Capítulo 29- Desencontro, Encontro e Reencontro
Harry perseguiu Draco por muitas ruas. Por mais que o loiro tivesse vantagem, ele conduzia uma carruagem inteira, o que não era tão ágil quanto Harry montado em um único cavalo. Algumas vezes chegou bem próximo do loiro, mas ele sempre derrubava obstáculos no caminho para atrapalhar Harry sempre que isso acontecia.
-Pare de correr, Malfoy! –gritou- Venha e resolva isso como um homem!
Draco olhou para trás e Harry viu uma faísca perigosa e maldosa no olhar dele. Assim como tinha feito uma vê, Draco virou a carruagem na direção de Harry e parou. O moreno parou também.
Harry olhou para os lados preocupado. Malfoy não havia sido tolo, e parou no meio de uma feira. As pessoas olhavam a cena assustadas. "Eu não posso deixar que ele fira alguém inocente" desesperou-se.
-Vamos, Potter! Eu estou aqui parado –o loiro desceu da carruagem e pisou os pés no chão, já sacando sua pistola- Venha e resolva isso como um homem!
Harry também desceu do seu cavalo, mas hesitando em sacar a pistola ou não. Acabou sacando e a engatilhando, mas não faria nada se Draco não desse o primeiro passo. Cada um deu alguns passos na direção do outro, mas nenhum dos dois fazia nada. Harry estava esperando, tinha certeza de que Draco puxaria alguém para escudo no ultimo instante.
-O que pensa em fazer, Potter? Me matar para ficar com minha mulher? Acha que se fizer isso, você vai conseguir fugir de Riddle e da polícia?
De fato ainda não havia pensado nisso. Quando Nicolau mandou segui-lo, tudo que Harry tinha em mente era impedir que Draco chegasse até Riddle, mas não havia pensado muito sobre o que faria. Agora estava ali e não sabia o que fazer. Tinha uma arma apontada para Draco, mas somente porque ele lhe apontara uma arma primeiro, mas nem de longe pensava em atirar.
-Você é um tolo e um fraco, Potter –riu Draco.
O moreno ouviu a voz do rival e teve certeza de que ele atiraria naquele momento, e fechou os olhos quando ouviu o barulho do disparo. As pessoas gritaram muito e correram, e ele ficou em pé tremendo e esperando a dor chegar. Como nada acontecia, abriu os olhos.
Draco estava de joelhos no chão, olhando para o nada assustado e surpreso. Os olhos cinzentos dele se encontraram por um momento com os de Harry, e tudo que o moreno conseguiu enxergar naquele olhar foi confusão. Draco parecia saber que não fora Harry quem atirou nele, e não sabia de onde o tiro havia vindo.
Harry se aproximou de Draco para ver se podia fazer alguma coisa. O loiro lhe agarrou o colarinho com força e sussurrou em seu ouvido:
-Você nunca sairá dessa cidade, Potter. Riddle vai te pegar, e eu estarei lhe esperando no inferno para acertarmos as contas –Draco deu uma gargalhada louca- Até breve, Potter.
Draco caiu no chão com um baque surdo e Harry ficou ajoelhado vendo a mancha de sangue do inimigo aumentar a cada instante. Estava tão transtornado que não ouviu os passos firmes se aproximando dele. Ele só voltou a sai quando ouviu o barulho de uma arma sendo engatilhada e sentiu o cano dela na sua nunca.
-Solte a sua arma e se levante com as mãos acima da cabeça –rugiu uma voz.
"Idiota! Por que você não saiu correndo logo?" brigou consigo. Fez o que o policial mandou e ficou parado em pé. Foi imobilizado e algemado, mas ele não fez resistência enquanto lhe lavavam. Sentia-se um tolo. Estavam numa feira, com dezenas de pessoas ali, é claro que alguém chamaria a polícia! Por que ficara parado a espera de que lhe pegassem?
Assim que chegou o camburão que lhe levaria, ele abaixou a cabeça sentindo-se derrotado. Draco estava certo, iriam se encontrar em breve. Riddle controlava a polícia, já podia considerar-se morto.
-É, Draco, você tinha razão –suspirou em voz alta, jogado sozinho naquele cárcere ambulante- Nos desencontramos por pouco tempo.
Jogou a cabeça para trás sentindo tudo girar. Fim de jogo.
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Ele se espreguiçou na cama sentindo-se satisfeito e ela aninhou-se no seu peito.
-Eu quero passar o resto da minha vida com você, Harry.
O moreno sorriu e segurou o rosto dela com carinho, encarando os olhos castanhos dela.
-Eu já te falei, vamos fugir!
A mulher se levantou e ficou envolta nos lençóis, andando pensativa de um lado para o outro. Cho parecia pensar.
-Eu já pensei muito sobre isso, mais do que você imagina –ela parou de andar e o encarou resoluta- Tudo que eu mais quero é ficar com você, mas se fugirmos só com as jóias que eu tenho, em pouco tempo vamos morrer de fome. Não, assim não dá!
Ela se sentou de costas na beirada da cama, ele se aproximou e beijou o ombro dela com carinho.
-Mas então como vamos fazer?
Ela sorriu como se só estivesse esperando ele perguntar.
-Eu tive uma idéia –animou-se ela- Eu tenho um amigo, você vai gostar dele, e acho que ele pode nos ajudar. O nome dele é Tom Riddle.
Harry foi largado numa cela vazia por dois policiais troncudos. Achou que os dois entrariam para dar umas boas porradas nele, mas eles o deixaram em paz. Agora sim estava morto. Era só uma questão de minutos. Sempre conseguira se safar, sempre tivera ajuda, mas agora não tinha mesmo como escapar.
Ele tremia muito e olhava para todos os lados, esperando que a qualquer momento um buraco na parede ou qualquer coisa assim fosse aparecer, mas sabia que isso era ilusão. A última doce ilusão. Fechou os olhos e tentou pensar em coisas alegres que fizessem com que tivesse valido à pena viver, mas a única coisa que vinha em sua cabeça era Cho. Era tudo culpa dela.
Harry sentou-se na mesa do carteado e olhou para o homem mais bem vestido da mesa, que distribuía as cartas com um sorriso simpático no rosto. Cho o abraçou por trás e sussurrou em seu ouvido:
-É ele. Vocês podem conversar depois dessa rodada.
Riddle o olhou e sorriu levantando seu copo de uísque e fez sinal ao garçom para que servisse Harry. Não conversaram ao final daquela rodada nem da próxima, só depois de várias rodadas de cartas e uísque que os dois finalmente sentaram afastados num canto. Para Harry, aquele homem era... Fascinante. Ele não perdera nenhuma rodada, esvaziando as mãos de todos da mesa e ainda mantendo aquele sorriso engraçado.
-Então... Harry? É esse mesmo o seu nome, não é?
Ele assentiu a cabeça e estendeu as mãos para cumprimentar o homem.
-Pois bem, Harry. Cho me disse que você gostaria de trabalhar comigo. Fico muito satisfeito com isso.
Harry só concordava com cabeça, aquele momento era estranho e divertido. Aliás, ainda nem sabia como isso ajudaria a sua fuga, mas tinha certeza de que Riddle poderia ajudá-lo.
-Você deve estar pensando "como faremos isso"? Bom, você não precisa fazer nada. Só precisa guardar em segurança uma encomenda que estou esperando.
-Essa encomenda... –interrompeu Harry assustado- É roubada?
Riddle deu uma gargalhada e colocou uma mão no ombro de Harry de modo paternal.
-Você não precisa se preocupar com isso. Gaste seus pensamentos imaginando o que vai fazer com o pagamento que vai receber –ele olhou para Cho que estava no outro canto da sala- Não vá desperdiçar sua chance de ficar com aquela mocinha ali.
É, o conselho de Riddle parecia um bom conselho. O de Cho também. Mas por que diabos ele não ouviu a sua intuição de que aquilo não ia dar certo? Toda essa história começara há oito anos e finalmente ia terminar. Abaixou a cabeça tentando conter as lágrimas, pelo menos Gina estava livre. Draco Malfoy não existia mais. Ela poderia reconstruir sua vida. Se vivera até hoje para libertar uma pessoa tão doce e frágil, bom, podia pensar que viver tinha valido à pena.
-E eu nem vou conhecer o meu filho... –lamentou em voz alta, já sem controlar as lágrimas.
-Ah, a paternidade... –suspirou alguém ao seu lado- É algo que eu lamento não conhecer.
Harry levantou a cabeça assustado, por um instante pensando que Riddle havia entrado em sua cela sem que ele percebesse. Mas não era Riddle. Bem no canto da cela estava um velhinho com um vestido verde e chapéu pontiagudo. Ele tinha uma longa barba branca, um nariz torto e usava óculos meia-lua. Harry olhou para todos os lados assustado. Não vira os guardas trazer ninguém, e podia ter certeza de que quando fora jogado na cela, esta estava vazia.
-O quê é você? –espantou-se ele, não se importando em parecer rude.
O velho riu e estendeu a mão.
-Alvo Dumbledore, a seu dispor.
Mas a mão de Dumbledore ficou parada no ar. Harry ainda o olhava assustado e agora tocava as grades da cela, verificando se nenhuma delas estava bamba ou solta.
-Como você entrou aqui?
Dumbledore exibia um sorriso sereno.
-Eu aparatei, é claro.
Ah sim, claro, tudo bem. Ele tinha aparatado, só isso. Mas o que diabos aquilo significava?
-Como você entrou? –repetiu Harry, pasmo- Tem como eu sair por lá?
Harry se agachou e começou a conferir o chão. Será que tinha algum túnel escondido ali?
-Eu já disse, Sr. Potter, eu aparatei. Não tem nenhum túnel ou grade solta nesta cela.
Harry parou e o olhou com pavor, afastando-se dele ao máximo.
-Como sabe meu nome? Veio para me matar?
Dumbledore riu e Harry voltou a tremer, mas o velho fez um muxoxo com a mão.
-Certamente que não vim te matar. Vim lhe ajudar.
Ah, até que enfim uma luz. Mas ainda uma luz difusa.
-Ajudar como? E por quê?
-Bom, eu tenho alguns interesses nessa sua história Sr. Potter.
-Como sabe meu nome? O que sabe de mim?
-Eu sei muito mais que o seu nome. Acompanho o caso Riddle há exatos oito anos por motivos meus e creio que você é uma peça mais que fundamental nele.
Um aliado, hã? Muito bom, ainda mais agora.
-Como vai me tirar daqui?
-Ora, se você segurar meu braço creio que podemos desaparatar.
Harry ficou parado olhando o homem abismado e se sentindo imensamente tolo. Analisou a roupa estranha dele mais uma vez e não pôde deixar de perguntar novamente:
-O que é você?
-Um bruxo, naturalmente.
Harry ficou calado por um instante, depois deu uma sonora gargalhada. Céus, ele precisava desesperadamente sair dali e estava perdendo seu precioso tempo com um louco. Não, isso não podia ser pior.
-E você vai me dizer que Tom Riddle também é um bruxo, certo? –debochou.
Mas Dumbledore não se ofendia com nada. Continuava com aquele sorriso divertido no rosto.
-É claro que não. Tom Riddle é um aborto.
-Eu gostaria mesmo que tivesse sido... –suspirou o moreno.
O que não dava nesse momento para que a mãe de Riddle o tivesse matado enquanto um feto. Mas esse seu doce pensamento foi quebrado pela risada de Dumbledore.
-Quero dizer que Riddle veio de uma família bruxa, porém não tem sangue mágico.
Harry encarava o velho totalmente desacreditado. Por que aquele homem se dava ao trabalho de continuar falando? Mas a grande questão era: por que continuava ouvindo? Dumbledore começou a andar pela cela lentamente enquanto continuava a falar.
-Você não entende o preconceito que existe no mundo mágico contra alguém que nasce sem magia. Ainda mais se essa pessoa vem de uma família mágica importante. Riddle teve uma vida difícil enquanto tentou se enquadrar na sociedade mágica, até que ele resolveu tentar ser grande no único lugar onde não o discriminariam: entre os trouxas.
Era impressão sua ou aquele velho barbudo e meio louco acabara de chamá-lo de trouxa? Se não fosse pelo fato de não gostar de violência, teria lhe dado um belo soco.
-Trouxa é como chamamos quem não possui sangue mágico –explicou ele.
Harry ainda olhava desolado. Sua grande última salvação era uma tolice.
-Certo, e por que você quer me ajudar? –perguntou incrédulo.
-Como eu disse, tenho interesses próprios nessa história. Eu quero o mesmo que todos querem nessa historia, Sr. Potter: a encomenda que você recebeu. Você há de lembrar que Riddle antes era famoso por se interessar por objetos estranhos e sem valor. Só o que os outros não sabiam era que tudo aquilo eram objetos mágicos. O objeto que você recebeu era particularmente especial e eu o quero de volta.
Ah não, essa história de novo não!
-Eu-não-roubei-nada! –disse entre dentes e furioso.
-Sei que não, foi a Srta. Chang. Mas eu tenho razões para acreditar que ela ainda precisa de você, ou que talvez isto ainda esteja com você, portanto estou aqui.
Harry andava a passos duro pela cela. Certo, o homem podia parecer louco, mas de toda forma parecia bem seguro de tudo que falava. Bom, ainda não ia acreditar nessa história de magia, mas... Havia uma parte que para ele era conveniente acreditar.
-Só uma coisa: se você é um bruxo, se queria isso de volta e se achava que eu era importante para isso, por que não mexeu com sua varinha e fez tudo resolver?
Dumbledore riu.
-As coisas podem não ser tão simples quanto o revirar de uma varinha, Sr. Potter. Bruxos até são mais fáceis de achar porque eles deixam um rastro de magia por onde passam. Mas um trouxa boêmio como você não seria muito fácil e eu tenho muitas obrigações. De toda forma, eu sabia que você ia voltar um dia, por isso esperei. Só lamento que as circunstâncias que te trouxeram de volta não foram as mais felizes, mas pelo menos um inimigo a menos. Resolvendo este problema com Riddle você está livre.
Harry franziu o cenho. Era impressão sua ou o velhote estava insinuando que ele tinha matado Draco?
-Eu não matei ninguém –rugiu.
-Sei disso. Eu peço perdão, mas eu já li a sua mente. Você sabe, eu tinha que verificar se você, de fato, não sabia onde estava o artefato. Me desculpe.
Harry deu uma nova gargalhada e começou a se desesperar novamente. Bom, talvez a sua ajuda fosse mesmo uma furada.
-Ah, você já leu a minha mente... –ironizou- Ok, então talvez você saiba em que número eu estou pensando.
-Naturalmente. 299, 23, 177...
O moreno arregalou os olhos e deu um passo para trás. É óbvio que ele não acreditava em bruxos, não é? Ele puxou pela memória para ver se não havia bebido ou fumado alguma coisa nas últimas 24 horas, mas fazia tempos que não bebia de verdade. Piscou os olhos muitas vezes para ter certeza de que aquilo tinha acontecido. Tinha?
Dumbledore puxou uma varinha e, ao mexer sua varinha, fez as grades todas desaparecerem. Harry ficou estupefato, olhando das grades (ou da falta delas) para Dumbledore. Aproximou-se e conferiu: nada impedia a sua saída.Quis gritar, mas se fizesse isso os guardas viriam e lhe colocariam em outra cela. Olhou para Dumbledore tentando segurar suas pernas bambas.
-Mas não é assim que vamos sair –disse o velho reconstituindo as grades e estendendo o seu braço- Vamos?
Harry, ainda tremendo, encostou e segurou firme no braço de Dumbledore, sem saber o que esperar. A sensação que veio em seguida quase lhe deu a certeza de que o homem estava ali a serviço de Riddle para lhe matar devido ao fato de parecer estar sendo puxado de dentro e sendo revirado. Assim que respirou novamente e botou os pés no chão, zangou-se:
-O que diabos você pensa que está fazendo?
Mas Dumbledore sorria sereno.
-Vamos, Harry, olhe ao seu redor.
E ele o fez. Estava no telhado de uma casa em frente à delegacia. Estava livre. Por um instante ele ficou saboreando a liberdade. Não acreditava que tinha se safado mais uma vez. Ele começou a rir, rir, rir descontroladamente. Somente quando serenou é que perguntou a Dumbledore:
-Por que não nos levou para mais longe?
-Porque não é disso que precisamos. É chegado a hora de você escolher entre o certo e o fácil, Harry. Você pode pegar sua linda mulher e fugir, mas agora Riddle já tem uma pista sua para ir atrás. Até quando vai passar por cima dessa história?
Ele ainda não havia respondido quando uma carruagem parou a uma quadra da delegacia e de dentro desceu Gina. Ela caminhava a passos duros e tinha uma expressão firme e resignada no rosto. Olhou com mais atenção e viu que a delegacia estava sendo cercada por seus amigos. Tinham vindo resgatá-lo.
-Isso não envolve mais só a mim... –respondeu a Dumbledore- Olhe quantas vidas eu posso colocar em perigo.
-Correção: quantas vidas você já colocou em perigo, Harry. Mesmo se você fugir, não pense que Riddle os perdoará. Você só tem um jeito de garantir a sua liberdade total e a dos que você ama. E esse jeito é enfrentando e derrotando Riddle.
As pernas dele voltaram a tremer.
-Eu tenho que matá-lo? –assustou-se.
O velho deu uma boa gargalhada e colocou a mão no ombro do moreno com carinho.
-Você me ajudar a prendê-lo já é o suficiente.
Harry retirou a mão de Dumbledore e o olhou com impaciência.
-Ora, faça-me o favor, ele controla a polícia! Nunca será preso!
-Eu receio que Tom Riddle nunca vá pagar pelos crimes que cometeu na sociedade trouxa, Harry. Mas para chegar até onde chegou ele cometeu uma série de crimes bruxos também, e no nosso mundo, ele pode ser preso sem dificuldade alguma.
-E por que então você não o prende? –esganiçou Harry, puxando seus cabelos.
-Porque eu não tenho provas, só por isso. Aliás, minto: porque eu não tenho provas nem quem acredite em mim e resolva abrir um inquérito para investigar. Você vê, parece ridículo aos olhos de um bruxo que um aborto, alguém sem um pingo de mágica no sangue, possa ter enganado vários bruxos e roubado algo de tamanho valor.
Harry ficou em silêncio olhando para a porta da delegacia por onde Gina entrara e até então não saíra.
-Aliás, devo confessar que essa história é realmente impressionante –comentou Dumbledore, com um leve tom de fascinação.
-O que quer dizer com isso?
-Quero dizer que nunca em toda história bruxa eu ouvi falar em abortos que manipulam bruxos e conseguem tal façanha. É realmente admirável. Lamentável também devido aos objetivos infelizes, mas ainda assim admirável.
Harry o encarava confuso.
-Abortos?
-Sim, abortos. Tom Riddle e Cho Chang, posteriormente Cho Duprat. Ambos nascidos em famílias bruxas de certo prestígio e sem uma única gota de sangue mágico nas veias. Você vê então o que a obstinação pelo poder e status podem fazer com uma pessoa. Ambos souberam reproduzir efeitos de encantamentos mágicos para atingir seus objetivos.
Para Harry aquilo tudo se tornava mais incompreensível e pior a cada instante. Se não tivesse visto as grades desaparecerem na sua frente e se não estivesse fora da cadeia, já teria deixado toda essa história de magia de lado, pegado Gina e dado no pé.
-Como assim "reproduzir efeito de encantamentos"?
Dumbledore respirou fundo e mexeu sua varinha, fazendo aparecer cadeiras confortáveis para os dois. Aparentemente cansara de contar histórias em pé.
-Existe um encanto chamado Imperius. É uma maldição, um encanto de magia negra, proibido pelo Ministério. Essa magia faz, desde que bem lançada, que uma pessoa atenda aos seus comandos. Qualquer comando. Se você ordenar que a pessoa mate outra, pule de um abismo ou enfrente um dragão, a pessoa o fará. Já vocês trouxas têm algo chamadohipnose, que foi desenvolvido para fins menos escusos e não tem tanto poder, mas que pode render alguma coisa, desde que a pessoa hipnotize a outra de modo eficiente. Tom Riddle e Cho Chang começaram por aí. Eu inclusive gostaria de saber se eles já eram mancomunados antes de começar tudo ou se aliaram por terem a mesma brilhante idéia. Bom, mas o fato é que eles utilizaram a hipnose para fundar as bases do que seria a ascensão deles.
Harry observou Gina sair abismada da cadeia. Ela parecia muito pálida, certamente deveria estar imaginando que Riddle o pegara. Olhou para Dumbledore, mas o simples olhar do homem lhe dizia que não poderia descer para se comunicar com ela. Resolveu retomar a história.
-Como eles fizeram isso?
-De modos diferentes, cada um com seu ponto forte. Riddle era muito inteligente para elaborar planos e estratégias, mas para isso precisaria ter conhecimento sobre onde estava pisando. Então ele hipnotizava pessoas importantes e roubava informações confidenciais. Já Cho resolveu usar seu charme feminino hipnotizando um homem para que lhe conseguisse um estoque muito grande e potente de Poção do Amor. O suficiente para que ela fisgasse um alto aristocrata trouxa e o mantivesse apaixonado por todos os seis meses de noivado. Depois de casada e infiltrada na alta sociedade trouxa, parou de dar a poção para que o marido, certamente arrependido de ter casado com uma plebéia desconhecida, lhe deixasse em paz para que ela tocasse em frente os seus planos dela.
-E quais eram os planos dela? –perguntou, temendo a resposta.
-É esse ponto que me intriga –suspirou Dumbledore- Riddle podia até não ter conhecido Cho antes de você entrar na história, mas ela certamente já o conhecia. Eu também não sei se em algum tempo Riddle soube que ela também era um aborto ou se aliou-se a ela justamente por esse fato. Mas depois de todos esses anos investigando esse caso, eu estou certo de que o plano dela era ludibriar Riddle, e tomar para si a grande conquista dele. Mais uma vez a idéia dela, assim como no casamento, era de passar por cima de quem já estivesse no alto, ao invés de subir por conta própria.
Harry parecia ter levado um soco na boca do estômago. Durante anos a fio remoeu sua história com Cho na cabeça, e sempre chegara à conclusão de que, pelo menos por algum tempo, ela lhe amara. Afinal, nunca fizera sentido para ele que ela, rica e bem casada, quisesse se prostituir. Sempre pensara que ela fora para o cabaré de Madame Rouge atrás de algum amor que não encontrara em casa. Descobria agora que ela fora atrás de Riddle. Ele ficou calado olhando para o nada, então percebeu seus amigos dando voltas para chegarem até a carruagem. Somente Adolfo se aproximou diretamente, e saiu de perto tão pálido quanto Gina saíra da delegacia.
-É irônico –retomou Dumbledore com um riso divertido- Riddle acredita que você é o responsável pelo fiasco do plano dele, quando na verdade é a Srta. Chang. E se pensarmos assim, ele esteve esses anos todos correndo atrás do homem errado. Sua cabeça está pendurada a troco de nada.
Harry novamente teve vontade de socá-lo, mas estava tão desanimado que a vontade passou no mesmo instante em que veio. Ele apenas suspirou e falou:
-Acho que tudo isso significa que Riddle não sabia que Cho era um aborto, ou teria suspeitado e culpado ela e não eu. Principalmente depois que ela desapareceu, pois isso confirmaria uma traição dela.
-Talvez. Mas ela fugiria de qualquer jeito se estivesse com medo e ele saberia disso, Riddle enxerga longe as fraquezas dos outros. E se ele pensasse ainda que ela estava fugindo para se encontrar com você em algum lugar... –ele suspirou- Bom, eu já criei diversas hipóteses sobre isso, mas como esse é somente um fato secundário, eu parei de gastar meus esforços inutilmente para me concentrar no que é realmente importante.
-Certo. E o que seria isso?
-O óbvio. Reaver o artefato e prender Riddle para sempre.
-E como eu posso ajudar você a fazer isso?
Dumbledore lhe encarou sério com o par de olhos azuis.
-Primeiramente: indo ao encontro de Cho.
Harry sustentou o olhar por um tempo, mas então deu um sorriso amarelo. Aquilo era uma brincadeira? Mas Dumbledore continuava sério.
-Como eu poderia fazer isso? –afligiu-se ele- Ela fugiu há anos sabe-se lá para onde!
Dumbledore balançou a cabeça com um sorriso enigmático e ficou calado olhando pra a delegacia. Harry passou a olhar para o mesmo lugar com avidez. Não, ela não ia aparecer ali. Não era possível.
-Porque ela viria? –riu desesperado consigo. Sempre quis tanto saber onde ela se escondia que para ele era impossível que ela viria atrás dele.
-Eu já lhe disse, Harry. De alguma forma, e eu até suspeito como, ela ainda precisa de você. Acho que ela nunca pensou que você conseguiria fugir de Riddle, por isso arriscou-se a lhe usar. Ela pensou ser o plano perfeito, entende? Ela ficaria com o objeto e você seria culpado e punido. Só que o plano não saiu como ela queria.
O coração de Harry batia muito acelerado ante a perspectiva de revê-la. Tinha tanto que queria jogar na cara dela. Antes tinha muitas perguntas, mas como elas acabavam de ser respondidas, só lhe restava a imensa vontade de xingá-la e, quem sabe, esbofeteá-la até sangrar. Nunca levantara a mão para uma mulher, e inclusive defendera muitas que não mereciam, mas... Era demais para ele.
Continuou olhando atento e nem se importou quando carruagem que Gina estava e todos os seus amigos partiram. Melhor assim. Riddle ia chegar a qualquer momento, e ele podia já saber sobre todos eles. Mas o que martelava na sua cabeça era: como ia conseguir descer e ir atrás de Cho se Riddle chegasse logo?
-Ela não seria idiota de vir... –resmungou ele depois de minutos esperando.
-Pois lá está ela –apontou Dumbledore.
Com olhos impacientes ele buscou a figura já muito conhecida na direção em que ele havia apontado. Mas lá não estava Cho. De fato até havia uma mulher parecendo espreitar escondida, mas nem de longe era parecia com ela. Cho tinha os cabelos negros e lisos, traços orientais e a pele muito branca. A mulher, apesar de branca, tinha os cabelos louros e ondulados. Harry olhou confuso para Dumbledore.
-Onde?
-Aquela mesma que você está vendo –riu ele- Ela tem vivido com essa aparência desde que você se foi. Existe um mercado não muito confiável que vende objetos, serviços e cursos instantâneos para abortos prometendo que eles poderão fazer mágica. É tudo falcatrua, claro, a mágica está nos objetos, e não nos abortos. Um trouxa que pegasse um objeto desse tipo também poderia "fazer" algumas poucas coisas, porque na verdade o objeto já está programado para fazer determinadas tarefas. Ou ela usou um objeto desse para se transfigurar, ou então usou o seu velho truque da hipnose para fazer com que algum bruxo a transfigurasse. Em todo caso, tenho certeza de que ela não usou a poção Polissuco.
Não lhe interessava saber o que era a poção Polissuco, ali na sua frente estava Cho. Bem diferente do que ele se lembrava, mas mesmo assim era ela. Seu coração batia descompassado e ele suava frio. Nunca pensou que esse momento fosse acontecer.
-Vamos lá antes que Riddle chegue –disse Dumbledore- Ele está muito perto agora. Vamos descobrir o que ela fez com o artefato.
-Dane-se o artefato! –estourou Harry. Droga, ali estava a história da sua vida. E nem somente da sua, ali estava uma história que também atingira sua mãe e irmã de um modo que ele nunca teria desejado. Não sabia o que fazer nem o que falar com ela e, para falar a verdade, sentia ciúmes dessa coisa que lhe roubara tanto- Afinal, que droga de artefato era esse?
Dumbledore ficou calado, como se medisse as palavras. Franziu o cenho e olhou para o nada, fato que só aumentou a impaciência de Harry.
-Algo que tanto ela como Riddle acreditavam que lhes daria magia. A magia que objetos pilantras prometiam e não cumpriam. Era algo que ambos acreditavam que lhe tornariam bruxos.
-E tornaria mesmo? –assustou-se Harry.
Dumbledore não respondeu, apenas ofereceu o seu braço novamente. Harry deu de ombros e segurou firme no mago, mesmo sabendo a sensação ruim que viria a seguir. Fosse como fosse, ele havia esperado tempo demais por esse momento.
Desaparataram numa esquina próxima a que Cho estava. Dumbledore tocou o seu ombro.
-Vá e a convide para um passeio de carruagem. Aposto que ela não rejeitará.
-Que carruagem? Você não tem uma carruagem!
Dumbledore deu novamente um riso enigmático e tocou o que parecia ser um apito, porém nenhum som saiu.
-Mas o qu...
A fala de Harry foi cortada quando ele viu se aproximar uma carruagem que não tinha cavalos puxando. Certo, ele estava vendo uma carruagem que se movia sem cavalos. Gostava cada vez menos desse mundo bruxo.
-Você não pode vê-los porque não possui sangue mágico –disse Dumbledore- E mesmo se tivesse, só os veria se tivesse visto a morte.
Tentando não pensar no que veria ou não, subiu na carruagem (com um medo ridículo de cair) e fechou a porta. A carruagem andou realmente muito pouco antes de parar em frente à mulher loira. Harry abriu a porta e a encarou.
Apesar da mudança no cabelo e de algumas modificações no rosto, agora ele via que realmente era ela. Os mesmos olhos de sempre. Ela o encarou com choque quando ele sorriu e estendeu sua mão.
-Gostaria de dar uma voltinha comigo, Srta. Chang?
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N/A: Hello, people!!! Mais um cap e rapidinho! rsrsr Eu só lamento porque agora sim a fic já está entrando em clima de despedida. Se isso fosse novela da globo já estaria aparecendo a vinheta "Absinto- últimos capítulos", rsrsr Well, é a vida!rsrsr Mas agora você pode me animar, sendo uma boa pessoa, deixando uma resenha e entrando da campanha "Eu faço uma autora feliz"! Se você ainda não fez, está quase perdendo a sua chance de fazer! Rsrsr Bjusss
N/A2: Só nesse cap as resenhas não estão todas respondidas na ordem em q foram feitas, rsrsrs Eu me atrapalhei um pouquinho, rsrsr Mas respondi todo mundo, podem conferir! huhuahuahua
Isa Slytherin: Bom, pelo menos por enquanto não tem ngm mto interessado em fazer um velório pro Draco, rsrsr Mas não acho q ele vá ser comido pelos abutres, msmq mereça!!!rsrsr Mas olha só, vc arrancou seus cabelos a toa, pq o Harry tava são e salvo, embora um pouquinho confuso, hehe Bjusss
Mone Potter: Ah, eu sempre adoro parar na melhor parte, rsrsr e é mais divertido qundo os outros ainda reclamam! huahuahuahua Bom, o cap 29 veio rápido, vamos ver agora o 30, rsrsr q vem com Harry e Cho!!!rsrsr Bjsss
Aluada: Nananinanão, ele não foi raptado pelo Riddle. Aliás, ele nem foi raptado, pq foi com o Dumbledore d livre e espontanea vontade (embora meio asusstado, tadinho) rsrsrs Calma aí sua aflição!rsrsr Bjusss
Mai Amekan: Ahá, adoooooro confundir!!!rsrsr Mas eu desconfundi rapidinho, então nem sou má!!!rsrsr Eu só não posso falar q ele foi exatamente salvo, pq o Dumbledore tá mandando ele de volta pra cova dos leõs, maaaaas... rsrsrsr Bjusss
Aeris Lux: Nome divertido o seu! rsrsr Q bom q vc gosta assim da fic, fico super feliz! rsrsrs E olha só, eu nem deixei vc na expectativa por muito tempo! rsrsr D vez em quando eu tenho surtos bonzinhos, rsrsr Bjusss
eikeX: Sim, o Draco se foi msm!!!rsrsr Ele não ressucitará ou coisa assim, chega desse loiro na fic, ele já aprontou tudo q podia e q num podia!!!rsrsr Vamos agora pro segundo inimigo, q mal teve suas aparições, heeh Bjusss
Lanni Lu: Ah, nem Riddle nem fuga, eis q surge o Dumbledore nessa história pra dar uma reviravolta! rsrsr Tava doida pra ele entrar logo, como demorou!!!rsrsr Bjusss
aNGeLa.xD: Quanta aflição, rsrsrsr E por nada, tadinha, pq o Harry já tava são e salvo olhando tudo d camarote, huahuahuahua Bom, são e salvo e só um aexpressão pq ainda num é bem assim, maaaas. Já é alguma coisa! rsrsr Bjusss
Paty Black: Ok, eu respondo o q vc quiser (bom, nem tanto), mas sem essa história de puxar a autora e balançar! huahuahuahuahua E olha só, o Dumbledore acaba d falar q Imperius é uma magia má e vai lá vc e usa, huahuahuahu Daki a pouco eu boto ele pra correr atrás d vc tb!!!rsrrs Mentira, faço isso naum! rsrssrBjusss
Mari Dias: Ow, nem me fale q tá acabando! Eu ainda não sei o q fazer da minha vida quando essa história acabar!!!rsrrs Faz tanto tempo q eu me dedico d corpo e alma nela, q é mto triste! rsrsr Bom, mas pelo menos boa parte dos meus mistérios finalmente foram revelados!!!rsrsrsr Bjusss
Bruni Chan: Ah, mas diz q nem teria tanta graça se vc num ficasse louca ao final d cada cap???rsrsr E olha q eu fui boazinha, dei um milhão d respostas nesse cap!!rsrsr Agora e aguardar o reencontro com a cho pra ver no q dá!!!rsrsrrs Bjusss
Lu Martins: Rapida como uma flecha again!!!rsrsr E embora esse cap não tenha tido tanta ação quanto o anterior, acho q foi uma boa dose d emoção d qualquer forma!!!rsrsr Pelo menos pro Harry foi o bastante!!! rsrsr E eu de quebra respondi várias das suas perguntas, hehe E não se recrimine por não ter visto os caps antes, eu me esforcei na rapidez, rsrsrrs A culpa não foi sua! rsrsr Bjusss
alyson1weasley1riddle: Só uma pergunta: vc ficou com raiva da Nina??? Tadinha, acho q ela é o personagem q mais sofreu nessa história toda, msm q a Gina tenha passado o pão q o diabo amassou, pelo menos ela tinha um lindo moreno d olhos verdes a amando! rsrsr Mas eu dou um jeito em tudo!rsrsrsr Só q o Rony eu ainda não conto se vai perder a mione ou não! hahuahuahuahua malvada E olha só, vc acertou! rsrsr Eis q a Cho aparece pra dar mais algumas respostinhas báaaasicas!rsrsr Bjusss
Patty Potter Hard: Bom, o Draco já se ferrou, mas ainda tem toda uma série d pendencias pro Harry resolver, né???rss Num dá pra ser feliz pra sempre com um assassino no seu pé, huahuahuahua Bjusss
Clara W. Potter: E num é q vc acertou???/rsrsr Cara, eu fico indignada quando eu tento fazer uma surpresa e alguém descobre antes! huahuahuahua Bom, e vc é a prova viva d q não custa tentar, rsrsr o seu palpite acertou na mosca! rsrsrs E continuarei guardado segredo sobre ataques, rsrsrsr Bjusss
Tammie Silveira: Minha vez d dizer "Oh my God!" huahuahuahuahua Isso é q e uma mega resenha!!!rsrsr Morri d rir dos seus comentários...rsrs E só a título de curiosidade, eu imagino o Nicolau bem bonito sim, um moreno galante. Mas só uma coisa: ele é GAY!!! Gay e casado!!! rsrsr Vc não percebeu????rsrsr Mas não fica assim, ainda aparecerão outros, huahuahuahua Bom, mas pra salvar o dia, pelo menos o Harry não foi pego pelo Riddle! rsrsrsr Bjusss
Michelle Granger: Nossa, quantas perguntas!!!rsrssr Bom, a amioria delas foram respondidas nese cap msm, só a morte do Draco q continua meio obscura, mas em todo caso é como o Dumbledore disse... Um a menos! huahuahuahuahua E se nao foi o Harry quem matou, ele é q num vai reclamar da situação! rsrsrsr Bjusss
Ninha: E mais uma atualização rapida!!!rsrsr Esse foi um cap gostoso d escrever, pq eu já num aguentava mais esses segredos, huahuahuahua Bom, já respondi algumas das sus perguntas, agora é esperar pra ver o q esse reencontro com a Cho vai render!rsrsr Bjusss
Isabella: Sem infartes, please!!! rsrsrsr O Harry está bem, pelo menos por enquanto!!!rsrsrsr E atualização rapidinha tb, pra vc naum poder reclamar!rsrrs Bjusss
Anaisa: Insiprou e expirou o sufiente???rsrssr Olha, valeu a pena não se desesperar, rsrsr nem era tão grave assim! rsrsr E de quebra vc (e o Harry, é claro) ainda receberam diveras respostas interessantes!!!rsrsrs Bjusss
