Severo Snape Narrando ON.
Percorri rapidamente o conhecido caminho até a sala de Dumbledore, ele precisava fazer alguma coisa. Ela não poderia correr mais tanto perigo assim.
Entrei na sala do diretor sem bater, ele limitou-se apenas a levantar seu olhar na minha direção, voltando-se logo em seguida para o livro que tinha nas mãos.
- Bom dia, Severo! - Disse ele sem me encarar.
- Aconteceu outra vez. - Falei apressado. - Por um momento não eram os olhos de Angel e sim os de Voldemort que olhavam de volta para mim. Está ficando mais insistente a cada dia que passa. VOCÊ PRECISA FAZER ALGUMA COISA! - Mesmo após tudo o que eu havia acabado de dizer, Dumbledore continuava sem qualquer alteração na sua expressão calma. Aquilo me irritava mais do que tudo.
- Confio no fato de que Angel seja boa oclumente. - Respondeu ele me fitando. - Algo a tem desestabilizado, creio que você, melhor do que ninguém, saiba o que é. - Disse ele calmamente.
Eu sabia exatamente do que ele estava falando, mas isso não significava que eu fosse dar meu braço a torcer. Como se já não me bastasse Rosmerta, agora havia Dumbledore insistindo naquela loucura.
- E quanto a isso, você é único que pode fazer algo a respeito. - Ele continuou.
- O que você supõe que eu deveria fazer? - Eu o encarei.
- Você está com medo! - Disse ele me analisando por de trás dos óculos meia-lua. - E enquanto tiver medo, nada vai funcionar.
- Você perdeu o juízo? - Perguntei sustentando seu olhar. - Eu não vim falar de sentimentos! - Exclamei. - Vim lhe dizer que constantemente ela esta sendo assediada por ele, que ele a quer ao lado dele, seja qual for o custo. - Tentei chama-lo de volta a realidade. - Nós não temos mais tantas saídas. O nó ao redor das nossas gargantas está ficando cada vez mais apertado, porque eu sou o único que parece que se importar?
- Apenas tenha em mente que cada coisa acontecerá no seu devido tempo, Severo. - A calma dele era assustadora.
- O que há de errado com você? - Rebati. - Realmente acha que eles vão conseguir, que ela vai aceitar passar para o outro lado?
- Precisamos ser práticos. - Disse ele levantando-se de sua confortável cadeira. - Ela é o foco, devemos fazer as coisas permanecerem assim, ao menos por enquanto. - Ele parou próximo a fênix, que devido a aparência estava muito próxima de virar cinzas. - É a sua lealdade que está em jogo. - Ele me encarou mais uma vez. - Estou confiante de que você saberá o que fazer quando a hora chegar.
- Já parou para pensar que talvez eu não esteja disposto a sacrificar tanto? - Aquela pequena batalha interna estava se tornando mais cansativa do que todas as outras. - Você exige demais!
- Temos uma objetivo em comum! - A mascara de serenidade enfim havia desmoronado. - Preciso lembra-lo de que é por esse mesmo objetivo que você vive? - Suas palavras me atingiram com demasiada força. - Já chegamos longe demais para nos darmos o luxo de realizar um movimento errado. - Ele deu um longo suspiro. - Você irá fazer o que eu disse. As vezes são necessários alguns sacrifícios para chegarmos aonde queremos. - Ele ergueu a mão escurecida no ar, como uma forma de lembrete. - Não se preocupe quanto a menina, eu confio nela, também confio que você saberá como guia-la. É por um bem maior...
- Estou cansado desta historia de bem maior! - Interrompi, antes que ele iniciasse mais um de seus discursos. - Quantas pessoas terão que morrer por isso? Quantas vidas além das nossas você pretende arriscar?
- Devemos vencer com as vidas que temos a disposição, para que possamos garantir o futuro das demais. - Disse ele encarando o espaço vazio a sua frente.
- Você não... - Tentei argumentar, mas Dumbledore me interrompeu.
- Estamos apenas perdendo tempo tendo esta discussão boba. - Disse ele de forma suave. - Eu realmente gostaria que você passasse a ver as coisas com mais clareza, você poderia acabar percebendo que são menos complicadas do que você imagina...Ela não é Lilian. - A tranquilidade do rosto dele me perturbava. - Faça a coisa certa, e assim teremos ganhado essa pequena batalha. - Lá estava ele novamente, levando em conta apenas o que desejava, sem se importar com os efeitos colaterais.
- As vezes você me assusta. - Respondi.
- Como eu disse, precisamos ser práticos. - Disse ele me fitando por cima dos óculos. - Talvez um dia você me agradeça por isso.
Severo Snape Narrando OFF.
Sai do banheiro tentando dar um jeito nos meus cabelos ensopados. O dia havia passado rápido demais, logo já seria domingo e depois, segunda-feira. Eu estaria de volta as salas de aula, obrigada a ver Snape, obrigada a tê-lo por perto... E na verdade, tudo o que eu mais queria era poder deitar e dormir por um bom tempo.
- Que história é essa de ser trazida para a sala comunal pelo gatissimo Heron Sparks? - Victória entrou no dormitório saltitante.
- Juro que ainda vou descobrir quem anda espionando minha vida. - Respondi secando os cabelos de uma só vez com a ajuda da varinha.
- Qual é! Toda escola sabe, na verdade toda escola viu. - Disse ela jogando-se na minha cama.
- Antes que pergunte, não foi nada de mais! - Falei fazendo um rabo de cavalo. - Droga! - Exclamei quando encarei meu reflexo no espelho, e lembrei-me da ausência do medalhão. - Está ficando tarde e eu ainda estou sem o medalhão. - Toquei o exato ponto sob meu peito onde ele costumava ficar.
- O medalhão de Snape? - Perguntou Vic fazendo uma careta. - Eu teria feito aquela coisa virar pó.
- Isso não é sobre Snape e sim sobre o medalhão em si. - Falei encarando-a. - A falta dele foi o motivo que levou Sparks a me trazer até aqui. - Expliquei. - Eu tive outro "ataque" após a aula de aparatação.
- Oh! Você deveria continuar sem ele então. - Disse ela em tom divertido.
- Não brinque com isso! - Eu a repreendi.
- Tudo bem, não está mais aqui quem falou. - Respondeu Vic suavemente.
- Eu não quero perder o controle sobre mim mesma. - Falei sentando-me ao lado dela. - Há algo errado comigo.
- Não há nada de errado com você. - Disse ela me abraçando de lado. - Não é culpa sua...
- Angel! Angel! Angel! - Luna entrou no dormitório agitada.
- Por Merlin, Luna você quase me matou do coração. - Falei respirando fundo.
- Me desculpe! - Disse ela ainda agitada. - Professor-Snape-está-lá-fora-chamando-você. - Disse ela de uma unica vez. Agora eu entendia o motivo de tanto nervosismo. Levantei com um salto.
- Você vai descer? - Vic me encarou sem entender.
- O que será que ele quer? - Encarei Luna e depois Vic. - Está tarde. - Tentei me justificar.
- Eu não demoraria se fosse você, ele está assustando alguns alunos! - Disse Luna.
- Fantástico! Você precisa ir até lá logo, e tirar o seu amigo da entrada da sala comunal, ou ninguém vai dormir essa noite.
- Eu realmente devo... - Murmurei. A presença dele ainda me deixava nervosa.
Dei alguns passos em direção a porta, mas Vic gritou fazendo com que eu parasse.
- Você está de pijama. - O comentário dela fez com que eu voltasse minha atenção para mim mesma. - Vista sua armadura primeiro, depois encare a fera. - Ela jogou um robe para mim.
- Professor Snape está lá fora e... - Uma das irmãs Patil entrou no dormitório.
- Eu já fui avisada disso. - Interrompi, terminando de vestir o robe.
Logo depois, passei por ela quase que voando, e percebi que vic me seguiu.
- Minhas pernas tremem, quando será que isso vai parar? - Murmurei enquanto atravessávamos a sala comunal. Não pude deixar de notar que todos me olhavam como se eu fosse algo de outro mundo.
- Vocês perderam alguma coisa? - Disse Vic fazendo cara feia para os que nos observavam. - Lembre-se do que eu disse sobre a armadura. - Sussurrou quando nos aproximamos da passagem.
- É melhor que você tenha um bom motivo para vir aqui a uma hora dessas! - Falei assim que passei pela porta. Snape estava escorado na parede e parecia incrivelmente pálido.
- Eu havia prometido que traria isso de volta. - Ele tirou uma das mãos do bolso da veste negra, e trouxe entre os dedos o medalhão. Por um momento as palavras fugiram da minha mente, levei algum tempo até conseguir formular uma frase.
- Eu estava esperando por isso. - Eu realmente estava, mas ao saber que ele estava ali eu havia esquecido totalmente do medalhão. - Mas eu não esperava que você fosse traze-lo pessoalmente. - Tentei pegar o medalhão, mas Snape se negou a entrega-lo.
- Eu o colocarei de volta. Nada mais justo, não? - Disse se posicionando atrás de mim, enquanto eu erguia meus cabelos. O conhecido arrepio passou pela minha nuca, quando as mãos dele tiveram um breve contato com a minha pele exposta. Rezei para que ele não tivesse percebido esse meu sinal de fraqueza. - Eu realmente poderia tê-lo enviado através de uma coruja. - O medalhão já estava de volta ao lugar que pertencia e eu me virei para encarar Snape. - Mas eu queria ver você, saber como está... - Eu quase me perdi naqueles olhos negros, mas um leve cutucão me trouxe de volta a realidade, um lembrete de que Vic estava bem atrás de mim, e que eu precisava me manter forte se quisesse continuar sã.
- Estou muito bem. - Respondi com a voz falha. - E você já me viu. - Evitei olhar nos olhos dele.
- Porque você faz isso? - Perguntou ele com a voz meio falha, e nesse exato momento uma aluna do primeiro ano passou por nós, visivelmente assustada pela presença de Snape ali.
- Você está assustando os novatos, o que ainda está fazendo aqui? - Tentei ser o mais clara possível.
- Eu não quero brigar como temos feito ultimamente. - Ele deu um passo na minha direção e seu perfumo preencheu tudo ao meu redor. - Eu quero conversar com você!
- E o que você supõe que estejamos fazendo? - Perguntei irritada.
- Precisamos conversar e não apenas falar um com o outro. - Ele depositou a mão em meu ombro. Lá estavam os arrepios e as correntes elétricas outra vez.
- Está tarde para conversar. - Falei tentando manter a compostura. - Todos estão assustados com a sua presença.- Me movimentei, conseguindo livrar-me do contato com a mão dele.
- O que há entre você e Heron Sparks? - A pergunta me surpreendeu. O próprio Snape parecia surpreso com o que acabara de perguntar.
- Eu não... - Eu estava prestes a me justificar, mas parei antes de concluir a frase. Eu estava ficando cada vez mais cansada dos jogos. - Quer saber, se eu estou ou deixo de estar com Heron, não é da sua conta! - Pude ouvir o riso de Vic atrás de mim. Snape me olhou perplexo.
- Eu não suporto a forma como ele está sempre cercando você! - Ele continuou.
- Oh! Há muitas coisas que eu não suporto, e ainda assim devo aguentar. - Rebati. - Por exemplo, não suporto ter você parado na porta da sala comunal fazendo perguntas desnecessárias.
- Eu estou falando serio! - Disse ele ficando subitamente irritado.
- Pois eu também estou! - Revidei.
- Gente! - A voz de Victória me trouxe de volta a razão. - Qual o problema de vocês? Percebem que estão em um lugar improprio para levar adiante essa discussão?
- Tuaska tem razão. - Murmurou Snape de forma quase inaudível. - Você vem comigo! - Ele segurou meu braço. - Temos que acabar com isso, de uma vez por todas. - Ele tentou fazer com que eu me movesse, mas eu continuei estática.
- Isso já acabou e eu não vou a lugar algum. - Respondi de forma controlada. - Foi um dia cansativo. - Ele soltou meu braço. - Eu realmente agradeço pela sua ajuda, e por me devolver o medalhão, mas agora eu vou dormir. - Falei de forma firme. - Sugiro que faça o mesmo. -Dei as costas a ele sem esperar uma resposta. Estava cansada daquela estupida discussão.
Adentrei a sala comunal, tendo Vic em meu encalço. Apenas corri para o dormitório sem ligar para os olhares e cochichos.
- Posso ver que Heron o deixa perturbado. - Disse Vic enquanto fechava a porta do dormitório.
- Eu não quero falar sobre isso. - Falei jogando o robe em qualquer canto. - Ao menos não agora.
- Eu entendo. - Respondeu ela. - Como se sente?
- Eu estou apenas cansada. - Dei um longo suspiro. - Preciso muito ir dormir. - Sem pensar duas vezes, me deixei cair sobre a minha cama.
- Então nos vemos amanhã. - Disse Vic me lançando um sorriso. - Descanse. - Ela tratou de apagar todas as luzes possíveis enquanto eu me ajeitava na cama.
Procurei não pensar em nada especifico enquanto fechava os olhos, mas imagem de Snape rapidamente me veio a mente. Não lutei contra isso. Algo parecia diferente das outras vezes. Ele parecia diferente.
Agarrei o medalhão com força, desejando poder limpar minha mente. Mas logo ele aparecia outra vez, tomando conta dos meus pensamentos.
De qualquer forma, não demorou muito até que o sono viesse.
Where there is desire, there is gonna be a flame
Where there is a flame, someone's bound to get burned
But just because it burns doesn't mean you're gonna die
You gotta get up and try, and try, and try
Março chegou rapidamente, sem grandes mudanças, tornando apenas o clima mais ventoso e úmido. Na primeira manhã de março, o castelo inteiro estava agitado pelo recente cancelamento do passeio a Hogsmeade.
Enquanto eu passava pelos corredores, pude perceber pelo menos uma centena de alunos, expressando sua indignação pelos corredores.
A verdade era que tal cancelamento não me surpreendia, já que Cátia Bell ainda estava no St. Mungus, e cada vez mais desaparecimentos eram noticiados pelo Profeta Diário. O pânico estava tomando conta da população bruxa.
- Angel! - Uma Hermione ofegante surgiu ao meu lado, tirando-me dos meus próprios pensamentos.
- Bom dia. - Disse cordialmente.
- Eu estive pensando, e lembrei-me de que você folheou cada um dos livros da sessão restrita... - Ela começou parecendo um pouco nervosa. - Nunca estive tão decepcionada!
- O que você não está achando? - Perguntei de forma direta.
- Você é a única em quem eu posso confiar uma coisa dessas, então eu me vi na obrigação de perguntar...- Ela fez uma breve pausa antes de continuar. - Alguma vez já ouviu falar de Horcruxes? - Eu a encarei sem entender.
- Mas que droga é isso? - Perguntei em um tom mais baixo enquanto entravamos no salão principal.
- Eu não encontrei nem uma única linha sobre o que isso quer dizer. - Hermione prosseguiu enquanto fazíamos o caminho até a mesa da Grifinória. - Eu pesquisei em cada um dos livros da sessão restrita, até os mais horrendos! - Disse ela jogando sobre a mesa um livro pesado e de aparência estranha.
- Isso é realmente ruim! - Falei apontando para o titulo do livro "Introdução Para Magias Mais Diabólicas" - Espere! Como não lembrei disso antes? - Falei encarando-a. - Você já terminou com esse? - Hermione balançou a cabeça de forma negativa. - O que me fez folhar esse livro até o fim, foi uma lista das piores magias. - Hermione me encarou assustada. - Eu fiquei curiosa quando ouvi os veteranos comentando sobre isso. - Expliquei.
- Você acha que pode estar nesta lista? - Perguntou ela observando atentamente cada movimento meu, enquanto eu folhava o livro.
- Você disse que não encontrou essa palavra em parte alguma, essa lista contém justamente aquelas magias negras que não são aconselhadas nem para os mais ousados dos bruxos. - Falei pulando direto para o final do livro. - Qual era a palavra mesmo?
- Horcruxes. - Murmurou Hermione.
- Aqui! - Falei apontando para um ponto no meio da pagina. - Horcrux: É simplesmente a mais maligna das invenções mágicas. Nós não falaremos sobre isso e nem daremos receita. Diremos apenas que dentre todas desta lista, é a mais arriscada e talvez a mais sombria das magias. - Recitei.
- Isso é tudo? - Disse ela alternando seu olhar entre mim e o livro.
- Ao menos agora você sabe que deve ser uma coisa medonha! - Falei fechando o livro com um estrondo. - Mas porque estão querendo saber disso?
- Na verdade, é uma tarefa dada por Dumbledore. - A voz de Harry soou atrás de mim.
- Uma tarefa? - Falei virando-me para encara-lo.
- Não me peça para entrar em mais detalhes. - Disse ele encarando o livro sobre a mesa. - E então?
- Nada muito esclarecedor. - Respondeu Hermione. - Magia altamente sombria.
- Conte-me uma novidade. - Ron se manifestou pela primeira vez, fazendo-me perceber a sua presença. Hermione bufou, e nos abandonou naquele mesmo instante, levando consigo o livro. - Harry, você não disse que ia me levar até Romilda? Eu não estou vendo ela!
- Romilda? - Perguntei confusa.
- Esqueci de mencionar que temos um problema. - Murmurou Harry. - Ron devorou acidentalmente os chocolates cheios de poção do amor que Romilda Vance havia me dado de natal. - Disse ele no tom mais baixo que conseguiu.
- Você é louco? - O encarei indignada. - Porque guardou uma coisa dessas?
- Angel! Você conhece a Romilda? - Ron tomou a frente. Ele parecia bem afetado. - Pode me ensinar uma forma de conquista-la.
- O que os gêmeos colocaram nessas coisas? - Falei analisando Ron.
- Como preparamos uma poção? - Perguntou Harry olhando para o amigo com certa preocupação. - Com certeza seria bem divertido sentar e ver a poção agir, mas teremos um jogo em breve, e não sei quanto tempo essa coisa pode durar.
- Levaria algum tempo para preparar uma poção eficaz, teríamos que identificar os ingredientes primeiro. - Continuei observando Ron que suspirava uma vez ou outra. - Leve-o até Slughorn, ou Snape.
- Como não pensei nisso antes! - Um sorriso apareceu nos lábios de Harry. - Você é um gênio! - Ele agradeceu parecendo excessivamente animado. - Vamos Ron, vou leva-lo até Romilda.
- Como eu estou Angel? - Ron se voltou a mim enquanto Harry tentava arrasta-lo na direção oposta.
- Fantástico! - Respondi rindo. Estava sendo um dia bem engraçado.
Eu estava prestes a ir para a mesa da minha casa, mas alguém tocou meu ombro fazendo com que eu parasse outra vez.
- Sim! - Me virei para encarar quem quer que fosse e me deparei com uma aluna novinha e baixinha da Sonserina.
- Isso é para a você. - Disse ela me estendendo um pequeno pergaminho enrolado e amarrado com uma fita verde.
- Obrigada. - Respondi pegando-o. Eu não precisava abrir para saber de quem era, e aquilo por si só, já fazia meu coração palpitar. A garotinha sumiu com a mesma rapidez que havia aparecido. Continuei meu caminho até a mesa da Corvinal, sentando-me um pouco mais afastada dos demais. Servi um copo de suco, e tratei de abrir o pergaminho.
Ainda temos assuntos inacabados.
Espero por você na minha sala em dez minutos.
S.S
Permaneci fitando o pergaminho enquanto bebia um gole de suco. Sentia uma sensação estranha no peito. Eu sabia perfeitamente o que me aguardava, mas a verdade era que eu estava tão cansada de fugir o tempo todo. E esse cansaço se sobressaia no meio de todos aqueles ressentimentos e mal entendidos.
Eu fiquei subitamente enjoada, acabava de desistir de tomar meu café da manhã. Dei uma última olhada na mesa repleta de coisas, e levantei de uma só vez. Enrolei o pergaminho e o enfiei no bolso.
O salão estava demasiado tumultuado, tive certeza de que ninguém notaria minha atitude estranha.
Corri para fora do salão, tentando não pensar no que aconteceria depois. Consultei o relógio de pulso varias vezes enquanto atravessava os corredores em direção as masmorras.
Cheguei a sala mais rápido do que pretendia, faltavam dois minutos para formar os dez então permaneci do lado de fora, encarando a porta fechada, não queria fazer nenhum ruido.
Não queria parecer ansiosa. Logo que o relógio marcou dez e meia eu entrei sem nem ao menos bater.
A sala estava escura, e Snape estava sentado de trás da sua mesa, aparentemente corrigindo uma pilha de trabalhos.
- Eu estava me perguntando se você realmente viria. - Disse ele levantando seu olhar na minha direção. - Já que você parece, estar sempre escapando por entre meus dedos. - Ele indicou a mim a cadeira em frente a mesa.
- Decidi ouvir o que você tem a dizer. - Tentei parecer segura, e controlar minhas pernas tremulas para que eu não tombasse antes de chegar ao assento.
- Decidiu? - Perguntou de forma retórica. - Bom! É cedo o suficiente, e temos tempo suficiente para conversar. - Senti o olhar dele sobre mim enquanto eu me sentava.
- Vá em frente. - Respondi evitando olha-lo diretamente nos olhos.
- Me desculpe se eu magoei você, Angel. - As palavras dele me obrigaram a levantar o olhar, e eu novamente me vi presa naquele mar negro. - Eu deveria ter sido no minimo mais cuidadoso com a nossa relação. Nunca quis machucar você. - Eu continuava imóvel, sentindo as estupidas borboletas no meu estomago. - As coisas fugiram do meu controle... Perco a cabeça cada vez que vejo Sparks ao seu lado.
- Não há razão para que você perca a cabeça! - Recuperei minha razão a tempo. - Quantas vezes vou ter que repetir que não há nada? - Levantei-me irritada. - E de qualquer forma isso não importa, certo? - Dei as costas a ele por um momento, não suportaria aquele olhar por mais tempo.
- Escute, eu não sou bom com as palavras, ou com gestos. Eu nunca fui.- Ele fez uma breve pausa antes de continuar. - Mas eu tenho que tentar por você. - Eu podia ouvir seus passos atrás de mim, enquanto eu permanecia congelada onde estava. - Eu tinha uma missão, e essa missão era proteger você. - Ele continuou. - Acho que de fato tudo começou com o seu coração partido e aquele acidente em Hogsmeade. - Eu ouvia cada palavra atentamente, lembrava-me claramente de cada detalhe que ele citava. - Você acabou preenchendo minha vida com sua luz, eu não achei que pudesse voltar a me sentir assim outra vez. - Eu sentia um calor estranho tomar conta do meu peito. Eu não tinha a minima ideia de onde ele queria chegar, mas continuava escutando em silencio. - Eu não sei dizer em que ponto as coisas mudaram, mas eu fui tolo o suficiente para não aceita-las por um bom tempo. - Um arrepio percorreu a minha espinha. - Eu agi como um bastardo no natal, e agi de forma muito pior pouco tempo depois... Eu juro que jamais voltarei a fazer isso outra vez. - A voz dele parecia mais próxima e o arrepio se intensificava cada vez mais. - As coisas são complicadas, e eu não vejo nenhuma forma de conseguir explica-las agora... Eu apenas quero que você saiba que eu me importo...- A mão dele tocou meu ombro suavemente, e correntes elétricas passaram por todo meu corpo. - Me importo demais para deixa-la ir sem nem ao menos tentar. - Fechei os olhos com aquela sensação única que era tê-lo por perto. Seus braços me envolveram e no segundo seguinte eu estava de frente para ele, com a mão sob seu peito e os rostos tão próximos que eu podia sentir a respiração dele. Pela primeira vez notei que ele não usava sua habitual capa.
Aquilo não fazia qualquer diferença, aos meus olhos ele ainda continuava perfeito.
- Eu estava dizendo, que aceito os riscos se você aceitar também. - Ele quebrou o silencio após algum tempo. O olhar dele estava fixo em meus lábios.
- Eu nunca dei a minima para essa coisa de risco. - Murmurei sentindo as mãos dele apertarem minha cintura. - Esperei tanto por esse momento.
- Agora não terá que esperar mais... - Disse ele suavemente antes de colar seus lábios macios nos meus. Começou como algo suave, delicado, mas logo tornou-se mais intenso, avassalador.
Naquele momento não havia mais duvidas, ou mágoas. Estávamos completamente entregues um ao outro. Estava claro que era o que ambos desejávamos a muito tempo, havia tanto desejo.
Queríamos um ao outro com certo desespero. Minhas mãos voaram para nuca dele, puxando-o cada vez mais. Eu não queria parar, mesmo sabendo que logo a falta de oxigênio nos atingiria.
Haviam tantas sensações distintas enquanto as mãos dele passeavam pelo meu corpo. O toque dele me arrepiava, me deixava de pernas bambas e me fazia querer mais.
Desejei mais do que nunca que eu pudesse ficar ali, presa naquele momento para sempre. O mundo poderia acabar e ainda assim tudo estaria bem. Eu não ligava para mais nada que não fosse nós.
Soltei um gemido de reprovação quando ele rompeu o beijo. Snape trazia nos lábios vermelhos e molhados um sorriso de satisfação.
- Temos que ir com calma. - Disse ele rindo, e me contagiando com sua risada. - Você está olhando nos meus olhos. Isso é tão bom! - Nossos corpos permaneciam praticamente colados, eram quase como um só. - Eu nunca imaginei que isso pudesse acontecer. - Eu podia sentir o coração dele batendo tão descompensado quanto o meu. Ainda estávamos recuperando o folego perdido.
- Acho que começou em algum ponto entre você arriscar sua vida por mim, e olhar nos meus olhos naquele dia na enfermaria. - Afundei meu rosto no pescoço dele, não tinha mais medo de sentir aquele perfume viciante.
- Só eu sei quantas vezes desejei abraçar você desta forma. - Disse ele dando um longo suspiro. - No fim das contas acho que devo agradecer a Rosmerta.
- Porque vai agradecer a sua ex? - Perguntei voltando a encara-lo com um sobrancelha arqueada. Havia uma nota de indignação na minha voz.
- Não faça essa cara! - Disse ele rindo, parecia se divertir com a situação. Dei um tapa de leve em seu tórax, que só agora eu havia percebido ser bem forte. - Ambos devemos agradecer a ela... E Rosmerta não é minha ex.
- O que? Eu a vi beijando você! - Respondi perplexa. - Não me diga que ela é sua atual! - Eu o encarei horrorizada.
- Rosmerta está mais para minha conselheira amorosa. - Ele ria cada vez mais e eu começava a me irritar com isso. - Você é ciumenta!
- Olha quem fala! - Comentei com sarcasmo. - Eu nunca encostei um dedo nas suas amigas, conselheiras amorosas ou o que quer que sejam. - Lancei a ele um meio sorriso. - Já você não pode dizer o mesmo sobre Heron Sparks. - Por um momento ele pareceu chocado, isso foi antes de começar a rir outra vez.
- Eu não posso mentir! Eu o teria matado ele se as coisas tomassem um outro rumo.
- Então acho que temos um vencedor! - Eu sorri vitoriosa. Ele começava a se aproximar outra vez, estávamos prestes a iniciar outro beijo quando alguém bateu na porta.
Eu me assustei, e rapidamente tirei meus braços do pescoço dele. O que menos precisávamos era de um problema. Snape xingou baixinho.
- Você trancou a porta? - Sussurrei alarmada, ao perceber que ele não me soltava. - Como fez isso sem que eu percebesse? - Ele me deu um rápido selinho em resposta.
- Sim! - Disse ele em sem tom de voz habitual.
- Snape! Porque trancou a porta? - Era Slughorn.
- E porque razão se fecha uma porta, senão para não ser perturbado? - Respondeu Snape irritado. - Eu tenho muitas coisas para fazer!
- Temos um problema! - Disse o professor um pouco agitado. - Um aluno envenenado. Dumbledore mandou chamar você. - Eu encarei Snape preocupada. Talvez alguém estivesse com sérios problemas por minha culpa.
- Vá na frente.- Respondeu Snape de forma autoritária.- Eu já estou indo. - Logo ouvimos os passos de Slughorn se distanciarem.
Snape beijou minha testa e eu fechei os olhos com aquela sensação boa, esquecendo-me outras vez de preocupações.
- Eu lamentavelmente devo ir agora. - Disse ele acariciando meu rosto suavemente. Eu estava completamente enfeitiçada com aquele olhar.
- Eu entendo. - Eu sorri em resposta. - Nos vemos depois.
- Espere um pouco até eu me distanciar. - Disse ele calmamente antes de me beijar uma última vez. - Nos vemos em breve.
N/A
Tradução:
Onde há desejo, haverá uma chama
Onde há uma chama, alguém está sujeito a se queimar
Mas só porque queima não significa que você vai morrer
Você tem que se levantar e tentar, e tentar, e tentar
(Pink - Try)
Heey! Eu não demorei muito dessa vez...
E ai gente, ficou bom? Gostaram? Sejam sinceras! To meio nervosa com isso.
Eu peço desculpas pelas vezes em que simplesmente não consigo escrever.
As vezes surgem ideias demais e fica realmente difícil coloca-las em ordem. Mas os ventos parecem estar finalmente a meu favor.
Querida Cath: Eu fico tão animada quando me dizem que gostam da minha fic! Quase choro cara!
Eu realmente agradeço pelo seu comentário, coisas assim me fazem perceber como vão as coisas aos olhos de vocês. Fiquei realmente feliz pela sua atitude!
A essa altura, esse capitulo já estava escrito, mas de certa forma isso me orientou. Houveram adaptações e espero ter chegado a algum ponto que você esperava.
Eu estive tentando seguir bem a linha dos livros, mas coisas vão melhorar eu prometo.
Quanto a demora e aos capítulos curtos, é culpa dos bloqueios, como eu mencionei anteriormente.
Mas eu volto a repetir que os ventos parecem estar a meu favor.
Espero que tenha gostado e que continue por aqui! Kisses s2
Enfim meninas, não deixem de me dizer o que acharam e espero que tenham gostado!
Nos vemos em breve.
xoxo
