caçoava. - desculpou-se sorridente. - E já… Por que nos dizes tudo isto? É a Molly a quem deves dar-lhe explicações. Estou seguro que será ela quem porá o grito no céu. - encolheu-se de ombros. - Nem Fred nem eu temos problemas com que te acoste com o professor Snape. - agregou com um sorriso pícara.

Fred cruzou-se de braços e assentiu às palavras de seu gémeo. O casal se ruborizaram um pouco ao escutar a crueza nas palavras do garoto, mas sentiram-se aliviados de que ao menos em isso não tivessem problemas.

-Guardem silêncio agora. – sibilou Severus, assustando aos gêmeos e seu amante. - Agora lhe vamos dizer algo importante… e queremos que escutem até o final.

Os rapazes assentiram e prepararam-se para escutar o que seja.

. horas depois.:.

Certamente, se eles pensavam que estavam preparados para qualquer coisa… mentiram. Inconscientemente, Fred agarrava o braço de seu gêmeo como se a vida se lhe fosse em isso e ambos olhavam a seus pais com diferentes graus de incredulidade.

-Fred? George? Por favor, digam algo. - Bill quase soluçou e Severus teve que rodear sua cintura com um braço para lhe dar confortabilidade e apoio. Ele não esperava que os gêmeos se tomassem esta parte da história com seu conhecido humor, de facto, lhe surpreendia que nestes momentos não lhe estivessem a gritar e reprochando algo.

-Por que? - foi o único que manejou dizer George.

-Ela não me permitiu lhes dizer nada em todo este tempo. - disse o ruivo maior. - E devo admitir que também fui um covarde, não quis ultrapassar sua autoridade, porque temia a reação de ambos… - suspirou entrecortado. - Mas no ano passado decidi-me. Não queria que estivessem mais na escuridão de sua verdadeira origem… Por isso poupei uma quantidade considerável de dinheiro para nos comprar uma casa aqui ou em Egito e o que sobrasse o usar para nos manter.

-De modo que era por isso que ela nos tratava como se fôssemos uma pedra em seu sapato. - murmurou George e ambos apertaram seus punhos e franziram o cenho ante a lembrança.

-Por que essa atitude? - perguntou Severus, levantando uma sobrancelha. - Molly Weasley é conhecida por ser uma das melhores mães do mundo. - agregou com sarcasmo.

-Oh, ela é a melhor mãe do mundo. - George assegurou com o mesmo tom. - Mas com seus verdadeiros filhos, não com seus netos nascidos de seu primeiro bebê fora do casamento.

Um silêncio torpe baixou entre eles e Severus franziu o cenho em William, pedindo explicações a seu companheiro.

-Mamãe não foi a mais carinhosa das mulheres. - ele admitiu com rancor e pesar. - Só faz dois anos me inteirei que ela tem abusado mentalmente de nossos filhos, é por isso que me decidi a lhes contar a verdade. - umas lágrimas saíram de seus olhos e o pocionista sentiu como uma raiva se apoderava dele.

Snape sempre se disse que, se em algum momento chegava a ter filhos, eles nunca iam sofrer o maltrato que ele teve em seu próprio lar. Mas aqui estavam seus filhos, padecendo abuso mental (por sorte não físico), no lugar menos esperado e com a família supostamente mais carinhosa entre os sangues puros (aparte dos Malfoy-Lupin). Todo isso fez que o instinto paternal que estava a reprimir acordasse exaltado. Olhando as caras de seus filhos e os olhos tão idênticos aos seus um entendimento passou entre os três, e os gêmeos até manejaram sorrir de lado.

-Tiraram-nos daqui? - quis saber Fred.

-Se assim o desejam… podemos ir neste momento. - disse Bill, limpando suas lágrimas. - Severus está disposto a deixar sua casa no bairro muggle onde vive e voltar a abrir a mansão Prince para que vivamos todos juntos. De modo que primeiro iremos a sua casa e durante este verão ocupar-nos-emos de pôr em ordem a mansão, para que possamos festejar nela Natal e já quando terminem em seu quarto ano, viver ali definitivamente.

-Prince? - ambos gêmeos perguntaram, com as sobrancelhas levantadas.

-Era de minha mãe. – murmurou Severus.

-Oh…

-Bem! - o ruivo maior aplaudiu suas mãos, distraindo a seus filhos desse tema doloroso para seu amante. - Precisam que os ajudemos a empacar?

-Não! - gritaram aterrorizados.

Ante a mirada de surpresa dos adultos, tossiram incômodos.

-Só nós sabemos onde está todo…

-E só nós podemos lhe dar ordem para empacar…

-Oh, bem. - Bill sorriu afeiçoado e não se proibiu encerrar a seus filhos num abraço de urso. Após tudo, o maior lhes sacava uma cabeça a ambos e era bem mais corpulento. Os gêmeos devolveram-lhe o gesto, sorrindo e suspirando contentes. Sempre tinham sentido uma conexão especial com seu irmão maior, mas agora sabiam que não só era porque achavam que Bill os entendia, senão que era porque ele os carregou em seu ventre durante nove meses. Agora mesmo podiam sentir como se magia reagia com a de sua mãe.

Severus tossiu para atrair a atenção do trio, não estando nada cómodo ao ver semelhante espetáculo de amor. Conquanto tivesse que fazer à ideia que essa de ali era sua família, não estava muito impaciente por demonstrar seu carinho por seus filhos dessa maneira. E pela cara dos gémeos, eles pensavam o mesmo, poderiam aceitar que Severus Snape fosse seu pai, mas ainda não estavam preparados para que ele os mime ou os abrace. Provavelmente teriam uma interrupção mental se viam-no sorrir-lhe com carinho!

-Acho que deveríamos ir dizer-lhe a sua mãe o que faremos. - comentou, olhando a seu companheiro. - Têm todo o que precisam? - perguntou a seus filhos.

-Sip, acho que sim. - Fred franziu o cenho, olhando sua habitação. - Ainda que acho que precisaremos baús extra para que entre tudo.

-Oh, viemos preparados para isso! - exclamou alegre a mãe que acabava de recuperar a seus meninos. Sacou dois baús minúsculos de seu bolso e os agrandou com uma toque de seu varinha. - Aqui têm. - disse, deixando no andar. - Não quero os pressionar, mas será melhor que se apressem… não quero estar demasiado tempo aqui, depois que lhe diga a Molly o que vou fazer.

Os gêmeos franziram o cenho e assentiram solenemente, antes de girar-se e começar a transportar todas suas coisas a seus baús. Vendo isto, Severus tomou da mão a seu companheiro e o retirou da habitação. Suspirando aliviado, Bill apoiou sua cabeça no ombro de seu amor e ambos começaram a baixar as escadas.

-Não pude achar que lhe tenham tomado tão bem. - comentou o pocionista.

-Eles são assim de incríveis. - disse o ruivo, com um sorriso afeiçoada. - Tem a capacidade de adaptar a qualquer situação… por muito estranha que seja.

-Uma capacidade surpreendente. - concedeu com um cabeceio. - Eu não sei que tivesse feito se me diziam, quando tinha catorze, que McGonagall era minha mãe. - estremeceu-se ante seu próprio exemplo.

Bill riu com gosto, mas depois franziu o cenho.

-Mais bem acho que eles fariam ou aceitaria qualquer coisa com tal de deixar de viver baixo o mesmo teto que minha mãe. - disse com amargura.

Severus notou o humor de seu casal e afianço o abraço que tinha sobre sua cintura, para lhe dar apoio. Prometendo-lhe com esse pequeno gesto, que de agora em mais eles tentariam lhes dar uma melhor vida a seus filhos. O ruivo sorriu-lhe, mas seu sorriso desapareceu quando ambos viram que Molly Weasley o esperava com os braços cruzados ao pé das escadas.

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. semana depois.:.

A sobrancelha direita de Severus crispou, enquanto via como duas sombras se assomavam pela porta da entrada a seu laboratório onde se encontrava trabalhando neste momento. Bill tinha saído para comprar alimento e algumas roupas novas para todos, pelo qual os gêmeos se encontravam sem vigilância e aborrecidos. Principalmente porque não tinha poder algum que os fizesse se sentar a fazer suas tarefas… Duas semanas após abandonar o colégio!

-Podem entrar se desejam-no. – grunhiu Severus, incomodado.

Em seguida os gêmeos entraram fazendo caretas de orelha a orelha e ao instante seus olhos negros viajaram por todo o laboratório. Snape sentiu-se entre orgulhoso e assustado pelo interesse que podia ver em seus filhos ao ver o preparado que estava seu laboratório caseiro.

-Que faz? - perguntou Fred, acercando-se para olhar com interesse a poção que Severus revolvia.

-É um projeto no qual levo quase num ano. - suspirou, decidindo que era melhor atrair a atenção dos gêmeos ao que ele fazia a que andassem fuçando entre suas coisas. - Tenho-o quase pronto… mas falta-me algo e não consigo saber que. - franziu o cenho.

-Poderíamos ajudar. - disse George, esticando o pescoço para ver o líquido que tinha no caldeirão. - Que é exatamente?

Severus olhou-os especulativamente durante uns segundos e não soube por que, mas terminou dizendo a seus filhos como tinha criado a poção fertilizante para vampiros e como esperava que funcionasse.

-… e o que me falta é encontrar um método para que dure mais de três dias, para que os espermatozoides do vampiro sobrevivam em seu corpo até que os passe ao mago. Pensava usar um feitiço, mas isso demonstrou ser um erro. A solução à duração tem que estar na poção ou não servirá. - sibilou, passando uma mão por seu rosto em frustração.

Olhou a seus filhos, incômodo pelo silêncio, e viu que ambos tinham o cenho franzido e pareciam pensativos. Depois olharam-se e assentiram, para depois dar-lhe uma mirada penetrante a seu pai.

-Faz num mês… - George começou. - criamos uns bolinhos que poderão converter em canários àqueles que lhes comam…- Severus levantou uma sobrancelha, mas decidiu não dizer nada.

-…para isso precisávamos que os genes do canário se mantivessem vivos e se combinassem por uns segundos com o mago que os comesse… - seguiu o outro.

-… e acidentalmente tropeçamos com uma fórmula que nos deu esses resultados…

-… poderíamos te dizer qual é mistura para que faças a provas com tua poção…

Severus se cruzou de braços e olhou com os olhos entrecerrados a seus filhos.

-Com que condição? - perguntou suspicaz. Ele não era Slytherin para nada e, se não estava equivocado, seus filhos tinham herdado mais de um rasgo Slytherin dele.

-Bem… - Fred sorriu de maneira maliciosa, comprovando as suspeitas de Severus. - O único que queremos é… - olhou a seu irmão.

-Que nos deixe usar teu laboratório. - disseram ao uníssono.

Snape bufou e negou com a cabeça. Isso lhe via vir desde a primeira vez que viu a seus filhos olhando com interesse seu laboratório. Seu amante também lhe tinha dito que os gêmeos experimentavam em sua própria habitação na Toca, ocasionando numerosas explosões. Normalmente, ele lhes tivesse gritado que nunca ninguém entrou a esse lugar a parte dele e seguiria igual. Mas… estes eram seus filhos, seus filhos e de seu amor William, e também não queriam que experimentassem em sua habitação, sendo que ainda viviam num bairro muggle e numa casa pequena. E ali ele os ia poder supervisionar para que também não se danificassem.

-Aceito. - murmurou esticando uma mão para que os gêmeos a estreitassem.

. ês dias depois.:.

Bill e os gêmeos encontravam-se preparando a mesa para o jantar na cozinha, quando Severus entrou com uma copa de bronze da qual saía uma fumaça branca. Sua cara estava algo mais pálida, seus olhos abertos e parecia desconcertado.

-Severus? - Bill acercou-se para apoiar uma mão em seu braço. - Que passa, meu amor?

O moreno olhou a seu casal e depois a seus filhos, que o olhavam com curiosidade. Surpreendeu-os ver um sorriso de lado… quase orgulhoso.

-Funciona. - foi todo o que disse.

Fred e George sorriram de orelha a orelha e fizeram uma reverência.

-De nada.

A poção para Rodolphus e Khayman estava pronta…

Continuará…

Quem diria hein... Fred e George ajudando o Mestre de poções a criar a poção perfeita... lol

Bem vamo bora para os reviews que esse capitulo ta merecendo!

Ate breve!